{"id":208,"date":"2016-03-28T10:49:10","date_gmt":"2016-03-28T13:49:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/comunicacao\/arco\/2016\/03\/28\/post208\/"},"modified":"2021-05-25T16:26:54","modified_gmt":"2021-05-25T19:26:54","slug":"post208","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/post208","title":{"rendered":"O mercado clandestino de leite no RS"},"content":{"rendered":"

Voc\u00ea consegue imaginar o que acontece entre o processo de produ\u00e7\u00e3o do leite em uma propriedade rural e o momento em que voc\u00ea escolhe uma caixinha, dentre as op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis no mercado?<\/p>\n

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Estudantes do Centro de Ci\u00eancias Rurais (CCR) da UFSM discutiram essa quest\u00e3o em uma pesquisa sobre a produ\u00e7\u00e3o e o consumo do leite clandestino na cidade de Itaqui, no sudoeste do Rio Grande do Sul. Eles queriam compreender por que os produtores de leite nessa cidade, que fica a 670 quil\u00f4metros de Porto Alegre, na divisa com a Argentina, t\u00eam tanta dificuldade de se integrar ao mercado formal de produ\u00e7\u00e3o de leite.<\/p>\n

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Em 2014, o Brasil se tornou o quinto maior produtor mundial de leite. O Rio Grande do Sul foi respons\u00e1vel por 10,6% do leite do pa\u00eds e Itaqui produziu 0,01% do total de leite do estado no ano de 2012. Em 2010, 30,8% da produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds foi clandestina, e no anterior a gera\u00e7\u00e3o informal no estado chegou a 19%.<\/p>\n

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A pesquisa feita em 2013 chega \u00e0 conclus\u00e3o que os produtores de Itaqui est\u00e3o, em maior parte, na periferia da cidade e que sua produ\u00e7\u00e3o \u00e9 pequena, geralmente familiar. De acordo com os pesquisadores, as caracter\u00edsticas da regi\u00e3o favoreceram o desenvolvimento de um mercado clandestino de leite, que n\u00e3o passa pelos processos tradicionais de industrializa\u00e7\u00e3o e acaba sendo vendido pelos produtores diretamente aos consumidores finais. O estudo mostrou que as prov\u00e1veis causas para a exist\u00eancia desse mercado s\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica dos produtores e o medo dos consumidores de comprar leite industrializado. Durante o per\u00edodo da pesquisa, diversos casos de adultera\u00e7\u00e3o de leite industrializado foram registrados no estado.<\/p>\n

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Um dos apontamentos da pesquisa foi que o pr\u00f3prio mercado econ\u00f4mico relega o pequeno produtor \u00e0 informalidade. Afinal, a maior parte dos produtores (80%) est\u00e3o organizados em pequenas propriedades, mas eles respondem por apenas 27% do volume de litros de leite produzidos anualmente no pa\u00eds. S\u00e3o as grandes propriedades (20% dos produtores) que concentram os outros 73% da produ\u00e7\u00e3o. As entrevistas feitas com quinze dos dezoito produtores informais de Itaqui servem como exemplo das dificuldades enfrentadas pelo pequeno fornecedor clandestino de leite no Brasil. Na cidade estudada, os problemas pelos quais passam esses trabalhadores v\u00e3o desde a falta de terreno pr\u00f3prio, incapacidade de expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, rebanhos de ra\u00e7as distintas e de m\u00e1 qualidade para a produ\u00e7\u00e3o leiteira, e at\u00e9 a localiza\u00e7\u00e3o das propriedades, que n\u00e3o s\u00e3o ideais por ficarem em \u00e1reas urbanas.<\/p>\n

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Fora todas essas barreiras, o com\u00e9rcio clandestino tamb\u00e9m se mostra muito mais rent\u00e1vel para o produtor. O processo formal de industrializa\u00e7\u00e3o \u00e9 custoso: depois de ordenhado, o leite precisa ser resfriado em c\u00e2maras desenvolvidas especificamente para esse fim e depois enviadas para um latic\u00ednio, onde o leite passa por um conjunto de an\u00e1lises e recebe tratamento t\u00e9rmico adequado, para ent\u00e3o ser embalado e distribu\u00eddo ao varejo. Ao final desse processo, o produtor ganha, em m\u00e9dia, o m\u00e1ximo de R$ 0,60 centavos por cada litro de leite. Quando o produtor ignora esse processo e decide vender o leite direto ao consumidor, ele consegue receber at\u00e9 R$ 2,00 pelo mesmo litro.<\/p>\n

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Reportagem: Amanda Iung, Bruno Steians e Luis Fernando Filho<\/p>\n

Artes: Bruna Dotto<\/p>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

Pesquisa da UFSM aponta as dificuldades dos pequenos produtores em se inserir no mercado formal<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":776,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1538],"tags":[],"class_list":["post-208","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dossie-producao-de-alimentos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=208"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/776"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"http:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}