8° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco Jornalismo Científico e Cultural Thu, 11 Feb 2021 20:31:44 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico 8° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco 32 32 8° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/minha-vida-minha-historia-e-a-ufsm Mon, 01 Feb 2021 17:47:42 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2679

Minha história de vida se confunde com a história da Universidade Federal de Santa Maria, porque a fábrica de meu pai, na década de 1950, ganhou a primeira concorrência para fabricar as portas e janelas dos prédios que seriam construídos no que, inicialmente, todos chamavam de Faculdade de Camobi e, depois, de Cidade Universitária.

Naqueles dias, eu era uma menina de cinco ou seis anos, que esperava ansiosamente a chegada dos domingos para acompanhar meu pai na visita às obras de Camobi, um lugar muito, muito distante de minha casa. Um bom percurso do trajeto era feito de caminhão, pelo meio do campo, porque o traçado das ruas ainda não existia, coisa que instigava minha imaginação.

Lembro que o primeiro prédio grande que vi erguerem foi o da Engenharia, como todos o chamavam. Claro que já existia a casinha branca, um pouco distante dali, onde funcionava o escritório, lugar em que meu pai conversava com o Dr. Mariano antes de começar suas atividades. Para mim, aquele primeiro prédio era um lugar faraônico, com muitos espaços abertos em que meu pai cuidadosamente fazia a medição sob meu olhar curioso, apreensivo e esperançoso pelo momento que se sucederia, quando eu sentava em uns bancos improvisados para lanchar. Era nesse momento que eu ouvia as previsões que ele fazia sobre tudo o que iria acontecer naquele lugar em cinquenta, cem anos, de como a cidade cresceria naquela direção, de como eu seria feliz estudando ali, de como ele se realizaria no dia da minha formatura, e no dia em que eu trabalhasse na faculdade, colaborando para mudar o mundo.

Meu pai morreu no início dos anos sessenta — não viveu as emoções anunciadas —, mas eu vivi.

Estudei nessa Universidade, me envolvi com a política universitária, viajei a Brasília com o pessoal do DCE para reivindicar em favor da Universidade, num tempo de atuação e contestação ingênua, mas que ajudou a me formar com responsabilidade, seriedade e espírito cidadão. Na UFSM, vivi os melhores anos da minha juventude, participei de projetos, atuei no Mobral, no Projeto Rondon, joguei vôlei, nadei, estudei muito, parti para a vida, e tempos depois (nos anos oitenta) voltei como professora. Fiz mestrado e doutorado. Mergulhei nas pesquisas da Gerontologia e viajei por muitos lugares, discutindo o envelhecimento. Atuei no ensino, na pesquisa, na extensão, e na administração, sempre acreditando que colaborava para a mudança do mundo, anunciada por meu pai.

Hoje estou aposentada, mas não desligada da instituição que me viu crescer, motivou minha caminhada e me fez o que sou. Interajo com grupos de pesquisa, frequento a Oficina de Fotografia do Espaço Alternativo, integro bancas de avaliação…. Continuo acreditando que é possível mudar o mundo através da educação, sonho com uma Universidade cada vez maior, e continuo reivindicando melhorias, hoje com mais foco, sedimentada nos ensinamentos de meus queridos professores do Centro de Ciências Pedagógicas.

Assim, não me resta outra palavra senão OBRIGADA, meus professores pelo que me ajudaram a ser e pensar, obrigada, UFSM, pelo que me ajudou a fazer e sentir!

 

*Carmen Maria Andrade é Doutora em Educação, Vida Adulta e Envelhecimento e professora aposentada da UFSM.

**Texto publicado originalmente na edição 8 da Revista Arco e repostado em razão dos 60 anos da Universidade.

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8° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/catalisador-do-desenvolvimento-local Wed, 08 Nov 2017 17:02:24 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2741  

“Cidade Cultura” para alguns, “Cidade Universitária” para outros. Os adjetivos para caracterizar Santa Maria são diversos e muitos têm origem em sua história. No meio militar, o município é conhecido como a “Capital dos Blindados”, por abrigar regimentos importantes em nível nacional, como a 6ª Brigada de Infantaria Blindada e o Centro de Instrução de Blindados, ambos subordinados à 3ª Divisão de Exército. Além disso, o município possui o segundo maior contingente militar brasileiro, com instituições vinculadas tanto ao Exército quanto à Aeronáutica.

 

O ambiente formado na cidade é propício para que a relação entre as Forças Armadas e UFSM se desenvolva — tanto para o avanço tecnológico, como também para a colaboração em estratégias que impulsionam a economia local. Foi a partir dessa constatação que agentes da cidade se movimentaram, desde 2013, para se articular em torno do setor. A Agência de Desenvolvimento de Santa Maria (Adesm) buscou as demandas militares para instituir na região o Polo de Defesa e Segurança. A partir dessa iniciativa, foram necessários dois anos até o reconhecimento, pelo governo do estado do Rio Grande do Sul, do polo como um Arranjo Produtivo Local (APL).

 

 

O POLO DE DEFESA E SEGURANÇA

 

Todo esse desenvolvimento só foi possível a partir de iniciativas como o movimento A Santa Maria que queremos, que promoveu, em 2009, um encontro entre representantes da população santa-mariense, como professores, trabalhadores, empresários, militares, políticos, religiosos e representantes do poder público, para a construção de uma visão a longo prazo para o município. O resultado dessa mobilização foi a criação, em 2011, da Agência de Desenvolvimento de Santa Maria (Adesm), projetada para dar continuidade ao processo de planejamento estratégico, como também para viabilizar projetos de interesse do município. Entre os membros da Agência, estão os comandantes de organizações militares com sede em Santa Maria, representações empresariais, do governo municipal e das instituições de ensino superior, como a UFSM.

 

Em 2012, depois de promover reuniões em fóruns temáticos, a ADESM apresentou um documento, o Caderno de Propostas, em que reconhece, dentre outras potencialidades, o Polo de Defesa como um vetor de competitividade local. De acordo com o superintendente executivo da ADESM, Diogo de Gregori: “A partir da Estratégia Nacional de Defesa, Santa Maria vem aproveitando esta vocação militar em favor do desenvolvimento da região e do Estado.”

 

Em 2015, cerca de 15% do faturamento anual das 19 empresas vinculadas ao Polo estavam relacionados ao setor de Defesa e Segurança, o que demonstra o potencial de investimento nessa área. A ambição dos envolvidos é o reconhecimento internacional, até 2030, de Santa Maria como um Polo de Defesa. Os primeiros passos foram dados.

Tal projeto começa a ser delineado com a organização do Seminário Internacional de Defesa (SEMINDE), que aproxima todas as partes interessadas no setor. O evento, que já teve duas edições, em 2014 e 2015, reuniu lideranças nacionais e internacionais da área de Defesa e Segurança. A terceira edição do Seminário vai acontecer em novembro de 2017 e deve contar com a exposição de produtos do setor em uma Mostra Tecnológica. Neste ano, também ocorre, pela primeira vez, o SEMINDE Acadêmico, em que trabalhos científicos voltados ao setor serão apresentados em Grupos de Trabalho e em uma mostra de Iniciação Científica.

 

RELAÇÕES DA UFSM E AS FORÇAS ARMADAS

 

O amadurecimento do Polo se deve tanto à interação entre as empresas especializadas quanto à cooperação com os centros de ensino. Para Gregori, que também é o gestor do APL, a UFSM é bastante presente nas ações desenvolvidas pela governança do arranjo produtivo, e também possui papel fundamental no incentivo de trabalhos de conclusão de curso na área. “As pesquisas em Defesa e Segurança, realizadas pelo Grupo de Estudos em Capacidade Estatal, Segurança e Defesa/GECAP, do Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH), também auxiliam na inteligência comercial”, observa o superintendente.

 

O GECAP é coordenado pelo professor Igor Castellano da Silva, do Departamento de Economia e Relações Internacionais, e é um dos principais elos de comunicação da Universidade com o APL, já que estabelece contato direto com os militares que participam das atividades. Esse foi o caso do Coronel Piraju Borowski Mendes, chefe do Estado-Maior da 3ª Divisão de Exército (3ª DE) entre 2014 e 2016, que conheceu o professor Castellano em um encontro do Centro de Estudos Internacionais sobre Governo (CEGOV), na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Desde o primeiro contato, a intenção de aproximação ficou clara. “Identificamos nosso interesse em aproximarmos nossas instituições e juntos construirmos conhecimento na área de defesa, contribuindo para desenvolver uma mentalidade de defesa no Brasil. Passei a integrar o GECAP e alguns outros militares igualmente interessados também o fizeram”,conta o Coronel Borowski.

 

O GECAP possui projetos de extensão como o Café Defesa, em que profissionais do ramo discutem temas relacionados à defesa e segurança. Uma importante característica do Café Defesa é a presença de militares, tanto como ouvintes quanto como palestrantes, explicando como a própria instituição percebe sua importância. Desde 2015, acontecem debates relacionados ao papel do Exército no século 21, como também sobre a rede de estudos estratégicos do Exército e seus pilares no Sul e em Santa Maria. Para Castellano, a Universidade deve ser o lugar para que o diálogo com a sociedade civil seja estabelecido.

 

Além das atividades de extensão, o grupo também produz pesquisas relacionadas ao tema. A parceria se fortaleceu a ponto de militares serem convidados para bancas de defesa de trabalhos de conclusão do curso. Além disso, de acordo com o Coronel Borowski, o Exército pode contribuir com relação à logística de pesquisas científicas. “O General Theóphilo, antigo Comandante Militar da Amazônia e atual Comandante Logístico do Exército, apresentou a possibilidade de apoiar com hospedagem e transporte os pesquisadores interessados em estudar questões da Amazônia”, ressalta.

 

Os estudantes também se beneficiam com o desenvolvimento de pesquisas relacionadas aos assuntos de defesa, especialmente pela proximidade com empresas e instituições militares. Para o bacharel em Relações Internacionais (RI) pela UFSM, Augusto César Dall’Agnol, ter participado dos projetos de pesquisa e extensão fez com que ele sentisse vontade de trabalhar em empresas de iniciativa privada relacionadas à segurança e defesa. Na opinião de Dall’Agnol, “hoje, nos eventos regionais e nacionais de Relações Internacionais, o curso de RI da UFSM está indissociavelmente ligado à pesquisa de segurança e defesa.”.

 

 

SANTA MARIA E SUA IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA AO LONGO DO TEMPO

 

A posição geográfica de Santa Maria fez com que o município se tornasse importante ponto estratégico na geopolítica portuguesa. Com o passar do tempo, outros fatores foram demarcando a presença militar no município, como investigou a geógrafa Márcia Kaipers Machado, em 2008, em sua dissertação de mestrado A presença do exército e da aeronáutica na organização espacial de Santa Maria-RS

 

 

O surgimento de Santa Maria

 

A cidade surgiu nos campos que ficavam no caminho das tropas espanholas e portuguesas em direção às Missões e também permitiam o acesso para os fortes de Santa Tecla, Montevidéu e Sacramento. Um acampamento militar se estabeleceu no lugar onde hoje se localiza Santa Maria, uma tática comum usada pelos colonizadores após o precedente aberto na assinatura do Tratado de Madrid, que definia que a terra pertencia a quem a ocupasse.

 

28º Batalhão de Estrangeiros em Santa Maria

 

Durante a Guerra da Cisplatina, o 28º Batalhão de Estrangeiros se deslocou até a região. Com o fim do conflito, muitos ex-combatentes, a maioria de origem alemã, se estabeleceram por aqui. Os novos moradores trouxeram habilidades e conhecimentos que dinamizaram a economia local. Além disso, em 1833, por lei imperial foi estabelecida na cidade uma unidade da Guarda Nacional, que tinha como objetivo manter a ordem nas províncias.

 

Ferrovia

 

O tronco ferroviário estabelecido no Rio Grande do Sul obedeceu a interesses estratégicos de defesa do território nacional, ligando a capital, Porto Alegre, a Uruguaiana, fronteira oeste do estado. A cidade de Santa Maria acabou sendo um ponto de ligação do eixo leste-oeste do estado, porque para ir de um extremo ao outro era preciso passar pelo município.

 

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Surgiu a 3ª Brigada Estratégica, hoje 3ª Divisão de Exército, e o 7º Regimento de Infantaria, hoje 6ª Brigada de Infantaria Blindada, que contribuíram para a expansão da malha urbana, já que por estarem localizados em áreas mais afastadas do centro da cidade, era preciso investimento em infraestrutura — como energia, serviços de saneamento básico e transporte — para atender os quartéis.

 

De 1915 a 1939

 

Nesse período de acelerada expansão urbana no sentido leste-oeste, quatro unidades militares foram construídas na cidade: o Hospital Militar de Santa Maria, atual Hospital de Guarnição, o Armazém Marechal Floriano, que depois se transformou no Depósito de Subsistência de Santa Maria, o 5º Regimento de Artilharia Montada, uma das unidades mais antigas nacionalmente, e o Parque de Aviação Militar, extinto posteriormente, mas que contribuiu para a construção da Base Aérea.

 

De 1940 a 1959

 

No contexto da 2ª Guerra Mundial, o papel estratégico de Santa Maria começou a emergir com a instalação de unidades militares com funções de apoio e organização das tropas que chegavam à cidade vindas do centro do país. Foram instalados o 3º Batalhão de Carros de Combate, atual 29ª Batalhão de Infantaria Blindada, e a 4ª Companhia Especial de Manutenção, hoje

4º Batalhão de Logística. Além disso, a construção do Parque Regional de Motomecanização contribuiu para a expansão da região oeste.

 

De 1960 a 1979

 

A Base Aérea de Santa Maria foi fundada em 1970 e, com a instalação da UFSM uma década antes, a região se desenvolveu e a mancha urbana se expandiu. Além disso, a construção do Círculo Militar como um espaço para o lazer dos militares e suas famílias contribuiu para que a cidade se tornasse mais atrativa para quem vinha para cá.

 

De 1980 a 2005

 

O município recebeu mais unidades militares, como o 6º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, a 6ª Companhia de Engenharia de Combate e o 1º Regimento de Carros de Combate Centro de Instrução de Blindados, que reforçam o papel da cidade como polo militar. Na década de 1990, a construção do Colégio Militar de Santa Maria e do Hotel de Trânsito foram importantes pelo reconhecimento das necessidades do grande contingente que se desloca para cá em função do Exército.

 

Repórter: Luan Moraes Romero

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8° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/parceria-para-tecnologia-nacional Wed, 08 Nov 2017 17:01:25 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2746

A diversidade de cursos de graduação e pós-graduação e os diferentes assuntos pesquisados são sinônimos de oportunidades na UFSM. Seja na excelência das pesquisas desenvolvidas, no grande número de pessoas debruçadas sobre um projeto, ou nos possíveis avanços inovadores, a verdade é que muitos setores sociais têm visto na Universidade uma parceria com potencial. De um lado, o desenvolvimento profissional e pessoal de alunos e professores e a modernização de laboratórios; do outro, o interesse por um desenvolvimento de tecnologia 100% nacional e a possibilidade de ver o projeto ser desenvolvido de perto. Foi assim que o Exército Brasileiro chegou até a UFSM, procurando uma boa parceria e muita tecnologia.

astros 2020

 

A partir de contatos realizados no primeiro semestre de 2013,o  Centro de Tecnologia da UFSM foi procurado para integrar o Projeto Estratégico do Exército Brasileiro ASTROS 2020, que faz parte da Estratégia Nacional de Defesa. O ASTROS 2020 é um projeto de desenvolvimento e de aquisição de um míssil tático de cruzeiro, com alcance de até 300 quilômetros, de um foguete guiado com alcance de até 40 quilômetros, além da criação de um novo Grupo de Mísseis e Foguetes e a construção do Forte Santa Bárbara, em Formosa, Goiás, que englobará todas as unidades relacionadas ao emprego de mísseis e foguetes do exército brasileiro. Desde seu início, em 2012, cerca de 600 milhões de reais já foram investidos nele. Parte desse valor foi destinada à UFSM.

No projeto, o papel da UFSM é colaborar no desenvolvimento do Sistema Integrado de Simulação para o Sistema ASTROS, por meio do desenvolvimento do Simulador Virtual de Reconhecimento, Escolha e Ocupação de Posição (REOP), dos softwares para Treinamento Baseado em Computador (TBC) e da especificação dos Simuladores Virtuais Técnicos. O objetivo do sistema integrado de simulação é reproduzir uma situação real de combate em um computador, para que o militar tenha um primeiro contato e treinamento antes de ir para a prática real.

Com um projeto deste tamanho, a equipe foi formada para que conseguisse acompanhar a demanda. Atualmente, fazem parte da equipe do Projeto SIS-ASTROS 11 professores, dois mestres e 27 alunos, entre graduandos e mestrandos. Para facilitar o processo de desenvolvimento, a equipe foi dividida em duas, uma responsável pelo TBC, e a outra pelo Simulador Tático do REOP. As equipes são constituídas pela parceria entre os cursos de Ciência da Computação, Engenharia da Computação, Sistemas de Informação e Desenho Industrial. À frente das duas está a professora e coordenadora do projeto, Lisandra Manzoni Fontoura.

O simulador de REOP é o principal foco do projeto. Segundo a professora, o simulador visa instruir o comandante de uma Bateria de Mísseis e Foguetes, assim como seus integrantes, de como agir em uma situação de combate. “O Sistema ASTROS é bastante visado, porque ele tem um alto poder de fogo. Por isso, o Comandante de Bateria precisa estar treinado para seguir as doutrinas táticas de emprego corretamente,” afirma Lisandra.

A execução do projeto teve início em fevereiro de 2015. O Exército está investindo nove milhões de reais na Universidade. O valor é destinado para o pagamento das bolsas dos alunos, compras de equipamentos, licenciamentos de programas de computadores e viagens. Conforme a evolução no desenvolvimento, a equipe apresenta os protótipos ao Exército. Lisandra chama o processo de abordagem evolutiva, já que, a partir das considerações do Exército, novos requisitos são estabelecidos para uma apresentação seguinte. Os encontros ocorrem normalmente na UFSM, mas em algumas situações a equipe vai até Formosa, Goiás, a casa do Sistema ASTROS.

Além desses encontros de apresentação, a equipe ainda se reúne de dois em dois meses para apresentar os resultados de cada subequipe, definir os passos seguintes e planejar o investimento do valor.

No REOP, todo o sistema tático será treinado, simulando um possível combate. O objetivo é habilitar os militares em doutrinas táticas referentes ao uso de uma bateria de mísseis e foguete.

No software TBC, o militar irá treinar como utilizar uma viatura. Com uma sequência de informações animadas, esse será o primeiro contato do militar antes da simulação virtual completa e das aulas práticas. O objetivo principal é reduzir os riscos de acidentes ou danos às viaturas.

No Simulador Virtual Técnico, cada viatura tem um simulador específico para treinamento. O papel da UFSM é fornecer as especificações técnicas, já que o desenvolvimento ficará sob responsabilidade de outra instituição.

Temática de Defesa

Diferentemente do que o público geral possa pensar, Lisandra destaca que o trabalho não é feito sobre a temática de guerra. A professora considera de grande relevância trabalhar com a defesa nacional das fronteiras, diante dos recursos naturais de que o país dispõe. “Nós temos uma série de riquezas, e com o tempo esses recursos serão muito disputados. O Brasil precisa estar preparado para defender seu território e suas riquezas” afirma ela.

Além disso, o investimento do Exército na Universidade traz diversos benefícios, principalmente quanto à estrutura e equipamentos para os cursos, e o crescimento profissional dos envolvidos. Mas o principal ganho é a possibilidade de fazer pesquisa aplicada, ou seja, ir além das pesquisas teóricas e vê-las funcionando na prática. “Em projetos como esse, você consegue, principalmente, preparar os alunos para o mercado de trabalho, para áreas nas quais existe uma demanda de profissionais”, ressalta Lisandra.

Os mestrandos de Informática Alex Frasson e Tiago Engel estão envolvidos desde o início no desenvolvimento dos simuladores. Ambos destacam a experiência que a participação está lhes proporcionando, tanto pessoal quanto profissionalmente. Quanto ao crescimento pessoal, Frasson diz que seu maior desafio tem sido aprender a trabalhar em equipe e dividir as tarefas, já que durante a graduação grande parte dos trabalhos eram feitos individualmente. Já em relação aos avanços em termos profissionais, a oportunidade de trabalhar em uma proposta dessa dimensão é nova para eles, que lembram o fato de este tipo de projeto não ser comum na Universidade. Para Engel, é importante ver o trabalho sendo aplicado no futuro. “Ao invés de desenvolvermos trabalhos a partir de problemas que inventamos, estamos trabalhando em um projeto real, desenvolvendo tecnologia nacional”.

Começar um projeto do zero, no entanto, é se dispor a ir atrás de toda informação, o que, às vezes, pode ser difícil de conseguir. Frasson explica que as empresas de simulação são ambientes fechados, que não investem na publicação de seus resultados. Por isso, é preciso muita pesquisa. “Estamos aprendendo muito nesse caminho, pesquisando e indo atrás. São coisas que não iríamos aprender no curso e na sala de aula” ele afirma. Frasson e Engel são responsáveis pela parte de visualização gráfica do projeto, apesar de que, por estarem desde o início e conhecerem bem todos os passos dados até aqui, eles se dedicam a ajudar os outros membros da equipe. O trabalho deles é transformar a informação passada pelo Exército em um cenário virtual, com base em coordenadas geográficas e imagens de satélite. “Embora alguns de nós já possuíssem experiência com desenvolvimento de jogos, a simulação é diferente. Tem características específicas que não estávamos habituados” conta Frasson.

Exército

O Coronel André Luis Maciel de Oliveira, supervisor do programa ASTROS 2020 e da parceria com a UFSM, explica que a aproximação com a UFSM aconteceu devido à excelência em pesquisa da instituição. A parceria é baseada no modelo Tríplice Hélice: envolve o governo (representado pelo Exército Brasileiro), que participa como incentivador à inovação; a Universidade assume o papel de geradora desta inovação; e, por fim, o processo altera a missão tradicional da Universidade (ensino e pesquisa básica) para focar no fomento às empresas e ao desenvolvimento tecnológico.

Entre as competências necessárias para o desenvolvimento do projeto, o Coronel Oliveira destaca a Computação Gráfica, Programação de Jogos 3D e Inteligência Artificial, por exemplo. Segundo ele, a parceria entre Exército Brasileiro e Universidades “é de fundamental importância para a soberania nacional, na medida em que insere o meio acadêmico em assuntos de defesa, incrementa a pesquisa de novos produtos e coopera na produção técnico-científica”. Na UFSM, o prazo para finalização dos simuladores é fevereiro de 2019, mas o Projeto Estratégico ASTROS tem prazo final para 2023.

O Modelo Tríplice Hélice foi desenvolvido por Henry Etzkowitz e Loet Leydesdorff. No modelo, a universidade incorpora a terceira missão de inovação, somada ao ensino e à pesquisa

Modernização dos DSET’s

No Centro de Tecnologia, desde 2013, outro simulador também está sendo desenvolvido em parceria com o Exército. O Dispositivo de Simulação e Engajamento Tático (DSET) simula a trajetória do lançamento de uma munição real através de um laser. O equipamento, doado pela Alemanha nos anos 1980, está sendo modernizado pela equipe da UFSM. No início, os dados da simulação eram impressos em língua alemã, os comprovantes eram

reunidos e, manualmente, analisados. A proposta da equipe do DSET na UFSM foi, além de traduzir as informações para português, digitalizá-las e obtê-las em tempo real, quando os blindados fossem atingidos. Assim, o comandante da cavalaria pode, também em tempo real, analisar os resultados e passar uma nova sequência de comandos aos blindados.

A equipe envolvida no projeto conta com seis professores e, durante as fases de desenvolvimento, alguns alunos de graduação. O investimento do Exército foi de dois milhões de reais. Já em fase final, o projeto deve ser apresentado ao Exército em breve. O professor Andrei Legg comenta que, desde o início, tudo foi um desafio, principalmente por trabalhar com uma tecnologia antiga, fechada e desconhecida pela equipe da UFSM, pensando na modernização do equipamento e na utilidade dele para o Exército.

O professor Renato Machado afirma que, apesar da formação básica e teórica que a Universidade oferece, quando você vai para a prática e para implementação real de um projeto, muita coisa se altera. “O que desenvolvemos nesse projeto não temos dentro da sala de aula. O laboratório já é um experimento pré-concebido, onde o professor tem o domínio. A experiência que os alunos tiveram foi fantástica”, afirma ele. Além disso, mesmo após a conclusão do DSET, os contatos permanecem para que outros projetos sejam pensados em parceria.

Repórter: Andressa Foggiato

Fotografia: Divulgação Exército Brasileiro

Fotografia DSET: Lenon de Paula, revista TXT, n.19

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8° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/geomob-nascimento-de-uma-parceria Wed, 08 Nov 2017 17:00:59 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2703 A apresentação de resultados dos projetos de pesquisa da UFSM determina o fim de um ciclo de empenho e trabalho. No caso do professor Enio Giotto, coordenador do Laboratório de Geomática, a apresentação dos resultados de um projeto voltado para a gestão rural foi o momento que despertou interesse de um parceiro para novos desdobramentos de seus projetos. O professor conta que um General do Exército viu uma apresentação para empresas e produtores de um trabalho relacionado à Doença de Newcastle — uma patologia aviária que causa problemas econômicos: “Nós tínhamos feito todo um levantamento de onde estavam as empresas de aves, os criadores. Ele veio conversar e perguntar se poderíamos fazer um sistema assim para o Exército.”

 

Nascia a parceria. O convênio entre a 3ª Região Militar do Exército (3ª RM), que abrange o Rio Grande do Sul e que possui sede em Porto Alegre, e o Laboratório de Geomática, do Departamento de Engenharia Rural, estabeleceu-se no final de 2006. O Coronel Rogério Pereira Duarte, um dos militares da equipe de desenvolvimento do projeto, fala que pelo fato de a UFSM ser reconhecida como excelente polo de produção do conhecimento, principalmente na área de geoprocessamento, o Exército decidiu firmar o acordo de cooperação com a Universidade.

 

Como fruto, o primeiro software da parceria foi criado. O GeoMob funciona de forma parecida com o CR Campeiro7, o mesmo usado no projeto de gestão rural, também desenvolvido por Giotto, que informatiza os dados para auxiliar na administração de uma propriedade rural. A manutenção do GeoMob é feita a cada dois ou três meses, quando representantes do Exército e os pesquisadores do Laboratório se reúnem. O software é um produto de desenvolvimento continuado, assim ele é testado e os militares pedem modificações conforme as necessidades do Exército.

 

O GeoMob funciona como uma agenda organizada em categorias, chamadas de ‘classes’ na logística militar, que atendem às necessidades do Exército, como saúde, transporte e combustível. O software georreferencia as empresas, ou seja, além de servir como um banco de dados, também localiza hospitais, Corpo de Bombeiros, Polícias Militares, aeroportos, entre outros, geograficamente.

 

O software utiliza tanto mapas do próprio sistema quanto do Google Earth para localizar as empresas próximas, e também nas cidades selecionadas dentro da 3ª RM. Após isso, o Google Maps prevê qual será o percurso, distância e tempo médio de deslocamento. O sistema foi pensado para funcionar internamente nos regimentos militares e servir estrategicamente na elaboração das missões. Além disso, o sistema gera relatórios da base cadastral das empresas que podem ser salvos, impressos ou copiados.

 

Os dados dos locais podem ser consultados online ou offline. Quando a rede está ativa, é possível fazer atualizações, já quando está offline eles são transmitidos pela Base de Dados do Exército, para as tropas e para os carros que necessitam.

 

 

 

 

 

 

 

 

Por exemplo, a missão é se deslocar de Santa Maria até o porto de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul. O planejamento é feito com base nos dados do GeoMob, que, com o uso do Google Maps indica o caminho a ser seguido. Se no meio da viagem é preciso parar para abastecer, então o soldado aciona a Base de Dados e, via rádio, pede a localização de todos os postos de combustíveis nas imediações. A central localiza o posto mais adequado e retorna com as coordenadas geográficas do posto para o soldado em deslocamento.

 

Com o tempo, outras necessidades das Forças Armadas chegaram ao Laboratório. “Pela demanda de roubo de explosivos e contrabandos, viu-se a necessidade de fiscalização, para isso, foi criado o GEOFPC.”, comenta Giotto. O convênio foi renovado em 2013, e deve se estender até 2018.

 

Repórteres: Mayara Souto e Luan Moraes Romero

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8° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/lisboa Wed, 08 Nov 2017 16:56:52 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2661

A minha Lisboa era tão linda. Na chuva ou no “bom tempo”.

Era linda no tempo dela. Era ontem e agora.

Linda até quando me deixou ir.

Quando me deixou ir sem que eu nada pudesse fazer para parar.

Ela me disse para ser leve e andar. Para ficar calma.

Move-te. Porque o movimento é o que te faz. Me disse.

Lisboa era esse lugar meu. Onde eu não precisava pedir licença para ser.

Que eu não precisava pensar se era mesmo para estar lá.

Eu simplesmente estava.

Lisboa era esse lugar em que meus pés encontravam com prazer as ruas.

Era a cintilância do meu sonho que virou mundo.

E eu sentia. Mesmo que Lisboa doesse em mim. Eu queria sentir mais.

E ela, em mim, criava. Lançava uma magia.

Na água, no ar, nos caminhos todos.

Meu corpo seguia seu ritmo, deixando enfeitiçar de propósito.

Lisboa era esse retrato. Um grande composto de coisas vivas.

Como se feita na arte. Bela e estranha.

Eu só queria andar e olhar.

Queria olhar o retrato. E reparar.

Reparei no meu próprio pertencimento.

Encarei tantas vezes meu próprio aprendizado.

Vi a mim mesma no grande retrato de Lisboa.

E a verdade é que vida tem um só nome.

Lisboa era feita para o corpo mover-se, para experimentar, para ensimesmar-se.

Em si mesmo, mar. E naquilo tudo, amar.

Por toda a extensão daquele retrato.

Vi a mim mesma no retrato de Lisboa como a última vez.

Ela estava como da primeira vez.

A Praça do Comércio, o Chiado, o Bairro Alto, os miradouros, os largos, as feiras, as estações, os bondes, os parques, os azulejos, as delícias escondidas. Belém.

As misturas dela.

Não pensei sobre estar indo embora.

Reinventei meu movimento. Aceitei minha criação e a dor.

A vida tem um nome só.

E é o nome que eu dei.

Pensei no meu funcionamento de pessoa.

Não queria resumir o tempo dos nomes.

Não queria que Lisboa me esquecesse.

O retrato de Lisboa é infinito. E seu coração é grande.

Cabem tantos nomes nele.

Um coração tenro que me recebeu.

 

*Participou de um intercâmbio em Portugal durante sua graduação em Ciências Sociais pela UFSM

 Pintura usada ao fundo: Antonio Junior, acadêmico de Artes Visuais da UFSM

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8° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/seguranca-alimentar Wed, 08 Nov 2017 16:54:33 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2755

A carne ocupa um lugar de destaque entre os alimentos oferecidos pela maioria dos estabelecimentos de alimentação. Ao mesmo tempo em que pode ser o principal atrativo em lanchonetes e restaurantes, ela também figura entre as principais causas de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA). Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), de 2007 a 2016, a carne bovina in natura ocupava a sétima posição no ranking de alimentos causadores de doenças.

Assim como em serviços de alimentação comerciais, as carnes também predominam em restaurantes de Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) de todo o país. No Restaurante Universitário (RU) da UFSM, são adquiridos aproximadamente 23.615 quilos de carne mensalmente —bovina, suína e de aves. Somente de carne bovina são 12.425 quilos por mês. Ela também é o item de maior custo, o mais perecível e o mais difícil de se realizar o controle de qualidade.

Uma pesquisa realizada em 35 RU’s das cinco regiões brasileiras mostrou que a carne bovina era mais frequente nos cardápios das regiões centro-oeste e sul. O estudo integra a tese Procedimentos para avaliação da qualidade da carne bovina in natura na recepção em serviços de alimentação, defendida por Marizete Oliveira de Mesquita, no ano de 2014, na UFSM.

A pesquisadora também realizou análises sensoriais, físico-químicas e microbiológicas de amostras de carne bovina in natura, resfriadas e embaladas a vácuo que eram adquiridas pelo RU da UFSM. As análises foram feitas uma vez por semana, nos meses de maio e junho de 2012.

Na análise sensorial, o uso dos sentidos é a principal ferramenta para examinar o alimento. Uma equipe de funcionários do restaurante recebeu treinamento para avaliar as amostras de carne e definiu que os atributos sensoriais a serem avaliados seriam a aparência e o odor da carne. Os avaliadores deveriam olhar e aspirar amostras de carne e marcar em uma escala a intensidade com que esses atributos eram percebidos.

Também foram realizadas análises microbiológicas e físico-químicas das amostras de carne no laboratório do Departamento de Tecnologia e Ciência de Alimentos (DTCA). O resultado dos testes — que avaliavam presença de microrganismos deterioradores e patogênicos e identificavam o estado de conservação do material — foi associado com os resultados apontados pela equipe que realizou a análise sensorial. Assim, quando os testes sensoriais apontavam para uma amostra de carne com odor e aparência diferentes da ideal, isso também era comprovado por meio da análise laboratorial.

A análise sensorial, assim como alguns testes simples e rápidos realizados durante a pesquisa — medição de pH, teste de filtração, temperatura e tempo de vida útil do produto — são avaliações que podem ser inseridas na rotina de aquisição de carnes para garantir a qualidade sanitária do alimento recebido pelo restaurante. Esses e outros índices resultaram na formalização de uma lista de procedimentos para aquisição de carnes bovinas in natura na recepção de serviços de alimentação. São pelo menos 485 itens a serem preenchidos ou avaliados, que vão desde o cadastro do fornecedor até a devolução do produto, caso haja necessidade.

A pesquisadora — que também é nutricionista do RU da UFSM há 23 anos — afirma que o estudo, que foi realizado com informações da instituição, pode ser utilizado também em outros serviços de alimentação, principalmente os de grande porte, pois ele serve de suporte na definição da qualidade do produto. “Toda matéria-prima que chega para nós já teve algum controle de qualidade no campo, na indústria, no transporte. Mas isso é fora da nossa alçada. No momento que ela entra no restaurante é de nossa responsabilidade. Então a gente tem que garantir essa qualidade”, ressalta Marizete.

 

Repórteres: Gabriele Wagner de Souza e Luciane Volpatto Rodrigues

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8° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/alternativas-a-experimentacao-animal Wed, 08 Nov 2017 16:44:44 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2687 Durante séculos, médicos e pesquisadores utilizaram animais para conhecer melhor o funcionamento dos órgãos e sistemas do corpo humano e ainda aprimorar suas habilidades cirúrgicas. Para os cientistas, experiências em animais eram fundamentais para a expansão do conhecimento e importantes para novas descobertas na ciência.

 

Os animais mais tradicionais utilizados em pesquisas são roedores, como ratos e camundongos. A similaridade com o genoma humano, o tamanho pequeno e a fácil reprodução estão entre as características que tornaram esses mamíferos cobaias dos experimentos. Eles precisam ser mantidos nas melhores condições de saúde e higiene possível; caso contrário, não poderão ser usados com propósito científico, pois existe legislação de bem-estar animal a ser respeitada.

 

No entanto, as críticas que surgem de vários segmentos da sociedade sobre o sofrimento dos animais que são utilizados nos experimentos são cada vez mais frequentes. Em 2014, o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, reconheceu outros métodos alternativos com o objetivo de reduzir o número de animais usados em pesquisas. Há estudos que buscam a substituição para a experimentação animal propondo modelos celulares in vitro, computadorizados, entre outros.

 

A utilização de métodos alternativos também vem acontecendo na UFSM. Se ainda não é possível substituir totalmente os animais nos experimentos, os organismos modelos representam um passo a mais nessa direção. A ciência considera organismo modelo qualquer organismo vivo utilizado para estudos de diferentes situações que mimetizam aspectos que ocorrem com seres humanos. Já os organismos alternativos são seres que podem complementar o estudo com roedores tradicionais. Na Universidade existe a Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA), que iniciou as atividades em 2005 e foi regulamentada em 2008. Ela realiza aprovação, controle e vigilância das atividades de criação, ensino e pesquisa científica com animais para garantir o cumprimento das normas de controle da experimentação animal definidas pelo CONCEA. Segundo a coordenadora da CEUA/UFSM, Daniela Bitencourt Rosa Leal, a Comissão tem como uma de suas atribuições incentivar a adoção dos princípios de refinamento, redução e substituição no uso de animais em ensino e pesquisa científica.

 

 

Professores do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica Toxicológica da UFSM têm estudado organismos diversos para trabalhar em experimentos. O pesquisador Félix Antunes Soares realiza estudos com vermes (Caenorhabditis elegans) desde 2010. O professor Denis Rosemberg desenvolve pesquisas com peixes (Zebrafish) desde 2005, quando estava na graduação.

 

A professora Nilda Barbosa trabalha com pesquisas envolvendo moscas (Drosophila melanogaster) desde 2011 e já realizou pesquisas com leveduras (Saccharomyces cerevisiae) entre o período de 2014 a 2016. O pesquisador João Batista da Rocha executa estudos com baratas (Nauphoeta cinerea) há cerca de 5 anos. Esses são apenas alguns exemplos de pesquisas que são desenvolvidas na instituição com os organismos modelo, sendo que alguns professores chegam a trabalhar paralelamente com mais de um tipo de organismo.

 

“O objetivo é reduzir o número de animais de grande porte e de custo elevado em pesquisa e, ainda, ter alternativas que respondam a questões complexas”, afirma o pesquisador e vice-coordenador da CEUA, Denis Rosemberg.

 

Desde o início dos estudos com organismos alternativos na UFSM, a quantidade de mamíferos como camundongos e ratos usados em pesquisas na Universidade diminuiu consideravelmente, pois alguns professores deixam de usar ou passam a utilizar menos esses animais depois de adotarem outros organismos vivos na pesquisa.

 

O professor do Departamento de Ciências Biológicas Félix Soares enfatiza que, apesar de substituir mamíferos em experimentos, ainda são utilizados alguns animais. “Futuramente talvez possamos trabalhar com linhagens celulares, porém o custo é bastante elevado. Além disso, é necessário um laboratório adequado e profissionais especializados. Hoje, esses organismos alternativos ainda são nossa opção”, afirma.

 

O armazenamento desses organismos modelo é mais prático, já que os mamíferos precisam ser acondicionados em ambiente com temperatura, luminosidade e espaço adequado. Além disso, Félix acredita que para os estudantes pode ser mais fácil trabalhar com esses organismos já que, em relação aos mamíferos, eles podem ser mais fáceis de se manusear.

 

 

Esta matéria foi editada, na versão online, em 29 de dezembro de 2017

 

Repórteres: Gabriele Wagner de Souza e Luciane Volpatto Rodrigues 

Fotografias: Rafael Happke

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8° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/das-salas-tradicionais-para-os-laboratorios Wed, 08 Nov 2017 16:41:24 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2673 Através dos vidros transparentes que revelam a sala de cirurgia de equinos, os alunos do curso de Medicina Veterinária acompanham uma cirurgia estética em um potro no Hospital Veterinário da UFSM. As aulas deste curso, no entanto, não foram sempre assim. Em meados da década de 1980, quando Flávio de La Côrte fez sua graduação, as aulas ainda eram limitadas pelos espaços das salas tradicionais, com professor sendo visto como a única fonte de conhecimento. Anos depois, essa lógica já mudou um pouco. Quem pôde acompanhar a cirurgia, via o agora professor Flávio sendo auxiliado por seus orientandos no pequeno procedimento estético feito no equino.

Flávio se formou em 1986 no curso de Veterinária da UFSM. Um ano depois, voltou para a instituição para fazer mestrado. A certeza que tinha era que queria trabalhar com equinos, paixão que carregava desde o último ano da graduação. O trabalho defendido no início dos anos 1990, sobre o uso de ultrassonografia em ginecologia equina, foi pioneiro no Brasil. Parte do mestrado foi financiado pela iniciativa privada, já que os equipamentos eram caros e a Universidade não dispunha de recursos para adquiri-los.

Depois disso, De La Côrte entrou para o corpo docente do curso de Veterinária da Universidade e foi fazer doutorado nos Estados Unidos, onde estudou uma doença que afeta os músculos de equinos — a miopatia por armazenamento de polissacarídeos. Financiado por órgão de pesquisa brasileiro, a CAPES, o professor carregou consigo a dívida de trazer algo como retorno para o Brasil, principalmente para dentro da sala de aula. A volta foi difícil. Do trabalho em instituição privada nos EUA, “retornar para o sistema público no Brasil foi como estar em uma via expressa com quilometragem alta, e recair em uma via pública com velocidade baixa”, compara De La Côrte. O recurso para projetos era difícil de conseguir e, além disso, demorado.

“A Universidade não é concreto e aço, a Universidade são pessoas.

Se você não der força para as pessoas,  elas não vão crescer”

Foi, então, que o professor voltou a trabalhar com a parceria privada. Através de projetos de prestação de serviços oferecidos a donos de cavalos que não pertencem à UFSM, o professor conseguiu verbas para financiar bolsas de alunos e comprar material para a clínica. Durante a entrevista, Flávio apresentava os alunos que passavam por nós e, com orgulho, nomeava os diversos países nos quais os acadêmicos já fizeram intercâmbio. “A Universidade não é concreto e aço, a Universidade são pessoas. Se você não der força para as pessoas, elas não vão crescer”, afirma ele.

O que o tempo na Universidade ensinou a ele é que a Medicina Veterinária não é só lidar com cavalos. É fundamental formar recurso humano que saiba tratar com sensibilidade o dono do animal. É por isso que as heranças do tempo nas terras americanas ainda fazem parte das aulas do professor. Ele relembra que era chamado de “homem câmera” pelos colegas de trabalho, já que, em cada cirurgia, filmava todo o procedimento. Quando voltou para o Brasil, colocou tudo na mala. Agora, ele usa o material nas aulas para que a aprendizagem do aluno vá além da teoria. Sobre o reconhecimento do seu trabalho, ele afirma: “Alguma coisa eu faço certo. Não sei te dizer o quê, mas algo eu faço. E talvez seja isso de oferecer oportunidade para os alunos.”

Em 2016, Flávio foi convidado para compor a equipe de veterinários dos Jogos Olímpicos, que ocorreu no Brasil, da modalidade cross-country. Para ele, o convite foi resultado de sua trajetória e esforço na Medicina Veterinária. Quando pensa no futuro, no entanto, paira a incerteza. “Eu não pretendo ficar o resto da minha vida na Universidade. Pretendo formar pessoas e seguir outros planos. Essa é a ordem natural. Senão, qual é o propósito de formar gente?”, questiona Flávio.

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8° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/todos-os-corpos-dancam Wed, 08 Nov 2017 16:34:23 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2711

O Grupo Extremus — Dança sobre rodas surgiu na UFSM com o objetivo de ensinar a arte de dançar para pessoas com deficiências que estão em cadeiras de rodas. Desde 2001, todos os sábados os integrantes do grupo vão até o Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) da Universidade para ensaiar.

Um micro-ônibus cedido pela Pró-Reitoria de Extensão busca alguns dos cadeirantes em suas casas e os conduz para a Universidade. Além de pessoas com deficiência física, no Extremus também participam dançarinos com deficiência intelectual, paralisia cerebral e Transtorno do Espectro Autista (TEA). Há, portanto, integrantes que não percorrem o caminho sozinhos- são acompanhados por familiares ou responsáveis, devido a sua deficiência mais agravada. Além disso, para reforçar o contato com as famílias, cada dançarino tem uma agenda personalizada, onde ficam anotadas informações relevantes sobre as atividades do grupo, avisos e atividades paralelas que são realizadas.

Chegando ao campus, os bailarinos são recepcionados pela professora Mara Rubia Alves da Silva, coordenadora do projeto, e pelos monitores, que são  acadêmicos de diversos cursos da UFSM como Dança, Educação Física, Educação Especial, Artes Cênicas, Pedagogia e Terapia Ocupacional. As atividades começam com uma roda de conversa, seguida do aquecimento. Logo depois, acontece a criação da coreografia e o ensaio. No fim, uma sessão de relaxamento e uma nova roda de conversa.

Durante um ano letivo, os bailarinos e monitores ensaiam e se preparam para a apresentação de uma coreografia, que é  realizada com movimentos sobre a cadeira e fora dela, e que pode ser de estilos variados, desde a dança de rua até o estilo tradicionalista.

Em 2016, o espetáculo apresentado foi Rodas da Tradição, que contava com elementos da dança tradicional, além de costumes e lendas gaúchas. As fotografias dessa apresentação você pode conferir no site da Arco.

Repórteres: Jocéli Bisonhim Lima e Júlia Goulart

Fotografias: Rafael Happke

Confira o ensaio completo na versão flip

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8° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/direitos-emergentes-na-sociedade-global Wed, 08 Nov 2017 16:30:48 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2671 Um momento histórico conturbado, com crises migratórias, mudanças climáticas e tecnologias emergentes. Esse é o cenário da obra Direitos Emergentes na Sociedade Global, publicado pela Editora UFSM, em 2016. A coletânea de artigos é fruto de pesquisas do Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGDI) da UFSM, realizadas entre 2014 e 2015. Diante dessas diferentes realidades sociais, e de um mundo cada vez mais conectado, o PPGDI percebeu a necessidade de oferecer respostas no plano jurídico.

 

A obra tem dez artigos e está dividida em duas partes: Direitos da Sociobiodiversidade e Sustentabilidade e Direito na Sociedade em Rede, cada uma delas correspondendo a uma linha de pesquisa da Pós-Graduação em Direito. A reunião dos trabalhos e organização do livro ficou a cargo das professoras Giuliana Redin, Jânia Saldanha e Maria Beatriz da Silva. Giuliana lembra que a divisão social da nossa sociedade é fruto de forças políticas, e que o Direito é reflexo dessas forças e mantenedor dessa realidade. “O Direito tem que ser protagonista para a emancipação, para a busca de melhor qualidade de vida para todos e todas” afirma a professora.

 

Direitos da Sociobiodiversidade e Sustentabilidade

 

Entre os textos, pode-se destacar a percepção da professora Giuliana Redin quanto ao direito humano de migrar, em que o Estado brasileiro, embora avance na legislação, não reconhece como direitos o ingresso e a permanência de migrantes no Brasil e penaliza o migrante não documentado, mantendo a medida de deportação, por exemplo.

 

Em outro capítulo desta primeira parte, referente à emissão de gases de efeito estufa por parte da comunidade internacional, o professor Luiz Bonesso de Araújo trabalha com a ideia de que os avanços jurídicos em relação a esse tema são lentos, principalmente por parte dos países que necessitam de maior quantidade de energia e, portanto, poluem mais. O professor sugere que, devido à abundância de recursos naturais, a América Latina deve unir esforços para a construção de um futuro com autonomia.

 

Direito na Sociedade em Rede

 

Na segunda parte do livro, o acesso à informação pública é um dos temas tratados e é abordado como direito humano fundamental pela professora Rosane Leal, que ressalta a importância de a sociedade fiscalizar o poder judiciário. Já a professora Valéria do Nascimento discute a constitucionalização do direito na era da sociedade tecnológica, quando se mostra necessário que as diferentes Constituições disponham de meios para enfrentar os perigos ocasionados pelas novas tecnologias.

 

O livro é uma produção acadêmica e, por isso, é também voltado para o público da Universidade. No entanto, a organizadora Giuliana Redin percebe a necessidade de o conhecimento produzido chegar a todas as camadas sociais. Ela afirma que os membros da instituição têm o compromisso de transformar a sociedade e enfrentar a importância de fazer uma linguagem mais fluida e clara, e, assim, tocar os segmentos que não estão na academia, mas sim na sociedade civil, protagonizando transformações e reivindicando politicamente. “Que não seja um Direito para uma elite, mas sim para todas as pessoas”, diz Giuliana.

 

Outros projetos já estão sendo encaminhados, e em breve um novo volume dessa obra seriada sobre os direitos emergentes será publicado.

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