{"id":1700,"date":"2014-09-08T12:06:39","date_gmt":"2014-09-08T15:06:39","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.55bet-pro.com\/arco\/sitenovo\/?p=1700"},"modified":"2021-05-25T15:08:55","modified_gmt":"2021-05-25T18:08:55","slug":"um-novo-envelhecer","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/um-novo-envelhecer","title":{"rendered":"Um novo envelhecer"},"content":{"rendered":"
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As rela\u00e7\u00f5es humanas aparecem assim, sem eufemismos ou desculpas. Esse \u00e9 \u201cNebraska\u201d, um dos indicados deste ano ao Oscar de melhor filme – e tamb\u00e9m um momento em que fic\u00e7\u00e3o e realidade ficam lado a lado.\u00a0 No filme, Woody Grant, interpretado por Bruce Dern, recebe um informe publicit\u00e1rio que diz que ele poderia se tornar um milion\u00e1rio. Em idade avan\u00e7ada, alco\u00f3latra, com sinais de esclerose e j\u00e1 sem muitas expectativas sobre a vida, essa se torna sua obsess\u00e3o, mesmo que ele n\u00e3o possa dirigir at\u00e9 a cidade de Lincoln, no Nebraska, para retirar seu pr\u00eamio. Depois de muita insist\u00eancia, o filho David, vivido por Will Forte, decide lev\u00e1-lo na longa viagem, ainda que acredite que tudo n\u00e3o passe de uma farsa. No caminho eles se deparam com a dura, e muitas vezes at\u00e9 cansativa, rela\u00e7\u00e3o que tentam desvelar.<\/p>\n

\u201cNebraska\u201d \u00e9 sobre a descoberta do momento em que os filhos precisam se tornar pais dos pr\u00f3prios pais. Traz a realidade de uma situa\u00e7\u00e3o que ainda causa desconforto e que, embora renda discuss\u00f5es h\u00e1 tempos, \u00e9 tema atual. O crescimento da popula\u00e7\u00e3o de idosos refor\u00e7a essa ideia: segundo relat\u00f3rio divulgado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), em 2050 o n\u00famero de pessoas com mais de 60 anos de idade ser\u00e1 aproximadamente tr\u00eas vezes maior do que o atual. A estimativa \u00e9 ainda que os idosos componham cerca de um quinto da popula\u00e7\u00e3o mundial projetada, o que representa 1,9 bilh\u00f5es de indiv\u00edduos de um total de nove bilh\u00f5es.<\/p>\n

Os dados s\u00f3 refor\u00e7am a necessidade de estudos e pol\u00edticas p\u00fablicas que sirvam como contribui\u00e7\u00e3o para a melhoria da sa\u00fade e qualidade de vida nessa faixa et\u00e1ria. Com o crescimento da popula\u00e7\u00e3o idosa, tem aumentado tamb\u00e9m a demanda, ao longo dos \u00faltimos tempos, por Institui\u00e7\u00f5es de Longa Perman\u00eancia para Idosos (ILPIs). Seja por fatores demogr\u00e1ficos, de sa\u00fade, financeiros ou sociais, elas representam uma alternativa que n\u00e3o costuma ser de f\u00e1cil escolha, tanto para os familiares quanto para o pr\u00f3prio idoso. A curiosidade em compreender esse cen\u00e1rio levou a enfermeira Naiana Oliveira dos Santos a trabalhar com o tema\u00a0Fam\u00edlia de idosos institucionalizados: perspectiva de trabalhadores de uma institui\u00e7\u00e3o de longa perman\u00eancia<\/em>\u00a0em sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado para o Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Enfermagem da UFSM.<\/p>\n

UMA NOVA ROTINA\u00a0<\/strong><\/h3>\n

A op\u00e7\u00e3o pela institucionaliza\u00e7\u00e3o do idoso est\u00e1 ligada a diferentes motivos, alguns dos quais bastante contestados. H\u00e1 os casos em que a fam\u00edlia n\u00e3o possui condi\u00e7\u00f5es de prestar os cuidados necess\u00e1rios e ent\u00e3o opta pela institucionaliza\u00e7\u00e3o. A busca pelo asilamento tamb\u00e9m pode vir como uma tentativa de transfer\u00eancia de responsabilidades. Por vezes, a op\u00e7\u00e3o parte do pr\u00f3prio idoso, que busca um local no qual tenha aten\u00e7\u00e3o, conforto e o atendimento indispens\u00e1vel para suas necessidades b\u00e1sicas. Existem ainda aqueles que est\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es por n\u00e3o possu\u00edrem fam\u00edlia ou terem sido abandonados por elas, por n\u00e3o terem quem os cuide ou um local onde morar.<\/span><\/p>\n

Naiana conta que, nas vezes em que foi at\u00e9 as institui\u00e7\u00f5es, percebeu a aus\u00eancia das fam\u00edlias, que raramente faziam visitas. A car\u00eancia tida como resultado era sempre expressa no pedido de um abra\u00e7o, um minuto a mais de conversa ou um simples sorriso.
\nA fala de um dos trabalhadores entrevistados para a pesquisa refor\u00e7a essa ideia. Ele diz que a maioria das fam\u00edlias n\u00e3o aparece h\u00e1 anos e estima, empiricamente, que isso \u00e9 o que ocorre em torno de 70% dos casos.<\/p>\n

O afastamento daqueles que antes eram pr\u00f3ximos faz com que os idosos institucionalizados criem novos la\u00e7os e uma rela\u00e7\u00e3o de carinho e respeito uns com os outros e tamb\u00e9m com os trabalhadores da institui\u00e7\u00e3o. Apesar disso, Naiana destaca que \u201cos trabalhadores visualizam a ILPI como uma colaboradora no cuidado dos idosos. Por mais competentes e afetivos que sejam, a fam\u00edlia dos idosos jamais ser\u00e1 substitu\u00edda\u201d.<\/p>\n

A presen\u00e7a constante dos entes queridos \u00e9 uma forma de incentivo que melhora a qualidade de vida daquele que espera que a idade j\u00e1 avan\u00e7ada n\u00e3o seja uma senten\u00e7a\u00a0<\/strong>de esquecimento.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n

Exemplo disso \u00e9 dona Arlinda Motta dos Santos. Aos 107 anos, ela hoje reside no Abrigo Esp\u00edrita Oscar Pithan e faz quest\u00e3o de se manter ativa. Embora n\u00e3o possua mais familiares, ela recebe visitas constantes daqueles com quem viveu durante anos. Cada encontro \u00e9 esperado com ansiedade. Foi juntamente com eles que tomou a decis\u00e3o de morar no Oscar Pithan. \u201cO meu patr\u00e3o disse que j\u00e1 estava na hora de pararmos de trabalhar, tanto ele quanto eu. Sugeriu comprar um apartamento para mim, mas a\u00ed o filho dele disse que talvez n\u00e3o fosse a melhor solu\u00e7\u00e3o e eu concordei, porque tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o tenho mais ningu\u00e9m para ficar comigo. Ent\u00e3o eles me deram o dinheiro e resolvi vir para c\u00e1\u201d, explica dona Arlinda.<\/p>\n

H\u00e1 casos, por\u00e9m, em que o afastamento dos familiares nasce da falta de compreens\u00e3o e desconhecimento, seja da din\u00e2mica da institui\u00e7\u00e3o, das formas de contribuir e mesmo da import\u00e2ncia que esse contato tem para o idoso.\u00a0 Por isso, uma din\u00e2mica que insira os familiares na rotina do local \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 \u00fatil, mas tamb\u00e9m essencial. Quando h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e sinceridade estabelecida entre fam\u00edlia, o idoso e os trabalhadores da ILPI, os v\u00ednculos afetivos s\u00e3o refor\u00e7ados e a viv\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o se torna menos traum\u00e1tica, embora, ainda assim, nem sempre f\u00e1cil.<\/p>\n

Apesar da tentativa das institui\u00e7\u00f5es asilares de respeitar as peculiaridades e demandas de seus internos, em geral elas sofrem, principalmente as de car\u00e1ter p\u00fablico e filantr\u00f3pico, com dificuldades de ordem econ\u00f4mica. Como h\u00e1 de se supor, os recursos humanos acabam n\u00e3o sendo suficientes para dar conta de demandas t\u00e3o espec\u00edficas. A professora de Enfermagem do Centro de Educa\u00e7\u00e3o Superior Norte\u2013RS (CESNORS) e pesquisadora de temas ligados ao idoso Marin\u00eas Tambara Leite entende que por isso, e tamb\u00e9m pela pr\u00f3pria din\u00e2mica de coletividade das ILPIs, o idoso institucionalizado acaba sendo privado dos seus projetos, rela\u00e7\u00f5es afetivas e tra\u00e7os de sua personalidade.<\/p>\n

O asilo \u00e9 a inst\u00e2ncia encarregada de acolher a face rejeitada do idoso e, na medida do poss\u00edvel, oferecer aquilo que a sociedade lhe negou.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n

Muitas vezes ele traz consigo uma enorme carga de dor e sofrimento, pois ter uma ILPI como \u00faltimo ref\u00fagio significa habitar um universo paralelo, com um tipo de socializa\u00e7\u00e3o alternativa, que s\u00f3 em situa\u00e7\u00f5es bem espec\u00edficas se toca com o mundo que lhe \u00e9 exterior\u201d, explica Marin\u00eas. Atividades que seriam comuns da vida di\u00e1ria, tais como ir ao supermercado ou visitar amigos e parentes, por exemplo, diminuem drasticamente ou deixam de existir. Essas restri\u00e7\u00f5es diminuem o conv\u00edvio social e podem gerar uma sensa\u00e7\u00e3o de falta de liberdade.<\/p>\n

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O APRENDER A CONVIVER<\/strong><\/h3>\n

Se a participa\u00e7\u00e3o dos familiares na vida dos idosos institucionalizados \u00e9 importante, ela se torna indispens\u00e1vel nos casos em que a op\u00e7\u00e3o feita \u00e9 a de mant\u00ea-los mais perto, em casa. N\u00e3o basta fornecer um lugar onde comer e dormir, \u00e9 preciso dar os cuidados necess\u00e1rios, que n\u00e3o s\u00e3o apenas materiais. Tempo e boa vontade passam a ser quesitos fundamentais. A enfermeira Marin\u00eas lembra que o Brasil possui um aporte legal presente na Constitui\u00e7\u00e3o com o intuito de garantir ao idoso respeito social e direito de viver e se relacionar melhor em sociedade. No artigo 229 fica determinado que, assim como os pais t\u00eam o dever de criar e educar os filhos menores de idade, os filhos maiores devem ajudar e amparar os pais na velhice, car\u00eancia ou enfermidade. \u201cExistem idosos, no entanto, cujas fam\u00edlias s\u00e3o muito pobres ou seus familiares n\u00e3o podem abandonar o mercado de trabalho para assumir tal responsabilidade. Isso faz com que haja um n\u00famero consider\u00e1vel de idosos que vivem isolados socialmente, mesmo residindo com seus familiares\u201d, pontua ainda Marin\u00eas.<\/p>\n

Em um contexto social no qual a fam\u00edlia assume novas configura\u00e7\u00f5es, com menos membros, em que o ritmo de vida costuma ser de uma eterna corrida contra o tempo e as dificuldades financeiras s\u00e3o uma realidade constante, os obst\u00e1culos para a manuten\u00e7\u00e3o do idoso em seu lar apenas se somam. \u201cEste panorama aponta para a necessidade da ado\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es e de interven\u00e7\u00f5es de gestores das pol\u00edticas p\u00fablicas, isso com o intuito de desenvolver recursos que proporcionem a manuten\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia no contexto de vida\u201d, enfatiza Naiana. Apesar da necessidade de suporte material, mesmo coisas muito simples, como a\u00e7\u00f5es de orienta\u00e7\u00e3o e esclarecimento, podem fazer a diferen\u00e7a, especialmente nos casos em que o idoso \u00e9 dependente para a realiza\u00e7\u00e3o das atividades da vida di\u00e1ria e requer cuidados diretos.<\/p>\n

SEM PERDER O RITMO<\/strong><\/h3>\n

Embora as representa\u00e7\u00f5es sociais constru\u00eddas em torno da velhice entendam-na como necessariamente ligada a um per\u00edodo de depend\u00eancia e inatividade, a quest\u00e3o passa muito longe disso. Podem existir limita\u00e7\u00f5es, mas elas n\u00e3o s\u00e3o regra e nem fazem do envelhecer um sin\u00f4nimo de doen\u00e7a.\u00a0 Seu Setembrino Domingues \u00e9 exemplo disso. Seu trabalho como pedreiro lhe rendeu duas v\u00e9rtebras quebradas e fraturas em quatro pontos da perna. Foram dez meses parado. Vinte anos depois, mais uma queda s\u00e9ria, quatro meses de recupera\u00e7\u00e3o e a decis\u00e3o de ir morar em uma uma Institui\u00e7\u00e3o de Longe Perman\u00eancia para Idosos. \u201cCheguei aqui e foram uns dois ou tr\u00eas meses sem fazer nada, e eu n\u00e3o consigo ficar parado. A\u00ed comecei a trabalhar na horta aqui do Oscar Pithan e tem uns dez anos que eu cuido dela. O que eu puder fazer sozinho eu fa\u00e7o e o que n\u00e3o d\u00e1 deixo para o outro dia\u201d, explica seu Setembrino.<\/p>\n

Em suas pesquisas na \u00e1rea e viv\u00eancias, Marin\u00eas percebe que nas \u00faltimas d\u00e9cadas os idosos est\u00e3o mais ativos e inseridos, tanto no espa\u00e7o familiar como na sociedade. O acesso mais amplo aos servi\u00e7os de sa\u00fade e aos bens sociais, tais como educa\u00e7\u00e3o e renda, tem permitido melhor qualidade de vida. A pesquisadora afirma que \u201cestas novas caracter\u00edsticas expressam o crescente afastamento da tradicional imagem do idoso inativo, aposentado da vida, e sua significativa substitui\u00e7\u00e3o pela dos idosos din\u00e2micos, reunidos em grupos geracionais\u201d.\u00a0 Em muitas situa\u00e7\u00f5es, inclusive, o idoso contribui fortemente no or\u00e7amento ou mesmo cabe a ele tomar conta de outros integrantes da fam\u00edlia, principalmente os netos.<\/p>\n

Outra realidade bastante comum s\u00e3o os idosos que preferem continuar vivendo em suas pr\u00f3prias casas, mesmo que isso possa significar n\u00e3o ter outras pessoas morando consigo. Essa \u00e9 uma forma de preservar sua autonomia e independ\u00eancia – o que n\u00e3o significa solid\u00e3o, uma vez que as rela\u00e7\u00f5es afetivas se mant\u00eam. Mas seja morando sozinhos ou com a fam\u00edlia, uma tend\u00eancia crescente \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o dos idosos em grupos de terceira idade. Marin\u00eas entende que esse \u00e9 um espa\u00e7o importante para desencadear, tanto na pessoa idosa quanto na comunidade, uma mudan\u00e7a comportamental diante da situa\u00e7\u00e3o de preconceito que existe nesta rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n

Para os idosos, a inser\u00e7\u00e3o nesses grupos \u00e9 uma busca por melhor qualidade de vida. \u00c9 um espa\u00e7o para realizar atividades que melhoram a sa\u00fade f\u00edsica, e tamb\u00e9m a mental, prevenindo perdas funcionais e recuperando capacidades. Mais ainda, \u00e9 o desenvolvimento de novas amizades, de poder compartilhar experi\u00eancias, sejam elas alegres ou tristes. Segundo Marin\u00eas, alguns estudos evidenciam que a participa\u00e7\u00e3o dos idosos nos grupos de conviv\u00eancia leva n\u00e3o s\u00f3 a passar o tempo livre: \u201cS\u00e3o espa\u00e7os nos quais o conv\u00edvio e a intera\u00e7\u00e3o com e entre os idosos permitem a constru\u00e7\u00e3o de la\u00e7os simb\u00f3licos de identifica\u00e7\u00e3o, onde \u00e9 poss\u00edvel partilhar e negociar os significados da velhice, construindo novos modelos e identidades sociais\u201d. \u00c9 uma nova perspectiva que pode garantir a motiva\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para seguir em frente e atingir, ou mesmo criar, objetivos para seguir em frente.<\/p>\n

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\"Aos<\/a>
Aos 107 anos, dona Arlinda segue dando forma a pe\u00e7as de croch\u00ea em sua poltrona<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n
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Rep\u00f3rter<\/strong>: Daniela Pin Menegazzo<\/em>
\nFotografia<\/strong>: Luciele Oliveira<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

O envelhecer \u00e9 uma etapa comum \u00e0 vida, mas nem sempre compreendido em suas possibilidades<\/p>\n","protected":false},"author":32,"featured_media":1532,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1619],"tags":[4446,4445],"class_list":["post-1700","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dossie-envelhecer","tag-dossie-envelhecer","tag-envelhecimento"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1700","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/32"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1700"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1700\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1532"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"http:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}