Ambiente – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco Jornalismo Científico e Cultural Thu, 09 Mar 2023 12:18:08 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Ambiente – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco 32 32 Ambiente – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/restauracao-ecologica-na-ufsm-a-partir-da-cosmovisao-kayapo Thu, 09 Mar 2023 12:04:25 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9687

Se você circulou pelo campus sede da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) recentemente, deve ter visto placas como essa da foto em alguns lugares, como perto do prédio da Reitoria e do Hospital Veterinário. Conforme o Código Estadual do Meio Ambiente e a Lei Florestal Federal – legislações que regulamentam a preservação do meio ambiente -, as Áreas de Preservação Permanente (APP’s) são espaços, cobertos ou não por vegetação nativa, localizados em zonas rurais ou urbanas, que têm a função ambiental de preservar os recursos hídricos (como as águas superficiais e subterrâneas), a paisagem, a estabilidade do relevo e a biodiversidade de um local. Além disso, elas têm a capacidade de facilitar o fluxo gênico – transferência de genes entre populações – da fauna e da flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas. As APPs também abrigam uma enorme biodiversidade e são responsáveis pela preservação de recursos hídricos e geográficos.

Fotografia horizontal e colorida de uma placa em frente à arvores e ao lado de uma ciclovia. A placa está no lado esquerda da imagem, tem pés altos, é horizontal. Tem fundo branco, faixas verde escuras e texto em preto: "Área de Preservação Permanente (APP). Proibido destruir, danificar, invadir, desmatar, jogar lixo ou entulho. Sujeito À multa e detenção. Lei Federal nº 9605/98". Ao fundo da placa, início de floresta com árvores em vários tons de verde. Do lado direito da placa, faixa de ciclovia em meio a gramado e árvores.
Foto: Estevan Garcia Poll

Dada a importância desses espaços, a preservação e recuperação das APPs são fundamentais para que os habitats degradados ou danificados por ação antrópica sejam renovados. No entanto, deve existir um cuidado extra quanto às práticas de interferência em ecossistemas naturais ao se tratar das Áreas de Preservação Permanente, já que elas são extremamente ricas para o meio ambiente. De acordo com o Engenheiro Florestal e mestre em Engenharia Agrícola pela UFSM, Matheus Gazzola, a restauração ecológica é uma ferramenta estratégica para atenuar os impactos gerados pelas ações humanas nos ecossistemas.

Projeto inovador de restauração ecológica no campus

Para Renato Záchia, professor do curso de Ciências Biológicas da UFSM, a importância da existência de Áreas de Preservação Permanente está na necessidade de preservar as interações que ocorrem entre os seres vivos e o ambiente. O docente salienta que as APP’s são locais específicos para manter essas interações e evitar distúrbios, como enchentes, alagamentos e desequilíbrio de espécies. Záchia explica que, muitas vezes, a cultura humana exerce um comportamento dominador e destrutivo sobre os ecossistemas.

 

O professor idealizou, em 2007, um projeto com alunos moradores da Casa de Estudante (CEU II) e participantes da Casa Verde (que é hoje o Comitê Ambiental) cujo objetivo era plantar árvores com fertilizantes originados na compostagem feita pelos próprios estudantes, a fim de restaurar as áreas no entorno dos córregos do campus. Inicialmente, foi feita a identificação dos quatro braços principais do ‘Lagoão do Ouro’, uma grande sanga que liga a parte norte a sul da UFSM. Os braços  foram batizados pelo professor de ‘Braço do Tambo’, ‘Braço Cohab Fernando Ferrari’, ‘Braço Jardim Botânico’ e ‘Braço da Olaria’. Záchia ressalta que os nomes condizem com os locais em que eles se originam e enfatiza a importância de nomear os córregos para facilitar a proximidade deles com o público.

Descrição da imagem: desenho vertical e colorido de um mapa fluvial em tons de marrom. Há um rio que é apontado no mapa e que cruza toda a extensão dele. Na parte superior, há o 'Braço Cohab'. Abaixo, já no território da UFSM, há o 'Braço Botânico'. Abaixo, dois recortes de imagens em moldura circular. A primeira, na esquerda, tem árvores e um rio. A segunda imagem tem uma placa de área de preservação ambiental em detalhe. Abaixo, os braços 'Tambo' e 'Olaria'.
Mapa fluvial. Arte: Daniel Michelon de Carli.

A seguir, ainda em 2007, a partir das disposições do Código Florestal Brasileiro e com o intuito de impedir as capinagens em torno dos córregos, o professor determinou que o início do trabalho seria nas matas ciliares – vegetação próxima a corpos d’água – e solicitou autorização à Prefeitura de Santa Maria e à Reitoria da Universidade para dar continuidade ao projeto. Então, ele tomou a decisão de basear-se em pesquisas de etnobotânica – estudo da relação existente entre sociedades humanas e plantas – feitas principalmente pelo antropólogo e biólogo estadunidense, Darrell Posey, com povos indígenas do Pará, os Kayapó.

 

Assim, a partir de uma proposta comunitária e colaborativa e com o auxílio de funcionários da Sulclean, da Pró Reitoria de Infraestrutura (Proinfra) e dos estudantes, no ano de 2007 foram plantadas mudas e sementes e colocados restos de matéria orgânica nas matas ciliares próximas ao prédio da Reitoria, que compõem uma parte do bosque que existe até hoje, com o objetivo social de que as pessoas abraçassem a ideia do plantio de árvores e da proteção de áreas degradadas, por ser uma área de alta circulação da comunidade. 

 

“Os povos originários tratam a questão ambiental como um prolongamento da dimensão humana”, explica Záchia. A concepção da natureza para os Kayapó têm como base pensar na cosmovisão de que o planeta é um ser vivo e de que os humanos são elementos que integram esse ser único. 

 

No ponto de vista do professor, não há quem seja superior ou inferior e tampouco há espaço para a colonização de espaços, ou seja, ele considera que as práticas de restauração de ecossistemas dos Kayapó são decoloniais – não perpetuam a dominação de territórios: “A postura dos indígenas deixa de ser de dominação – em que se precisa conhecer e dominar – e passa a ser de contemplação.”

 

Em relação ao comportamento dos Kayapó reproduzido na UFSM, é importante ressaltar que a aldeia observada no Pará ficava em um ecótono – região entre ecossistemas distintos-, diferentemente do que ocorre no campus em Santa Maria, o que fez com que a experiência tivesse de ser adaptada para um novo ambiente. Na Universidade, o professor precisou lidar com outro tipo de bioma e teve que tratar com fatores restritivos, como a aplicação do processo restaurativo em até oito metros de distância da borda dos córregos, ou seja, ele precisou aplicar as técnicas em um espaço menor do que o esperado.

 

O processo integrado com a natureza dos povos originários é lento e engloba a contemplação e a observação da natureza, distinto da postura de dominação exercida pelos povos ocidentais. “Eles juntavam toda a serrapilheira da floresta, que são os animais, plantas, fungos e todos os restos de seres vivos mortos, principalmente troncos de árvores, fragmentavam-os e faziam montes, que eles chamavam de Apêtês, na língua Mebêngôkre, que é como eles se autodenominam”, explica Záchia sobre o comportamento dos povos originários paraenses e aplicado no campus da UFSM. Os Apêtês eram colocados por mutirões em espaços a serem restaurados, formando ilhas de vegetação lenhosa.

 

Esse modelo se assemelha aos Sistemas Agroflorestais Sintrópicos, que reúnem as plantações agrícolas com as plantas que integram a floresta, como no estudo do pesquisador suíço Ernst Götsch. Uma das diferenças do sistema dos Kayapó para o do Götsch é que os indígenas não utilizam a poda para acelerar o processo, e esta também não foi aplicada no projeto na Universidade.

 

Renato Záchia também ressalta a importância de futuramente haver um trabalho transdisciplinar, tanto para que a comunidade acadêmica possa conhecer e observar as APP’s,  quanto  para que os estudantes adotem comportamentos que ajudem na manutenção desses locais, com a base em um interesse coletivo e não em uma norma institucional.

 

O papel da Proinfra

O Setor de Planejamento Ambiental da Pró-Reitoria de Infraestrutura (Proinfra) é o órgão responsável  por tratar das questões ambientais da UFSM. De acordo com a assessora de gabinete do setor, Marilise Mendonça Krügel, no que diz respeito às Áreas de Preservação Permanente, o órgão tem a responsabilidade de conduzir todas as ações relacionadas à proteção e à conservação delas em cumprimento à legislação ambiental vigente.

 

“O levantamento das APP’s foi realizado para o licenciamento ambiental do campus sede em 2014”, explica Marilise. Ela também informou que, na primeira etapa, uma empresa especializada em consultoria ambiental fez a análise topográfica (avaliação das características do terreno), e indicou os locais onde estavam localizadas as nascentes e os cursos d’água. Em seguida, foi feito o trabalho de campo para confirmar esses dados e, então, as APP’s foram demarcadas a partir de um software de sistema de informação geográfica.

 

Na UFSM, que tem uma área total de 1188 hectares, são 297,2 hectares de APP’s. Enquanto 152,3 hectares de APP’s que estão em conformidade com a legislação nacional, outros 144,9 necessitam de restauração. Dessa forma, há urgência em restaurar essas áreas degradadas, o que pode ser feito colocando-as entre vegetação arbustiva/arbórea ou espaços úmidos.

 

Existe um projeto em andamento referente à recomposição das APP’s, que é fruto de um convênio entre a UFSM e a empresa Sustentasul, que trabalha com um planejamento de restauração ecológica que será usada para recompor a vegetação nativa nos 144 hectares de Áreas de Preservação Permanente da Universidade. Em outros momentos, certos órgãos da UFSM já tentaram implantar projetos de recomposição das áreas, mas a maioria não teve progresso ou engajamento da comunidade.

 

Como aponta Marilise, é importante que a comunidade universitária tenha clareza de que as APP’s são áreas protegidas por lei e atuam na proteção dos recursos hídricos e do solo, na manutenção da biodiversidade e, além disso, são corredores ecológicos. “A nossa relação com as APP’s deve ser de cuidado e proteção. A interação das pessoas com estas áreas deve ocorrer de tal forma que não produza impactos ambientais negativos, como o descarte de resíduos, a retirada de plantas ou qualquer prejuízo à fauna”, finaliza Marilise.

 

Expediente:

Reportagem: Isadora Pellegrini, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Fotografia: Estevan Garcia Poll;

Design gráfico: Daniel Michelon de Carli;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.

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Ambiente – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/jardins-verticais-sustentabilidade-dentro-e-fora-de-casa Mon, 30 Jan 2023 14:02:19 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9632

Dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM) apontam que os últimos seis anos foram os mais quentes desde a década de 1880. As frequentes ondas de calor intenso preocupam pesquisadores que tentam encontrar alternativas para amenizar os problemas causados pelas altas temperaturas.

 

Uma estratégia antiga está ganhando espaço nas cidades, inclusive no ambiente estudantil. São os jardins verticais, que existem, pelo menos, desde a década de 1930, e agora, de modo planejado, são instalados em diferentes espaços como forma de amenizar o calor. Como o próprio nome diz, os jardins verticais são peças de jardinagem que, ao invés de ficarem no chão, são instaladas nas paredes – internas ou externas. Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), um projeto orientado pela professora de arquitetura e especialista em conforto ambiental e  sustentabilidade, Minéia Johann Scherer, projetou jardins verticais em salas de aulas do Colégio Politécnico.

Descrição da imagem: ilustração horizontal e colorida de um jardim vertical em uma sala de aula. Há três mesas com cadeiras na cor verde escuro enfileiradas. Ao fundo, na parede, retângulo horizontal preenchido com grama na cor verde claro. A parede tem tom de rosa claro, e o piso, rosa queimado.

Para a docente, esse tipo de instalação pode garantir o conforto térmico e a economia de energia nas edificações. Dependendo da espécie utilizada, do clima e do local, as plantas também reduzem a incidência solar na parede protegida. A arquiteta e orientanda da professora, Luciana Rocha Ribeiro, conta que fez um estudo durante o ano de 2019 para entender o tempo de produção das mudas e como fazer o plantio nos módulos. Instalado na sala D2 do Politécnico, o jardim fez companhia aos alunos do 3º ano do ensino médio durante boa parte do ano de 2019. A turma de 36 estudantes foi monitorada pelas pesquisadoras durante o decorrer dos dias. Luciana explica que isso foi importante para perceber o impacto das plantas instaladas e o projeto ser aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos.

 

Os módulos foram construídos pelo Setor de Paisagismo do Colégio Politécnico e tinham duas espécies: grama-amendoim e clorofito. A grama-amendoim é uma espécie nativa do Brasil e uma das forragens mais procuradas no país, principalmente por conta do crescimento acelerado. O clorofito, também conhecido como gravatinha ou paulistinha, é comum em decorações e se destaca por ser de fácil manuseio.

Durante o período da pesquisa de Luciana, o número de alunos que gostavam de plantas aumentou cerca de 20%, comparado ao início do estudo. “A maior parte dos alunos também alegou que a permanência em sala de aula por horas seguidas se torna mais fácil”, comenta Luciana. 

 

 

Imagens da sala de aula no Colégio Politécnico. Foto: Luciana Ribeiro

O relato de melhora na qualidade do ar também foi percebido pelas pesquisadoras. Sem a presença dos jardins verticais, a maioria dos alunos considerou a sala morna ao entrar na primeira hora do dia. Na presença das plantas, a maioria dos alunos considerou o espaço com uma temperatura ideal. Ao fim da pesquisa, eles também alegaram sensação de conforto e agradabilidade visual na sala de aula. As estruturas foram colocadas de forma experimental durante o trabalho e posteriormente removidas.

Luciana afirma que o uso de jardins verticais em salas de aula é uma prática que pode trazer benefícios ao meio ambiente e aos alunos.  Para ela, além de estimular o plantio de espécies e trazer áreas verdes para ambientes internos, os jardins ajudam os alunos a ter um ambiente melhor para conviver durante a semana, principalmente nos dias quentes de verão. No entanto, para que essas instalações possam ser mais eficientes, a arquiteta explica: “é importante a realização de estudo detalhado quanto à ventilação e à iluminação naturais, principalmente no ambiente interno”. Comparando as duas espécies usadas, Luciana diz que o jardim vertical de grama-amendoim apresentou melhores resultados que a espécie clorofito. Isso porque proporcionou, segundo os alunos, um ambiente mais bonito e também proporcionou melhores condições no ar do ambiente.

Descrição da imagem: Fotografia quadrada e colorida de grama tipo amendoim, em detalhe. A grama tem cor verde médio, e as folhas tem formato de amendoim.
Grama Amendoim.
Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida de uma grama clorofito em detalhe. A grama tem formato de tufos, e folhas finas e compridas. As folhas tem cor verde claro nas extremidades e branca ao centro.
Grama Clorofito.

Outro jardim, ou melhor, cortina verde

Um outro projeto, chamado “Análise da influência do uso de cortina verde no comportamento térmico em habitação de interesse social em Santa Maria”, também orientado pela professora Minéia, foi o da arquiteta Renata Serafim de Albernard. Para a pesquisa, Renata instalou jardins verticais do tipo “cortina verde” em casas de um residencial no bairro Diácono Luiz Pozzobon, em Santa Maria. Ela diz que escolheu o modelo de cortina por ser de fácil execução e baixo custo: “Esse tipo de instalação permite flexibilidade na manutenção, uma vez que é instalado afastado da casa”, ressalta.

 

O projeto de Renata também foi realizado em 2019 e iniciou durante a primavera. Foram usadas três espécies da chamada “Glicínia”. Elas foram plantadas junto a perfis de madeira instaladas na base da calçada e no beiral das casas. As espécies foram presas com cabos elásticos. Para entender as mudanças provocadas pela instalação dos jardins, Renata fez visitas semanais nas residências. Segundo ela, os resultados mostraram diferenças na temperatura do ar interno. A diminuição foi de até 8,6°C (em uma semana extrema de verão) e 3,68°C (em um dia comum de verão). “Todos os usuários relataram sensação de bem estar com os jardins verticais, tanto é que estão instalados até hoje”, conta a arquiteta.

Como ter um jardim vertical em casa?

Como orienta Minéia, o planejamento dos jardins requer atenção. É preciso escolher a melhor espécie para o ambiente e um local estratégico para a instalação. O primeiro passo é procurar orientação de um paisagista ou de um arquiteto. Se tiver ajuda dos dois, melhor ainda. O paisagista pode analisar o espaço quanto às condições climáticas, indicar a melhor espécie e como esta deve ser cuidada. O arquiteto é quem planeja o local adequado – interno ou externo, para a colocação do jardim – e também como a estrutura pode ser fixada de modo que atenda à demanda desejada.

 

Para Minéia, os jardins são procurados principalmente como elemento decorativo, mas seus benefícios na saúde e no bem estar também se mostram relevantes. Segundo ela, os jardins proporcionam um espaço de lazer, contato com a natureza e melhora na qualidade do ar – principalmente se instalados internamente, onde o ar não circula tanto. Outro ponto importante é o isolamento térmico. As espécies têm o potencial de reduzir as chamadas ilhas de calor, presentes nas grandes cidades. Isso porque elas fazem o “sombreamento”, ou seja, o calor se transfere de forma menos intensa quando passa pelas folhas.

 

Além disso, as plantas atuam como uma barreira natural de isolamento acústico. A superfície verde bloqueia sons de alta frequência e, dependendo da composição das espécies, pode bloquear ruídos de baixa frequência. 

Renata afirma que a vegetação otimiza qualidade de vida aos usuários, que são influenciados de forma positiva nos aspectos psicológicos e de saúde. Com sua pesquisa, ela afirma que há alternativas de baixo custo, como a cortina verde, que utiliza a vegetação trepadeira. A instalação planejada é uma estratégia para potencializar o conforto térmico e a sensação de bem-estar dos usuários. 

 

Depois da instalação, é preciso seguir alguns cuidados de poda e rega. A professora Minéia recomenda o uso de plantas que se adaptem à sombra ou precisem de pouco sol para se desenvolver. De modo geral, essas espécies costumam funcionar bem em em espaços internos, principalmente em apartamentos. No entanto, a escolha da espécie vai depender da necessidade do morador. Algumas pessoas preferem instalar pequenas hortas, que nem sempre vão ter a função de sombreamento, mas podem oferecer praticidade no dia a dia e garantir uma alimentação saudável. Outras pessoas podem optar pelos jardins como função decorativa, o que vai implicar em um maior planejamento arquitetônico.

Expediente:

Reportagem: Tayline Alves Manganelli, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

Design gráfico: Júlia Coutinho, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Gabriel Escobar, acadêmico de Jornalismo e bolsista; e Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.

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Ambiente – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/jardins-privados-a-biodiversidade-escondida-nas-moradias Mon, 15 Aug 2022 13:17:01 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9460

Os jardins privados são patrimônios de famílias e residências no mundo inteiro e dão mais cor e vida às moradias. Um fato pouco conhecido é que a biodiversidade presente nesses espaços tem um grande impacto nos ecossistemas das cidades. Esta é a conclusão de um estudo no Reino Unido, realizado pela Universidade de Sheffield, que identifica a vida selvagem presente nos jardins das casas britânicas, e que tem forte relação com pesquisas atuais na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

 

Nesse sentido, o arquiteto e professor da UFSM do campus de Cachoeira do Sul, Ricardo Rocha, reparou que grande parte da vegetação da cidade de Cachoeira do Sul tinha uma lógica diferente das áreas verdes planejadas pela prefeitura. Rocha passou a analisar os jardins privados e notou que, junto aos cemitérios, terrenos, rótulas, clubes e escolas, eles constituem a base ecológica das cidades.

Por serem espaços espalhados pelas cidades, a contribuição dos quintais se dá em complementaridade com os espaços públicos e é um tanto complexa, de acordo com o docente. Ele explica que as áreas públicas, como parques, têm uma grande biodiversidade e contribuem para melhorar o microclima – área pequena cujas condições atmosféricas diferem da zona exterior. Já os jardins privados, que são  relativamente menores, contribuem para a drenagem da água da chuva, a permeabilidade do solo, e, como ligam-se à manutenção de espécies exóticas -, com papel destacado na polinização, além de influenciar na biodiversidade.

 

De acordo com o arquiteto, os jardins privados também agregam positivamente para a saúde pública, já que a vegetação aumenta a qualidade do ar e, consequentemente, reduz a incidência de doenças respiratórias. Existem, ainda, benefícios para a saúde mental, como a redução do estresse e melhorias na memória.

O estudo em Cachoeira do Sul

A base da metodologia de pesquisa utilizada por Ricardo foram os estudos tipo-morfológicos, nos quais se analisa a morfologia – estudo da configuração urbana e dos fatores que causam a modificação de uma determinada área – para avaliar como a cidade se estrutura. Em relação aos locais estudados, são levados em consideração o tamanho, a quantidade de áreas verdes, as escalas dos jardins, os cálculos delas, seus recortes na cidade e amplo uso de levantamentos por meio de fotos aéreas.

 

Com essas fotos, foi possível estimar o percentual de vegetação na cidade de Cachoeira do Sul. Assim, o pesquisador observou que 20% a 30% das áreas verdes do município são jardins privados. Ao levar em consideração esses percentuais, o arquiteto concluiu que a subtração dos jardins privados reduziria a biodiversidade do meio urbano, ou seja, quanto menos vegetação, menos espécies de fauna e flora. Além disso, essa falta de verde também pode levar à impermeabilização do solo e ocorrência de enchentes devido à falta de drenagem.

Na visão do arquiteto, existe necessidade de ações que incentivem a adesão aos jardins. Isso ocorre, por exemplo, devido às consequências do boom imobiliário em cidades populosas no Brasil, como é o caso de Santa Maria, que passa por um processo de verticalização em função da demanda residencial para universitários, que vêm à cidade passar certos períodos e, muitas vezes, optam por alugar moradias em edifícios e prédios. Essa ampla adesão às moradias verticais oferece um espaço cada vez menor para as casas com jardins, que muitas vezes são derrubadas para a construção de edifícios.

 

É possível dimensionar o impacto dos jardins quando são colocadas em análise as cidades verticais, como a capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Nelas, sem medidas compensatórias, pode haver uma carência muito grande de biodiversidade. Pesquisadores da Universidade de Illinois, em Chicago, nos Estados Unidos, que têm trabalhos em parceria com Ricardo, desenvolvem, nessa direção, estratégias para tornar mais verdes os ambientes de alta densidade urbana, como fachadas e coberturas verdes, além de um incentivo para que sejam cultivadas plantas nas mais diversas situações, mesmo dentro de apartamentos, em vasos. Nesse sentido, o pesquisador salienta a importância de um esforço para manter a vegetação e a biodiversidade existente nos jardins urbanos.

O Projeto BUGS - Biodiversidade nos Jardins Urbanos em Sheffield

O professor Ricardo Rocha pôde ter acesso a dados e conclusões previamente verificadas por pesquisadores da Universidade de Sheffield, o que contribuiu muito com seu estudo. Kenneth Thompson, professor aposentado da Universidade de Sheffield é pesquisador do Projeto BUGS (Biodiversidade nos Jardins Urbanos em Sheffield), no qual foi feito  uma série de estudos sobre a ecologia do ambiente urbano e a contribuição dos jardins nesse espaço.

 

Para Thompson, devido à imensa diversidade dos jardins britânicos, uma regulamentação do poder público sobre os pátios privados seria invasiva e alteraria o aparecimento natural de espécies, caso os espaços fossem geridos pelas prefeituras, uma vez que a natureza realiza uma autogestão fluída nos espaços dos jardins. Ele comenta que, na Inglaterra, os jardins são extremamente comuns em grande parte das cidades.


A partir do programa de Ecologia Urbana da Universidade de Sheffield, Ken Thompson se reuniu com o colega de profissão, Kevin Gaston, para iniciarem o projeto BUGS. O interesse surgiu a partir da obraVida Selvagem de um jardim: um estudo de 30 anos’ – na versão original, em inglês, Wildlife of a Garden: A Thirty-year Study -, no qual a autora, Jennifer Owen, faz uma investigação de três décadas para analisar e identificar a biodiversidade presente no seu próprio jardim privado.

Funções ambientais dos jardins

A pesquisa contou com a análise de 61 jardins na cidade de Sheffield. “Os jardins se tornaram cada vez mais um refúgio para a vida selvagem”, explica Thompson, ao evidenciar as problemáticas da agricultura intensiva, do desmatamento e da drenagem urbana como agentes na perda do espaço nativo de muitas espécies, fenômeno que ocorre tanto na Inglaterra quanto no Brasil. Nesse sentido, os jardins têm um papel fundamental e servem de habitat para centenas de espécies desabrigadas por forças antrópicas, como lesmas, minhocas, centopeias, moscas, abelhas, vespas, besouros, aranhas, sapos, borboletas e passarinhos.

 

De acordo com o pesquisador britânico, além dessa função importante para a vida selvagem, os jardins urbanos também têm a capacidade de reduzir a poluição sonora e atmosférica, a temperatura e o risco de inundação nas cidades. A vegetação presente nos jardins se torna a base de todo o ecossistema e potencializa os fenômenos naturais e a biodiversidade.

 

Além disso, os pátios são essenciais na prevenção ambiental e de catástrofes. Tanto o estudioso da Inglaterra quanto o do Brasil abordam questões relacionadas à importância ecológica da vegetação no meio urbano. Eles explicam que as plantas são capazes de filtrar o ar, ao reter a poluição atmosférica e converter o gás carbônico em gás oxigênio.

 

Rocha elucida que em épocas de chuvas fortes, áreas com maior vegetação têm a capacidade de drenar a água da chuva, enquanto os locais sem tanto verde não são permeáveis e levam ao menor escoamento pluvial e até mesmo à enchentes. Assim, o estudo infere que as áreas verdes têm um papel fundamental na infiltração da água. 

 

Outro ponto essencial tratado pelo professor inglês é a vida selvagem em transição nos jardins privados. “Muitas espécies de insetos, anfíbios e pássaros vão utilizar uma rede de pátios, realizando um movimento de um jardim para outro em busca de comida e ninhos”, enfatiza. Ele exemplifica o caso da polinização com as abelhas, que exploram uma grande rede de jardins em busca de pólen.

 

Para Thompson, existe um papel importante nos elementos dados como “sujeira” nos jardins privados. Plantas mortas, galhos e folhas secas são alimento e habitat para muitas espécies, e removê-las significa limitar a biodiversidade do local. De acordo com o professor, os proprietários não devem interferir de forma invasiva na vegetação dos jardins com o intuito da manutenção do ecossistema.

Expediente:
Reportagem: Isadora Pellegrini, acadêmica de Jornalismo e bolsista;
Design gráfico: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista; e Vinícius Bandeira, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário;
Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;
Edição de produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;
Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.
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Ambiente – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/pesquisadores-da-ufsm-investigam-o-fenomeno-do-vento-norte-em-santa-maria Fri, 01 Jul 2022 13:51:21 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9367

“Uma bagunça. Revira o cabelo, leva as roupas do varal, bate portas e janelas dentro de casa. O vento norte é uma bagunça.” Essa é a definição do vento norte para Rafaela Shoutestazw, graduanda do curso de Direito na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Até pouco tempo, esse fenômeno  meteorológico era conhecimento empírico e não havia dados científicos capazes de caracterizá-lo.

 

O vento norte marca presença em Santa Maria: veloz, quente e seco. Carrega folhas, bagunça o cabelo, fecha e abre portas e janelas. De acordo com o professor de graduação e pós-graduação em Meteorologia da UFSM, Ernani de Lima Nascimento, o vento começa por meio de um sistema de baixa pressão que se forma próximo ao litoral do Rio Grande do Sul ou do Uruguai. É quente e seco, pode ocorrer com fortes rajadas, principalmente em cidades do interior do estado, como Santa Maria. Para Ernani, além de assustar algumas pessoas, o vento norte pode ser prejudicial na questão ambiental, já que ele tem a capacidade de dispersar fuligem e poluição por vários lugares.

Descrição da imagem: ilustração horizontal e colorida de uma representação geográfica em formato de depressão. A parte superior é de um gramado verde claro. A parte inferior é na cor vermelho bordô. Tem elementos: avião, planetário, trem e pedaço de osso de fóssil. Há cinco flechas em cinza transparente, que começam na parte superior e terminam na parte inferior da planície. Na parte inferior, quadrado cinza ao lado do texto "Rajadas de vento norte". Ao lado, quadrado vermelho bordô e o texto "Mancha urbana de Santa Maria". O fundo é cinza médio.

Suas características e peculiaridades, principalmente na região central do estado, despertaram a curiosidade de três pesquisadores. Foi assim que surgiu o trabalho “Observações Meteorológicas do Fenômeno Vento Norte na Região Central do Rio Grande do Sul” (em inglês, no original: “Regional‐scale meteorological characteristics of the Vento Norte phenomenon observed in Southern Brazil”). A pesquisa foi organizada pelo docente do  Departamento de Física da UFSM, Gervásio Degrazia, juntamente com Michel Stefanello, doutor em Física pela UFSM e professor substituto no Departamento de Física, e por Cinara Ewerling da Rosa, doutora em Meteorologia pela UFSM e professora do Instituto Federal Farroupilha (IFF-São Vicente do Sul). O trabalho analisou os movimentos turbulentos provocados pelo vento norte, que afetam desde os habitantes das cidades até a produção agrícola. Além disso, segundo a professora Cinara, havia a necessidade de definir o que seria o vento norte. 

 

Inicialmente, o fenômeno transporta a massa de ar da região central do Brasil, onde as temperaturas são mais elevadas. Ao chegar no sul, o ar quente se encontra com o ar frio, o que causa a mudança de temperatura e provoca a sensação de calor. Michel explica que o início do fenômeno é marcado pelo aumento de temperatura, fortes rajadas e diminuição da umidade, enquanto o  fim  traz chuva, aumento de umidade e diminuição da temperatura.

Por que “vento norte”?

Uma dúvida muito comum entre as pessoas é sobre o nome do vento. Os professores Ernani e Gervásio explicam que a nomenclatura é atribuída por causa da sua direção. O vento sempre sopra para o sul, desta forma, sua origem é o norte. De acordo com os pesquisadores, apesar de inicialmente se apresentar com rajadas quentes, o vento norte anuncia uma frente fria.

A pesquisa

Gervásio conta que os objetos de estudo utilizados para a pesquisa foram escalas micrometeorológicas, escalas de tempo, de dispersão, dados de torres do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), como de velocidade do vento, de temperatura, direção do vento, umidade, pressão, rajadas e modelos baseados em equações. Ele explica que a pesquisa auxilia na obtenção de dados para realizar as equações sobre o fenômeno, já que elas teriam o papel de descrever as consequências.

 

Para coletar dados de turbulência do vento norte, em 2008 Gervásio recorreu à Torre Micrometeorológica de Paraíso do Sul, município da região central gaúcha. Com isso, foi possível estudar a estrutura e os aspectos turbulentos da ventania e realizar uma modelagem de dispersão (simulação) dos efeitos do fenômeno.

 

Após essa análise, os professores Michel e Cinara começaram a investigar o fenômeno em Santa Maria a partir da Torre Meteorológica da UFSM. A partir desses  dados, Cinara redigiu uma tese sobre como o vento norte se comporta na cidade. O estudo da pesquisadora teve duração de nove anos e incluiu diversas cidades do Rio Grande do Sul – desde Alegrete, passando por Cruz Alta e indo até Rio Pardo, para tentar identificar e comparar características do vento norte desses locais em relação à Santa Maria. A pesquisadora concluiu que, devido à posição geográfica, a intensidade do vento é maior na região central do estado: as rajadas podem chegar a 200% da velocidade dos outros lugares. Na pesquisa,  foram analisados, de forma conjunta, dados de temperatura, direção do vento, umidade relativa, campo de pressão e velocidade. Segundo os pesquisadores, dados horários disponibilizados pela torre regional do INMET foram importantes para verificar e estabelecer padrões sobre o fenômeno.

 

Os pesquisadores chegaram às seguintes conclusões quanto às pré-condições de existência para o vento norte: 

 

  • O vento norte ocorre de forma mais intensa onde há descontinuidade na topografia, ou seja, quedas de altura no relevo, como é o caso de Santa Maria, cidade cujo relevo é marcado por morros;

 

  • As baixas elevações no terreno, conhecida como Depressão Central, podem ser o motivo para a velocidade e calor do fenômeno;

 

  • A velocidade das rajadas de vento norte é superior a 11 m/s, ou seja, 39 km/h. Podem ocorrer rajadas com velocidade acima dos 80 km/h: nesses casos, há registros de destelhamento de casas;

Descrição da imagem: infográfico horizontal e colorido com fundo cinza claro e título em branco: "Qual a força do vento norte?". No lado esquerdo da imagem, desenho de um homem de capacete e roupas claras sobre um patinete bordô. Acima, as informações: "Evento mais curto: 4h", e "Rajada média 13 m/s ou 47 km/h" ao lado de um redemoinho. Na parte da direita do infográfico, desenho de um carro na cor creme. Acima, as informações "21h evento mais prolongado" e "Rajada média 20m/s ou 72km/h". O fundo é cinza médio.
  • No início do fenômeno, há um aumento na temperatura do ambiente e diminuição da umidade, enquanto no final ocorre a formação de uma frente fria seguida de chuva;

 

  • O vento norte geralmente inicia no período da madrugada. Quando dura o dia todo, o vento geralmente tem um período de calmaria pela tarde;

 

  • Quanto mais intenso é, maior será a duração. Durante o período de realização da pesquisa, o máximo de tempo que o fenômeno se estendeu foi de 21 horas, mas, segundo o professor Gervásio, já houve ventos que seguiram intermitentes por 100 horas seguidas; 

 

  • Em um ano,  ocorrem de seis a sete episódios de vento norte. A intensidade pode variar  a depender das condições climáticas de cada dia.

 

  • O fenômeno ocorre com maior frequência no inverno, e também é mais fácil de ser identificado neste período.

Expediente:

Reportagem: Isadora Pellegrini, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Tayline Alves Manganelli, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

Design gráfico: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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Ambiente – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/o-impacto-da-urbanizacao-na-diversidade-de-aves Wed, 29 Jun 2022 12:59:30 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9356

Cidades constituem um importante marco na história da civilização humana, uma vez que representam a identidade e a cultura de seus habitantes. “De onde você é?” é uma das primeiras perguntas que fazemos quando conversamos com alguém pela primeira vez. No entanto, nós não somos os únicos habitantes de áreas urbanas. Basta dar um passeio na praça de qualquer cidade que é possível observar diferentes espécies de pássaros, insetos, plantas e, com sorte, pequenos mamíferos, como gambás! Mas, diferente dos humanos, a maioria dessas espécies não escolheu viver em cidades: elas só estão lá por causa da ausência de seu habitat natural. No Brasil, algumas das grandes metrópoles, como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Salvador, foram construídas na Mata Atlântica. Como resultado, restam menos de 10% da área original desse bioma único e importante para a fauna e flora nativa. Quais os impactos da perda de habitat provocada pelo avanço da urbanização nas espécies silvestres? Essa é a principal pergunta que foi respondida na minha dissertação de mestrado, que defendi em janeiro de 2020.

Descrição da imagem: colagem horizontal e colorida de pássaros. No canto inferior direito da imagem, em tamanho grande, cabeça de um tucano, com bico comprido e amarelo. Ele está sobre um círculo lilás. Na metade esquerda superior da imagem, pássaro sairá militar pequeno em um galho de árvore. Ele tem corpo verde e pescoço e cabeça em roxo e laranja; o bico é pequeno. Atrás, três círculos amarelos em tamanhos diferentes. No canto inferior esquerdo, um bem-te-vi pequeno, de corpo preto e detalhes em amarelo, sobre círculo rosa. No canto superior direito, três colagens de representações de quero-quero em formato de 'v'. O fundo tem textura de papel bege amassado.

Para entender como as espécies respondem à urbanização, eu escolhi aves como meu objeto de estudo. Aves são um grupo bem diverso, com diferentes dietas, comportamentos e níveis de sensibilidade a distúrbios antrópicos, como a poluição. Além disso, elas são fáceis de identificar por conta do canto ou pela visualização, o que torna a logística de campo relativamente simples.

 

Florianópolis , em Santa Catarina, foi a cidade que escolhi para desenvolver a minha pesquisa de campo. O centro da cidade tem “cara” de cidade grande, com prédios altos e grande circulação de pessoas, mas a ilha também tem áreas de subúrbio, como a praia do Campeche, e áreas bem preservadas, como o Morro da Lagoinha do Leste. Morei em Floripa por dois meses, na primavera de 2018, para observar passarinhos. A escolha da cidade foi pela paisagem, que mescla diferentes níveis de urbanização com áreas preservadas, aliado ao fato de que é uma cidade relativamente segura.

Descrição da imagem: infográfico vertical e colorido em forma de mapa da costa litorânea de Santa Catarina. Há quatro pontos no mapa, em meio a parte da vegetação, em tom de rosa pastel, que tem linhas que ligam a localização à fotografias. A paisagem das fotografias é de praia (em três delas) e de mata fechada em uma delas. Os nomes dos locais são: Praia da Daniela, Costa da Lagoa, Gravata e Lagoinha do Leste. O fundo é azul marinho, que representa o mar
Mapa de Florianópolis com os locais de observação da pesquisa.

Com a ajuda dos meus orientadores Cristian Dambros, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Carla Fontana, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), escolhi 43 áreas verdes em Floripa para amostrar as aves, ou seja, para contar quantas espécies e indivíduos de cada tipo estão presentes em cada região. A paisagem urbana é bastante fragmentada: as áreas verdes são distribuídas ao longo de uma matriz não-natural composta por casas, prédios e estradas, e tem diferentes tamanhos, níveis de isolamento e “idade” (ou seja, tempo desde a última grande perda de habitat). Para amostrar as aves nessas áreas, eu e meus ajudantes de campo (incluindo meu pai, tio e amigos) acordamos antes do nascer do sol e registramos no meu caderno de campo todas as aves que vimos e ouvimos próximo ao ponto de amostragem. Para auxiliar no processo, às vezes eu tirava fotos de algumas aves que não tinha certeza da espécie e também gravei os cantos com um gravador para ouvir depois. Ao total, nós registramos mais de 100 espécies, algumas bem adaptadas a cidades, como o sabiá, o bem-te-vi e o quero-quero, e espécies mais sensíveis à urbanização, como a gralha-azul, o pica-pau, o tangará e o tucano.

Descrição da imagem: Fotografia quadrada e colorida de um sabiá laranjeira pousado em um galho de árvore. A fotografia tem ângulo fechado no pássaro. O sabiá tem corpo pequeno, peito marrom alaranjado, costas cinzas, cabeça pequena, olhos redondos, pequenos e na cor preta e bico pequeno. Está de perfil. O fundo, desfocado, é claro e tem troncos e folhas de árvores.
Sabiá (foto 01 e bem-te-vi (foto 02) são exemplos de espécies bem adaptadas a cidades.
Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida de um bem-te-vi. A fotografia está em ângulo fechado. O bem-te-vi é um pássaro pequeno, com peito amarelo, costas marrons e bico fino e preto. Na cabeça, tem uma listra branca. Ele está pousado em um pedaço de madeira escura. O fundo, desfocado, é um gramado iluminado.

Os resultados que encontrei foram bem condizentes com o esperado, mas com algumas surpresas. Em geral, áreas maiores e menos isoladas têm mais espécies de aves do que áreas menores e mais isoladas. Isso  porque áreas maiores têm menor taxa de extinção e áreas menos isoladas têm maior taxa de colonização. Menor taxa de extinção quer dizer que essas áreas têm menos chance de perda de espécies, enquanto a maior taxa de colonização quer dizer que essas áreas têm maior chance de receber novas espécies. É por causa da baixa taxa de extinção e alta taxa de colonização que áreas maiores têm maior número de espécies que áreas menores.

Descrição da imagem: Fotografia quadrada e colorida de um pássaro tangará. A foto está em ângulo fechado em uma árvore com folhas claras. O tangará é um pássaro pequeno, tem peito grande e na cor branca, costas e cabeça pretas e topete arrepiado e alaranjado. O bico é fino e pequeno. Está em um galho fino de árvore com tronco cinza. O fundão são as folhas da árvore, em um tom de verde claro acinzentado.
Fotografia horizontal e colorida de um tucano em um galho de árvore. O pássaro é grande, com corpo preto, pescoço amarelo, área dos olhos alaranjada e bico comprido, curvado e na cor verde. Tem cauda alongada com penas vermelhas e pretas. Está de perfil, em um tronco de árvore marrom acinzentado com musgos. O fundo desfocado é iluminado e tem folhas e galhos de árvores.
Tangará (foto 01) e tucano (foto 02) são exemplos de aves mais sensíveis à urbanização.

Uma surpresa boa foi que áreas maiores tiveram mais espécies, independentemente da idade da área, o que sugere que as aves respondem rapidamente à perda de habitat induzida pela urbanização. Em outras palavras, as comunidades de aves estão em equilíbrio em parques e praças urbanas devido à rápida adaptação das espécies à mudanças da paisagem.

Descrição da imagem: infográfico horizontal e colorido. No lado esquerdo, dois círculos com gráficos no centro. O círculo amarelo, na parte superior, tem um gráfico de eixo, com as informações "taxa de extinção" no eixo y, e "tamanho da área" no eixo x. Há uma linha vermelha descendente. No segundo gráfico, sobre a esfera vermelha, há as informações "taxa de colonização" no eixo y e "nível de isolamento entre áreas" no eixo x. Há uma linha amarela descendente. Ao lado, sobre faixas brancas em textura de papel rasgado, representações visuais. Na superior, há quatro áreas grandes próximas em verde e seis ícones de pássaros em laranja. Na inferior, há três áreas pequenas e espalhadas em verde, e três ícones de pássaros em laranja. Entre os desenhos, bloco de texto preto: "Áreas maiores e menos isoladas possuem maior número de espécies do que áreas menores e mais isoladas". Ao lado direito dos desenhos, bloco de texto em preto: "Equilíbrio entre essas taxas independente da idade sugere que as aves respondem rapidamente à mudança na paisagem urbana". O fundo é bege em textura de papel amassado.

 

A rápida resposta das aves à perda de habitat significa que as cidades poderiam promover, de maneira mais rápida, a diversidade de pássaros por meio da manutenção ou restauração de cobertura vegetal em parques e praças. Outra boa notícia é que esses resultados de Florianópolis podem facilmente ser extrapolados para outras cidades com histórico similar de urbanização, como Buenos Aires, Montevidéu, Lima e até mesmo Santa Maria!

Expediente:

Texto: Gabriela Franzoi Dri, bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Santa Maria, mestre em Biodiversidade Animal pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal (PPGBio/UFSM), e doutoranda em Ecologia da Vida Selvagem pela Universidade do Maine (EUA);

Design gráfico: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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Ambiente – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/descarte-incorreto-mascaras-poluicao-ambiental Wed, 22 Jun 2022 13:01:30 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9347

O descarte incorreto de máscaras é mais um dos problemas provocados pela pandemia de Covid-19. Entre os anos de 2020 e 2021, a produção de equipamentos de proteção individual (EPIs) – particularmente as máscaras – expandiu-se na tentativa de atender à demanda populacional, uma vez que o uso foi essencial para prevenir a infecção provocada pelo coronavírus. O estudo ‘Repercussões da Pandemia COVID-19 no Uso e Gestão de Plásticos’, realizado por pesquisadores da Universidade de Aveiro, em Portugal, e divulgado pela revista Environmental Science & Technology (Ciência e Tecnologia Ambiental), destaca a estimativa feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a utilização dos equipamentos de proteção apenas por parte de  profissionais de saúde: cerca de 89 milhões de máscaras cirúrgicas, 76 milhões de luvas e 1,6 milhão de óculos de proteção. 

 

No entanto, a demanda pelo uso de EPIs não se restringiu à área da saúde. Com a recomendação da OMS, o uso de máscaras passou a ser obrigatório para a população em geral – em torno de 7,8 bilhões de indivíduos no mundo. Como apresentado no estudo, o consumo mensal de máscaras faciais – até junho de 2020 – foi de 129 bilhões de unidades. Na mesma linha, em três de julho de 2020, a Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde informou sobre o Projeto de Lei nº 1.562, que destacava a obrigatoriedade do uso de máscaras faciais para circulação em espaços públicos e privados. A mesma notícia ressalta o dever do Poder Executivo em veicular campanhas publicitárias de interesse público e informar a necessidade do uso de máscaras de proteção individual, bem como a forma correta de descarte do material.

Descrição da imagem: fotografia horizontal e colorida em tom saturado, de uma máscara branca molhada sobre asfalto. A máscara está na metade esquerda da imagem, ao lado de meio fio amarelo. O chão está molhado e há uma poça de água pequena perto da água. A máscara branca está dobrada do meio, suja e molhada.

Em conteúdo produzido pela Secretaria da Saúde do Estado do Rio Grande do Sul em 2020, destaca-se que o descarte de máscaras usadas, de acordo com o setor de Controle de Infecções da Vigilância Sanitária do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), deve ser com o material embalado em saco plástico e colocado no lixo do banheiro. Caso a lixeira já esteja com saco plástico, a máscara não precisa ser colocada em outro. Além disso, esse tipo de resíduo não deve ser misturado com materiais recicláveis. 

 

Em entrevista à Secretaria da Saúde do Estado do Rio Grande do Sul, a diretora do CEVS, Rosângela Sobieszczanski, informa: “Quando a pessoa estiver fora de casa, as máscaras usadas não devem ser colocadas nas lixeiras das ruas, pois deixam o material potencialmente contaminado exposto aos catadores de resíduos sólidos”. A recomendação feita por Rosângela é: “guardá-las em um saco plástico e colocá-las no lixo do banheiro ao chegar em casa ou então, alternativamente, em lixeiras de banheiros públicos. Dificilmente alguém mexe nesses lixos”, destaca. 

 

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) apresentou, no mesmo ano, formas de como descartar as máscaras faciais. A orientação da companhia paulista se assemelha à gaúcha, ao indicar a forma de descarte, que deve ser feita com a máscara atada e colocada na lixeira do banheiro com tampa. 

 

Ana Beatris Souza de Deus Brusa, professora na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e doutora em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que as máscaras usadas para prevenir a Covid-19 são consideradas resíduos sólidos. A docente do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental destaca que, a partir de medidas de prevenção iniciadas em 2020, as pessoas adquiriram novos costumes, como comprar lenços descartáveis, embalagens de álcool em gel e máscaras faciais, o que provocou um incremento na geração de resíduos sólidos.

Afinal, o que é resíduo sólido?

O resíduo sólido não compreende somente objetos como latas, garrafas pet e matéria orgânica. Como estabelecido pela Norma Brasileira (NBR) 10.004/2004, resíduos sólidos são aqueles encontrados nos estados sólido e semi-sólido, que são de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola e de serviços gerais. Incluem-se nesta definição os lodos de precedência de sistemas de tratamento de água – gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, da mesma forma que determinados líquidos (como óleo hidráulico e solventes), que não podem ser lançados na rede pública de esgoto sem passar por tratamento adequado.

 

O descarte de máscaras afeta o meio ambiente. No Brasil, a recomendação foi de que as máscaras e demais materiais contaminados pela Covid-19 devem ser encaminhados a locais de disposição final, ou seja, o aterro sanitário. No entanto, muitas máscaras não têm chegado a esses destinos, pois são descartadas – pela população em geral – em vias públicas, em cursos d’água, em locais com vegetação e em zonas litorâneas. Esse problema pode estar atrelado à falta de iniciativas, por parte do poder público, em controlar o descarte desses materiais. 

 

No decorrer da apuração da reportagem a equipe da Revista Arco registrou imagens de descarte irregular de máscaras nos bairros Camobi e Centro de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Na composição a seguir, os registros das máscaras jogadas no chão.

Descrição da imagem: Colagem horizontal e colorida de doze fotografias quadradas. Nas fotografias, máscaras descartadas em calçadas, gramados e em asfalto. As máscaras tem cores branca, preta, azul forte, azul clara e rosa. São do tipo cirúrgica, pff2 e de pano.
Fotos: máscaras descartadas irregularmente em Santa Maria - Rio Grande do Sul | Gustavo Salin Nuh

As máscaras descartadas inadequadamente em espaços públicos fazem parte do cotidiano santa-mariense. Mas cenas como essas podem ser evitadas. Um exemplo é a iniciativa da prefeitura de Presidente Prudente, São Paulo, que adaptou lixeiras para funcionar como ponto de coleta desses materiais. O objetivo é impedir a contaminação e a disseminação do coronavírus, além de garantir a proteção ao meio ambiente e à saúde pública. A iniciativa está vinculada à lei municipal daquela cidade, 10.393/2021, que estabelece normas para descarte adequado de máscara de proteção e demais produtos, assim como fixa o devido descarte do lixo domiciliar em locais adequados. 

 

O erro em torno do descarte de máscaras está na falta de orientação, que deveria ser passada à população. A informação divulgada em campanhas como a do governo gaúcho e da Cetesb é de que o descarte das máscaras deveria ser feito na lixeira comum de banheiros. Além disso, Ana Beatris relembra que, no Brasil, houve pequenas iniciativas de reciclagem de máscaras. Em 2020, em Santa Maria, o Hospital Universitário (HUSM) da cidade desenvolveu um projeto de reesterilização e reaproveitamento de EPIs com a intenção de suprir a escassez de equipamentos de proteção. Por consequência, o descarte de máscaras pôde ser reduzido.

Como seria o descarte ideal?

O ideal, segundo Ana Beatris, seria coletar e encaminhar as máscaras para a usina de triagem. O material precisa permanecer em quarentena – quando ficam, no mínimo, cinco dias separados dos demais para evitar a propagação de doenças – e, após, ser manipulado, triturado e levado à reciclagem. Esses materiais podem ser usados como enchimento de colchão e edredom. Entretanto, quando as máscaras estão contaminadas pela covid-19 esta opção não é válida e estes resíduos devem ser descartados como resíduo de serviço de saúde.

O descarte de máscaras e os animais

Animais como tartarugas marinhas e aves em geral ingerem as máscaras ao confundi-las com alimento. Isso pode atingir toda a cadeia envolvendo os animais aquáticos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) – Lei nº 12.305/2010 está presente no site oficial do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Ana Beatris assinala que a política deve ser aplicada, não apenas revista.

Descrição da imagem: fotografia vertical e colorida, em tons de azul e de verde, de um cavalo marinho pequeno com uma máscara cirúrgica descartável presa no rabo. A máscara tem cor azul clara. O fundo é o mar, em tom azul bic na parte superior, e verde turquesa na parte inferior.
Foto: Ocean Photography Awards | Nicholas Samaras

O material ingerido por animais marinhos fica preso no aparelho digestivo, o que lhes causa confusão e dá uma sensação de saciedade. Por conta disso, o animal não tem mais vontade de se alimentar e morre por inanição. Outras espécies, como as aves, sofrem com os elásticos presentes nas máscaras, que se  prendem aos bicos. Elastic Cut é uma campanha iniciada no Reino Unido, e a iniciativa incentiva o descarte do acessório com elásticos cortados, o que evitaria a asfixia de muitas espécies.

 

 Como é sugerido o descarte de máscaras

O descarte ideal de máscaras

 O descarte de máscaras e os animais
  • A máscara usada deve ser embrulhada em saco plástico ou em papel e ser descartada no lixo do banheiro;

  • Caso a lixeira já esteja com saco plástico, a máscara não precisa ser colocada em outro;

  • Esse tipo de resíduo não deve ser misturado com materiais recicláveis;

  • Quando a pessoa estiver fora de casa a recomendação é guardar a máscara em um saco plástico e colocá-la no lixo do banheiro quando chegar em casa ou descartá-la no lixo de banheiros públicos.

  • As máscaras devem ser coletadas e encaminhadas para a usina de triagem, ficar em quarentena e, após, ser manipuladas, trituradas e levadas à reciclagem.

  • Caso não exista essa possibilidade, deve-se recorrer à alternativa anterior.

  • As alças das máscaras devem ser cortadas antes de descartadas.

Expediente:

Reportagem: Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Apuração: Gustavo Salin Nuh e Karoline Rosa, acadêmicos de Jornalismo e voluntários;

Design gráfico: Cristielle Luise, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Ludmilla Naiva, acadêmica de Relações Públicas e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Relações Públicas: Carla Isa Costa;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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Ambiente – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/15-arvores-frutiferas-ufsm Mon, 06 Jun 2022 11:48:41 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9296

O campus sede da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) é conhecido por sua beleza natural. Em todas as estações, é em volta das árvores que os frequentadores gostam de estar – sejam estudantes, entre uma aula e outra, ou a própria comunidade santa-mariense que visita a Universidade aos finais de semana. Eles vêm ao campus buscando aquecer-se ao sol, refrescar-se com a sombra ou aproveitar para consumir as variedades de frutas disponíveis ao longo do ano.

A Pró-Reitoria de Infraestrutura (Proinfra), por meio do Setor de Urbanismo e Paisagismo, é responsável pelo trabalho de plantio, poda e manutenção de todo o espaço físico da Universidade. O paisagista da Proinfra, Erli Bolzan, destaca que a tarefa de manter o campus florido e arborizado também tem o objetivo de proporcionar maior qualidade ambiental para a comunidade acadêmica e todas as pessoas que circulam no campus, com reflexos positivos na saúde física e mental. “Buscamos explorar vários espaços para que, por onde as pessoas passem, possam se atentar e valorizar a beleza do conjunto: a tonalidade das folhas, das flores e dos frutos”, ressalta o servidor.

O trabalho é um esforço contínuo que acontece a partir da colaboração entre a Proinfra e diversos setores da Instituição, como o Colégio Politécnico – através da Floricultura Escola Floresce – que fornece suplementos, mudas de espécies arbóreas e ornamentais. É importante destacar que a manutenção da vegetação do campus cumpre uma série de critérios e, por isso, qualquer intervenção relacionada ao plantio de árvores exige a orientação do Setor de Planejamento Ambiental.

Dentre as 30 árvores frutíferas comestíveis existentes na UFSM, a Revista Arco listou 15. Saiba quais são, onde se encontram e em qual época do ano costumam dar frutos.

1 Araçá Psidium cattleianum

Época do ano: Setembro a março

Características: Os frutos do araçá têm sabor doce e são suculentos. Costumam ser consumidos in natura ou utilizados na preparação de produtos como doces, sorvetes e sucos. Também é fonte de vitamina C, sais minerais e fibras.

Onde encontrar na UFSM: No caminho do Centro de Educação Física e Desporto, em direção à Reitoria ou na área verde entre a Biblioteca Central e o Restaurante Universitário.

Fotografia horizontal e colorida de uma árvore de araçá em diagonal à Reitoria da UFSM.

2 Amoreira Morus alba

Época do ano: Setembro a novembro

Características: A amora é uma fruta altamente nutritiva de sabor doce e um pouco ácida. É rica em açúcar e bastante utilizada na preparação de xaropes, licores e geléias.

Onde encontrar na UFSM: Próximo ao Restaurante Universitário II

Fotografia horizontal e colorida, em primeiro plano, de uma amoreira. As folhas são verdes e alongadas. Está em início de floração. O fundo é desfocado.

3 Ameixeira-amarelaEriobotrya japonica

Época do ano: Frutos amadurecem no final do inverno e início da primavera.

Características: Árvore frutífera originária da China. A polpa é suculenta e doce ou ácida, dependendo da variedade e maturação da fruta. É rica em antioxidantes e fonte de vitamina A.

Onde encontrar na UFSM: Entorno do lago da Reitoria

Fotografia horizontal e colorida de uma ameixeira amarela. A árvore está na esquerda da imagem, em primeiro plano. Tem folhas verde escuras e alongadas, e cachos de frutas verdes em formato de bolitas. Ao fundo, um lago pequeno na cor marrom e gramado verde.

4 Bergamoteira Citrus reticulata

Época do ano: Normalmente, é colhida entre os meses de maio a agosto, mas a safra pode ir de abril a setembro.

Características: Fruta cítrica de cor alaranjada e sabor adocicado. Também conhecida como “mexerica” ou “tangerina” nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. 

Onde encontrar na UFSM: Próximo ao Centro de Tecnologia

Fotografia horizontal e colorida de uma bergamoteira, vista da altura do tronco. A árvore tem copa densa, e há bergamotas caídas no gramado abaixo da árvore. Ao fundo, mesa de concreto cinza e cadeira de bar vermelha.
Fotografia horizontal e colorida de duas bergamoteiras em frente a um prédio branco com detalhes azuis. Estão na lateral do prédio. Na parte direita superior da imagem, há uma escada em concreto cinza, em meio ao gramado verde.

5 Butiazeiro Butia capitata

Época do ano: Dezembro a março.

Características: Árvore do tipo palmeira. Os frutos do butiá são ricos em vitaminas A e C. Seu sabor é ácido e doce. Além do consumo da fruta in natura, ele costuma ser utilizado para a produção de geleias, licores e doces.

Onde encontrar na UFSM: Centro de Tecnologia próximo a pista multiuso.

Fotografia horizontal e colorida de um butiazeiro em frente a um prédio branco. A árvore tem formato de palmeira, na cor verde acinzentado.

6 Limoeiro-cravo Citrus limonia

Época do ano: Fevereiro a junho.

Características: Um dos mais comuns no Barsil, ele é um “cruzamento” do limão com a bergamota e, por isso, apresenta bastante caldo e polpa alaranjada com gomos. O limão-cravo é uma fruta cítrica, rica em vitamina C, propriedades antissépticas e antioxidantes. Pode ser utilizado em sucos e como tempero.

Onde encontrar na UFSM: Próximo ao Restaurante Universitário I

Fotografia horizontal e colorida de um limoeiro pequeno. Ele tem tronco fino e torto e copa cheia. Está em um gramado verde em frente a uma rua.
Fotografia horizontal e colorida de um limoeiro em primeiro plano. No centro, dois limões na cor laranja em destaque; ao redor, folhas da árvore em verde escuro.

 7 Jameloeiro Syzygium cumini

Época do ano: Janeiro a maio

Características: Também conhecido por azeitona preta, jambolão ou ameixa roxa. Possui frutos pequenos, de cor roxa e envoltos por uma polpa carnosa. A coloração forte dos frutos pode provocar manchas nas calçadas, mãos e tecidos. Costuma ser ingerido ao natural ou transformado em licores e geléias.

Onde encontrar na UFSM: Entrada da UFSM, próximo ao Arco.

Fotografia horizontal e colorida de um jameloeiro pequeno. Ele tem tronco marrom e fino e copa fechada, com galhos longos e folhas alongadas na cor verde escuro. Está ao lado de uma ciclovia, sobre um gramado verde. Ao fundo, árvores maiores e pedaço do Arco de entrada da UFSM.

8 GuabijuzeiroMyrcianthes pungens

Época do ano: Fevereiro a abril.

Características: O fruto conhecido como “guabiju” tem casca resistente com polpa amarelada suculenta, muito apreciada in natura pelo seu sabor doce. Contém vitamina C e é rico em antioxidantes.

Onde encontrar na UFSM: Próximo ao Prédio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (48D).

Fotografia horizontal e colorida de um guabijuzeiro pequeno. A árore tem caule azinzentado e fino, em formato de forquila, e copa larga e cheia, com folhas na cor verde claro e pequenas. ao fundo, fileira de plátanos em cor alaranjada e, atrás, prédios brancos e o céu azul.

9 Goiabeira Psidium guajava 

Época do ano: Janeiro a março

Características: A goiaba se destaca por ter um odor característico, sabor marcante e ser suculenta. Ela é bastante consumida in natura e também em sucos, vitaminas, goiabadas ou geleias. São frutas que possuem fibras e vitaminas, principalmente a C.

Onde encontrar na UFSM: Entre o bosque e a Reitoria.

Fotografia horizontal e colorida de uma goiabeira. Ela está na parte superior de um barranco com gramado verde, inclinada à esquerda da imagem e em frente a uma cerca de madeira branca. A ávore tem tamanho médio, caules finos e tortos, e folhas verde escuras e pequenas. Ao fundo, galpão branco e céu azul.

10 Ingá-feijão Inga marginata

Época do ano: Março a maio

Características: Os frutos são vagens lisas contendo várias sementes envoltas por polpa branca adocicada.

Onde encontrar na UFSM: Próximo ao Restaurante Universitário II e em ambos os lados da Avenida Roraima na entrada da UFSM

Fotografia horizontal e colorida de um ingazeiro. O ingá está em primeiro plano, no centro da imagem. É uma fruta em formato de vagem amarelada, preso em galhos marrom acinzentados e finos com folhas verde claro, lisas e em tamanho médio. O fundo da imagem é desfocado e preenchido pelas folhas da árvore.

11 Pitaya Hylocereus polyrhizus

Época do ano: Dezembro a maio.

Características: O fruto apresenta sabor adocicado e suave com textura cremosa. Possui aparência exótica com uma casca vermelha e polpa branca. Como característica nutricional se destaca pela boa quantidade de fibras e baixo teor de proteínas.

Onde encontrar na UFSM: Próximo ao prédio 67

Fotografia horizontal e colorida de um pé de pitaya preso em uma cerca de arame cinza enferrujado. A pitaya tem formato de cactus alongado e tem característica de trepadeira. Ao redor, outras espécies de árvores em tons de verde.

12 Laranjeira Citrus sinensis

Época do ano: Tem boa colheita quase o ano todo, mas sua melhor época é nos meses de agosto, setembro e outubro.

Características: É formada por gomos, tem sabor variável entre o doce e o levemente azedo. Além de conhecida por ser rica em nutrientes importantes como as vitaminas A, B e C, que ajudam a reforçar o sistema imune, ela também tem propriedades calmantes e antidepressivas. 

Onde encontrar na UFSM: Centro de Tecnologia e Centro de Ciências Rurais.

Fotografia horizontal e colorida da copa de uma laranjeira. Há algumas frutas maduras, circulares e em tons de laranja, e algumas frutas verdes. Os galhos são cheios de folhas. As folhas têm tamanho médio e tons de verde escuro.

13 Pitangueira Eugenia uniflora

Época do ano: Março a maio

Características: Seu sabor é doce, ácido, forte e com aroma muito característico. Ela também é muito nutritiva, rica em vitaminas e minerais. É uma fruta frágil e de baixa durabilidade. 

Onde encontrar na UFSM: Entorno do lago da Reitoria e próximo ao Centro de Educação.

Fotografia horizontal e colorida de uma pitangueira pequena. Ela tem caule fino e acinxentado. A copa é aberta e as folhas são pequenas ee na cor verde claro. Ao fundo, um gramado verde e um prédio com tijolos a vista.

14 Mamoeiro Carica papaya

Época do ano: Dezembro e fevereiro.

Características: O mamão é uma fruta carnosa, adocicada, com casca fina e coloração que varia entre amarelo e laranja. É uma fruta muito nutritiva, apresentando vitaminas A, C e do complexo B.

Onde encontrar na UFSM: Bloco 60 da Casa do Estudante Universitário II

Fotografia horizontal e colorida da copa de um mamoeiro, em contra-ploungée. O mamoeiro é verde, tem galhos finos. Há cerca de 14 frutos verdes e flores brancas.

15 JeriváSyagrus romanzoffiana

Época do ano: Fevereiro a agosto

Características: Os frutos do jerivá tem aspecto ovalado e cor amarelada com polpa fibrosa, suculenta e doce. Suas sementes lembram pequenos cocos e, assim como o fruto, são comestíveis. É rico em ômega 3, além de proteínas, fibras e vitamina A. 

Onde encontrar na UFSM: Centro de Ciências Naturais e Exatas e área verde nos fundos da Biblioteca Central.

Fotografia horizontal e colorida de um pé de jerivá na lateral de um prédio branco com colunas azuis. O jerivá tem formato de palmeira, com tronco grosso e copa em galhos com folhas finas e alongadas. Ao lado da árvore, um banco de concreto branco e uma calçada. Abaixo, um gramado verde. No lado direito da imagem, ao longo da calçada, carros estacionados. O fundo é iluminado.
Fotografia horizontal e colorida de um cacho de jerivá. Ele está na parte esquerda da imagem. O cacho tem vários frutos, pequenos, circulares e na cor amarela. No lado direito e ao fundo da imagem, detalhe de prédio branco e janelas com vidro transparente.

Expediente:

Reportagem: Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

Design gráfico: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial; e Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Fotografias: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ludmilla Naiva, acadêmica de Relações Públicas e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Relações Públicas: Carla Isa Costa;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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Ambiente – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/3-tipos-de-roedores-usados-em-pesquisas-na-ufsm Thu, 19 May 2022 16:50:50 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9275

O Biotério Central da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) é um espaço de criação de roedores para fins de ensino e de pesquisa. O local, vinculado à Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP), atende aos pesquisadores da Instituição que desenvolvem estudos com utilização de animais para experimentação nas mais diversas áreas científicas, a exemplo da biomedicina e farmácia.

Na primeira reportagem do dossiê sobre o Biotério Central da UFSM, a Arco mostrou o trabalho desenvolvido pelo setor e sua importância para o avanço da pesquisa científica na Instituição. Na segunda, apresentamos uma entrevista realizada com três integrantes da Comissão de Ética no Uso de Animais na UFSM. Nesta terceira parte do dossiê, destacamos curiosidades sobre os roedores produzidos na Instituição: há uma colônia de ratos Wistar e duas linhagens de camundongos: a Swiss e a C57BL/6.

Descrição da imagem: imagem de capa horizontal e colorida em tons pasteis. No centro, rato branco e grande, com olhos vermelhos, patas e orelhas rosas. Ao lado esquerdo, rato pequeno e na cor cinza escuro, com olhos escuros e orelhas e patas acinzentadas. Ao lado direito, rato pequeno e branco, com olhos vermelhos e patas e orelhas em rosa claro. Há cinco círculos em tamanhos diferentes e nas cores marrom, lilás e azul. Os círculos estão espalhados pela imagem. No círculo lilás pequeno, no centro superior esquerdo da imagem, em branco, o texto "Parte 03". Ao lado, em caixa alta, tamanho grande e na cor branca, o título "Lista". O fundo é branco.

Os ratos e os camundongos de laboratório podem ser utilizados como modelos em estudos de diabetes, obesidade, doenças autoimunes, envelhecimento, nutrição, doenças cardiovasculares, distúrbios psiquiátricos, neurociências, testes toxicológicos, em estudos de transplante de órgãos e no desenvolvimento de medicamentos, por exemplo. 

A principal diferença física entre o rato e o camundongo é o tamanho: enquanto o rato pesa em torno de 300 gramas, o camundongo pesa somente 30 gramas. Assim, quando se trata de experimentos científicos, cada pesquisa vai demandar um tipo de animal com características específicas. 

 

A partir da conversa com as médicas veterinárias do Biotério Central da UFSM, Ligia Gomes Miyazato e Fernanda Valente, apresentamos quais são as espécies de roedores criadas pelo Biotério da UFSM, suas características e principais estudos em que são utilizados. Confira:

Rato Wistar

Classificação

  • O rato de laboratório, ou rato Norway, é a forma domesticada da espécie Rattus norvegicus, pertencente à ordem Rodentia e a família Muridae. 

Características físicas

  • Pelagem branca – albino;

  • Olhos vermelhos;

  • É caracterizado pelas orelhas alongadas, cabeça grande e comprimento da cauda sempre menor que o comprimento corporal;

 Comportamentos

  • O Rato Wistar tem hábitos noturnos, é curioso, inteligente e apresenta boa capacidade de aprendizado. É considerado um animal dócil, e apenas demonstra agressividade na defesa de seus filhotes;

Origem

  • A maioria das linhagens de rato de laboratório descende de uma colônia gerada, em 1906, no Instituto Wistar, na cidade da Filadélfia, nos Estados Unidos. Foi desenvolvida pelo fisiologista norte-americano Henry Donaldson, pelo administrador científico Milton Greenman e a embriologista Helen Dean King.

Uso nas pesquisas 

  • O Rato Wistar é heterogênico – não tem linhagem consanguínea, ou seja, não tem parentesco entre si. Por isso, é utilizado em pesquisas que precisam de diversidade – variabilidade – genética, como, por exemplo, em investigações sobre transtornos psicológicos;   

  • Por ser de tamanho maior em relação ao camundongo, é utilizado em pesquisas que envolvem procedimentos cirúrgicos, próteses – áreas da ortopedia e da reumatologia – e análises comportamentais em fêmeas com seus filhotes.

Box vertical e azul claro com texto na cor branca. O texto está distribuído em sete linhas. O título é "Heterogênico". O texto: "Não tem linhagem consanguínea, ou seja, não tem parentesco entre si. Por isso, é utilizado em pesquisas que precisam de diversidade - viabilidade - genética, como, por exemplo, em investigações sobre transtornos psicológicos". O fundo é azul claro.

Camundongo 

Classificação

  • O camundongo de laboratório é um mamífero da família Muridae, subfamília Murinae, da ordem Rodentia e gênero Mus. O seu nome científico é Mus musculus.

Características gerais

  • O camundongo é dócil, com ciclo de vida curto, tamanho pequeno e alto potencial reprodutivo;

  • É um modelo para estudo de genética, teratologia – anomalias e malformações que ocorrem durante o desenvolvimento embrionário – e gerontologia – área que estuda o processo de envelhecimento;

  • Nos estudos de genética, estima-se uma similaridade dos genomas do camundongo e do homem de 70% a 90%. O genoma é o conjunto de todos os genes de uma espécie de ser vivo. É a sequência completa de DNA de cada organismo.

Linhagem

  • Swiss

  • Pelagem branca – albino;

  • Olhos vermelhos;

Origem

  • O camundongo Swiss se originou nos Estados Unidos, a partir de uma colônia de nove camundongos cruzados pelo Dr. Leslie Webster. Foi trazido da cidade de Lausanne, na Suíça, em 1926, pela bióloga e pesquisadora na área do câncer, a norte-americana Clara Lynch, pioneira no uso da linhagem em pesquisas científicas;

  • Camundongo Swiss significa ‘camundongo suíço’;

  • A linhagem Swiss é de animais não consanguíneos (Heterogênicos);

Uso na pesquisa

  • Modelo de estudo na área da farmacologia, como teste de drogas, entendimento de doenças metabólicas, auto-imunes; as fêmeas podem receber e  gerar embriões de camundongos de outras linhagens.

Infográfico horizontal e colorido de três tipos de ratos e camundongos. O infográfico tem tons lilás, branco e marrom claro, dividido em três quadrados coloridos. O primeiro, na esquerda, tem um camundongo pequeno de pelagem marrom, olhos escuros e pequenos, orelhas e rabo em tom bege. Acima, em letra cursiva preta, o nome "Camundongo C57BL/6" e "pesa 30g". Ao lado, com fundo branco, raro grande de pelagem branca, com olhos vermelhos e orelhas, latas e rabo em rosa claro. Acima, em preto, o nome "Rato Winster" e "pesa 300g". Ao lado, na direita da imagem, em fundo marrom claro, camundongo pequeno com pelagem branca, olhos vermelhos, orelhas, patas e rabo em rosa claro. Acima, em branco, o nome 'Camundongo Swiss" e "pesa 30g".

 C57BL/6

  • Pelagem preta;

  • Olhos escuros;

  • Obtido pelo pesquisador norte-americano Clarence Little em 1921. É uma das linhagens mais utilizadas e a primeira a ter seu genoma sequenciado;

  •  

É uma linhagem isogênica, isto é, são animais iguais geneticamente – consanguíneos. São produzidos a partir de 20 gerações consecutivas de acasalamento entre irmãos, pais ou filhos. Devido a essa característica, o camundongo C57BL/6 é utilizado em pesquisas relacionadas a doenças humanas – área da biomedicina -, com o objetivo de compreender a causa, os efeitos, fatores envolvidos e desenvolver possíveis tratamentos e diagnósticos.

Uso na pesquisa

 

  • É utilizado como modelo in vivo – que ocorre em um organismo vivo – no estudo de diversas áreas, tais como biologia cardiovascular, biologia do desenvolvimento, diabetes, obesidade, genética, imunologia, neurobiologia, oncologia e biologia comportamental, além de serem comumente utilizados no desenvolvimento de animais transgênicos – ou geneticamente modificados pela introdução de genes de outras espécies, pela intervenção humana, com o objetivo de desenvolver novas características no animal que atendam interesses científicos. 

Box vertical e em tom lilás com texto na cor branca. O texto tem treze linhas. O título é "Isogênicos". O texto: "Isogênica, isto é, são animais iguais geneticamente, - consanguíneos. São produzidos a partir de 20 gerações consecutivas de acasalamento entre irmãos, pais ou filhos. Devido a essa característica, o camundongo C57BL/6 é utilizado em pesquisas relacionadas à doenças humanas - área da biomedicina -, com o objetivo de compreender a causa, os efeitos, fatores envolvidos e desenvolver possíveis tratamentos e diagnósticos. O fundo é lilás.

Expediente:

Reportagem: Eduarda Paz, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Caroline de Souza Silva, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

Design gráfico: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Ludmilla Naiva, acadêmica de Relações Públicas e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Relações Públicas: Carla Isa Costa;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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Ambiente – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/animais-na-pesquisa-principios-eticos-para-o-avanco-cientifico Wed, 18 May 2022 13:04:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9271

O uso de animais em experimentos científicos e atividades didáticas é necessário para o avanço do conhecimento em áreas como a da saúde. A busca pelo bem estar dos animais e a aplicação de métodos alternativos para reduzir o uso em pesquisas têm sido prioridade da comunidade científica. O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) é um órgão nacional que estabelece normativas que orientam o uso de animais. Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), quem cumpre esse papel é a Comissão de Ética no Uso de Animais (Ceua), presente em instituições em que são utilizados para atividades de ensino ou de pesquisa científica.

Descrição da imagem: imagem de capa horizontal e colorida em tons pasteis. No centro, rato branco e grande, com olhos vermelhos, patas e orelhas rosas. Ao lado esquerdo, rato pequeno e na cor cinza escuro, com olhos escuros e orelhas e patas acinzentadas. Ao lado direito, rato pequeno e branco, com olhos vermelhos e patas e orelhas em rosa claro. Há cinco círculos em tamanhos diferentes e nas cores rosa claro, rosa pastel e verde escuro. Os círculos estão espalhados pela imagem. No círculo rosa pastel pequeno, no centro superior esquerdo da imagem, em branco, o texto "Parte 02". Ao lado, em caixa alta, tamanho grande e na cor verde escuro, o título "Entrevista". O fundo é branco.

Em 2021, a Comissão recebeu e analisou 77 projetos. Já em 2019, antes da pandemia, foram 130. Profissionais de diferentes áreas integram a Ceua, como biólogos, médicos veterinários, zootecnistas, farmacêuticos, estatísticos, além de representantes da Sociedade Protetora dos Animais.


A Revista Arco entrevistou a farmacêutica Patrícia Bräunig, atual presidente da Ceua; a professora do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, Vânia Loro, vice-presidente da Ceua; e a técnica administrativa Liciani Pauli, secretária da Ceua, para entender a atuação do órgão na Universidade. Confira a seguir:

 

Arco: O que é a Comissão de Ética no Uso de Animais e como esse órgão atua na UFSM? 

Patrícia: Todos os projetos de pesquisa científica, assim como as atividades didáticas e de ensino, que irão utilizar animais do Filo Chordata e subfilo Vertebrata devem ser analisadas por comitês de ética em pesquisa. Isso visa à qualificação desses projetos e evita o uso inapropriado, inadequado ou abusivo dos animais. 

Nossa Comissão é formada por 34 profissionais: são 17 titulares e 17 suplentes. Todos os departamentos da Universidade que usam os animais, tanto em projetos científicos como em atividades didáticas de aula práticas, precisam indicar membros para compor a Ceua.

Box horizontal nas cores verde escuro e branco. Em seis linhas, caixa alta e na cor branca, o texto "Os vertebrados constituem um subfilo dos animais cordados, compreendendo os peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Caracterizam-se pela presença de coluna vertebral segmentada e de crânio que lhes protege o cérebro". O fundo é verde escuro com textura.

Arco: Quais são os critérios que uma pesquisa deve cumprir para utilizar animais? 

 

Patrícia: O pesquisador escreve o projeto de pesquisa e o submete à Ceua, pela qual ele é avaliado por dois profissionais. São diversos pontos que são checados para ver se estão adequados. Entre eles está a qualificação e a capacitação dos profissionais, dos pesquisadores ou estudantes envolvidos na pesquisa para lidar com os animais. 

Também tem a questão da justificativa do “N” amostral [quantidade de animais] que vai ser utilizado, que precisa estar justificado – ou por cálculo estatístico ou por referências bibliográficas. Então, quando o pesquisador solicita um determinado número de animais, ele precisa embasar de uma forma sólida por que ele está pedindo aquela quantidade. 

Sobre o biotério, nós também cuidamos bastante onde os animais vão ficar alojados, as condições a que eles são submetidos, o grau de invasividade e de estresse. São vários requisitos que a Ceua confere quando avalia um projeto.

 

Arco: Quais são os passos que um pesquisador deve seguir para ter a aprovação do uso de animais? 

 

Liciani: Tendo tido o projeto aprovado pela Ceua a cada ano, o pesquisador precisa encaminhar um relatório anual de atividades. Um relatório parcial, no caso. E, no final da pesquisa, conforme o cronograma que ele informa na submissão do projeto, ele precisa encaminhar um relatório final das atividades. Nesse relatório, ele informa o número de animais já utilizados –  nunca podemos ultrapassar o número de animais aprovados pela Ceua. Ele coloca as etapas já executadas, informa quais foram os resultados obtidos e também os produtos originados, como artigo, dissertação, tese e participação em eventos. As modificações do projeto, tipo de fármaco utilizado, tipo de procedimento, tudo isso precisa ser informado à Ceua, pois precisa  ter a aprovação da Comissão. E, no decorrer da execução do projeto, a Ceua acompanha todos os processos.

 

Arco: Quais as áreas e os tipos de pesquisa que mais fazem esse uso? 

 

Patrícia: Seria a área da saúde humana, farmácia e medicina. Os projetos que nós analisamos são da bioquímica, da farmacologia e da toxicologia. A medicina veterinária, zootecnia e a educação física também são áreas que utilizam animais. Recentemente estamos recebendo muitos projetos de engenharia sanitária ambiental. Enfim, são diversas áreas da Universidade que utilizam os animais em pesquisa científica.

 

Arco: Sobre a questão ética, qual a importância do uso de animais em pesquisas  científicas? São realmente necessários? 

 

Patrícia: O uso dos animais na pesquisa é muito importante: eles nos ajudam a gerar conhecimento, avançar tanto na área da saúde animal quanto na saúde humana e também na geração de tecnologia. Os animais são utilizados em pesquisas para desenvolvimento de medicamentos e de vacinas. Nos ajudam a entender de forma aprofundada uma doença e também seus possíveis potenciais terapêuticos.

 

Arco: O que mudou ao longo do tempo no uso de animais em pesquisas? 

 

Vânia: O que mudou foi a questão da regulamentação dos biotérios de experimentação: o que qualifica um biotério? O que é um biotério? O local onde o animal fica por mais de doze horas. Quais são os tipos? Pode ser classificado como de experimentação, de manutenção, ou de criação. Então isso passou a ser regulamentado e a gente tem obrigação de verificar. E essa foi a principal mudança que aconteceu. 

 

Arco: Sobre os métodos alternativos, quais são os mais utilizados? 

 

Patrícia: A questão é que, devido ao avanço da tecnologia e do conhecimento, nós temos poucos métodos alternativos. Uma das áreas que mais utiliza métodos alternativos é a do desenvolvimento de cosméticos. E o que é um método alternativo? É qualquer método que possa ser utilizado para substituir, reduzir ou refinar o uso de animais em atividades de pesquisa. O Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal) já publicou métodos alternativos amplamente utilizados e por isso são reconhecidos e validados nacionalmente e internacionalmente. 

Esses métodos são In vitro, In silico e In químico. O In vitro é realizado em laboratório, o In silico são modelos computacionais e o In químico são reações químicas utilizadas para substituir o uso de animais. 

 

Arco: Esses métodos alternativos costumam ser priorizados?

Vânia: Sim, principalmente nas aulas, quando possível. Claro que alguns cursos demandam o uso de animais, como a Medicina Veterinária, em que é praticamente impossível não tê-los em pelo menos uma parte do ensino. Mas, em outros cursos em que não há essa necessidade, ele é substituído pela BioInformática

 

Patrícia: Na questão da pesquisa, tem programas de BioInformática que colocam as variáveis e simulam os possíveis resultados. Então, não precisa de animais para fazer essa primeira triagem. E está começando a ser utilizado também, na área da medicina, um modelo que imita o animal como se fosse um bonequinho para aprender a fazer uma administração como uma injeção, com uma agulha. Ele tem todas as veias e o pesquisador e o aluno podem treinar primeiro nesse modelo. 

Expediente:

Reportagem: Eduarda Paz, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Caroline de Souza Silva, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

Design gráfico: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Ludmilla Naiva, acadêmica de Relações Públicas e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Relações Públicas: Carla Isa Costa;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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Ambiente – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/a-perda-dos-mesopredadores-afetara-ainda-mais-o-funcionamento-dos-recifes-do-oceano-atlantico Fri, 13 May 2022 16:28:12 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9258

Espécies marinhas são responsáveis pelo desempenho de funções ecossistêmicas, as quais são provenientes das interações entre os elementos do ecossistema que promovem a vida nos mares e oceanos. Elas também atuam no bem-estar dos seres humanos através dos serviços ecossistêmicos, principalmente quando nos alimentamos de frutos do mar e/ou praticamos uma atividade turística como uma viagem ao litoral.

Descrição da imagem: Ilustração horizontal e colorida do oceano e animais marinhos. No centro da imagem, há uma âncora cinza pendurada por uma corda preta. Na parte esquerda da imagem, um tubarão cinza azulado, uma arraia preta, uma tartaruga em tons de verde, dois peixes pequenos em tons de rosa e um tubarão menor em tom de lilás. No lado direito, quatro peixes pequenos em tons de roxo, rosa e azul. Na parte inferior, algas e recifes em tons de verde, laranja e rosa, além de uma rocha preta e garrafa de plástico rosa malva. O fundo é azul com textura de água.

Especialmente nos recifes de corais – que são sistemas biologicamente complexos com diversos organismos e suas interações –, as espécies desempenham funções desde o controle do crescimento das populações de algas, ciclo de nutrientes, produtividade, o controle da cadeia trófica (sequência de alimentação entre os seres vivos na cadeia alimentar), entre outros exemplos. Ou seja, incluem espécies que vão desde pequenos peixes herbívoros até predadores de topo da cadeia alimentar. 

 

Você sabe quais espécies apresentam um papel funcional importante para os recifes do Oceano Atlântico a ponto de causarem danos grandes para a estrutura funcional, ou seja, para o funcionamento desses recifes se forem extintas? Calma que eu já te conto!

Descrição da imagem: leão marinho no centro da imagem. Tem tons de cinza e verde marinho nas costas. Abaixo dele, inúmeros peixes pequenos em tom de cinza. Ele está no fundo do mar. A água é azul clara.
Descrição da imagem: peixe azul alongado e com corpo fino. Ele tem detalhes em tons de laranja, amarelo e verde. Ele está com a boca aberta em cima de uma rocha com musgos. As rochas ao redor do peixe são verde acinzentadas.

Apesar da necessidade de estudos sobre o funcionamento desse ecossistema que está cada vez mais ameaçado pela ação dos seres humanos, ainda existe uma lacuna científica que precisava ser preenchida: qual a importância desses organismos marinhos se considerarmos espécies de diferentes grupos taxonômicos – classificação de seres vivos com distintas formas e tamanhos – como os peixes ósseos, tubarões, raias, tartarugas e mamíferos marinhos ao mesmo tempo? O que eles fazem para promover e garantir a vida nesses ecossistemas, uma vez que os recifes abrigam a maior riqueza de espécies marinhas?

 

Meu trabalho de mestrado teve como objetivo avaliar se diferentes grupos taxonômicos de vertebrados marinhos recifais do Atlântico apresentam funções ecossistêmicas iguais como o controle trófico, ou seja, se são redundantes ou não. Da mesma forma, analisei como a diversidade funcional está distribuída nesses recifes, identificando locais com menor riqueza de espécies (e menor número de funções, é claro), e como consequência, quais são mais ameaçados. Ainda, simulei cenários futuros de extinção desses vertebrados, com base nas classificações de ameaça (Vulnerável, Em Perigo, Criticamente em Perigo) da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) e assim quantifiquei o impacto de potenciais perdas de espécies na diversidade funcional.

Descrição da imagem: box horizontal e colorido. Na parte superior, sobre fundo branco e em letras pretas, o título "Diversidade funcional". Abaixo, em bloco amarelo limão, texto na cor preta, em sete linhas, o texto: "Este termo leva em consideração as diferenças morfológicas entre as espécies, ou seja, suas próprias características que determinam sua influência no ecossistema. E essas características são chamadas de atributos funcionais". O fundo é roxo.

Para isso, compilei uma lista de 224 (lindas, diferentes e muitas vezes coloridas) espécies de vertebrados recifais, sendo quatro mamíferos, cinco tartarugas, 89 tubarões e raias e 126 peixes ósseos. Nós (eu, minha orientadora Mariana Bender e os coautores) compilamos pela primeira vez seis atributos funcionais comparáveis entre os quatro distintos grupos taxonômicos: tamanho corporal máximo, profundidade máxima, grupo trófico (dieta), biomassa, formato do corpo e das nadadeiras caudais. Tais características estão relacionadas com as funções que essas espécies desempenham no ambiente recifal.

Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida de uma tartaruga. Ela tem casco marrom com detalhes em verde claro. O corpo é marrom esverdeado com detalhes em preto. Os olhos são pretos e redondos. A tartaruga está de perfil sobre um chão arenoso com grama verde. O fundo é o oceano azul.
Descrição da imagem: fotografia horizontal e em tons de azul e cinza de dois tubarões grandes no fundo do mar. Em primeiro plano, um tubarão cinza escuro grande, tem olhos escuros, boca grande. Ao lado, dois peixes pequenos em cinza claro. Ao fundo, em segundo plano, outro tubarão grande em cinza escuro. Na parte inferior, recifes em verde escuro. Na parte superior, o mar, em azul escuro.
Descrição da imagem: fotografia horizontal e em tom de azul escuro, de uma arraia preta. Ela está de costas, na horizontal. Ao redor, peixes pequenos em tons de cinza. O fundo é azul escuro.

Para compreender quais são as funções dessas espécies no Atlântico, em que o Brasil está localizado, eu realizei uma busca online através do Google Acadêmico com o uso de palavras-chave como “nome da espécie + ecosystem function” e “nome da espécie + ecosystem functioning” para compilar artigos científicos com essas informações. Nessa busca eu encontrei sete funções: pressão de herbivoria, bioturbação/bioerosão, armazenamento e transporte de nutrientes, resiliência, mesopredadores, predadores de topo e regulação trófica. A função que apresenta maior número de espécies ameaçadas segundo a IUCN é a de regulação trófica (n = 50), seguida pelos predadores de topo (n = 21).

Descrição da imagem: infográfico vertical e colorido. No centro superior, sobre faixa branca, título em preto: "Funções de espécies no Atlântico". Abaixo, imagem oval amarela, com peixe e recife em branco. O título "Bioturbação/Bioerosão". Ao lado, texto em preto "Produção de sedimentos como pedaços de corais através da alimentação". Abaixo, sobre forma oval amarelo pastel, peixe e plantas brancas. Acima, o título "Resiliência", e, ao lado, o texto "Volta do Recife ao estado após um distúrbio". Abaixo, sobre forma oval laranja pastel, tubarão e fezes em branco. Acima, o título "Transporte e armazenamento de nutrientes", e, ao lado, o texto "Através da mobilidsde das espécies e dos processos fisiológicos". Abaixo, sobre forma oval salmão pastel, tartaruga e planta brancas. Acima, o título "Pressão de herbivoria", e, ao lado, o texto "Espécies herbívoras que alimentam-se de algas e gramas marinhas". Abaixo, sobre forma oval rosa claro, tubarão branco. Acima, o título "Mesopredadores", e, ao lado, o texto "Predador de porte médio que está no meio da cadeia trófica". Abaixo, sobre forma oval rosa, tubarão branco. Acima, o título "Predadores de topo", e, ao lado, "Espécies grandes que são o topo da cadeia trófica". Abaixo, sobre forma oval lilás, tubarão e peixe branco. Acima, o título "Regulação trófica", e, ao lado, o texto, "Predação de espécies que regulam a cadeia trófica marinha". O fundo é lilás.

Ainda, para entender como a riqueza funcional – riqueza de espécies e atributos – está distribuída nesses recifes, nós mapeamos (em mapa do tipo grid 4º x 4º) a distribuição de cada uma das espécies avaliadas através do uso de shapefiles que contém a sua distribuição geográfica. Como resultado, alguns locais como o Caribe, o recife mais rico e diverso do Atlântico, apresentaram maior riqueza funcional. Além disso, apesar dessas diferenças de riqueza de espécies, existe um padrão que mostra que as espécies são parecidas funcionalmente, ou seja, apresentam atributos e funções similares, como por exemplo o tamanho e forma corporal e funções como a regulação trófica e os mesopredadores, principalmente se compararmos as espécies de tubarões, raias e peixes ósseos apesar das suas diferenças taxonômicas.

 

Apesar desse padrão homogêneo nos recifes, a remoção da função dos mesopredadores (tubarões, raias e peixes ósseos de tamanho corporal maior), ou seja, um nível trófico abaixo dos predadores de topo, afetará a estrutura desses ambientes, principalmente naqueles locais com menor riqueza de espécies. A perda de riqueza na escala regional (Oceano Atlântico) poderá chegar a 40%, já na escala local do Caribe, por exemplo, será maior que 90%!

O que não é novidade para muita gente é que os animais marinhos de grande porte, como os predadores de topo (na maioria das vezes as espécies de tubarões), são ameaçados principalmente pela pesca, uma vez que a atividade pesqueira busca capturar animais maiores. E o meu trabalho mostrou que eles são realmente mais ameaçados do que os mesopredadores, porém é a remoção das espécies mesopredadoras que afetará as funções ecossistêmicas nos recifes, bem como a provisão de serviços ecossistêmicos. E esse resultado é alarmante, porque as populações dos predadores de topo já foram esgotadas, e os mesopredadores – o nosso último recurso – serão os próximos. Mas claro, a conservação e preservação dessas espécies e principalmente da riqueza funcional como um todo auxiliará na conservação dos nossos recifes!

Expediente:

Texto: Luiza Severo, Bacharel em Ciências Biológicas. Mestre em Biodiversidade Animal e Doutoranda em Biodiversidade Animal pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal pela UFSM;

Design Gráfico: Luiz Figueiró. acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia Social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Ludmilla Naiva, acadêmica de Relações Públicas e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Relações Públicas: Carla Isa Costa;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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