{"id":1597,"date":"2013-07-07T14:55:38","date_gmt":"2013-07-07T17:55:38","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.55bet-pro.com\/arco\/sitenovo\/?p=1597"},"modified":"2021-02-10T11:39:58","modified_gmt":"2021-02-10T14:39:58","slug":"mais-verde-mais-qualidade-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/mais-verde-mais-qualidade-de-vida","title":{"rendered":"Mais verde, mais qualidade de vida"},"content":{"rendered":"
N\u00e3o importa o quanto sejam debatidas, da reportagem de televis\u00e3o \u00e0 pesquisa cient\u00edfica, as quest\u00f5es ligadas ao meio ambiente s\u00e3o sempre assunto atual. \u00c9 crescente o n\u00famero de pessoas engajadas na conscientiza\u00e7\u00e3o pela preserva\u00e7\u00e3o da natureza, o que ainda n\u00e3o se reflete fortemente nas a\u00e7\u00f5es tomadas no dia a dia e em uma redu\u00e7\u00e3o significativa das implica\u00e7\u00f5es trazidas pelo desenvolvimento. Para observar tais constata\u00e7\u00f5es, talvez o lugar mais indicado sejam as cidades, em especial as de m\u00e9dio e grande porte. S\u00e3o elas que melhor nos exp\u00f5em as rela\u00e7\u00f5es entre homem e natureza, preserva\u00e7\u00e3o e desenvolvimento.<\/p>\n
Um dos grandes problemas da rela\u00e7\u00e3o ser humano versus meio ambiente \u00e9 a forma como s\u00e3o ocupados os territ\u00f3rios e constru\u00eddas as cidades. Pouco planejamento se v\u00ea com o prop\u00f3sito de valorizar os recursos proporcionados pela natureza, em uma rela\u00e7\u00e3o mais harmoniosa entre espa\u00e7o urbano e ambiente. Da forma como ocorreu o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil, n\u00e3o houve espa\u00e7o para se pensar nos conflitos socioambientais que poderiam surgir como resultado. A cr\u00edtica que se faz n\u00e3o \u00e9 ao processo de urbaniza\u00e7\u00e3o, e sim ao modo como ele procedeu. A diminui\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal e a impermeabiliza\u00e7\u00e3o do solo s\u00e3o s\u00f3 alguns exemplos, mas j\u00e1 carregam consigo outros fatores como polui\u00e7\u00e3o do ar, forma\u00e7\u00e3o de ilhas de calor e enchentes. Desconsiderar os processos naturais e a necessidade de preserva\u00e7\u00e3o pode custar caro e n\u00e3o apenas financeiramente. Exemplo disso \u00e9 um lugar como a Cidade do M\u00e9xico, que afundou 7,5 metros, por n\u00e3o reconhecer as rela\u00e7\u00f5es existentes entre a \u00e1gua e a estabilidade do solo. Mas nem \u00e9 preciso ir t\u00e3o longe. Os frequentes deslizamentos no estado do Rio de Janeiro e as enchentes no Vale do Itaja\u00ed (SC) s\u00e3o casos pr\u00f3ximos e bem conhecidos.<\/p>\n
\u00a0<\/strong><\/p>\n Mas e Santa Maria, o que tem a ver com tudo isso? \u00c9 o que mostra a pesquisa realizada para a disserta\u00e7\u00e3o do mestrado em Geografia de Daniel Borini Alves, com orienta\u00e7\u00e3o do professor Adriano Severo Figueir\u00f3. Ele investigou as mudan\u00e7as de distribui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o na \u00e1rea urbana da cidade nos \u00faltimos quarenta e cinco anos. Al\u00e9m disso, analisou a rela\u00e7\u00e3o entre espa\u00e7os verdes e aspectos como a varia\u00e7\u00e3o da temperatura e a regula\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no que se refere \u00e0 capacidade do solo de absorv\u00ea-la. O pesquisador se prop\u00f4s a entender como a vegeta\u00e7\u00e3o contribui para o controle da qualidade ambiental urbana de Santa Maria.<\/p>\n Para compreender uma cidade em seu presente faz-se necess\u00e1rio um olhar ao passado. No caso da cidade \u201ccora\u00e7\u00e3o do Rio Grande\u201d, o ponto de partida \u00e9 o acampamento militar que se instalou, por volta de 1797, no local onde hoje \u00e9 a rua do Acampamento. Nesse per\u00edodo, a \u00e1rea era coberta por vegeta\u00e7\u00e3o campestre e florestal. Com o passar do tempo, a densidade populacional come\u00e7ou a crescer, em especial a partir de 1885, com a chegada da via\u00e7\u00e3o f\u00e9rrea. Veio ent\u00e3o o s\u00e9culo XX e com ele um crescimento ainda maior. A instala\u00e7\u00e3o de unidades do Ex\u00e9rcito Brasileiro e da Aeron\u00e1utica, e ainda a cria\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Santa Maria, na segunda metade do s\u00e9culo, atra\u00edram grande contingente populacional e um desenvolvimento ainda mais acelerado. Assim, como em outras cidades de porte m\u00e9dio do Brasil, aos poucos o verde urbano tamb\u00e9m foi dando lugar a edifica\u00e7\u00f5es e vias de circula\u00e7\u00e3o em Santa Maria. A mudan\u00e7a fica evidente quando se olha para as duas fotografias, na p\u00e1gina seguinte, que comparam a cobertura vegetal nas proximidades da Avenida Rio Branco, em 1935 e em 2008.<\/p>\n \u00a0<\/strong><\/p>\n A cr\u00edtica que se faz n\u00e3o \u00e9 ao processo\u00a0de urbaniza\u00e7\u00e3o,\u00a0e sim ao modo como ele procedeu.<\/p><\/blockquote>\n O mapa abaixo permite entender como se deu o avan\u00e7o territorial do espa\u00e7o urbano e a consequente subtra\u00e7\u00e3o das \u00e1reas\u00a0verdes, principalmente no que diz respeito \u00e0s zonas mais centrais. Basta olhar a diferen\u00e7a entre a \u00e1rea urbana em 1966 e 2011 para compreender o tamanho desse aumento. Cabe ressaltar que, em Santa Maria, o maior problema n\u00e3o \u00e9 exatamente a falta de planejamento, como explica Daniel: \u201cO que ocorre aqui n\u00e3o \u00e9 a falta de planejamento, mas sim um planejamento urbano que priorizou pol\u00edticas de expans\u00e3o das \u00e1reas edificadas que notoriamente favoreceram alguns setores da sociedade em detrimento de outros. Isso reflete em uma s\u00e9rie de perdas na qualidade ambiental local. […] As quest\u00f5es discutidas nesta investiga\u00e7\u00e3o, associados aos espa\u00e7os verdes de Santa Maria, mostram uma s\u00e9rie de problemas da cidade, que v\u00e3o desde a baixa oferta de espa\u00e7os de lazer que possibilitem aos citadinos contatos com atributos naturais, at\u00e9 a perda de determinadas funcionalidades ambientais pelas quais a vegeta\u00e7\u00e3o em \u00e1reas urbanas \u00e9 respons\u00e1vel\u201d.<\/p>\n Que a presen\u00e7a de espa\u00e7os verdes nas cidades traz diversos benef\u00edcios, isso \u00e9 fato. O que falta ent\u00e3o \u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o de mais \u00e1reas arborizadas, que sejam dispostas de forma a contemplar a maior parte da popula\u00e7\u00e3o e a maximizar os efeitos positivos que podem ser obtidos. Isso, como lembra o pesquisador, n\u00e3o pode ocorrer de forma descontextualizada de a\u00e7\u00f5es que busquem a educa\u00e7\u00e3o ambiental e que possam sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da manuten\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas urbanas.<\/p>\n Para uma an\u00e1lise mais detalhada dos dados, o pesquisador utilizou recursos que mapeavam as \u00e1reas da cidade em tr\u00eas anos diferentes: 1966, 1980 e 2011. Os dois \u00faltimos permitiram maior aprofundamento na quest\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o e levantaram importantes quest\u00f5es referentes ao espa\u00e7o urbano de Santa Maria e sua \u00e1rea verde.<\/p>\n Em 1966, os espa\u00e7os livres ainda tinham grande representatividade. Apesar disso, havia um crescimento do n\u00famero de edifica\u00e7\u00f5es, e os bairros Bom Fim, Centro e Nossa Senhora do Ros\u00e1rio e Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, no centro urbano da cidade, j\u00e1 possu\u00edam mais da metade de seus territ\u00f3rios cobertos por constru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n Tal tend\u00eancia s\u00f3 aumentou, nos anos seguintes. Em 1980, as grandes concentra\u00e7\u00f5es de espa\u00e7os constru\u00eddos ainda ocorriam quase que exclusivamente na zona mais central da cidade. Ainda assim, os dados da pesquisa demonstram um aumento de constru\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m em outras \u00e1reas de Santa Maria, antes pouco ocupadas. Exemplo disso \u00e9 o bairro Juscelino Kubitschek, localizado na regi\u00e3o Oeste, que passou a contar com o conjunto habitacional Santa Marta. O local mais que dobrou a \u00e1rea constru\u00edda entre 1966 e 1980. De forma geral, as demais regi\u00f5es ainda possu\u00edam \u00e1rea de cobertura vegetal com altos \u00edndices de predomin\u00e2ncia.<\/p>\n<\/div>\nSanta Maria: ocupa\u00e7\u00e3o e avan\u00e7o territorial<\/strong><\/h3>\n
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<\/a><\/p>\nAs \u00faltimas d\u00e9cadas e a atualidade<\/strong><\/h3>\n