Curiosidades – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco Jornalismo Científico e Cultural Thu, 31 Aug 2023 16:35:28 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Curiosidades – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco 32 32 Curiosidades – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/mes-do-cachorro-louco Thu, 31 Aug 2023 16:35:21 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9755 O fim do mês bate à porta. E, com ele, talvez seja a hora de colocar um fim em certos mitos. Será que agosto é mesmo o “Mês do Cachorro Louco”? Se, até este momento do mês, o seu cachorro não apresentou nenhum comportamento anormal, você já deve desconfiar sobre qual é a resposta dessa pergunta. Mas então, por que agosto é conhecido assim?

William Schoenau, professor de Bem-Estar animal no curso de Medicina Veterinária e vice-diretor do Centro de Ciências da Saúde (CCS), explica que há maior possibilidade de casos de raiva neste mês, já que ele apresenta condições climáticas favoráveis para que as fêmeas iniciem o seu período reprodutivo, o que aumentaria as disputas entre machos para conquistá-las. Caso um dos “pretendentes” já tenha o vírus, ele pode ser transmitido aos outros cães por meio de brigas. No entanto, não há evidência científica do aumento de casos durante o oitavo mês do ano.

Outra “injustiça” é insistir em chamar o melhor amigo do homem de louco por conta do vírus da raiva, já que ele não tem sido o animal mais afetado pela doença nos últimos anos. Em 2022, o Ministério da Saúde registrou 16 casos de raiva em animais domésticos – nove gatos e sete cães. Metade desses casos foi transmitido por morcegos, e outros três por canídeos silvestres (cachorro-do-mato, lobo-guará, raposas, etc.) que, desde 2016, são os dois únicos agentes transmissores da doença.

A fama de agosto ser o “Mês do Cachorro Louco” é um elemento particular da cultura brasileira. No calendário internacional, o Dia Mundial da Luta Contra a Raiva é celebrado em 28 de setembro. Os “costumes” dos tutores também são responsáveis por facilitar o desenvolvimento de doenças, como não fazer as vacinações de calendário, não realizar castração e deixar os cães soltos, o que pode facilitar a propagação de doenças.

No Hemisfério Norte há outro tipo de ligação entre cachorros e o mês de agosto, os dogs days, explica o vice-diretor do CCS. O termo se refere aos dias mais quentes e abafados do verão no norte do planeta que ocorrem depois que a estrela Sirius, também conhecida como “estrela do cachorro” fica visível no horizonte antes do nascer do sol, fenômeno que ocorre uma vez por ano.

Sirius, além de ser a estrela mais brilhante da noite a olho nu, é o principal corpo celeste da constelação de Cão Maior (Canis Major). Além do calor, ela ficou conhecida por civilizações milenares como a estrela responsável por trazer doenças, azar e loucura, para cães e também para os homens. 

O mês pode ser mito, mas a doença continua real

O professor Saulo Filho, docente de Clínica de Pequenos animais, também do curso de Medicina Veterinária, enfatiza que o aumento da divulgação das campanhas de vacinação, muitas intensificadas em agosto para se apropriar da “fama” de “Mês do Cachorro Louco”, são para auxiliar na prevenção contra a raiva. Em 2002, por exemplo, o Ministério da Saúde registrou 635 casos de raiva em cães e 85 em gatos. “A raiva urbana praticamente desapareceu”, destaca Saulo. “A grande preocupação hoje é a raiva silvestre e no meio rural”, complementa Schoenau.

O vírus da raiva tem três ciclos de transmissão: urbano, rural e silvestre. Os dois últimos foram os responsáveis pelos dois casos da doença registrados no país em humanos este ano. Ambos os pacientes faleceram. Os professores destacam que o homem cada vez mais invade o habitat e entra em contato com animais silvestres. Essa aproximação pode ser perigosa, uma vez que todos os mamíferos podem contrair o vírus e transmiti-lo para o ser humano. 

Sem vacinação, a doença tem taxa de letalidade de quase 100%, o que inclui a raiva humana que deixa sequelas severas em seus raros sobreviventes. Para que a doença continue sob controle nos centros urbanos, o professor de Fisiologia Animal lembra que é preciso uma cobertura vacinal de 80% da população canina, de acordo com as orientações do Ministério da Saúde. 

No entanto, a taxa atual de cobertura pode estar significativamente abaixo deste nível. De acordo com os dados do próprio ministério, a cobertura vacinal de cães e gatos era de 60,4% em 2021 (último ano disponível). Essa média se aplica a menos da metade do país, já que apenas 12 das 27 unidades federativas enviaram seus índices de vacinação para o levantamento.

Além de letal, a enfermidade que afeta o sistema nervoso evolui de forma dolorosa.  “Em cães, ela termina por atingir o nervo faríngeo, o que os impede de beber e se alimentar. Por isso, quando um animal é diagnosticado com raiva, o protocolo indicado é a eutanásia”, descreve o professor Saulo. A doença pode se manifestar de diferentes formas, a depender de onde o animal foi mordido. Ferimentos próximos à medula podem resultar em raiva paralítica, na qual o cão fica quieto e triste, com sinais de paralisia. Há também a raiva muda, ou atípica, que traz alguns sintomas semelhantes à raiva paralítica, mas menos intensos e que podem passar despercebidos.

O vírus é transmitido pela saliva, o que significa que, além das mordidas, é possível contrair raiva pela lambedura de um animal infectado e, em alguns casos, também pela arranhadura. De acordo com o professor da disciplina Clínica de Pequenos animais, os principais sintomas da doença em cães são: agressividade, ansiedade, desconfiança, mordedura, lambedura, medo, depressão, salivação excessiva, paralisia, desorientação, convulsões, aversão à água – cão fica desorientado e não reconhecimento do proprietário.

Propaganda enganosa, mas com boas intenções 

Por ter um efeito direto no ser humano, a raiva é a doença canina mais conhecida, mas, atualmente, há outras patologias que são mais letais para os cães. A parvovirose é uma doença que afeta filhotes com até um ano de idade, enquanto a cinomose pode afetar o cão durante toda a vida, em especial durante os primeiros meses de vida do animal. Ambas as doenças possuem alta taxa de letalidade sem vacinação. 

A leptospirose também é uma doença animal que pode ser contraída pelo ser humano (zoonose). Geralmente associada a ratos, a infecção também afeta cães, que são a principal fonte de transmissão para o homem.

As três doses da vacina polivalente compõem o esquema vacinal básico em filhotes e protegem contra essas enfermidades. O ciclo da imunização polivalente inicia entre os primeiros 45 e 60 dias de vida e vai até a sexta ou oitava semana de idade. A vacina contra a raiva pode ser aplicada em um intervalo mínimo de 21 a 30 dias após o esquema vacinal básico, quando o cão está entre quatro e cinco meses de idade. É possível vacinar o cachorro contra a raiva mesmo sem o esquema vacinal básico, desde que ele tenha idade compatível com a imunização. As vacinas para raiva, cinomose e leptospirose devem ser reforçadas anualmente.

“Propaganda é a alma do negócio.  Mas, em termos de vacinação, depende do calendário vacinal de cada animal. Se quiser vacinar em agosto, vacine. Melhor vacinar do que não vacinar, mas é possível fazer isso em qualquer época do ano”, finalizam os professores que não se opõem à fama de “Mês do Cachorro Louco” carregada por agosto, desde que ela seja utilizada para que cães e humanos fiquem sãos e salvos.

Reportagem: Bernardo Silva, estudante de jornalismo e bolsista de Agência de Notícias
Ilustração: Daniel Michelon De Carli, Unidade de Comunicação Integrada;
Edição: Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.

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Curiosidades – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/por-que-medicamentos-genericos-sao-mais-baratos Thu, 19 Jan 2023 16:30:42 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9617

Você vai ao médico e ele te receita um medicamento referência (original). Você chega na farmácia para comprar o medicamento e o farmacêutico te oferece o ‘genérico’ (uma cópia daquele remédio), e diz que é mais barato. Relutante, você não sabe qual escolher – e até tem um certo preconceito. Mas você sabia que as duas classes de remédios têm os mesmos efeitos no organismo e o genérico pode ser adquirido sem medo? 


De acordo com as farmacêuticas da Farmácia Escola da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o medicamento de referência é aquele que surge primeiro, ou seja, é um medicamento inovador. “A indústria farmacêutica investiu em pesquisa para desenvolver um medicamento inovador. Após a conclusão da pesquisa, ela faz um pedido de registro deste medicamento junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)”, destaca a coordenadora da Farmácia Escola, Marila Marchiori.

Descrição da imagem: ilustra horizontal e colorida de três caixas de medicamentos. Da esquerda para a direita: caixa laranja com detalhes em branco e uma faixa vermelha no centro. Tem os textos 'Medicamento referência ' e 'Venda sob prescrição médica'. Da caixa, sai uma cartela de comprimidos em formato de cilindro nas cores amarelo e vermelho. O fundo é verde água. Ao lado, caixa verde água com detalhes em branco e uma faixa vermelha no centro. Tem os textos 'Medicamento similar' e 'Venda sob prescrição médica'. Tem uma cartela com comprimidos no formato de cilindro nas cores amarelo e azul. O fundo é amarelo. E, na direita da imagem, caixa azul com detalhes em branco e uma faixa amarela e outra vermelha. Tem os textos 'Medicamento genérico', 'Venda sob prescrição médica' e 'Genérico'. A última palavra está sobre a faixa amarela. Tem uma cartela com comprimidos circulares e na cor rosa claro. O fundo é laranja.

Ao registrar um medicamento original, o laboratório é beneficiado pela Lei das Patentes (Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996). Todos os produtos comerciais originais, o que inclui os medicamentos, são protegidos pela propriedade intelectual, ou patente. Isto quer dizer que durante certo período de tempo, que pode chegar a até 20 anos, a fórmula do medicamento é uma propriedade exclusiva de quem a criou e não pode ser reproduzida sem a sua licença. 

“A indústria farmacêutica ganha esse período de patente para recuperar o dinheiro [gasto com a criação do medicamento]. Depois que quebra a patente, a fórmula é liberada para outras indústrias que queiram fazer uma cópia”, explica a farmacêutica da Farmácia Escola da UFSM, Ana Paula Ferreira. 

 

Após a quebra da patente, outras indústrias farmacêuticas podem começar a produzir medicamentos com as mesmas características do produto inovador, como é o caso dos genéricos. Como a maioria dos estudos de eficácia e segurança foram realizados no momento da criação do medicamento de referência, os produtos genéricos têm geralmente um custo menor para o consumidor.


“A indústria que  vai produzir o genérico não investiu em pesquisa e desenvolvimento no início. Essa é uma das razões para que o medicamento genérico seja  mais barato na maioria das vezes”, explica Marila Marchiori.

 

Referência


É o medicamento inovador. Os laboratórios farmacêuticos têm exclusividade sobre a comercialização da fórmula durante o período da patente, que pode durar entre 10 e 20 anos.

Genérico 


Contém o mesmo princípio ativo, dose, fórmula  farmacêutica, eficácia e segurança. A produção do genérico é liberada após a expiração da patente do medicamento de referência.

 

Genéricos como uma opção mais acessível

Conforme explica a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Lei dos Genéricos (Lei nº 9.787, de 1999) foi aprovada pelo esforço conjunto do Ministério da Saúde, do Congresso e da sociedade civil, e surgiu porque os preços dos medicamentos subiram descontroladamente na década de 1990. A entrada dos genéricos no mercado incentivou a concorrência no setor, trouxe novas opções ao consumidor e fez cair os preços. 

No entanto, o preço baixo desses medicamentos não tem relação com sua qualidade. Após serem criados, os genéricos são submetidos a um rígido controle de qualidade, que assegura que o consumidor tenha resultados iguais aos do medicamento de referência. Além disso, a Anvisa é a instituição responsável por verificar e autorizar o comércio desses medicamentos. 

“A Anvisa fiscaliza para ver se está tudo certo. Se não, eles tiram do mercado”, destaca a farmacêutica da Farmácia Escola da UFSM, Claudia Silveira. “Qualquer mudança de fórmula tem que ser previamente notificada à Anvisa para ser  autorizada. Já aconteceu de alguma substância ou medicamento ter um contaminante na matéria-prima, então é retirado do mercado”, complementa Ana Paula.

Similar não é genérico!

Além dos medicamentos genéricos, as indústrias podem usar a fórmula farmacêutica de alguns medicamentos para criar os similares. Esse tipo de medicamento contém o mesmo princípio ativo dos de referência, mas só podem substituí-lo após passar por testes laboratoriais que comprovem a sua equivalência. Os que já cumpriram esse processo são chamados de “similares intercambiáveis”. 

Desde 2014, a Anvisa publica a lista dos similares intercambiáveis, que é atualizada à medida que novos similares são registrados e renovados com a análise de estudos comparativos. 

Além disso, Claudia Silveira alerta sobre a substituição dos similares intercambiáveis por genéricos. De acordo com ela, similares intercambiáveis e genéricos podem substituir os de referência, mas um similar intercambiável não pode ser trocado por um genérico e vice-versa. “Eles não foram testados entre si, só foram testados com o de referência. A Anvisa que determina isso”, destaca.

Expediente:

Reportagem: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Design gráfico: Evandro Bertol, designer.

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário; 

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; 

Edição geral: Luciane Treulieb, jornalista.

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Curiosidades – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/coordenador-do-curso-de-medicina-da-ufsm-relata-experiencias-com-tdah Mon, 05 Dec 2022 12:46:49 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9571

Dificuldades de atenção, inquietude motora e impulsividade. Esses são alguns dos sintomas de quem apresenta o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Conforme informa Mauricio Moller Martinho, professor e integrante do Departamento de Neuropsiquiatria da UFSM, o TDAH é “um transtorno do neurodesenvolvimento, de origem multifatorial, e causa prejuízos nos âmbitos social, familiar, acadêmico e ocupacional”. 

 

Rafael Vaz, professor do Departamento de Clínica Médica e coordenador do curso de Medicina da UFSM, tem TDAH. Ele descobriu a doença na fase adulta – algo atípico. “Uma das coisas que mascarou bastante é que eu sempre fui um dos melhores da turma desde a escola, depois na faculdade. E isso também é um perfil do diagnóstico tardio: você estuda mais do que os outros, tem algumas técnicas indiretas para corrigir algumas falhas, e dá certo”, destaca.

Descrição da imagem: colagem horizontal e em tons claros de um menino com a cabeça abaixada sobre um livro. Ele está na metade direita da imagem. Tem pele branca, cabelos loiros e veste camiseta amarela com listras pretas. Está com os braços sobre o livro, que está aberto. Sobre sua cabeça, um cérebro sobreposto em dois aviões de papel e um arbusto de flores nos tons creme e lilás. Sobre os olhos dele, uma faixa horizontal preta e o texto, em branco, "TDAH". Ao redor do menino, dois livros nas cores roxa e turquesa, mais quatro aviões de papel que seguem riscos pontilhados, uma peça de lego na cor amarela, um aparelho horizontal preto, e a conta "2+2" em vermelho. O fundo é creme com textura de papel.

O docente relata que começou a perceber melhor os sintomas durante a faculdade, quando começou a apresentar sinais de desatenção: “Aconteceram algumas coisas anedóticas, como deixar as pessoas falando sozinha; colocar a xícara de café na cafeteira, preparar o café e não tomar; perder o carro, coisas do tipo”, conta. Até que, com a sobrecarga do trabalho, resolveu consultar um psiquiatra e fazer uma avaliação.

“Tudo que eu falo eu aprendi com os psiquiatras. Eu faço tratamento farmacológico e faz bastante diferença. Eu tenho um padrão mais desatento. Eu não tenho aquela hiperatividade, apesar de ter um pouquinho às vezes, de fazer várias atividades ao mesmo tempo”, explica Vaz.

O professor, que assumiu a coordenadoria do curso de Medicina da Universidade em agosto deste ano, enfatiza que falar sobre o problema em ambiente universitário é importante para que mais pessoas, principalmente alunos, saibam que podem tê-lo e possam tratá-lo. Além disso, o professor faz um alerta para pessoas que fazem autodiagnóstico da doença: “Quando eu fui ao psiquiatra, ele fez vários testes para confirmar se aquilo me trazia dano, porque a ideia do diagnóstico é essa: você pode ser desatento, mas, para você ter TDAH, você tem que ter dano”, destaca.

Como diagnosticar o transtorno na infância e na fase adulta?

Segundo o professor do Departamento de Neuropsiquiatria da UFSM, Maurício Martinho, para um correto diagnóstico do TDAH na infância, é essencial entender a distinção entre o comportamento típico para a idade e o comportamento em que o ‘limiar patológico foi ultrapassado’: “Conhecer o desenvolvimento humano típico é necessário para o diagnóstico. É importante entender que, mesmo crianças e adolescentes sem TDAH podem ter algum grau de desatenção, hiperatividade ou impulsividade”, relata. 

 

Além disso, Maurício salienta que dois terços das crianças diagnosticadas com TDAH na idade escolar continuam com sintomas na vida adulta, mas que, em adultos, os sintomas apresentam-se de forma diferente: o nível de hiperatividade muitas vezes diminui, enquanto os sintomas de desatenção tornam-se mais evidentes.

“No adulto, a hiperatividade costuma se manifestar como uma sensação subjetiva de inquietude. A impulsividade pode se apresentar como impaciência, falar em excesso, e ‘agir sem pensar’. Alguns sintomas podem resultar em conflitos nos relacionamentos, instabilidade em empregos e envolvimento em situações perigosas. A desatenção pode ser identificada pelo comprometimento da capacidade de manter a atenção, esquecimento de compromissos e perda frequente de objetos”, explica Maurício.

Com relação ao tratamento da doença, o especialista destaca que ele deve ser ‘multimodal’, ou seja, integrar psicoeducação sobre a doença com a família e a escola, suporte acadêmico, psicoterapias, treinamento de habilidades  parentais e farmacoterapia. Para ele, a ideia corrente de que o diagnóstico de TDAH seja um prenúncio definitivo de  fracasso escolar e acadêmico é algo que prejudica o paciente. Da  mesma forma, o receio das famílias quanto aos efeitos da medicação sobre as crianças muitas vezes atrasa ou impossibilita o início do tratamento.

Expediente:

Reportagem: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Design gráfico: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista; 

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Gabriel Escobar, acadêmico de Jornalismo e bolsista; e Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária; 

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb, jornalista.

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Curiosidades – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/16-curiosidades-sobre-doacao-de-sangue Thu, 24 Nov 2022 17:34:58 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9546

No dia 25 de novembro, comemora-se o dia nacional do doador de sangue. A data tem o intuito de conscientizar a população sobre a importância da doação e também de homenagear aqueles que já são doadores. Ela foi instaurada em 2004 com iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para abordar a temática e tirar possíveis dúvidas, conversamos com profissionais especialistas no assunto que trabalham no Hemocentro Regional de Santa Maria.

1 - É verdade que 1 bolsa de sangue pode salvar até 4 vidas?

Sim. Após a coleta, os componentes do sangue, chamados hemocomponentes, são separados por um processo de centrifugação. O processo de separação dos hemocomponentes divide o sangue em quatro partes: concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas, plasma fresco congelado e crioprecipitado. Cada um deles tem uma função específica junto ao organismo humano. Desse modo, uma única bolsa de sangue pode ser utilizada por até quatro pacientes, a depender das necessidades de cada um.

 

O sangue coletado passa por uma bateria de exames sorológicos e imunológicos antes de ser considerado apto para o uso. Esses exames são realizados com a amostra de sangue coletada antes da doação, e não com o sangue da bolsa. Os exames feitos após a coleta também permitem identificar o grupo sanguíneo (A; B; AB; ou O) e o fator Rh (positivo ou negativo).

2 -  O que é a janela imunológica e como ela interfere no processo de doação?

Quando o possível doador chega ao local de doação, o primeiro passo é o cadastro, para o qual é necessário documento oficial com foto. Posteriormente, ele será encaminhado para um processo de triagem hematológica, em que serão realizados exames rápidos e necessários para entender sua condição física: a pressão arterial é medida, o peso e a altura são verificados, e as taxas de hemoglobina são conferidas. Esse processo ajuda, por exemplo, a verificar se o possível doador não está com princípio de anemia, o que impede a doação. 

 

Após essa etapa, ele é encaminhado para a triagem clínica, que consiste em uma entrevista com um especialista capacitado. A pessoa fornece informações acerca de hábitos e atitudes que podem impactar o processo de doação, como relações sexuais realizadas sem o uso de preservativos, o uso de medicamentos, a ingestão recente de bebidas alcoólicas, entre outras informações que irão designar se ele está apto ou não a ser um doador. 

 

A enfermeira Liliane Simon, que atua junto ao hemocentro Regional de Santa Maria, enfatiza a importância da triagem clínica: “As perguntas são baseadas em protocolos nacionais. Ao final da entrevista, vamos colocar o doador na situação de apto ou inapto. Se ele for inapto, também vamos ter que definir, a partir das informações coletadas, quantos dias ele vai ficar em inaptidão, se é um dia, se é um mês, se é um ano ou se é uma inaptidão definitiva”, explica Liliane.

 

Na entrevista, é indicado que o doador forneça todas as informações corretamente, sem omissões, em virtude da chamada janela imunológica. Trata-se do período em que infecções permanecem incubadas, e que podem ou não ser detectadas nos exames realizados com o sangue coletado. 

 

Após o processo de triagem, se o doador for considerado apto a realizar a doação, ele irá  para a coleta, que dura em torno de 15 minutos.

3 - Por que existe o voto de autoexclusão depois da doação?

Após o doador realizar o processo de coleta do sangue, ele é encaminhado para outro local, onde irá receber um lanche e poderá descansar antes de deixar o espaço de doação. Nesse momento, é fornecido ao doador um formulário em que ele será questionado acerca da veracidade das informações prestadas na entrevista, o chamado “voto de autoexclusão”. Esse voto não contém a identificação do nome do doador, apenas um código que corresponde à bolsa de sangue coletada.

 

Esse processo é importante para garantir a qualidade do sangue doado, uma vez que, como já mencionado, há a janela imunológica, em que algumas infecções podem estar em processo de incubação, e que, portanto, não são detectadas nos exames feitos com o sangue coletado. Caso o paciente assinale no formulário que mentiu na entrevista, o sangue é descartado.

 

Andressa Baccin dos Santos, assistente social responsável pela captação de doadores do Hemocentro Regional de Santa Maria,  comenta sobre a importância dessa etapa: “No voto de autoexclusão, o doador vai dizer se a bolsa dele pode ser transmitida a outro paciente ou não, se ele falou a verdade na entrevista ou se omitiu informações. É o momento em que ele, numa reflexão interna, precisa ser sincero. Esse voto é colocado em uma urna e não é identificado com nomes em nenhum momento, é tudo com código do doador”, explica Andressa.

4 - Qual é o custo do processo de doação?

O processo de doação de sangue não é barato. Andressa pontua que o valor para a coleta de uma bolsa é de aproximadamente 750 reais. Já o processo de doação de plaquetas por aférese é ainda mais caro, com valores entre 1200 e 1500 reais por bolsa coletada.

 

O processo de coleta por aférese é diferente da doação convencional. Nele, o doador fica conectado a um equipamento automatizado, que irá coletar o sangue e separar seus componentes por meio de um processo de centrifugação. O componente do sangue que será coletado (hemácias ou plaquetas) é retido e os demais retornam ao indivíduo. Esse processo é repetido até que o número de componentes estipulado para a coleta seja atingido. Com esse processo, é possível coletar uma maior quantidade do componente do sangue desejado.

 

Esse tipo de coleta precisa obedecer a normas um pouco distintas daquelas estabelecidas para a doação convencional, por isso é importante consultar informações sobre os requisitos para realizar a doação.

5 - Quais os requisitos para doar?

  • Para ser um doador, a pessoa interessada precisa ter entre 16 e 69 anos. Menores de 18 anos podem doar apenas com o consentimento dos responsáveis e pessoas com idade acima de 60 anos só podem doar caso já tenham realizado alguma doação de sangue antes de completarem 60 anos;

  • É preciso que a pessoa pese no mínimo 50 quilos;

  • É necessário que a pessoa tenha tido no mínimo seis horas de sono nas últimas 24 horas;

6 - Quais os cuidados que o doador deve ter antes, durante e após o processo de doação?

O processo que antecede a doação do sangue envolve o cuidado com a alimentação, ao evitar alimentos gordurosos e prezar por uma boa hidratação. É indicado que o doador tenha uma boa noite de sono, além de cuidados essenciais como evitar a ingestão de bebidas alcoólicas e não fumar. Vale destacar que, quanto mais hidratado o doador estiver, mais fácil será a coleta. 

 

Durante o processo, enquanto ainda está no local da doação, é importante que ele se alimente com o lanche disponibilizado e também permaneça no espaço por cerca de 15 minutos, a fim de confirmar se está em boas condições para deixar o ambiente. Durante o restante do dia, é indicado que o doador descanse, se alimente sem alimentos gordurosos, beba bastante água e não faça esforço físico.

7 - Há restrições para pessoas LGBTQIAP+ serem doadoras?

Por muitos anos, a comunidade LGBTQIAP+ sofreu estigmas a respeito da doação de sangue. Apenas em 2020, com a baixa nos estoques de sangue acarretada pela pandemia de Covid-19, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou ilegal a norma vigente, o que possibilitou que a comunidade LGBTQIAP+ possa doar sangue sem restrições causadas pela sexualidade ou pela identidade de gênero. Em 2021, foi aprovado no Senado um projeto de lei que proíbe a discriminação de doadores de sangue com base na orientação sexual, o PL 2.353/2021. Anteriormente, homens que mantinham relações sexuais com outros homens e suas eventuais parceiras só poderiam doar passados 12 meses da última relação sexual.

 

O estigma acerca da doação de sangue por homossexuais remonta aos anos 1980, com os altos números de contaminação por HIV/AIDS, quando os homossexuais eram considerados “grupos de risco” para a doença. Com o passar dos anos, o entendimento acerca de “grupo de risco” foi substituído por “comportamento de risco”, pois o que irá influenciar uma possível contaminação é o comportamento do indivíduo e não seu pertencimento a um determinado grupo de indivíduos.

 

Além disso, a contaminação pelo vírus da AIDS não está restrita à comunidade LGBTQIAP+. Também por isso que os exames prévios realizados com o sangue de todos os doadores são importantes, para detectar possíveis doenças, além da triagem clínica, que irá alertar para eventuais comportamentos de risco.

8 - Qual o tempo indicado entre as doações?

Para homens, o tempo indicado é de dois meses, com um limite de quatro doações por ano. Já para as mulheres, o tempo indicado é de três meses, com um limite de três doações anuais. Essa diferenciação ocorre por conta da reposição de ferro no organismo. Para pessoas que menstruam, a reposição não é constante, devido à perda mensal de sangue ocasionada pela menstruação.

9 - O que impede a doação de sangue por um determinado período?

A doação de sangue é impedida temporariamente em casos de realização de determinadas cirurgias (veja abaixo); caso o doador esteja com febre; com sintomas de gripe, de resfriado ou de diarreia. Nesses casos, a doação é possível sete dias após o desaparecimento dos sintomas. Para o caso de amamentação, deve-se aguardar 12 meses após o parto e, caso o doador tenha ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas que antecedem a doação, também estará inapto temporariamente.

 

Outros comportamentos ou fatores (como o uso de determinados medicamentos, por exemplo) que podem impedir a doação por um determinado período podem ser consultados junto a profissionais da saúde, que irão se inteirar das especificidades de cada caso. Essas dúvidas podem ser expostas e já respondidas no momento do agendamento para realizar a doação ou serem realizadas na etapa da triagem clínica, quando acontecerá a entrevista.

10 - O que impede a doação de sangue para sempre?

  • Ter passado por um quadro de hepatite depois dos 11 anos de idade. Nos casos em que a doença ocorreu antes dessa idade, há grande probabilidade de ter sido hepatite do tipo A, que não deixa sequelas nem partículas virais no sangue e, portanto, não é um impedimento para a doação. 

  • Ter desenvolvido malária do tipo Plasmodium Malariae. Caso a pessoa tenha desenvolvido algum dos outros tipos da doença, poderá doar depois de respeitado o tempo para recuperação;

  • Fazer uso de drogas ilícitas injetáveis como heroína e cocaína;

  • Ter evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças transmitidas pelo sangue: Hepatites B e C, AIDS, doenças associadas aos vírus HTLV (causa doenças neurológicas graves e degenerativas e doenças hematológicas, como a leucemia) e Doença de Chagas;

  • Ter desenvolvido algum tipo de câncer durante a vida. Apenas dois tipos de tumores, após curados, permitem a doação de sangue – carcinoma basocelular de pele e carcinoma de cérvix de colo de útero;

  • Problemas de coagulação.

11 - Tatuagens e piercings impedem a doação?

No geral, a resposta para esse questionamento é sim, mas há especificidades em cada caso. Tatuagens e piercings demandam uma espera de um ano para que a pessoa volte a ser apta a doar. No entanto, esse período pode ser reduzido para seis meses caso o ambiente em que a pessoa fez a tatuagem ou colocou o piercing tenha a certificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

Caso o piercing seja colocado em regiões mucosas (boca ou genitália), a doação de sangue só pode ser efetuada 12 meses após a retirada do objeto. Essa restrição se deve ao fato de esses locais oferecerem constantes condições de infecções, uma vez que estão mais expostos à contaminação.

12 - O uso de medicamentos influencia na doação?

Sim, contudo, há particularidades que devem ser consideradas. Anti-hipertensivos não inviabilizam a doação, por exemplo, mas é preciso ter cuidado caso o doador tenha iniciado um tratamento recentemente, o que vai influenciar na oscilação da pressão arterial e, por esse motivo, é aconselhado que ele aguarde um período antes de doar. O período ideal será determinado por um profissional de saúde, após análise de cada caso.

 

Além disso, em casos em que a pessoa utiliza mais de um medicamento, há possibilidade de esse uso causar a inaptidão do doador. “Há alguns medicamentos que sozinhos não inviabilizam, mas se misturar todos eles, vai impossibilitar. Então, os colegas na triagem vão verificar também se esses medicamentos não vão prejudicar tanto o receptor quanto o doador, por isso é interessante que o doador traga todos os medicamentos que toma para serem verificados por um profissional da saúde”, ressalta Andressa.

13 - Fiz uma cirurgia, posso doar sangue?

Algumas cirurgias impedem a doação em virtude da perda de sangue que o paciente sofreu, mas há outros pontos que precisam ser analisados, como a doença que originou a necessidade da cirurgia, já que ela pode ser um motivo que impede a doação de forma definitiva. Além disso, é importante considerar outros fatores, como o uso de medicamentos no pós-operatório.

 

Pontuada a necessidade de entender as especificidades de cada caso, segue abaixo algumas cirurgias realizadas frequentemente e que têm diferentes períodos de espera para a aptidão à doação:

 

  • Parto normal: apto após 12 semanas;

  • Parto cesariana: apto após seis meses;

  • Extração de cálculos renais: apto após três meses;

  • DIU: não interfere no processo de doação;

  • Cirurgias de tireóide: apto após seis meses;

  • Cirurgias cardíacas: inaptidão definitiva;

  • Aplicação de toxina botulínica (botox): apto após 12 meses;

  • Extração dentária: apto após três dias.

14 - Tive Covid-19, posso doar?

Sim! Atualmente, aconselha-se que a doação seja feita depois do período de dez dias após o término do período de isolamento. Anteriormente, era indicado que os doadores respeitassem um período de dez dias após o término dos sintomas, mas, devido ao aumento da cobertura vacinal e formas mais leves de desenvolvimento da doença, é possível que o doador não tenha sintomas, o que levou a mudanças na indicação de cuidados. 

 

Andressa enfatiza algumas especificidades: “Se essa pessoa tem alguma comorbidade, se não foi um um processo tranquilo em relação à Covid-19, ela deve aguardar mais um tempo. Caso ela tenha passado por uma internação, vai ter que aguardar seis meses para vir doar”, explica.

15 - Tomar vacinas influencia na doação de sangue?

Sim. Diferentes vacinas têm diferentes períodos de espera para realizar a doação. Na vacina da gripe, é de 48 horas. Já a vacina contra a febre amarela demanda uma espera de 30 dias.

 

No caso das vacinas contra a Covid-19, o tempo de espera também depende do laboratório fabricante da vacina. Para quem tomou Coronavac, o tempo de espera é de 48 horas após a aplicação, mas para aqueles que foram vacinados com AstraZeneca, Pfizer-BioNTech e Janssen, o tempo de espera é de sete dias.

16 - Quais os benefícios de ser um doador?

O ato de doar sangue, além de ajudar outras pessoas, também fornece alguns benefícios sociais para o doador. Esses variam de região para região, mas englobam meia-entrada em cinemas, shows, bares, além de isenção na taxa de pagamento de inscrições em concursos públicos. 

 

No Rio Grande do Sul, a Lei 13.891, de janeiro de 2012, institui, para os doadores de sangue do estado, meia-entrada em eventos culturais, esportivos e de lazer realizados em locais públicos. Além disso, o inciso IV do artigo 473 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) também institui que o doador pode se ausentar do trabalho durante um dia para realizar a doação, mediante comprovação do ato. Essa ausência não acarreta em prejuízo salarial e pode ser feita uma vez por ano.

Para saber mais:

Para quem posso doar?

TipoDoa paraRecebe de
O-Todos os tipos sanguíneosO-
O+Todos os tipos Fator Rh+O- e O+
A-A-, A+, AB- e AB+O- e A-
A+A+ e AB+O-, O+, A- e A+
B-B-, B+, AB- e AB+O- e B-
B+B+ e AB+O-, O+, B- e B+
AB-AB- e AB+Todos os tipos Fator Rh-
AB+AB+Todos Rh+ e Rh-

 

Como faço para doar?

As doações podem ser feitas no Hemocentro Regional de Santa Maria, localizado na Alameda Santiago do Chile, 35 – Nossa Senhora das Dores (próximo ao Fórum). O horário de funcionamento para a doação de sangue é das 8h às 14h, de segunda a sexta-feira, e também no terceiro sábado do mês, das 8h às 12h.

 

O agendamento para realização das doações pode ser feito pelo site, pelo telefone do hemocentro (55) 3221-5262, ou pelo WhatsApp (55) 98428-8274. Pessoas com interesse em doar também podem comparecer presencialmente ao Hemocentro, onde serão informadas acerca dos horários de funcionamento e encaminhadas para a realização do agendamento. Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail recepcao-hemosm@saude.rs.gov.br e mais informações, como os níveis de estoque de sangue, estão disponíveis também no perfil do Instagram @hemosmrs.

 

Andressa destaca que, durante o agendamento, já são fornecidas informações aos doadores, para que o procedimento ocorra de forma segura e tranquila. “Ele precisa estar alimentado, se sentindo bem, ter uma preparação prévia para essa doação, não ingerir bebida alcoólica no dia anterior, dormir pelo menos seis horas antes. Essas orientações nós procuramos dar no momento do agendamento, por isso que ele é tão importante”, conta a assistente social.

Ações em prol do dia 25 de novembro em Santa Maria:

Em alusão ao dia nacional do doador de sangue, o Hemocentro de Santa Maria organizou, em parceria com o Lions Clube, um GreNal pela Vida, realizado do dia 16 de novembro ao dia 25. “É uma espécie de competição saudável entre os gremistas e os colorados, para ver qual das torcidas mobiliza mais doadores. Além dessa campanha, vamos realizar várias outras homenagens aos doadores”, conta Andressa.

 

A assistente social ainda relata que as homenagens aos doadores contarão com a participação da banda do Centro Social e Cultural Vicente Pallotti, o Tamborico, além da distribuição de alguns mimos. O Hemocentro, que teve uma queda de cerca de 20% nas doações durante a pandemia, busca agora uma maior conscientização acerca da importância da doação.

Expediente:

Reportagem: Milene Eichelberger, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Design gráfico: Luiz Figueiró e Noam Wurzel, acadêmicos de Desenho Industrial e bolsistas;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Gabriel Escobar, acadêmico de Jornalismo e bolsista; e Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb, jornalista.

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Curiosidades – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/o-teatro-pode-auxiliar-no-tratamento-da-gagueira Thu, 20 Oct 2022 14:26:11 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9516 Você sabia que o ator Murilo Benício tem um transtorno de disfluência da fala, popularmente conhecido como gagueira? Apesar disso, ele consegue atuar de forma fluida, sem gaguejar. Como isso é possível? Para responder a questão, é necessário compreender que existem dois tipos de disfluências da fala: as disfluências comuns e as disfluências gagas.

Disfluências são interrupções do fluxo de comunicação oral. As comuns são interjeições, hesitações e repetições como “Ãhn”, “Uhm”, “Tá”, “Tipo”, “Né”. Elas não têm um significado e podem desviar um pouco a comunicação, mas não a interrompem totalmente. As disfluências gagas, por outro lado, são caracterizadas pela alteração no ritmo da fala, pela interrupção da mesma no meio da palavra, por pausas, bloqueios, repetição de sílabas, sons ou da palavra inteira e até mesmo por movimentos físicos ao pronunciar palavras específicas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Fluência (IBF), a disfluência gaga da fala caracteriza uma dificuldade do cérebro em terminar um som ou sílaba e integra a Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Esse tipo de disfluência pode impor diversos desafios na vida das pessoas que gaguejam, como bullying, isolamento e desenvolvimento de outros problemas psicossociais.

Descrição da imagem: Ilustração horizontal e colorida de uma pessoa em pé, de perfil, que segura uma caveira em frente ao rosto. Ela tem pele amarela, cabelos channel laranjas; veste macacão roxo com detalhes em amarelo e vermelho e mangas em laranja. Está com a perna esquerda levemente dobrada e a mão direita na cintura. Ao lado direito, balão de fala cinza falhado. O fundo é composto por uma cortina vermelha bordô.

No áudio a seguir, você pode ouvir a professora Carolina Lisboa Mezzomo, do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), exemplificando os dois tipos de disfluência da fala:

O que causa a gagueira?

Em 2013, a Associação Psiquiátrica Americana (APA) propôs a troca da nomenclatura “gagueira” (stuttering) para Distúrbio Desenvolvimental da Fluência da Fala. A alteração está presente no CID-11, que entrou em vigor em fevereiro de 2022. Na área da fonoaudiologia, o objetivo é usar cada vez menos “gagueira” para categorizar o diagnóstico e, na nova edição da Classificação Internacional de Doenças, esta disfluência passa a ser considerada um distúrbio do neurodesenvolvimento iniciado na infância. A professora Márcia Keske-Soares, também do Departamento de Fonoaudiologia da UFSM, explica que a maior relação dos diagnósticos está ligada à predisposição genética aliada a fatores externos, como o ambiente no qual o indivíduo está inserido, questões de desenvolvimento e gatilhos emocionais: “O trauma é gatilho para a pessoa que já tem predisposição”, ressalta Márcia.

Dessa forma, a gagueira pode se desenvolver com mais intensidade em diferentes fases da vida se não for tratada na infância, tornando-se permanente. Consequentemente, algumas faixas etárias possuem maior propensão ao aparecimento dos sintomas deste distúrbio da fala, e estão relacionadas aos períodos de desenvolvimento das pessoas: dos dois aos três anos, dos seis aos sete, e dos 12 aos 13 anos. No caso das crianças, acontece o que se chama de gagueira desenvolvimental, que envolve justamente a fase de construção da linguagem, em que podem aparecer sintomas iniciais. Carolina Mezzomo explica que existem fatores de risco para o surgimento da disfluência gaga: ter casos de gagueira na família, ser homem (segundo a Associação Brasileira de Gagueira, esta disfluência atinge aproximadamente três homens para cada mulher), dentre outros.

Formas de tratamento: a arteterapia pode ser uma aliada?

Ao notar sintomas de disfluência da fala, recomenda-se procurar um fonoaudiólogo e, juntamente ao profissional, analisar a predisposição, os fatores de risco e fazer um acompanhamento para a construção do tratamento: “Cada caso é um caso”, afirma Carolina. É importante compreender que a disfluência gaga não é necessariamente crônica e as alterações no ritmo da fala podem ser apenas sintomas de gagueira transitórios que, ao serem tratados corretamente, podem vir a ter remissão total. Cerca de 5% das crianças são acometidas pela gagueira transitória, conforme o IBF. No entanto, alguns fatores, como a demora na busca por tratamento e até mesmo o bullying, podem vir a cronificar o sintoma e fazer com que a gagueira persista ao longo da vida. A consciência da própria gagueira, potencializada a partir do bullying, também faz parte dos fatores de risco a serem considerados pelo fonoaudiólogo, conforme consta no artigo “Fatores de risco na gagueira desenvolvimental familial e isolada”.

Márcia Keske-Soares explica que o processo junto ao fonoaudiólogo visa compreender como se dá a disfluência de cada indivíduo, identificar em quais situações a pessoa tem maior dificuldade e tratar não apenas a situação de fala, mas também auxiliar o paciente a lidar com as situações que desencadeiam a gagueira. A partir daí, pode-se aliar terapia psicológica, acompanhamento psiquiátrico e as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), que trazem recursos terapêuticos para que os pacientes melhorem sua qualidade de vida.

Carolina Mezzomo conta que a arteterapia faz parte das PICS, institucionalizadas pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares e oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Dentre as práticas incluídas na arteterapia está o teatro, que é utilizado como aliado ao tratamento fonoaudiológico em alguns casos de gagueira e permite que os pacientes desenvolvam a respiração, a entonação e trabalhem com a criatividade. “O teatro faz esse sujeito falar de um outro lugar e isso ajuda muito ele a se expressar melhor. É possível ser uma pessoa que gagueja e exercer atividades como atuar e cantar sem gaguejar”, explica Carolina.

Linguagem teatral no tratamento fonoaudiológico

Na UFSM, um trabalho de conclusão de curso em fonoaudiologia explorou o uso da linguagem teatral no tratamento de disfluências gagas integrada à terapia fonoaudiológica tradicional. Cíntia Filippi, orientanda da professora Carolina Mezzomo, apresentou em 2020 a monografia intitulada “Terapia Fonoaudiológica: Utilizando Arteterapia Para Indivíduos Com Gagueira”. A pesquisa consistiu no processo terapêutico de quatro pessoas, com idades entre oito e 34 anos, todos homens. Os atendimentos aconteceram no Serviço de Atendimento Fonoaudiológico (SAF) da UFSM. 

Cíntia confeccionou um jogo teatral intitulado “Quem? Onde? O quê?”, a partir do qual os participantes da pesquisa selecionavam uma carta de cada uma das três categorias, sendo “Quem?” (personagens), “Onde?” (lugares) e “O quê?” (ações). A partir das cartas, os indivíduos realizavam cenas/improvisos teatrais junto à pesquisadora. A quantidade de sessões de terapia variou para cada sujeito de acordo com a necessidade e o grau de disfluência da fala. Ao final do período de tratamento, os quatro participantes  apresentaram melhora em todos os níveis de avaliação da fluência, tanto na comum quanto na gaga, e adequação ao que se considera normal para a fluência da fala.

A partir da sua pesquisa, Cíntia salienta a importância de observar o contexto geral das pessoas que gaguejam para construir um tratamento que atenda às suas necessidades. Foram aplicados testes de qualidade de vida e avaliações específicas de gagueira antes e após o período de terapia com linguagem teatral realizada com os pacientes. O que se concluiu foi que aliar o teatro às práticas tradicionais da fonoaudiologia potencializou o tratamento dos participantes. A autoavaliação realizada pelos indivíduos após o encerramento dos atendimentos apontou melhora nos âmbitos físicos, emocionais, sociais e de fala. A pesquisa de Cíntia será publicada em um livro junto a investigações de outras pesquisadoras da fonoaudiologia sobre utilização das PICS na área. A previsão de publicação é para 2023.

Onde buscar serviços de atendimento na UFSM:

Serviço de Atendimento Fonoaudiológico (SAF)

Endereço: Prédio 26E – UFSM – Camobi, Santa Maria

Telefone: (55) 3220-9239

Clínica de Estudos e Intervenções em Psicologia (CEIP)

Prédio 74 B, sala 3200 – UFSM – Camobi, Santa Maria

Telefone: (55) 3220-9229

Laboratório de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde – LAPICS 

Sala 4134, prédio 20 – UFSM – Camobi, Santa Maria

WhatsApp (55) 99155-7376

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Curiosidades – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/vivencias-de-um-professor-universitario-com-dislexia Mon, 10 Oct 2022 17:46:53 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9508

Troca de letras, dificuldade de reconhecer palavras, esforço na leitura em voz alta e confusão na pronúncia. Essas são algumas das dificuldades relatadas por Luciano Schuch, atual reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que tem dislexia, um transtorno de aprendizagem caracterizado pelo déficit na organização do código linguístico e na decodificação fonológica (processo de converter os grafemas em fonemas para gerar a pronúncia da palavra lida).

Os primeiros indícios da dislexia foram notados desde cedo pelos professores, quando a turma estava conseguindo se alfabetizar, exceto ele.  “Minha maior dificuldade na infância foi aprender a ler e a escrever. Nunca consegui ler um texto em voz alta sem travar na leitura”, conta o professor. Na época, o distúrbio era pouco estudado e, apesar de nunca ter reprovado na escola, Schuch pegou recuperação todos os anos na disciplina de língua portuguesa. No primeiro vestibular que fez, esteve entre os candidatos com as maiores notas das provas objetivas, mas reprovou por zerar a redação: “Só consegui ser estudante da UFSM após decorar as diferentes formas de fazer a redação e adaptá-las ao tema, modificando algumas palavras”, relata o reitor.

Dislexia: subtipos, incidência e tratamentos

A dislexia implica no aprendizado e na realização das tarefas de leitura e escrita. Ela é compreendida como um transtorno do neurodesenvolvimento que se enquadra no subgrupo de transtornos específicos de aprendizagem. O distúrbio é caracterizado por três subtipos: fonológico, visual e misto.  

 

Conforme a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), o distúrbio atinge entre 5% e 17% da população mundial. Apesar da alta incidência, a dislexia é pouco compreendida pela sociedade. Foi somente a partir de 2021 que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passou a oferecer recursos de acessibilidade para estudantes com dislexia, como mais tempo de prova, auxílio ledor e auxílio transcritor. 

 

O dia 10 de outubro marca o Dia Mundial de Conscientização da Dislexia, que visa esclarecer o assunto e alertar para o diagnóstico precoce. Conforme a professora do Departamento de Fonoaudiologia, Simone Nicolini de Simoni, o conhecimento por parte da população é necessário para a identificação precoce do distúrbio, pois a dislexia não é uma doença, logo não tem “cura”, por isso deve-se ter um apoio pautado na saúde e na educação. “O tratamento adequado deve estar centrado na escola, nos gestores educacionais, professores, profissionais e no envolvimento e apoio assíduo da família para estimular e otimizar as condições do indivíduo com dislexia”, afirma Simone.

 

As principais abordagens terapêuticas adotadas pelos profissionais são baseadas nos princípios básicos da aprendizagem, na leitura, no processo de transformação grafema-fonema (encontrar a pronúncia de um vocábulo dado na sua forma escrita) e no reconhecimento global da palavra, organizando estímulos verbais, visuais e auditivos. A professora Simone explica que, para o tratamento, podem ser utilizados recursos como: integrações sensoriais; exposições lúdicas e esquemáticas por meio de recursos audiovisuais; mapas mentais; organização lógica; atividades de memória; organogramas, gráficos, e conteúdo organizado visualmente, além de outras estratégias para mobilizar os processos cognitivos.

"No quarto ano, eu ainda não estava plenamente alfabetizado, e, para os mais críticos, até hoje não estou"

Para o professor Luciano Schuch, o suporte familiar e profissional teve papel fundamental, pois foi graças aos pais e à fonoaudióloga que ele conseguiu se alfabetizar: “No quarto ano, eu ainda não estava plenamente alfabetizado e, para os mais críticos, até hoje não estou.” Além da facilidade com números e raciocínio lógico, o apoio recebido também permitiu que devolvesse habilidades de comunicação e memorização, bem como outras estratégias para driblar as dificuldades com a leitura e a escrita. “Mesmo hoje, como reitor, não consigo fazer um discurso escrito para ler na hora do pronunciamento. Apenas organizo o raciocínio para que seja sempre espontâneo, falado”, complementa. 

 

Entre outras situações, ele percebe a dificuldade de identificar onde colocar entonação na palavra. Schuch conta que não lê sílaba por sílaba; ele começa a leitura e adivinha os vocábulos ou até mesmo frases inteiras, e por isso comete erros com frequência. Em outros momentos, tende a “engolir” palavras: “Só descubro que “engoli” quando a leitura é em voz alta e alguém sinaliza, ou quando releio algo que escrevi e percebo a falta de sílabas ou de palavras inteiras, especialmente elementos de ligação.” 

 

Apesar dos deslizes na leitura, o professor universitário não abandona o hábito de ler histórias de dormir para o filho de nove anos, e comenta: “Com frequência, ele me corrige pelas trocas de palavras que mudam o significado da frase ou a tornam engraçadas e sem sentido. Damos risadas juntos.” 

 

Nos últimos anos, a difusão do conceito de neurodiversidade, que define as variações naturais do cérebro humano, tem contribuído para desestigmatizar a percepção negativa que existe em relação aos transtornos neurodivergentes. Anualmente, no mês de outubro, organizações do mundo inteiro se mobilizam em torno de ações de sensibilização sobre a dislexia. 

 

Professora Simone salienta a necessidade de ações inclusivas e da busca de recursos eficazes por meio da pesquisa científica: “Com os recursos necessários (essas pessoas) conseguem se destacar nas atividades que realizam e conquistar carreiras de sucesso, pautadas em talento, inteligência e criatividade”. Além disso, a docente enfatiza a necessidade de entender que todo o aluno tem suas diversidades, o que não difere do aluno com dislexia. 

 

Entre tantos outros elementos que constroem a subjetividade dos indivíduos disléxicos e fazem parte dos seus cotidianos, o transtorno é apenas um deles. Sobre preconceito e rotulações negativas, o professor Luciano afirma que, esses sim, podem limitar o potencial de qualquer indivíduo. Com o tempo, o atual reitor da UFSM  aprendeu que não precisava sentir medo e vergonha, e esse foi o pontapé para o seu êxito: “Pode ser mais difícil e tenho que transpirar mais que muitas pessoas, mas sempre me adapto e sigo em frente. Me “atiro” nos desafios da vida sem medo de ser julgado e tem dado certo”, finaliza Schuch.

Expediente:

Reportagem: Jéssica Medeiros, acadêmica de Jornalismo e estagiária;

Design gráfico: Cristielle Luise, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista;

Fotografia: Pedro Amaral, editor da TV 55BET Pro;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Camilly Barros, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária; e Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.

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Curiosidades – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/voce-sabe-o-que-e-uma-gala-lirica Mon, 29 Aug 2022 13:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9478

Gala lírica (também chamada ópera gala) é uma modalidade de concerto que uma orquestra sinfônica pode realizar. Diferentemente de uma ópera, que é produzida de modo mais teatral, com presença de diversas vozes e  cuidado com a montagem de cenário, figurino e iluminação, a gala lírica traz trechos cantados sem a encenação. O objetivo principal desse tipo de concerto é a apresentação de cantores que têm uma formação voltada para o canto lírico.

Entender as semelhanças do espetáculo com a ópera se faz importante para notar as especificidades de cada uma. Uma ópera reúne música e dramaturgia e sua origem enquanto arte moderna remonta ao século 16, na Itália. A obra “Dafne”, de Jacopo Peri e Ottavio Rinuccini, é conhecida como a primeira composição considerada uma ópera. No entanto, ela não resistiu ao tempo e teve fragmentos perdidos. A primeira ópera escrita e que se encontra preservada até a atualidade é “Eurídice”, de 1601, também produzida por Jacopo Peri, com contribuição de Giulio Caccini.

Descrição da imagem: Ilustração horizontal e colorida de uma mulher em primeiro plano. Ela veste vestido rosa claro pomposo, tem pele branca e cabelos loiros presos em coque; está com os olhos fechados, a boca aberta e uma mão sobre o peito; ela está de perfil. Ao fundo, sombra de homem com instrumento. A sombra está em preto. Há uma linha horizontal azul com foco na mulher. O fundo é preto.

O barítono e professor do Departamento de Música da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Roberto Oliveira, destaca que, em uma gala lírica, o foco está na música. Os cantores entoam repertórios do canto operístico, como árias (canções entoadas por um determinado musicista para o público), duetos e conjuntos vocais de diferentes obras, geralmente aquelas consagradas ao longo dos anos. Assim, a gala lírica costuma trabalhar com a seleção e apresentação de trechos de diferentes óperas.

Outra característica que diferencia a gala lírica da ópera é a presença da orquestra no palco. Nas óperas, é comum que a orquestra fique no fosso (parte mais baixa no palco do teatro), uma vez que o palco é ocupado para a encenação. Já na gala lírica, a orquestra pode estar atrás dos cantores. Muitos espetáculos do tipo também contam com a presença de um coral, que acompanha os músicos.  

O professor enfatiza a diferença de encenação existente entre a ópera e a gala lírica: “A gala lírica é a obra em concerto, enquanto que a ópera em si é uma montagem teatral de toda a obra com início, meio e fim. Podemos ter um pouco de encenação na gala lírica, mas não se compara à ópera”. Ou seja, a gala lírica tem foco na parte musical, enquanto a ópera une música e dramaturgia. Além disso, o professor ressalta que o termo ‘gala’ remete a um estilo de roupas específico, como o uso de ternos e vestidos longos, normalmente utilizados pelos integrantes do concerto.

No dia 30 deste mês, a UFSM comemora a reabertura do Centro de Convenções. Nessa data, ocorrerá a apresentação de uma gala lírica, com a presença da Orquestra Sinfônica de Santa Maria e cantores convidados, que estarão sob a regência do maestro Cláudio Ribeiro. O professor Roberto Oliveira, que também estará entre os convidados do evento, comentou sobre a importância da Orquestra Sinfônica para a região: “Nós temos aqui todos os naipes de instrumentos musicais que constituem a formação tradicional de uma orquestra sinfônica. Ela tem ganhado cada vez mais espaço dentro do cenário cultural aqui da região e a presença da população nos eventos é muito importante”, ressalta. 

Apesar de se tratar de um evento cujo nome evoca o uso de vestimentas de gala, não é necessário utilizar esse determinado estilo de roupas para prestigiá-lo. Óperas, galas líricas e demais concertos ficaram muito tempo restritos a uma classe social com maior poder aquisitivo. No entanto, hoje esses eventos acontecem em um maior número de locais e por valores mais acessíveis. Espaços de fomento à cultura, como universidades, também se tornaram importantes pontos de acesso a esses espetáculos.  Mais informações sobre o evento, atrações e como participar podem ser encontradas nas redes sociais da Orquestra Sinfônica.

Para saber mais:

Para se aprofundar acerca de diferentes concertos e espetáculos, torna-se interessante conhecer alguns termos, como a classificação das vozes, que se diferenciam entre as agudas e as mais graves. Para as vozes femininas, soprano é denominação dada à voz mais aguda, mezzo-soprano é a voz intermediária – um pouco mais grave que a soprano, já a contralto é a voz mais grave. Para as vozes masculinas, tenor é o nome dado à voz mais aguda, barítono é a voz intermediária entre o agudo e o grave e baixo é a voz com tonalidade mais grave.

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Edição geral: Luciane Treulieb, Mariana Henriques e Maurício Dias, jornalistas.

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Curiosidades – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/voce-sabe-como-surgiu-o-violoncelo Thu, 25 Aug 2022 16:36:02 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9476

Não existem respostas exatas para perguntas sobre a invenção do violoncelo, mas evidências observadas ao longo da história apontam para as suas primeiras aparições. De acordo com a professora do Departamento de Música da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Ângela Maria Ferrari, o que se pode dizer é que registros encontrados em pinturas do século 16 retratam instrumentos de formatos semelhantes aos que são conhecidos hoje como os pertencentes à família do violino, entre eles o violoncelo, também chamado de “cello”.

 

A evidência mais antiga está nas pinturas de Gaudenzio Ferrari, pintor e escultor italiano. No afresco “O Concerto dos Anjos” (1534-1536), são retratados anjos que cantam enquanto outros tocam instrumentos de cordas, entre eles um violino, uma viola, e um violoncelo — com apenas três cordas. Por volta de 1665, o violoncelo é citado em sonatas italianas como um diminutivo para o violine, “grande viola”, ou instrumento baixo da família do violino. 


O violoncelo com mais similaridades ao encontrado atualmente teve suas características estabelecidas pela família Stradivari, artesãos de instrumentos de cordas, em 1680. A partir disso, entre os séculos 17 e 18, o instrumento se tornou ainda mais popular ao ser utilizado por grandes compositores como Johann Sebastian Bach, em Seis Suítes para Violoncelo Solo, e Ludwig Van Beethoven, na Sinfonia nº 5.

Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida, em primeiro plano, de um violocenlo em cor caramelo apoiado nas pernas de um homem sentado.

“Tanto a viola de arco quanto o violoncelo surgem a partir da necessidade de suprir a sonoridade dos graves da família dos violinos”, afirma a professora Ângela. Hoje, o violoncelo tem quatro cordas afinadas nos intervalos de quinta: Dó – Sol – Ré – Lá – do grave para o agudo. Um intervalo é a distância entre duas notas, por exemplo, entre o intervalo de Ré e Lá existem cinco notas: Ré, Mi, Fá, Sol, Lá. E, ainda, o conjunto de notas atingidas (tessitura) pelo cello é amplo, a extensão das notas vai do Do1 ao Mi5. As partituras do violoncelo podem ser escritas em três diferentes claves, as notas mais graves são escritas na clave de Fá e as mais agudas, utilizadas pela viola e violino respectivamente, são escritas na clave de Dó na quarta linha, região média ou “tenor”, e na clave de Sol na segunda linha. Isso porque, quando os violoncelistas precisam tocar notas mais agudas, é necessário mudar para a clave de um instrumento mais agudo.

 

O violoncelo cobre uma grande extensão da voz humana e pode ser ouvido tanto na voz do baixo, a mais grave das vozes masculinas, quanto na voz do soprano, a mais aguda das femininas. Em uma peça musical, sua sonoridade é capaz de evocar diferentes emoções. Além disso, a professora chama a atenção para os timbres, comumente chamados de “qualidade do som”, ou seja, frequências que compõem a onda sonora emitida pelo instrumento. Uma mesma altura de nota pode ter timbres diferentes em instrumentos diferentes. “O timbre do violoncelo, para mim, é muito aveludado, melodioso e cheio”, complementa a docente. 

 

A amplitude da tessitura e a singularidade do timbre do violoncelo são muito exploradas por compositores ao longo da história da música. Além de ser usado em orquestras e em músicas eruditas, o cello aparece também no repertório de grupos de música popular contemporânea dos mais variados gêneros — Apocalyptica, Yo-Yo Ma, 2Cellos, Rasputina são alguns dos nomes de artistas populares. 


No bacharelado em Violoncelo da UFSM, os alunos também praticam e estudam a inserção do violoncelo na música contemporânea. Para a professora Ângela, o uso do cello em outras mídias, assim como na trilha sonora de filmes e novelas, contribui para a sua popularização, uma vez que atinge um público além de músicos e apreciadores da música clássica.

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Reportagem: Jéssica Medeiros, acadêmica de Jornalismo e estagiária;

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Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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Curiosidades – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/por-que-o-homem-nao-voltou-a-lua Wed, 20 Jul 2022 12:26:41 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9409 Em 20 de julho de 1969, o homem chegou à lua, em um feito que marcou a história mundial. As primeiras iniciativas de viagens espaciais datam do pós Segunda Guerra Mundial e ganharam força e expansão com os desdobramentos geopolíticos da Guerra Fria (1947-1991). A partir disso, o espaço sideral começou a ser utilizado como ambientação para diversos produtos da cultura pop. Para além de exemplos como os filmes “2001” e “Interestelar”, os estudos sobre o espaço, os planetas e as galáxias são relevantes do ponto de vista científico e suscitam contínuas inovações tecnológicas que impactam o cotidiano da sociedade, desde a criação de robôs para a exploração de outros planetas até materiais que possibilitaram o surgimento das câmeras de celulares.

Descrição da imagem: colagem horizontal e em tons de cinza, branco e preto de astronautas, de um foguete e da lua. No centro da imagem, em tamanho grande, a lua, em cinza, com a superfície arredondada e esburacada, e a parte da direita escondida por sombra preta. Sobre a lua, na parte superior e inclinado à esquerda, pessoa em pé, que veste roupa de astronauta branca com detalhes em listras vermelhas na altura da coxa, capacete espacial com visor espelhado e equipamento com oxigênio nas costas, usado da mesma forma que uma mochila, e que tem uma câmera pequena acoplada. Na parte superior direita da imagem, sobre a lua, foguete espacial desfocado, em formato de cilindro com a extremidade frontal pontuda; o foguete tem cor bege e detalhes em marrom. Na parte inferior direita da imagem, atrás da lua e inclinado para baixo, em diagonal, astronauta em tamanho maior, com roupa espacial bege, capacete espacial com visor espelhado e mochila espacial nas costas. No canto inferior direito, em desfoque, detalhe do planeta Terra nas cores azul, verde, branco e cinza. Um pouco acima da terra, mais ao fundo, em desfoque, hexágono amarelo com um círculo no centro. O fundo é preto.

A missão tripulada conhecida como “Apollo 11” foi uma iniciativa do governo dos Estados Unidos que, durante a Guerra Fria, disputava com a União Soviética a imagem de ‘superpotência’. Além de uma iniciativa científica, a viagem e a capacidade de levar uma tripulação ao espaço se consolidou como um marco, em uma guerra que foi, acima de tudo, simbólica. Nesse período, a União Soviética teve grandes feitos, muitas vezes à frente dos norte-americanos, como o primeiro foguete a entrar em órbita e a primeira viagem tripulada, mas julho de 1969 viria a mudar isso. 

 

A preparação da Apollo 11 iniciou meses antes, numa tentativa da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) demonstrar sua capacidade técnica e organizacional. Em 16 de julho de 1969, com todos os módulos já testados e os três integrantes da tripulação preparados, o foguete foi lançado. No dia 20, o módulo pousou na lua. O comandante da missão, Neil Armstrong, se tornou a primeira pessoa a pisar na lua e cunhou a famosa frase: “Um pequeno passo para o homem e um grande salto para a humanidade”.

O pesquisador e professor do Departamento de Eletrônica e Computação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Marcelo Serrano Zanetti, destaca que a chegada bem sucedida da Apollo 11 impactou os desdobramentos da Guerra Fria e tornou os Estados Unidos um centro de poderio tecnológico. Isso influenciou as futuras expedições ao espaço. Mas outros setores da vida em sociedade também foram impactados pelas explorações espaciais, como as redes de comunicação – que passaram a ser realizadas por meio de satélites. Marcelo lembra que o uso do Sistema de Posicionamento Global (GPS), presente em quase todos os dispositivos móveis, é uma herança da ida ao espaço.

Mas por que o homem não voltou à lua?

Apesar de ter se tornado um marco na viagem espacial, a experiência de 1969 foi sucedida apenas por outras seis expedições, todas enviadas pela Nasa e denominadas “Apollo”.  Ao todo, 12 pessoas caminharam pela superfície lunar e 24 viajaram à lua. Durante a viagem da Apollo 13, a terceira missão tripulada enviada à lua, nenhum integrante da tripulação desceu no satélite natural da Terra, por motivos de problemas com um tanque de oxigênio da nave.

O foco das viagens espaciais mudou nos últimos anos, isso porque a lua não é um local com grandes possibilidades de exploração científica. Marcelo destaca que os ganhos científicos de pisar na lua já foram atingidos, uma vez que a grande demanda de investimento necessária não corresponde às possíveis vantagens  que podem ser alcançadas em novas expedições.

Além disso, colocar uma tripulação em órbita também se tornou um impedimento. Levar pessoas ao espaço exige uma grande quantidade de equipamentos e de tempo, uma vez que diversos treinamentos são exigidos, além de equipamentos para sobrevivência da tripulação e coleta de informações. As expedições enviadas, em geral, contam apenas com robôs e equipamentos de tecnologia avançada, como equipamentos fotográficos capazes de registrar as especificidades de diferentes locais.

Novas perspectivas para o turismo espacial

Ir ao espaço pode ser o sonho de muitas pessoas, mas ainda está longe de ser uma viagem acessível à população. Algumas empresas privadas vêem o espaço como um local possível de exploração comercial, em que indivíduos poderiam adquirir viagens para ficar em órbita por algum período. Um exemplo está na SpaceX, do empresário Elon Musk, que promete ser capaz de oferecer viagens espaciais de curtos períodos. 

 

Marcelo destaca que iniciativas privadas podem ser interessantes a longo prazo, uma vez que possibilitam aos cidadãos a exploração do universo e o fomento de novas descobertas na área da pesquisa. No entanto, cabe pontuar que, para  ir ao espaço, um  grande valor em dinheiro tem de ser desembolsado. Dados da Revista Time e compilados pela Folha de São Paulo mostram que o idealizador da Inspiration4, missão da SpaceX que levou civis à órbita da Terra, pagou cerca de 200 milhões de dólares por quatro lugares na viagem, que ocorreu em 2021. Ir ao espaço ainda é algo restrito às pessoas com elevado poder aquisitivo, o que está longe da realidade de grande parcela da população mundial.

O pesquisador enfatiza a necessidade de cuidado com a regulamentação dessas expedições, que podem gerar um aumento da produção de lixo espacial. No caso brasileiro, ainda não há perspectivas de viagens espaciais feitas com módulos nacionais. O país ainda não tem foguetes capazes de se manter em órbita e o investimento nessa área é menor que o de outros países, que já têm uma longa trajetória de desenvolvimento aeroespacial.

 Para saber mais:
Projeto Webservatório: é uma parceria entre o Centro de Tecnologia (CT) e o Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), que busca expandir e revitalizar o observatório astronômico da UFSM.

Expediente:

Reportagem: Milene Eichelberger, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

Design gráfico: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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Curiosidades – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/voce-sabia-que-a-populacao-mundial-esta-perto-de-atingir-a-marca-de-8-bilhoes-de-pessoas Sat, 09 Jul 2022 13:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9380

Atualmente, são mais de 7,9 bilhões de pessoas que compõem a população mundial. O número, que em 2021 era de 7,8 bilhões, tende a continuar crescendo. Os dados são do Institut National D’Etudes Démographiques (Instituto Nacional de Estudos Demográficos) da França. Gilda Benaduce, professora do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pesquisa a área de geografia humana e população mundial. Ela afirma que, apesar de que o crescimento demográfico teve um salto de um bilhão em apenas onze anos, esse é um processo que se desenvolve desde 1974. “São os efeitos das melhorias em saúde e em infraestrutura tanto dos países desenvolvidos quanto daqueles em desenvolvimento”, ressalta.

Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida de uma multidão de pessoas em uma rua arborizada.
Imagem de arquivo: PixaBay.

Para Gilda, mais do que atentar para a quantidade de pessoas no mundo, é necessário olhar para o modo como as populações vivem. “Em que condições sociais, econômicas e ambientais essas populações estão assentadas no globo terrestre? A quantidade populacional expressa as diligências a serem tomadas pelos países para permitir o equilíbrio com o meio ambiente”, questiona. Gilda reitera que a marca de 8 bilhões de pessoas está próxima de ser alcançada, e que é necessário que haja preparação, por parte dos países, por meio de planejamento e políticas públicas que atendam a esse aumento demográfico.

 

A pesquisadora destaca que o aumento das desigualdades sociais e a pressão sobre os recursos naturais podem ser efeitos do crescimento populacional. No entanto, ela evidencia que, no caso de existir políticas governamentais adequadas, isso não ocorreria. “O aumento populacional não é responsável pelas mazelas do mundo contemporâneo, mas sim um sistema econômico que é pouco preocupado com a sociedade que explora”, reitera.

Expediente:

Reportagem: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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