Sem categoria – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco Jornalismo Científico e Cultural Sun, 19 May 2024 19:56:42 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Sem categoria – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco 32 32 Sem categoria – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/bit-quantico-rafael-chaves-e-as-trajetorias-quanticas Fri, 19 Apr 2024 17:42:33 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9995

Bit Quântico: Rafael Chaves e as trajetórias quânticas

Será que todos os pesquisadores e pesquisadoras têm uma história de sucesso impecável dentro do seu campo? Neste mini-episódio, contamos um pouquinho da trajetória do nosso entrevistado Rafael Chaves e suas tentativas e erros dentro da quântica.

 

Acesse a transcrição do episódio e a tradução para o inglês.

O Q Quântico é produzido dentro de universidades públicas. Contamos com o apoio de diversos funcionários das nossas instituições que contribuíram para que o podcast chegasse ao seu formato final. Agradecemos o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do cluster de excelência “Matter and Light for Quantum Computing” (ML4Q) da Alemanha. E o suporte e infraestrutura da Heinrich-Heine-Universität Düsseldorf e das rádios da Universidade Federal de Santa Maria.

 

 

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Sem categoria – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/ep4-isso-e-real-ou-se-passa-apenas-na-minha-cabeca Mon, 15 Apr 2024 12:56:30 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9974

Ep4: Isso é real ou se passa apenas na minha cabeça?

A ciência é descoberta ou inventada? No episódio 4 a gente fala sobre superposição e discute o que isso tem a ver com a teoria quântica ser descoberta ou inventada.

No primeiro a gente volta no experimento da fenda dupla e tenta responder a pergunta: por qual fenda o fóton passou? No segundo bloco, a gente parte para a filosofia e discute o que a ciência ser descoberta ou inventada tem a ver com teoria quântica. E no terceiro bloco a gente fala sobre as dificuldades linguísticas que surgem ao discutir teoria quântica. 

 

Acesse a transcrição do episódio e a tradução para o inglês.

No episódio, a gente fala sobre a fotografia mais inteligente do mundo, que é a foto dos participantes da Conferência de Solvay que aconteceu em Bruxelas, na Bélgica, em 1927. Você pode conferir a fotografia abaixo:

A fotografia mais inteligente do mundo. De trás para frente e da esquerda para a direita: (1a fila) Auguste Piccard, Émile Henriot, Paul Ehrenfest, Édouard Herzen, Théophile de Donder, Erwin Schrödinger, Jules-Émile Verschaffelt, Wolfgang Pauli, Werner Heisenberg, Ralph Howard Fowler, Léon Brillouin, (2a fila) Peter Debye, Martin Knudsen, William Lawrence Bragg, Hendrik Anthony Kramers, Paul Dirac, Arthur Compton, Louis de Broglie, Max Born, Niels Bohr, (3a fila) Irving Langmuir, Max Planck, Marie Skłodowska Curie, Hendrik Lorentz, Albert Einstein, Paul Langevin, Charles-Eugène Guye, Charles Thomson Rees Wilson, Owen Willans Richardson

 

No episódio, a gente menciona também a pesquisa que o Osvaldo Pessoa Jr realizou com a Roseny Lisboa sobre visões realista e antirrealista entre os físicos. Você encontra mais detalhes no livro de autoria deles intitulado ‘Visões Filosóficas Sobre Ciência E Natureza: Uma Análise Das Concepções De Professores De Física’ publicado pela Editora FiloCzar em 2019.

E para uma leitura um pouco mais técnica sobre filosofia e teoria quântica, a gente deixa aqui a referência para o livro da Patrícia Kauark: ‘Teoria Quântica E Filosofia Transcendental: Diálogos Possíveis’ publicado pela Editora UFMG em 2022.

 

 

Créditos do episódio:

  

Idealização: Leonardo Guerini e Gláucia Murta

Produção: Gláucia Murta, Leonardo Guerini, Luciane Treulieb, Samara Wobeto e Vitor Zuccolo

Apresentação: Glaucia Murta, Leonardo Guerini e Luciane Treulieb.

Roteiro do episódio: Leonardo Guerini, com contribuições da Gláucia Murta, Luciane Treulieb e Samara Wobeto

Consultoria de roteiro: equipe do podcast Ciência Suja 

Edição de som: Leonardo Guerini

Suporte de gravação: Pablo Ruan

Mixagem: Felipe Barbosa

Música original: Pedro Leal David

Identidade visual e as ilustrações de capa: Augusto Zambonato

Mídias sociais: Milene Eichelberger

Site: Daniel M. De Carli

 

O Q Quântico é produzido dentro de universidades públicas. Contamos com o apoio de diversos funcionários das nossas instituições que contribuíram para que o podcast chegasse ao seu formato final. Agradecemos o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do cluster de excelência “Matter and Light for Quantum Computing” (ML4Q) da Alemanha. E o suporte e infraestrutura da Heinrich-Heine-Universität Düsseldorf e das rádios da Universidade Federal de Santa Maria.

 

 

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Sem categoria – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/ep2-eu-tenho-uma-teoria Tue, 12 Mar 2024 14:14:22 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9955

Ep2: Eu tenho uma teoria

No episódio 2,  a gente fala sobre como a teoria quântica surge, onde a encontramos no nosso dia a dia e para qual direção ela está caminhando.

 

No primeiro bloco, a gente traz três fenômenos que foram fundamentais para o surgimento da teoria quântica. No segundo bloco, a gente fala de como o conhecimento dessa nova teoria acabou gerando uma série de tecnologias de ponta que temos hoje e, no bloco 3, a gente faz uma síntese de como a nossa compreensão atual da quântica está produzindo as tecnologias do amanhã.

 

Acesse a transcrição do episódio e a tradução para o Inglês.

Grande parte dos temas que a gente tratou no episódio, principalmente a parte histórica da formação da teoria quântica, aparecem com muitos mais detalhes no livro ‘Incerteza Quântica: Os mistérios de uma teoria e a nova era da informação’, do nosso entrevistado Rafael Chaves.

‘Quantum Technology Monitor’ publicado pela McKinsey em abril de 2023, traz um panorama geral dos investimentos globais em tecnologias quânticas.

Em relação às iniciativas brasileiras para impulsionar o desenvolvimento de tecnologias quânticas: 

  • Neste documento, você pode ler mais sobre a criação do Centro de Competência em Tecnologias Quânticas no Senai Cimatec, localizado em Salvador. Trata-se de uma iniciativa financiada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).
  • Aqui você encontra o roadmap para a implementação de uma iniciativa em Tecnologias Quânticas no estado de São Paulo, que foi lançado no evento ‘Principia/SAIFR Symposium on Quantum Technologies for São Paulo, Brazil, and Latin America’ em Fevereiro de 2023.
  • E seguem também links para saber mais sobre a Rede rio quântica e exemplos de iniciativas de fomento federais (CNPq/MCTI) e estaduais (Fapesp/Faperj) que visam fortalecimento exclusivamente da pesquisa nas áreas das tecnologias quânticas e ciências relacionadas.

Créditos do episódio:

No episódio, você ouve trechos de entrevistas com o Pablo Saldanha, a Ingrid Barcelos, a Gabriela Barreto Lemos e o Rafael Chaves.

Utilizamos trechos do filme Quem somos nós, de 2004, dos canais de YouTube Laércio Fonseca e Kelly Lemos: dor crônica e do livro A Cura Quântica, do autor Deepak Chopra.

Idealização: Leonardo Guerini e Gláucia Murta

Produção: Gláucia Murta, Leonardo Guerini, Luciane Treulieb, Samara Wobeto e Vitor Zuccolo

Apresentação: Glaucia Murta, Leonardo Guerini e Luciane Treulieb.

Roteiro do episódio: Leonardo Guerini, com contribuições da Gláucia Murta, Luciane Treulieb e Samara Wobeto

Consultoria de roteiro: equipe do podcast Ciência Suja 

Edição de som: Leonardo Guerini, Vitor Zuccolo e Mateus Scherer

Suporte de gravação: Pablo Ruan

Mixagem: Felipe Barbosa

Música original: Pedro Leal David

Identidade visual e as ilustrações de capa: Augusto Zambonato

Mídias sociais: Milene Eichelberger

Site: Daniel M. De Carli

O Q Quântico é produzido dentro de universidades públicas. Contamos com o apoio de diversos funcionários das nossas instituições que contribuíram para que o podcast chegasse ao seu formato final. Agradecemos o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do cluster de excelência “Matter and Light for Quantum Computing” (ML4Q) da Alemanha. E o suporte e infraestrutura da Heinrich-Heine-Universität Düsseldorf e das rádios da Universidade Federal de Santa Maria.

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Sem categoria – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/arco-entrevista-atila-da-rosa-nome-de-fossil-descoberto-recentemente-na-regiao-homenageia-o-docente-da-ufsm Thu, 07 Mar 2024 12:48:43 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9943

Em janeiro deste ano, Átila Da-Rosa, docente do Departamento de Geociências da UFSM, recebeu uma homenagem inesperada: um fóssil descoberto pela equipe do Laboratório de Paleobiologia do 55BET Pro São Gabriel da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) recebeu o seu nome. 

O fóssil Kwatisuchus rosai, encontrado em 2022 em uma fazenda no município de Rosário do Sul, apresenta características inusitadas. O anfíbio possui semelhanças com fósseis encontrados na região que hoje é conhecida como Rússia, o que desafia os limites do conhecimento sobre a Pangeia (o supercontinente, que existiu há cerca de 300 milhões de anos) já que, mesmo com a ligação das regiões, barreiras como cadeias montanhosas bloqueariam o acesso das espécies. 

O nome do bicho faz referência ao termo tupi “Kwati”, que significa “focinho comprido”, e “rosai”, em homenagem a Átila. O professor da Unipampa e líder do grupo  responsável pela descoberta, Felipe Pinheiro, conta que a ideia da homenagem surgiu de forma natural, pois o trabalho de Átila abriu caminho para que chegassem a esse resultado. “O Átila pavimentou a estrada que seguimos em nossas pesquisas desde 2015. Em anos anteriores, ele foi protagonista no reconhecimento, descrição e coleta de fósseis em sítios fossilíferos do início do Triássico. Seu trabalho permitiu a descoberta do Kwatisuchus e de inúmeros outros fósseis que a equipe da Unipampa recuperou e estudou nos últimos anos”. 

O encontro de Felipe com Átila aconteceu em meados de 2008, ano em que Felipe finalizou a graduação na Universidade Federal do Ceará (UFC), mas ele conta que já admirava a relevância do professor da UFSM para a Paleontologia antes disso: “Suas contribuições sobre a geologia e Paleontologia do Rio Grande do Sul já eram familiares para mim antes de conhecê-lo pessoalmente”. Outros integrantes do grupo da Unipampa também foram impactados pelo trabalho dele, como Arielli Machado, pesquisadora da Unipampa, que foi aluna de Átila na UFSM, e os pesquisadores Voltaire Paes Neto e Estevan Eltink, que já colaboraram com ele em outros projetos.

Em 25 anos de atuação como docente na UFSM, Átila continua a construir seu legado na pesquisa, mas já se consolidou como um dos grandes nomes da Paleontologia por meio de sua contribuição nos estudos voltados, principalmente, ao Rio Grande do Sul. “Poucos contribuíram como o Átila na compreensão holística de como era a região onde hoje fica Santa Maria durante o período Triássico. Isto é, na integração da informação obtida pelos fósseis e aquela proveniente das rochas. Sua pesquisa paleontológica com um forte viés geológico nos ensina a jamais ignorar as pistas deixadas pelas rochas, as únicas testemunhas dos ambientes do passado”, destaca Felipe.

Em homenagem ao dia do paleontólogo, a equipe da Arco conversou com Átila sobre questões que vão desde os desafios encontrados em mais de duas décadas de dedicação à pesquisa até sua percepção sobre a área de atuação e a motivação para continuar formando novos cientistas. Confira o que ele disse:

Arco- O que o motivou a escolher a Paleontologia como carreira?

Átila Da-Rosa – Na infância,  queria ser astronauta ou piloto de Fórmula 1. Na cidade onde eu morava, Bagé, vi uma “pedra da Lua” (meteorito) em exposição, doada pela Nasa, e aquilo me fascinou, tanto pela parte científica quanto pela exploração do espaço. 

Já na adolescência, sabia que não queria seguir a área do Direito, em que toda a família trabalhava. Queria um trabalho no campo. Um dia, um geólogo deu uma palestra no meu colégio, e eu me encantei pelo assunto. Feito o vestibular para geologia, no primeiro semestre já sabia que faria isso pelo resto da vida. No final do curso, já tentava me espelhar nos grandes professores que tive, e escolhi ser um professor/pesquisador, na interface entre a Geologia e a Paleontologia. Assim, fiz mestrado e doutorado na área, e depois concurso público para a UFSM, onde trabalho há 25 anos.

Arco- Como você descreveria o papel da Paleontologia para a sociedade?

Átila Da-Rosa – Essa é uma pergunta difícil, e não corriqueira, mas importante. Em primeiro lugar, penso que a ciência deve sempre procurar a evolução da Humanidade, para que possamos aprender com o passado e melhorar nossas previsões para o futuro. Em segundo lugar, a Paleontologia, por si só, já atrai a atenção da população, que tem muita curiosidade pela vida no passado. Nosso papel então está em promover a tradução dessas informações,  para que saibam que nosso planeta é único em Biodiversidade, e que sua manutenção depende de uma série de fatores, positivos ou negativos para nós, ao longo do tempo geológico.

Penso que o paleontólogo, como qualquer cientista, deve buscar não apenas a excelência em sua área de atuação, mas incluir nisso a extensão, como uma forma de retorno do conhecimento às comunidades envolvidas.

Arco- Qual a melhor e a pior parte de ser um pesquisador e atuar na área?

Átila Da-Rosa- Fazer ciência no Brasil ainda é difícil, apesar dos anos de ouro em investimentos na Educação, Ciência e Tecnologia nos anos 2000. Nossos pesquisadores são bem reconhecidos em diversas partes do mundo, para onde geralmente vão quando não há vagas, bolsas ou recursos por aqui. Essa “fuga de cérebros” é talvez a coisa mais frustrante para um pesquisador. 

Na Paleontologia, a melhor parte é poder acompanhar todo o processo, desde a coleta em campo ao preparo em laboratório, e posterior publicação em um periódico científico e também a repercussão na mídia local.

Arco- Recentemente, você recebeu uma homenagem com a nomenclatura do fóssil anfíbio encontrado no Rio Grande do Sul. O que isso representou para você?

Átila Da-Rosa- Uma grande honra! Diz o poeta cubano José Martí que uma pessoa deveria plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro para se sentir completa. Receber uma homenagem dessas é muito mais do que isso! É ser eternizado na ciência por colegas muito queridos. 

Eles pediram uma reunião online comigo, alegando que precisavam conversar sobre um artigo. Achei que queriam ajuda na parte geológica. Comecei a ler atentamente, então perguntaram se eu tinha gostado do nome. “Nome?!”, pensei, e corri para a descrição do fóssil. Fiquei tão emocionado, que comecei a chorar. E só consegui dizer, “muito, muito, muito obrigado, me deixaram sem palavras!”

Imagem do Kwatisuchus rosai, cujo fóssil foi encontrado em 2022 e homenageia Átila Da-Rosa

Arco- A homenagem foi graças ao seu trabalho pioneiro na localização de sítios fossilíferos que remetem ao período Triássico, incluindo no local em que o Kwatisuchus rosai foi encontrado. O que essas descobertas representam para o estudo paleontológico da região?

Átila Da-Rosa- A Formação Sanga do Cabral foi definida formalmente em 1980, e dela sempre se conheceu fósseis fragmentários, encontrados em poucos afloramentos. Minha preocupação sempre foi a de encontrar novos sítios, para todas as formações geológicas com que trabalho. Isso seguramente ajuda a ampliar o conhecimento sobre os ambientes, climas e biotas [conjunto de organismos que habitam ou habitaram em um determinado ambiente] do passado.

No caso da descoberta do Kwatisuchus, três coisas chamam a atenção: a) a presença de anfíbios compartilhando o papel de predadores topo de cadeia, com répteis arcossauromorfos, b) a identificação de ambientes de planícies, com rios rasos, temporários e de alta energia, com raríssimos registros lacustres, c) a semelhança desses fósseis com representantes da parte norte da Pangeia, trazendo perguntas intrigantes sobre sua evolução.

Arco- Como foi desenvolvido o trabalho que resultou nessas descobertas?

Átila Da-Rosa- O Felipe Pinheiro, desde que assumiu o cargo na Unipampa 55BET Pro São Gabriel, vem revisitando os sítios conhecidos, e buscando novos, bem como alguns “esquecidos” pela Paleontologia. Neste sítio em particular, a Granja Palmeira, eu e um colega, o professor Sérgio Dias da Silva, tínhamos descrito sua geologia e alguns fósseis. O Felipe continuou procurando fósseis lá, até que encontraram esse belíssimo exemplar. Depois foram para o laboratório, preparar o material e comparar com as formas conhecidas no mundo todo, com a grata surpresa de ser semelhante a formas russas.

Arco- Quais são as características dessas localidades?

Átila Da-Rosa- Cada formação geológica é caracterizada a partir de suas diferenças quanto ao tipo e cor do sedimento, estruturas e fósseis existentes em relação a outras formações. 

A Formação Sanga do Cabral é caracterizada por arenito finos alaranjados, contendo concreções carbonáticas [nódulos mineralizados por carbonato de cálcio, gerados pela infiltração de água em solos] e níveis com conglomerados e arenito mais grossos, com estratificação cruzada. Essas feições são bem visíveis nos cortes de estrada (rodovias e ferrovias), ou em ravinas formadas pela erosão.

Arco- Você se dedica, principalmente, ao estudo do período Triássico. Quais são as especificidades desse período e o que desperta seu interesse nele?

Átila Da-Rosa- O Triássico é o primeiro período da Era Mesozoica, também conhecida como “Era dos dinossauros” ou “Era dos grandes répteis”. Tudo o que aconteceu nesse período remete ao processo de reorganização da vida e dos ambientes, logo após o principal evento de extinção em massa de nosso planeta. Assim, o estudo da Formação Sanga do Cabral se reveste de importância única, pois é um dos poucos lugares do mundo onde se preservam rochas e fósseis desse período.

Arco- O que te motiva a continuar formando novos profissionais da área?

Átila Da-Rosa- A finitude das coisas. A ciência se mantém pelo aprendizado, pela formação de recursos humanos. Sempre haverá fósseis para cavar e estudar, mas é preciso sempre formar pessoas para essa continuidade.

Arco- Qual mensagem você deixaria para quem tem interesse na área ou está em período de formação?

Átila Da-Rosa- Qualquer profissão a ser escolhida deve sempre ser algo que te dê vontade de estar ali todo dia, o “brilho no olho”, e um retorno financeiro mínimo.  Para isso, é preciso estudar e se preparar, e preferencialmente fazer algum estágio num laboratório de Paleontologia. Perto de sua cidade sempre pode ter um laboratório,  um professor e fósseis esperando por você!

Reportagem: Júlia Weber, estudante de jornalismo e estagiária da Agência de Notícias
Fotografia: Ana Alicia Flores, acadêmica de Desenho Industrial, bolsista da Agência de Notícias
Edição: Luciane Treulieb, jornalista

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Sem categoria – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/expediente-13 Thu, 14 Sep 2023 12:42:01 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9765 13ª edição – Setembro 2023

 

Editora-Chefe: Luciane Treulieb (MTb/RS 13.260)

Assistente de edição: Samara Wobeto (acadêmica de Jornalismo)

Editora de Arte: Noam Wurzel (acadêmico de Desenho Industrial)

Ilustração e Diagramação: Cristielle Luise, Luiz Figueiró, Noam Wurzel (acadêmicos de Desenho Industrial), Evandro Bertol

Repórteres: Alice dos Santos, Bernardo Salcedo Silva, Caroline de Souza, Eduarda Paz, Eloíze Moraes, Gustavo Salin Nuh, Isadora Pellegrini, Karoline Silveira Rosa, Rebeca Kroll, Samara Wobeto, Tayline Alves Manganeli (acadêmicos de Jornalismo)

Colaboradores: Augusto Paim (editor convidado em Quadrinhos), Márcio Cardozo (Ensaio), Maria Catarina Chitolina Zanini (Diário de Campo), Nicasio Gouveia (Recordações), Nikellen Witter (Escritos)

Revisão: Alcione Manzoni Bidinoto

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A estudante de Relações Internacionais, Rayane Xipaya, é a única aluna indígena no curso da UFSM. (Foto: Pangaia CBD)

O dia 09 de agosto é reconhecido como Dia Internacional dos Povos Indígenas. A data, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), visa reconhecer as tradições dos povos indígenas e promover a conscientização sobre a inclusão dos povos originários na sociedade. 

No Brasil, nos últimos 10 anos, ocorreu um aumento significativo do número de estudantes indígenas no Ensino Superior. Segundo dados de 2022 do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística (IBGE), as matrículas aumentaram em 374%, na última década. Contudo, os povos originários universitários representam apenas 3,3% dos mais de 1,4 milhão de pessoas que se identificam como indígenas no país. Em relação ao número total de alunos na graduação, representam 0,5%. A estudante de Relações Internacionais (RI) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Rayane Xipaya, 21 anos, está no oitavo semestre do curso e é uma entre os 159 indígenas da Instituição, além disso, é a única no curso de RI, de acordo com dados da Subdivisão de Ações Afirmativas Sociais, Étnico-Raciais e Indígenas da UFSM.

Um levantamento do Instituto Semesp (Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo) mostrou que, em 2010, havia, no Brasil, 896 mil pessoas que se declaravam ou se consideravam indígenas. Desses, 572 mil (63,8%) viviam na área rural e 325 mil (36,2%), na área urbana. Em 2022, a autodeclaração indígena saltou para mais de 1,4 milhão, conforme balanço parcial do Censo 2022, mostrando um aumento de 66%. 

A pesquisa revelou também que a participação de povos indígenas no ensino superior brasileiro aumentou 374% entre os anos 2011 e 2021, enquanto o crescimento dessas populações no país foi de 66%. Sendo a rede privada responsável por 63,7% desses estudantes e a modalidade presencial por 70,8%. O levantamento registrou, também, que 55,6% dos alunos indígenas são do sexo feminino, embora a presença masculina seja predominante dentro das Terras Indígenas (51,6%). O Instituto Semesp considerou as bases de dados do Censo Demográfico 2010 e do balanço parcial do Censo 2022, do IBGE, e também do Censo da Educação Superior, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

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A estudante no hall do Restaurante Universitário da UFSM. (Foto: Arquivo Pessoal)

A UFSM tem a única casa de estudante indígena construída e planejada dentro de uma universidade no Brasil. A Casa do Estudante Indígena (CEI) Augusto Ópẽ da Silva, lar da Rayane desde 2021 até maio de 2023, foi inaugurada em 2018. Atualmente, abriga 60 estudantes de 15 etnias. Um dos motivos da estudante de Relações Internacionais ter vindo do Pará para o Rio Grande do Sul foi pelas ações afirmativas da Universidade, como a CEI.

Segundo o levantamento da Semesp, as áreas do conhecimento com maior número de alunos indígenas são Educação e Saúde e Bem-Estar, que somam 52,7% das matrículas. Entre os cursos presenciais, os que têm maior procura são Direito (10,6%), Enfermagem (6,7%) e Pedagogia (5,7%). 

Na mesma linha do cenário nacional, na comunidade Apïrinã, do povo Xipaya, além de Rayane, têm outros estudantes no Ensino Superior, nos cursos de Direito, Odontologia, Engenharia Florestal, Biologia e Medicina. Todos esses são estudantes da Universidade Federal do Pará. 

Escolha do curso

Para Rayane, as questões de segurança e de bem-estar foram levadas em conta na escolha da instituição de ensino. Mas, o mais conturbado mesmo foi sair da sua região: o médio Xingu, em Altamira, no norte do país, no estado do Pará. Ela veio para o oposto do país e ficou longe do povo Xipaya, da comunidade Apïrinã: “teve um choque cultural no início. Foi difícil me adaptar à alimentação, ao clima. Levei tudo como uma forma de conhecer outras realidades e ter essa vivência com os povos indígenas do estado. A convivência me abriu muito espaço de conhecimento”, relata Rayane. 

A ideia de cursar RI surgiu por todas as questões que as comunidades indígenas, principalmente da região amazônica, enfrentam. A estudante conta que um dos motivos de se interessar pela área foi por conta do processo de criação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. As negociações com outros países e a falta de informação para a população local são motivos que a levaram a cursar Relações Internacionais, objetivando ajudar a sua comunidade. “Os moradores foram e são ingênuos em relação a esse tipo de conhecimento, muito em decorrência do idioma. A população urbana, rural, povos indígenas e ribeirinhos da região foram diretamente afetados por não terem ninguém para conceber um auxílio e conhecer, de fato, do que iria se tratar o projeto”, reflete a estudante.

Por isso, RI se tornou uma área possível, dado o conhecimento fornecido sobre acordos internacionais, legislações e a possibilidade de entender o contexto histórico, político, social e econômico do país. “O aprendizado adquirido na universidade pode contribuir para levar o conhecimento necessário para as pessoas que realmente são impactadas e que deveriam ser as primeiras a serem ouvidas em projetos como a Usina de Belo Monte”, afirma Rayane.

Para o Trabalho de Conclusão de Curso, a temática escolhida é em relação ao Direito Internacional do Reconhecimento e a política indigenista do governo Bolsonaro. O direito internacional trata sobre questões de gênero, identidade, além de abarcar assuntos relacionados a povos originários e outras maiorias minorizadas. 

Rayane explica que a linha de pesquisa é uma abordagem crítica que pretende dar ênfase aos povos originários. “Vou trazer para o âmbito doméstico, como o país desenvolveu as convenções e instrumentos jurídicos dentro da legislação. Por isso, começo a partir de 1988, passo pelos presidentes, desde Fernando Henrique Cardoso até o Lula. Depois, vou fazer uma análise da política indigenista do Bolsonaro”.

Resistência no meio acadêmico

Para a estudante, não é fácil estar longe de casa, mas o contato com colegas de diferentes etnias é muito enriquecedor (Foto: Liga Indígena Acadêmica)

Rayane conta que ter contato com mais de 15 povos originários é algo essencial para entender os processos históricos que aconteceram com cada um e como isso reflete na cosmovisão dessas comunidades. A Casa Indígena é uma forma de resistir e permanecer no meio acadêmico. “Algumas questões psicológicas têm me bloqueado bastante. É complicado nesse sentido de produção acadêmica. Também demorei para entrar em grupos de pesquisa, porque achava meus colegas que participavam muito inteligentes e tinha receio. Além disso, a academia é muito racista”, reflete a graduanda. 

No início deste ano, a estudante aceitou o convite do professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais, Ademar Pozzatti Júnior, para ingressar no Núcleo de Pesquisa e Práticas em Direito Internacional (NPPDI). Rayane explica que um dos motivos de enfrentar as inseguranças e aceitar participar do grupo tem muito a ver com a identificação pela metodologia do docente e com a possibilidade de realizar um mestrado. 

Ao ser questionada se pretende realizar o mestrado na UFSM, Rayane comenta que é uma das possibilidades, e pensa em continuar com a linha de pesquisa do Direito Internacional do Reconhecimento, mas precisa analisar muitas questões. “Está chegando o momento que eu vou ter que decidir. Estou acostumada aqui com a região, gosto da forma que a universidade trabalha e aborda as questões de RI, de um modo mais social e filosófico. Estou pensando, também é doloroso ficar longe de casa”, conta a estudante. 

A graduanda também participa, desde o início de 2023, do programa de extensão Gênero, Interseccionalidade e Direitos Humanos (Gidh).

Cenário da pós-graduação

De acordo com dados do UFSM em Números, a Universidade tem 26.233 estudantes e 275 cursos. Conforme as informações da Subdivisão de Ações Afirmativas Sociais, Étnico-Raciais e Indígenas da Instituição, apenas 27 cursos de graduação e cinco cursos técnicos têm estudantes indígenas matriculados. A licenciatura em Educação Indígena EAD conta com 35 estudantes. Ao todo, são 159 alunos indígenas matriculados na Universidade. Atualmente, na pós-graduação, a instituição conta com uma aluna no curso de Residência Médica-Oncologia Clínica. Contudo, segundo os dados disponibilizados, a UFSM não tem nenhum aluno indígena formado pela pós-graduação. 

De acordo com artigo “Estudantes indígenas em universidades brasileiras: um estudo das políticas de acesso e permanência”, a política de ações afirmativas nas instituições federais de Ensino Superior, de modo especial para os povos indígenas, vem se consolidando enquanto política de estado. No entanto, os desafios não se restringem aos espaços dessas instituições. Segundo as autoras do estudo, é preciso estender a política de cotas para os espaços de trabalho em que os futuros profissionais atuarão, bem como para o ensino de pós-graduação, com a reserva de vagas para candidatos indígenas em cursos de mestrado e doutorado, por exemplo.

Acolhimento por meio de projetos

Yandê

Além dos grupos de pesquisa, o projeto que a graduanda de RI participa há quase dois anos é a Liga Acadêmica de Assuntos Indígenas – Yandê, vinculado ao Centro de Ciências da Saúde (CCS). “Agora, por meio da Liga, a gente conseguiu uma DCG (Disciplinas Complementares de Graduação) que fala de povos indígenas e ela já vai começar a ser ministrada no CCS, mas aberta para outros cursos. Vamos ver como vai funcionar o processo, mas já é um grande passo: uma DCG que fale de povos originários!”, comemora Rayane. 

Na Yandê ocorre muita troca, por meio de projetos de extensão e pesquisas. Os participantes do grupo aprendem, mas ensinam os educadores, também. Para ela, é como se fosse um refúgio dentro da universidade. “Sou a única estudante indigena de RI da UFSM e pelo que sei a primeira a me formar nessa área. Então, nos outros grupos às vezes fico mais reclusa. Por isso, gosto muito da Liga”. 

Projeto Caipora

A estudante também faz parte do Projeto Caipora, de extensão da universidade. O projeto ainda é recente, mas Rayane está bem ansiosa para começar a colocar a mão na massa. O objetivo é desenvolver uma etnomídia, a partir da voz dos povos indígenas. Ela explica que serão eles mesmo contando sobre processos históricos que não foram escritos por eles, com foco na região sul do país. Tudo isso é para ser divulgado em forma de podcasts, vídeos, redes sociais e, até mesmo, em um jornal. O grupo ainda não tem previsão de quando vai começar a divulgação pelas redes sociais, mas os interessados já podem acompanhar na página do Instagram  @caiporaetnomidia. Até o momento, os integrantes começaram a fazer formação de mídia com alguns integrantes e o próximo passo é expandir para as aldeias de Santa Maria. 

Para este 09 de agosto, Dia Internacional dos Povos Indígenas, o grupo, através da autoria de Rayane, divulgou um texto falando sobre a data e contextualizando vivências dos povos originários. 

Leia abaixo:

 

DIA INTERNACIONAL DOS POVOS INDÍGENAS 09/08

O Dia Internacional dos Povos Indígenas foi instituído no calendário mundial em 1994 pela resolução 49/214 da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), e é comemorado desde o dia 09 de Agosto de 1995, tal qual, segundo a ONU, a data faz alusão a primeira reunião com os povos indígenas em Genebra em 1982. Traduzido originalmente de “International Day of the World’s Indigenous Peoples”, o dia conscientiza e evidencia a luta, resistência e existência dos mais de 476 milhões de indígenas que ainda vivem em aproximadamente 90 países, representam cerca de 5 mil culturas, e mantém viva mais de 7 mil línguas nativas.

Todavia, apesar do quantitativo relativamente exuberante, em termos comparativos de população, os povos originários não chegam a 7% da população mundial, e devido a diversas questões históricas, sociais, econômicas, que envolvem genocídio de corpos, culturas, memoricídio que ocorreram e ainda ocorrem contra os povos originários, em números gerais, esta população também faz parte dos 15% mais pobres do mundo de acordo com a ONU. 

Dentre as diversas violências sofridas durante o período colonial e pós colonial, se enraizaram estereótipos e estigmas que fomentam preconceitos dentro das estruturas sociais dos Estados, e estes, por sua vez, viabilizaram e ainda viabilizam a marginalização, violação de corpos e territórios, e apagamento histórico que enfraquece as nossas narrativas sobre nossos próprios processos ao longo da história.

Portanto, de acordo com algumas dentre as várias narrativas impostas, indígenas são “caras vermelhas, com cabelos pretos e lisos, que não podem falar corretamente o idioma – oficial – de seu respectivo país, tampouco utilizar roupas, ou quaisquer tecnologia, tem naturalmente capacidades mentais inferiores e devem viver em completo isolamento no meio da natureza” e assim, somente assim, poderão ser validados com tal identidade. Este pensamento é por si só violento, e não reconhece as diversidades culturais, históricas, geográficas e fenotípicas de cada povo, excluindo veementemente indígenas que não correspondem com tais características, invalidando seu histórico, identidade e ancestralidade. 

Certamente, há processos que fortalecem estes estigmas, bem como a política de embranquecimento, este, que teve como principal propulsor a miscigenação de raças, mas que também está diretamente atrelado ao embranquecimento do conhecimento tradicional, sendo parte do genocídio cultural que as populações indígenas enfrentaram. Se faz importante enfatizar também a romantização das estórias escritas, isto é, a ideia de que a miscigenação ocorreu por conta de uma paixão correspondida entre indígenas e não indígenas, encobrindo o estupro de crianças e mulheres indígenas e o assassinato de seus pais, parceiros e protetores. 

No Brasil, estes processos culminaram na raça e identificação de “pardo”, gerando até mesmo sub raças para abrangê-los, bem como caboclos que seria a junção entre brancos e indígenas, e cafuzos, que seria a de negros e indígenas, tudo isso sendo parte do plano de embranquecimento da população, os colocando como “indigentes” diante do direito internacional e doméstico. Para além disso, o embranquecimento destas populações se deu também pela não aceitação de registros com nomes ou sobrenomes indígenas, sendo reconhecidos somente recentemente para uso legal em registro. 

São inúmeras as violências sofridas e ainda impostas contra os povos indígenas, a ideia de população não civilizada, ou selvagens, nos coloca em uma posição desumana, desvalidando e desvalorizando os nossos conhecimentos, nosso modo de vida, nossa ancestralidade; nos coloca em uma subalternização social, histórica e econômica, por apenas sermos quem somos. 

Nos aprisiona em um padrão de civilização que não é nosso. Nos mataram, estupraram, prenderam, torturaram, e no fim nos obrigaram a vestir, e usar suas roupas e sapatos, a falar a língua que não era nossa, a usar a tecnologia que não era nossa, a rezar para um deus que não era nosso, e nos impuseram um conhecimento que não era nosso. Mas quando falamos sobre ancestralidade e resistência, falamos sobre o fato de que aprendemos a ser como vocês são, sem deixar de ser quem nós somos e a maior prova disso está no primeiro parágrafo deste texto. 

Nós não morremos, não deixamos nossa cultura e ancestralidade morrer, estamos utilizando tudo isso a nosso favor, as roupas de vocês, a tecnologia de vocês, a língua de vocês e o conhecimento de vocês para acessar todos os lugares possíveis e demarcá-los também, lutar para que mais nenhum povo seja dizimado, nenhuma cultura seja esquecida e que nossas histórias sejam escritas e narradas por nós mesmos. Estamos nos territórios demarcados ou não, cidades, hospitais, escolas, universidades, jornais, governos, convenções nacionais e internacionais, nós estamos negociando com os colonizadores, construindo as nossas leis e garantindo a nossa existência. 

A todos os povos nativos em resistência do continente Americano, Africano, Europeu, Ásiatico e Oceania, SOMOS RESISTÊNCIA! e não garantimos somente nossa existência, pois mesmo compondo menos de 7% da população mundial, de acordo com a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) somos responsáveis por proteger mais de 80% da biodiversidade mundial, garantindo a vida de bilhões de seres vivos, inclusive dos colonizadores ou seus descendentes. Inclusive a vida daqueles que nos assassinam diariamente e daqueles que não sabem que ainda existimos. Estamos aqui, reescrevendo nossa história, quebrando nossas correntes e nos libertando dos estigmas que nos prendiam em padrões dos outros. Porque a nossa ancestralidade não morre com tiros ou facas, e são os nossos corpos vivos quem são o pulmão do mundo.

Viva os Povos Indígenas de todo o mundo!

Rayane Xipaya
Estudante de Relações Internacionais UFSM - Bolsista Caipora Etnomídia

Expediente:

Reportagem: Eduarda Medeiros Paz, acadêmica de Jornalismo;
Edição: Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas

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Sem categoria – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/8-mulheres-empreendedoras-da-ufsm Thu, 09 Feb 2023 11:50:06 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9643

Com o estabelecimento do Parque de Inovação, Ciência e Tecnologia da UFSM e a criação da Pró-Reitoria de Inovação e Empreendedorismo (Proinova), o empreendedorismo ganha destaque na Instituição. As mulheres empreendedoras são personagens importantes nesse cenário de desenvolvimento. De acordo com o relatório do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), as mulheres lideram 34% dos negócios brasileiros. Na Pulsar Incubadora Tecnológica da UFSM, elas estão à frente de 10 empresas, o que contabiliza uma porcentagem de 24,39% em um total de 41 empreendimentos. Apesar do percentual ainda baixo, as lideranças femininas têm sido agentes de transformação social a partir do trabalho desenvolvido, seja à frente de empresas, seja com a criação de espaços que fomentem essa prática. 

O início do empreendedorismo na UFSM teve como liderança uma mulher: Nilza Venturini Zampieri, na época docente do curso de Engenharia Elétrica, foi a fundadora da Incubadora Tecnológica de Santa Maria (ITSM), hoje incorporada pela Pulsar. Primeira tutora da primeira empresa júnior da UFSM – a Objetiva Jr -, Nilza conta que se apaixonou quando ouviu falar na ideia de incubadora, e decidiu trazê-la para a Universidade. O objetivo era criar um local em que os estudantes pudessem praticar os aprendizados a partir da criação de empresas. “Tudo que pudesse fazer para transformar o sonho de jovens em realidade, em estar em uma universidade, estar trabalhando, estar em um projeto, estar fazendo, eu ia me dedicar pra isso. Gosto muito e tenho feito isso a minha vida inteira”, comenta Nilza.

Nos espaços em que ocupava por conta da Incubadora, como em palestras e eventos, a presença de mulheres era rara. Nilza conta que era comum receber olhares e comentários de descrença sobre a ideia de criar uma incubadora. A primeira sede da Incubadora foi um prédio antigo doado pela Universidade, e que ficava localizado no terreno em que hoje está a Pulsar, próximo ao Arco da UFSM. A construção era um depósito, e foi reformada a partir de projetos posteriores. Hoje, a sede tem uma sala de convivência, situada no prédio 2 da instituição, com o nome de Nilza Zampieri, como forma de homenagear seu pioneirismo.

Nesta lista, feita com base na série Mulheres Empreendedoras, da TV 55BET Pro, você conhece 8 mulheres que estão à frente de empresas incubadas na Pulsar. Confira:

Andrea Capssa

A arte esteve presente de diversas formas na trajetória de Andrea Capssa. Hoje doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGART/UFSM), ela começou nesse meio como artista independente. A partir dessa experiência e dos estudos do doutorado, criou a Mobart, um aplicativo que faz a projeção de obras de arte por meio da realidade aumentada. Esse mecanismo foi escolhido por ser de fácil uso e instalação, já que dispensa a necessidade de óculos (utilizados na realidade virtual). Disponível de forma gratuita, o aplicativo auxilia artistas e galeristas no processo de vendas, além de proporcionar aos apaixonados por arte a possibilidade de ver e conhecer diferentes obras em tamanho real com todos os seus detalhes. 

Atualmente, a ferramenta reúne cerca de 54 artistas e mais de 250 obras disponíveis. “A Mobart vem a ser uma ponte entre o produtor e o público consumidor”, afirma Andrea. Ao lembrar da trajetória, ela fala com entusiasmo da ascensão de mulheres à frente de startups, especialmente em sua área: “Fico feliz porque a mulher tem todo o potencial para fazer cada vez mais e melhor”. Para superar os preconceitos e julgamentos que podem acompanhar o sucesso profissional, ela comenta que sempre buscou ter confiança no seu trabalho. Para ela, esse tipo de comportamento deu forças para que situações desagradáveis, que já viu acontecer com outras mulheres, não fizessem parte de sua carreira.

Betania Vahl de Paula

Betania Vahl de Paula é formada em Biologia e Mestra em Agronomia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Em Santa Maria, fez seu doutorado em Ciência do Solo na UFSM e deu início à trajetória no empreendedorismo feminino ao assumir o cargo de diretora geral na Performance Vegetal. Betania conta que durante o doutorado, ao trabalhar com nutrição de plantas, percebeu que os produtores tinham dificuldade no processo de adubação. Até aquele momento, não existia nenhuma plataforma que oferecesse uma recomendação mais assertiva em relação ao uso de fertilizantes, levando em consideração fatores como o clima e o solo de cada propriedade. 

“Eu vou aplicar o meu conhecimento em algo que eu possa levar para o produtor”: foi com esse pensamento que Betania resolveu ultrapassar os limites da UFSM e chegar até as propriedades rurais com a criação da Performance Vegetal. A plataforma usa inteligência artificial para integrar dados referentes ao solo e ao clima de cada região para montar um diagnóstico que indica quais são os manejos mais eficientes de acordo com o objetivo do produtor. Com ela, agricultores de diferentes regiões garantem maior precisão, produtividade e qualidade em suas propriedades. A ideia da Betania também proporciona uma diminuição de custos. “Quando o produtor coloca o que ele realmente precisa no solo, não coloca em excesso. E o excesso é dinheiro indo fora”, completa.

Camila Monteiro

Empreender é criar e colocar em prática novas ideias, assim como fez Camila Monteiro. Ela é cientista de alimentos formada pela Unipampa e atualmente faz doutorado na UFSM pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia dos Alimentos. Durante as pesquisas, ela identificou uma necessidade em comum de produtores e indústrias de azeite de oliva: o reaproveitamento de resíduos da olivicultura. Especialmente o bagaço da oliva, que possui diversos nutrientes, mas não tem utilização nessa área. Assim, Camila criou e colocou em prática a ideia da Olive Plus, startup que trabalha com o reaproveitamento desse resíduo para ser aplicado na alimentação. Além de agregar valor ao produto, o tratamento do bagaço de oliva é importante para a redução do impacto ambiental, já que cerca de 80% da produção de azeite de oliva é resíduo.

Para Camila, o empreendedorismo feminino é importante para a quebra de estereótipos, mas também por servir de exemplo para as mulheres que têm o desejo de empreender. Assim como outras lideranças foram inspiração para a criação da Olive, Camila espera que seu trabalho possa encorajar outras mulheres. Apesar de observar uma maior inserção feminina no cenário de startups, ela conta que os olhares de julgamento ainda se fazem presentes em alguns espaços. “Já houve situações em que eu falava e era um pouco subestimada, como se não tivesse propriedade naquela informação que estava passando. Isso mexe com a nossa autoconfiança e, por isso, busco ter mais resiliência e determinação para dar continuidade a minha trajetória”, comenta.

Cassandra de Deus e Thaiane Marques da Silva

Foi durante as aulas de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos na UFSM que nasceu a ideia da Weecaps, startup que trabalha para melhorar a qualidade dos alimentos por meio da aplicação de probióticos. Os probióticos são definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como microrganismos vivos, ou seja, bactérias, que, quando ingeridos em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde. As CEOs Cassandra de Deus e Thaiane Marques da Silva, através da atuação na startup, desenvolveram uma tecnologia de microencapsulação, que possibilita a aplicação dos microrganismos em alimentos. Esse tipo de aplicação evita perdas de compostos durante a passagem pelo estômago. Em cápsulas de medicamentos convencionais, por exemplo, a abertura e liberação da substância começa no estômago. “E o nosso diferencial está nesse gatilho de abertura: a microcápsula passa intacta pelo estômago e começa a liberar o composto somente no intestino”, completa Cassandra. Ela também explica que somente no intestino ocorre a absorção da maioria das substâncias.

Durante o estabelecimento da empresa, elas contam que tiveram uma grande rede de apoio composta por profissionais que já atuavam na área, o que foi fundamental para a inserção no empreendedorismo feminino. Além do apoio, elas buscam ter persistência diante dos desafios e colocar em prática uma premissa que as acompanha desde a graduação: “Não aceitar os ‘não’ e correr atrás dos ‘sim”, revela Thaiane.

Lidiane Bertê 

Empreendedora há mais de 12 anos, a trajetória de Lidiane Bertê veio acompanhada de desafios. “No início do meu fazer profissional, escutava muito ‘tu é uma menina’, sendo que eu já era uma psicóloga formada atuando”, conta. Mas, apesar dessas desqualificações, pelo lugar da mulher e por ser jovem, aprendeu a “não dar ouvidos” e seguir com o trabalho. “Tem situações em que eu bato de frente e outras que ignoro porque não vale a pena. E mais do que isso: eu vou fazer o que tenho que fazer, apesar dos questionamentos”, revela. 

Formada em psicologia e especialista em gestão de pessoas, atualmente Lidiane lidera 3 empresas. Uma delas é a Nekto, startup incubada pela UFSM. Ela busca oferecer uma ferramenta de gestão de pessoas que ajuda empresas e pessoas nesse processo. A plataforma da Nekto auxilia o candidato no preenchimento do currículo ao mesmo tempo que ajuda empresas no recrutamento e seleção de futuros empregados. Lidiane ainda conta que, por trás da empresa, existe seu propósito pessoal de impactar positivamente a vida das pessoas. “Eu estou oferecendo oportunidades de vida para essas pessoas. E também para as empresas que precisam de profissionais qualificados. Quando a gente consegue entregar essa solução para empresas e candidatos, impactamos a vida dessas pessoas”, completa. 

Pauline Sagrilo

A ideia da empresa que colocou Pauline Sagrilo na lista de mulheres empreendedoras da UFSM surgiu em 2018, durante sua participação na Liga i9 – em que alunos desenvolvem ideias de startup com o apoio de diversos mentores. Após alguns meses de trabalho, surgiu a Connect Sust, iniciativa que busca levar educação ambiental e sustentabilidade para as empresas por meio da coleta de resíduos sólidos urbanos. Após a coleta, esses resíduos são destinados para os catadores da Associação de Reciclagem Seletivo Esperança (ARSELE), que recebem a doação e obtêm renda para suas famílias. Em 2021, foram 50 toneladas de resíduos sólidos urbanos destinados adequadamente através da atuação da Connect Sust e do trabalho das 30 famílias da ARSELE.

Pauline começou a empreender durante a graduação em Engenharia de Produção e revela que já notou alguns olhares de julgamento. “Eu era vista como uma menina que queria empreender e mudar o mundo sem ter muito conhecimento”, conta. Mas, por entender o espaço de transformação social que ocupa hoje, sempre busca levantar a bandeira do empreendedorismo feminino para que mais mulheres possam atuar na área e colaborar com o cenário do meio ambiente.

Rosana Taschetto Vey

Rosana Taschetto Vey é engenheira agrônoma formada pela Universidade Federal do Pampa e Mestra em Agrobiologia pela UFSM. Atualmente, é CEO da Inocular, empresa que trabalha com consultoria e desenvolvimento de produtos agrícolas relacionados à utilização de microrganismos em diferentes culturas. Hoje, o foco da Inocular está nas bactérias promotoras de crescimento. Elas auxiliam na agricultura ao proporcionar maior absorção de água e nutrientes, além de tornar a planta mais tolerante ao ataque de pragas. 

Ao falar sobre empreendedorismo feminino, ela revela que vê uma maior inserção de mulheres nesse meio, especialmente nos últimos anos. Para Rosana, ter outras lideranças femininas auxilia na sequência do trabalho. “Com a presença de outras mulheres, nos sentimentos mais incluídas e aceitas nesse meio”, comenta.

Série “Mulheres Empreendedoras” da TV 55BET Pro

A série “Mulheres Empreendedoras”, da TV 55BET Pro, conta a história dessas oito lideranças femininas à frente de empresas incubadas na Instituição. O primeiro episódio aborda o início do empreendedorismo na Universidade. Para contar essa história, a TV 55BET Pro conversou com Nilza Zampieri, que foi fundamental para a fundação da Incubadora Tecnológica de Santa Maria (ITSM). Assim, o episódio conta como o protagonismo feminino foi fundamental para o desenvolvimento do empreendedorismo na UFSM. Assista:

O segundo episódio da série conta a história da Rosana, da Betânia, da Cassandra e da Thaiane. A partir do trabalho desenvolvido, elas contribuem com a qualidade de vida da comunidade com o desenvolvimento de plantas e alimentos. Confira:

A história da Pauline e da Camila são destaque no terceiro episódio. Elas compartilham o propósito da criação das empresas e inspiram a partir de suas trajetórias no empreendedorismo feminino. Assista:

O quarto episódio da série conta a história de Andrea e a Lidiane, lideranças femininas que fazem a diferença a partir do trabalho desenvolvido na Mobart e na Nekto. Assista:

Os próximos episódios da série “Mulheres Empreendedoras” seguem colocando em destaque o protagonismo feminino. Eles vão compartilhar a história de outras mulheres e contar como o trabalho desenvolvido pelas empresas incubadas na UFSM impacta positivamente a sociedade, especialmente de Santa Maria.

Como empreender na UFSM

Para fazer parte da lista de empreendimentos da UFSM, os projetos podem se candidatar por meio de editais para iniciar o vínculo com o Programa de Incubação oferecido pela Pulsar. Ele tem como objetivo fortalecer e preparar as empresas por meio do monitoramento da evolução do negócio e conexão com outras empresas incubadas. O Programa de Incubação contempla a fase em que o empreendimento deixa de ser ideia e passa a ser uma empresa. Durante o programa, os empreendedores utilizam a infraestrutura e os serviços de apoio científico e tecnológico e de suporte operacional oferecidos pela Pulsar.

Expediente:
Reportagem: Samara Wobeto e Thais Immig, acadêmicas de Jornalismo;
Design gráfico: Daniel Michelon De Carli, Unidade de Comunicação Integrada;
Edição geral: Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.

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Sem categoria – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/vacinas-contra-a-covid-19-podem-causar-a-variola-dos-macacos Mon, 03 Oct 2022 14:53:47 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9502

Desde o início da campanha de vacinação contra o coronavírus, circulam nas redes sociais posts que contestam a segurança dos imunizantes. Com o aumento dos casos da Monkeypox – conhecida popularmente como Varíola dos Macacos-, surgiram boatos de que a doença seria um efeito colateral das vacinas aplicadas contra a Covid-19 – especialmente da Astrazeneca, que usa um adenovírus de chimpanzé na composição.

 

O infectologista e professor na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Alexandre Schwarzbold, afirma que nenhum dos imunizantes utilizados contra o coronavírus podem causar a varíola dos macacos. Isso porque não existe relação genética entre o Monkeypox – vírus causador da doença com mesmo nome, com o adenovírus de chimpanzé usado na vacina Astrazeneca. 

 

Apesar do nome popular, esse tipo de varíola não tem relação com os macacos. A nomenclatura surgiu com a descoberta inicial do vírus, em 1958, quando macacos de um laboratório dinamarquês manifestaram a doença. O primeiro caso em humanos foi identificado em 1970, em uma criança da República Democrática do Congo. O ano da descoberta do vírus também se contrapõe à ideia de relação com as vacinas da Covid-19. Alexandre explica que o Sars-CoV-2 (coronavírus) surgiu na última década. Ou seja, a Monkeypox já existia antes do surgimento da Covid-19. Algumas pessoas chegaram a matar macacos por conta da confusão causada pela relação do nome com os animais. Com isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) busca um novo nome para a doença, com o objetivo de evitar qualquer tipo de violência contra os animais.

Descrição da imagem: Ilustração horizontal e colorida de uma mulher jovem em primeiro plano. Ela tem pele escura, cabelos longos, ondulados e pretos, olhos escuros, nariz e boca pequenos. Olha para a frente. Veste regata amarela. No lado esquerdo dela, agulha com líquido lilás está no braço. A agulha é segurada por uma mão com luzas roxas. Há uma linha diagonal que separa a ilustração em duas. No lado da agulha, o fundo é roxo. No outro lado, a pele da mulher está cheia de bolhas pequenas na cor lilás, e o fundo é de cor rosa alaranjado.

Schwarzbold afirma que, além disso, os chimpanzés não são espécies reservatórias do vírus que causa a doença. Eles não hospedam o Monkeypox. Os prováveis reservatórios, segundo o especialista, são ratos e esquilos.

Como funciona a vacina da Astrazeneca?

A tecnologia adotada na Astrazeneca usa como vetor viral o adenovírus – um vírus comum que causa uma doença leve, semelhante a um resfriado. Essa tecnologia se baseia na capacidade do vírus de entrar na célula humana. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – produtora do imunizante no Brasil -, o adenovírus causa um resfriado comum entre os chimpanzés. Ele foi modificado geneticamente para que não possa se reproduzir ou causar doenças nos seres humanos.  


No adenovírus é introduzido um material genético de uma proteína encontrada no coronavírus, a “Spike”. Com isso, os adenovírus são amplificados, purificados, concentrados e estabilizados em laboratórios para depois serem transformados em vacina. O adenovírus transfere o gene da “Spike” para as células do sistema de defesa humano. Isso estimula o organismo a gerar uma resposta imunológica. Ou seja, a vacina “treina” o corpo para reconhecer a proteína “Spike” e criar defesas contra o coronavírus.

Sintomas e formas de transmissão da Monkeypox

Segundo a OMS, a Monkeypox é uma zoonose viral, ou seja, ela é transmitida para seres humanos a partir dos animais. O vírus pertence ao gênero orthopoxvirus da família Poxviridae. Os sintomas são semelhantes aos observados em pacientes com varíola comum:

  • febre;
  • dor de cabeça e dores no corpo;
  • dor nas costas;
  • calafrios;
  • cansaço;
  • erupções cutâneas (feridas na pele). 

estaca que a maior parte dos quadros são leves e não costumam se agravar. No entanto, o número de mortes registradas mostra, segundo ele, a capacidade de infecção visceral, ou seja, da doença afetar algum órgão  além da pele, e que, em alguns casos, pode levar à morte.


Até o dia  30 de setembro, o Brasil registrou 29.052 notificações para Monkeypox, segundo dados do Governo Federal.

Veredito final: Mito. Nenhum dos imunizantes utilizados contra a Covid-19 pode causar a varíola dos macacos. O adenovírus de chimpanzé – usado na fabricação da Astrazeneca, também não é reservatório do vírus Monkeypox.

Expediente:

Reportagem: Tayline Alves Manganeli, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

Design gráfico: Julia Coutinho e Noam Wurzel, acadêmicos de Desenho Industrial e bolsistas;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Camilly Barros, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.

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Sem categoria – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/o-despertar-do-conhecimento-2 Fri, 29 Jul 2022 19:22:47 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9427

Uma das instituições mais antigas do mundo é a universidade. Ingressar nela é o sonho para 17,2 milhões de brasileiros, conforme dados de 2018 da Associação Brasileira de Estágios. No entanto, poucos conhecem sua história. Confira a seguir como as primeiras universidades surgiram e sua evolução até os formatos atuais.

Ilustração horizontal e colorida de pessoas no interior de um prédio. A ilustração é vista de fora, com três pilares com teto arredondado, na cor marrom claro e detalhe em moldura de dourado. Nas partes superiores, logomarcas de universidades, e no centro superior de cada pilar, brasão dourado. No meio de cada pilar, é possível ver o interior da universidade. No primeiro, da esquerda para a direita, mesa retangular com banco acoplado na cor marrom. Há seis pessoas atrás da mesa, sendo dois homens e quatro mulheres, duas pessoas negras e quatro brancas. A mulher ao fundo tem pele negra está mexe um frasco. A segunda tem pele branca e está inclinada sobre um papel branco e grande. O terceiro é homem, tem pele branca e está com um jaleco branco e estetoscópio. A quarta é mulher, tem pele branca e está inclinada sobre um telescópio. O quinto é homem, veste capa preta e está em frente a uma máquina de escrever vermelha. A sexta é mulher, tem pele negra e olha em um microscópio. No pilar do centro, homem de pele parda, cabelos curtos e escuros, olhos escuros, veste vestido preto e entrega um papel branco com a escrita "Diploma" para uma mulher negra, de cabelos e olhos escuros, que veste bata e capelo verdes. No pilar da direita, mesa retangular marrom com banco acoplado. Atrás da mesa, seis pessoas, sendo três mulheres e três homens, e três pessoas negras e três brancas. No fundo, o primeiro é homem, branco, está em frente a uma balança de pesos cinza. A segunda é mulher, de pele branca, está em frente a um globo. A terceira é mulher, de pele nega, está com um livro aberto nas mãos, de capa vermelha. O quarto é um homem, de pele negra, usa óculos e está em frente a um ábaco. O quinto é um homem, de pele parda, segura um crânio nas mãos. A sexta é uma mulher, de cabelos ruivos e pele branca, segura uma caneta em frente a uma tela branca. No fundo, o chão de ladrilhos em cinza e branco.

As primeiras universidades do mundo

As primeiras instituições do Ocidente surgiram na Idade Média e espalharam-se rapidamente por toda a Europa. Essa época foi marcada pelo renascimento das cidades, crescimento do comércio e pela influência das escolas do século 12. Tudo isso levou à necessidade de se criar um novo espaço de construção e preservação do conhecimento. As primeiras universidades foram a de Bolonha, na Itália, fundada em 1088, e a de Paris, na França, em torno de 1200. Após alguns anos, surgiram instituições de ensino superior de Oxford, Nápoles, Cambridge, Montpellier, Coimbra e Lisboa.

Educação superior medieval

A Universidade de Paris recebeu o título de studium generale, ou seja, Estudos Gerais, concedido somente às instituições que possuíam as quatro faculdades: Artes, Teologia, Decretos e Medicina. A educação universitária se preocupava em dominar os conhecimentos encontrados em livros e os considerava como verdades absolutas. Não havia um ponto de vista crítico nem inovador. No entanto, os livros eram raros e caros nesse período. Por isso, as aulas se davam a partir da leitura das obras pelos mestres e por meio de debates públicos. Assim, a educação era muito mais voltada para o domínio dos discursos formais e da argumentação do que para a aquisição de saberes.

Heranças e tradições

Apesar de os modelos universitários atuais serem muito diferentes dos de antigamente, ainda mantêm características e tradições daquele período. Por exemplo, as nomeações e as diferenças entre bacharelado, licenciatura, mestrado e doutorado. As noções de créditos ou horas necessários para a conclusão de curso, bem como as bancas avaliadoras datam da Idade Média. Algumas instituições antigas mantiveram tradições seculares – na Universidade de Coimbra, por exemplo, é possível encontrar resquícios das vestimentas medievais. Até hoje, são usadas longas capas pretas pelos estudantes, característica adotada pela escritora J. K. Rowling ao descrever as vestimentas dos personagens na saga Harry Potter.

O surgimento no Brasil

O sistema universitário foi trazido para a América Espanhola no século 16, com instituições no México, Chile, Cuba e Argentina. No Brasil, o ensino superior só chegou três séculos depois. Durante a colonização portuguesa, a Companhia de Jesus era responsável pela educação, e seu objetivo era a difusão da fé católica. Alterações significativas só ocorreram com a vinda da Corte Portuguesa, em 1808. Surgiram o Curso de Cirurgia da Bahia, a Escola de Direito em Olinda, a Faculdade de Direito de São Paulo, o Curso de Medicina no Rio de Janeiro e a Escola Nacional de Engenharia. Após a Independência e a Constituição de 1824, discutiu-se a necessidade do sistema nacional de educação. O ensino superior só foi instalado em 1930.

Maio de 68

Demandas estudantis marcaram a década de 60 e ocasionaram grandes mudanças sociais e políticas mundialmente. O movimento conhecido como Maio de 1968 teve início na França e consistiu em uma série de protestos por parte de jovens universitários que exigiam reformas no sistema educacional. Os eventos também atingiram a classe trabalhadora, ao provocar a maior greve geral da Europa. Os ideais do movimento foram o estopim para uma grande revisão de valores da época fortalecendo demandas em diversos países. No Brasil, por exemplo, o movimento impulsionou os opositores da ditadura militar e incentivou a união na Passeata dos Cem Mil, que marcou a reação contra o regime.

Modelos universitários modernos

O século 20 foi marcado por profundas transformações no ensino superior: em vez de se aceitar passivamente os ensinamentos, passou-se a estimular questionamentos. A universidade deu voz a novas áreas, ganhou mais autonomia e se consolidou como esperança de transformação socioeconômica. Somente entre as federais no Brasil, são mais de 1,2 milhão de estudantes e mais de 191 mil servidores, entre técnicos e professores. Para a pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM Eugenia Barichello, “a sociedade descobriu que a universidade poderia auxiliá-la em problemas específicos; a partir de então a universidade passa a ter um compromisso social mais efetivo”.

Origens da UFSM

A Universidade Federal de Santa Maria, fundada em 1960 pelo professor José Mariano da Rocha Filho, foi a primeira instituição federal criada fora de uma capital. A UFSM liderou o movimento de interiorização, apesar da resistência das situadas nas capitais, nas quais eram feitos os maiores investimentos. Logo a partir disso, como observa a professora Eugenia, a UFSM definiu sua vocação como uma universidade comprometida com a  realidade social, com a educação formativa e permanente à população do interior e, posteriormente, aos estudantes dos mais diversos lugares do Brasil.

Expediente:

Reportagem: Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo;

Ilustração: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial.

Conteúdo produzido para a 12ª edição da Revista Arco (dezembro de 2021).

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Sem categoria – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/10-opcoes-de-lazer-para-as-ferias Thu, 31 Jan 2019 17:06:18 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=5227 Santa Maria é conhecida por ser uma cidade universitária. Muitos dos estudantes vêm de outras cidades e regiões do estado e do Brasil para estudar nas instituições de ensino do município. São eles que costumam manter a cidade “movimentada” ao longo do ano.

Nas férias é comum que muitos retornem para suas cidades, o que faz com que Santa Maria fique “deserta” durante o período de recesso das escolas e universidades. Na UFSM, a volta às aulas para o primeiro semestre letivo de 2019 será só no dia 11 de março, mas várias atividades seguem acontecendo na Instituição e são uma opção para quem permanece na cidade e gosta de ler, praticar esportes, desbravar o universo ou conhecer o passado… Não importa a idade ou as preferências, tem atividades para todo mundo.

Espia só essa lista que a Arco preparou:

1 – PLANETÁRIO

Pensado como um local para o desenvolvimento intelectual e aproximação do público com o conhecimento científico, desde o projeto inicial da UFSM, o Planetário foi projetado para que se possa reproduzir o céu, conhecer estrelas, galáxias e explorar o universo.

O Planetário da UFSM foi inaugurado no dia 14 de dezembro de 1971, onze anos após a criação da Universidade. Foi o quarto planetário brasileiro, o oitavo na América Latina e o primeiro no Rio Grande do Sul.

Há também a realização de eventos para a observação do céu à noite, basta ficar de olho no site do Planetário e em sua página no Facebook.

De 22 de janeiro a 28 de fevereiro, o Planetário contará com exibições especiais, nas terças e quintas-feiras, às 10h. A entrada é gratuita e a programação estará sempre disponível no site.

Atualização: o Planetário estará fechado de 15/07 a 02/08 de 2019, para que a sala de projeção possa passar por manutenção. As sessões para o público em geral retornam no dia 08/08, às 15h.

2 – POLIFEIRA

Com uma grande oferta de frutas, hortaliças, flores e outros produtos agroindustriais (pães, derivados do leite e embutidos), a Polifeira do Agricultor é um espaço no qual a comunidade tem acesso a alimentos frescos e saudáveis produzidos aqui na cidade. A feira também proporciona um contato próximo com o produtor. Você pode conhecer um pouco mais sobre quem faz a feira na matéria produzida pela revista Arco Mulheres no campo: trabalho e protagonismo.

A Polifeira acontece todas as terças-feiras ao lado da Biblioteca Central da UFSM, das 7h às 14h. Nas quintas-feiras, ocorre ao lado do Planetário da UFFSM, do meio-dia às 18h30h.

3 – FEIRA ANA PRIMAVESI

(Reprodução Facebook)

A Feira Ana Primavesi é a primeira feira de produtos orgânicos de Santa Maria. Ela acontece todas as quartas-feiras embaixo da Ponte Seca, no campus da Universidade, em Camobi. Todos os agricultores são certificados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Para saber mais basta acessar a página no Facebook.

4 – JARDIM BOTÂNICO

Com mais de 300 espécies nativas da região, o Jardim Botânico é um local de pesquisa, prática de ensino e lazer. Durante as férias, ele segue aberto para passeios.

Não sabia que a UFSM tinha um Jardim Botânico? Então deixa que a gente te apresenta ele nessa matéria que a Arco preparou. Aproveita para conferir essas 5 plantas curiosas que você vai encontrar por lá.

A visitação é gratuita, de segunda a sextas-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 17h. Para saber mais sobre o Jardim Botânico, basta acessar o site.

5 – MUSEU INTERATIVO GAMA d’EÇA

Com exposições permanentes, temporárias e itinerantes, o museu colabora com a preservação da história de Santa Maria. Pertence à 5ª Região Museológica do Estado e desenvolve projetos educacionais, seminários, palestras e cursos.

Você vai encontrar muita coisa interessante por lá, incluindo uma coleção com algumas das borboletas comuns no Rio Grande do Sul que você provavelmente conhece, mas nunca imaginou que pudessem ser tão interessantes.

O Museu encontra-se na Rua do Acampamento, 81, no centro de Santa Maria. Durante as férias, até o dia 22 de fevereiro, seu funcionamento externo será de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h30. A entrada é gratuita. Mais informações pelos telefones (55)3220-9306 ou (55)3220-9308.

6 – QUADRAS ESPORTIVAS

A prática de esportes é uma das opções para a comunidade no campus em Camobi. Fazendo um agendamento junto ao Núcleo de Infraestrutura do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD), é possível utilizar as quadras de tênis e padel. Já as quadras de basquete, voleibol e o campo de futebol também são abertas ao público, mas sem a necessidade de agendamento. Durante as férias, o horário de atendimento no setor é das 8h às 13h, na sala 1046 do prédio 51.

Mais informações pelo ninfracefd@gmail.com ou pelo telefone (55) 3220-8420.

7 – PISTA DE CAMINHADA

Localizada no bosque próximo ao prédio da Reitoria, a pista de caminhada é um dos espaços de lazer e esporte do campus da Universidade mais utilizados pela comunidade. Construída em 1996, a pista tem extensão total de um quilômetro.

8 – PISTA MULTIUSO

Com cerca de 3,5 quilômetros de extensão e três metros de largura, a pista conecta a ciclovia da Avenida Roraima à Reitoria da UFSM, passando pelas diversas unidades de ensino, Restaurante Universitário e Biblioteca Central. A estrutura foi planejada a fim de promover a mobilidade alternativa, além da prática de atividades de lazer e recreação no campus.

9 – CAPPA

O Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia/Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM) foi criado com o objetivo de dar suporte à pesquisa paleontológica na Quarta Colônia. Essa é uma região muito importante devido à abundância e importância dos fósseis do período Triássico encontrado nela.

Destinado a atividades acadêmicas e científicas, o CAPPA também busca divulgar a paleontologia em nível regional, estadual, nacional e internacional, o que vem sendo realizado através de atividades de extensão e museologia.

Não sabe muito bem o que é o período triássico e o que são esses fósseis? Não tem problema! Confere esse especial sobre paleontologia que a Arco fez, e aproveita a exposição sobre paleontologia que você encontra no centro. Ela é gratuita e aberta ao público das 7h30 às 13h30, durante as férias. A criançada costuma adorar.

10 – BIBLIOTECA CENTRAL

Apesar de ser período de férias, não precisamos esquecer dos livros, não é? As semanas de descanso permitem fazer leituras mais “livres”. A Biblioteca Central da UFSM, localizada no campus em Camobi, oferece espaços pensados para a leitura e estudos, além de outras opções diferentes que você encontra por lá para passar o tempo.

Quem não tem vínculo com a UFSM  também pode visitar a Biblioteca, podendo fazer consultas ao acervo, usar os espaços de estudo e os computadores com acesso à internet, por exemplo, sendo restrito apenas o empréstimo de livros.

A Biblioteca Central está funcionando nas férias das 7h30 às 13h30, de segunda a sexta-feira. Já nos sábados, funcionam somente os espaços de estudo e leitura (sem consulta ao acervo) das 8h às 16h.

Reportagem: Maria Helena da Silva
Edição: Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo
Fotografia: Rafael Happke

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