{"id":109,"date":"2016-04-05T15:20:57","date_gmt":"2016-04-05T18:20:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/comunicacao\/arco\/2016\/04\/05\/post109\/"},"modified":"2016-04-05T15:20:57","modified_gmt":"2016-04-05T18:20:57","slug":"post109","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/post109","title":{"rendered":"Entre charges e capas"},"content":{"rendered":"
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O ditado diz que n\u00e3o devemos julgar um livro pela capa, mas, muitas vezes, uma boa capa \u00e9 fator decisivo na hora de escolher entre comprar um livro ou n\u00e3o. Por isso, as editoras contratam profissionais especializados para cri\u00e1-las. Um desses profissionais \u00e9 o ilustrador do jornal Zero Hora, Gilmar Fraga, que trabalha na empresa desde 1996. Durante esses anos, o profissional se destaca pelas ilustra\u00e7\u00f5es dos\u00a0Guias Politicamente Incorretos<\/em><\/a>, da Editora Leya, que j\u00e1 conta com as edi\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria do Brasil, da Am\u00e9rica Latina, do Mundo, do Futebol e da Filosofia e, em breve, do Humor e da Psicologia.<\/p>\n \n Conversamos, por telefone, com o ilustrador, para saber mais sobre a sua carreira e o of\u00edcio de capista.<\/p>\n <\/p>\n Gilmar, nos conte um pouco da sua carreira at\u00e9 chegar na Zero Hora.<\/strong><\/p>\n Comecei em um jornal pequeno de Viam\u00e3o, regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre, e l\u00e1 o meu trabalho foi visto pelo pessoal que rodava (imprimia) o Jornal RS na capital. O pessoal viu meu desenho na gr\u00e1fica e me chamou para l\u00e1. Trabalhei tamb\u00e9m no Sindicato dos Banc\u00e1rios, trabalhei por um bom tempo nesse meio sindical, entidades que eram fortes na \u00e9poca. Depois tive uma experi\u00eancia com uma ag\u00eancia de publicidade e com uma editora, da Universidade Luterana do Brasil. Trabalhei na Associa\u00e7\u00e3o dos docentes da UFRGS e passei para o jornal [Zero Hora].<\/p>\n \n Qual o primeiro livro que voc\u00ea ilustrou? E como iniciou o trabalho com as capas?<\/strong><\/p>\n Come\u00e7ou com a L&PM Editora, eu ilustrei um livro para eles e gostaram do meu trabalho. Hoje fa\u00e7o muita capa para editoras do Rio e S\u00e3o Paulo. Desenvolvo alguns projetos com f\u00f4lego maior, geralmente n\u00e3o s\u00e3o trabalhos pequenos, s\u00e3o sequ\u00eancias de capas, de hist\u00f3rias em quadrinhos.<\/p>\n \n O primeiro n\u00e3o foi exatamente um livro, foi a S\u00e9rie Neoleitores<\/em><\/a>, uma cole\u00e7\u00e3o para adultos recentemente alfabetizados. Pegavam Frankenstein<\/em> e davam uma mexida no texto, reduziam, tiravam as express\u00f5es rebuscadas e lan\u00e7aram uma s\u00e9rie de livros dessa forma. Hamlet, Frankenstein, Robson Crusoe<\/em>. Depois fiz o livro da Claudia Tajes, S\u00f3 as Mulheres e as Baratas Sobreviver\u00e3o<\/em><\/a>. Tamb\u00e9m uma cole\u00e7\u00e3o do Caio Fernando de Abreu, Martha Medeiros, entre outros.<\/p>\n \n Com a Editora Leya, tenho uma rela\u00e7\u00e3o bastante duradoura. Rec\u00e9m terminei o livro do Danilo Gentili, j\u00e1 entreguei a capa, o Guia Politicamente Incorreto do Humor<\/em><\/a>. E estou come\u00e7ando o Guia Politicamente Incorreto da Psicologia<\/em>.<\/p>\n \n Como voc\u00ea define seu estilo de ilustrar e qual a sua inspira\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n Existem dois tipos de ilustradores, o ilustrador que tem um estilo e n\u00e3o tem muitas varia\u00e7\u00f5es na sua maneira de desenhar, e eu me incluo no segundo tipo, tenho meu estilo, tenho algumas coisas como \u00edcones que costumo repetir em alguns trabalhos, mas tenho certa facilidade de transitar por diferentes formas de desenho. Gosto tamb\u00e9m de trabalhar com a refer\u00eancia fotogr\u00e1fica, ent\u00e3o eu acho que a inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 sentar e trabalhar todos os dias, tentar resolver as coisas com um esbo\u00e7o e planejamento para quando for para a arte final j\u00e1 ter um caminho delimitado do que eu quero.<\/p>\n \n Nos livros, voc\u00ea trabalha apenas com a arte da capa?<\/strong><\/p>\n J\u00e1 fiz dire\u00e7\u00f5es de arte tamb\u00e9m, o J\u00f4 na Estrada<\/em><\/a>, por exemplo, do David Coimbra, que saiu pela L&PM eu fiz tudo, toda dire\u00e7\u00e3o de arte, todos os tipos gr\u00e1ficos, editorei a capa, montei a ilustra\u00e7\u00e3o, estabeleci os tamanhos dos textos da orelha. Hoje em dia, eu prefiro ter uma associa\u00e7\u00e3o com alguns designers, como o Diego Rodrigo da Ob\u00e1 editorial, de S\u00e3o Paulo, que faz as capas dos Guias. Eu fa\u00e7o mais a ilustra\u00e7\u00e3o das capas. Geralmente \u00e9 um processo demorado, porque exige uma pesquisa iconogr\u00e1fica grande. Eu fa\u00e7o a leitura de alguns cap\u00edtulos pr\u00e9vios que me enviam, escrevo uma lista de personagens e tento desenhar.\u00a0 Muitas vezes, tu n\u00e3o tem refer\u00eancias- por exemplo, uma bruxa na fogueira, ent\u00e3o tenho que montar essa cena de acordo com a est\u00e9tica das capas. Fiz a ilustra\u00e7\u00e3o dos mensaleiros para a capa do Mensal\u00e3o<\/em><\/a>, da Leya e em muitas das fotos as pessoas n\u00e3o estavam de corpo inteiro, ent\u00e3o eu tive que desenhar um corpo para aquela refer\u00eancia fotogr\u00e1fica.<\/p>\n \n Como \u00e9 feito o contato com as editoras?<\/strong><\/p>\n Esses convites v\u00eam de todas as formas. Muitas vezes a pessoa est\u00e1 l\u00e1 navegando e entra em contato comigo por e-mail, outras vezes as ag\u00eancias procuram poss\u00edveis ilustradores para trabalhar. Ou por convites feitos diretamente pelo editor, como \u00e9 o caso da Leya. O caminho \u00e9 muito variado. Eu nem tenho uma rede de contatos gigantesca, nunca bajulei e procurei editora, as coisas t\u00eam acontecido com certa naturalidade e o jornal me propicia uma grande janela, que permite mostrar v\u00e1rias\u00a0nuances do meu trabalho.<\/p>\n Millor Fernandes caricaturado por Fraga.<\/p>\n \n Voc\u00ea se destaca bastante pelas caricaturas, costuma us\u00e1-las na composi\u00e7\u00e3o das capas tamb\u00e9m?<\/strong><\/p>\n J\u00e1 fiz livros com caricaturas. Fiz o Millor Fernandes para a Editora Libreiros de Porto Alegre, recentemente. Uma caricatura dif\u00edcil de fazer, porque apesar de ele ser um cara bastante expressivo, se tu procurar a iconografia dele n\u00e3o tem muitas caricaturas como personagem. Geralmente, o Millor \u00e9 aquele que ele mesmo desenhava nas suas colunas. Fiz um Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro tamb\u00e9m. J\u00e1 publiquei caricaturas em revistas, na Playboy, por exemplo.<\/p>\n \n Existe algum trabalho j\u00e1 existente que voc\u00ea gostaria de feito?<\/strong><\/p>\n Eu gostaria de ter ilustrado um Nelson Rodrigues. Existem alguns caras que eu gostaria de ter trabalhado, um \u00e9 o Carlos Urbim, que\u00a0eu estou fazendo uma caricatura para uma homenagem. Trata-se de uma caricatura p\u00f3stuma que estampar\u00e1 uma Kombi itinerante que levar\u00e1 por toda Porto Alegre livros da obra dele.<\/p>\n \n “N\u00e3o tenho um trabalho que diga ‘esse trabalho me solidificou na carreira’. Foi passo a passo, capa a capa, desenho a desenho”<\/strong><\/p><\/blockquote>\n <\/p>\n Qual o trabalho que voc\u00ea mais se orgulha de ter feito?<\/strong><\/p>\n S\u00e3o tantos. Uma das coisas que abre muitas portas s\u00e3o os Sal\u00f5es de Humor. Teve determinada \u00e9poca da minha vida que eu ganhei muitos, um seguido de outro. Foram doze Sal\u00f5es de Humor\u00a0em tr\u00eas anos, al\u00e9m de pr\u00eamios de jornalismo. Essas coisas v\u00e3o te gabaritando. Muitas vezes, em pr\u00eamios de jornalismo, as coisas que tu ganha nem s\u00e3o as tuas melhores, mas aquelas que atingem um p\u00fablico maior. N\u00e3o tenho um trabalho que diga \u201cesse trabalho me solidificou na carreira\u201d. Foi passo a passo, capa a capa, desenho a desenho, isso vai criando esse conjunto.<\/p>\n \n O que voc\u00ea diria para algu\u00e9m que quer iniciar nesse ramo da ilustra\u00e7\u00e3o, elabora\u00e7\u00e3o de capas de livros, editora\u00e7\u00e3o em geral?<\/strong><\/p>\n Eu diria que est\u00e1 tudo muito junto. O cara tem que estar com um p\u00e9 fincado no design e com o outro p\u00e9 fincado na ilustra\u00e7\u00e3o. Ele tem que estar de olho nas tend\u00eancias, mas tamb\u00e9m n\u00e3o mergulhar de cabe\u00e7a numa s\u00f3 tend\u00eancia, porque eu acho que \u00e9 mais importante cristalizar seu trabalho do que se atirar numa tend\u00eancia de desenhar apenas de um jeito.<\/p>\n \n Para quem est\u00e1 come\u00e7ando, eu sempre vou aconselhar o seguinte: desenha mais e mais e mais e mais, e desenha \u00e0 m\u00e3o, \u00e9 importante desenhar \u00e0 m\u00e3o, porque isso te d\u00e1 seguran\u00e7a para resolver o trabalho de qualquer forma. Fazer esquetes, fazer estudo de esbo\u00e7o, essas coisas te possibilitam esquematizar a forma de trabalhar e simplifica muito na hora de fazer uma arte final.<\/p>\n \n Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ilustra\u00e7\u00f5es para o jornal, como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o dos profissionais com as cr\u00edticas sobre seus desenhos?<\/strong><\/p>\n Do ponto de vista pol\u00edtico, quando eu iniciei no jornal, em 1996, era a \u00e9poca do Jos\u00e9 Barrionuevo, que escrevia sobre pol\u00edtica na p\u00e1gina 10 e era odiado por nove a cada dez leitores. Mas tamb\u00e9m tinha muita gente da direita a favor dele, e era uma coisa muito embara\u00e7osa desenhar essas colunas pela quest\u00e3o de posicionamento pol\u00edtico, eu sempre fui mais de esquerda, mas por for\u00e7a da profiss\u00e3o acabei ilustrando os textos dele.\u00a0Mesmo assim, posso dizer que nunca\u00a0sofri algum tipo de retalia\u00e7\u00e3o por um desenho durante todos esses anos.<\/p>\n \n J\u00e1 quando eu fui fazer charge esportiva – eu fazia o espa\u00e7o que se chamava Os Flautistas<\/em>, no caderno de esportes do online – eu comecei a ver que os coment\u00e1rios eram muito fortes, mas tamb\u00e9m naturais, porque mexe com a paix\u00e3o dos torcedores da dupla Gre-Nal. Eu era achincalhado e acusado de gremista pelos torcedores do Inter e de colorado pelos do Gr\u00eamio, xingavam at\u00e9 a d\u00e9cima quinta gera\u00e7\u00e3o da minha fam\u00edlia por causa de uma charge, de um desenho. Ent\u00e3o isso \u00e9 normal com a charge porque \u00e9 algo que mexe com a paix\u00e3o, principalmente a esportiva, que \u00e9 minha experi\u00eancia atual.<\/p>\n Rep\u00f3rteres: Joelison Freitas e Jonas Migotto Filho<\/p>\n Imagens: Gilmar Fraga (Flickr)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" Os aspectos da profiss\u00e3o de capista atrav\u00e9s do trabalho de Gilmar Fraga, ilustrador do jornal Zero Hora<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":1005,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[],"class_list":["post-109","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1005"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"http:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}
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