Extensão – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco Jornalismo Científico e Cultural Tue, 27 Sep 2022 17:16:44 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Extensão – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco 32 32 Extensão – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/3-modalidades-de-esportes-que-a-ufsm-vai-sediar-no-festival-paralimpico Thu, 22 Sep 2022 18:53:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9493

Existem várias modalidades de esportes adaptados para pessoas com deficiência, que vão desde o futebol, o voleibol e basquete, até diversos tipos de atletismo e categorias como bocha, esgrima e hipismo. O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) lista 24 modalidades de esportes adaptados. Eles ocupam espaços importantes em competições nacionais e internacionais, a exemplo da 24ª Surdolimpíadas, que aconteceu em maio deste ano em Caxias do Sul, e os Jogos Paralímpicos de Tóquio, que ocorreram em 2020.

 

Em setembro, é a vez da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) sediar uma competição do tipo. Criado em 2018, o Festival Paralímpico é realizado de modo descentralizado, ocupando estruturas existentes em várias cidades brasileiras. O objetivo é proporcionar a experiência das modalidades paralímpicas para crianças com deficiência e difundir o movimento paralímpico no país. Crianças sem deficiência também podem participar: 20% das vagas são destinadas a esse público. A primeira edição abrangeu 48 cidades e teve participação de mais de 7 mil crianças. Já em 2019, foram 70 cidades e mais de 10 mil crianças. Em 2020, o evento não ocorreu por conta da pandemia. Em 2021, foram 8 mil crianças e 70 cidades de variados locais do Brasil. Já em 2022, são 105 sedes selecionadas. Além de Santa Maria, outras cinco cidades gaúchas recebem o festival: Alvorada, Canoas, Gravataí, Santo Ângelo e Porto Alegre (com dois locais). O Festival acontece em setembro por conta de duas datas comemorativas: o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21) e o Dia Nacional do Atleta Paralímpico (22).

Descrição da Imagem: Fotografia horizontal e colorida de cinco pessoas sentadas em cadeira de rodas em uma quadra de basquete. Elas estão em uma faixa horizontal. Duas pessoas estão com os braços esticados e seguram uma bola de basquete. São cinco homens, sendo um adolescente. O homem da esquerda está de costas e com a mão levantada. Dois vestem coletes verde neon, e os outros, camiseta azul com o texto "segundo tempo". No canto superior direito, tabela de cesta de basquete em branco com linhas pretas. O fundo é uma parede de tijolos a vista na cor marrom avermelhado,

O órgão responsável pela realização do Festival na UFSM é o Núcleo de Apoio e Estudos da Educação Física Adaptada (NAEEFA), coordenado pela professora Luciana Palma. Para a docente, o momento é de importância e relevância ímpar. “Sediar este evento de magnitude nacional é receber o reconhecimento de um longo trabalho desenvolvido tanto na extensão – que é o principal objetivo do núcleo, quanto no ensino e na pesquisa”, afirma. O NAEEFA completou 28 anos de atuação em 2022, e promove diversas atividades com esporte adaptado, como o goalball, o basquete em cadeira de rodas, natação e tênis em cadeira de rodas (os dois últimos com a retomada prevista para o segundo semestre deste ano). Luciana aponta que as modalidades de voleibol e atletismo ainda não são realizadas em projetos do NAEEFA, mas que, junto com a modalidade do parabadminton, estão previstas para serem contempladas em projetos futuros.

 

A docente salienta que o festival não tem um enfoque competitivo e de disputa de medalhas. “O Festival Paralímpico tem como objetivo principal a vivência em modalidades paralímpicas. Por isso, cada cidade escolheu as modalidades que tem condições de oferecer, e nós escolhemos pelos projetos que temos”, explica. No Festival Paralímpico, a UFSM irá sediar três modalidades de esporte adaptado. O evento ocorre neste sábado, 24 de setembro, no Centro de Educação Física e Desporto (CEFD). Conheça as modalidades:

1. Basquete em cadeira de rodas

De acordo com o CPB, o início da prática do basquete em cadeira de rodas foi com ex-soldados norte-americanos que foram feridos na 2ª Guerra Mundial. A modalidade foi a primeira do tipo paralímpico a ser praticada no Brasil, em 1958, no Rio de Janeiro. Luciana explica que os atletas são avaliados conforme o comprometimento físico-motor. “Eles passam por uma avaliação funcional antes das competições e todos jogam em uma cadeira de rodas específica da modalidade basquete, porque cada modalidade em cadeira de rodas tem a especificidade [do tipo] de cadeira”, descreve. 

 

As dimensões da quadra e alturas da cesta são as mesmas do padrão do basquete olímpico. Segundo o CPB, as cadeiras de rodas recebem adaptação e padronização de acordo com as regras da Federação Internacional de Basquete em Cadeira de Rodas (IWBF). As regras explicadas no site da CPB descrevem que a bola deve ser quicada, arremessada ou passada a cada dois toques na cadeira. São quatro quartos com duração de dez minutos cada. Podem competir pessoas com alguma deficiência física e/ou motora e os times são formados por até cinco pessoas.

2. Voleibol sentado

No voleibol sentado, a rede é mais baixa e a quadra é menor. Segundo o CPB, na modalidade masculina, a altura da rede é de 1,15 metros, e, na feminina, 1,05 metros. A quadra tem dez metros de comprimento e seis metros de largura. No esporte olímpico, a quadra tem 18 metros de comprimento por nove metros de largura. Pessoas que têm alguma deficiência física e/ou dificuldade de locomoção são divididas em dois times de seis pessoas. A duração das partidas é a mesma do esporte olímpico: 25 pontos corridos para os sets e 15 para os Tie-Break. Uma das diferenças deste tipo de esporte paralímpico para o olímpico é que é possível bloquear o saque. Conforme o CPB, os atletas devem manter sempre o contato com a quadra, a não ser em deslocamentos.

3. Atletismo

Atletas com deficiência física, visual ou intelectual podem praticar o atletismo paralímpico, de acordo com o CPB. As provas se dividem entre os tipos de pista, campo e rua, nas modalidades de corrida, saltos, lançamentos e arremessos. Entre as provas de corrida estão as de pista – 100m, 200m, 400m, revezamento de quatro por 400m, revezamento de quatro por 100m, 800m, 1500m, 5000m e 10.000m – e as de rua – maratona de 42 quilômetros e meia-maratona de 21 quilômetros. As provas de lançamento contemplam o lançamento de disco e club e o de dardos. Há tanto salto em distância quanto salto em altura e salto triplo. Na modalidade de arremessos, há somente os arremessos de pesos. No Festival Paralímpico sediado na UFSM, serão ofertadas provas de campo, como arremesso, e provas de pista, como a corrida.

 

Luciana destaca que o atletismo foi uma das primeiras modalidades praticadas por pessoas cegas, e atualmente é uma das mais procuradas por conta da amplitude de provas. “É uma modalidade de destaque no cenário paralímpico brasileiro”, evidencia.

Descrição da imagem:

Esporte adaptado

A diferença entre o esporte olímpico e o paralímpico é a adaptação de regras, espaços e materiais. Luciana ressalta que o objetivo é equiparar a participação de todas as pessoas nas modalidades. Esportes como basquete, voleibol, bocha e natação são esportes olímpicos e foram adaptados para pessoas com deficiência. Já o goalball, esporte adaptado também oferecido pelo NAEEFA na UFSM, é uma modalidade criada para pessoas com deficiência visual – tanto cegas quanto com baixa visão – e não tem equiparação no esporte olímpico. “As adaptações dependem da modalidade e da pessoa com deficiência que irá participar. Cada modalidade de esporte paralímpico tem especificidades conforme a deficiência e as necessidades das pessoas”, complementa Luciana.

Expediente:

Reportagem: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Fotografias: Ana Alícia Flores, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista da Agência de Notícias;

Design gráfico: Cristielle Luise, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Camilly Barros, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.

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Extensão – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/trilha-rupestre-projeto-em-sitios-arqueologicos-no-mato-grosso-do-sul-visa-fortalecimento-cultural-turistico-e-economico-da-regiao Thu, 08 Sep 2022 18:49:46 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9484

O estado do Mato Grosso do Sul apresenta grande potencial turístico e científico relacionado à arqueologia. Até o momento, são 737 sítios arqueológicos cadastrados no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que fornecerão subsídios para a criação de uma “Rota Rupestre”. Desses, os com maior potencial são 80 sítios que têm pinturas rupestres e estão situados no corredor ecológico Cerrado-Pantanal. O destaque é a cidade de Alcinópolis, que tem 28 sítios.

O que é a Rota Rupestre?

A Rota Rupestre é um programa institucional da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) que visa ao fortalecimento cultural, turístico e econômico entre os municípios sul-matogrossenses do corredor ecológico Cerrado-Pantanal. Nas cidades que têm sítios arqueológicos com arte rupestre, algumas ações têm sido desenvolvidas para fomentar a economia local de maneira sustentável, com a capacitação da comunidade para a circulação de renda através da Bioeconomia. Ou seja, busca-se que os sistemas biológicos e os recursos naturais se aliem às novas tecnologias para gerar produtos e serviços sustentáveis. Ao potencial arqueológico-científico soma-se o turístico. A Rota Rupestre pode apresentar, para além da arqueologia, o turismo sustentável, rural, ecologicamente correto e que preserva suas riquezas. O projeto pensa na “necessidade do passado” para uma melhor compreensão do presente e a projeção do futuro.

 

Os idealizadores do Programa Rota Rupestre são a arqueóloga Lia Brambilla e o professor Ivo Leite, ambos da UFMS. Por meio de um acordo de cooperação entre a UFMS e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o Laboratório de Arqueologia, Sociedades e Culturas das Américas (LASCA), do qual o professor André Luis Ramos Soares é o coordenador, vai colaborar com os levantamentos arqueológicos a serem realizados, a exemplo da escavação arqueológica na cidade de Alcinópolis, que fica no sítio Barro Branco. Também vamos desenvolver trabalhos relacionados à Educação Patrimonial na região.

 

 

Essas parcerias são fundamentais para troca dos saberes entre os estados brasileiros e objetiva fazer com que a arqueologia, mediante as pesquisas arqueológicas, seja reconhecida como um processo participativo entre as diversas cidades do Mato Grosso do Sul, em uma transmissão de conhecimentos arqueológicos sobre a Pré-História regional. Assim, é possível ressaltar, ao mesmo tempo, a preservação do patrimônio cultural, a bioeconomia e a educação patrimonial e ambiental.

Arte Rupestre

No Mato Grosso do Sul, os cerrados e as planícies pantaneiras tinham fartura de alimentos, frutos, caças e pescas. Há indícios de que muitos grafismos ou desenhos poderiam servir para orientar sobre os locais onde encontrar alimentos em determinadas estações do ano, pois a biodiversidade pantaneira era atrativa para os grupos  humanos daquela época.

 

 

Dos 79 municípios sul-matogrossenses, em 16 deles há registros de arte rupestre, que incluem pinturas e gravuras. As datações obtidas na região chegam a 12 mil anos e colocam o local em um panorama nacional de ocupação das mais antigas do Brasil. Nos próximos anos, pode haver mais descobertas dessa materialização intencional do modo de viver da sociedade pré-histórica, que são pontos de pesquisa importantes.

Expectativas 

Partimos do  princípio de levar os sujeitos, sejam eles crianças ou adultos, a um processo ativo de conhecimento do local. Entre os objetivos do Programa Rota Rupestre estão  a geração de renda, a valorização da herança cultural, a produção de novos conhecimentos para formação cultural e a divulgação do patrimônio arqueológico.  Buscamos, também, causar a efetivação do sentimento de pertencimento do cidadão em seu bairro e em sua cidade. Entendemos que uma comunidade consciente do seu patrimônio é capaz de promover a dinamização econômica por meio do turismo histórico e ambiental da região.

 

Após a divulgação dos resultados dos estudos que estamos realizando, que preveem o aproveitamento do potencial ambiental, a sensibilização dos munícipes e a  elaboração de produtos, esperamos que o turismo local e o comércio sejam fomentados. Isso pode gerar empregos nas cidades envolvidas na rota, assim como ocorreu em São Raimundo Nonato no Piauí.

  

São Raimundo Nonato, no Piauí, é onde fica o Parque Nacional da Serra da Capivara, o local com maior concentração de sítios de arte rupestre do país. São mais de 300 locais com vestígios de ocupação humana que podem datar de 40 mil anos antes do presente. O Parque Nacional trabalha com a comunidade para a preservação do parque, estimulando o turismo sustentável, a pesquisa arqueológica científica de ponta, bem como a promoção do local. Saiba mais: http://fumdham.org.br/.

 

O programa terá como espaço as cidades que integram a chamada Rota: Alcinópolis, Chapadão do Sul, Corguinho, Costa Rica, Coxim, Figueirão, Jaraguari, Paraíso das Águas, Pedro Gomes, Rio Negro, Rio Verde, São Gabriel do Oeste e Sonora, como pode ser visto no mapa abaixo:

Potencial arqueológico do Mato Grosso Do Sul

Além do enfoque arqueológico (arte rupestre), as pesquisas em Mato Grosso do Sul vão dinamizar a economia local fornecendo produtos que serão gerados através de estudos e apoio acadêmico. O programa foi estruturado em seis eixos de implementação, levando em conta a Bioeconomia: 1. Arqueológico; 2. Botânico-Alimentício; 3. Cerâmico; 4. Químico-Farmacêutico; 5. Agricultura familiar; e 6. Paleontológico.

 

Uma das iniciativas vai ser a exploração de Plantas Alimentícias Não Comercializáveis (PANCs), –  peixinho da horta e ora-pro-nobis, por exemplo – que levará a flora do Mato Grosso do Sul ao restante do país. O projeto dos aromas do Cerrado, desenvolvido a partir de óleos essenciais de plantas locais, também integrará a proposta.

 

Entre as atividades que serão realizadas estão a promoção de ações, principalmente educativas,  nas cidades da Rota, que objetivam que os produtos desenvolvidos em cada eixo sejam qualificados dentro das atividades econômicas nos municípios participantes. O intuito é desenvolver iniciativas que permitam o acesso dos educadores, dos educandos e da comunidade aos conceitos de Patrimônio Cultural e de sua preservação; e promover o diálogo entre gerações, principalmente entre a escola, a universidade e a comunidade. Até o momento foram realizados dois workshops, sensibilização de entidades, autoridades e visitas, que servem para que as pessoas conheçam o programa, opinem na estruturação e que nós conheçamos a vocação de cada município.

 

 

Dessa forma, este programa impacta no aprimoramento do aluno da academia e dos moradores das cidades. Consiste em provocar no cidadão sul-mato-grossense e turistas situações de aprendizado sobre o processo cultural e bioeconomia. Partindo da Educação Patrimonial, o ensino e a aprendizagem podem ser dinamizados e expandidos muito além do ambiente escolar, ao inserir a comunidade no processo. Por meio das ações, os alunos e a comunidade poderão conhecer lugares, histórias, objetos, monumentos e tradições que foram ou são importantes na história local. Além disso, irá dinamizar a economia da região. Logo, o patrimônio pré-histórico, histórico e o meio ambiente em que está inserido oferecem oportunidades de provocar sentimentos de surpresa e curiosidade nos alunos, professores, servidores e guias de turismo , levando-os a conhecer que é um bem cultural e patrimonial.

Expediente:

Texto: André Luís Ramos Soares (LASCA/UFSM) e Lia Raquel Toledo Brambilla Gasques (UFMS);

Design gráfico: Vinicius Bandeira, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Camilly Barros, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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Extensão – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/serie-documental-o-que-tem-passado-e-ufsm-trajetorias-compartilhadas Thu, 18 Aug 2022 14:52:03 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9463

A TV OVO lança, na próxima semana, uma série documental intitulada ‘O Que Tem Passado’. O projeto busca abordar pontos turísticos, preservação de memória e patrimônio e destacar locais importantes para a comunidade em cinco municípios da região central do Rio Grande do Sul. Para a produção dos episódios foram visitadas as cidades de Mata, São Martinho da Serra, Silveira Martins, Agudo e Santa Maria.

A roteirista Neli Mombelli, que também auxiliou na produção, co-direção e edição dos episódios, conta que a ideia surgiu a partir da necessidade de falar do passado para entender o presente e a construção do futuro. “‘O Que Tem Passado’ fala não só do passado que ainda resta no presente, mas como os patrimônios e as histórias se modificam e se transformam ao longo do tempo”, explica.

Descrição da imagem: colagem horizontal e colorida de pessoas e elementos. No lado direito da imagem, em destaque, três pessoas em frente a um arco azul. Elas estão sobre um gramado. Na parte inferior direita, Ilustração de um dinossauro cinza atrás de um homem, de costas e roupas escuras, que segura uma câmera preta. No centro inferior esquerdo, câmera preta grande com elementos como microfone e flash acoplados. No visor da câmera, uma mulher em meio a uma rua. Acima da câmera, a logomarca da "tv ovo", com a palavra 'tv' em verde claro e 'ovo' em azul. O fundo é composto pela imagem de seis pessoas em frente a uma bancada branca com objetos antigos, parede azul com quadros emoldurados. Há elementos de gravação, como câmeras, microfones e fones de ouvido.

Para guiar o espectador pelas diferentes cidades, a série conta com a participação de três personagens-pesquisadores: Manuela Fantinel, jornalista e cronista; Daniel Pereyron, arquiteto e urbanista; e João Heitor Macedo, historiador e arqueólogo. Com um desenvolvimento no estilo road movie (em que os personagens viajam para chegar aos diferentes destinos), os três pesquisadores, que trabalham em diferentes áreas, unem seus conhecimentos e constroem a narrativa de cada episódio, junto às relações que estabelecem ao longo do percurso com os patrimônios histórico-culturais e com os residentes de cada cidade. 

Neli Mombelli revela que, desde o início, pretendia-se contar essas histórias a partir do olhar de um jornalista para o presente, de um historiador para o processo histórico da sociedade e de um arquiteto, uma vez que as edificações representam modos de vida. No caso dos patrimônios, edifícios revelam muito sobre quais sociedades habitaram a região retratada na série.

As cidades que foram escolhidas para serem representadas na série documental contemplam, geograficamente, a região central do Rio Grande do Sul. A proposta é trazer a diversidade cultural dos municípios selecionados fazendo com que cada local ganhe visibilidade em um aspecto diferente, como a imigração alemã e italiana, a presença dos povos indígenas e a escavação de fósseis. 

Outro ponto importante para a construção dos episódios foi  a participação da comunidade. A série foi desenvolvida por meio de visitas aos locais escolhidos, em que foram ouvidos moradores, servidores de órgãos públicos e pesquisadores. O historiador João Heitor Macedo pontua que um dos cuidados está na construção de uma narrativa de fácil entendimento, para que o conteúdo seja acessível a todos: “Podemos sim levar a informação técnica e científica, mas tem que ser a linguagem de quem nos ouve, tem que ser a linguagem de quem nos conta; e isso vai aparecer na série”, ressalta.

Com a produção, também busca-se a valorização do patrimônio material e imaterial da região. Por meio do audiovisual, torna-se possível disseminar o conteúdo para um maior número de pessoas, a fim de fazer ele circular entre diferentes públicos de diversos locais. João Heitor destaca que a produção é uma síntese de várias narrativas em que a população é chamada a conhecer sua própria história. Dessa forma, a importância da preservação da memória ganha maior projeção e permite reflexões sobre como os diferentes patrimônios são tratados em cada município, a importância de cada local e a necessidade de fomentar o interesse público para o cuidado com a memória e a identidade. 

Além de todos os aspectos já elencados, outro elemento que se destaca em ‘O Que Tem Passado’ é que, de forma direta ou indireta, as cidades abordadas no documentário compartilham suas trajetórias com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) . Neli conta que a Universidade, apesar de não estar prevista nos episódios, aparece nas histórias contadas e na construção das cidades visitadas para a série documental. “Fomos nos dando conta da importância que a UFSM tem não só para Santa Maria, mas para toda a região central. Ela está presente em cada lugar, na vida individual e também coletiva”, lembra a roteirista. Abaixo, elencamos quatro espaços da Universidade que foram lembrados em diferentes episódios da série:

CAPPA

O Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia/Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM) foi criado com o objetivo de dar suporte à pesquisa paleontológica na Quarta Colônia, e abarca vários municípios da região. Dentre eles, a cidade de Agudo, destino dos personagens da série.


A criação da primeira unidade ocorreu em 2003, quando a Secretaria Executiva do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia (CONDESUS) elaborou o projeto “Parques Paleontológicos Integrados da Quarta Colônia” e deu início à construção do setor científico da unidade. A partir de 2010, o CAPPA passou a fazer parte da UFSM e, em 2013, passou a funcionar efetivamente como órgão suplementar do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE). A iniciativa tem como objetivo mapear novos sítios fossilíferos e monitorar os locais já conhecidos, além de coletar fósseis de vertebrados e plantas. Também proporciona a divulgação paleontológica/científica para a comunidade.

Descrição da imagem: fotografia horizontal e colorida de cinco pessoas em uma roda. Elas estão em segundo plano, sobre um gramado verde. Na frente, em primeiro plano, uma estátua de dinossauro. O fundo tem um céu azul com muitas nuvens brancas.

Jardim Paleobotânico

Outro local visitado pelos personagens da série documental é o Jardim Paleobotânico. Localizado em Mata, é um espaço ao ar livre para contemplação de fósseis vegetais. O Jardim ganha destaque pelo grande número de fósseis preservados e que podem ser observados ainda no solo, sendo considerado uma reserva protegida, a única do gênero no Brasil. Ele foi idealizado e criado no ano de 1980, a partir de uma parceria entre a UFSM e a Prefeitura Municipal de Mata, com o intuito de ser um campo de estudos, preservação e visitação. No ano de 2018, foi reconhecido como Patrimônio Histórico e Artístico do Estado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul (IPHAE), dada sua importância como registro para compreender a evolução histórica da sociedade no contexto sul-rio-grandense.

Descrição

Museu do Imigrante

Desde março de 2021, o Museu do Imigrante de Silveira Martins passou a funcionar junto à UFSM Silveira Martins, nas dependências do prédio do antigo colégio Bom Conselho, edificação  tombada como patrimônio histórico. O museu tem por objetivo trabalhar para a preservação da memória dos imigrantes italianos da região. O acervo demonstra pontos importantes da vida de famílias que chegaram ao Rio Grande do Sul, como se estabeleceram na região e como aspectos culturais e identitários perpassam gerações. Por isso, fez parte da construção do episódio que conta sobre os patrimônios históricos, a imigração italiana, a gastronomia, além de resgatar lendas da cidade.

Arco da UFSM

Criada na década de 1960, a UFSM foi a primeira universidade no interior do país, o que representou um marco importante no processo de interiorização do ensino universitário público no Brasil. Na série documental ‘O Que Tem Passado’, foi contemplada de diferentes formas ao longo dos episódios, pelos olhos atentos de Manuela, Daniel e João Heitor.

 

No episódio protagonizado por Santa Maria, cada um dos atores escolheu um local que fosse a sua referência para contar a história do município. O lugar escolhido por João Heitor foi o Arco da UFSM, porque, segundo o historiador, muda e transforma a vida de todos aqueles que passam por ele. “Se eu tive o prazer de ser pesquisador das várias temáticas que são apresentadas na série é por tudo que eu vi, aprendi e vivenciei dentro da UFSM, e que ainda vivencio”, ressalta. Ele ainda destaca a Universidade como polo de conhecimento e catalisador de um processo de pesquisa, documentação e registro que contribui para o desenvolvimento da região. Por isso, a UFSM aparece como um capítulo importante na história narrada pela série documental.

Fomento à cultura e à acessibilidade

A série documental passou a ser produzida após o projeto ser selecionado  no edital da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (SEDAC), que recebe financiamento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC Patrimônio). Para João Heitor, os editais de fomento à cultura são fundamentais: “Quanto mais for investido no setor da cultura, da economia criativa, da produção audiovisual, da produção de conteúdo – seja através da arte, literatura, escrita, música, estaremos dando vazão a uma produção que é científica, mas que chega à comunidade”, evidencia. 

Os episódios contam com recursos de acessibilidade, como tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras), audiodescrição e legendas descritivas. Dessa forma, a produção audiovisual busca promover o acesso ao público com deficiência auditiva ou visual, o que fomenta a inclusão social e a cidadania. A série documental estará disponível no canal do YouTube, no Facebook e no Instagram da TV OVO a partir da próxima semana (veja o cronograma abaixo). Além da circulação da série nas redes sociais, os cinco episódios, de cerca de 15 minutos cada, serão exibidos em TV aberta,  no Canal 18.2 da TV Câmara.

Cronograma de lançamento :
24/08 (quarta-feira): Teaser
25/08 (quinta-feira): Episódio sobre Mata
28/08 (domingo): Episódio sobre São Martinho da Serra
30/08 (terça-feira): Episódio sobre Silveira Martins
01/09 (quinta-feira): No Theatro Treze de Maio (presencial): exibição dos episódios sobre Agudo e Santa Maria
02/09 (sexta-feira): Episódio sobre Agudo
03/09 (sábado): Episódio sobre Santa Maria

 

 

Ficha Técnica:

Personagens

Manuela Fantinel – Jornalista

João Heitor Macedo – Arqueólogo e Historiador

Daniel Pereyron – Arquiteto e Urbanista

Direção

Neli Mombelli e Marcos Borba

Roteiro

Neli Mombelli

Pesquisa histórica

Nathália Arantes

Produção executiva

Marcos Borba

Produção

Neli Mombelli

Marcos Borba

Montagem

Neli Mombelli

Marcos Borba

Coordenação Geral

Oficina de Vídeo – TV OVO

Expediente:
Reportagem: Thais Immig e Milene Eichelberger, acadêmicas de Jornalismo e voluntárias;
Design gráfico: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;
Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;
Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;
Edição geral: Luciane Treulieb, Mariana Henriques e Maurício Dias, jornalistas.
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Extensão – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/aula-a-ceu-aberto-disciplina-aproxima-estudantes-do-colegio-politecnico-e-agricultura-familiar Wed, 27 Jul 2022 16:45:52 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9418

Julho é época da couve-flor, da laranja, da abóbora e, também, de homenagens ao produtor rural. Enquanto a última segunda-feira (25) marcou o Dia Mundial da Agricultura Familiar e o Dia do Colono, amanhã (28) será celebrado o Dia do Agricultor. A proximidade entre a agricultura e o pequeno produtor vai muito além do calendário. Como mostram os dados do último Censo Agropecuário, 77% dos estabelecimentos rurais do país são de pequenos produtores. Além disso, este segmento é responsável por 67% dos empregos no setor agropecuário.

 

Para fazer com que o alimento chegue à mesa dos brasileiros, o pequeno produtor conta com o auxílio do extensionista rural. Esse profissional é quem auxilia e orienta os agricultores nos variados desafios do dia a dia. Para isso, ele precisa ter um olhar amplo, pois os problemas do campo não se restringem apenas às questões produtivas.

Descrição da imagem: Ilustração horizontal e em tons de azul e verde com detalhes em amarelo e roxo. Na parte central inferior da imagem, montanha em destaque. No canto inferior esquerdo, quatro pessoas em um círculo. Elas vestem roupas nas cores amarelo, todo e rosa pink e seguram cadernos amarelos nas mãos. Estão em pé. Ao lado deles, na direita da imagem, três canteiros na diagonal, com plantas em cima. Não é possível identificar o tipo de planta. Ao fundo, na montanha, seis pessoas espalhadas em duplas. Há árvores e arbustos espalhados pela montanha. Ao fundo, outra montanha em verde escuro. Na metade superior da ilustração, céu azul com três nuvens brancas.

“Além do cultivo agrícola, a extensão rural deve focar na família e em seus aspectos econômicos e sociais. A extensão rural tem este aspecto abrangente de compreender o conjunto de aspectos dessa vivência no campo para promover desenvolvimento e qualidade de vida”, destaca Gustavo Silva, professor do Colégio Politécnico e coordenador da Polifeira.

 

Com o objetivo de preparar melhor os alunos para lidar com diferentes âmbitos da extensão rural,  o professor se juntou a  Nathana Diska e Hector Facco, na época alunos do Programa Especial de Graduação de Formação de Professores para a Educação Profissional (PEG – UFSM). Juntos eles desenvolveram uma proposta de ensino diferente para os alunos do curso técnico em Agropecuária. Em vez de trabalharem os conceitos da disciplina de Extensão Rural na sala de aula, os alunos foram organizados em duplas e distribuídos em 25 propriedades rurais do município de Agudo (RS). 

 

A experiência realizada no segundo semestre de 2019 resultou no artigo intitulado “As vivências como metodologia de ensino da extensão rural: a aproximação entre estudantes e agricultores para a compreensão da realidade social”, publicado na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos no início deste ano. As duas principais teorias que embasam a metodologia são a pedagogia histórico-crítica, de Demerval Saviani e a perspectiva construtivista de Jean Piaget.

Pedagogia histórico-crítica: defende uma educação preocupada com o desenvolvimento cultural, intelectual e crítico. Os alunos aprendem a compreender o mundo de forma crítica por meio dos conteúdos trabalhados.

 

Construtivismo: considera que o conhecimento é construído pelo aluno e em etapas. O estudante não é apenas um aprendiz, mas também um sujeito com conhecimentos que devem ser levados em consideração pelos professores para que o processo de ensino seja efetivo.

O cronograma da disciplina foi dividido em quatro momentos de “ensino-reflexão-ação”, que combinavam a teoria com a prática. Foram realizados quatro encontros de cinco horas entre alunos e produtores durante o semestre. Ao final de cada saída a campo, os alunos discutiam as informações que haviam recolhido, como as atividades e a configuração familiar de cada propriedade para planejar as próximas ações junto aos professores.

Descrição da imagem: fotografia horizontal e colorida de um grupo de cerca de 50 pessoas. Elas estão reunidas em três fileiras, sendo uma de pessoas sentadas/agachadas, e as outras em pé. Há vários homens e mulheres em roupas coloridas. As paredes são na cor creme e o piso é branco. Há três janelas do tipo venezianas abertas.
Antes do primeiro contato com os agricultores, os alunos tiveram três aulas teóricas de preparação para o primeiro contato com os produtores. Foto: Acervo pessoal

Gustavo trabalha com a disciplina de Extensão Rural desde 2005, com passagem pelo Instituto Federal Farroupilha e atualmente leciona na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Nesse período, ele já utilizou diversas metodologias – desde aulas totalmente teóricas até a combinação de conteúdo com algumas saídas a campo. 

 

Ao observar a atuação dos egressos, o professor percebeu que, muitas vezes, eles não conseguiam trazer as respostas que os agricultores familiares precisam para os desafios cotidianos. Com o auxílio de Nathana e Hector, que realizavam estágio no Politécnico, a inquietação do professor abriu o caminho para a construção de uma metodologia que colocasse os alunos em contato direto com seu futuro ambiente de trabalho: o meio rural.

 

O docente explica que o diferencial da disciplina é tornar o aluno protagonista na construção da sua aprendizagem por meio da interação com o mundo real. “A sala de aula é um ambiente neutro, que não reage. Nela nós oferecemos apenas um desenho da realidade, mas a prática é diferente. Essa vivência é fundamental para a formação dos alunos, porque auxilia na criação dos princípios que irão nortear suas ações como futuros profissionais”.

 

O objetivo era fazer com que os alunos trabalhassem o aspecto social da atuação em extensão rural. Por isso, a surpresa foi um elemento chave da experiência: os alunos chegaram completamente às cegas nas propriedades, sem nem mesmo conhecer as famílias com quem trabalhariam. “O objetivo era que eles entendessem e melhorassem a realidade de pessoas que não conheciam. Assim que os alunos chegavam, eles tinham que fazer perguntas para conhecer os agricultores”, destaca Nathana Diska, uma das autoras do artigo.

 

O professor enfatiza que o problema para a realização de disciplinas neste formato não é falta de interesse dos docentes, mas sim de estrutura. Somente com os auxílios do escritório da Emater (Associação Rio-Grandense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural) em Agudo, da prefeitura do município e da Cooperativa Agrícola Mista Agudo (CooperAgudo), que entraram em contato com as famílias e forneceram o transporte para os alunos, que a atividade se tornou possível.

 

 

Por conta da pandemia e da adoção do Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE) pela UFSM, a disciplina voltou a ser ministrada de forma totalmente teórica. “Voltamos a passar para os alunos apenas um desenho do que acontece lá fora, o que é muito limitante. A extensão rural precisa da presencialidade. A assistência técnica de um cultivo consegue ser suprida pelo WhatsApp, mas não há o diálogo com as famílias, que é fundamental para o processo educativo”, afirma Silva. A expectativa do docente é que as atividades de campo relacionadas à disciplina sejam retomadas no próximo semestre.

Diálogo entre diferentes saberes

Para os pesquisadores, é preciso desconstruir o conceito predominante de que o papel do extensionista se resume apenas a fornecer orientações técnicas sobre cultivo. O que diferencia a extensão rural da assistência técnica é o olhar social, que busca entender a realidade dos produtores e buscar formas de melhorá-la. “A extensão rural não existe sem o contato com o produtor. Nós também trabalhamos com a arte e com as ciências humanas, pois precisamos compreender o contexto onde as pessoas vivem”, enfatiza Gustavo.

 

Outro aspecto importante é formar alunos que não acreditem estar em uma posição superior a  dos agricultores por conta do conhecimento teórico. “O conhecimento deve ser dialogado e acessível. Os estudantes também podem e devem aprender com os agricultores em inúmeras situações, tanto em vivência quanto até mesmo em teorias”, explica Nathana. Os alunos foram ao encontro das famílias com o objetivo de unir os saberes acadêmico e rural em prol da melhoria da realidade do campo.

 

Além de ser capaz de compreender o contexto social em que está inserido, o extensionista deve ser capaz de cativar o agricultor para que o seu trabalho seja bem-sucedido.“É preciso entender como o agricultor pensa e se apropriar disso. Se não, quando o extensionista vai embora, ele volta a fazer as coisas do mesmo jeito.  O estudante precisa entender que, sem a troca de conhecimentos com o agricultor, todo o seu trabalho pode ser perda de tempo”, destaca o professor do Politécnico.

 

O intercâmbio com os agricultores também resultou em novos conhecimentos aos alunos. Nathana conta que a produção de tabaco não é muito trabalhada no currículo do curso, no entanto, o seu cultivo é muito comum no município. “Eles perceberam que tinham conhecimento teórico sobre algo que é muito comum na prática”, lembra.

Descrição da imagem: fotografia horizontal e colorida de três pessoas em uma estufa de morangos. Há uma mulher no canto inferior direito da imagem, que usa um chapéu de palha. Atrás, canteiro com duas filas de plantas de morangos com frutas. Atrás, duas pessoas com cestas de morangos: uma mulher e um homem. Os dois usam jaquetas na cor verde militar. O fundo é o teto da estufa transparente.
Por meio da atividade, os alunos puderam dialogar com os produtores, conhecer suas realidades e trocar conhecimentos. Fotos: Acervo pessoal
Descrição da imagem: fotografia horizontal e colorida de três pessoas paradas em uma lavoura vazia. São dois homens e uma mulher. O homem do centro veste camiseta vermelha e calça jeans, e usa boné azul e chinelo de dedo. O homem da esquerda e a mulher vestem a mesma camiseta: tem a cor verde escuro e uma logomarca circular ao centro, com o texto "veterano agropecuária soberano". O homem veste calça preta e bota de galocha. A mulher veste calça jeans e bota de galocha, e usa boné preto. Ao fundo, trator vermelho com plantadeira amarela. Há um homem sobre a plantadeira. No fundo, montanha verde escuro e o céu azul.

Os alunos desenvolveram diversas estratégias de atuação nas propriedades – de orientações para a cultura que a família comercializava, até o manejo do que era produzido para consumo próprio. Já outros preferiram auxiliar os produtores na gestão das mídias sociais para a divulgação dos produtos. Para Nathana, a quantidade de ações realizadas reforça a pluralidade das atividades no campo.

 

Ainda, segundo a pesquisadora, o comprometimento dos alunos surpreendeu até professores de outras disciplinas. “Eles comentavam que era engraçado como alguns alunos que eles consideravam problemáticos e que não depositavam muitas expectativas realizaram a atividade com muita desenvoltura”, recorda. No entanto, o que a surpreendeu foi a atenção dos alunos para questões sociais, como a ênfase na valorização e no fortalecimento do protagonismo feminino no meio rural. Para ela, o conhecimento destes temas é fundamental para a formação de um bom extensionista.

 

O professor Gustavo acrescenta que até mesmo as frustrações de quem não conseguiu realizar a atividade serviram como aprendizado. “Algumas famílias se envolveram no projeto, outras não. Esse é o ritmo da extensão rural. São esses elementos que tornam a experiência rica e que vai dar o sucesso na formação do estudante – compreender o ritmo da ação, compreender que o planejado nem sempre sai como se espera”, pontua.

Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida de sete pessoas na parte da frente de uma sala de aula, na frente de um quadro verde, com cartazes em papel pardo. São três homens e quatro mulheres. Ao fundo, há paredes na cor creme e, na parte superior, luzes fosforescentes.
No final do semestre, os alunos apresentaram e discutiram as ações desenvolvidas durante a vivência. Foto: Acervo pessoal

Para a maior parte das famílias, a experiência também foi positiva. A extensionista do escritório local da Emater, Cláudia Bernardini, conta que após o final da experiência os agricultores ficaram contentes de poder acolher os estudantes e receber sugestões para a melhoria dos processos em suas propriedades. 

 

Cláudia destaca que a atividade proporcionou o desenvolvimento de uma característica que, para ela, é a principal para quem deseja atuar na área: a empatia. “Quando o extensionista entra na propriedade ele tem que ter um olhar amplo para não apenas resolver o problema, mas para ajudar a melhorar a realidade do produtor. O extensionista não faz milagres. Mas, muitas vezes, é possível fazer a diferença com pequenas ações”, enfatiza.

 

Uma das ações que fez a diferença foi a recuperação da fertilidade do solo da propriedade de Claudete Sell, 56 anos, moradora da localidade de Picada do Rio, em Agudo. Ela conta que a pastagem usada para alimentar o gado não crescia de forma adequada. 

 

Os alunos realizaram uma análise do solo e, a partir dos resultados, sugeriram a aplicação de calcário, o que resolveu o problema. “Foi uma experiência muito válida para nós, porque muitas vezes temos que pagar pela análise do solo e eles fizeram de graça pela Universidade. Além disso, conseguimos bons resultados ao seguirmos as sugestões deles”, relata a produtora.

 

Claudete também recebeu sugestões de melhorias para a sala de ordenha e recebeu dicas sobre o manejo de leite. A agricultora conta que manteve contato com um dos alunos que concluiu o curso e que agora trabalha no setor agrícola. “Com certeza serão bons profissionais”, projeta.

 

Marson Adriano Dumke, 45 anos, morador da Linha Teotônia, também em Agudo, cultiva milho e bergamota, que vende para a merenda escolar.  Ele conta que os alunos do Politécnico sugeriram que ele fizesse a poda do pomar, algo que não costumava fazer. Após a poda o produtor percebeu um aumento significativo na produtividade.

 

Entre os momentos marcantes da experiência para o produtor não estão somente as orientações técnicas, mas também a troca de vivências com os estudantes. “Eles tiveram a oportunidade de conhecer coisas diferentes. A dupla que me visitou não era do interior e nunca tinham andado de carroça. Foi uma experiência nova para eles. Me sinto feliz por ter contribuído com os estudos deles”, conta o  agricultor.

Papel da academia para a transformação da vida no campo

Paulo Freire também foi uma das referências teóricas para a realização do trabalho. A proposta de transformar os alunos em sujeitos ativos no seu processo de ensino é inspirada no livro ‘Comunicação e Extensão’. Para Gustavo, a presença do pedagogo é essencial para a elaboração de uma proposta de ensino que realmente transforme a vida dos alunos e daqueles com os quais eles entram em contato.

 

Segundo o professor, a obra critica a “educação bancária”, lógica de ensino onde o aluno recebe os conteúdos de forma passiva, sem capacidade de ler o mundo de forma em que o aluno é agente passivo que apenas recebe o conteúdo do professor, sem capacidade de ler o mundo de forma crítica – um dos requisitos fundamentais para um bom extensionista rural. “Nossa metodologia está completamente alinhada com a proposta de Paulo Freire. Nós buscamos estimular que o estudante tenha uma postura investigativa, crítica e busque compreender o outro”, afirma o pesquisador.

 

A ideia de Freire sobre a educação não ser neutra também é citada no artigo.  Para o professor do Politécnico, o ensino das ciências rurais é focado para os grandes produtores, o que deixa  a agricultura familiar em segundo plano. “Se ensina a trabalhar com a agricultura patronal, que é dominante em termos de produção e concentra a maior parte do capital financeiro, mas que responde à minoria dos agricultores e não possui a mesma importância social que a agricultura familiar”, afirma.

 

Para Gustavo, o foco em ensinar aquilo que gera mais valor econômico segrega grupos mais carentes e impede que a agricultura traga desenvolvimento para muitas pessoas. “É preciso ver enxergar a agricultura familiar como forma de interação social e preservação de recursos naturais também. Precisamos que ela seja muito mais do que é hoje, mas se não mudarmos a forma de pensá-la, não sairemos do lugar”, salienta.

 

Esse novo olhar para a agricultura familiar se faz necessário não apenas para o seu aperfeiçoamento, mas para garantir a sua continuidade. “Eu digo que nós vivemos as últimas gerações onde vivemos o modo de ser agricultor na agricultura familiar, por conta da densidade demográfica nas regiões rurais e o envelhecimento dessas populações, que diminuem a mão de obra e põem em risco a sucessão rural”, alerta o professor.

 

Por conta desse contexto, Silva defende que somente uma relação de diálogo e aprendizado mútuo entre a academia e o meio rural é capaz de transformar o cenário. Para tanto, ele defende que os pesquisadores levem seus trabalhos para os produtores e de lá tragam questões de pesquisa: “Devemos sempre fazer uma autocrítica sobre o nosso trabalho. O que estamos fazendo muda a vida de alguém? Leva desenvolvimento para mais pessoas? Traz respostas concretas para problemas que a comunidade, tanto urbana quanto rural, tem?”, indaga. 

 

 

Para o docente o investimento em ações de ensino, pesquisa e extensão que aproximem a comunidade acadêmica e rural é o que garantirá a formação de profissionais capazes de resolver desde desafios cotidianos até às grandes questões do campo que, ao contrário das datas comemorativas, estão presentes todos os dias na rotina dos agricultores.

Expediente:

Reportagem: Bernardo Salcedo, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Design gráfico: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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Extensão – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/parceria-entre-ufsm-e-salton-qualifica-produtividade-de-vinhos-na-campanha-gaucha Mon, 25 Jul 2022 12:51:20 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9413

 

A colaboração técnico-científica entre professores do Departamento de Solos e do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)  com a Salton iniciou em 2010.  Maurício Copat, Técnico em Viticultura na Salton, conta que, em 2010, quando começou a implantação do vinhedo em Santana do Livramento, a Salton queria entender o funcionamento do solo e quais necessidades e dificuldades com relação ao solo seriam encontradas na região. A área foi cedida para trabalhos experimentais coordenados por Gustavo Brunetto – professor do Departamento de Solos no  Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo (PPGCS) da UFSM – que desejava áreas experimentais para a realização de pesquisas.

Descrição da imagem: Colagem horizontal e colorida de um mapa do Rio Grande do Sul em verde claro com textura de texto de jornal. No centro do mapa, um arco azul marinho. No lado esquerdo, no centro inferior do mapa, círculo vermelho e cacho de uva, com o texto "Santana do Livramento". Na parte superior direita do mapa, círculo vermelho, garrafa azul marinho e taça transparente com líquido vermelho, e o texto "Serra Gaúcha". O fundo é bege com textura de recortes de jornal amassados e desfocados.

Segundo Gustavo Brunetto, a região em que seriam instalados os vinhedos tem condições edafoclimáticas diferentes de outras tradicionais regiões de produção de uva no Rio Grande do Sul, como a Serra Gaúcha. Por isso, surgiu a necessidade da geração de conhecimentos específicos para produção na região da Campanha, relacionados à instalação e às condições dos vinhedos. A importância está em saber quais nutrientes existem no solo para definir a necessidade de aplicação deles, a exemplo do Nitrogênio (N), do Fósforo (P) e  do Potássio (K). 


O professor ressalta  que doses excessivas de nutrientes devem ser evitadas, uma vez que podem prejudicar a produção da uva e a sua qualidade, mas também pode potencializar a contaminação do solo e das águas. Nutrientes devem ser aplicados apenas em períodos em que a videira mais necessita. De acordo com o estudo Nutrição, Calagem e Adubação da videira, os desequilíbrios nutricionais tornam-se mais evidentes nas folhas das uvas, o que gera alterações fisiológicas na fruta.

Descrição da imagem: Box horizontal e colorido. No centro da imagem, sobre pedaço de papel rasgado, o texto: "Condições edafoclimáticas - são as características do meio ambiente, como o clima, o relevo, a litologia, a temperatura, a umidade do ar, a radiação, o tipo de solo, o vento, a composição atmosférica e a precipitação pluvial. Condições edafoclimáticas são as características do solo que influenciam no crescimento e na produção das plantas, frutas ou vegetais". No canto superior esquerdo, círculo bordô. No canto inferior esquerdo, garrafa azul marinho e taça transparente com líquido vermelho. No canto superior direito, arco azul marinho. No canto inferior direito, cacho de uva roxo. O fundo é bege, com textura de recortes de jornal amassados e desfocados.

O processo de produção do vinho

De acordo com o professor Brunetto, a adequada produção de uva é consequência da correta definição da necessidade ou não da aplicação de nutrientes ao solo, de doses apropriadas de nutrientes e de modos de fornecimento e épocas de aplicação.  O pesquisador explica que, quando necessário, a desfolha (retirada de parte das folhas das plantas) e a poda de inverno – dupla poda ou poda invertida, técnica que permite que os produtores colham a uva no período mais seco -, devem ser realizadas  com o objetivo de melhorar a qualidade do cacho e do vinho. Outras práticas de manejo, como aplicações de fungicidas foliares – defensivos agrícolas que impedem o crescimento de fungos nas plantas, podem ser necessárias.

 

Mauricio Copat, engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista em Viticultura e Enologia (UFRGS), informa que o processo de produção do vinho é longo: do plantio ao produto, são três anos. Depois da confecção, o resultado é enviado para a sede da indústria, na cidade gaúcha de Bento Gonçalves, para o processo de engarrafamento.

Descrição da imagem: infográfico vertical e colorido com o título "Produção de vinho". As etapas estão numeradas de 1 a 9, e cada uma está sobre um pedaço de papel bege com as bordas rasgadas. "1. Após a colheita e a chegada da uva até a vincula, acontece o desengace - separação das vagas do engaço ou ráquis, que sustenta o cacho"; "2 - As bagas são amassadas e, em seguida, acontece a prensagem, quando a casca e as sementes são separadas do líquido"; "3 - A prensagem inicial é realizada apenas na elaboração de vinhos brancos. Os vinhos rosés e tintos não passam por esta etapa, pois são fermentados junto com as cascas para ganho de cor"; "4 - Fermentação alcoólica: quando as vagas da uva ficam em contato com o suco em um tanque de fermentação com temperatura controlada. Com o uso de leveduras, os açúcares do mosto serão transformados em álcool"; "5 - quando a fermentação é finalizada, acontece a trasfega, que representa a separação do líquido de resíduos ou sedimentos que permanecem no fundo do recipiente"; "6 - Clarificação: nesta etapa, é retirado qualquer elemento suspenso no vinho para corrigir a turbidez e esterilizar a bebida"; "7 - estabilização tartárica: o vinho é resfriado para que o ácido tartárico cristalize e possa ser separado da bebida por meio da gravidade, o que evita que isso aconteça após o engarrafamento. Quanto mais rápido for o resfriamento, mais eficiente será a precipitação dos cristais"; "8 - Outra trasfega é feita: a depender do tipo de vinho, é necessário fazer várias trasfegas durante a elaboração "; e "9 - Amadurecimento do vinho: pode acontecer em tanques de aço inoxidável ou em barris de carvalho. Vinhos brancos normalmente são amadurecidos em tanques de aço ou em barris de carvalho - como o Chardonnay. Os vinhos tintos passam um tempo em barris de madeira". Ao lado do número 2, uma taça transparente com líquido vermelho. Ao lado do número 4, um cacho de uva roxo. Ao lado do número 6, uma garrafa azul marinho com rótulo branco. No canto inferior direito, arco em azul marinho. Há três círculos vermelhos espalhados no fundo dos textos. O fundo é bege com textura de recortes de jornal amassados e desfocados.

Processo de melhoramento das videiras

Gustavo Brunetto explica que o projeto busca a definição dos teores mais adequados de nutrientes em solos de vinhedos, bem como os melhores teores de nutrientes em folhas. Esse fator ajuda na definição da real necessidade de aplicação de fertilizantes. No entanto,  as doses mais adequadas estão sendo estabelecidas para máximas produções.

 

O professor alega que, mediante pesquisas realizadas, o real impacto das variáveis climáticas sobre a produção da uva está em processo de definição. Se tem observado que a produção e a composição da uva oscila em função de variáveis, especialmente da temperatura do ar e da precipitação de chuva.  Além desse fator, Gustavo comenta que, por meio dos estudos, são feitas definições dos modelos de predição de produção da uva, dos vinhos e de composição do mosto – mistura açucarada destinada à fermentação alcoólica. Essas informações ajudam na definição de doses de nutrientes a serem aplicadas em vinhedos, mas também na organização da logística de vinificação e de comercialização de vinhos. Tudo isso torna relevante o manejo de forma correta, e, consequentemente, uma adubação certa, para atingir tanto uma melhor qualidade quanto uma melhor produtividade.

Descrição da imagem: colagem horizontal e colorida de uma garrafa, uma tava e um cacho de uva. Esses objetos estão no centro da imagem, sobre um disco vermelho bordô. A uva é roxa e tem duas folhas verdes. Ao lado, a taça é transparente e tem líquido bordô dentro. Ao lado, a garrafa azul marinho com rótulo branco e gargalo preto. Atrás da garrafa, um círculo bordô. No lado esquerdo ao fundo, arco azul sobre círculo bordô. O fundo é na cor creme com colagem de pedaços de jornal desfocados e levemente amassados.

Mauricio Copat conta que, como a viticultura na fronteira é recente, ainda não há muitos trabalhos científicos sobre essa região –diferentemente da Serra Gaúcha. Contudo, Gustavo Brunetto relata que as informações obtidas por meio das pesquisas  são apresentadas não só para os técnicos da Salton, mas a todos os interessados pelo tema, como a apresentação dos resultados em palestras e reuniões técnicas na região da Campanha. Para Maurício Copat, o maior benefício desta parceria é ter resultados positivos na produção e na qualidade e conseguir repassar esse conhecimento para a região. Além disso, informa que dados já foram e continuam sendo publicados em livros, capítulos de livros, resumos e artigos científicos.

 

Um exemplo é a cartilha ‘Amostragem e recomendação de adubação para vinhedos da Campanha Gaúcha’, que traz informações sobre o procedimento de amostragem de solo e de folhas. Na cartilha, também é possível obter informações necessárias para interpretar os nutrientes em solos e folhas, além das doses de nutrientes a serem aplicadas em vinhedos da região da Campanha Gaúcha. Gustavo Brunetto ressalta que, atualmente, a UFSM é reconhecida nacional e internacionalmente na geração de conhecimentos relacionados à nutrição de frutíferas, o que inclui videiras, adubação de frutíferas e contaminação de solos. De acordo com o docente, isso só foi possível com a intensa colaboração de professores, pesquisadores e alunos de outras instituições do Brasil e do exterior. As pesquisas foram realizadas com recursos de agências de fomento públicas, nacionais ou estaduais, e com a colaboração financeira do setor privado, que viu na pesquisa a oportunidade de aumentar a lucratividade.

Expediente:

Reportagem: Karoline Rosa, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

Design gráfico: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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Extensão – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/nem-todo-fossil-e-de-dinossauro Mon, 07 Feb 2022 16:53:43 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8969

Quais imagens vêm à sua cabeça quando falamos sobre paleontologia, paleontólogos ou fósseis? Provavelmente uma imagem de um dinossauro gigante e homens escavando um local arenoso com um pincel? Talvez você se lembre de cenas dos filmes Jurassic Park ou Jurassic World da Universal Studios? Essas são as imagens que passam na mente da maioria das pessoas. Se pesquisarmos no Google Imagens a palavra “paleontologia”, imediatamente surgem esqueletos de dinossauros em museus ou em um solo arenoso, reconstruções de dinossauros, alguns homens trabalhando com pincel, martelos geológicos… Entretanto, essa é apenas uma fração do que é feito na paleontologia. Este campo de estudo vai muito além disso, e claro, não é feito somente por homens!

Quando pesquisamos na internet o que é fóssil, a Wikipédia nos traz o conceito, a partir de Tomassi e Almeida, autores da área, de que são “restos de seres vivos ou de evidências de suas atividades biológicas preservados em diversos materiais”. Isso significa que os dinossauros, por serem animais extintos naturalmente, são encontrados apenas e exclusivamente como fósseis. Mas nem todo fóssil é de dinossauro! Também são descobertos fósseis de outros vertebrados (como mamíferos, aves, peixes e répteis), de invertebrados (como os insetos) e de plantas. Além disso, são achados vestígios fósseis, como pegadas, mordidas, fezes e tocas, os quais recebem um nome específico: icnofósseis. 

A paleontologia tem diversos ramos de estudos, cada qual com um nome específico. Explicarei alguns deles a seguir, de forma sucinta, para que alguns dos estudos dessa ciência sejam conhecidos.

Paleomastozoologia

É o ramo da paleontologia que estuda mamíferos fósseis. Dentre eles, estão os animais da megafauna – amplamente conhecidos nos filmes da Era do Gelo. Tatus gigantes, mastodontes, preguiças gigantes, tigres-dente-de sabre: uma fauna que atingiu proporções gigantescas e que foi extinta por fatores climáticos e ambientais.

Paleoneurologia

Trata-se do ramo da paleontologia que estuda a evolução neurológica ao longo do tempo. Os tecidos do sistema nervoso não são preservados, pois rapidamente se decompõem após a morte do animal, assim como outras partes moles, como sistema digestório e epitelial. Portanto, a paleoneurologia não trabalha diretamente com esses tecidos, mas por meio de impressões e/ou contornos internos que foram deixadas nos ossos. Trata-se de uma simulação muito próxima de como esses elementos do sistema nervoso seriam morfologicamente.

Imagem horizontal e colorida de ossos. Há seis ossos, de baixo para cima em ordem de tamanho. O primeiro é grande e o último, pequeno. No lado direito, roedor com pelagem marrom.
Roedor gigante que habitou o Brasil durante o Mioceno superior: Neoepiblema acreensis. Reconstrução feita por Márcio L. Castro

Paleobotânica

É o ramo da paleontologia que estuda vegetais, desde grãos de pólen, esporos e microestruturas até folhas, sementes, flores e troncos. Esses estudos são muito importantes para sabermos sobre mudanças climáticas globais e também sobre ecologia e interação com outros organismos. 

Montagem de fotografias em preto e branco, de impressões digitais de folhas em pedras. Há seis fotografias, as quatro primeiras, retangulares verticais, na parte superior. Abaixo, duas Fotografias retangulares horizontais e, ao lado, mais uma vertical.
Elementos florais encontrados na Bacia do Paraná (Permiano), no Rio Grande do Sul, Brasil.

Paleopatologia

Ramo da paleontologia que estuda a evolução das doenças ósseas, como tumores, fraturas e infecções. Dependendo do tipo de patologia, é possível identificar se esta foi a causa de morte do animal, ou investigar os seus hábitos de vida.

Imagem quadrada e em tons de cinza. Reconstrução virtual de ossos de alossauro, espécie de dinossauro. A imagem é dividida em a, b, c, d. A parte 'a', no lado esquerdo, mostra a reconstrução da escápula. É um osso cinza e curvo. As partes 'b' e 'c' estão no lado direito superior, são ossos cinzas iguais, com uma articulação no meio. A parte 'd', logo abaixo, é um raio x de um osso cinza sobre fundo preto. Há uma fissura no osso.
Escápula de Alossauro (dinossauro) com patologia. A linha pontilhada mostra a fratura.

Icnologia

Estuda vestígios deixados por animais, a exemplo de pegadas, traços de predação (mordidas), coprólitos (fezes), rastros de urina, tocas, entre outros. Esse estudo é muito importante para conhecermos a vida destes organismos, seus comportamentos, suas interações ecológicas e até mesmo sobre suas migrações.

Imagem quadrada e em tons terrosos. Ela é dividida em sete quadros. Todos eles tem fotos de pegadas de dinossauros. Há diferentes pegadas, com diferentes tamanhos e formatos. Há uma fita quadriculada em preto e branco ao lado das pegadas. Nas pegadas 'a', 'b' e 'e', a fita é pequena em comparação às pegadas. Nas pegadas 'd' e 'f', as pegadas são um pouco menores que a fita. E nas pegadas 'c' e 'g', as pegadas são bem menores que a fita. As pegadas estão em um piso quadriculado de pedra.
Pegadas de dinossauros encontrados em Araraquara (São Paulo).

Tafonomia

Ramo da paleontologia que estuda os processos que ocorreram desde a morte do indivíduo, o seu soterramento, até o seu encontro pelos pesquisadores. Existem muitas variáveis que ocorrem nesse processo, como predação do organismo ou rápido soterramento; transporte da carcaça ou não; possibilidade de pisoteio; transporte após fossilizar; quebra, polimento ou destruição do mesmo; entre outros. Essas variáveis podem se sobrepor de diversas formas. 

Durante a minha graduação, estudei fósseis de cervos e camelídeos (camelos e lhamas) provenientes da costa marinha do Rio Grande do Sul. Esses afloramentos fossilíferos estão localizados no solo oceânico (ou seja, embaixo d’água) e são desenterrados pela ação de ondas e correntes marítimas e depositados na faixa de praia. O processo de transporte faz com que os restos fósseis ocorram de forma isolada, desarticulada (os ossos não estão mais conectados), fragmentada e desgastada. 

No meu Trabalho de Conclusão de Curso, foi possível identificar uma predominância de alguns tipos de ossos em relação aos outros. Por exemplo, foram achados muitos astrágalos (osso localizado entre o pé e o tornozelo) e galhadas (chifres de cervos) em comparação com outros tipos de ossos, provavelmente porque galhadas e astrágalos são ossos muito resistentes e porque têm uma morfologia (estrutura) diferenciada. Outros ossos, como as costelas, são mais frágeis e mais suscetíveis à quebra.

Também descobrimos o primeiro registro de bioerosão (uma deformação causada por algum organismo vivo) em uma galhada de cervo, que foram traços de alimentação feitos por um inseto. Esse achado é raro nesse tipo de ambiente, pois os fósseis acabam perdendo muita informação morfológica devido aos processos tafonômicos, como transporte, fragmentação, erosão e bioerosão. 

Expediente:
Texto: Emmanuelle Fontoura Machado, bacharela em Ciências Biológicas pela FURG, mestra e doutoranda em Biodiversidade Animal pelo PPGBA – UFSM;
Ilustrações: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista, e Cristielle Rodrigues, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista;
Mídia Social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;
Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;
Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

Créditos das imagens:

Imagem 01: Ferreira, J. D., Negri, F. R., Sánchez-Villagra, M. R., & Kerber, L. (2020). Small within the largest: brain size and anatomy of the extinctc Neoepiblema acreensis, a giant rodent from the Neotropics. Biology Letters, 16(2), 20190914. doi:10.1098/rsbl.2019.0914;

Imagem 02: Adami-Rodrigues, K., Iannuzzi, R. & Pinto, I. D. (2004). Permian plant–insect interactions from a Gondwana flora of southern Brazil. Fossils and Strata, 51: 106–125. ISSN 0300-9491;

Imagem 03: Christian Foth, Serjoscha W. Evers, Ben Pabst, Octávio Mateus, Alexander Flisch, Mike Patthey & Oliver W. M. Rauhut. 2015.  New insights into the lifestyle of Allosaurus (Dinosauria: Theropoda) based on another specimen with multiple pathologies. PeerJ 3: e940.;

Imagem 04: Francischini, H., Dentzien-Dias, P., de Gobbi, V., & Adorna, M. (2018). As lendas e a ciência por trás dos répteis gigantes de Araraquara. Revista da Biologia, 18(1), 31-36.

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Extensão – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/producao-flores-forma-renda Thu, 20 Jan 2022 14:59:41 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8894

 O Flores Para Todos, projeto de extensão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), teve início no final de 2017 com a proposta de ser uma ligação entre os conhecimentos desenvolvidos na academia e a sociedade, os agricultores e as escolas.  O projeto é uma parceria da Equipe PhenoGlad com a Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) Ascar Regional de Santa Maria. A primeira produção foi em 2018,  com  a cultura de gladíolos como alternativa de renda para o pequeno produtor rural de municípios da região central do Estado. Atualmente, está na sua oitava fase e conta com o cultivo de gladíolos, statice, girassol de corte e dália.

Desde o início até a fase atual, o projeto já abrangeu 157 famílias, 130 municípios, 23 escolas do campo e se fez presente em dez estados brasileiros – das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Os objetivos do Flores Para Todos são a agregação de renda para os produtores, visto que em sua maioria são horticultores – produzem hortaliças e frutas – e não possuem como produto principal as flores. A introdução das espécies no campo possibilita ao trabalhador rural a não dependência de importações das plantas – o que elevaria o custo do produto para a comercialização. Além disso, as equipes do projeto auxiliam na conservação do solo e da água para gerar uma produção sustentável. 

Nas escolas do campo, o Flores Para Todos tem como intuito agregar  ao currículo escolar as atividades ligadas à produção rural, o que configura uma maneira de os alunos obterem conhecimento e transferi-lo aos familiares. As flores cultivadas nas escolas não visam à comercialização, como no caso dos produtores rurais, mas sim serem objeto de estudo para os alunos – para que eles conheçam os processos de manejo e colheita. Além disso, as flores também são utilizadas como decoração em datas especiais,como em formaturas e no Dia das Mães.

Características das flores cultivadas 

Para Lilian Osmari Uhlmann, professora do Departamento de Fitotecnia da UFSM e coordenadora da equipe PhenoGlad do campus Santa Maria, as similaridades entre as culturas do gladíolo, da statice, do girassol de corte e da dália são: 

– Cultivo a céu aberto. Não precisam de um ambiente controlado, como uma estufa;

– Propagação (proliferação) e manejo fáceis;

– Baixo custo de produção, pois utilizam utensílios e ferramentas que os produtores possuem na propriedade, e não precisa de custo adicional com novos instrumentos.

– Ótima aceitação pelos consumidores;

– Apresentam ciclos curtos. Lilian comenta que o ideal é entre setenta a noventa dias para começar a colher as flores. 

A coordenadora também elencou, a pedido da Arco, características específicas do processo de produção de cada uma das flores cultivadas pelo projeto. Confira a seguir:

Gladíolo

Fotografia horizontal e colorida de um gladíolo rosa claro. Detalhe do cacho de clores com cinco flores. Ao fundo, em desfoque, folhagem verde.
Gladíolos do projeto.
Fotografia horizontal e colorida de um gladíolo amarelo, com o centro em laranja. Eles está centralizado. A fotografia é em detalhe do cacho de flores. Na flor superior, ao centro, abelha amarela e preta. O fundo é desfocado, com folhagens e campo verdes.

– Presente em todas as oito fases do projeto. É a principal espécie cultivada;

– Também chamada de Palma de Santa Rita. Era utilizada com frequência na época do Dia de Finados, mas hoje em dia não é usada somente para essa data específica;

– Propagação vegetativa através de bulbos. Pode ser plantada direto na terra, com espaçamento adequado;

– Produz apenas uma haste floral ( parte que sustenta as flores);

– Pode ser cultivada durante o ano todo no Rio Grande do Sul, já que a região possui as quatro estações do ano definidas entre si.

Statice

Fotografia vertical e colorida de um buquê de statices roxas e brancas. O buquê é cheio e arredondado. As flores são pequenas e formam círculos. O fundo é uma parede branca.
Arranjo de statices

– Implantada a partir da sexta fase do Flores para Todos;

– Proliferação através de sementes. “O produtor precisa produzir a muda na bandeja, como se faz com hortaliças como o tomate. Depois, ela é transplantada para a terra”, afirma Lilian;

– Pode ser colhida em maços. Além disso, a espécie pode ser secada após o cultivo, o que permite que seja conservada por até um ano;

– A statice continua brotando mesmo após a primeira colheita. Por isso, realizam-se várias colheitas;

– Dentre as quatro espécies, é a que necessita de menos irrigação. Caso ocorram chuvas frequentes e/ou intensas no período de colheita, pode haver prejuízos para o produtor rural;

– A produção durante o inverno torna-se difícil, devido às baixas temperaturas. O período com resultados mais satisfatórios é a partir de setembro e outubro.

Girassol de corte

Fotografia horizontal e colorida de uma plantação de girassol de corte. No centro da imagem, em primeiro plano, três flores de girassol grandes em destaque. O fundo é desfocado.
Plantio de Girassol de corte.

– Começou a ser implementada a partir da sétima fase;

– O girassol de corte possui durabilidade maior do que aquele cultivado para produção de sementes. Após ser colhido, permanece bonito de uma a duas semanas dentro de um vaso;

– Propagação através de semente, como a statice;

– Produz apenas uma haste;

– A haste é cortada para ter em torno de 70 centímetros de comprimento, a fim de se adaptar da melhor forma dentro dos vasos;

– Como a statice, o girassol de corte tem dificuldades de produção durante o inverno.

Dália

Fotografia horizontal e colorida de uma dália rosa. A flor está em detalhe e tem várias pétalas finas, com as menores ao centro e as maiores nas extremidades. O fundo é verde.
Dálias do projeto.
Fotografia horizontal e colorida de uma dália branca. A flor tem várias pétalas finas, sendo as menores no centro e as maiores nas extremidades. O fundo é verde.
– Entrou na oitava fase do projeto;
– Proliferação vegetativa, por meio de raízes tuberosas. Pode ser plantada diretamente na terra, como o gladíolo;
– No desenvolvimento da haste floral, precisa de uma quantidade considerável de água;
– É preferível o cultivo no verão, visto que as altas temperaturas ajudam a dália a se desenvolver de forma satisfatória para a colheita;
– Após a colheita, a planta continua brotando;
– Usada bastante como planta de jardim.

Experiência dos produtores rurais e das escolas

Durante alguns períodos da pandemia, o projeto precisou diminuir as visitas no campo para assessorar os agricultores. Assim, a equipe PhenoGlad disponibilizou vídeos no YouTube como forma de auxiliar os produtores, que também contaram com o auxílio da Emater. “Existe toda uma conexão e suporte de ambas as partes”, destacam Maria Carvalho e Diesser  Mota, que trabalham com agricultura familiar e ingressaram, há três anos, no projeto Flores Para Todos. Além das quatro espécies, os produtores rurais cultivam também frutas, verduras e legumes.

Vanessa de Morais Tolledo é supervisora escolar da Escola Municipal de ensino fundamental Nossa Senhora de Fátima em Cachoeira do Sul. Antes de a escola ser parte do Flores Para Todos, já tinha um projeto sobre identidade rural, iniciado em 2015. O intuito é realizar um trabalho diferenciado, de acordo com a realidade no campo, para que alunos e comunidade valorizem o local no qual estão inseridos e que possam desempenhar diversas atividades para gerar renda extra. “Esta é a importância do Flores Para Todos para a escola: o projeto apresenta essas possibilidades aos alunos e suas famílias”, afirma Vanessa.

A supervisora escolar ressalta a boa recepção e adaptação do projeto, tanto pelos alunos quanto pelos professores. Como exemplo, ela apresenta o “Gladionário”, que é um dicionário sobre gladíolos produzido pelos estudantes de sexto a nono ano da escola. O trabalho mostra os termos científicos, o manejo e a experiência dos próprios alunos em relação ao cultivo da flor. Agora, na oitava fase, a escola também começou a plantar statice e dália.

Fotografia vertical e colorida da capa do Gladionario. No centro, fotografia vertical de um cacho de gladíolo rosa claro. No centro superior, sobre cilindro bordô, em branco e caixa baixa, o título "Gladionário", e "- o dicionário dos gladíolos -". O fundo é branco.

PhenoGlad Mobile

O aplicativo para dispositivos móveis, PhenoGlad Mobile, tem o nome derivado de fenologia – relações entre os processos ou ciclos biológicos – e de gladíolos, que é a principal flor do projeto. A ferramenta possibilita aos produtores programar o plantio do gladíolo para que a colheita seja em uma data específica.

“Por exemplo, se eles querem cultivar para o Dia de Finados, então, pelo aplicativo, eles conseguem saber o dia certo que as flores precisam ser plantadas. Isso é específico para cada município do Rio Grande do Sul e também de Santa Catarina, que são os dois locais em que o app está disponível”, comenta Lilian. O PhenoGlad Mobile necessita de uma série de informações para funcionar, como o clima, o local e os dados meteorológicos. A engenheira agrônoma relata que o aplicativo está em construção para ser utilizado em outros estados.

Expediente:
Reportagem: Eduarda Paz, acadêmica de Jornalismo e voluntária;
Tratamento de imagem: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;
Mídia Social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Martina Pozzebonn, acadêmica de Jornalismo e estagiária;
Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;
Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.
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Extensão – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/migraidh-ensino-portugues-para-imigrantes Wed, 12 Jan 2022 18:41:29 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8880

Em meados de 2015, um grupo de senegaleses atendidos pela assessoria jurídica e documental do Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional da UFSM (Migraidh – saiba mais no box abaixo) manifestou interesse em melhorar a sua competência comunicativa em língua portuguesa. Com isso, sob a coordenação da professora Maria Clara Mocellin, do Departamento de Ciências Sociais, e estudantes Luís Augusto Bittencourt  Minchola (Direito) e Alessandra Jungs de Almeida (Relações Internacionais), surgiram as Rodas de Conversa, atividade de extensão que visa auxiliar migrantes da cidade de Santa Maria com a aprendizagem e a aquisição da língua portuguesa.

Ilustração horizontal e colorida de sete pessoas sentadas em uma roda. São cinco mulheres e dois homens, sendo três pessoas negras e quatro pessoas brancas. Acima, onze balões de fala: cinco são brancos e os outros tem bandeiras de países no interior: Brasil, Venezuela, Palestina, Paquistão, Senegal e Benin. O fundo é cinza.

Partindo da resposta a uma demanda específica, as Rodas de Conversa revelaram-se mais do que um espaço de ensino-aprendizagem de uma língua adicional, constituindo-se como um ambiente de interculturalidade e acolhimento. Ao longo de seus quase sete anos, já passaram pelo projeto – além de senegaleses – paquistaneses, palestinos, e, mais recentemente, beninenses e venezuelanos. Cada um deles tem a capacidade intrínseca de fazer-nos questionar diariamente a nossa prática extensionista e revisitar com frequência nossa resposta para a pergunta como eu olho para o Outro?

Nesse sentido, ressaltamos a tentativa de construção das Rodas de Conversa como um espaço interdisciplinar, marcado por integrantes do Migraidh oriundos das áreas de Ciências Sociais, Direito, Relações Internacionais, Psicologia e Letras, o que traz para o espaço diferentes perspectivas teóricas. Assim, a atividade renova-se a cada ano, sob os olhares de seus participantes, destacando-se nessas discussões a aproximação da prática das Rodas de Conversa com os pressupostos do Português como Língua de Acolhimento.

Relacionado, inicialmente, ao contexto do programa Portugal Acolhe,  o termo Português como Língua de Acolhimento refere-se ao ensino da língua para um público majoritariamente adulto em um contexto de migração internacional (1). Dentre as diversas implicações que essa característica determina, destaca-se o papel da língua para que o indivíduo possa acessar, com mais facilidade, outros direitos no país recebedor, tais como documentação, saúde, trabalho e educação, além de toda dimensão social e afetiva que é muitas vezes determinada pela capacidade – ou  não – de falar o idioma da comunidade na qual se está inserido. 

Tais especificidades sugerem, portanto, uma organização dos encontros especialmente direcionada para o contexto real de vida dos migrantes e para suas necessidades e objetivos mais imediatos.  Assim, as discussões, os materiais e os aspectos linguísticos trabalhados procuram abordar as experiências e desafios vivenciados no dia a dia, o que demanda uma atuação atenta e sensível por parte dos extensionistas. Muitas vezes, essa atuação estende-se, inclusive, para o auxílio em aspectos da vida prática, tais como: acompanhamento até a Polícia Federal ou imobiliárias, ajuda com gerenciamento de mudanças, orientação sobre matrícula em atividades escolares, e participação em celebrações e festividades religiosas.  

Tal direcionamento, como se percebe, ultrapassa o ensino-aprendizagem de uma língua adicional, e engloba a desconstrução de estereótipos, o estabelecimento de vínculos, e a construção de amizades e afetos. Assim, as diferenças que mundo afora, não raro, motivam exclusão e práticas xenófobas, resultam, nas Rodas de Conversa, na construção, dia após dia, de uma competência intercultural, direcionada para a compreensão do Outro na sua singularidade. Nas Rodas de Conversa, aprende-se que estar no mundo para enxergar, ouvir e aprender com a diferença é mais do que satisfazer uma exigência moral da vida em sociedade, é recuperar aquilo que também nos constitui enquanto sujeitos.

 

O Migraidh e a luta pelo direito humano de migrar

 

Diante da urgência e da complexidade do tema das migrações internacionais, o Migraidh surge em 2013 sob a coordenação da professora Giuliana Redin, do Departamento de Direito. Pautado sempre pelo reconhecimento do migrante como sujeito pleno de direitos, em 2015 o Migraidh firma convênio com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e torna-se o representante da Cátedra Sérvio Vieira de Mello na UFSM (2), assumindo um compromisso com a promoção de conhecimento e de ações voltadas à atenção integral de refugiados e imigrantes, o que se reflete nos eixos de sua atuação.

Na pesquisa, o Migraidh engloba seis diferentes linhas, nas áreas de Direito (linha Proteção e Promoção dos Direitos Humanos de Migrantes e Refugiados no Brasil, coordenada pela professora Giuliana Redin); Ciências Sociais (linhas Fluxos Migratórios Internacionais, Projeto Migratório e Alteridades, coordenada pela professora Maria Clara Mocellin, e Múltiplas Cidadanias e Processos Migratórios, coordenada pela professora Maria Catarina Chitolina Zanini); Comunicação (linha Comunicação Midiática e Migrações Transnacionais, coordenada pela professora Liliane Dutra Brignol); Psicologia (Psicanálise e Migrações: efeitos clínico-políticos dos deslocamentos, coordenada pela professora Marluza Rosa); e Letras (linha Estudos de Política de Línguas, coordenada pela professora Eliana Sturza). 

O coletivo também firma seu comprometimento com a agenda da Cátedra Sérgio Vieira de Mello a partir da promoção do diálogo com a comunidade e de atividades de educação em Direitos Humanos, como as duas edições do Curso de Capacitação de Servidores Públicos, promovidas, respectivamente, nas datas de junho de 2017 e dezembro de 2021; elaboração e defesa de notas técnicas; participação em congressos sobre a temática das migrações;  promoção de oficinas para sensibilização sobre o contexto migratório; publicações de divulgação gratuita (3); e diversas participações em outros espaços, tais como cursinhos populares, escolas e mesas de discussão em eventos e debates produzidos por outros cursos da UFSM.

Além de atividades voltadas à educação da comunidade para a temática das migrações, o Migraidh também consolida sua atuação através de um programa de extensão, denominado Assessoria a Imigrantes e Refugiados. Coordenado pela professora Giuliana Redin, o programa engloba assessoria jurídica e documental, atendimento psicológico clínico (promovido a partir de um convênio com o Núcleo de Psicanálise do curso de Psicologia da UFSM), acolhimento e ensino de língua portuguesa. A diversidade em termos de pesquisa e extensão evidencia o caráter dinâmico e interdisciplinar do campo das migrações e reafirma o princípio fundamental do Migraidh: o compromisso com a atenção integral ao sujeito migrante a partir da sua subjetividade, orientado pelo entendimento do ato de migrar como um direito humano.   

 

(1) Para familiarizar-se com o tema, sugere-se a leitura: GROSSO, Maria José dos Reis. Língua de acolhimento, língua de integração. Horizontes de Linguística Aplicada, v. 9, n. 2, p. 61-77, 2010. Disponível em <http://doi.org/10.26512/rhla.v9i2.886>
(2) Para informações sobre a Cátedra Sérgio Vieira de Mello, consultar:  http://www.acnur.org/portugues/catedra-sergio-vieira-de-mello/
(3) A mais recente publicação do grupo Migraidh (REDIN, Giuliana (org.). Migrações Internacionais: Experiências e desafios para a proteção e promoção de direitos humanos no Brasil. Santa Maria: Editora UFSM, 2020l)  pode ser adquirida gratuitamente no site da editora da UFSM através do endereço eletrônico: http://editoraufsm.com.br/migracoes-internacionais-530.html 

Expediente:

Texto: Roberta Petry – licenciada em Letras-Português e Literaturas da Língua Portuguesa pela UFSM e participante do MIGRAIDH;

Design gráfico: Joana Ancinelo, acadêmica de Desenho Industrial e voluntária;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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