Um planetário é um instrumento que reproduz os fenômenos celestes, através de um conjunto de equipamentos que projetam imagens do céu no interior de uma cúpula. Se hoje, ao visitarmos um planetário, nos deparamos com a imensidão do universo ao alcance dos nossos olhos, saiba que isso só é possÃvel devido a uma série de invenções e aperfeiçoamentos ao longo de muitos anos. Acompanhe no infográfico abaixo a evolução dos eventos que originaram a tecnologia que faz nossos olhos brilharem mais do que as estrelas.
600 a.C.
A ideia do primeiro globo celeste é atribuÃda ao filósofo e astrônomo grego Anaximandro, por volta de 600 a.C. O modelo de Anaximandro é considerado a primeira representação esférica do céu. Durante a Antiguidade Greco-Latina, nos globos celestes não eram pintadas somente as principais estrelas, mas também figuras mitológicas associadas à s diferentes constelações.
250 a.C.
Em aproximadamente 250 a.C, o astrônomo grego Eratóstenes e seus discÃpulos construÃram, utilizando cÃrculos e argolas, uma esfera oca que ficou conhecida como esfera armilar. No interior dessa esfera foram representados os planetas, tendo a Terra em seu centro. A esfera armilar era utilizada para demonstrar o movimento aparente das estrelas ao redor da Terra e do sol.
1580
O globo celeste de Anaximandro e a esfera armilar de Eratóstenes foram aperfeiçoados pelo astrônomo dinamarquês Tycho Brahe, em 1580. Brahe construiu uma espécie de globo com seis metros de diâmetro, coberto com latão. No interior de madeira do globo de Brahe, a Terra estava representada no centro e os planetas ao redor.
SÃCULOÂ XVII
Em meados do século XVII, o mecânico Andreas Busch construiu o globo de Gottorp. Feito de cobre, esse modelo tinha quase quatro metros de diâmetro e pesava 3,2 toneladas. O globo de Gottorp, precursor distante dos planetários atuais, acomodava aproximadamente dez pessoas num banco circular de madeira em seu interior, e as estrelas eram representadas por buracos no globo.
1912
No ano de 1912, o norte-americano Wallace Walter Atwood também criou um modelo. O globo de Atwood, com quase cinco metros de diâmetro, continha uma lâmpada móvel simbolizando o sol e 692 orifÃcios representando as estrelas.
Até então, todos os modelos desenvolvidos eram mecânicos, portanto não era possÃvel reproduzir as dimensões do sistema solar. A inovação partiu do fÃsico e engenheiro alemão Walther Bauersfeld, que trabalhava na empresa Carl Zeiss.
1919
Em 1919, Bauersfeld projetou o primeiro planetário Zeiss, instrumento que continha projetores óticos no lugar de placas metálicas para representar as estrelas. A nova tecnologia, antecessora dos modernos planetários atuais, combinava pequenas fontes de luz com a capacidade de projeção em sua superfÃcie interna oca, permitindo a reprodução de imagens que exibiam o céu visto de qualquer localização na superfÃcie terrestre e em qualquer data. A firma Carl Zeiss tornou-se â e ainda é â referência mundial no assunto.
1954
A partir dessa evolução, os planetários se disseminaram e começaram a ser instalados em todo o mundo, reproduzindo os fenômenos celestes com qualidade e beleza impressionantes. No Brasil, a instalação do primeiro planetário aconteceu em São Paulo, em 1954.
Planetário da UFSM
O Planetário da UFSM, inaugurado em 14 de dezembro de 1971, foi o quinto do paÃs e o primeiro do Rio Grande do Sul. Desde sua fundação, continha um equipamento da companhia Carl Zeiss. Em 2011 o Zeiss Spacemaster foi trocado, e o Planetário passou a contar com o moderno projetor Digistar 4, da empresa Evans & Sutherland.
De acordo com o diretor do Planetário, Francisco José Mariano da Rocha, âo novo sistema digital de projeção é muito mais versátil e apresenta mais possibilidades didáticas que o analógicoâ. Além de simular o céu a partir de pontos distantes no espaço e no tempo, o novo projetor digital da UFSM incentiva ainda mais o interesse pela astronomia e contribui para o cumprimento da principal função de um planetário â o estÃmulo ao conhecimento.

Enciclopédia Barsa, v. 11. São Paulo: Companhia Melhoramentos, 1997.
Enciclopédia Mirador Internacional, v. 16. São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil, 1995.
Repórter: Camila Marchesan Cargnelutti
Ilustrações: Projetar