Educação – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco Jornalismo Científico e Cultural Tue, 14 Feb 2023 11:15:44 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Educação – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco 32 32 Educação – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/toda-cidade-ensina-o-uso-da-tecnologias-como-o-tiktok-para-popularizar-as-ciencias-da-natureza Fri, 08 Jul 2022 17:01:28 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9378

 

Jardim Botânico, Mantenedouro São Braz e Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA) são locais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da região que se tornaram salas de aula virtuais para alunos da rede básica durante a pandemia. A iniciativa, que visa contribuir para o aprendizado de conteúdos relacionados às ciências da natureza, é do projeto Toda Cidade Ensina, que explora o potencial de espaços não formais de educação para a produção de vídeos voltados a professores e alunos. Luiz Caldeira, professor do Departamento de Metodologia do Ensino do Centro de Educação e coordenador do projeto, explica que os espaços escolhidos têm forte conexão com a comunidade e oferecem possibilidade criativas para compartilhar o conhecimento: “Queríamos tratar de vários aspectos da diversidade: bicho, planta e fóssil”. As atividades do Toda Cidade Ensina também promovem uma experiência diferente na formação dos acadêmicos do curso de Ciências Biológicas da UFSM, uma vez que estimula a divulgação científica como um campo de atuação para os licenciados.

Descrição da imagem: Ilustração horizontal e colorida de um homem em frente a uma câmera. Ele tem pele negra clara, é calvo, com uma faixa de cabelo preto na lateral, bigode preto, olhos pretos e grandes. Veste suéter azul marinho sobre camisa cinza e gravata cinza, e calça laranja. Está com os braços levantados e a boca aberta. Está de perfil, e está parado em frente a uma câmera preta sobre tripé. O fundo é um bosque de árvores na cor verde médio, e o céu azul.

O projeto nasceu em 2020, ainda no período de isolamento social por conta da pandemia e, por isso, a tecnologia foi uma grande aliada. Keiciane Canabarro Drehmer, atualmente professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e colaboradora do projeto, conta que um dos desafios que motivou os integrantes foi trabalhar com formatos que provocassem interesse nos jovens. “É justamente instrumentalizar esses acadêmicos em formação, que amanhã estarão nas escolas, para terem essas tecnologias digitais como suporte para o ensino”, explica.

Alfabetização científica como objetivo

Temas como a nutrição vegetal e efeitos da extinção de espécies animais estão entre as temáticas abordadas nos vídeos. A seleção dos assuntos conta com o apoio de professores da educação básica que atuam no dia a dia das escolas e executam o papel de consultores de conteúdo. Um deles é Róger Sá, educador de Biologia na Escola Estadual de Educação Básica Professora Margarida Lopes. Ele observa que a utilização de linguagens dinâmicas em sala de aula contribui na compreensão de conteúdos científicos por parte dos alunos: “Os espaços não formais auxiliam na formação da visão globalizada do mundo”, ressalta. 

 

Além dos vídeos temáticos, também foram desenvolvidos materiais complementares com sugestões de atividades didáticas para professores trabalharem em sala de aula. Dentre eles, estão três cartilhas publicadas pela Série Extensão, que contém textos explicativos, esquemas, links e jogos.

Camilo Costa, acadêmico do curso de Ciências Biológicas – Licenciatura na UFSM, é bolsista do projeto e atuou na produção e apresentação dos vídeos. Ele vê a capacitação da comunidade como um dos objetivos do projeto, o que auxilia na compreensão da ciência presente no cotidiano: “O projeto consegue unir duas áreas que eu considero muito importantes, que é a comunicação e a educação. Em conjunto elas têm um grande poder na divulgação da ciência e no processo de ensino-aprendizagem”. 

O Toda Cidade Ensina atua em parceria com outro projeto da UFSM: o Rede Básica. Ambos desenvolvem materiais didático-curriculares e se preocupam em olhar para os estudantes do ensino básico que não têm acesso a ambientes virtuais. Por isso, além das mídias sociais como Instagram, TikTok e YouTube, o conteúdo é veiculado em emissoras públicas como a TV 55BET Pro e Rádio Universidade AM e UniFM. De acordo com o coordenador, o objetivo é trabalhar cada vez mais com produções em multiplataforma.

Expediente:

Reportagem: Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

Design gráfico: Vinícius Bandeira, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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Educação – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/disciplinas-ingles-intercambio-em-sala-aula Wed, 08 Jun 2022 13:33:51 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9317

Um ambiente internacionalizado dentro da própria Universidade, com trocas de experiências e culturas: já pensou em como isso pode ser possível na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)?

English as a Medium of Instruction (EMI) é uma prática que vem crescendo no mundo, principalmente em lugares que buscam a globalização por meio da educação internacional. O conceito começou a ser usado na UFSM ainda em 2019. Naquele ano, a comunidade acadêmica respondeu um questionário para levantar dados acerca do conhecimento e domínio de idiomas estrangeiros, bem como o interesse em realizar disciplinas ministradas em línguas diferentes do português.

Descrição da imagem: ilustração horizontal e colorida de uma sala de aula. Na parte inferior da imagem, em primeiro plano, uma mesa horizontal em tom com, com dois alunos sentados em cadeiras de cor mostarda. Eles estão de costas. Na esquerda, mulher loira de pele branca, veste blusa azul clara e calça azul marinho. Na direita, homem de pele negra e cabelos pretos e curtos, veste blusa laranja. Atrás, quadro horizontal na cor verde escuro, com a frase, em giz branco, "The harder I work, the greater my look seems". Ao lado, na direita da imagem, mulher de pele branca, cabelos escuros e lisos, olhos escuros, que veste vestido azul marinho, está com os braços abertos e a boca aberta. O fundo é uma parede lilás.

Na tradução literal, a sigla EMI significa “inglês como meio de instrução”, ou seja, o idioma estrangeiro é usado para ensinar conteúdos de diferentes disciplinas e distintas áreas como matemática, geografia, engenharia e filosofia. “O EMI é visto como uma ferramenta que permite a comunicação para promover conexões globais e a cooperação acadêmica internacional”, comenta Igor Castellano, professor de Economia e Relações Internacionais na Universidade.

Por que o inglês?

Segundo  Castellano, o inglês é uma língua muito importante para todos os cursos de graduação e pós-graduação, principalmente para aqueles que trabalham com textos e manuais redigidos em língua inglesa, como é o caso de Relações Internacionais. De acordo com o professor, desde o início do curso os alunos são incentivados ao aprendizado da língua estrangeira. O inglês é considerado o mínimo denominador comum para o meio científico e os profissionais que trabalham com questões relacionadas à integração de diferentes países e línguas.

Aulas totalmente em língua inglesa

Aulas em inglês mas que não são de inglês. Na UFSM, os alunos podem realizar disciplinas do seu próprio curso que são ministradas em língua inglesa. Segundo Graciela Hendges, professora do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas,  isso já aconteceu nos cursos de graduação em Economia, mas não teve prosseguimento. Atualmente, alunos dos cursos de pós-graduação têm essa oportunidade. A iniciativa não está ligada a um curso específico, ou seja, podem atender a todos os Programas de Pós-Graduação da UFSM. A ideia, conforme Graciela, é que, ao longo dos anos, outros cursos também tenham estrutura para oferecer a mesma oportunidade aos seus discentes. 

O professor Castellano conta que, ainda em 2019, havia um grande receio em relação à oferta de disciplinas por parte do corpo docente permanente dos programas de pós-graduação em Economia e Relações Internacionais. Após pesquisas sobre métodos e formas de praticar o inglês como meio de instrução na Universidade, foi formado um corpo com 10 docentes. Para Castellano, as disciplinas ofertadas em inglês “são uma forma de estimular a vinda de estudantes estrangeiros para a Universidade, bem como proporcionar aos alunos brasileiros a experiência de intercambialidade”.

Em 2022 foram criadas, oficialmente, as primeiras turmas em inglês. A dinâmica utilizada pelos professores varia, mas em todas elas a base utilizada é o idioma estrangeiro. Segundo Castellano, que é docente na disciplina de  Advanced Deminar on International Security Strategy and Defens chama atenção o esforço e interesse dos alunos na participação nas aulas. A primeira aula foi ministrada no dia 6 de maio e, para o professor, foi um momento histórico para a UFSM. Ele menciona que foi importante estabelecer uma familiaridade com o idioma desde antes do início das aulas. Para isso, alguns métodos foram estabelecidos: o idioma adotado no Moodle é o inglês, bem como as mensagens e emails enviados aos alunos. 

Para Rafaella Pelliccioli, aluna da disciplina ministrada pelo professor Castellano, a oferta dessa modalidade de ensino oportuniza a equidade entre os alunos, pois todos aprendem juntos. “Existe uma hierarquia do professor com o aluno, mas todos estão ali pelo mesmo objetivo, e todos vêem aquilo como um desafio, isso demanda um esforço maior de cada um”, ressalta. Rafaela considera as discussões trazidas em língua estrangeira uma forma de abrir espaço para aprender mais sobre o curso escolhido.

Além da disciplina ministrada pelo professor Castellano, que já está com as aulas em andamento, outras cinco disciplinas foram criadas e serão ofertadas no segundo semestre de 2022, como informa a Secretaria do Programa de Pós Graduação da UFSM. São elas:

  • Entrepreneurship and Innovative Business Models (Empreendedorismo e modelos de negócios inovadores)

Aborda tópicos sobre o desenvolvimento empreendedor e geração de modelos de negócios inovadores em diversas áreas de atuação. Tem carga horária de 15 horas.

  • Introduction to Academic Writing in English (Introdução à escrita acadêmica, em inglês)

Ensina sobre a escrita acadêmica em inglês. Tem carga horária de 15 horas.

  • Introduction to the Philosophy of Science (Introdução à filosofia da ciência)

Introduz as principais questões filosóficas sobre o conhecimento científico e sua metodologia e debate a realidade da ciência. Tem carga horária de 30 horas.

  • Open Science (Ciência Aberta)

Com caráter prático, estuda os princípios da Ciência Aberta e o impacto pessoal que isso pode ter sobre os pesquisadores e sua pesquisa. Tem carga horária de 30 horas. 

  • Research Seminars and Projects (Seminários e Projetos de Pesquisa)

Promove a leitura, interpretação e revisão de revistas científicas conforme a área de interesse do aluno.

Para o professor Castellano, que recomenda o aprendizado da língua inglesa desde o início da graduação, a oferta de disciplinas em inglês estimula a capacidade de comunicação no idioma, que é a base da própria ciência que os alunos aprendem. A experiência de intercambialidade nasce ainda dentro da sala de aula, além de essa ser também uma forma de estimular o intercâmbio de alunos estrangeiros, que se sentem acolhidos em uma sala de aula que fala seu idioma nativo.

Veja os cursos ofertados pela UFSM de línguas estrangeiras

– A Rede Andifes IsF promove de forma gratuita a discentes, docentes e técnico-administrativos, cursos de alemão, espanhol, francês, inglês, italiano e português para estrangeiros. As 1.100 vagas ofertadas já foram preenchidas. Novas turmas devem ser abertas no segundo semestre através de edital no site da Andifes.

 

O Projeto Línguas no 55BET Pro (Linc) ministrou aulas online para alunos com Benefício Socioeconômico (BSE) durante o segundo semestre de 2021. As próximas turmas podem ser acompanhadas pela página do projeto no Facebook.

 

A Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas iniciou dia 20 de abril uma nova turma do Curso de Inglês Básico – Módulo I. O curso é ofertado para alunos e ministrado pelo servidor Marcelo Tascheto da Silva. Novas turmas devem ser divulgadas no Portal de Capacitação da UFSM.

O professor também é beneficiado nessa relação, porque, ao planejar as aulas, exercita o idioma e as diferentes formas de se comunicar de uma maneira clara e precisa. 


O projeto “Inglês como meio de instrução na UFSM: políticas, percepções e implementação em direção à internacionalização”, coordenado pela professora Graciela Hendges, realizará um evento no dia 10 de junho, no Miniauditório 109 do CTE da Universidade. De acordo com a Secretaria de Apoio Internacional (SAI) da UFSM, durante o evento haverá discussão com docentes interessados sobre possíveis estratégias institucionais para o desenvolvimento e implementação de EMI. O “I Simpósio de Inglês como Meio de Instrução (EMI) na UFSM”  terá a participação da pesquisadora convidada Ana Luiza Pires de Freitas, docente do Departamento de Educação e Humanidades da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFSCPA). Para participar do evento não é necessário realizar inscrição prévia. O simpósio também terá transmissão online pelos portal da UFSM no Youtube.

Expediente:

Reportagem: Tayline Alves Manganeli, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

Design gráfico: Vinicius Bandeira, acadêmico de Desenho Industrial e estagiário;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Ludmilla Naiva, acadêmica de Relações Públicas e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Relações Públicas: Carla Isa Costa;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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Educação – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/pesquisa-de-dida-larruscain-aborda-saberes-profissionais-de-musicodocentes-%ef%bf%bc Fri, 08 Apr 2022 12:00:14 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9162

Ediana Torres Freitas Larruscain é licenciada em Música, bacharela em Canto e mestra em Educação pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Em 2021, Dida Larruscain – seu nome artístico – participou do Programa The Voice Brasil, da Rede Globo e, durante as audições às cegas – fase inicial do reality -, defendeu a arte e a educação. 

Também no ano passado, Dida finalizou a dissertação “Grupo VocaPampa: Narrativas sobre saberes profissionais de musicodocentes”. O tema da pesquisa foi construído a partir de percepções acerca de saberes profissionais, captadas durante os ensaios, discussões e produções vinculadas ao desenvolvimento de atividades musicais do conjunto vocal a cappella, do qual ela também participa, o Grupo Vocal VocaPampa. O grupo é formado por músicos e professores de música que atuam ou já atuaram na UFSM. Dida destaca em seu trabalho que musicodocentes é a junção das palavras músico e docente e  propõe que o termo envolva as respectivas atividades profissionais de professores de música e performers

Em entrevista para a Revista Arco, Dida Larruscain contou mais sobre o seu trabalho:

 

Arco: O que motivou você a desenvolver o projeto – “Grupo VocaPampa: Narrativas sobre saberes profissionais de musicodocentes”? 

 

Dida Larruscain: Eu estava sem temática para desenvolver a dissertação. Nós temos que escrever o anteprojeto, e eu estava sem ideias. Conversei com  meu pai antes de um ensaio do VocaPampa e ele comentou que o grupo era formado por professores que são cantores também. E, de fato, dentro do VocaPampa ocorre essa movimentação de conhecimentos, tanto de performance quanto de docência. A partir disso, veio a ideia de aproximar essas duas áreas para o anteprojeto. 

 

Eu pensava muito no porquê de as licenciaturas, às vezes, terem um tom pejorativo – por parte dos estudantes dentro da academia – em detrimento dos bacharelados. Isso acontece em vários cursos, não só no de Música. Foi uma coisa que sempre me intrigou e me incomodou, porque eu conheço vários colegas que são formados em licenciatura – que são professores de música – e são ótimos performers, são músicos maravilhosos. Isso me despertou a vontade de entender o porquê isso acontecia. No decorrer da pesquisa, as coisas mudam um pouco, nós encontramos novos referenciais, novas possibilidades, novos questionamentos.  

 

 

Arco: Poderia falar sobre a metodologia  utilizada para elaborar a dissertação?

 

Dida Larruscain: Comecei o mestrado antes da pandemia, em 2019. A ideia era fazer um trabalho com grupo focal sobre como são os ensaios do VocaPampa. Nesses ensaios, nós nos reuníamos e conversávamos sobre diversos assuntos. Com o início da pandemia, eu parti para as entrevistas narrativas, que têm uma questão disparadora e outras questões que são auxiliares. As entrevistas foram feitas pela plataforma Google Meet, gravei as entrevistas e depois fiz as transcrições. Cada entrevista gerou um caderno individual e, para analisar, usei a metodologia interpretativa compreensiva. Esse é um método elaborado e desenvolvido por um professor da UFSM, o Elizeu Clementino de Souza. É uma metodologia recente, de 2014. Eu consegui me aproximar muito mais dos pensamentos sobre os saberes docentes através dessa metodologia. Para mim, funcionou super bem, mas claro que, se fosse presencial, seria muito mais legal. Daria para aprofundar outras questões, não só das perguntas, mas também em como o entrevistado se comporta, sobre as suas emoções, risadas, choros, esse tipo de situação. No Google Meet a entrevista ocorre com mais dinamismo e eu entendo que isso ajudou a focar nas questões que estavam na pesquisa. Entre prós e contras,  através dessa metodologia, consegui chegar à conclusão do meu trabalho.  

 

Entrevistei os cinco integrantes do VocaPampa. O grupo tem seis componentes ao todo, e eu sou uma delas. As entrevistas foram na mesma semana, foram conversas corridas, uma atrás da outra. O processo mais lento foi a transcrição, porque teve entrevista que durou duas horas e trinta minutos. Foi muito conteúdo, um caderno de trinta páginas de conversa transcrita. Depois de transcrever, eu já sabia de cor o que poderia utilizar no trabalho. Criar as etapas de análise temática foi um processo mais rápido. Pelo dinamismo que o Google Meet proporciona, consegui fazer todas as entrevistas que queria, com bastante material e funcionou bem para essa pesquisa.               

      

Arco: A partir da perspectiva músico-educacional, como foi desenvolver um trabalho que envolve musicodocentes?

 

Dida Larruscain: Como eu comentei antes, essa questão de ser músico e ser professor de música é algo que sempre despertou a minha curiosidade, seja pelas minhas experiências, seja observando as experiências dos meus colegas. Queria entender o quanto a performance interferia no meu ser professora de música e o quanto as minhas aulas de música interferiam na minha performance. É a partir de uma perspectiva bem pessoal, de uma vontade de entender o porquê de os professores de música, às vezes, serem taxados como menos músicos. Já ouvi dizer que professor de música é um músico frustrado – isso eu acabei não colocando no trabalho, é algo que deve ser aprofundado em uma outra pesquisa Na dissertação, foquei mais nos saberes e nos conhecimentos que precisamos desenvolver, e quais desses conhecimentos são mais desenvolvidos no grupo VocaPampa. A questão, porém, do porquê de os professores de música serem taxados como menos músicos é uma questão que eu sempre ouvi e indaguei, por não acreditar nisso, por achar que uma coisa não está relacionada com a outra: não somos músicos ruins por sermos professores de música ou vice-versa, não somos professores ruins por tocar/performar bem. Essas foram questões disparadoras para desenvolver o trabalho. Eu identifico que o trabalho tomou um rumo mais teórico, pois aborda os saberes docentes, o saber da performance, os saberes profissionais da música. O que um profissional da música, sendo professor ou performer, precisa saber, precisa entender e que conhecimentos precisa desenvolver. O trabalho traz uma trajetória bem pessoal, mas o ato de desenvolver ele me fez perceber que as coisas não estão, necessariamente, sempre ligadas. Somos seres humanos, não somos certos, exatos, certeiros ou imutáveis. Estamos numa constante mudança e desenvolver esse trabalho foi isso: constantes adaptações.           

 

Arco: Como resultado de sua dissertação, você destaca que o grupo VocaPampa atua como um espaço complementar para pensar a docência em música e a performance. Poderia falar mais da importância de uma formação em música (licenciatura e/ou bacharelado) para essas áreas?

 

Dida Larruscain: Eu acredito que a formação acadêmica em música nos coloca em cenários possíveis da profissão, assim como eu coloquei na dissertação que o VocaPampa – e meus colegas concordaram – é um laboratório que serve como espaço complementar da academia e da vida real. É o meio do caminho profissional, apesar de termos um trabalho profissional com o VocaPampa, que envolve receber cachê. O profissional envolve receber remuneração, manter-se financeiramente com esse trabalho e o VocaPampa teve essa experiência. Não é um espaço só acadêmico ou só profissional, é um lugar a mais em que podemos ter essas experiências formativas, não necessariamente acadêmicas, mas também acadêmicas. É uma mescla do que fazemos em nossas vidas, que é o fazer música. Seja dentro da sala de aula, seja no palco e em todos os espaços que podemos ocupar como professores de música e músicos. O VocaPampa chega nesse lugar de ser mais um ambiente de desenvolver, criar, ampliar e aprimorar conhecimentos sobre a nossa vida e profissão.     

       

Arco: Como você descreveria a sua participação no ‘The Voice Brasil’ e qual a importância desse programa para a arte e a educação? 

 

Dida Larruscain : O The Voice foi um momento de muito engrandecimento para o meu eu artístico profissional. Acredito que a classe artística como um todo, não só a musical -ainda mais nesses momentos que estamos vivendo: – de pandemia e de isolamento-, sofreu e ainda sofre com os impactos pandêmicos na questão econômica. Entendo que o The Voice foi uma oportunidade de ir para o palco, ou melhor, voltar a ele. Fazia dois anos que eu não tinha a oportunidade de cantar num grande palco. Enquanto professora e como performer, me senti na obrigação de levantar a bandeira da educação e da arte dentro do programa. Além de me colocar na cena artística novamente, o programa me deu a oportunidade de erguer essas bandeiras e mostrar às pessoas que estavam assistindo que o professor de música pode cantar super bem e pode comunicar através da performance. A arte e a educação estão comigo há muito tempo: através das memórias do Facebook, me recordei que em um post de 2018 eu falei sobre essas temáticas. Isso já era uma pauta que me motivava na minha vida. O The Voice serviu como uma vitrine, uma baita vitrine, para eu poder reafirmar as bandeiras que eu defendo tanto. Essa foi a importância do programa para mim e para o que eu acredito. 

                

Arco: Os cortes de verbas para as áreas de pesquisa brasileira têm afetado o desenvolvimento científico no país. Qual a importância de uma pesquisa como a sua? 

 

Dida Larruscain: Uma pesquisa como a minha pode mostrar que ainda há pessoas na área das humanidades preocupadas em desenvolver ciência. Há pessoas preocupadas em criar materiais que possam ajudar outros professores a pensar na sua atuação profissional. Como eu mencionei antes, o licenciado em música ou licenciado em artes ainda tem o estigma de não ser considerado um profissional bom o suficiente para ‘dar a cara a tapa’, para produzir algo intelectualmente maravilhoso. Vemos que isso é mentira. Com a minha pesquisa, eu quis marcar e mostrar que sim, existem artistas, professores e arte-educadores, preocupados em produzir ciência, em produzir trabalhos científicos nas áreas de educação e artes, que sofrem com o rótulo: não merecem ser estudadas. Há o julgamento de que a música, a arte em geral, vem como um dom. Bom, se realmente fosse assim, não existiriam cursos superiores de artes no Brasil e no mundo inteiro. A minha pesquisa chega também para mostrar que artes é uma área que merece ser estudada, que é uma ciência, e que é algo importante para desenvolver pensamentos críticos. Por exemplo, hoje conseguimos ver a Anitta bater o primeiro lugar no ranking mundial do Spotify. Então, para o brasileiro que está sofrendo com tudo isso – com corte de verba na ciência, a desvalorização da profissão de professor, a desvalorização das artes e com a falta de incentivo governamental -, é um sinal de que é possível. A Anitta é quem ganha com o top mundial, mas somos nós, brasileiros, que nos orgulhamos em estar no topo do mundo. E é isso, a importância da minha pesquisa é o de mostrar que tem gente preocupada com a arte, que tem gente produzindo arte, e gente preocupada em produzir educação e ciência. Tem o FAPEM (Formação, Ação e Pesquisa em Educação Musical), um grupo em que estava inserida durante o mestrado, e é na UFSM. E a UFSM é uma universidade pública do interior que tem uma importância muito grande na produção de ciência. Nós somos uma afronta para as pessoas que não acreditam que a arte e a educação podem ser ciência e que aquilo que produzimos é muito bom.   

     

Arco: Gostaria de acrescentar algo que não foi perguntado?

 

Dida Larruscain : Eu gostaria de agradecer pelo convite feito pela Revista Arco. Esse convite chega pra mim como uma inter-relação, como uma mobilização dos saberes que eu tenho. Como foi posto nas perguntas: sim, eu sou o The Voice, eu sou a  professora, eu sou a cientista, eu sou a musicista, sou a Dida que é irmã, filha, prima, neta, enfim, sou várias formas. Gostaria de agradecer pela leitura e pela escuta atenta sobre o meu trabalho e quero dizer que a gente não é um só. Nós somos várias coisas, que acontecem ao mesmo tempo, por isso não devemos nos colocar em caixinhas. 

Expediente:

Entrevista: Gustavo Nuh, acadêmico de Jornalismo e bolsista.

Design gráfico: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista.

Fotografia: Léo Diaz

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário; e Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e voluntária;

Relações Públicas: Carla Costa;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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Educação – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/agricultura-familiar-prato-merenda-escolar Fri, 01 Apr 2022 12:07:55 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9151

A merenda escolar, principal refeição do dia para milhares de estudantes brasileiros em situação de vulnerabilidade, nem sempre teve o prato cheio com ‘comida de verdade’. Ela é determinada pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que foi criado em 1955 com o nome de Campanha da Merenda Escolar e configura-se como uma das políticas públicas mais antigas do país. No entanto, o programa era centralizado e os alimentos oferecidos aos estudantes eram, em sua maioria, industrializados, enlatados e pouco nutritivos. Em 2009, com a Lei nº 11.947, veio a regulamentação da alimentação escolar, que passou a garantir produtos orgânicos e mais saudáveis para os pratos dos refeitórios escolares. A legislação obriga que um mínimo de 30% dos recursos das compras públicas da alimentação escolar sejam destinados aos produtos oriundos da agricultura familiar.

Ilustração horizontal e colorida de uma paisagem colorida em pixel art. No lado esquerdo, uma propriedade rural: em cima, uma casa de tijolos amarelo queimado com telhado de telhas vermelhas; há um caminho de chão batido que liga a casa até os quatro canteiros de tomate e cenoura. Ao lado dos canteiros, um celeiro de armazenamento em formato de cilindro, com tijolos vermelhos à vista. Na estrada, caminhonete com caçamba cinza. Na propriedade, há macieiras e laranjeiras espalhadas e ela é preenchida com grama verde clara. Ao lado direito da casa, a estrada de chão se encontra com o asfalto. Ele tem uma bifurcação: no caminho para cima, leva ao RU, e para baixo, a uma escola. O RU é um prédio de dois andares azul com detalhes em preto, cinza e branco. Do lado esquerdo dele tem um caminhão caçamba branco com alimentos: cenoura, tomate e laranja. Abaixo, a escola é marrom e bege, e tem a parede vazada na parte do refeitório: há duas mesas redondas com quatro alunos sentados. Um deles é usuário de cadeira de rodas. Ao fundo, um balcão estilo buffet, com alimentos coloridos. Atrás dele, uma mulher negra com roupas brancas. Na frente, uma estudante de cabelos compridos, de costas. Na parede, cartazes coloridos com laranja e cenoura desenhados. Ao redor do caminho, do RU e da escola, há árvores verde escuras e grama verde clara. Ao fundo, montanhas em verde musgo e céu e nuvens em azul claro.

É sobre essa lei que um grupo de pesquisadores se debruçaram: queriam analisar os aspectos positivos e as dificuldades encontradas no processo de aplicação prática. O grupo é composto por dois pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), uma pesquisadora da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), outra da Universidade Comunitária Regional de Chapecó (Unochapecó) e outro da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O resultado do estudo foi publicado em documento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Um guarda-chuva e uma mudança

“O Programa Nacional de Alimentação Escolar, do Brasil, é referência no mundo inteiro”, diz Vanessa Ramos Kirsten, docente do Departamento de Alimentos e Nutrição no curso de Nutrição no campus da UFSM de Palmeira das Missões, e também participante da pesquisa citada. Vanessa afirma que a lei nº 11.947 faz parte de um guarda-chuva, o Programa Fome Zero, criado em 2003: “A gente tinha, à época, um governo que se preocupava muito com a segurança alimentar e nutricional e com a erradicação da fome, e havia estratégias intersetoriais para abraçar tudo isso”. Como uma das estratégias, criou-se o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que, com recursos federais, fazia compras de produtos da agricultura familiar para distribuição a populações em situação de vulnerabilidade. 

 

Outra tática foi a potencialização da alimentação escolar a partir da qualidade da comida, e também o fortalecimento econômico do lado da produção, que sofria com o aumento do êxodo rural: a agricultura familiar. O artigo 17 da lei nº 11.947 estabeleceu a obrigatoriedade de que todos os municípios usem no mínimo 30% dos recursos destinados às compras públicas da merenda escolar para alimentos da agricultura familiar, o que promoveu uma mudança estrutural no PNAE: “Essa é uma revolução que promove a melhora do cardápio”, afirma Vanessa. 

 

Com a porcentagem mínima de produtos da agricultura familiar, aumentam as chances de que estudantes tenham à disposição alimentos frescos, orgânicos, com menos agrotóxicos e menos industrializados. Além disso, dá autonomia aos municípios e permite a descentralização da gestão e da criação dos cardápios, uma vez que a legislação privilegia a produção local, os alimentos regionais e tradicionais do lugar em que a escola se encontra. A legislação ainda dá preferência aos agricultores familiares mais vulneráveis, pertencentes às comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas e assentados.

 

Para Óscar Torres Figueiredo, docente no Departamento de Engenharia Florestal no campus da UFSM em Frederico Westphalen e também participante do estudo, há o intuito de aproximar os agricultores com os consumidores para fortalecer a economia local, o que representa políticas públicas a nível federal e local que são pensadas e geridas em uma escala descendente. Isso envolve um trabalho conjunto entre escolas, profissionais da Nutrição, gestores públicos, técnicos do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, das cooperativas e dos próprios agricultores. “A comida e o alimento, neste caso, representam apenas a conclusão de esforço desde o agricultor, passando pelos gestores e que vai beneficiar o consumidor, porque a criança que vai nutrir-se com esse alimento sabe que é um alimento que vem do local, que é um alimento de qualidade”, destaca.

 

Óscar e Vanessa concordam que a iniciativa brasileira é pioneira, uma vez que vários países, principalmente da África e da América Latina, fizeram movimentos parecidos ao tentar associar as compras públicas e a agricultura familiar com a merenda escolar. Em 2014, o Brasil saiu do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que reuniu dados de 2001 a 2017, o programa Bolsa Família, aliado a outros programas sociais, conseguiu, em 15 anos, reduzir a pobreza em 15% e a pobreza extrema em 25%. Em 2018, o Brasil voltou ao Mapa da Fome. As desigualdades sociais se aprofundaram com a pandemia da Covid-19 e constituem, inclusive, fator de risco para a doença. De acordo com o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no contexto da pandemia da Covid-19, da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN), são 19 milhões de brasileiros que convivem com a fome diariamente. Este número representa um total de 55,2% dos domicílios em insegurança alimentar e nutricional: mais da metade dos brasileiros e brasileiras passam fome. Para as crianças dessas famílias, a alimentação escolar é o principal prato do dia. “Crianças bem alimentadas têm uma capacidade cognitiva maior, então isso repercute a longo prazo na educação”, afirma Óscar. Para o engenheiro florestal, o problema da fome não é de falta de alimentos: “É falta de acesso, de capital, tanto para comprar quanto para produzir alimentos”, evidencia.

A terra que produz o alimento

“Sustentabilidade começa com o que nós colocamos no prato no dia a dia”, ressalta Óscar. O entrelaçamento entre a sustentabilidade e a terra encontra exemplo na agricultura familiar: ausência ou diminuição do uso de agrotóxicos, preservação de florestas e nascentes, diminuição do plástico no empacotamento e menor distância do transporte dos alimentos. Ao destinar recursos para a agricultura familiar, o programa garante também a sustentabilidade financeira. Óscar reitera que, a partir de 2009, pela primeira vez agricultores familiares tiveram um mercado seguro para a venda de seus produtos, o que garante possibilidades de crescimento e de investimentos na propriedade. Além disso, para o engenheiro florestal, sustentabilidade também é uma questão de ética: “Estamos falando de alimentos de verdade, que não são adulterados com químicos. Estamos dando ao corpo alimentos que ele reconhece”. A importância também está na educação alimentar dos e das estudantes: “A educação é o futuro das nossas crianças. Mas se você está dando alimento envenenado e ultraprocessado, você está destruindo o futuro delas”, argumenta Óscar.

 

Para o agricultor familiar Joceli Sidloski, que produz suco de uva orgânica e reside no interior de Frederico Westphalen, os recursos provenientes do programa são essenciais: “Se não vender para a merenda escolar, eu fecho as portas, porque é muito difícil competir com grandes empresas”, afirma. Junto com a família, é proprietário do Sucos Barril, produto orgânico e integral distribuído pela Cooperativa dos Produtores Rurais da Agricultura Familiar de Frederico Westphalen (Coopraf). Além da suco de uva, a cooperativa vende outros tipos de alimentos para a merenda escolar: verduras, legumes e frutas da época, sucos, geleias, conservas, mel, farinhas, cucas e bolachas, açúcar mascavo, mandioca, filé de peixe e produtos lácteos. A Coopraf atende toda a rede municipal de Frederico Westphalen (escolas, creches e outras entidades) e mais de 50 escolas municipais de 19 municípios da região. Para Evandro Antonello, administrador da cooperativa, a importância da destinação de recursos públicos está no desenvolvimento, no fortalecimento e na diversificação da produção, além da manutenção da família no campo.

 

Marildo Mulinari, agricultor  assentado na área do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), em Eldorado do Sul, afirma que a merenda escolar é um dos principais nichos do Movimento Sem Terra (MST). O maior volume das compras é da cidade de São Paulo, mas as prefeituras da região metropolitana do Rio Grande do Sul também têm feito a aquisição do kit de alimentação, que inclui arroz orgânico, extrato de tomate, geleia, suco, panificados e outros alimentos. Apesar da importância do programa para o MST, Marildo denuncia que, com a ascensão de Jair Bolsonaro ao governo federal, os recursos para as compras públicas da agricultura familiar têm sido descontinuados, principalmente aqueles relativos ao PAA. 

 

Na pandemia, os cortes de investimento na compra desses produtos aumentaram: com as escolas fechadas e a ausência de merenda escolar, a alternativa foi distribuir cestas básicas para as famílias dos e das estudantes. No entanto, grande parte da composição dessas cestas era de alimentos industrializados. A volta às aulas, ainda em plena pandemia, também viu riscos na garantia da alimentação escolar. Para Marildo, mesmo com as dificuldades impostas pelo governo, o movimento teve um papel importante no combate à fome: “A reforma agrária passou a ser a solução daqueles que passam fome nas favelas. Temos distribuído milhares e milhares de toneladas de alimentos e mostrado que a reforma agrária popular pode produzir alimento em larga escala, livre de veneno e de agrotóxico, respeitando o meio ambiente e a natureza, com o ser humano e a vida acima do lucro”, enfatiza.

O prato que alimenta e educa

Arroz, feijão, ovos, leite em pó, iogurte, alface, mandioca, banana, batata-doce, beterraba, bergamota, couve, cebola, cenoura, laranja, maçã, moranga cabotiá, repolho, tempero verde, tomate, carne suína, carne moída, filé de peixe e coxa e sobrecoxa de frango. Esses alimentos oriundos da agricultura familiar compõem o prato da merenda escolar dos estudantes santa-marienses, em 80 escolas que formam a rede municipal de ensino. São 40% dos recursos para as compras públicas destinados a esses produtos. De acordo com a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Educação do município, durante a pandemia, houve distribuição por meio da elaboração e entrega de kits de alimentos aos alunos da rede. As cestas eram compostas por alimentos perecíveis – como os da lista acima – e não perecíveis, a exemplo de farinhas, açúcar, óleo de soja, macarrão e biscoitos.

Para Óscar Figueiredo e Vanessa Kirsten, o sucesso da implementação da lei nº 11.947 se deve à pressão do governo à época. A dispensa de licitação facilita a aquisição dos produtos: a desburocratização, por meio de chamadas públicas, não exige criação de empresas por parte dos agricultores e não reduz o preço dos alimentos a um valor mínimo, o que garante que o pagamento seja justo. Entre as dificuldades, estão a adequação do cardápio à realidade local, a necessidade de que a nutricionista responsável se comunique com as cooperativas e com a Emater para saber qual a disponibilidade de alimentos, e o transporte dos mesmos, uma vez que nem sempre as famílias tinham estrutura logística para a distribuição. De acordo com números divulgados em 2020 pelo Ministério da Educação (MEC), são mais de 40 milhões de alunos atendidos pelo PNAE, em um montante de R$3,97 bilhões, que garantem cerca de 50 milhões de refeições diárias.

Em 2015, o Decreto nº 8473 estabeleceu o mesmo percentual mínimo de compras da agricultura familiar para hospitais públicos, prisões e restaurantes universitários. Vanessa Kirsten participou de outro estudo que avaliou a implementação do decreto nos RU ‘s do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Para a pesquisadora, no entanto, a execução não foi tão exitosa quanto a da merenda escolar, em função do contexto político da época e da descontinuidade de programas do tipo pelos governos subsequentes. O Restaurante Universitário da UFSM realiza compras da agricultura familiar, que atendem os três RUs do campus sede. Em 2019, último ano em que o funcionamento do RU foi integral, antes da pandemia, o investimento era de R$ 664.896. Deste valor, apenas R$ 218.486 eram oriundos do PNAE. Entre os alimentos adquiridos, estão: arroz, banana, batata-doce, bergamota, beterraba, brócolis, cenoura, cubos de pernil suíno, feijão, laranja, mandioca, maçã, moranga, repolho, tempero verde e tomate. Desde 2020, no entanto, o RU passou a ser administrado por uma empresa terceirizada e ainda não há dados sobre valores e número médio de refeições desde então. No Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), já houve compra de produtos da agricultura familiar quando a Usina de Leite da UFSM foi administrada por uma cooperativa. De acordo com a Assessoria de Imprensa do HUSM, atualmente não há aquisição de produtos do tipo.

Expediente:

Reportagem: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Design gráfico: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário; e Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e voluntária;

Relações Públicas: Carla Costa;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.
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Educação – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/ufsm-docentes-negros Fri, 19 Nov 2021 17:17:31 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8753

* Esta matéria foi atualizada em 25 de novembro, às 18:17, pois, na versão anterior, os dados gerais incluíam os professores inativos.

A herança do passado escravocrata brasileiro ainda se manifesta na desigualdade social e econômica entre pessoas brancas e negras. A população autodeclarada negra – grupo que reúne pretos e pardos, segundo pesquisa e conceituação do Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE) de 2019 – representa 56,1% dos habitantes do país. Porém, dentro das universidades, a escassa presença de negros na comunidade acadêmica ainda é uma realidade. 

A falta de representatividade nesses espaços possui uma origem em comum: a dificuldade do acesso e da permanência de negros no ensino, em especial, o superior. Para mudar esse panorama, foi sancionada a Lei nº 12.711, de 2012, conhecida como Lei de Cotas –  que ampliou o ingresso de pessoas pertencentes a grupos em vulnerabilidade social nas instituições federais de ensino técnico e superior.

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) aprovou, em 2007, um plano institucional denominado ‘Programa de Ações Afirmativas de Inclusão Racial e Social’, por meio da resolução 011/07. A proposta estabelecia a oferta de 15% das vagas para afro-brasileiros em cada curso de graduação, 20% para estudantes de escolas públicas, 5% para estudantes com deficiência e 5% para indígenas residentes no território nacional. 

Em 2014, a UFSM aderiu ao Sistema de Seleção Unificada (SiSU) e, assim, a reserva de vagas para todas as classificações de cotas aumentou para 50%. Já na pós-graduação, a ação afirmativa não se aplica, mas, para concursos de servidores públicos, como docentes, a Lei nº.12.990, de 2014, prevê 20% das vagas para negros (pretos e pardos) do número final de vagas para cada edital.

Mesmo com as normas, a presença de docentes negros na Universidade é pequena: dos 1784 professores ativos no Ensino Superior, apenas 9  são autodeclarados pretos – 0,5% do total – e 65 são autodeclarados pardos – 3,64% do total. Ou seja, há 74 docentes negros no Magistério Superior na UFSM. Os dados foram coletados em novembro de 2021, disponibilizados pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas e pelo site UFSM em Números, que engloba os quatro campi da universidade.

Autodeclaração, questão racial e limites estruturais

No Brasil, a autodeclaração étnico-racial é feita pela própria pessoa em censos demográficos, como o do IBGE, e documentos para candidatos pretos e pardos que desejam concorrer às vagas de ações afirmativas em concursos públicos, como os realizados para docentes em universidades. Na UFSM, os candidatos enviam o documento assinado para a instituição com informações básicas como nome e dados pessoais e, de forma opcional, motivos que justificam a autodeclaração, como história de vida e identificação com a etnia negra. 

Depois, passam pela Comissão de Heteroidentificação da instituição, explicando por que se autodeclaram negros ou pardos. Os tons de pele de pessoas pretas e pardas são diversos e não há uma escala de determinação racial, uma vez que ambas as classificações incluem cores de pele mais ou menos retintas. As questões de autodeclaração não estão relacionadas apenas com a cor da pele, mas também com características fenotípicas, história de vida familiar e descendência. 

A ação de diferenciar indivíduos pela sua maior ou menor proximidade com as características da negritude é conhecida como colorismo e que, para as pesquisadoras Jéssica Thoaldo da Cruz e Patricia Martins, segrega e anula a identidade negra: “O embranquecimento da população foi política de Estado, mas também foi aplicado por um viés psicológico, interferindo no inconsciente de negros e mestiços e dificultando a busca da identidade e valorização de suas raízes. O resultado são milhares de brasileiros negros de pele clara vivendo na encruzilhada do ser ou não, negro”, segundo artigo publicado na Revista Digital do Laboratório da Faculdade Cásper Líbero.

Nos últimos anos, o número de brasileiros que se autoidentificam como negros aumentou. Segundo análise realizada pelo G1, a partir de dados do IBGE, o número de autodeclarados negros cresceu em torno de 12 milhões de 2012 até 2018. O coordenador do Observatório de Direitos Humanos da UFSM, Victor De Carli Lopes, mestre em História, explica que o aumento desses números não está necessariamente relacionado ao acréscimo de negros no país, mas com uma nova visão das pessoas que antes se autodeclaravam de outras formas.

É também consequência de uma elevação social da estética negra e das ações de empoderamento da negritude: “Muitas vezes, as pessoas acabavam não se autodeclarando negras porque existe um problema de aceitação, por conta de todo racismo que temos no nosso país”.

No Brasil, por 353 anos a população negra foi escravizada e considerada socialmente inferior à etnia branca. A abolição da escravidão ocorreu tardiamente, por meio da Lei Áurea, em 1888, e, a partir daí, o cenário nacional se mostrou de pouca abertura para os negros se integrarem enquanto cidadãos na vida social, já que as classes dominantes não se interessaram em inseri-los nos trabalhos da época. Essa falta de oportunidade para a população negra gera reflexos até hoje: na questão financeira, visto que os negros são maioria em tópicos que determinam os menores rendimentos per capita da população definidos pelo IBGE de 2019; eles possuem mais dificuldades de acessar cargos de poder, além de serem discriminados socialmente.

Embora o preconceito de raça ou de cor e a injúria racial estejam previstos como crimes no sistema jurídico brasileiro, ainda são frequentes casos de racismo estrutural, institucional, velado, e explícito no Brasil. Tais questões históricas e a atual realidade do país geram limites estruturais em todas as esferas sociais – entre elas, na dificuldade de acesso e da permanência à educação para pessoas negras e, consequentemente, ao cargo de docente nas universidades.

Acesso e permanência na pós-graduação

As políticas de cotas auxiliam na transformação para um cenário universitário mais plural. Porém, a discussão atual deve se ampliar a ações afirmativas para a permanência, como comenta a professora da UFSM, Leonice Mourad, doutora em História da América Latina e em Geografia. Para a docente, essa é uma pauta recente e ainda estamos distantes de um patamar racial razoável de representatividade negra nas universidades. 

Além disso, outro ponto relevante se refere à criação de políticas públicas de acesso a mestrados e doutorados, ainda incipientes nas universidades do país: “Precisamos de uma pós-graduação plural em todos os âmbitos, não pensando apenas na questão da negritude, mas também na inclusão de indígenas, pessoas transgêneras, enfim. É urgente que a pós-graduação seja acessada para termos equidade e uma universidade plural”, reforça Leonice Mourad. 

Os dados obtidos na pesquisa em andamento do doutorando e jornalista Wagner Machado, na Pontifícia Universidade Católica do  Rio Grande do Sul (PUCRS), ilustram essa falta de diversidade. Ele investigou a (in)visibilidade dos doutorandos negros na pós-graduação em Comunicação em quatro universidades do Rio Grande do Sul e descobriu que, de 2015 a 2020, mais de 300 pessoas entraram nos programas das universidades analisadas, mas apenas 10% eram negros. A existência de poucos docentes negros nas universidades também foi estudada pelo jornalista em um artigo publicado em 2019. No texto, o pesquisador analisa a situação como um efeito ‘cascata’, pois, para obter representatividade racial entre professores do ensino superior, é preciso, primeiramente, de mestres e doutores – visto que a maioria dos editais solicitam o título de mestre ou doutor para o ingresso no cargo. 

As ações afirmativas para o acesso à pós-graduação já existem em algumas universidades do Brasil. A UFSM, por exemplo, discute sobre a política de cotas, já adotada pelo Programa de Pós-Graduação em História – oferta no mínimo 40% e no máximo 50% das vagas como reserva para as cotas, a partir do total ofertado por ano, dentre essas, três são para pessoas autodeclaradas negras, segundo edital de 2021. No entanto, além do ingresso, precisa-se pensar sobre a permanência dos discentes. Sendo assim, o valor das bolsas de mestrado e doutorado oferecidas é um ponto importante.

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) divulgou, em uma matéria de outubro de 2021, que as bolsas de mestrado e de doutorado vinculadas à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) são, respectivamente, de R$1,5 mil e R$2,2 mil e não são reajustadas desde 2013. Em oito anos de déficit, segundo as contas dos bolsistas, a perda de poder de compra supera 60%.

“Precisamos de algo que justifique o discente estar desenvolvendo essa atividade dentro da academia e não realizando outro trabalho fora [e ganhando mais, na maioria dos casos]. Porque é uma questão de custos, o valor recebido deve pagar as contas, por isso se coloca os custos na balança. Então, precisa de uma bolsa com valores razoáveis para se manter, precisam ser atrativas”, explica o professor Ederval de Souza Lisboa, doutor em Engenharia Mecânica da UFSM/CS. O regime de dedicação exclusiva que impede qualquer outro vínculo empregatício para a obtenção de renda extra, em conjunto com o descaso com a ciência no Brasil, leva o estudante, em muitos casos, a deixar a academia e ingressar para o mercado de trabalho. 

Diante disso, a dificuldade de acesso e permanência na pós-graduação afeta, em especial, a população negra, devido ao recorte de raça e classe. Em consequência, gera um déficit de docentes negros no ensino superior, como observa-se nos números da UFSM. “A dificuldade de acesso presente na pós-graduação permanece nos concursos públicos. O problema é quando abre apenas uma vaga. A Lei de Cotas reserva 20% para a população negra, ou seja, acaba sendo nenhuma para as cotas [quando o número de vagas não ultrapassa 2]. Uma das soluções é a criação de bancos de vagas ou de editais maiores, com mais de cinco, no mínimo três, para garantir uma vaga nas ações afirmativas”, relata Victor de Carli.

Por que a urgência de ampliar o acesso de negros à docência?

Várias são as questões que tornam a necessidade de um aumento imediato desses números, mas, principalmente, a busca por justiça social e igualdade. 

O professor Ederval Lisboa ressalta a falta de representatividade negra em locais de poder, como no judiciário, por exemplo: “No Supremo Tribunal, tem vários homens brancos, há algumas mulheres brancas, teve um homem negro. E mulher negra? Isso só demonstra a desigualdade que nós temos. E se a gente compara com os números de pretos e pardos que temos na sociedade, será que reflete? Não”. Ele se preocupa com a questão da representatividade que esses números transmitem para as crianças, como sua filha. “Qual sociedade que nós vamos entregar pra elas? Quais vão ser as chances que elas vão ter de ocupar um posto de reitor de uma universidade? De ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal?”.

Já o professor da UFSM, Diego Ramires, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Músicaexplica que sente essa ausência de negros em locais de lazer. “Quando eu vou em um parque, um restaurante ou em algum local que não seja de comum acesso a todos, a primeira questão que eu levanto é essa: onde nós estamos, onde os negros estão? A constatação que eu tenho é que eles não estão. Por vários momentos, eu sou o único”. 

Essas problemáticas também incidem na escassez de docentes negros. Segundo o IBGE, 56,1% é o índice de pessoas autodeclaradas negras no Brasil, enquanto 16% é o percentual de docentes negros nas universidades – de acordo com o G1 a partir de dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Victor de Carli elenca três principais tópicos que destacam a necessidade urgente de maior representatividade: 

 I) A primeira vai ao encontro da fala de Ederval: quando os alunos têm essas representações, podem se enxergar e ver uma perspectiva de futuro, se inspirarem em pessoas negras e as verem em locais de prestígio como detentoras de conhecimento. Ademais, essa representatividade precisa ser ampla: professores autodeclarados negros, de pele mais ou menos retinta, assim como é a sociedade brasileira – miscigenada. A professora da UFSM, Mônica Corrêa de Borba Barboza, doutora em Educação, acredita na importância de se reafirmar enquanto mulher negra na academia: “Penso no meu aluno que entra na sala de aula, que vê que sua professora doutora é uma mulher negra, parecida com ele ou tem alguém na família que é parecida”.

 II) O segundo é que, com o aumento de docentes negros, as pesquisas em relação as questões raciais são estimuladas. “Não necessariamente eles irão trazer essas temáticas, mas muitas vezes quem lidera os grupos sobre negritude são negros. Então, quando a gente tem o aumento de docentes negros nas universidades, se tem um aumento dos trabalhos de alunos que querem se debruçar  nos estudos sobre o tema”, explica Victor de Carli.

 III) A última é que a falta de representatividade, pelas questões explicadas no tópico acima, pode gerar uma falta de profissionais qualificados para ensinar sobre a cultura afro brasileira: Victor comenta que as consequências desse déficit vão além: “Os alunos, principalmente da licenciatura, vão ser os professores nas redes básicas. Se não tiveram esse estudo nas universidades, eles também vão ter dificuldade de ensinar para os seus próprios alunos e isso implica em um problema na aplicabilidade da norma” – se trata da lei 10.639, que inclui o estudo da História e Cultura Afro-Brasileira nos currículos do ensino básico.

Expediente

Reportagem: Eduarda Paz, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Paula Appolinario, acadêmica de Jornalismo e voluntária

Ilustração:  Renata Costa, acadêmico de Produção Editorial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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Educação – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/aulas-matematica-youtube Fri, 24 Sep 2021 13:59:45 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8672

Quem não sabe que o descontentamento em torno da aprendizagem em Matemática é, muitas vezes, colocado como uma constante entre os estudantes dos ensinos fundamental e médio? Também retratada comumente em séries e filmes adolescentes, a dificuldade de alguns alunos em relação à disciplina não existe apenas no senso comum: é também uma situação identificada por órgãos competentes e responsáveis por avaliações nacionais e internacionais – como o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). Ainda assim, a aprendizagem em Matemática é uma ferramenta essencial para a vida cotidiana e também para a aplicação prática nas mais diversas áreas do conhecimento. 

Reconhecendo esse contexto, César Teixeira Pacheco e Gustavo Lenhardt, ambos acadêmicos do curso de Engenharia Elétrica do campus de Cachoeira do Sul da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), idealizaram um projeto de extensão que busca auxiliar os estudantes a aprenderem e explorarem conteúdos de Matemática. A inspiração para os universitários criarem o projeto foi o trabalho que a professora Ana Luisa Soubhia, também do campus de Cachoeira do Sul da UFSM, desenvolveu, em 2019, com alunos das 3ª, 4ª e 5ª séries da Escola Estadual de Ensino Fundamental Rio Jacuí. A docente comparecia na instituição todas as quartas-feiras, no período da manhã, para tirar dúvidas dos alunos do 3º ano e, no período da tarde, para atender aos alunos do 4º e 5º ano – turnos opostos aos quais eles tinham aula. “Basicamente, as maiores dificuldades eram as quatro operações: multiplicação, divisão, adição e subtração”, relata Ana.

No começo de 2020, César procurou a professora Ana, depois de ter visto um edital no Observatório de Direitos Humanos (ODH) da UFSM. Além de prestar apoio pedagógico, a ideia do acadêmico era oferecer aulas que fossem voltadas para preparar os alunos para a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBMEP). A proposta foi aprovada no edital e, assim, César e Gustavo iniciaram as pesquisas referentes aos conteúdos presentes na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A BNCC é um documento normativo para instituições de ensino públicas e privadas, além de referência obrigatória para elaboração dos currículos escolares e propostas pedagógicas para a educação infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio no Brasil. Seu principal objetivo é organizar o que todo estudante da Educação Básica deve saber.

Ademais, os participantes do projeto pesquisaram os conteúdos programáticos que mais incidem na Olimpíada Brasileira de Matemática, como aritmética e geometria. “A gente também fez aulas voltadas para o pessoal do Ensino Médio. Então a gente tenta explicar de uma maneira fácil, procura passar alguns exemplos bem simples e, com o tempo, vai aumentando o nível de dificuldade”, explica Gustavo. Assim, as aulas que seriam lecionadas foram programadas e preparadas. A previsão era que todas essas atividades fossem realizadas presencialmente, porém, com o avanço da pandemia e sem ter perspectiva de retomar as atividades presenciais, os bolsistas e a orientadora expandiram as atividades para a internet. Como muitas pessoas estão trabalhando de casa, por que não fazer um projeto de forma remota? Foi a partir desse questionamento que os alunos se reinventaram. Assim, todas as aulas planejadas anteriormente foram alteradas para formato de videoaulas e o canal no YouTube Apoio Pedagógico E Aulas Extracurriculares foi criado para a divulgação dos conteúdos. 

Canal no YouTube

O conteúdo é planejado, gravado, editado e publicado pelos estudantes. Eles produzem vídeos interativos, com 10 a 20 minutos de duração e os disponibilizam semanalmente na plataforma. Um dos diferenciais é a presença dos professores no vídeo, o que nos remete à sala de aula. “As aulas pensadas para o presencial são mais longas, mas encontramos a necessidade de fazer vídeos mais curtos, porque a aceitação seria melhor”, explica César.

Primeiro vídeo no YouTube: apresentação do projeto.

Vantagens 

Pelo celular, tablet ou computador, as aulas podem ser acessadas de qualquer lugar do mundo, basta ter acesso à internet. Como as aulas ficam gravadas, os alunos podem acessar quando quiserem. “Antes a gente ficava restrito a uma sala de 15, 20 alunos. Hoje, nós temos nossos vídeos no YouTube, que podem ser acessados por quem quiser, em tempo indeterminado”, ressalta Gustavo.

Desvantagens

Por meio de uma interface, muitas vezes os docentes se sentem de mãos atadas quanto à aprendizagem dos alunos, principalmente devido à dificuldade de interação direta com eles. Assistir às videoaulas exige mais autodisciplina, foco e dedicação dos estudantes. Além disso, há mais possibilidades de distração e maior  dependência do fator “internet”. “A gente não consegue sentir o que os alunos estão entendendo e o que eles não estão entendendo, muitos deixam um comentário ali, mas o próprio aluno, a visão, a expressão, não conseguimos ter isso no online”, expressa César. Para lidar com essas dificuldades, eles dão atenção e respondem a cada comentário, de forma individual. 

O que esperar do futuro

Segundo os participantes, a perspectiva é de 30 vídeos, os quais irão abordar conteúdos que caíram em provas anteriores da Olimpíada. 

 Até o início de setembro de 2021, o canal havia disponibilizado 20 vídeos. Ao refletir sobre o processo de transição do projeto durante a pandemia – do presencial para o digital -, a professora Ana reconhece a possibilidade de associar as duas formas: “Eu sinto que vai ficar muita coisa online, mesmo dentro da universidade. Não vai ter como não pensar neste canal, minha ideia é deixá-lo no ar e continuar com os dois. A gente não vai mais conseguir desvencilhar a nossa vida do online”.

Expediente

Repórter: Ana Luiza Deicke, acadêmica de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) e estagiária

Ilustrador: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, estagiária de Jornalismo e bolsista; e Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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Educação – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/guia-teslle-suficiencia-em-ingles Mon, 13 Sep 2021 15:29:47 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8656

Todo ano, 1,2 mil estudantes que integram ou pretendem integrar algum programa de pós-graduação na UFSM realizam o Teste de Suficiência em Leitura em Língua Estrangeira (TESLLE). Destes, 700 alunos prestam o exame para a língua inglesa (TESLLE-LI). Até a chegada da prova, ansiedade, apreensão e dúvidas são naturais frente a esse processo que compõe a vida acadêmica. Mas, a partir da edição de 2021, os alunos que irão realizar o teste em inglês contarão com uma grande ajuda: o guia prático de estudo para o teste de suficiência em inglês da UFSM.

O guia para o TESLLE-LI é fruto de um Trabalho Final de Graduação (TFG) ( equivalente ao TCC na área de Letras) e de uma dissertação, de autoria de Amanda Petry Radünz e William Dubois, respectivamente. 

Segundo Patrícia Marcuzzo, professora no Departamento de Letras Estrangeiras Modernas (DLEM) da UFSM e elaboradora do guia, o objetivo das pesquisas era compreender os testes de suficiência e fazer uma análise minuciosa de determinados aspectos com base em teorias da linguística. Ou seja, inicialmente os trabalhos não tinham sido pensados para servirem como manual.

O contexto atual, marcado pela desvalorização da ciência e cortes orçamentários para a educação pública, fez com que a professora começasse a pensar em maneiras de divulgar de forma didática o que produzia com seus discentes. “Eu me questionei: como as pessoas vão valorizar o que a gente faz se elas nem conhecem? Então eu pensei, junto com os meus alunos, em um projeto que divulgasse os nossos resultados”. Assim, nasceu o projeto de extensão “Didatização e divulgação de resultados de pesquisas da área de Linguística Aplicada”, que tem como objetivo popularizar o conhecimento científico na área de língua inglesa.

No ano passado, esse mesmo projeto lançou o Manual para o ENEM, também desenvolvido com base em resultados de pesquisas científicas. O manual para o TESLLE-LI se baseia nas questões dos últimos seis anos. “É algo inédito, nunca foi feito nada semelhante. Analisamos todas as questões que tínhamos disponíveis, tentando ver o enfoque dessas questões, a estrutura, os textos bases dessas questões”, destaca Patrícia.

O conteúdo do material é dividido em cinco itens. O primeiro trata sobre a estrutura do TESLLE-LI, a quantidade e o tipo de questões, a aplicação dos idiomas português e inglês, o que e como o candidato deve responder cada questão. O segundo tópico aborda o texto base que compõe o teste, sua origem, seu tema e tamanho. Já o terceiro explica sobre a forma que as questões são estruturadas, e quais os cinco tipos mais frequentes – de acordo com os testes anteriores. O quarto tópico complementa o anterior, com orientações sobre os 12 tópicos mais exigidos no exame.

Por último, é mostrado o processo de resposta às questões, o tempo total de resolução, qual deve ser o tempo médio para desenvolver cada uma das atividades, por onde começar e o que fazer ao se deparar com palavras desconhecidas. Exemplos de questões são apresentados para ilustrar a explicação. 

A professora Patrícia acredita que essa análise estrutural do TESLLE-LI também pode ser útil para os examinandos que realizarão a prova em outros idiomas, visto que há um padrão lógico similar em todos os testes. “É preciso que haja uma semelhança entre as provas, os textos base serão autênticos em todas as línguas, o que fazer e o tempo de duração do teste permanecem iguais”, complementa.

A história e a importância do TESLLE

Toda instituição de Ensino Superior com ao menos um curso de pós-graduação credenciado pela Capes deve ofertar testes de suficiência, principalmente para alunos de pós-graduação, uma vez que a suficiência em língua estrangeira é pré-requisito para a defesa da dissertação. Seu formato atual, no entanto, é bastante diferente do que era no passado, como relata Patrícia: “Colegas mais experientes contam que, no passado, os alunos chegavam no departamento para pedir uma comprovação e era realizado um teste de balcão, feito na hora. Com o tempo e crescimento da universidade e dos programas de pós-graduação, o teste foi intitucionalizado”.

As regras para o TESLLE foram estabelecidas por meio de uma portaria publicada em 2010. O documento definiu que o DLEM seria o responsável pela elaboração de um teste padrão, aplicável a alunos de todos os departamentos. Além disso, foi estabelecida a criação de uma comissão específica para o teste, composta por professores de Letras e servidores da universidade.

Foi por influência desta comissão que Patrícia começou a definir sua área de pesquisa. Ao ingressar como docente na universidade em 2011, logo ela foi encarregada de atuar na comissão do TESLLE junto a outros professores. Ao longo de seis anos, ela participou e influenciou algumas das mudanças que o teste sofreu. “Minha trajetória começa participando da comissão e, com o tempo, eu pensei em investigar esses testes, sempre com o objetivo de melhorar, de dar uma visão de fora como perspectiva de pesquisa”.

TESLLE ou TOEFL? Proficiência ou suficiência?

Uma dúvida que surge em boa parte dos examinandos é a diferença entre o TESLLE-LI e o TOEFL. O primeiro ponto a se destacar é a abrangência: o TESLLE-LI é feito apenas por pessoas vinculadas à UFSM, enquanto o TOEFL é aberto para o público em geral. Ainda, o TESLLE aborda apenas a questão da leitura, enquanto o TOEFL pode englobar compreensão e expressão oral. Outra diferença é a fonte dos textos: enquanto o teste da Universidade seleciona textos de publicações científicas, o TOEFL cria os textos especificamente para as suas avaliações.

Apesar das diferenças, o  TOEFL também serve como atestado de suficiência para a Universidade, porém é preciso apresentar o resultado do teste para que ele seja validado.. A certificação do TESLLE, por sua vez, fica registrada no histórico assim que o candidato for aprovado.

Uma dúvida que, segundo Patrícia, atinge até mesmo colegas de sua área é a diferença entre o teste de suficiência e o teste de proficiência. Apesar do significado distinto entre proficiência (maestria) e suficiência (quantidade o suficiente para algo), o objetivo dos testes é o mesmo. “Eles, muitas vezes, são equivalentes, mas em outras instituições é chamado de teste de proficiência”, explica Patrícia.

Próximos passos do projeto

Para aqueles que estão interessados em realizar o TOEFL, a previsão de Patrícia é que, no início de 2022 ou até mesmo no final deste ano, comece a elaboração de um manual específico para o teste: “Nós também já temos resultados de pesquisa referentes a ele. E, nesse caso, o TOEFL é mundialmente conhecido e tem um alcance maior entre o público brasileiro”.

Já a prova do TESLLE-LI ocorrerá no dia 7 de novembro. Para os que irão realizar o exame, o  guia completo já está disponível. Boa sorte!

Expediente

Repórter: Bernardo Salcedo, acadêmico de Jornalismo e bolsista

Ilustrador: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Eloíze Moraes, estagiária de Jornalismo

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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Educação – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/educacao-ambiental-para-criancas Wed, 25 Aug 2021 13:28:05 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8636

Em 2019, Emergência Climática (Climate Emergency) foi eleita a “Palavra do Ano” pelo dicionário Oxford. A expressão significa, segundo o texto britânico, “uma situação em que uma ação imediata é necessária para reduzir ou parar as mudanças climáticas e prevenir danos graves e permanentes ao meio ambiente”. A escolha do termo se divide em dois processos: inicialmente, os lexicógrafos do dicionário observam milhões de palavras em inglês para identificar as mais utilizadas e pesquisadas na internet a cada ano. Os vocábulos selecionados são, então, debatidos por um júri, que analisa o impacto cultural para, finalmente, definir aquele(s) que represente(m) o ano. De acordo com a equipe do Oxford, o uso da palavra escolhida para o ano de 2019 aumentou cerca de cem vezes desde o ano anterior. 

Anualmente, a Global Footprint Network realiza uma projeção para comparar a capacidade do planeta de gerar recursos ecológicos em doze meses com o consumo que a humanidade faz desses no mesmo período. A data que marca o momento em que os seres humanos utilizam mais recursos naturais do que o planeta é capaz de renovar em um ano é chamada de Dia da Sobrecarga da Terra. Em 2021, esse dia chegou em 29 de julho, o que significa que, nos cinco últimos meses, o planeta estará em déficit ecológico.

A emergência climática perpassa ações e comportamentos individuais e coletivos que potencializam as emissões de poluentes na Terra e a degradação do ecossistema. Os altos números de exploração de recursos naturais – como o aumento do desmatamento -, a poluição de mares e rios, o baixo índice de reciclagem – que no Brasil é de apenas 2.1%, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) – são algumas das ações que afetam diretamente a preservação ambiental.

EducaFloresta: preservação e Ensino Fundamental

Incluir a preservação ambiental no dia a dia das pessoas significa desenvolver iniciativas teóricas e práticas que aproximem as pessoas da natureza. A lei Nº 9.795, criada em 1999, prevê que a educação ambiental “é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal”. Porém, mesmo havendo esforços legais para a integração da sociedade com o meio ambiente, ainda se observa um distanciamento entre o discurso e a prática. 

Ao analisar as relações entre a natureza e os seres humanos, o jornalista André Trigueiro observou, em seu livro Meio ambiente no século 21, que grande parte da população brasileira não se considera parte integrante do meio ambiente. Diante de tal cenário, o autor destaca a necessidade de desenvolver a consciência de que o meio ambiente e os seres humanos vivem em constante interação, de forma interdependente.

A partir dessa problemática, a professora Damáris Gonçalves Padilha, do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), reflete sobre a necessidade de incorporar a sensibilização ambiental e o uso racional dos recursos naturais na vida das pessoas desde cedo. Junto a docentes dos departamentos de Ciências Florestais e de Engenharia Rural da UFSM, Damáris coordena o projeto de extensão EducaFloresta. Com início em 2019, o projeto trabalha a educação ambiental com estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre Nóbrega, localizada no bairro Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria/RS.

Damáris explica a importância de aprender sobre a problemática ambiental e entender que qualquer consequência para o meio ambiente, positiva ou negativa, é influenciada pelo ser humano: “Se tu não se entende como parte daquele meio, daquela sociedade, tu dificilmente vai prezar para mantê-lo”. Pensando nisso, o EducaFloresta desenvolve atividades e aborda temas relacionados à preservação da biodiversidade com estudantes do Ensino Fundamental. De acordo com Damáris, por não ser comumente abordada na formação escolar, a educação ambiental é uma questão que demora a amadurecer nas pessoas. 

Assim, a fim de facilitar a compreensão dos conceitos relacionados ao meio ambiente pelas crianças, os integrantes do projeto priorizam a ludicidade na abordagem dos conteúdos – ensinando a importância e os benefícios das árvores, do solo e da água através de atividades teóricas e práticas. “O projeto preza mostrar para as crianças que nós podemos usar os recursos ambientais de uma forma sustentável e racional, que a legislação nos permite, que têm populações que vivem do uso da floresta”, explica Damáris. 

O projeto desenvolve atividades com turmas do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, e um dos desafios iniciais foi adaptar os conteúdos para cada faixa etária. Por isso, além do constante estudo sobre a abordagem da questão ambiental com crianças, a participação dos professores da escola Padre Nóbrega foi essencial para a compreensão das diferentes necessidades de cada turma. Damáris ressalta que a educação ambiental é um processo lento e que, principalmente para as crianças, é preciso dar exemplos positivos para que desenvolvam hábitos saudáveis.

Alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre Nóbrega participando do EducaFloresta durante o período presencial, em 2019 (primeira e segunda fotos), e também no período remoto (da terceira à sexta foto).

Desafios da educação ambiental na pandemia

O projeto foi realizado durante um ano de forma presencial. Nesse período, os integrantes do EducaFloresta desenvolveram e distribuíram uma cartilha didática sobre a importância das florestas. Também foram realizadas atividades práticas como observação da vegetação da escola, medição e avaliação de árvores, além de relatórios nos quais os alunos podiam expressar o que pensaram de cada atividade e qual a importância do que aprenderam. No entanto, novos desafios surgiram quando o projeto teve de se adaptar ao ensino remoto, implementado em março de 2020 devido à pandemia do vírus Covid-19.

Para se ajustar ao ensino virtual, o EducaFloresta desenvolveu novos materiais em formato digital e as atividades passaram a ser enviadas via e-mail. A reformulação das propostas teve de ser planejada para possibilitar a realização dos exercícios no ambiente doméstico dos estudantes. Com o auxílio dos pais e/ou responsáveis, os alunos realizaram atividades práticas como a fabricação de papel reciclado. O projeto também passou a compartilhar o seu conteúdo nas redes sociais, transformando a página no Facebook e o perfil no Instagram em um caderno didático digital. 

Além da reorganização do projeto, também se observou que o alcance dos conteúdos diminuiu no período remoto, já que alguns alunos não possuem acesso à internet. O aumento das desigualdades sociais se intensificou durante a pandemia, período de grande aumento do desemprego e elevação dos preços de produtos de alimentação e outros serviços básicos. 

Diante do cenário de retomada gradual de alguns setores da sociedade ao modo presencial, Damáris Padilha explica que a prioridade do projeto é garantir a sua adaptação a qualquer formato de ensino: presencial, híbrido ou remoto; oferecendo aos alunos diferentes possibilidades para aprender sobre o meio ambiente. O EducaFloresta também está expandindo a sua atuação e inicia as suas atividades em mais uma instituição de ensino. A Escola Marista da Nova Santa Marta, localizada no bairro Nova Santa Marta, em Santa Maria – RS, é a nova parceira do projeto e a faixa etária foi expandida, agora contemplando estudantes dos seis aos 15 anos.

Expediente

Repórter: Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária

Ilustrador: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto e Eloíze Moraes, acadêmicas de Jornalismo e bolsistas

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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Educação – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/multiletramentos Fri, 26 Feb 2021 14:10:53 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=6450

A participação da UFSM na produção de curso remoto e de glossários com o objetivo de auxiliar professores do Ensino Fundamental em atividades didáticas alinhadas à Base Nacional Comum Curricular

Inovação é a palavra-chave para descrever o período da pandemia do novo coronavírus quando o assunto é educação. O impedimento da aplicação do ensino tradicional devido aos protocolos de distanciamento social fortaleceu outras propostas como a educação remota. As adaptações necessárias durante o contexto não foram necessariamente fáceis e, com certeza, têm ressignificado a relação entre alunos e professores. Porém, a comunidade docente da área – tanto escolar, quanto acadêmica – já se engajava na busca por diferentes alternativas no que se refere ao aperfeiçoamento das práticas educacionais.

Na UFSM, o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino de Linguagem (NEPELIN), vinculado aos cursos de Licenciatura em Letras e coordenado pela professora Francieli Matzenbacher Pinton, tem promovido para a comunidade interna e externa atividades que contemplam o tripé ensino, pesquisa e extensão. Por meio disso, o grupo busca inspirar professores da rede básica de ensino a refletir, ressignificar e se apropriar de uma visão crítica dos objetos teórico-práticos do âmbito educacional. Foi assim que recentemente aconteceu o curso remoto “Multiletramentos na BNCC do Ensino Fundamental: possibilidades para o ensino de Língua Portuguesa”, com o intuito de oferecer uma reflexão sobre pesquisas relacionadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à Pedagogia dos Multiletramentos – que se refere à aprendizagem conectada ao uso de diferentes recursos semióticos e uso dos novos meios de comunicação.

BNCC e novas possibilidades de ensino

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo do Conselho Nacional da Educação (CNE) que define o conjunto de aprendizagens essenciais para todos os alunos das etapas e modalidades da Educação Básica. Esse documento está em fase de implementação nas escolas e apresenta em sua fundamentação pedagógica a teoria dos Multiletramentos que, em alguma medida, ainda é desconhecida pela maioria dos professores.

A pedagogia de multiletramentos, termo criado na década de 1990 por um grupo de acadêmicos da New London Group, refere-se principalmente a dois grandes aspectos: a multiculturalidade e a multimodalidade. O primeiro aspecto diz respeito à diversidade de produções culturais letradas em efetiva circulação social, considerando um conjunto de textos híbridos de diferentes campos caracterizados por um processo de escolha pessoal e política. O segundo aspecto corresponde à construção de significados a partir da combinação de diferentes recursos semióticos, por exemplo, gestos e escrita. A temática dos multiletramentos é recorrente nas pesquisas do NEPELIN, por exemplo, as dissertações de Jeniffer Streb Silva e de Gabriela Pereira, bem como a tese de Cleiton Reisdorfer.

O curso remoto “Multiletramentos na BNCC do Ensino Fundamental: possibilidades para o ensino de Língua Portuguesa”, resultado da dissertação em andamento de Rosana Maria Schmitt pelo Programa de Pós-Graduação em Letras, promovido também pelo NEPELIN, aconteceu entre outubro de 2020 e janeiro de 2021. Inicialmente a proposta previa a oferta de 25 vagas para professores de língua portuguesa em formação inicial e continuada. Entretanto, a adesão foi de mais de 300 inscritos em poucas horas de inscrição, e o grupo resolveu ampliar as vagas. O curso foi organizado em seis módulos, que totalizam 60 horas/aulas, distribuídas em encontros síncronos e assíncronos. Além disso, foram disponibilizados compartilhamentos em fóruns e atividades didáticas ao final de cada módulo. Dentre as temáticas abordadas, os ministrantes promoveram a análise crítica da BNCC e a reflexão acerca dos fundamentos da pedagogia dos multiletramentos e das práticas de linguagem a serem desenvolvidas no contexto escolar, como leitura, análise linguística/semiótica, produção textual e produção oral.

A atividade foi coordenada pela professora Francieli Matzenbacher Pinton e ministrada por Ana Paula Regner, Camila Steinhorst, Caroline Teixeira Bordim, Francieli Matzenbacher Pinton, Gabriela Eckert Pereira, Jéniffer Streb da Silva, Luciane Carlan da Silveira, Paula Luza, Romário Volk, Rosana Maria Schmitt, Taís Vasques Barreto e Verônica Lorenset Padoin, integrantes do grupo.

De modo geral, houve uma participação expressiva de professores da educação básica que se esforçaram para concluir sua formação remota durante o período letivo e pandêmico. O relato da participante Anna Cervo, professora de Língua Portuguesa, traduz sua experiência com o curso: “Com a possibilidade dessa formação, me despi dos ‘preconceitos’ em relação à BNCC por conta da promessa de análise crítica a ser realizada. De início, já gostei dos artigos sugeridos! Me detive, nessas primeiras leituras, à estrutura da BNCC e penso que, se bem estudada, questionando seu processo de constituição, podemos conseguir realizar um trabalho interessante em sala de aula”.

Além disso, o curso contribuiu para o empoderamento docente e proporcionou reflexões sobre os objetos e práticas de ensino.  “No contexto acadêmico, penso que existem duas grandes contribuições: o empoderamento autoral das professoras que elaboraram o material, especialmente da Camila Steinhorst, graduada em Letras pela UFSM, e da Taís Barreto, mestranda em Estudos Linguísticos; e a divulgação científica no contexto da educação básica”, afirma a professora Francieli, coordenadora do grupo e do projeto de extensão.  

Glossários produzidos pelo NEPELIN

Para os organizadores do curso, o documento da BNCC precisa ser lido criticamente a fim de que se possa construir atividades que realmente contemplem a agência e a voz dos estudantes. Nesse sentido, com o objetivo de atender às possíveis necessidades dos professores em formação continuada, foram elaborados os Glossários de termos técnicos-científicos do componente curricular Língua Portuguesa e de Gêneros e Suportes textuais.

Os glossários têm por objetivo auxiliar o processo de elaboração de atividades didáticas com foco nos campos de atuação e nos gêneros textuais propostos pela BNCC, como fanfics, trailer honesto, fotoblogger, vídeo-minuto, poemas, artigos de opinião, entre outros. A ideia é que o professor possa acessar uma rápida definição do gênero e, por meio do QR Code, visualizar um exemplar do gênero e/ou suporte textual. “Esses materiais visam auxiliar o professor em sua prática docente, já que o documento cita inúmeros gêneros textuais, especialmente emergentes, que podem ser explorados em sala de aula”, conforme destaca Rosana Schmitt.

No contexto educacional, o professor ainda pode disponibilizar o Glossário de Gêneros e Suportes para que os alunos pesquisem definições, acessem os QR Codes e visualizem os diferentes exemplares de gêneros. A professora Francieli complementa que os materiais podem ser entendidos como material paradidático, pois  os estudantes podem elaborar seu próprio glossário a partir de exemplares de gêneros produzidos pela turma.

“A elaboração do glossário objetivou auxiliar o professor que está na escola, contribuindo para o seu processo de formação continuada. Acredito que publicações como esta são significativas para a Educação Básica, especialmente para o ensino de Língua Portuguesa, já que dialogam de forma produtiva e crítica com o contexto escolar”, comenta Taís Barreto, mestranda em Estudos Linguísticos.

“Penso que o glossário tem muito potencial, porque reúne gêneros de diversas esferas de atividade e exemplos para que o professor possa se apropriar desse conteúdo, sem ter que pesquisar muitas horas. Acredito que essa publicação ajuda ainda mais aquele professor que tem uma carga horária altíssima de aulas e não possui condições adequadas de trabalho, ou seja, tempo hábil para o processo de planejamento pedagógico”, complementa Camila Steinhorst, que também destaca o processo coletivo e colaborativo.

A expectativa do grupo é de que sejam disponibilizadas versões impressas para o acervo das bibliotecas escolares. Além disso, os organizadores esperam promover em breve outra edição do curso remoto para ampliar a troca entre professores. Outra proposta futura do NEPELIN é organizar um curso para os estudantes da rede pública com foco nos gêneros textuais emergentes propostos pelas BNCC.

Para o grupo de organizadores e ministrantes, a atividade foi, além de tudo, um lembrete sobre o papel da universidade: “A reflexão sobre a BNCC, proposta pelo grupo, neste contexto pandêmico, tem proporcionado aos professores e professoras repensar suas práticas, acessar textos teóricos e metodológicos e, especialmente, compartilhar saberes com seus pares que estão inseridos em diferentes lugares do Brasil. A diversidade desses saberes fortalece a proposta do grupo de professores que organizaram e ministraram os módulos neste curso. Ademais, reforça o compromisso da UFSM com a formação de professores da Educação Básica”, conclui a professora Francieli Matzenbacher Pinton.

Expediente

Repórteres: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Natália 55BET Prozzi, acadêmica de Jornalismo

Ilustradora: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial e bolsista

Mídia Social: Nathalia Pitol, acadêmica de Relações Públicas e bolsista

Editor: Maurício Dias, jornalista

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Educação – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/multiletramento Thu, 25 Feb 2021 22:58:37 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?page_id=6448

A participação da UFSM na produção de curso remoto e de glossários com o objetivo de auxiliar professores do Ensino Fundamental no desenvolvimento de atividades didáticas e de reflexão sobre inovação de práticas de ensino

Inovação é a palavra-chave para descrever o período da pandemia do novo coronavírus quando o assunto é educação. O impedimento da aplicação do ensino tradicional devido aos protocolos de distanciamento social fortaleceu outras propostas como a educação remota. As adaptações necessárias durante o contexto não foram necessariamente fáceis e, com certeza, têm ressignificado a relação entre alunos e professores. Porém, a comunidade docente da área – tanto escolar, quanto acadêmica – já se engajava na busca por diferentes alternativas no que se refere ao aperfeiçoamento das práticas educacionais.

Na UFSM, o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino de Linguagem (NEPELIN), vinculado aos cursos de Licenciatura em Letras e coordenado pela professora Francieli Matzenbacher Pinton, tem promovido para a comunidade interna e externa atividades que contemplam o tripé ensino, pesquisa e extensão. Por meio disso, o grupo busca inspirar professores da rede básica de ensino a refletir, ressignificar e se apropriar de uma visão crítica dos objetos teórico-práticos do âmbito educacional. Foi assim que recentemente aconteceu o curso remoto “Multiletramentos na BNCC do Ensino Fundamental: possibilidades para o ensino de Língua Portuguesa”, com o intuito de oferecer uma reflexão sobre pesquisas relacionadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à Pedagogia dos Multiletramentos – que se refere à aprendizagem conectada ao uso de diferentes recursos semióticos e uso dos novos meios de comunicação.

Base Nacional Comum Curricular e novas possibilidades de ensino 

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo do Conselho Nacional da Educação (CNE) que define o conjunto de aprendizagens essenciais para todos os alunos das etapas e modalidades da Educação Básica. Esse documento está em fase de implementação nas escolas e apresenta em sua fundamentação pedagógica a teoria dos Multiletramentos que, em alguma medida, ainda é desconhecida pela maioria dos professores.

A pedagogia de multiletramentos, termo criado na década de 1990 por um grupo de acadêmicos da New London Group, refere-se principalmente a dois grandes aspectos: a multiculturalidade e a multimodalidade. O primeiro aspecto diz respeito à diversidade de produções culturais letradas em efetiva circulação social, considerando um conjunto de textos híbridos de diferentes campos caracterizados por um processo de escolha pessoal e política. O segundo aspecto corresponde à construção de significados a partir da combinação de diferentes recursos semióticos, por exemplo, gestos e escrita. A temática dos multiletramentos é recorrente nas pesquisas do NEPELIN, por exemplo, as dissertações de Jeniffer Streb Silva e de Gabriela Pereira, bem como a tese de Cleiton Reisdorfer.

O Curso remoto “Multiletramentos na BNCC do Ensino Fundamental: possibilidades para o ensino de Língua Portuguesa”, resultado da dissertação em andamento de Rosana Maria Schmitt pelo Programa de Pós-Graduação em Letras, promovido também pelo NEPELIN, aconteceu entre outubro de 2020 e janeiro de 2021. Inicialmente a proposta previa a oferta de 25 vagas para professores de língua portuguesa em formação inicial e continuada. Entretanto, a adesão foi de mais de 300 inscritos em poucas horas de inscrição, e o grupo resolveu ampliar as vagas. O curso foi organizado em seis módulos, que totalizam 60 horas/aulas, distribuídas em encontros síncronos e assíncronos. Além disso, foram disponibilizados compartilhamentos em fóruns e atividades didáticas ao final de cada módulo. Dentre as temáticas abordadas, os ministrantes promoveram a análise crítica da BNCC e a reflexão acerca dos fundamentos da pedagogia dos multiletramentos e das práticas de linguagem a serem desenvolvidas no contexto escolar, como leitura, análise linguística/semiótica, produção textual e produção oral.

O curso foi coordenado pela professora Francieli Matzenbacher Pinton e ministrado por Ana Paula Regner, Camila Steinhorst, Caroline Teixeira Bordim, Francieli Matzenbacher Pinton, Gabriela Eckert Pereira, Jéniffer Streb da Silva, Luciane Carlan da Silveira, Paula Luza, Romário Volk, Rosana Maria Schmitt, Taís Vasques Barreto e Verônica Lorenset Padoin, integrantes do grupo.

De modo geral, houve uma participação expressiva de professores da educação básica que se esforçaram para concluir sua formação remota durante o período letivo e pandêmico. O relato da participante Anna Cervo, professora de Língua Portuguesa, traduz sua experiência com o curso: “Com a possibilidade dessa formação, me despi dos ‘preconceitos’ em relação à BNCC por conta da promessa de análise crítica a ser realizada. De início, já gostei dos artigos sugeridos! Me detive, nessas primeiras leituras, à estrutura da BNCC e penso que, se bem estudada, questionando seu processo de constituição, podemos conseguir realizar um trabalho interessante em sala de aula”.

Além disso, o curso contribuiu para o empoderamento docente e proporcionou reflexões sobre os objetos e práticas de ensino.  “No contexto acadêmico, penso que existem duas grandes contribuições: o empoderamento autoral das professoras que elaboraram o material, especialmente da Camila Steinhorst, graduada em Letras pela UFSM, e da Taís Barreto, mestranda em Estudos Linguísticos; e a divulgação científica no contexto da educação básica”, afirma a professora Francieli Pinton, coordenadora do grupo e do projeto de extensão.  

Glossários produzidos pelo NEPELIN

Para os organizadores do curso, o documento da BNCC precisa ser lido criticamente a fim de que se possa construir atividades que realmente contemplem a agência e a voz dos estudantes. Nesse sentido, com o objetivo de atender às possíveis necessidades dos professores em formação continuada, foram elaborados os Glossários de termos técnicos-científicos do componente curricular Língua Portuguesa e de Gêneros e Suportes textuais.

Os glossários têm por objetivo auxiliar o processo de elaboração de atividades didáticas com foco nos campos de atuação e nos gêneros textuais propostos pela BNCC, como fanfics, trailer honesto, fotoblogger, vídeo-minuto, poemas, artigos de opinião, entre outros. A ideia é que o professor possa acessar uma rápida definição do gênero e, por meio do QR Code, visualizar um exemplar do gênero e/ou suporte textual. “Esses materiais visam auxiliar o professor em sua prática docente, já que o documento cita inúmeros gêneros textuais, especialmente emergentes, que podem ser explorados em sala de aula”, conforme destaca Rosana Schmitt.

No contexto educacional, o professor ainda pode disponibilizar o Glossário de Gêneros e Suportes para que os alunos pesquisem definições, acessem os QR Codes e visualizem os diferentes exemplares de gêneros. A professora Francieli complementa que os materiais podem ser entendidos como material paradidático, por exemplo, os estudantes podem elaborar seu próprio glossário a partir de exemplares de gêneros produzidos pela turma.

“A elaboração do glossário objetivou auxiliar o professor que está na escola, contribuindo para o seu processo de formação continuada acerca da Base Nacional Comum Curricular. Acredito que publicações como esta são significativas para a Educação Básica, especialmente para o ensino de Língua Portuguesa, já que dialogam de forma produtiva e crítica com o contexto escolar”, afirma Taís Vasquez Barreto, mestranda em Estudos Linguísticos.

“Penso que o glossário tem muito potencial, porque reúne gêneros de diversas esferas de atividade e exemplos para que o professor possa se apropriar desse conteúdo, sem ter que pesquisar muitas horas. Acredito que essa publicação ajuda ainda mais aquele professor que tem uma carga horária altíssima de aulas e não possui condições adequadas de trabalho, ou seja, tempo hábil para o processo de planejamento pedagógico”, complementa Camila Steinhorst, integrante do NEPELIN.

A expectativa do grupo é de que sejam disponibilizadas versões impressas para o acervo das bibliotecas escolares. Além disso, os organizadores esperam promover em breve outra edição do curso remoto “Multiletramentos na BNCC do Ensino Fundamental: possibilidades para o ensino de Língua Portuguesa” para ampliar a troca entre professores. Outra proposta futura do NEPELIN é organizar um curso para os estudantes da rede pública com foco nos gêneros textuais emergentes propostos pelas BNCC.

Para o grupo de organizadores e ministrantes, a atividade foi, além de tudo, um lembrete sobre a responsabilidade da universidade: “A reflexão sobre a BNCC, proposta pelo grupo, neste contexto pandêmico, tem proporcionado aos professores e professoras repensar suas práticas, acessar textos teóricos e metodológicos e, especialmente, compartilhar saberes com seus pares que estão inseridos em diferentes lugares do Brasil. A diversidade desses saberes fortalece a proposta do grupo de professores que organizaram e ministraram os módulos neste curso. Ademais, reforça o compromisso da UFSM com a formação de professores da Educação Básica”, conclui a professora Francieli Matzenbacher Pinton.

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Repórteres: Natália 55BET Prozzi, acadêmica de Jornalismo; e Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista 

Ilustradora: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial e bolsista

Mídia Social: Nathalia Pitol, acadêmica de Relações Públicas e bolsista

Editor: Maurício Dias, jornalista

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