{"id":1802,"date":"2016-06-08T16:51:10","date_gmt":"2016-06-08T19:51:10","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.55bet-pro.com\/arco\/sitenovo\/?p=1802"},"modified":"2019-06-28T15:12:24","modified_gmt":"2019-06-28T18:12:24","slug":"o-espaco-tambem-e-deles","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/o-espaco-tambem-e-deles","title":{"rendered":"O espa\u00e7o tamb\u00e9m \u00e9 deles"},"content":{"rendered":"
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Confira esta mat\u00e9ria completa na vers\u00e3o digital da 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o da revista Arco, dispon\u00edvel neste link<\/a>.<\/strong><\/p>\n

Espa\u00e7os p\u00fablicos s\u00e3o territ\u00f3rios de encontros e manifesta\u00e7\u00f5es, coletivas e individuais. Mas algu\u00e9m pode decidir quem ocupa cada espa\u00e7o?<\/p>\n

Durante anos, boa parte da comunidade LGBT, formada por l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transg\u00eaneros, manteve-se \u201cdentro do arm\u00e1rio\u201d, ou seja, evitou se expor publicamente, j\u00e1 que sua orienta\u00e7\u00e3o sexual costumava ser motivo de rejei\u00e7\u00e3o. Aos poucos, eles passaram a ocupar pequenos territ\u00f3rios p\u00fablicos, como pra\u00e7as e parques, onde podiam se encontrar e expressar sua sexualidade. No entanto, esses espa\u00e7os n\u00e3o eram ocupados durante muito tempo, seja por repress\u00f5es preconceituosas ou desinteresse da pr\u00f3pria comunidade em permanecer frequentando esses locais. Al\u00e9m desses espa\u00e7os, come\u00e7aram a ser constru\u00eddos locais de com\u00e9rcio e presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, como boates, casas noturnas e saunas. Neles existe a possibilidade das trocas afetivas serem realizadas, como beijos e abra\u00e7os, al\u00e9m de gerar lucros aos comerciantes. As t\u00e1ticas de ocupa\u00e7\u00e3o e trocas homoafetivas, em espa\u00e7os p\u00fablicos e privados, s\u00e3o estudadas desde o in\u00edcio dos anos 2000 pelo professor Benhur Pin\u00f3s da Costa, do Departamento de Geoci\u00eancias da UFSM.<\/p>\n

O primeiro passo dos seus estudos foi dado na disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, que se seguiu na tese de doutorado quando Benhur investigou sobre os espa\u00e7os ocupados pela comunidade LGBT em Porto Alegre, sua cidade natal. O foco da pesquisa \u00e9 dado para as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas e os espa\u00e7os p\u00fablicos da sociedade, buscando identificar e divulgar as diversidades culturais e sexuais invisibilizadas.<\/p>\n

Segundo Benhur, os estudos sobre diversidade sexual costumam estar centrados nas grandes cidades e na vida metropolitana. Em Porto Alegre, al\u00e9m dos locais privados de encontro e consumo, lugares p\u00fablicos, como a Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega e o Parque da Reden\u00e7\u00e3o, s\u00e3o frequentados pela comunidade LGBT e ocupados atrav\u00e9s de t\u00e1ticas pr\u00f3prias, muitas vezes n\u00e3o percept\u00edveis aos demais. \u201cEmbora seja na perspectiva da grande cidade, naquela \u00e9poca foi um trabalho muito inovador no \u00e2mbito da Geografia, visto que as pesquisas sobre o tema ainda eram poucas no Brasil\u201d \u2013 diz Benhur.<\/p>\n

CIDADES DO INTERIOR<\/h4>\n

Surgiu, ent\u00e3o, a curiosidade de estudar os espa\u00e7os de conviv\u00eancia homoafetivas em cidades brasileiras de m\u00e9dio porte. O professor desenvolve, atualmente, pesquisa sobre o cotidiano de homossexuais em cidades do interior do Brasil. O pesquisador selecionou cinco cidades, representantes de cada regi\u00e3o do pa\u00eds: Santa Maria (RS), Presidente Prudente (SP), Vit\u00f3ria da Conquista (BA), Santar\u00e9m (AM) e Dourados (MS).<\/p>\n

As cidades escolhidas seguiram padr\u00e3o de tamanho \u2013 m\u00e9dio e pequeno porte \u2013 e deveriam ser distantes da metr\u00f3pole. Devido ao dif\u00edcil acesso a sujeitos que colaborassem com a pesquisa, a sele\u00e7\u00e3o das cidades pesquisadas sofreu diversas mudan\u00e7as. Os grupos entrevistados n\u00e3o seguiram padr\u00f5es, j\u00e1 que gays, l\u00e9sbicas, travestis, jovens e adultos, dividiram o mesmo espa\u00e7o de conviv\u00eancia. Para Benhur, qualquer delimita\u00e7\u00e3o seria um impeditivo na forma\u00e7\u00e3o dos grupos de conversa.<\/p>\n

Quando se mudou para Santa Maria, em 2010, Benhur iniciou o projeto \u201cCidades, espa\u00e7o p\u00fablico e diversidades culturais no interior do estado do Rio Grande do Sul\u201d. A diferen\u00e7a para a pesquisa ocorrida em Porto Alegre foi a proposta de olhar a cidade pequena como local poss\u00edvel para a conviv\u00eancia LGBT, diferentemente da maioria dos estudos atuais da geografia, que focam apenas na metr\u00f3pole.<\/p>\n

\u201cA cidade grande \u00e9 um espa\u00e7o de liberta\u00e7\u00e3o, mas os grupos est\u00e3o separados. A travesti est\u00e1 no seu lugar, o homem gay est\u00e1 no seu e a l\u00e9sbica no seu. A cidade grande fixa o lugar da comunidade LGBT. Na cidade pequena, o gay est\u00e1 no mesmo lugar que a travesti, que a prostituta e, possivelmente, que um heterossexual.\u201d<\/p>\n

Benhur tamb\u00e9m trabalhou com os espa\u00e7os que sujeitos orientados para o mesmo sexo ocupam em sete cidades do interior do Rio Grande do Sul: Santa Maria, Alegrete, Itaqui, Santo \u00c2ngelo, Cruz Alta, Uruguaiana e Bag\u00e9. Atrav\u00e9s do contato com lideran\u00e7as locais do movimento LGBT, foi poss\u00edvel chegar a cada uma dessas cidades e realizar grupos de entrevista e espa\u00e7o para trocas de experi\u00eancias entre as entrevistadas e os entrevistados.<\/p>\n

Os locais para conviv\u00eancia LGBT ainda s\u00e3o poucos. Os pontos de encontro, como bares e boates, s\u00e3o frequentados pela comunidade LGBT e por heterossexuais de todas as classes sociais. Apesar disso, o mercado tamb\u00e9m reproduz segmenta\u00e7\u00f5es e preconceitos. Para o pesquisador, as barreiras criadas quanto \u00e0 classe social e \u00e0 ra\u00e7a dos frequentadores foram vis\u00edveis no decorrer da pesquisa e criam discrimina\u00e7\u00f5es dentro do mundo LGBT.<\/p>\n

O estudante da UFSM Jean Moralles \u00e9 natural de Itaqui e veio para Santa Maria estudar Artes C\u00eanicas em 2012. Para ele, a nova cidade proporcionou um processo de descobrimento e liberta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que em Santa Maria passou a expressar sua homossexualidade, atrav\u00e9s da roupa e do teatro. Ele comenta que em Itaqui existe uma homossexualidade velada, onde o gay ainda deve se comportar e se vestir como h\u00e9tero. \u201cO que mais me assusta no interior \u00e9 a consci\u00eancia do homossexual sobre si, pois eles acham que eles est\u00e3o errados em certas situa\u00e7\u00f5es de preconceito, e que n\u00e3o devem usar algumas roupas ou se manifestar publicamente.\u201d<\/p>\n

Entretanto, para Jean, j\u00e1 h\u00e1 um processo de maior aceita\u00e7\u00e3o em sua cidade, quando comparado com gera\u00e7\u00f5es de homossexuais mais velhos. Os pequenos debates sobre o ensino de g\u00eanero na escola e a ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos por gays, l\u00e9sbicas, bissexuais e transexuais iniciam um movimento para que a comunidade LGBT n\u00e3o precise restringir os encontros apenas aos grupos de teatro, na casa de amigos ou na rua \u00e0 noite.<\/p>\n

Segundo Benhur, as cidades de grande porte tendem a ser mais abordadas em pesquisas, devido ao frequente tr\u00e2nsito de pessoas e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de possibilidades de espa\u00e7os de conviv\u00eancia. Por\u00e9m, as cidades de m\u00e9dio e pequeno porte ainda s\u00e3o vistas como locais regrados, que seguem padr\u00f5es de como agir e vestir, e merecem mais aten\u00e7\u00e3o de pesquisas de todas \u00e1reas do conhecimento.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n

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Reportagem:<\/strong> Andressa Foggiato<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

Pesquisa da Geografia aborda como pessoas orientadas para o mesmo sexo ocupam os espa\u00e7os p\u00fablicos e privados na sociedade<\/p>\n","protected":false},"author":89,"featured_media":1764,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1618],"tags":[],"class_list":["post-1802","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dossie-diversidade-6-edicao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1802","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/89"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1802"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1802\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1764"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1802"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1802"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1802"}],"curies":[{"name":"wp","href":"http:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}