Impressa – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco Jornalismo Científico e Cultural Mon, 12 Sep 2022 12:34:09 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Impressa – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco 32 32 Impressa – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/memoria-e-legado-2 Mon, 12 Sep 2022 12:28:04 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9487

A UFSM completou 60 anos, em dezembro de 2020, em meio à pandemia de Covid-19 e, por isso, as  comemorações tiveram que ocorrer a distância. Nesse cenário de atividades remotas, uma forma de manter a proximidade com a Universidade é conhecer seu passado, que é contado nas páginas de quatro livros da Editora UFSM. As publicações a seguir retratam uma Universidade que, mais do que mudar a história de Santa Maria, ajudou a mudar a história do Brasil, ao mostrar que a democratização do ensino gratuito e de qualidade, além de possível, é o único caminho para o desenvolvimento do país. E a comunidade acadêmica pode se orgulhar por escrever, a cada dia, um novo capítulo para os livros que ainda virão.

Ilustração horizontal e colorida de uma estante vertical formada por quatro nichos assimétricos, em marrom escuro. Os nichos estão cheios de livros. O primeiro (de baixo para cima) e o terceiro, tem três livros em pé na parte esquerda e um livro com a capa em destaque na parte direita. O segundo e o quarto tem três livros enfileirados na parte direita e a capa em destaque na parte esquerda. Os livros tem a lombada rosa, vermelho, bege, verde claro, branco, preto e azul. Os livros em destaque, na primeira prateleira, tem a capa branca com árvore azul, o brasão da Ufsm e o título "50 anos". No segunda nicho, a capa e bege, e o título é 'Concretizando um ideal'. No terceiro nicho, o livro tem capa azul, com uma estrela amarela no centro, e o título 'USM a nova universidade '. No quatro nichos, a capa tem fundo azul e desenho de um homem de pele branca, cabelos e bigode pretos no centro. O fundo da Ilustração é amarelo mostarda.

José Mariano da Rocha Filho: Fotobiografia - Maria Izabel Mariano da Rocha Duarte - 2014

Além de contar sobre a infância e a juventude do fundador da UFSM, a fotobiografia traz os desafios enfrentados na luta pela interiorização do ensino. O livro mostra como a Faculdade de Farmácia de Santa Maria, que possuía apenas cinco alunos e não tinha recursos para pagar o salário de seus professores, tornou-se uma Universidade pioneira, preocupada com o acesso de todas as camadas sociais e, principalmente, da população do interior ao ensino superior público de qualidade.

USM: A Nova Universidade - José Mariano da Rocha Filho - 2011 (2ª edição)

O livro apresenta o projeto fundador da Universidade. Seu conteúdo revela as contribuições da Universidade para o ensino superior público do país – como o estágio obrigatório ao final do curso e a instituição de carreira universitária vitalícia com dedicação exclusiva para os docentes. Outro novo conceito trazido pela então Universidade de Santa Maria foi a atenção dada ao espaço do ensino universitário, que deveria ser um lugar capaz de integrar não só todos os estudantes da instituição, mas também as atividades acadêmicas, sociais e culturais. Com esse objetivo, surgiu o primeiro campus totalmente planejado do país.

Concretizando Um Ideal - Neiva Pavezi - 2011

Também retrata os primeiros passos da UFSM. O livro mostra como a Universidade foi considerada um marco da arquitetura urbana moderna na época de sua construção. Assim, a obra traz questões arquitetônicas sobre a elaboração dos planos pilotos da Universidade, da paisagem da Cidade Universitária e até detalhes sobre a construção dos prédios mais conhecidos da instituição. A parte principal do livro, contudo, é o grande catálogo de fotografias, com as imagens da Cidade Universitária entre os anos de 1960 e 1973.

Os 50 Anos da Nova Universidade - Maria Eugênia Mariano da Rocha Barichello - 2011

A publicação mostra os valores que guiaram a Universidade até seu meio século de existência, completados em dezembro de 2011. Um exemplo já citado é a democratização do ensino superior. Esse objetivo levou a UFSM a se tornar pioneira em implementar ações de extensão fora da cidade sede e também a primeira universidade a ter um campus avançado na Amazônia, situado em Boa Vista, Roraima. Esse campus deu origem à Universidade Federal de Roraima. Por sua gestão eficiente, a UFSM se tornou referência e liderança para o aperfeiçoamento do ensino universitário na América Latina.

Expediente:
Reportagem: Bernardo Salcedo; acadêmico de Jornalismo;
Ilustração e diagramação: Renata Costa. acadêmica de Produção Editorial.
Conteúdo produzido para a 12ª edição impressa da Revista Arco (Dezembro 2021)
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Impressa – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/passado-e-presente-2 Mon, 18 Jul 2022 12:13:44 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9408
Fotografia horizontal e colorida do Planetário da Ufsm em processo de construção, mesclado com a imagem da entrada no presente. A construção é arredondada com uma cúpula. No centro, há uma entrada com teto horizontal e vermelho. A construção tem a estrutura em madeira, em uma mescla da fotografia envelhecida, em preto e branco, com a fotografia colorida. Há cerca de cinco homens de capacete e roupas brancas trabalhando na construção. Na frente do Planetário, calçada em calçamento. Na frente da calçada, rua de calçamento. Dos lados do Planetário, duas árvores médias, e gramado verde. O fundo é um céu azinzenrado no lado esquerdo, com nuvens pequenas e espalhadas, e azul no lado direito.

Rafael Beltrame, professor do Departamento de Processamento de Energia Elétrica da UFSM, tem interesse pela fotografia desde a infância, quando brincava com uma câmera Kodak Brownie que pertencia a sua avó. Mas foi apenas em 2014 que decidiu se aperfeiçoar no hobby e, em 2018, quando se comemoraram os 160 anos de Santa Maria, Rafael criou a série Passado e Presente, na qual apresenta a fusão de imagens antigas e atuais dos principais pontos da cidade. A inspiração foi o trabalho com fotografias da Segunda Guerra Mundial do russo Sergey Larenkov.

O objetivo do docente, ao criar esse projeto, foi estudar fotografia, homenagear Santa Maria e retratar o seu vínculo pessoal com a cidade. “Gosto bastante da história de Santa Maria. Sou natural daqui, minha família é de comerciantes e ferroviários, então tenho um vínculo afetivo muito grande com a cidade e com a sua história”, ressalta Rafael. Para realizá-lo, ele fez uma pesquisa das imagens antigas no Departamento de Arquivo Geral da UFSM, na Fundação Eny e também em livros e álbuns pessoais.

Entre as 18 fotografias da série, sete foram feitas nos principais pontos da UFSM, como o Planetário, a Biblioteca Central e o Estádio do Centro de Educação Física e Desportos. As imagens deste ensaio foram expostas  primeiramente no Royal Plaza Shopping, em 2018, e, um ano depois, o professor decidiu compartilhá-las em suas redes sociais.

Fotografia horizontal que mescla colorido da fotografia atual com o preto e branco da fotografia antiga. No centro superior da imagem, biblioteca central da UFSM em construção. É um prédio de três andares, sendo um o subsolo. Na sua frente, há uma rampa ascendente, que dá em um pátio de concreto. É nesse ponto que a fotografia antiga dá espaço para a fotografia atual. Ao redor da Biblioteca, gramado grande com algumas árvores de tamanho médio. Ao fundo, o Hospital Universitário em verde claro, carros estacionados e a rua. Na oart superior, céu com nuvens nubladas.
Fotografia horizontal que mescla colorido de fotografia atual com preto e branco de fotografia antiga. No centro, quatro pessoas, uma ao lado da outra, sendo três mulheres e um homem, vestem roupas claras e escuras. Em frente a elas, em preto e branco, fileira de seis carros antigos estacionados em frente ao prédio principal do Centro de Tecnologia. Na parte esquerda, em primeiro plano, um poste fino e parte do prédio em preto e branco. O restante do prédio é azul com detalhes amarelos abaixo das janelas de vidros. O prédio tem três andares, três blocos e 24 janelões nos andares superiores. Em frente ao prédio, canteiro com árvores. No canto superior direito há detalhe do céu, nublado.
Fotografia horizontal que mescla colorido da fotografia atual com o preto e branco da fotografia antiga. No centro direito da fotografia, grupo de mais de 30 pessoas caminham sobre a ponte seca da UFSM. Ao fundo, em preto e branco, se vê o prédio do Hospital Universitário e parte dos morros de Santa Maria. A parte esquerda da ponte, com canteiro, calçada e cerca, está colorido. Do lado esquerdo da fotografia, prédio 17, bege e com detalhes em amarelo, ruas de calçamento e árvores grandes. O céu é azul.Fotografia horizontal que mescla colorido da fotografia atual com o preto e branco da fotografia antiga. No centro direito da fotografia, grupo de mais de 30 pessoas caminham sobre a ponte seca da UFSM. Ao fundo, em preto e branco, se vê o prédio do Hospital Universitário e parte dos morros de Santa Maria. A parte esquerda da ponte, com canteiro, calçada e cerca, está colorido. Do lado esquerdo da fotografia, prédio 17, bege e com detalhes em amarelo, ruas de calçamento e árvores grandes. O céu é azul.
Expediente:
Reportagem: Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo 
Diagramação: Yasmin Facchin, acadêmica de Desenho Industrial 
Fotografias: Rafael Beltrame, professor do Centro de Tecnologia
Conteúdo produzido para a 12ª edição impressa da Revista Arco (Dezembro 2021)
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Impressa – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/fim-de-festa-2 Mon, 04 Jul 2022 12:23:02 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9373
HQ horizontal e colorida, parte 02. Está dividida em cinco quadros e em três linhas. Na primeira linha, dois quadros. Quadro 01: vertical, somente com texto e fundo branco. O texto é preto e dividido em quatorze linhas, formando um bloco estreito: "Além das festas memoráveis de toda sexta-feira, a Boate do DCE, como é conhecida até os dias atuais, marcou a noite santa-mariense por várias gerações de jovens que passaram pela cidade". Quadro 02, ao lado: é horizontal, com blocos de texto em balões de fala que simulam uma conversa. São cinco balões, sendo três com fundo verde e dois com fundo cinza. Balão um, verde: "A Boate do DCE era um acontecimento toda sexta-feira à noite". Balão dois, cinza: "Universitários com carteirinhas estudantis não pagavam pra frequentar". Balão três, verde: "Eu tanto frequentei que até casei com um DJ da boate". Balão quatro, cinza: "Na saída, lá pelas 5h da manhã, a fome estava batendo e já comamos o cachorro-quente do Julião". E balão cinco, verde: "O espaço era arte, política, cultura, memórias, encontros. Em tempos tão difíceis, o lugar do caralho faz falta". Do lado direito do quadro, na vertical, a legenda "Comentários retirados da publicação feira na página da UFSM no Facebook". Quadro três: horizontal, está sobre o quadro quatro, mais grande. No quadro, há ilustrações de duas pessoas em molduras quadradas. Elas fazem parte de uma tela de chamada de vídeo, com três botões brancos no centro inferior e botões de minimizar, maximizar e fechar no canto superior direito. Na esquerda superior, ilustração de mulher de pele branca e rosto angular, tem sobrancelhas grossas e na cor preta, olhos escuros, cabelos pretos, lisos e compridos, com detalhe na cor verde na parte de baixo. Usa óculos com aro redondo e veste camiseta azul marinho. No fundo, armários marrons. Ao lado da mulher, balão de fala com fundo branco e texto em preto: "Atílio, de que forma espaços como a Boate do DCE marcaram a juventude santa -mariense socioculturalmente?". Abaixo, no canto inferior direito, Ilustração de homem de pele parda, com cabelos pretos, curtos, crespos e volumosos. A barba e bigode tem as mesmas características. Tem sobrancelhas grossas e olhos escuros. Veste camisa polo verde marinho. No fundo, estante em tom bordô. Do lado esquerdo do homem, balão de fala com fundo branco e texto em preto: "É marcante porque não tinha apenas diversão, é porque tinha outra coisa ali naquele momento que tu vivenciava,". Do lado direito do quadro, já no quadro quatro com fundo cinco, o texto continua em três balões de fala com textura fluida, fundo cinza claro e texto em branco. Balão um: "Além da euforia do álcool, de estar com os amigos"; balão dois: "da música alta, do ambiente, havia algo". Balão três: "Saber que estava em um lugar que propunha um grau de liberdade a mais". Quadro quatro: Ilustração horizontal e colorida de duas pessoas em uma balada. Estão em primeiro plano, e brindam com dois copos com líquido laranja. São dois homens. O da esquerda tem pele negra clara, cabelos crespos e volumosos, barba curta e cheia. Tem sobrancelhas grossas, olhos escuros. Está de perfil esquerdo, usa brinco pequeno e preto, e veste camiseta laranja queimado. O da direita tem pele branca, rosto angular, cabelos loiro escuros, bagunçados e grandes. Sorri amplamente. Usa uma faixa vermelha na cabeça e veste camiseta vermelha. Ao fundo, várias pessoas com diferentes roupas e os braços levantados, tem copos nas mãos. Ao fundo, silhuetas de pessoas dançando e textura em cinza escuro. Quadro cinco: Ilustração horizontal e colorida da entrada de um prédio e um homem. O prédio tem paredes brancas, janelas cinzas e pilares e entrada em azul claro. O piso é xadrez preto e branco. No canto inferior esquerdo, com fundo amarelo e texto preto: "Boate interditada". Na parte direita do card, em primeiro plano, homem com expressão de desânimo. Ele tem pele parda, cabelos pretos, crespos e volumosos, barba e bigode escuros. Tem sobrencelhas grossas e pretas e olhos escuros. Veste camiseta azul marinho. Ao lado esquerdo dele, balão de fala com fundo branco e texto em preto, dividido em onze linhas: "Gostaria que tansformassem o local em uma outra coisa. Um memorial, um museu universitário. Falando do 'Nossas expressões' (festival), da Boate do DCE, do teatro, das atividades políticas, sociais, culturais. Manter o espaço vivo. É um lugar de memória de Santa Maria". Abaixo do quadro, alinhado à esquerda, a legenda: "No dia 08 de janeiro de 2013, a Boate do DCE foi interditada por falta de Acessibilidade e por perturbação do sossego público, entre outras irregularidades encontradas pela Vigilância Sanitária de Secretaria da Saúde". Abaixo, os créditos: "Reportagem: Eduarda Paz; Ilustração: Yasmin Faccin; Editor convidado: Augusto Paim".
Expediente:
Reportagem: Eduarda Paz, acadêmica de Jornalismo;
Ilustração: Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial;
Editor convidado: Augusto Paim, jornalista.
Conteúdo produzido para a 12ª edição da Revista Arco (Dezembro 2021)
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Impressa – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/ferramenta-de-luta-2 Mon, 27 Jun 2022 12:12:59 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9355

Rodrigo Kuaray Mariano, 27 anos, Guarani Mbya, nascido e criado em tekoá (aldeia), menino de poucas perspectivas, mas de muitos sonhos. Inicialmente queria cursar Biologia, mas por um impulso – ou melhor, por vontade de Nhanderu – no momento da inscrição para o vestibular, optei por um curso diverso daquele que sempre pensei.

Cursar Direito na Universidade Federal de Santa Maria foi uma das melhores coisas que pude vivenciar. Desde o ano de 2015, ano em que iniciei meus estudos na instituição, pude perceber muitas evoluções, tanto na minha formação profissional como pessoal, e umas das principais foi sobre novas percepções de mundo e também a possibilidade de um olhar mais crítico e politizado em relação a certos assuntos.

Ao longo da caminhada acadêmica, pude me afirmar, ainda mais, como uma pessoa comprometida na defesa de ideais e projeto de povo, de superação da segregação histórica que meu povo e os povos indígenas em geral sofrem.

A conquista da graduação em Direito me possibilitou muitos caminhos, mas sempre existiu um que era e é ainda o principal: a atuação por justiça social e defesa dos direitos dos povos indígenas. Então, a partir do exposto, é possível afirmar que a UFSM foi uma ponte que me possibilitou alcançar lugares diferentes daqueles que eram os mais próximos à minha realidade.

Ilustração horizontal e colorida de um homem indígena. Ele está na esquerda da Ilustração, tem pele marrom, cabelos pretos, lisos e curtos. O rosto é redondo, olhos escuros, nariz e boca em tamanho médio. Usa colares grandes de contas circulares. Um deles é bege e o outro preto. Veste camiseta azul marinho. Está em primeiro plano e segura nas maos uma folha de papel bege como linhas em azul. Atrás dele, desenho da estátua de Thêmis, símbolo do Direito. Ela está na cor laranja claro, usa vestido liso e uma venda nos olhos. Na mão direita, levantada, segura uma balança de pesos, e na esquerda, que está para baixo, uma espada. O fundo tem textura de pinceladas e é na cor rosa claro.

Nesta imagem, está ilustrado um momento que tem um significado muito grande na minha vida: ela marca o início de uma trajetória que não pretendo deixar. Logo nos primeiros dias após minha formatura, já em atuação pela Comissão Guarani Yvyrupa – CGY, organização indígena, representante do povo Guarani do Sul e Sudeste do Brasil, acompanhei uma comitiva de lideranças indígenas da região Sul em mobilização em Brasília-DF. No dia 11 de fevereiro de 2020, realizei visitas aos gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal e entreguei, simbolicamente, uma petição de habilitação da Comissão Guarani Yvyrupa em um Recurso Extraordinário que trata dos direitos dos povos indígenas aos seus territórios.

Para finalizar, sobre a UFSM, é importante destacar que é uma instituição pública de muita qualidade e que está preocupada na formação crítica dos e das estudantes, que me proporcionou novos horizontes e possibilidades e, o mais importante de tudo, considero que o Direito é, em minha vida, uma ferramenta de luta, e a UFSM me proporcionou conhecer, estudar, me apropriar, e agora me utilizar disso para a conquista de meus ideais e do meu povo.

Expediente:

Texto: Rodrigo Kuaray Mariano, primeiro indígena do povo guarani a estudar no curso de Direito da Universidade Federal de Santa Maria.

Diagramação e ilustração: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial.

Conteúdo produzido para a 12ª edição impressa da Revista Arco (Dezembro 2021)

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Impressa – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/conexao-retrofuturista-2 Mon, 30 May 2022 20:05:03 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9286

Local. Distrito 7.1
Data. 9.03.2021
O aerocarro sobrevoa o arco da Universidade Federativa de Santa Maria (UFSM). Dirigindo-o está Suzana Monforte, checando na tela digitográfica o destino e missão: o Planetário Cósmico e a averiguação de um artefato tecnomístico lendário recém encontrado.

Suzana é uma especialista em crimes tecnológicos e saberes arcanos. Perita em pictogramas photo-temporais, ela foi chamada ali por Fernando Terra, docente da instituição e um estudioso de fenômenos alquímicos e subterrestres. Monforte tem cabelos escuros, olhos turquesa e movimentos decididos, com seus trinta anos vividos mais na estrada que em casa.

Ilustração horizontal e colorida do visor de um veículo aéreo. O veículo tem estrutura interna em preto. No painel de controle, volante em preto e cinza azulado, painel que mostra os dados: "Velocidade 90km/h"; "Altitude 1200m", e "Tanque 70%". Ao lado, outro painel com imagem do Planetário e o título "Missão Planetário Cósmico". Ao lado, mapa no GPS. Ao lado, portal luvas aberto com um papel retangular e um óculos de realidade aumentada. No espelho retrovisor, detalhe dos olhos azuis de uma mulher de pele branca e cabelos escuros. No visor, ao fundo, a Universidade Federal de Santa Maria, com prédios em cinza, vegetação vasta em verde, com destaque para o Arco de entrada em azul e a Avenida ao centro.

Ela ignora a tela que mostra o mapa tridimensional e pega seu noitário. Adorando artefatos antigos como cadernos, canetas e recortes, sua mochila é um campo minado deles. Abaixo, a fila de carros terrestres segue seus fluxos e destinos, seja o Colégio Politecnostático, o Complexo Hospitalar ou a Biblioteca Pinacular. À sua direita, Suzana ignora os centros tecnológicos, filosóficos, biológicos, artísticos e rurais, até alcançar o Centro Reitoral.

Na frente dele, um pináculo na forma de dois compassos cruzados chama sua atenção, um colado no verdor terrestre e outro apontado ao céu cinzento onde sete jatos e dois zepelins cortam o azulado das nuvens. O computador, conectado ao chip mental de Susana, informa que se trata de farol obelisco em homenagem ao fundador da UFSM, Mariano da Rocha Filho.

Suzana aproveita a deixa e questiona a máquina. O software responde de pronto e ela levanta o olhar. Em frente de prédios que uniam filosofia, história, letras, música e dança, está o círculo pétreo do Planetário. Ao lado dele, a movimentação humana denuncia a escavação.

Tudo começara com a descoberta de que a região central do Rio Grande Sulista fora habitada milhões de anos atrás por uma população de estauricossauros, uma dos espécimes animais mais antigos do planeta. Ao descer o aerocarro, Susana cogita se está num dos pontos onde a vida na terra começara, onde monstros mortos deram lugar a humanos pensantes.

Em terra, ela é recebida por Fernando e por Mariana D’Oliveira, uma descendente do alquimista e poeta que revolucionou a arte e as ciências na região décadas antes, sobretudo com seu manifesto tecno-arcano Lanterna Verde. Os dois cientistas a levam a uma das tendas de pesquisas e mostram-lhe o enigma daquela manhã.

Sobre uma mesa, entre ossos e artefatos, está a lendária “Bússola de Cristal-Cromo que Aponta ao Inóspito Sul”. Suzana estarrece, pois esse artefato perdido supostamente pertencia à dupla de aventureiros Doutor Benignus e Vitória Acauã, que vieram à Santa Maria em março de 1900, para pesquisar o Riacho Itaimbé. A dupla e o grupo investigativo do Parthenon Místico voltariam à região depois, para explorar a Goela do Diabo e a Cidade dos Meninos.

Susana coloca suas luvas e posiciona sobre os olhos as lentes photo-temporais, uma tecnologia infranatural que permite a captação de imagens de um objeto em tempos diversos. Depois de instantes, Suzana retira o insólito dispositivo, em silêncio.

— O que você tem a dizer? –, pergunta Terra a Monforte. D’Oliveira observa, inquieta.

— Muitas perguntas por hora, senhores, sem nenhuma resposta – responde Suzana. – Eventos que envolvem ciência, magia, história e filosofia, crimes do passado, descobertas presentes, projeções futuras, produções ficcionais e investigativas de grande potência. Em suma, estranhezas que unem biologia e mecânica, química e alquimia, fato e ficção.

Fernando sorri e responde à investigadora de Porto Alegre dos Amantes:

— Se você busca por enigmas, está no lugar certo. Há sessenta anos é o que fazemos aqui.

Os três terão uma noite inteira pela frente. Talvez uma vida. Mas tem tempo, pois aquela universidade ainda é jovem, apesar de suas fundações compreenderem milênios de passado e anteverem séculos de futuro.

Expediente:
Texto: Enéias Tavares:  trabalha há seis anos no universo de Brasiliana Steampunk, série transmídia que recria os clássicos nacionais e a paisagem brasileira num cenário de aventura, fantasia e ficção científica. O último livro deste universo, Parthenon Místico, foi publicado pela DarkSide Books em 2020, e uma série audiovisual, A Todo Vapor!, estreou na Amazon Prime Video. Além de escritor e roteirista, é docente no curso de Letras da UFSM, instituição onde se formou e que considera sua segunda casa. Mais de sua produção e projetos em eneiastavares.com.br
Ilustração: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial
Conteúdo produzido para a 12ª edição da Revista Arco (Dezembro 2021)
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Impressa – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/rede-basica-2 Wed, 25 May 2022 12:03:06 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9281

Como consequência da pandemia do novo coronavírus, escolas do país inteiro precisaram se adaptar ao ensino remoto para proteger a comunidade escolar. Os recursos didáticos tradicionais, como livros, lousa e atividades em grupo, foram substituídos por um novo modelo educacional apoiado em metodologias voltadas para o digital. Um estudo da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) mostrou que aproximadamente 92% dos municípios brasileiros utilizaram o aplicativo de mensagens WhatsApp como espaço para orientações de atividades didáticas durante 2020. O problema é que em cidades com mais de 100 mil habitantes, como é o caso de Santa Maria, 53% dos estudantes tiveram dificuldades no acesso à internet e, assim, podem ter deixado de ter acesso à educação.

Descrição da imagem: Ilustração horizontal e colorida de uma mulher sentada em frente a um computador, mesa de som e microfone. A ilustração está nas cores bege, rosa, verde turquesa e amarelo pastel. Na parte esquerda da imagem, de perfil, desenho de mulher de pele rosa, cabelos pretos, ondulados e compridos; ela tem olhos rosas, bochecha saliente e boca grande; usa fone de ouvido do tipo headset, na cor verde turquesa; veste camisa amarelo pastel; está com a mão esquerda apoiada no queixo. Em frente a boca dela, um microfone pendente, com o bocal em preto e estrutura e detalhes em verde turquesa. Em frente a ela, sobre uma mesa, mesa de som preta com botões diversos nas cores rosa claro, verde turquesa e amarelo pastel. Atrás, computador de mesa preto; na tela, programa de edição de som; a interface tem gráficos de volume e de som, nas cores rosa claro, amarelo pastel e verde turquesa; há um quadrado em preto com o título, em branco: "UFSM EM REDE na educação básica". O fundo é texturizado em listras beges e verde turquesa.

Nesse contexto, o projeto UFSM em REDE com a Educação Básica, ou Rede Básica, atua na produção de materiais didático-curriculares que possam ser veiculados por canais de TV aberta e em emissoras de rádio para alcançar discentes do ensino básico que não tenham acesso aos ambientes virtuais. Além da Universidade, o projeto conta com financiamento do Ministério da Educação e parceria com a Secretaria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul (SEDUC/RS). A professora Regina Bathelt, coordenadora do projeto, ressalta a  importância da iniciativa: “Não basta nós oferecermos as plataformas e ferramentas digitais se as diferentes realidades dos nossos estudantes não permitem o acesso a elas. Nesse caso, o rádio é a ferramenta que pode garantir a equivalência de oportunidades”.

Professores habituados a trabalhar com metodologias de ensino presenciais precisaram se adaptar ao ensino a distância de maneira que a qualidade não fosse comprometida. Para essa adequação, a Universidade ofertou treinamentos e capacitações técnicas para os docentes e discentes bolsistas. Os participantes aprenderam técnicas de gravação de áudio e videoaulas com equipamentos próprios, como o celular e fones de ouvido comuns.

Deise Marzari, professora voluntária do projeto, lembra que chegou a se questionar sobre a dinâmica remota das ações, mas que foi  surpreendida com as possibilidades de recursos do áudio: “Não estar frente ao aluno causou certo estranhamento, mas com o tempo percebemos a importância e a diferença que os recursos tecnológicos fazem. Mesmo distante, a gente sente que pode, sim, chegar até eles”.

O Rede Básica tem em seu planejamento o trabalho com 2200 horas em materiais didáticos. Regina Bathelt conta que as próximas gravações serão feitas com maior qualidade graças aos equipamentos de gravação disponibilizados pela Pró-Reitoria de Graduação (Prograd).

Conheça duas ações da primeira etapa do Rede Básica, quando a Secretaria de Educação de Santa Maria era uma das ´parceiras.

Preparação para o Enem

O programa Espaço Rede Básica, veiculado na Rádio Universidade AM e na UniFM, estreou com a apresentação de três edições com dicas de conteúdos para o Enem 2020. De maneira didática, professores dos colégios Politécnico e CTISM explicam e resolvem questões das diversas áreas de conhecimentos.

Promotores da leitura

Idealizado pela SMED antes da pandemia, o projeto funcionava em um ônibus adaptado que levava voluntários até as escolas para fazer leituras aos alunos. Agora, essa dinâmica precisou ser modificada para o formato de áudio, em que os professores contam histórias curtas para crianças. As leituras são veiculadas nas rádios UniFM e Universidade AM, através do programa Espaço Rede Básica. Além da capacitação técnica para o formato de rádio, os voluntários passaram por formação sobre princípios e valores que se propagam nas histórias infantis.

Expediente:

Reportagem: Luis Gustavo Santos, acadêmico de Jornalismo;

Ilustração e diagramação: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial

Conteúdo produzido para a 12ª edição impressa da Revista Arco (Dezembro 2021)

Texto atualizado em maio de 2022

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Impressa – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/cidadania-em-extensao-2 Mon, 23 May 2022 13:54:02 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9280

“É uma lição de vida e até de cidadania”. O trecho do poema escrito por Rômulo Chaves, compositor de Palmeira das Missões, descreve o lema do projeto Rondon. O poema foi um pedido do amigo, professor do Departamento de Ciências da Saúde da UFSM em Palmeira das Missões, Gianfábio Pimentel Franco, como forma de  homenagem à participação da Universidade na edição de 2019, da qual ele fez parte.

Colagem horizontal e colorida de três imagens. A primeira, na esquerda da imagem, em tamanho grande, é de um mapa do Brasil, em formato ilustrado. As cores da região Sul estão em tons de roxo, da região Sudeste em rosa, da região Centro-Oeste em laranja, da região Norte em verde e da região Nordeste em amarelo. Um ícone de avião está sobre os estados da região Sudeste. Uma linha pontilhada sai do Rio Grande do Sul e vai até Rondônia, em amarelo. A fotografia ilustrada está presa com um clip. Ao lado, duas Fotografias presas com fita azul. A primeira, na parte superior direita, onze pessoas em frente a uma van branca. Oito estão em pé, e três agachadas, que seguram uma bandeira da Universidade Federal de Santa Maria. Cinco são mulheres e seis são homens. O fundo é um céu azul com nuvens. Abaixo, fotografia horizontal de 21 pessoas que vestem colete amarelo sobre camiseta bege, ou camiseta amarela. Todos usam crachá, e alguns usam chapéu de tecido. Onze pessoas estão em pé, sendo seis mulheres e cinco homens. O último veste uniforme militar. Dez pessoas estão agachadas ou sentadas, sendo oito mulheres e dois homens. O ambiente é escuro e iluminado por luzes da rua. O fundo é branco com textura.

Criado em 1967 pelo Governo Federal, o projeto Rondon visa contribuir para o desenvolvimento sustentável de comunidades carentes. Isso é feito através de uma parceria entre diferentes ministérios, governos estaduais e municipais e instituições de ensino superior. A iniciativa envolve a participação de professores e estudantes na execução de ações que utilizam habilidades dos universitários para colaborar com o bem-estar social, a gestão pública e a qualidade de vida dos moradores do local onde elas ocorrem. Para os estudantes, além de favorecer a vida acadêmica, a experiência é uma oportunidade de vivenciar outras culturas e realidades, bem como desenvolver responsabilidade social e coletiva.

 

Nas duas primeiras décadas, o projeto Rondon envolveu 350 mil universitários em todas as regiões do país. Ainda em seus anos iniciais, ele se conecta com a história da UFSM de maneira muito direta: em 1969, José Mariano da Rocha Filho, criador da Universidade e reitor vigente da época, participou como conselheiro do projeto. Após, Mariano teve interesse em fazer com que as ações rondonistas fossem mais eficazes na região. Assim, criou o 55BET Pro Avançado de Boa Vista, em Roraima. Dessa forma, todo mês, acadêmicos da UFSM iam até o 55BET Pro Avançado trabalhar e dar continuidade aos serviços prestados, principalmente nas áreas de saúde e educação. Isso aconteceu até o fechamento da sede, em 1985, mas a parceria com o estado ficou registrada através do nome da “Avenida Roraima”, coluna espinhal do campus da UFSM Santa Maria.

Ilustração quadrada e colorida de uma imagem ilustrada de um mapa do Brasil. As cores da região Sul estão em tons de roxo, da região Sudeste em rosa, da região Centro-Oeste em laranja, da região Norte em verde e da região Nordeste em amarelo. Um ícone de avião está sobre os estados da região Sudeste. Uma linha pontilhada sai do Rio Grande do Sul e vai até Rondônia, em amarelo. A fotografia ilustrada está presa com um clip. O fundo é branco.

Em 1989, o projeto Rondon foi extinto e, posteriormente, retomado em 2004. Desde então, ocorreram mais de 80 operações, as quais contemplaram 1.213 municípios e envolveram 22.897 rondonistas e mais de dois milhões de beneficiados. Em 2019, entre os dias 11 e 28 de julho, dois professores do Departamento de Ciências da Saúde da UFSM Palmeira das Missões, acompanhados de oito acadêmicos dos cursos de Enfermagem, Pedagogia, Educação Especial, Direito e Dança, participaram da Operação João de Barro do Projeto Rondon, no município de Santa Rosa do Piauí. Como comentado antes, entre eles estava o professor Gianfábio, que conta, neste diário, como foi participar da última edição presencial da maior ação extensionista do país.

Nossos mestres têm destino de sair em empreitada*

Participar de um projeto dessa magnitude nos impõe diversas demandas – sejam pessoais e/ou profissionais. Em primeiro lugar, é árdua a tarefa de se dispor. Nos meses de julho, comumente as operações nacionais convergem com as férias escolares e universitárias – e, delas, abdica-se, para geralmente se deslocar para estados com condições sociais, econômicas, culturais e climatológicas opostas às nossas.

Dificilmente há tempo hábil de preparação, pois, a partir da seleção do edital da instituição e do Ministério da Defesa, há no máximo seis meses para organizar as oficinas, selecionar os professores, os coordenadores, os adjuntos e os estudantes, além de providenciar materiais de apoio e logística institucional. Quando o grupo não pertence ao mesmo campus, há ainda mais dificuldade. Em nosso caso, quatro membros são de Palmeira das Missões e seis de Santa Maria.

Ilustração quadrada e colorida de um kit rondoneiro, composto por uma mochila, uma garrafa, uma camiseta e um chapéu de tecido. A mochila é preta, grande, e tem, na parte superior, a logomarca do projeto Rondon, em amarelo, verde e azul. Na frente esquerda da mochila, garrafa de plástico branco com bico, com a logomarca do projeto. Na frente direita da mochila, camiseta amarela dobrada e, sobre ela, chapéu de tecido bege com a logomarca do projeto Rondon. O fundo é branco.

As tratativas administrativas, normalmente amparadas pela Pró-Reitoria de Extensão, aconteciam por via digital, telefônica, mas principalmente, com deslocamentos de mais de 460 quilômetros (ida e volta) – isso tudo em um único dia – para, no mínimo, uma reunião, assinatura de documentos, entrevistas, spots, dentre outras atividades.

 

Cada município participante da operação, juntamente com o professor que realizou a viagem precursora, criou o Comitê Rondon local, com vistas a organizar a logística e as articulações para a efetiva ocorrência da operação. São levantados pontos como alojamento, refeições, deslocamentos, locais das oficinas, dentre outras atribuições contidas no edital do Ministério da Defesa e no acordo de cooperação entre município e estado.

Cruzar rumos e culturas, sem receio da estrada

A viagem iniciou às 5h, em Palmeira das Missões, com deslocamento de três integrantes da equipe. Houve paradas em Ijuí e Santa Maria para agregar ao elenco os outros participantes. Em Porto Alegre, com outras instituições de ensino, embarcamos às 17h40 com destino a Brasília, onde às 21h fizemos conexão para Teresina. A aeronave estava repleta de rondonistas com suas camisetas personalizadas.

Chegamos em Teresina às 23h30. Éramos aguardados pelo 25º Batalhão de Caçadores do Exército Brasileiro, que nos direcionou ao quartel. Nos encontramos com a instituição parceira, a Universidade do Vale do Paraíba (Univap) e, após uma breve refeição, fomos descansar nos alojamentos com o apagar das luzes, à 1h25. Às 6h, com a alvorada festiva, fomos acordados e direcionados ao café da manhã. Após, retiramos os kits do rondonista, compostos por chapéu, mochila, squeeze, crachá, camisetas e coletes. À tarde, realizamos um passeio guiado por alguns pontos da capital piauiense. Já no quarto dia da experiência, fomos despertados com a alvorada festiva às 5h.

Ilustração horizontal e colorida, em tons de verde, marrom e azul, de uma paisagem do semiárido. Há vários pés de cactos grandes e com vários caules espalhados pela imagem. Também tem arbustos pequenos, em vários tons de verde. O chão é marrom. Ao fundo, montanhas em tons de marrom. O céu é azul com quatro nuvens pequenas.

Tomamos café e recebemos os catanhos (pequeno lanche para a viagem). Em ônibus fretados, duas equipes foram deslocadas, por volta das 7h20, para Santa Rosa do Piauí, a 287 quilômetros de Teresina. Uma viagem em torno de 5 horas, por estradas sinuosas, às vezes não pavimentadas, estreitas e desertas, mas com belas paisagens!

Gente que o tempo reuniu, com alegria, por ali

A recepção em Santa Rosa do Piauí foi fantástica. Fomos recebidos pela equipe de trabalho da prefeitura, liderada pela Secretária de Educação. A recepção aconteceu na escola municipal onde ficaríamos hospedados. Havia balões e cartazes de boas-vindas, uma verdadeira festa. Nos transpareceu naquele momento o desejo para que a operação fosse um sucesso. Cada integrante que descia do ônibus foi recebido com um abraço e encaminhado aos alojamentos que ficavam nas salas de aula. Havia três alojamentos (das meninas, dos meninos e dos professores), uma cozinha, um espaço comum para montagem das oficinas, uma secretaria para utilização de computador e impressora, três banheiros e uma quadra esportiva. Foram designadas equipes de cozinheiras que forneciam três refeições diárias. Quatro, às vezes. Uma verdadeira fartura.

Ilustração horizontal e colorida de uma paisagem em tons de verde, marrom e azul. Na parte esquerda da Ilustração, seis pessoas de camiseta amarela, calças caqui verde militar e chapéus de tecido bege caminham. Atrás, duas casas pequenas com paredes bege, janela e porta acinzentadas e telhado marrom. Atrás das casas, floresta de árvores verde escuros. Na parte central da imagem, arbustos em tons de verde, gramínea sobre chão marrom e fileira de árvores em verde escuro ao fundo. Na parte direita da imagem, três árvores e uma palmeira em destaque, em tons de verde. O chão é marrom e o céu é azul.

Na viagem precursora, foram levantadas necessidades de adequações na escola para que pudesse receber os rondonistas. Foram realizadas inúmeras mudanças, como a instalação de chuveiros nos banheiros. Todas as salas de aula – que se transformaram em quartos – contavam com climatização e ventiladores, o que amenizou muito o calor da cidade nessa época do ano.

Pra irradiar conhecimento pelo céu grande da vida!

A comunidade foi excelente anfitriã. Os líderes comunitários, bem como os agentes públicos, nos trataram com muito carinho e atenção. Tínhamos toda a estrutura necessária para deslocamento e qualquer atividade dentro ou fora do município. No total, foram realizadas aproximadamente 40 oficinas nas diferentes áreas do conjunto A (UFSM). Entre os conjuntos A e B (Univap), foram aproximadamente 53 oficinas. A população buscou participar da maior parte.

 

Uma oficina muito esperada e de grande repercussão foi a de eletrocardiograma (ECG). Santa Rosa do Piauí não conta com Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) nem serviço hospitalar de Pronto Atendimento. Nesse sentido, uma dificuldade encontrada pelos profissionais de saúde da cidade eram os atendimentos às urgências e emergências cardiológicas, pois possuíam apenas uma ambulância improvisada para transporte dos pacientes até a cidade de Oeiras, que fica a aproximadamente 50 quilômetros e é a mais próxima com Bombeiros, Samu e hospital.

 

Pensando na qualidade do atendimento, diagnóstico e manejo adequado, o município adquiriu um  eletrocardiógrafo, porém os profissionais não sabiam utilizá-lo. Com a oficina realizada pelos participantes do projeto Rondon, os profissionais da saúde receberam uma capacitação teórico-prática para o uso e interpretação básica do exame de ECG, possibilitando a implementação do serviço no município, o que qualificou a assistência.

Fotografia vertical e colorida de onze pessoas em frente a uma van branca. Oito estão em pé, e três agachadas, que seguram uma bandeira da Universidade Federal de Santa Maria. Cinco são mulheres e seis são homens. O fundo é um céu azul com nuvens.
Saída do grupo que representou a UFSM no projeto Rondon em 2019.
Fotografia horizontal e colorida de pessoas em uma sala aberta, uma sala de aula. Na parte direita da imagem, tem um quadro branco com bandeirolas coloridas, e uma frase "Viva São João". Em frente, três mulheres de pele branca, cabelos escuros; elas vestem camiseta amarela, calças jeans e chapéu de tecido. Em frente a elas, um grupo de crianças negras pequenas. Elas olham para a frente. As paredes da sala são brancas. O fundo é luminoso e tem árvores.
Estudantes de uma oficina com a comunidade.

Nossa gente é parecida, no que tem dentro de si

No décimo dia, alguns integrantes contraíram uma virose. As oficinas foram reorganizadas e os rondonistas foram medicados e ficaram em repouso. Em geral, o maior problema nas viagens e expedições como esta é a “diarréia do viajante”, uma situação transitória adaptativa alimentar que costuma ocorrer pela água ou alimentos – não necessariamente contaminados, mas diferentes. Entre professores e alunos, acredito que tenham sido uns cinco acometidos. Todos foram tratados e restabelecidos em sua saúde. Essa situação gerou baixa no efetivo, pois tivemos que realocar estudantes nas oficinas e adiar outras. Mas o cronograma foi cumprido na totalidade.

No décimo segundo dia (22/07), acordamos com uma situação desagradável: fomos vítimas de vandalismo. Roupas no varal foram furtadas, rasgadas e espalhadas pelo pátio. Apesar de a escola possuir um vigia em tempo integral e um militar, em algum momento noturno, houve a invasão do pátio. Foi algo bem pontual. Não havia nenhum tipo de resistência da comunidade. Na verdade, esse fato de pequeno potencial ofensivo foi para chamar a atenção da equipe, especialmente das meninas do grupo. Realizamos um boletim de ocorrência na cidade vizinha e, posteriormente, localizamos o infrator e os objetos furtados foram recuperados.

Amizade foi bandeira: a mais humana das conquistas

A heterogeneidade do grupo é aspecto importante nas relações interpessoais e multidisciplinares: há os medos, as expectativas, as frustrações, a primeira vez de muitos longe de casa e do conforto do lar, as manias. Seriam dezessete dias a mais de 3,7 mil quilômetros longe de casa.

Ser mediador desse turbilhão de emoções é o maior desafio dos coordenadores docentes, até porque eles mesmos estão suscetíveis à ebulição de sentimentos. Eu havia participado da Operação Catirina em 2010, em Arari, Maranhão. Atuei como professor-adjunto. Também havia participado como estudante na graduação, quando o projeto foi chamado Universidade/Juventude Solidária, na década de 1990. Ter participado em outras  operações facilitou principalmente na ambientação e nas adversidades do nordeste brasileiro – em relação ao clima, à comida e à cultura.

Como os estudantes estão mais próximos do final do curso, em geral acima do 7o semestre, eles já possuem uma bagagem teórica e prática significativa de sua graduação. O maior desafio foi que eles trabalhassem juntos de forma interdisciplinar. Para minha surpresa, a interação entre os membros do grupo da UFSM foi fantástica, bem como com os outros estudantes e professores da Univap. Eles amadureceram muito ao longo dos dias.

Os desafios impostos pela distância de casa e as novas realidades mexeram bastante com o físico e o emocional da equipe toda. A união e o trabalho colaborativo geraram um processo familiar no grupo. A insegurança inicial foi superada pela autonomia e a excelência na execução das tarefas. Certamente saíram mais cidadãos do que profissionais, mais aprendizes do que instrutores.

Alma linda e brasileira, obrigado Piauí!

Procuramos, dentro dos horários de trabalho ou de folga, participar das festividades e atividades do município, como uma forma de conhecer a culturalidade local e se integrar de forma efetiva e igualitária. O ponto forte do município era a noite, especialmente na praça central, onde havia vários estabelecimentos de bebida e comida. Outra particularidade da cidade e região são os carros e motos adaptados para os chamados “paredões e pancadões” de som, que tocam, em alto volume, músicas regionais.

O último dia do projeto culminou com a feira municipal anual, chamada de AgroRosa. Nesse dia, houve o   encerramento do projeto no município e a entrega de certificados e presentes. Recebemos uma bela homenagem da administração municipal, incluindo um certificado de Honra ao Mérito. Também presenteamos o município com um poema escrito por um amigo e compositor de Palmeira das Missões.

Ao término da operação João de Barro, fizemos um excelente vínculo com a comunidade, tanto que até hoje nos comunicamos e trocamos informações. A relação entre os integrantes da Univap e UFSM até hoje também perdura. Participaram dessa operação Jonata de Mello, Daiana Cristina Wickert, Renato Vargas Fernandes, Jéssica Reis, Clara Rossato Bohrz, Ana Júlia Rodrigues Nunes, Débora Pinheiro Pereira, Geovana Wertonge e Leonardo Bigolin Jantsch (coordenador adjunto).

Fotografia horizontal de 21 pessoas que vestem colete amarelo sobre camiseta bege, ou camiseta amarela. Todos usam crachá, e alguns usam chapéu de tecido. Onze pessoas estão em pé, sendo seis mulheres e cinco homens. O último veste uniforme militar. Dez pessoas estão agachadas ou sentadas, sendo oito mulheres e dois homens. O ambiente é escuro e iluminado por luzes da rua.
Representantes da UFSM no Projeto Rondon em Teresina, vestindo os uniformes do projeto e com o "anjo", militar que acompanhava o grupo.

*Os entretítulos dessa matéria são trechos retirados do poema “Ao Piauí”, escrito por Rômulo Chaves

Expediente:
Reportagem: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo;
Ilustração e diagramação: Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial.
Conteúdo produzido para a 12ª edição impressa da Revista Arco (Dezembro 2021)

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Impressa – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/inovacao-no-reconhecimento-de-bacterias-2 Wed, 11 May 2022 12:59:28 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9233

Conhecimentos de engenharia aplicados à análise microbiológica foram a base para que os alunos de mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica da UFSM Adriano Jaime e Charles Habb desenvolvessem um dispositivo inovador. Sob a orientação do professor Juliano Barin, pesquisador em Tecnologia e Ciência de Alimentos, os alunos foram capazes de identificar contaminação bacteriana em poucas horas. Eles pensaram em trazer uma solução útil e com impacto social para o problema levantado pelo Laboratório de Tecnologia de Alimentos da Universidade: o tempo necessário para se identificar o contágio bacteriano.

Ilustração horizontal e colorida com fundo azul Bic. São quatro mini ilustrações sobre fundo branco. Três são retangulares e pequenas, dispostas na vertical esquerda. E a quarta é quadrada e grande e está na metade direita. A ilustração maior é de um equipamento preto, com formato semelhante a um CPU de computador de mesa. Ele tem os cantos arredondados, é vertical, tem contornos em vermelho, um círculo vazado na parte inferior e um símbolo em branco no centro superior: é uma forma abstrata com curvas circulares no centro de um círculo vazado. Na parte superior, há uma abertura na qual está anexo um quadrado preto. Está sobre fundo branco com sombra bege. Agora, a descrição das três ilustrações pequenas, de cima para baixo. A primeira tem dois tubos de ensaio transparentes e com tampa preta. O primeiro tem líquido azul, e o segundo, líquido azul com pontos coloridos espalhados. Ao lado, círculo com o líquido azul em zoom, e vários elementos coloridos em amarelo, rosa e verde pastel. O fundo é branco com sombra em rosa pink. A segunda ilustração mostra dois equipamentos conforme o descrito anteriormente. Estão lado a lado, na diagonal. O da direita tem uma luz verde acima do círculo inferior. Está em fundo branco com sombra bege. A terceira Ilustração é de um computador de mesa preto. Na tela, janela com fundo rosa, lista colorida com fundo preto e gráfico de barras azul claro. Ao lado do computador, a mesma lista do computador em um dispositivo vertical. O fundo é branco e a sombra é rosa. O fundo da Ilustração é azul Bic.

Diferentemente do método tradicional, conhecido como método da contagem em placas, o qual necessita da observação a olho nu por dias para saber se houve infecção, o dispositivo oferece uma resposta rápida, precisa e barata, através de uma instrumentação eletrônica. Atualmente, ele está sendo desenvolvido para aplicações em alimentos como o leite e determinação da presença da bactéria Salmonella, principal causadora de infecções alimentares, em ração animal.

“Existe um leque de aplicações, nada impede que o instrumento seja utilizado em outros segmentos: na saúde, por exemplo, para saber se há contaminação no sangue; em frigoríficos, para fazer o controle ambiental; na indústria alimentícia, pode ser usado em restaurantes ou em supermercados. Quanto mais vamos pesquisando, descobrimos várias outras áreas em que ele pode ser aplicado”, conta Adriano.

 

Outro benefício do aparelho é o seu fácil uso: não é necessário o auxílio de técnicos ou ter qualquer  conhecimento específico para utilizá-lo – ele é 100% automatizado. Para Adriano, esse é o principal diferencial do equipamento. Só é necessário fazer a coleta, apertar um botão e, em poucas horas, o cliente já tem o resultado.

 

O projeto, que faz parte da tese de doutorado de Charles, é inovador, pois promove a junção entre a eletrônica e a tecnologia. Adriano explica que eles não criaram um instrumento novo, e sim um novo método de análise: “O procedimento, que já existe, é usado para outras coisas. Nós trouxemos ele para a contagem bacteriana; é aí que está a nossa inovação”.

 

A partir do projeto, os engenheiros decidiram fundar a startup Auftek e inscreveram a proposta para o Programa Centelha, promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o qual visa estimular a criação de empreendimentos inovadores e disseminar o empreendedorismo no Brasil. Dentre as 784 propostas submetidas ao programa em janeiro de 2020, o dispositivo ficou entre as 28 contempladas e recebeu recursos financeiros e suporte para transformar sua ideia em um negócio de sucesso.

 

Adriano relata que o investimento do programa foi muito importante para a continuação das pesquisas em meio à pandemia da Covid-19 – com os laboratórios da UFSM fechados, eles tiveram que comprar boa parte do material. O dispositivo também foi contemplado pelo Programa Techfuturo, parceiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs). Com esses investimentos, a startup conseguiu montar nove protótipos do dispositivo, e os pesquisadores pretendem ter um produto mínimo viável validado e em funcionamento para comercialização até janeiro de 2022.

Infográfico horizontal e colorido em três partes. São três ilustrações e três blocos de texto. As Ilustrações estão acima dos blocos. As Ilustrações são retangulares e os blocos de texto, verticais. Da esquerda para a direita. Ilustração um: desenho de dois tubos de ensaio transparentes e com tampa preta. O primeiro tem líquido azul, e o segundo, líquido azul com pontos coloridos espalhados. Ao lado, círculo com o líquido azul em zoom, e vários elementos coloridos em amarelo, rosa e verde pastel. O fundo é branco com sombra rosa. Abaixo, sobre fundo branco com sombra rosa, em preto e dividido em dez linhas, o texto: "Dois tubos são preparados com o mesmo meio de cultura - que é o que dá condição de as bactérias se proliferarem, mas a amostra só é colocada em um deles". Segunda Ilustração: mostra dois equipamentos pretos em formato de CPU de computador de mesa. Estão lado a lado, na diagonal. Os equipamentos têm os cantos arredondados, são vertical, têm contornos em vermelho, um círculo vazado na parte inferior e um símbolo em branco no centro superior: é uma forma abstrata com curvas circulares no centro de um círculo vazado. Na parte superior, há uma abertura na qual está anexo um quadrado preto. O equipamento da direita possui uma luz verde acima do círculo inferior. Está sobre fundo branco com sombra bege. Abaixo, o bloco de texto, sobre fundo branco com sombra bege, em preto e dividido em oito linhas: "Ambos tubos são colocados no equipamento, o qual compara de existe uma alteração elétrica entre o tubo sem e o com a amostra". Terceira Ilustração: tem computador de mesa preto. Na tela, janela com fundo rosa, lista colorida comigo fundo preto e gráfico de barras azul claro. Ao lado do computador, a mesma lista do computador em um dispositivo vertical. O fundo é branco com sombra rosa. Abaixo, o bloco de texto sobre fundo branco com sombra rosa. Está em preto e dividido em dez linhas: "Por não haver necessidade de contagem manual, esse novo método eletrônico já consegue detectar e mensurar a alteração no momento em que ocorre". O fundo é liso na cor azul Bic.
Expediente:
Reportagem: Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo;
Ilustração e diagramação: Amanda Pinho, acadêmica de Produção Editorial.
Conteúdo produzido para a 12ª edição da Revista Arco (dezembro de 2021).
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Impressa – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/ufsm-detecta-referencia-testes-covid-19 Mon, 09 May 2022 12:30:40 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9231

Coordenado pelos professores Terimar Moresco, Ângela Batista e Daniel Graichen, o projeto de extensão chamado de UFSM Detecta, sediado no campus de Palmeira das Missões, atua na testagem da Covid-19 desde março de 2020. O projeto já realizou mais de 30 mil testes desde o início da pandemia no país e possui contrato para a realização de testes em 50 municípios do Rio Grande do Sul.

Descrição da imagem: Fotografia com intervenções de elementos artísticos em azul marinho. Na fotografia, mulher de pele branca sorri e está sentada em frente a uma mesa com um notebook. Ela tem rosto redondo, cabelos loiros, lisos e na altura do peito; tem olhos escuros e sobrancelhas arqueadas e na cor loira; usa batom vermelho e rímel nos olhos; veste jaleco branco de mangas compridas; no bolso, brasão da UFSM e os nomes "Terimar" e "Cemicro". Está sentada, com o braço direito apoiado em uma mesa branca. Sobre a mesa, notebook preto aberto, representação 3D de célula e uma caneca branca com "UFSM detecta" em azul claro. A fotografia é contornada por riscos arredondados em azul claro.

Devido a tamanha demanda, coordenadores e alunos tiveram que rapidamente desenvolver um método organizado de trabalho. O processo se tornou de fácil compreensão: as amostras são recolhidas nos laboratórios pertencentes aos municípios vinculados e enviadas para a equipe para a checagem, que é efetuada a partir do teste do tipo RT-PCR, o qual é feito através de um swab nasal para verifi car a existência do vírus na secreção respiratória. Assim, o resultado fica disponível em até 48 horas para os pacientes.

A Arco conversou com a professora Terimar Moresco, Doutora em Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde pela UFSM, para saber mais sobre essa ação pioneira em testagens da Covid-19.

"A comunidade tem muito orgulho de ter a Universidade aqui, porque ela entende isso como uma conquista. Então, quando eles viram que a instituição estava realizando os tão procurados testes, quiseram ajudar."

Vocês possuem uma rotina de produção preestipulada?

Sim! Nós somos um laboratório de ensino e pesquisa dentro da Universidade, e dia 30 de março [de 2020], nós demos início à proposta de fazer os testes. Naquele momento, não tínhamos o laboratório organizado, o pessoal treinado, nem uma requisição de exames. Então, fomos organizando tudo e chamamos uma equipe de alunos para nos ajudar, principalmente os que já haviam tido contato com o laboratório antes da pandemia, por estarem mais familiarizados. Inicialmente, distribuímos as tarefas conforme o treinamento do aluno, até aderirmos a protocolos e formação de setores – que é como funcionamos hoje: à medida que membros da equipe saem, novos entram, passam por todos setor específico.

 

Como foi partir do mundo da pesquisa acadêmica para a experiência prática de desenvolver as testagens da Covid-19?

Foi bem desafiador, porque nós tivemos que aprender, além da técnica da testagem propriamente dita, a sermos empreendedores. Também precisamos dar entrevistas, que é algo novo para mim. Tivemos que sair do nosso mundo de professor, pesquisador, onde fazíamos uma pesquisa e o resultado não necessitava de urgência, para partir para uma realidade em que o resultado do teste precisa sair rapidamente, o paciente está lá precisando saber se vai para a UTI ou não.

Foi também importante em relação ao aprendizado, porque sempre trabalhamos com a formação de alunos, mas a gente teve que formar uma equipe e montar um laboratório de diagnósticos – que não era o que nós fazíamos de costume. Eu acho que essas coisas foram importantes, porque tivemos que ter uma responsabilidade, não maior, mas diferente – da que tínhamos antes. Aprendemos a lidar com a comunidade, o que também foi muito gratificante, porque as pessoas compreenderam a importância do nosso trabalho na região.

 

Ao mudar o rumo do trabalho desenvolvido no laboratório por causa da pandemia, como foram obtidos os recursos necessários?

Foram necessárias todas as adaptações que tu imaginas. O primeiro equipamento, que dava início a tudo, foi doado pela comunidade. Com ele, nós tínhamos a pretensão de realizar dois mil testes; agora já estamos com mais de 30 mil. Aí, como a região acabou vendo a importância disso, nos doaram outro desse mesmo equipamento. Tínhamos os dois equipamentos e uma entidade da cidade fez um consórcio com alguns municípios para comprar os reagentes. Porém, faltavam ainda os EPIs – máscara, propré, touca, luva. Então, a Universidade fez um chamamento e a comunidade doou dinheiro, caixas de luvas, caixas de máscaras, jalecos – inclusive, nos traziam comida, porque nós não tínhamos Restaurante Universitário durante o expediente. Dessa forma, mudamos toda a estrutura do laboratório e seguimos até hoje, com a ajuda da comunidade e da UFSM.

Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida de uma pessoa em laboratório mexendo com equipamentos. A fotografia é em detalhe, e mostra o jaleco branco com bolso bordado em azul, com o nome "UFSM detecta"; usa luvas azuis nas mãos e segura uma pipeta e um frasco. Ao fundo, bancada de mármore cinza com diferentes equipamentos de laboratório nas cores azul, branco, preto, amarelo e cinza. Há uma parede bege com tomadas brancas.

O valor arrecadado para testagens de Covid-19 na comunidade de Palmeira das Missões é consideravelmente alto, visto que o Brasil não tem essa tradição de filantropia científica. A que fatores você atribui isso?

A comunidade sempre ajudou. Acho que isso é uma característica de Palmeira das Missões. Além disso, a comunidade também tem muito orgulho de ter a Universidade aqui, porque ela entende isso como uma conquista. Então, quando eles viram que a instituição estava realizando os tão procurados testes, quiseram ajudar. A gente ficou muito feliz com isso e, ao mesmo tempo, aumentou muito a nossa responsabilidade. Depois, precisamos mostrar para a comunidade que aquele dinheiro que eles investiram – aquela confiança no nosso trabalho – valeu a pena.

 

Alunos da instituição estão atuando na pesquisa laboratorial. Qual a importância para eles de adquirirem experiência prática na linha de frente contra o vírus nesse momento histórico?

Eu acho que mostra a importância da pesquisa na Universidade e, para eles, é fundamental, porque aprenderam a lidar com o compromisso, a responsabilidade, a questão ética, a biossegurança – e isso é tudo muito diferente de um trabalho de pesquisa. Alguns dos alunos que estavam no início, inclusive, já foram pegos por outros laboratórios da região, pelo mercado de trabalho; outros entraram na pós-graduação. Eu acho que os que passam por aqui saem muito melhores, tanto em relação à empatia da situação, quanto em relação à própria formação técnico-científica.

 

Quais são as perspectivas para o projeto?

Várias coordenadorias de saúde aqui da região já nos procuraram para fazer o diagnóstico de outras doenças infectocontagiosas – HIV, tuberculose e dengue são as que mais nos solicitam. Essa seria uma ideia para o futuro. Além disso, nós estamos com a ideia de fazer outras coisas, como análise da qualidade de água e validação de produtos para salmonella em aviário. Ou seja, pretendemos, a partir de agora, prestar serviço para a comunidade tanto na área de microbiologia, diagnóstico, quanto na área de biologia molecular. Além disso, a gente trabalha com educação e saúde – dentro do UFSM Detecta temos um braço que chamamos de “Educa Detecta”, que, quando solicitado, oferecemos treinamento para profissionais da saúde, professores e servidores. A gente pretende continuar com esse também.

Expediente:

Reportagem: Paula Appolinario, acadêmica de Jornalismo;

Diagramação: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial;

Fotografias: Gabriela Carvalho.

Conteúdo produzido para a 12ª edição impressa da Revista Arco (Dezembro 2021)

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Impressa – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/o-direito-internacional-e-as-crises-de-saude-publica-2 Fri, 29 Apr 2022 16:18:27 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9220

Até pouco tempo atrás, a ligação entre as áreas do direito e da saúde parecia incompreensível para muitas pessoas. Mas, em 2020, a pandemia de Covid-19 mostrou ao mundo que as ciências jurídicas e as crises emergenciais de saúde global têm mais em comum do que se imaginava. A jurista Deisy Ventura, graduada em Direito pela UFSM em 1989, estuda a relação entre pandemias e o direito internacional desde 2008 e é uma das vanguardistas na área da regulamentação internacional da saúde. Atualmente, Deisy é professora e coordenadora do doutorado em Saúde Global e Sustentabilidade na USP.

Ilustração horizontal e colorida de mulher sentada em frente a um microfone. Ela tem pele branca, rosto redondo, nariz e boca médios. Tem cabelos curtos, na altura do ombro, encaracolados e na cor castanho escuro. Tem sobrancelhas grossas e usa um delineado vermelho. Usa brinco de argola vermelha e colar com pingente de argola vermelha. Veste camisa cinza sobre decote vermelho. Está atrás de uma mesa com tampo marrom, em frente a um microfone cinza em um tripé na mesma cor. Está com as mãos para o alto, aos lados do microfone. O fundo é branco.

Ainda na UFSM, entre os anos de 1994 e 1996, Deisy fez o mestrado em Integração Latino-Americana, temática que estava em alta na época, pois se tratavam dos anos iniciais do Mercosul. A professora conta que esse mestrado multidisciplinar, que envolvia principalmente as áreas de Direito, Economia e História, possibilitou que ela descobrisse a área da integração regional, na qual acabou trabalhando por mais de 15 anos. “O mestrado na UFSM me abriu os olhos para um processo que estava acontecendo na região e no mundo e me deu a base para que eu pudesse me candidatar ao processo seletivo na Sorbonne. Foi definitivo para mim”, conta a jurista. Na Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, localizada na França, Deisy concluiu um segundo mestrado e um doutorado em Direito Internacional.

Após a finalização do doutorado, Deisy trabalhou durante três anos na Secretaria do Mercosul, em Montevidéu, no Uruguai. Foi ali, lidando com as negociações do bloco, que a jurista conheceu os negociadores da saúde. Na época, algumas questões sobre normas de circulação de alimentos na Europa surgiram, devido à encefalopatia espongiforme bovina, doença cerebral que acometeu diversos rebanhos de bovinos adultos. Os seres humanos adquiriam a doença por meio da ingestão de produtos de carne contaminada. Com isso, a relação entre o direito e a saúde passou a ser mais valorizada, e foi a partir daí que Deisy começou a pesquisar sobre o tema, o que já faz há mais de 20 anos.

A jurista decidiu dedicar seus estudos plenamente a questões sanitárias quando foi aprovada como docente na USP, onde trabalhou inicialmente com temas de integração regional e saúde, sobre o princípio da precaução e as crises sanitárias. Então, em 2008, quando houve a pandemia de H1N1, a professora se envolveu com os aspectos jurídicos da gripe. O seu primeiro artigo sobre pandemias foi publicado em 2009. Em 2012, Deisy fez sua livre-docência em direito internacional sobre a gripe H1N1 na USP. “Muita gente não entendia o que era isso, aliás acho que a maior parte das pessoas entendeu mesmo o que eu pesquisava agora, todo mundo entendeu o impacto enorme que a pandemia tem sobre o direito e particularmente sobre os direitos humanos”, conta a egressa da UFSM.

OS DIREITOS NA PANDEMIA
Durante a crise sanitária de Covid-19, Deisy se tornou uma voz muito potente na mídia no que se refere aos direitos da população. Ela é uma das articuladoras do Projeto Direitos na Pandemia, que tem como objetivo avaliar o impacto do coronavírus sobre os direitos humanos e, particularmente, analisar as normas jurídicas, a jurisprudência do Tribunal de Contas da União, do Supremo Tribunal Federal e ajudar a entender as consequências desse excesso de leis em relação à pandemia. São analisadas todas as normas, federais e
estaduais, não apenas aquelas relacionadas explicitamente à saúde, visando detectar os possíveis impactos negativos, para que nenhuma medida normativa seja excessiva e que a proteção dos direitos da população seja garantida.
Expediente:
Reportagem: Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo;
Diagramação e ilustração: Filipe Duarte, acadêmico de Desenho Industrial
Conteúdo produzido para a 12ª edição impressa da Revista Arco (Dezembro 2021)
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