{"id":180,"date":"2016-04-05T15:15:42","date_gmt":"2016-04-05T18:15:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/comunicacao\/arco\/2016\/04\/05\/post180\/"},"modified":"2021-10-06T14:00:01","modified_gmt":"2021-10-06T17:00:01","slug":"post180","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/post180","title":{"rendered":"Jornalismo para crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"

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As manh\u00e3s na televis\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o contam com tantos desenhos e s\u00e3o quase exclusivamente dedicadas a uma programa\u00e7\u00e3o adulta. Os programas de realidade apostam na competi\u00e7\u00e3o entre pequenos cozinheiros ou cantores. As revistas infantis s\u00e3o vendidas com o apelo dos brindes em formato de brinquedo. A internet apresenta cotidianamente as novidades infantis, muitas produzidas pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as. Se o nosso tempo \u00e9 chamado de \u201cera da informa\u00e7\u00e3o\u201d, certamente a inf\u00e2ncia n\u00e3o ficaria fora das mudan\u00e7as. Mas que inf\u00e2ncia \u00e9 essa, narrada pela m\u00eddia e cercada de tantas transforma\u00e7\u00f5es? A pesquisadora Thais Furtado assumiu o desafio de tentar compreender essa quest\u00e3o atrav\u00e9s do Jornalismo, e sua tese de Doutorado, defendida na UFRGS em 2013, se tornou refer\u00eancia para pesquisas sobre o tema.<\/span><\/p>\n

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Jornalista com experi\u00eancia de reportagem em grandes ve\u00edculos nacionais, como Veja e Zero Hora, Thais \u00e9 professora de Jornalismo e coordenadora do novo curso da Unisinos em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Ela tamb\u00e9m coordena a Ag\u00eancia Experimental de Comunica\u00e7\u00e3o da universidade. O mestrado em Letras, pela UFRGS, agrega ao trabalho de pesquisa uma importante vis\u00e3o sobre como a linguagem \u00e0s vezes diz mais do que parece dizer.<\/span><\/p>\n

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De onde surgiu teu interesse em trabalhar com a tem\u00e1tica M\u00eddia e Inf\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n

Acredito que as pesquisas sempre t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com a vida e o contexto dos pesquisadores. Tanto que no mestrado estudei as modifica\u00e7\u00f5es de sentido no discurso da Veja, porque a forma como o jornalismo era feito na revista me incomodava. Quando fiz o doutorado, meu filho mais velho era adolescente e minha filha ainda era uma crian\u00e7a. Chamava muito minha aten\u00e7\u00e3o a forma como eles e seus amigos se relacionavam com a m\u00eddia e, especialmente, com o jornalismo. Isso me motivou a pesquisar esse tema.<\/span><\/p>\n

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Como a maternidade te ajuda a pensar academicamente a rela\u00e7\u00e3o entre inf\u00e2ncia e consumo?<\/strong><\/p>\n

Um dos pontos que me intrigava era justamente como a m\u00eddia estimulava \u2013 ou acionava, como uso na tese \u2013 o desejo de consumo das crian\u00e7as. Eu percebia claramente, mesmo n\u00e3o tendo filhos consumistas em excesso, que a televis\u00e3o, os sites, os jogos, o cinema faziam com que meus filhos e seus amigos desejassem produtos que eram anunciados. Al\u00e9m disso, existe tamb\u00e9m a vontade de ter roupas ou outros produtos com personagens, criando uma grande rede de consumo que se auto-alimenta. Mas isso \u00e9 algo que todo mundo percebe. A publicidade tem mesmo esse objetivo e j\u00e1 existe muita discuss\u00e3o sobre como controlar a publicidade infantil.<\/span><\/p>\n

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Entretanto, comecei a perceber que o jornalismo tamb\u00e9m fazia isso. Sites e revistas infantis, por exemplo, ao tratar de certos temas, tamb\u00e9m acabam ditando o que deve ser consumido, o que faz as pessoas serem \u201cfelizes\u201d e inclu\u00eddas socialmente. \u00c9 claro que a m\u00eddia e jornalismo n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos respons\u00e1veis por isso. As crian\u00e7as est\u00e3o, atualmente, em contato com tr\u00eas \u201cinstitui\u00e7\u00f5es\u201d b\u00e1sicas: a fam\u00edlia, a escola e a m\u00eddia. Em todas essas rela\u00e7\u00f5es existe, ao mesmo tempo, a preocupa\u00e7\u00e3o com o consumismo, mas tamb\u00e9m o est\u00edmulo. \u00c9 algo bem complexo.<\/span><\/p>\n

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Quais s\u00e3o as tuas mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia sobre o Jornalismo?<\/strong><\/p>\n

Na \u00e9poca em que eu era crian\u00e7a \u2013 fa\u00e7o 50 anos este ano \u2013 a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era t\u00e3o dispon\u00edvel como hoje, nem havia tantos formatos narrativos. Lembro que lia muitos livros e tamb\u00e9m gostava muito de assistir televis\u00e3o. Mas via programas e desenhos, nada jornal\u00edstico. Minha fam\u00edlia, no entanto, sempre foi politizada, e o conhecimento sempre foi muito valorizado. Tenho cinco irm\u00e3os e, quando nos reunimos, os debates s\u00e3o constantes e acalorados at\u00e9 hoje. Meus pais estimularam muito isso. Sempre leram livros e jornais, e debater os temas sociais sempre foi uma rotina na minha casa. Acho que isso me aproximou do jornalismo desde pequena. <\/span>Queria sempre saber o que estava acontecendo no mundo para me posicionar. Na adolesc\u00eancia eu tinha muito mais certezas do que hoje<\/span>. E quando era crian\u00e7a, gostava de brincar de ser apresentadora de telejornal. Pegava uma caixa de papel\u00e3o grande, cortava e desenhava bot\u00f5es, transformado a caixa em uma TV. Colocava a caixa sobre uma mesa e ficava sentada com a cara no buraco lendo not\u00edcias que eu pegava do jornal ou escrevia.<\/span><\/p>\n

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“Para saber de seus direitos e at\u00e9 do que v\u00e3o consumir ou n\u00e3o, as crian\u00e7as precisam buscar informa\u00e7\u00e3o. Os jornalistas devem perceber que t\u00eam uma responsabilidade muito grande com esse p\u00fablico, que est\u00e1 ficando desassistido de conte\u00fado jornal\u00edstico respons\u00e1vel”.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n

Voc\u00ea acha que o jornalismo mudou, nesse sentido?<\/strong><\/p>\n

O jornalismo mudou muito de l\u00e1 para c\u00e1, em muitos sentidos. Em rela\u00e7\u00e3o ao jornalismo direcionado para os adultos, j\u00e1 ocorreram muitas mudan\u00e7as, principalmente com a chegada da internet e a evolu\u00e7\u00e3o da tecnologia. Em rela\u00e7\u00e3o ao jornalismo infantil, ent\u00e3o, as modifica\u00e7\u00f5es foram maiores ainda. Na tese, eu pesquisei como surgiu o jornalismo infantil e \u00e9 poss\u00edvel afirmar que ele partiu da uni\u00e3o da literatura infantil com os quadrinhos. Quando eu era crian\u00e7a, gostava dessas duas linguagens e a revista <\/span>Recreio<\/span><\/em>, que acabei estudando mais tarde, foi para mim \u2013 e para muita gente \u2013 o in\u00edcio da aproxima\u00e7\u00e3o com uma linguagem direcionada para as crian\u00e7as que inclu\u00eda informa\u00e7\u00e3o. Mas a linguagem ainda era muito mais l\u00fadica. Hoje existe um interdiscurso muito maior nas m\u00eddias direcionadas para as crian\u00e7as. Tanto que a <\/span>Recreio<\/span><\/em> de hoje, como eu pude ver no doutorado, \u00e9 formada por uma forte rela\u00e7\u00e3o entre os discursos jornal\u00edstico, publicit\u00e1rio, cient\u00edfico, did\u00e1tico e de entretenimento. Ou seja, o l\u00fadico \u00e9 apenas um pedacinho. Mas ainda \u00e9 preciso muito debate sobre como se deve fazer jornalismo para crian\u00e7as.<\/span><\/p>\n

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Do ponto de vista da m\u00eddia, por que as crian\u00e7as s\u00e3o consideradas \u201cp\u00fablico\u201d?<\/strong><\/p>\n

Para qualquer pessoa ser considerada cidad\u00e3, hoje, ela precisa ser consumidora. Quem n\u00e3o consome, n\u00e3o \u00e9 inclu\u00eddo, e isso se modifica constantemente. <\/span>As crian\u00e7as passaram mesmo a ser consideradas p\u00fablico para a m\u00eddia, e para o jornalismo, quando passaram a consumir.<\/span> Aconteceu, por exemplo, com as mulheres na d\u00e9cada de 1960. J\u00e1 com as crian\u00e7as, foi a partir dos anos 1990 e in\u00edcio dos anos 2000 que elas passaram a ter o poder de consumo. Isso ocorreu principalmente pela redu\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, o aumento dos div\u00f3rcios combinados com a valoriza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da inf\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n

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A terceiriza\u00e7\u00e3o dos cuidados com as crian\u00e7as, o aumento das mulheres no mercado de trabalho, tudo isso fez com que os pais e m\u00e3es passassem a sentir mais culpados e a tratar as crian\u00e7as com uma import\u00e2ncia que n\u00e3o tinham antes. Com isso, as crian\u00e7as passaram a ter poder de influ\u00eancia no que \u00e9 comprado n\u00e3o s\u00f3 para elas mesmas, mas para os pais e para dentro de casa. No Brasil, uma pesquisa realizada pela TSN\/InterScience, em 2003, revelou que 80% do que \u00e9 comprado em uma casa hoje passa pelo crivo das crian\u00e7as. Por isso, a m\u00eddia passou a se direcionar mais para elas.<\/span><\/p>\n

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A m\u00eddia e o jornalismo ao mesmo tempo que ajudam os grupos a se fortalecerem e a terem voz social, tamb\u00e9m os enxerga como grupos que consomem, pois necessitam disso para sobreviver. Mas ainda falta as crian\u00e7as adquirirem muitos direitos. O que tenho estudado hoje, por exemplo, \u00e9 a presen\u00e7a \u2013 ou aus\u00eancia \u2013 da voz das crian\u00e7as no jornalismo tradicional, direcionado aos adultos, ou a todos. <\/span>Por que as crian\u00e7as n\u00e3o podem ser ouvidas, como qualquer fonte, principalmente sobre temas que dizem respeito diretamente a elas, como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, entretenimento?<\/span><\/p>\n

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A inf\u00e2ncia \u00e9 tema recorrente nas discuss\u00f5es sobre publicidade…<\/strong><\/p>\n

Justamente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 publicidade a discuss\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 muito mais adiantada. Tanto que existe a resolu\u00e7\u00e3o 163 do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente) que regula a publicidade abusiva para as crian\u00e7as. Al\u00e9m de muitos debates em escolas e na pr\u00f3pria m\u00eddia. Mas e o jornalismo? Quem est\u00e1 discutindo isso, fora poucos pesquisadores na academia?<\/span><\/p>\n

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Pensando nisso, como a quest\u00e3o da especializa\u00e7\u00e3o de p\u00fablicos pode ser compreendida quando falamos de jornalismo infantil?<\/strong><\/p>\n

Como falei, o investimento em publica\u00e7\u00f5es direcionadas a esse p\u00fablico se d\u00e1 pelo interesse de conquistar um novo grupo que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 consumidor, como interfere nas decis\u00f5es de consumo dos adultos da fam\u00edlia e ainda por cima ser\u00e1 um grupo consumidor do futuro. Mas <\/span>as empresas de comunica\u00e7\u00e3o ainda est\u00e3o muito perdidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma de se direcionar a esse grupo para passar informa\u00e7\u00f5es. Ou seja, n\u00e3o se sabe fazer jornalismo infantil<\/span> ainda. Enquanto as crian\u00e7as est\u00e3o presentes na publicidade, em programas de entretenimento, como <\/span>The Voice Kids<\/span><\/em> e <\/span>Master Chef Junior<\/span><\/em>, elas ainda s\u00e3o praticamente inexistentes nas mat\u00e9rias jornal\u00edsticas.<\/span><\/p>\n

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Al\u00e9m dos cl\u00e1ssicos espa\u00e7os de entretenimento infantil, nas grades de televis\u00e3o e produ\u00e7\u00f5es editoriais variadas, qual a import\u00e2ncia de pensar a rela\u00e7\u00e3o entre jornalismo e inf\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n

\u00c9 importante pensarmos que as crian\u00e7as hoje est\u00e3o muito conectadas, recebendo informa\u00e7\u00f5es de blogs, de sites, de vlogueiros, de youtubers, de revistas, da televis\u00e3o, das redes sociais, de muitos diferentes canais. <\/span>Para serem conhecedoras de seus direitos e at\u00e9 do que v\u00e3o consumir ou n\u00e3o, essas crian\u00e7as precisam buscar informa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o os jornalistas devem perceber que eles t\u00eam uma responsabilidade muito grande com esse p\u00fablico que est\u00e1 ficando desassistido de um conte\u00fado jornal\u00edstico mais respons\u00e1vel.<\/span> \u00c9 preciso criar canais de informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica com credibilidade e linguagem adequada para as crian\u00e7as, mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m inclu\u00ed-las no jornalismo rotineiro, direcionado a todos.<\/span><\/p>\n

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“As crian\u00e7as passaram mesmo a ser consideradas p\u00fablico para a m\u00eddia, e para o jornalismo, quando passaram a consumir”.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n

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Sobre a sua pesquisa com a revista <\/strong>Recreio<\/em><\/strong>. Voc\u00ea acabou trabalhando com um segmento espec\u00edfico de crian\u00e7as, aquelas que t\u00eam acesso, no Brasil, a esse tipo de publica\u00e7\u00e3o. Por que trabalhar com jornalismo impresso para crian\u00e7as?<\/strong><\/p>\n

\u00c9 muito importante essa pergunta, porque ela me proporciona dizer que n\u00e3o podemos pensar a inf\u00e2ncia como uma s\u00f3. <\/span>A inf\u00e2ncia muda com o tempo, com as culturas e mesmo com as condi\u00e7\u00f5es sociais.<\/span> No Brasil, n\u00f3s temos crian\u00e7as de rua, temos crian\u00e7as que infelizmente trabalham para ajudar suas fam\u00edlias, assim como temos crian\u00e7as que t\u00eam em seu quarto televis\u00e3o, som, v\u00eddeo game, al\u00e9m de um celular que as acompanha 24 horas por dia. <\/span>S\u00e3o inf\u00e2ncias diferentes em um mesmo pa\u00eds, que recebem informa\u00e7\u00f5es de formas diferentes.<\/span> Claro que elas t\u00eam caracter\u00edsticas comuns a qualquer crian\u00e7a, como o desejo do saber e o desejo de brincar, mas elas t\u00eam formas de vida muito diferentes.<\/span><\/p>\n

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Mesmo assim, esses bens que algumas crian\u00e7as possuem s\u00e3o valorizados por todos. A crian\u00e7a pobre, de uma escola p\u00fablica, sabe tanto quanto a rica, de uma escola privada, o valor social que tem hoje um <\/span>Iphone<\/span><\/em>. E \u00e9 exatamente isso que as diferencia. Todos sabem que o celular de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o \u00e9 o mais caro e melhor. \u00c9 isso o que faz a crian\u00e7a rica assumir um papel diferenciado numa rela\u00e7\u00e3o de poder social. Todas sabem o valor de ter uma camiseta, ou um estojo, da Frozen, mas sabem que somente algumas t\u00eam uma camiseta da Frozen de uma loja de grife.<\/span><\/p>\n

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Por outro lado, <\/span>o acesso \u00e0 internet<\/span>, que cada vez abrange um p\u00fablico maior, inclusive sendo introduzido nas escolas<\/span>, traz uma esperan\u00e7a de amplia\u00e7\u00e3o da democratiza\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de conhecimento, de informa\u00e7\u00e3o e de opini\u00e3o.<\/span> Mas meu interesse, no doutorado, era focar no discurso jornal\u00edstico, pensar realmente o jornalismo infantil. E esse ainda \u00e9 muito mais identificado, at\u00e9 por sua hist\u00f3ria, com o meio impresso. Enquanto a <\/span>Recreio<\/span><\/em> existe desde 1969 \u2013 mesmo tendo ficado um tempo sem circular \u2013 ainda nem descobrimos exatamente como fazer jornalismo infantil na televis\u00e3o e na internet. Por isso estudei o meio impresso.<\/span><\/p>\n

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A pesquisa aponta uma forte rela\u00e7\u00e3o da revista <\/strong>Recreio<\/em><\/strong>, que voc\u00ea estudou, com o consumo infantil. Voc\u00ea sustenta que a revista busca \u201cacionar\u201d o desejo de consumo nas crian\u00e7as. O que isso significa quando pensamos a fun\u00e7\u00e3o social do jornalismo e a forma\u00e7\u00e3o de futuros leitores de jornais?<\/strong><\/p>\n

Acho importante falar na fun\u00e7\u00e3o social do jornalismo de formar leitores. Ela \u00e9 fundamental. Ler \u00e9 muito importante e isso \u00e9 comprovado por v\u00e1rias pesquisas. Desenvolve o racioc\u00ednio, a capacidade de argumenta\u00e7\u00e3o, a criatividade, a aten\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o temos que ficar atentos ao fato de que <\/span>precisamos fazer com que essa gera\u00e7\u00e3o digital, que j\u00e1 nasceu na l\u00f3gica digital, continue a ler<\/span> (n\u00e3o necessariamente em papel, embora eu acredite que o meio tamb\u00e9m \u00e9 importante para estimular outras habilidades). N\u00e3o quero, de forma alguma, demonizar os meios digitais. Eles trouxeram in\u00fameras vantagens na rotina de todos, de todas as idades. Eles estimulam as crian\u00e7as de diferentes maneiras. Mas n\u00e3o podemos deixar de ensinar as crian\u00e7as sobre a import\u00e2ncia da leitura. <\/span>E o jornalismo \u00e9 fundamental nessa luta.<\/span> As crian\u00e7as n\u00e3o s\u00f3 precisam desejar ler, como precisam desejar ser bem informadas, por meio de canais de informa\u00e7\u00e3o respons\u00e1veis, com credibilidade, com a inclus\u00e3o de diferentes fontes. Se os jornalistas hoje j\u00e1 t\u00eam dificuldade de oferecer isso tudo aos adultos, imagina para as crian\u00e7as. Elas n\u00e3o podem receber s\u00f3 conte\u00fado de entretenimento, e certamente nem querem somente isso. \u00c9 de responsabilidade das fam\u00edlias, da escola e da m\u00eddia oferecer informa\u00e7\u00e3o qualificada para as crian\u00e7as. Esse \u00e9 um direito de qualquer cidad\u00e3o, e as crian\u00e7as s\u00e3o cidad\u00e3s de enorme import\u00e2ncia social na contemporaneidade.<\/span><\/p>\n

\u00a0<\/p>\n

Rep\u00f3rter<\/strong>: Laura Storch<\/em><\/p>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

Thais Furtado discute a rela\u00e7\u00e3o entre m\u00eddia, inf\u00e2ncia e consumo<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":862,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1814],"tags":[],"class_list":["post-180","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-humanidades"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=180"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/862"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=180"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=180"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=180"}],"curies":[{"name":"wp","href":"http:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}