\n
<\/h4>\n<\/h4>\nAPROVA\u00c7\u00c3O FORTALECE DIREITOS DE ESTUDANTES TRANSG\u00caNEROS<\/h4>\n
A estudante do curso de Filosofia \u00c9lle de Bernardini cursa sua segunda gradua\u00e7\u00e3o na UFSM e revela que o nome social j\u00e1 existia informalmente, mesmo antes de a ado\u00e7\u00e3o ser normatizada pela Universidade: \u201cIngressei em 2011, cursava Artes C\u00eanicas, e os documentos, provas, assinaturas, todas realizei com meu nome social\u201d. A estudante tamb\u00e9m destaca que na sua atual gradua\u00e7\u00e3o poder\u00e1 adot\u00e1-lo formalmente: \u201cDesta vez, meu ingresso coincidiu com a ades\u00e3o, e fui logo orientada pelo secret\u00e1rio do curso a como proceder para requerer a ades\u00e3o de meu nome social nos documentos\u201d.<\/p>\n
Para Joe, estudante de enfermagem da UFSM no campus de Palmeira das Miss\u00f5es, o nome Andressa Suptitz Carneiro n\u00e3o correspondia a sua identidade.<\/p>\n
\u201cQuando me chamam por Joe sei que \u00e9 comigo, porque \u00e9 assim que me identifico. Quando me chamam pelo nome civil, \u00e9 como que estivessem chamando por outra pessoa\u201d, revela o futuro enfermeiro.<\/p>\n
A ades\u00e3o ao nome social atinge problemas pr\u00e1ticos vivenciados no dia a dia acad\u00eamico, como o caso das listas de chamada: \u201cTer que falar com cada professor, a cada semestre para explicar a situa\u00e7\u00e3o e, mesmo assim, em alguns casos eles continuarem chamando pelo nome civil \u00e9 desgastante\u201d, lamenta Joe.<\/p>\n
Pelas salas de aula da professora Nara Cristina Santos, do Departamento de Artes Visuais, j\u00e1 passaram alguns estudantes transexuais, e a quest\u00e3o sobre qual nome utilizar aconteceu algumas vezes. A docente destaca que a ado\u00e7\u00e3o do nome social n\u00e3o vai apenas evitar que os estudantes transexuais passem por constrangimentos desnecess\u00e1rios, mas, sobretudo, vai assegurar que sejam reconhecidos e respeitados pela sua identidade de g\u00eanero. \u201cCerta vez fiz a chamada, no in\u00edcio do semestre letivo, e falei \u2018Daniel\u2019, mas ningu\u00e9m se manifestou na turma. Ent\u00e3o, no final dessa aula, uma estudante me procurou e disse: \u2018Professora, o Daniel que a senhora chamou sou eu, mas eu gostaria de ser chamada de Daniela\u2019. E assim ela foi chamada, durante toda a disciplina e nos demais semestres, por mim e pelos colegas\u201d, relata a professora.<\/p>\n
Para Joe, \u201cA ado\u00e7\u00e3o do nome social da UFSM n\u00e3o \u00e9 uma vit\u00f3ria, mas sim um direito dos transg\u00eaneros e travestis\u201d. Ele relata que costuma escutar piadinhas constrangedoras pela Universidade, mas n\u00e3o fica calado: \u201cTodos que est\u00e3o estudando em uma universidade est\u00e3o se preparando para atenderem \u00e0 sociedade, e para isso precisamos aprender a tratar com dignidade e adequadamente todas as pessoas, independentemente de quem seja\u201d.<\/p>\n
Segundo ele, o espa\u00e7o da universidade \u00e9 um pouco mais aberto para dialogar sobre o assunto do que nas escolas, por\u00e9m \u201cainda h\u00e1 muitas barreiras para serem derrubadas, pois alguns cursos ainda s\u00e3o conservadores sobre a quest\u00e3o da diversidade sexual\u201d.<\/p>\n
O nome social \u00e9 um mecanismo legal que permite reconhecer os estudantes transexuais e travestis, evitando situa\u00e7\u00f5es vexat\u00f3rias e aplicando na pr\u00e1tica a\u00e7\u00f5es que venham a contribuir com a visibilidade e perman\u00eancia desses indiv\u00edduos no ambiente educacional.
\n\u201cPrecisamos ocupar nossos espa\u00e7os que temos por direito, ocupar as escolas (que muitas abandonam, por conta do preconceito), universidades, empresas e onde mais tiver espa\u00e7o para ocuparmos\u201d, conclui Joe.<\/p>\n
<\/h4>\nHIST\u00d3RICO<\/h4>\n
O assunto come\u00e7ou a ser debatido na UFSM em novembro de 2014, quando o reitor, Paulo Burmann, recebeu em seu gabinete a coordenadora de Pol\u00edticas P\u00fablicas para a Diversidade Sexual, Marina Reidel, que representava a Secretaria da Justi\u00e7a e dos Direitos Humanos do Rio Grande do Sul. O encontro teve tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o de representantes do Diret\u00f3rio Central dos Estudantes (DCE) e do Coletivo Voe, que congrega representantes do movimento LGBT de Santa Maria.<\/p>\n
No dia 27 de mar\u00e7o de 2015, o Conselho Universit\u00e1rio aprovou, unanimemente, a ado\u00e7\u00e3o do nome social na UFSM, decis\u00e3o que s\u00f3 foi protocolada em definitivo na resolu\u00e7\u00e3o publicada no dia 3 de junho do ano passado.<\/p>\n
A quest\u00e3o do nome social mexeu com boa parte da estrutura t\u00e9cnica em termos de gerenciamento de dados da Universidade. O Centro de Processamento de Dados (CPD) dedicou a maior parte do trabalho no segundo semestre de 2015 a duas recentes e importantes ado\u00e7\u00f5es da UFSM: ao Sisu como forma de ingresso e ao nome social. No dia 1\u00ba de dezembro de 2015, foram apresentadas as mudan\u00e7as no sistema de informa\u00e7\u00f5es educacionais. Com isso, todos os sistemas institucionais que realizam o cadastro de pessoas passam a ter uma informa\u00e7\u00e3o a mais, referindo-se ao nome social.<\/p>\n
Como proceder:<\/strong>\u00a0Os estudantes que desejam alterar o nome devem protocolar, no Departamento de Arquivo Geral da UFSM, requerimento que ser\u00e1 encaminhado \u00e0 Pr\u00f3-Reitoria de Gradua\u00e7\u00e3o para, ap\u00f3s an\u00e1lise, ser destinado ao Derca para fins de execu\u00e7\u00e3o. No caso de funcion\u00e1rios e colaboradores, a Pr\u00f3-Reitoria de Gest\u00e3o de Pessoas \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o capacitado para gerir a altera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\nRep\u00f3rter:<\/strong> Bernardo Zamperetti<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"UFSM garante direito ao uso do nome social para travestis e transg\u00eaneros da institui\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":89,"featured_media":1765,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1618],"tags":[],"class_list":["post-1800","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dossie-diversidade-6-edicao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1800","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/89"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1800"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1800\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1765"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1800"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1800"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1800"}],"curies":[{"name":"wp","href":"http:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}