9ª edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco Jornalismo Científico e Cultural Thu, 11 Feb 2021 18:39:00 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico 9ª edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco 32 32 9ª edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/de-motorista-a-professor-da-ufsm Mon, 08 Feb 2021 16:53:00 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=4200

Fui motorista, estudante, engenheiro, professor e pesquisador da UFSM, nos trinta anos que lá permaneci.

No dia 13 de janeiro de 1966, ingressei como motorista e fui alocado no Setor de Obras. Foi o trabalho naquele setor que me despertou para escolher uma nova profissão: engenheiro civil.

Participei dos primórdios das construções da Cidade Universitária, numa época que havia poucos recursos e quase todo o serviço era braçal ou manual. Como motorista, e junto a outros trabalhadores, formávamos um grupo de mais de 1500 valorosos operários.

Participei dos bastidores e estive ligado às obras até o final de 1981. Pude acompanhar o início da maioria das construções, sua metodologia, seus personagens e, em razão de meus cargos, pude conhecer a maioria dos dirigentes e operários que, como eu, colocaram a mão na massa, para construir a primeira etapa da Cidade Universitária, quase toda por métodos artesanais.

Com minha formatura, em 1975, além de engenheiro, me tornei professor e consegui ter um bom desempenho nas funções que assumi, comprovadas pelas homenagens feitas por alunos ao longo dos 20 anos de docência na UFSM e, após, em outras instituições de ensino onde colaborei até 2006.

Quando uma pessoa se afasta do trabalho por idade ou por saúde, abre espaço para outra mais jovem, que aguarda oportunidade. Deixei a instituição em 1996 com a consciência tranquila e a sensação de dever cumprido. Assim, renovam-se os atores e segue-se no caminho do progresso científico e tecnológico.

No momento em que entendi o significado da criação da Universidade para a população do interior do estado e principalmente para Santa Maria, fiquei deslumbrado e sempre me senti honrado de poder participar daquela obra.

Em 2013, tomei coragem e decidi escrever o livro UFSM, uma luz em nossas vidas, lançado em 2017. Além de esvaziar a cabeça, precisava realizar minha homenagem a um grande número de pessoas, entre eles os apoiadores, os administradores, os engenheiros, os arquitetos, os mestres de obras e todos os operários que foram decisivos para ajudar a solidificar o sonho do grande santa-mariense – para mim o maior – professor José Mariano da Rocha Filho, reitor, idealizador e fundador da UFSM.

Diagramação e Ilustração: Deirdre Holanda

*Helio João Bellinaso é engenheiro civil e professor aposentado da UFSM.

**Texto publicado originalmente na edição 9 da Revista Arco e repostado em razão dos 60 anos da Universidade.

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9ª edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/a-dualidade-dos-medicamentos Tue, 04 Sep 2018 13:15:14 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=4222 Esta matéria possui conteúdo que pode desencadear fortes emoções. Caso você esteja passando por um momento de maior sensibilidade tenha cautela ao prosseguir com a leitura. Se se sentir desconfortável interrompa a leitura e volte quando estiver mais forte emocionalmente.

Quantas horas por dia você dorme? Quão saudável é a sua alimentação? Você pratica exercícios físicos? As respostas para essas perguntas variam muito de um indivíduo a outro, mas é notório que a maior parte da população já não consegue dedicar tempo suficiente ao cuidado do corpo e da mente. As obrigações e prioridades, muitas vezes, são outras; e as consequências, em decorrência disso, podem ser severas.

O Brasil apresenta a maior porcentagem de população afetada por distúrbios relacionados à ansiedade no mundo e, além disso, é o quinto país com a maior taxa de pessoas depressivas, de acordo com dados divulgados em 2017 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para ansiedade, depressão e outros transtornos mentais, os psicofármacos asseguram o alívio imediato e, muitas vezes, possibilitam o restabelecimento da “normalidade” cotidiana. No entanto, levando em conta a propensão à dependência de muitos fármacos e os seus efeitos colaterais no organismo, surge o questionamento: os medicamentos, a longo prazo, são a melhor solução para tratar todos os transtornos mentais?

Entre 2010 e 2016, o Brasil aumentou em 74% o consumo de medicamentos antidepressivos, segundo pesquisa divulgada em 2017 pela seguradora SulAmérica. Ainda assim, não existe um consenso entre os pesquisadores da área de saúde mental sobre a população estar, ou não, consumindo mais remédios do que deveria. A preocupação não é somente com o aumento no consumo, já que os psicofármacos são necessários em determinados casos, mas sim com o uso indevido (sem necessidade e/ou indicação médica), visto que os medicamentos podem causar dependência e efeitos colaterais diversos.

Um estudo realizado pela Universidade Federal do Paraná, coordenado pela professora de Enfermagem Mariluci Alves Maftum, entrevistou profissionais de Enfermagem em quatro Centros de Atenção Psicossocial (Caps) de Curitiba. A conclusão foi de que os medicamentos representam um importante recurso terapêutico, principalmente por minimizarem sintomas agudos causados pelos transtornos mentais. Na visão desses profissionais, o uso de psicofármacos é fundamental para que a pessoa com transtorno possa ter uma melhora significativa no seu estado de saúde, no autocuidado, na (re)conquista da autonomia e das condições necessárias para realizar atividades rotineiras. Entretanto, o estudo também faz ressalvas às contraindicações dos medicamentos tarjados, utilizados para tais fins. Recomenda-se, então, como resultado da pesquisa, o uso do psicofármaco associado a outros tratamentos não medicamentosos, como a participação em grupos e oficinas terapêuticas.

Os psicofármacos mais receitados são os benzodiazepínicos – calmantes e tranquilizantes como Rivotril/Clonazepam, Valium/Diazepam, Frontal/Alprazolam, Lexotan/Bromazepam. Para a professora do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia da UFSM Marilise Burger, o uso de calmantes é banalizado e faz com que o cérebro se adapte à presença do fármaco. Se utilizado por longos períodos, pode causar a dependência e/ou tolerância (diminuição dos efeitos, o que exige doses cada vez maiores). De forma parecida, acontece a ação dos antidepressivos: o uso aumenta os níveis de serotonina – popularmente conhecida como “hormônio da felicidade” -, o que faz com que a pessoa se sinta bem emocionalmente. Ainda que apresente melhoras no quadro clínico, o paciente costuma voltar ao estado psíquico anterior quando o uso da medicação é interrompido.

Nesta perspectiva, para a mestranda em Psicologia na UFSM Maria Luiza Diello, a patologização da vida e do sofrimento se tornou um dos principais problemas na contemporaneidade. Isso significa dizer que, atualmente, qualquer estado mental e existencial pode ser delineado como doença, acarretando, com isso, a intensificação do uso exacerbado de medicamentos. Para ela, o uso de fármacos deveria ser feito exclusivamente em situações de absoluta necessidade. “É muito comum nos depararmos com situações de uso indevido, abusivo, continuado, crônico, problemático ou desnecessário de medicamentos”, pontua Maria Luiza.

Marilise considera que o elevado número de psicofármacos consumidos atualmente representa uma transferência da solução dos problemas – sejam eles corriqueiros ou de maiores complexidades – em função de rotinas agitadas. “A melhora dos problemas emocionais envolve uma mudança de hábitos; antes, algumas situações eram resolvidas no cotidiano; hoje, é mais fácil usar um medicamento do que olhar para dentro de si mesmo e mudar estes hábitos – alimentação, atividade física e a maneira de lidar com as pessoas, por exemplo”, comenta a professora.

Todos os estados afetivos são momentâneos, sejam eles de tristeza ou de felicidade, segundo o professor do Departamento de Neuropsiquiatria UFSM Mauricio Scopel Hoffmann. A distinção entre um estado afetivo e um transtorno mental se baseia em critérios de tempo e de prejuízo. “A pessoa está vivendo bem e, de repente, começa a baixar a vitalidade, a não querer sair de casa, a pensar que a vida não mais vale a pena, a achar que a morte é uma solução. Se isso perdurar por semanas e causar prejuízo porque a pessoa já não consegue mais se relacionar com os outros, ou prejudicar sua produtividade no trabalho, por exemplo, se configura como um transtorno mental”, comenta o professor. Ele explica que um acontecimento traumático pode ser fator de risco inespecífico para desencadear a depressão, que possui prevalência em cerca de 15 a 25% da população.

Há também um número expressivo de pessoas que diagnosticam a depressão de maneira apressada e passam anos repetindo o uso do mesmo remédio sem questionar. Para o professor de Psicologia do Departamento de Enfermagem da UFSM campus Palmeira das Missões Ricardo Martins o fato é que a sociedade já não privilegia os sujeitos e a vida, mas os objetos e o mercado, fazendo com que se perca o contato com o coletivo: “é como na  economia: a oferta cria a demanda, ou seja, o remédio vai buscar (criar) a doença”, conclui o professor.

No entanto, Mauricio avalia que o aumento da prescrição de psicofármacos pode ser uma falsa aparência, já que há grande porcentagem de doentes sem tratamento. “Menos de 10% dos pacientes com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) do Brasil recebem tratamento, ou seja, a prescrição precisaria aumentar muito para que todos os doentes pudessem ser ajudados. Não creio que exista esse fenômeno da medicamentalização, entendido como uma trama, consciente ou não, entre indústria e profissionais da saúde, para medicar mais as pessoas, sem necessidade; falta evidência empírica para isso”, analisa o professor.

Atenção aos “tarja preta”

Quanto maior a dose de medicamento utilizada, maiores os efeitos colaterais aos quais o corpo estará suscetível. O professor Mauricio explica que os remédios de tarja preta são os que possuem maior potencial de abuso: “Em torno de 15 a 20% das pessoas que usam essa medicação tendem a aumentar sozinhas a dose, porque a própria medicação provoca isso e a personalidade dos usuários também”. Para pacientes em situações de abuso de álcool, por exemplo, não é indicado o uso de tarja preta porque a composição química do remédio e o perfil do paciente podem gerar dependência.

A Ritalina – medicamento estimulante que controla o TDAH – é usada por muitos estudantes para fazer o chamado doping cognitivo. Por ser um medicamento controlado e exigir receita médica, a solução encontrada por muitas pessoas é conseguir o psicofármaco com terceiros. Marilise afirma que a automedicação pode ser “um tiro no pé”, porque se o estudante possui um transtorno de ansiedade, por exemplo, há chances de piorar ainda mais seu estado mental.

Qual a melhor receita médica?

Para todo transtorno mental, o tratamento é sempre indicado. Ele pode ser tanto psicoterápico quanto farmacológico, que são as duas grandes abordagens em saúde mental, e o uso ou não de remédios depende de particularidades. Ricardo aponta que, para casos como os de luto pela perda, há mudança na química cerebral e, para resolver isso, o tratamento psicológico contribui para deslocar o foco do cérebro sobre a perda. O remédio, neste contexto, faz parte de uma fantasia dos pacientes, que o veem como um “fortificante”.

Já para a depressão e a ansiedade, o professor Maurício assegura que há evidências científicas sobre a eficácia da psicoterapia. Em contrapartida, há casos em que a resposta aos tratamentos psicoterápicos é baixíssima e, por isso, há necessidade de medicação, como é o caso da esquizofrenia. O que acontece é que nem sempre o tratamento indicado condiz com as condições financeiras do paciente. Dessa forma, o tratamento medicamentoso pode ser mais barato que o psicoterápico e, portanto, mais acessível no sistema de saúde. Em alguns transtornos, como os de ansiedade, o tratamento psicoterápico somado ao tratamento com fármacos pode ser preferível, já que os efeitos da terapia dupla são potencializados.

Em vista disso, alguns profissionais da área apostam na chamada “terapia social”, que oferece atendimentos a um preço mais acessível. Além disso, também é possível que o paciente busque um atendimento viável ou gratuito em centros acadêmicos de Psicologia e também nos serviços ofertados pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que compõem a rede pública de saúde.

O que a indústria farmacêutica tem a ver com tudo isso?

A indústria farmacêutica constitui-se como uma das engrenagens principais no campo das pesquisas científicas e no desenvolvimento de tratamentos, como também na área da produção e comercialização de medicamentos. Por ser um dos maiores meios provedores de investimentos na ciência, esta indústria, estabelecida no início do século 20, é hoje uma das maiores responsáveis pela evolução e modernização de tratamentos médicos. De acordo com um estudo coordenado pelo médico Paulo Aligieri e publicado na Revista da Associação Médica Brasileira, “o resultado do trabalho das indústrias tem contribuído significativamente, ao longo dos anos, para o aumento da expectativa de vida e redução dos índices de mortalidade de diversas doenças”. Entretanto, mesmo indispensável na área da saúde mental atualmente, a indústria farmacêutica é criticada por muitos estudiosos da área.

De acordo com a farmacologista Marilise Burger, “a indústria tem um perfil competitivo, que visa o lucro, e investe em propagandas fortes que induzem os médicos. Há um histórico de medicamentos lançados sem as pesquisas necessárias e até mesmo de pesquisas burladas”. A médica clínica geral Valéria da Silva Zorzi confirma esta realidade: “Recebemos constantemente boletins informativos das sociedades médicas incitando a usar medicamentos”; e complementa que “esta indústria opera financiando pesquisas tendenciosas, com conflitos de interesse; utiliza o marketing em congressos; investe nos médicos e profissionais ligados à saúde para impôr tendências e modismos”.

Os médicos, neste cenário, podem aparecer como articuladores ou também como vítimas, já que as propagandas das indústrias induzem não apenas os pacientes, mas também a classe médica. “Um médico dificilmente vai te dizer que se deixa levar [pela indústria farmacêutica], mas ele, mesmo sem perceber, pode estar sendo submetido a este assédio”, opina a professora Marilise.

Apesar disso, entre os profissionais da área da saúde, é unânime o reconhecimento de que os psicofármacos são essenciais em diversos tratamentos. As ressalvas são de que os medicamentos não podem ser vistos como uma solução mágica para tratar os transtornos mentais. As sensações de angústia, insegurança, isolamento, desespero,  podem ser resolvidas sem a necessidade de substâncias químicas, em grande parte dos casos. Da ordem do necessário está a procura pelo tratamento adequado, aliado a um estilo de vida saudável, e, acima de tudo, tempo disponível para os olhares íntimos sobre si mesmo.

Reportagem: Claudine Friedrich

Diagramação e Lettering: Juliana Krupahtz

Ilustração: Pollyana Santoro e Deirdre Holanda

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9ª edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/na-subjetividade-do-trabalho Thu, 30 Aug 2018 19:28:22 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=4218

Esta matéria possui conteúdo que pode desencadear fortes emoções. Caso você esteja passando por um momento de maior sensibilidade tenha cautela ao prosseguir com a leitura. Se se sentir desconfortável interrompa a leitura e volte quando estiver mais forte emocionalmente.

O trabalho abrange diversos aspectos da vida humana, sendo condição preponderante para a realização do sujeito, segundo a psicologia. Dessa forma, as condições às quais os trabalhadores têm de se submeter diariamente para a realização de determinado fim são cruciais para a qualidade do serviço e da própria saúde física e mental. Em um ambiente tão complexo quanto o universitário – que compreende muito além das atividades em sala de aula -, as situações que podem desencadear um adoecimento profissional são diversas.

Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 2017, 20% das licenças concedidas a servidores técnico-administrativos em educação (TAEs) e docentes para tratamento de saúde foram para casos de transtornos mentais e comportamentais. A psicóloga e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFSM Luciana Schneid Ferreira afirma que o trabalho jamais é neutro: “O sofrimento, ao contrário do que muitos pensam, não é sinônimo de adoecimento. Ele é inerente ao ser humano. Se o sujeito tiver autonomia e reconhecimento em seu trabalho, vai transformar este sentimento em algo bom, que promoverá saúde, desenvolvimento e realização. Se, por outro lado, não tiver as condições mínimas para conduzi-lo, vai desencadear uma doença”.

Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2017, três das dez doenças mais incapacitantes para o trabalho no mundo são de origem mental. A depressão é a primeira da lista, afetando mais de 300 milhões de pessoas – um aumento de 18% entre 2005 e 2015. Transtornos causados por álcool e ansiedade aparecem em quinto e  sexto lugares no ranking, respectivamente.

No mesmo ano, um boletim organizado pelos ministérios da Fazenda e do Trabalho no Brasil mostrou que os transtornos mentais e comportamentais foram a terceira causa de incapacidade para o trabalho, no período de 2012 a 2016, considerando a concessão de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez.

Reflexo mundial

A UFSM reflete o que acontece no país e no mundo – como mostram os gráficos na página seguinte. Os levantamentos foram feitos pela Perícia Oficial em Saúde (PEOF) da Universidade, responsável por avaliar e conceder licenças a servidores para tratamento médico próprio ou de familiares. O setor é vinculado à Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progep) e atua em conjunto com a Coordenadoria de Saúde e Qualidade de Vida do Servidor (CQVS), formada por uma equipe psicossocial que acompanha os servidores em adoecimento profissional.

“O número de afastamentos por transtornos mentais é o maior, e ainda assim não traduz todos os casos de doença mental que existem na Instituição”, afirma a psicóloga da CQVS Quenia Rosa Gonçalves. Essa é uma das preocupações de Luciana, que também atua como psicóloga do CQVS, em sua pesquisa de mestrado, iniciada no ano passado. Ela procura traçar o perfil dos servidores que adoecem na UFSM, utilizando como base a Psicodinâmica do Trabalho, abordagem científica desenvolvida na França na década de 1980, por Christophe Dejours. A teoria possibilita uma compreensão contemporânea sobre a subjetividade no trabalho, relacionando-o com prazer, autonomia, liberdade, reconhecimento, mas também com sofrimento, quando ausentes os sentimentos anteriores.

Como o trabalho causa o adoecimento?

A OMS apresenta como causas dos transtornos mentais as cargas de trabalho excessivas, as exigências contraditórias, a falta de clareza na definição das funções, a comunicação ineficaz por parte de chefias e colegas, e o abuso sexual ou psicológico.

Somando-se a isso, Quenia aponta que dificuldades no convívio interpessoal, subordinação e subutilização são as demandas mais recebidas na CQVS. “Acompanhamos casos de servidores super qualificados que não conseguiam desenvolver todo seu conhecimento e suas habilidades no cargo que assumiram, porque eram subutilizados em outros serviços. Com o tempo, isso gera angústia e outros sintomas, e a pessoa não suporta”, expõe a psicóloga. A Psicodinâmica, de acordo com Luciana, definiria o caso pelos conceitos de trabalho prescrito e trabalho real: o que está determinado em contrato como atribuições do cargo, em contraste com os problemas e imprevistos do dia a dia da profissão.

A precarização do serviço público e as crises econômicas também fazem parte desse cenário. Atualmente, cargos desocupados por aposentadoria não têm reposição de novos servidores. Como solução, há sobrecarga de trabalho aos que ficam, além da entrada de funcionários terceirizados. Relacionada a isso, está a hipersolicitação, que ocorre quando o servidor é requerido no ambiente de trabalho, mas também por e-mail, celular e outras plataformas.

Segundo Luciana, os pesquisadores da área afirmam que, no serviço público, os casos de assédio moral tendem a ser mais graves e duradouros, se comparados aos da iniciativa privada. Isso porque, em instituições como a UFSM, o servidor dificilmente pede demissão, devido ao ingresso por concurso e à estabilidade do cargo, e acaba se submetendo por muito mais tempo àquela violência. Outra peculiaridade das organizações públicas é a questão política, que comumente norteia a escolha de gestores. “Quem está à frente de um setor não está necessariamente capacitado no âmbito interpessoal para isso, mas tem inclinações políticas. Isso pode prejudicar o trabalho dos funcionários e, em consequência, possibilitar um quadro de adoecimento”, pontua a mestranda.  

Apesar de todas as situações apresentadas, os casos de adoecimento profissional não obrigatoriamente têm relação com o trabalho. Podem ter influência em predisposições genéticas e/ou problemas pessoais, sociais e familiares, sendo difícil delimitar com exatidão o chamado nexo causal das patologias.

Tratamento é um direito

Todo servidor público federal tem direito à Licença para Tratamento de Saúde (LTS), conforme determina o art. 202 do Regime Jurídico Único. Legalmente, o servidor pode ficar afastado da instituição com a qual tem vínculo empregatício por até dois anos. Depois desse período, a providência tomada é a aposentadoria por invalidez.

A assistente social da PEOF Fabiane Drews explica que o tempo de afastamento é relativo, pois depende do diagnóstico e da reação do paciente ao tratamento. “A maioria dos casos de doença mental que chegam ao setor ocasiona uma licença. Mas isso não é regra geral. Muitas vezes, tentamos conduzir de outras maneiras, como solicitando a troca do funcionário de setor ou intervindo nos conflitos”, comenta Fabiane. A médica do trabalho que coordena a PEOF, Liliani Brum, explica que geralmente as licenças por problemas mentais são mais longas devido à complexidade e à subjetividade da matéria.

No entanto, as profissionais comentam que ainda há preconceito e falta de conhecimento em relação aos transtornos mentais. “A pessoa pensa que vai aguentar, porque não entende o adoecimento mental como doença, principalmente por não ser tão visível quanto os problemas físicos”, explica a psicóloga Quenia. Outro limitador é o estereótipo de que servidor público não trabalha. Como contraponto, a Psicodinâmica diz que o trabalhador que adoece é justamente aquele que tem vontade de trabalhar e não consegue desenvolver seu trabalho por conta da doença.

Diante deste cenário, Luciana entende que a organização do trabalho deve ser questionada: “Para mudar, é necessária uma ação conjunta na gestão da instituição como um todo, na intenção de diminuir o número de casos e acabar com preconceitos. Priorizar a saúde em detrimento da política e de outras questões é fundamental”.

Reportagem: Andressa Motter 

Diagramação e Lettering: Juliana Krupahtz

Ilustração: Giana Bonilla e Deirdre Holanda

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9ª edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/a-sobrecarga-invisivel-na-universidade Thu, 23 Aug 2018 23:03:05 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=4212 Esta matéria possui conteúdo que pode desencadear fortes emoções. Caso você esteja passando por um momento de maior sensibilidade tenha cautela ao prosseguir com a leitura. Se se sentir desconfortável interrompa a leitura e volte quando estiver mais forte emocionalmente.

“No dia em que entreguei a versão final da minha dissertação, voltei sozinha da Universidade pro centro. Quando cheguei perto do Theatro Treze de Maio, eu parei. Não sabia aonde estava indo. Entrei em pânico porque sabia que era uma crise e eu estava sozinha. Era pra ser um dia feliz, um dia de me sentir competente, mas eu fui engolida por essa coisa horrível”.

Esse relato é de Luísa Greff, que cursa o doutorado em Letras na UFSM, mas também pode ser tomado como realidade próxima de outros tantos estudantes. Comumente, histórias parecidas expõem a pressão acadêmica e os altos níveis de estresse como parte da experiência universitária.

Para algumas pessoas, entrar na universidade é um dos primeiros passos rumo à independência da família. Desde cedo, o jovem se depara com uma série de desafios, a começar pela preparação e ingresso em vestibulares e processos seletivos. Depois, sua capacidade de adaptação é posta à prova: grande parte das vezes envolve sair de casa, ambientar-se em uma cidade distinta, conhecer pessoas novas, inserir-se e ampliar o círculo de amigos. Junto a isso, há um processo maior, que compreende adaptar-se à vida acadêmica e conciliar os estudos com a vida pessoal. O conjunto de ações que antecedem e acompanham a nova rotina pode acarretar problemas físicos e/ou psicológicos até então inexistentes ou, ainda, piorar a situação daquelas pessoas que já possuem algum transtorno.

O problema é visível, mas de onde ele vem? Por que os alunos estão adoecendo no ensino superior? O que faz com que a universidade seja, por vezes, apontada como culpada? Seriam os professores os “vilões” da história?

O debate nas redes

Nos últimos anos, o compartilhamento de relatos e experiências pessoais nas redes sociais foi um importante mecanismo para o assunto ganhar mais visibilidade. Frente a isso, estudantes de diversas universidades no país protagonizaram movimentos com o intuito de debater temas pertinentes à saúde mental do estudante e questionar as lógicas produtivistas do universo acadêmico.

Em 2017, uma série de tentativas de suicídio entre alunos do quarto ano de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) chamou a atenção da mídia, e a expressão #EstamosJuntos mobilizou estudantes e professores de uma das melhores faculdades do país. Ainda, na mesma instituição, outro exemplo foi a campanha #NãoÉNormal, criada por alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e que possui mais de 30 mil curtidas na página do Facebook. A hashtag é seguida de frases como: “esperar entrar de férias para poder cuidar da saúde” e “ficar fazendo trabalho durante os feriados sem poder voltar para casa e rever a família”.

Paralelo a isso, o texto Eu não sou um mau aluno, de autoria desconhecida, viralizou nas redes sociais. A escrita faz menção a episódios da vida acadêmica: noites mal dormidas, notas baixas, afastamento dos amigos e da família. Muitos estudantes se identificaram com a narrativa e, apesar de questionarem a rotina exaustante, culpabilizavam-se: teriam se tornado maus alunos diante de uma série de fatores estruturais.

A cientista social e antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, atualmente professora titular visitante da UFSM no Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais, tem pesquisas relacionadas ao tema. No texto Depressão e sofrimento na pós-graduação: frescura catártica ou saúde pública?, publicado em abril de 2018, ela defende que “ainda há uma carência do tema no debate público”, pois é custoso para as pessoas admitirem falhas individuais. Apesar de a vida acadêmica ser permeada por momentos de escrita e produção – ações que, naturalmente, podem gerar ansiedade e agitação mental –, o fenômeno hoje atinge proporções inéditas. Portanto, deve ser encarado por uma rede ampla de profissionais que atuam no ensino superior.

O entusiasmo desgastado

Para além dos muros e das salas de aula das universidades, a rotina acadêmica é, muitas vezes, romantizada e idealizada. O estudante de Medicina da UFSM Geferson Pelegrini conta que, no período que antecede a faculdade, já é “natural” que aconteça a privação de elementos importantes da vida social para alcançar o objetivo tão sonhado. “Acredito que idealizamos os cursos que almejamos – foi assim comigo a respeito da Medicina – e quando estamos na universidade nos deparamos com um ambiente, na maioria do tempo, hostil, que nos padroniza e nos cobra sem pensar em nossa individualidade e em nossas necessidades”, relata o estudante. Na graduação, Geferson cursou a disciplina de Saúde do Estudante de Medicina e do Médico, que, contraditoriamente, fora ofertada ao meio-dia, no horário que tecnicamente deveria ser destinado ao almoço.

Nesse sentido, o artigo Precisamos falar de vaidade na vida acadêmica, também escrito pela professora Rosana Pinheiro-Machado e publicado em 2016 pela revista CartaCapital, virou uma espécie de manifesto. A escrita problematiza o adoecimento das pessoas que passam pelo sistema acadêmico, devido às lógicas de produtividade e competitividade. “A formação de um acadêmico passa por uma verdadeira batalha interna em que ele precisa ser um gênio. As consequências dessa postura podem ser trágicas, desdobrando-se em dois possíveis cenários igualmente predadores: a destruição do colega e a destruição de si próprio”, descreve a pesquisadora.

“O que você faz da meia-noite às seis?”

A maior parte das reclamações vem do tempo, ou da falta dele. A acadêmica de Arquitetura da UFSM Isabela Moreira Braga relata que, já no primeiro semestre do curso, chegou a passar mais de cinquenta horas acordada para dar conta de um trabalho da faculdade. Isabela também teve a autoestima fortemente agredida, pois diante de todas as demandas tinha impressão de que nunca poderia ser uma boa aluna e futura profissional do ramo. Os agravamentos também tiveram impactos físicos: como evitava “gastar” o tempo com outras coisas que não fossem trabalhos da faculdade, acabou emagrecendo, e as longas horas que dedicava sobre as maquetes resultaram em problemas na coluna e nos músculos. “Houve dias, não muito raros, em que a dor se agravava e dificultava o desenvolvimento de um projeto e até mesmo o meu descanso”, conta a estudante, que teve de se submeter a tratamento psicológico e sessões de fisioterapia.

Os prazos são curtos e quando não consegue finalizar uma tarefa, é provável que o aluno seja questionado pelo professor em tom de brincadeira: “O que você faz da meia-noite às seis?”. O acadêmico do curso de Arquitetura Jeison de Paula afirma já ter ouvido a frase diversas vezes, e a sua resposta é sempre a mesma: “Trabalho”. Para se manter na universidade, desde os primeiros semestres, buscou aliar o estudo ao trabalho e, por conta das demandas, acabou reprovando em uma disciplina.

Na UFSM, essa discussão foi pauta de uma palestra em 2017. A iniciativa foi idealizada por estudantes de diferentes áreas que compunham a Liga Comum Unidade, que tem por objetivo abrir espaços de estudo e reflexão da atuação dos sistemas de saúde. No evento em questão, a psiquiatra e coordenadora do Espaço Nise da Silveira & AFAB Martha Noal avaliou o problema como consequência do modo como o ser humano opera em sociedade: “Nós é que normalizamos as coisas que não deveriam ser normais. Não é normal as pessoas não dormirem à noite para conseguirem dar conta das suas demandas do dia”.

A ordem vem de cima

Ao passo que os alunos encontram dificuldades para gerenciar o tempo para a resolução das tarefas, os professores têm a responsabilidade de fazer as ofertas. Para a professora do Departamento de Saúde Coletiva da UFSM Liane Righi, o problema reside no fato de as ofertas não estarem articuladas: “Não é ilegítimo que o professor exija da turma conteúdos que acrescentem para a qualidade da universidade. No entanto, se a pessoa faz 12 disciplinas, ela terá 12 fardos. São 12 professores achando que o conteúdo é exclusivo, tentando se legitimar”.

Na visão de Liane, a estrutura departamental da universidade contribui para isolar as pessoas nas suas especialidades, fragmenta o trabalho docente, o aprendizado e as ofertas. Com isso, os acadêmicos também não aproveitam as demais oportunidades que a universidade oferece: oficinas, espaços de lazer, biblioteca e acesso à cultura.

Segundo Martha Noal, um dos fatores causais é também a falta de preparação dos profissionais na área educativa. “No Centro de Educação, os profissionais das licenciaturas têm formações pedagógicas. Nas outras áreas isso é mais complicado: os professores aprendem a ser jornalistas e médicos, mas não aprendem, de fato, a serem professores”, problematiza a pesquisadora.

Outros agravantes

No entanto, as situações que podem gerar problemas psicológicos nem sempre surgem da relações entre alunos e professores. É comum encontrar casos em que estudantes são afastados de determinados grupos ou se sentem acuados por não se enquadrarem em certos “padrões” da turma. Além disso, a busca incessante por ter as melhores notas pode dificultar o relacionamento e acirrar a competitividade entre os colegas. Martha Noal afirma que é preciso acabar com a ideia de seleção natural. “Acreditamos que o bom aluno será um bom profissional, e não necessariamente vai ser assim”, reforça a psiquiatra.

Ademais, as tensões no ambiente acadêmico podem ser motivadas por algum tipo de discriminação ou preconceito. A cientista social Rosana Pinheiro-Machado traz um dado interessante: enquanto a segmentação por gênero atinge homens cis em 31% e mulheres cis em 41%, na população transgênero o percentual sobe para 57% na academia. A pesquisadora salienta que, além do gênero, as vítimas da opressão têm sotaque e classe social. Neste universo, entram também questões raciais.

Em 2017, Elisandro Ferreira, acadêmico do Direito da UFSM, passou por uma situação que nunca havia imaginado que passaria no universo acadêmico: foi julgado pela cor da sua pele. Ao chegar na sala do Diretório Acadêmico do Direito, viu o seu nome e o de uma colega escritos na parede, ao lado de manifestações de cunho racista. Naquele momento, sentiu-se extremamente impotente e, nos dias que seguiram, passou a desconfiar de todos aqueles que o cercavam. A saúde mental de Elisandro foi fortemente abalada e ele chegou a pensar em desistir do curso. Com o apoio emocional de amigos e familiares, permaneceu, e hoje milita ativamente pelo movimento Racismo, Basta!

Para lidar de maneira mais saudável com as tensões do ambiente universitário, a professora Liane Righi orienta que os alunos passem a destacar prioridades, dentro de suas próprias limitações: “Destacar também é dizer: nesta disciplina, nesta área, eu não serei o melhor, isso me interessa menos”. Mas a deterioração da qualidade de vida pode se manifestar de maneiras distintas em cada indivíduo. No senso comum, existe também a ideia de colocar o suicídio como o único “extremo”. No entanto, casos graves de surtos etambém podem ser considerados como “extremos”. Um aumento significativo no sentimento de tristeza, apatia e reflexos em sintomas físicos – falta de vontade de se alimentar ou vontade de comer demais; dormir demais ou ter insônia – podem indicar problemas. Mesmo que não saiba explicar bem o motivo, basta que o estudante não se sinta bem para que busque ajuda.

Esse é também o conselho de Luísa Greff, a doutoranda que abre esta reportagem. Ela, que ao longo de boa parte do tempo acadêmico, teve acompanhamento psicológico, alerta: “A gente quer fugir de dentro da nossa cabeça. E não dá. Não adianta viajar, o problema vai na bagagem. Não adianta beber o fim de semana inteiro, pois na segunda-feira o problema está lá. Como na música de Chico Buarque, ‘inútil dormir que a dor não passa’”.

Reportagem: Tainara Liesenfeld 

Diagramação e Lettering: Juliana Krupahtz

Ilustração: Deirdre Holanda

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9ª edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/como-vai-a-sua-saude-mental Mon, 13 Aug 2018 17:48:03 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=4318 Segundo a Organização Mundial da Saúde, saúde mental é um estado de bem-estar, um equilíbrio emocional interno. Ou seja: quando o indivíduo é capaz de usar suas próprias habilidades para lidar com as situações cotidianas e administrar suas emoções, vivendo em plenitude consigo mesmo e para com os demais.

 

No entanto, no atual cenário de transformações políticas, econômicas e sociais, caracterizado por exigências, falta de tempo e incertezas, a saúde mental se vê em xeque. Doenças como ansiedade e depressão são apontadas como o mal do século 21. Mundialmente, cresce de maneira alarmante o número de casos de suicídios, principalmente entre jovens e adultos. Essa é, atualmente, a segunda causa de morte, ficando atrás apenas de acidentes no trânsito.

 

O adoecimento mental também está presente no ambiente universitário. Alunos e servidores são desafiados diariamente por dificuldades e cobranças que, muitas vezes, vão além das salas de aula e dos ambientes de trabalho. Nos últimos anos, diversas universidades em todo o país lançaram campanhas de conscientização sobre o assunto a fim de trazer à tona temas considerados tabus e problematizar as lógicas de trabalho e produção.

 

Em caso de adoecimento, a busca por tratamento psicológico ou medicamentoso é apontada como principal saída. Antes de tudo, os profissionais da área indicam um exercício de escuta para consigo mesmo, estimulando o autoconhecimento e evitando a tomada de decisões equivocadas. E então, vamos falar sobre saúde mental? Como está a sua?

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9ª edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/voce-sabia-que-a-ufsm-adquiriu-em-1956-o-segundo-microscopio-eletronico-do-pais Fri, 10 Aug 2018 20:58:39 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=4139 O primeiro microscópio eletrônico da Universidade Federal de Santa Maria foi instalado e inaugurado em março de 1956, no Instituto de Pesquisas Bioquímicas das Faculdades de Medicina e de Farmácia de Santa Maria.

 

Adquirido através dos esforços do reitor fundador, José Mariano da Rocha Filho, o microscópio eletrônico, que foi o segundo exemplar do Brasil, proporcionou desenvolver estudos em microbiologia, pois contava com uma ampliação de 150 mil vezes (quase 50 vezes maior que a dos microscópios convencionais), possibilitando assim pesquisas sobre vírus e bactérias e sendo de grande importância para os estudos sobre saúde humana.

 

Por ser uma tecnologia avançada para a época, sua aquisição foi impulsionada por uma campanha para captação de fundos para a compra do equipamento, realizada pela Associação Santa-Mariense Pró Ensino Superior (ASPES), em 1955. A campanha tomou grandes proporções, recebendo colaborações até de pessoas de fora do país. Hoje, o microscópio está exposto no Museu Gama D’Eça, localizado no centro de Santa Maria.

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9ª edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/voce-sabia-que-o-arquiteto-que-projetou-o-campus-foi-estagiario-de-oscar-niemeyer Fri, 10 Aug 2018 20:57:29 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=4134 Oscar Valdetaro de Torres e Mello foi o arquiteto que assinou o projeto do campus sede da UFSM, recebendo um prêmio na Bienal de São Paulo por isso. Após vencer um concurso para projetar a cidade universitária, nos anos 1960, Valdetaro desenhou os prédios do campus com inspiração nas belas paisagens do Rio de Janeiro, onde o arquiteto tinha seu escritório, em parceria com outros profissionais da área.

Enquanto o desenho do campus criava forma pelas mãos de Valdetaro, o arquiteto recebia visitas frequentes do reitor fundador, José Mariano da Rocha Filho, que conferia de perto o andamento do projeto. Após seu término, Valdetaro viajava uma vez por mês para Santa Maria para acompanhar seu trabalho ganhar vida. Entre suas criações, o arquiteto considerava a Biblioteca Central como a obra mais bela do campus.

Nascido em 1924, em Minas Gerais, Valdetaro foi desenhista e estagiário do renomado arquiteto Oscar Niemeyer. Uma grande obra brasileira que Valdetaro contribuiu para que fosse projetada foi o Estádio do Maracanã,  inaugurado em 1950. O arquiteto faleceu em 1976, aos 51 anos.

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9ª edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/para-onde-vai-a-multa-paga-pela-quebra-de-dedicacao-exclusiva Fri, 10 Aug 2018 20:55:49 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=4141 Dedicação exclusiva é um dos termos contratuais entre a Universidade e professores. Aqueles que têm esse modelo de contrato devem manter como única atividade profissional a de lecionar na instituição. Quando não cumpre essa exigência (no caso de exercer outra atividade remunerada), o professor é multado. O valor dessa multa é recolhido ao Caixa Único da União, gerenciado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), e passa a ser integrado à receita da União, a qual é dividida nos termos da legislação orçamentária que mantém toda a Administração Pública Federal, o que inclui a UFSM. Ou seja, não há uma ligação direta entre o valor da multa e um destino, mas no fim ele volta aos cofres da União para ser revertido em bens públicos.

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9ª edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/geografia-da-saude Fri, 10 Aug 2018 20:36:36 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=4129 O Sistema Único de Saúde (SUS), previsto na Constituição Federal de 1988, define a saúde como direito de todos e dever do Estado. No entanto, ter o direito é diferente de ter o acesso. Pensando nisso, o professor do Departamento de Geociências da UFSM Rivaldo de Faria desenvolveu um projeto para redesenhar a distribuição das unidades do SUS em Santa Maria e garantir a universalidade do serviço.

Rivaldo é fundador do Núcleo de Pesquisa em Geografia da Saúde (NePeGS), primeiro grupo que aborda a temática no Rio Grande do Sul. O desafio é entender como as enfermidades se relacionam com o território, uma vez que “a saúde não é discutida geograficamente ou sociologicamente, mesmo que existam fatores físicos e sociais que expliquem as razões das doenças e da morte”, como pontua o pesquisador.

Denominado Implementação de tecnologia geográfica nas ações de planejamento e vigilância à saúde na área urbana de Santa Maria, o projeto teve início em 2016, a partir de uma parceria do NePeGS e da Secretaria Municipal de Saúde. Ana Paula Seerig, Assessora de Gestão, Projetos e Planejamento da Secretaria, conta que, através do projeto, “estabeleceu-se uma relação de parceria de trabalho, a qual agregou conhecimento, segurança e legitimidade ao processo”.

Através do estudo desenvolvido, propõe-se que seja realizada a territorialização da Atenção Básica à Saúde (ABS) em Santa Maria, ou seja, que se definam o território e a população de atendimento das unidades. Segundo Rivaldo, atualmente há muitos territórios desassistidos: “Quando a rede de Santa Maria foi mapeada, percebeu-se que falta serviço. A cidade não atende hoje nem 60% da população, há um vazio enorme”, explica o professor.

O estudo se baseia na estrutura atual do SUS, que é dividido em três níveis – primário, secundário e terciário, sendo o nível primário a porta de entrada do Sistema. Nesse nível, estão as Unidades Básicas de Saúde, cujo papel é promover as políticas de prevenção e prestar atendimentos simples. O seu bom funcionamento evita que os grandes centros especializados tenham que atender um alto número de ocorrências de simples resolução.

Em 2018 será implementado o Projeto Piloto, como previsto no Plano Municipal de Saúde. A escolha das unidades beneficiadas ficará a cargo da Secretaria da Saúde. Segundo Ana Paula, espera-se que até dezembro de 2020, data que marca o fim da atual gestão, toda a Rede de Atenção de Santa Maria esteja organizada. Diante da grande mudança que seus estudos podem trazer para a cidade, Rivaldo explica por que escolheu estudar a Geografia da Saúde: “Eu poderia exercer meu trabalho na área de geografia agrária, área econômica ou geopolítica, mas para mim não há nada mais econômico, agrário e urbano do que a vida das pessoas”, conclui.

Reportagem: Mariana Machado

Diagramação e Ilustração: Pollyana Santoro

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9ª edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/arte-cemiterial Thu, 09 Aug 2018 20:59:46 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=4178 Para muitas pessoas, os cemitérios são lugares de tristeza, que remetem à solidão e à saudade. Não para o fotógrafo Darci Roberto Trevisan Fidler, que encontra no cemitério uma sensação de paz. Segundo ele, “as obras artísticas do local possuem um valor histórico e qualidades estéticas impossíveis de não serem notadas e apreciadas”.

 

Beto, como é conhecido, formou-se nos anos 2000 em Design Gráfico pela UFSM. Atualmente, trabalha na Universidade como Técnico de Laboratório no curso de Pós-Graduação em Design de Superfície. Dedica-se, ainda, a dar aulas de fotografia no projeto Oficina de fotografia, vinculado ao Espaço Alternativo, da Coordenadoria de Qualidade de Vida do Servidor (CQVS), da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progep). Já são 15 anos de atividades ininterruptas, voltadas aos servidores, técnicos e docentes, ativos e aposentados da UFSM.

 

As aulas têm, em média, 20 alunos por turma e abordam temas variados. Beto ensina como fazer uma boa foto, partindo da teoria e encaminhando para a prática: primeiro, busca alfabetizar visualmente, para que os alunos saibam o que é uma foto de qualidade; depois, leva o grupo para fotografar em diferentes lugares.

 

Habituado a fazer visitas ao cemitério ecumênico de Santa Maria, Beto encontrou, em meio aos jazigos e mausoléus, obras arquitetônicas e artísticas dignas de seus registros: “Dos vários temas e gêneros da fotografia, a arte cemiterial ou tumular me agrada pela sua estética”, pontua. O estilo preto e branco das fotografias é, para ele, o tratamento ideal para o caráter dramático e a estética do tema.

 

As fotografias aqui apresentadas foram feitas entre 2011 e 2012, no Cemitério Municipal de Santa Maria e no Cementerio de la Recoleta, de Buenos Aires, na Argentina. A intenção era expô-las na UFSM no primeiro semestre de 2013, mas em respeito à comoção da comunidade santa-mariense devido à tragédia da Boate Kiss, ocorrida em janeiro daquele ano, o projeto ficou reservado a futuras exposições.

 

 

Reportagem: Sabrina Cáceres

Diagramação: Juliana Krupahtz

 

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