{"id":219,"date":"2016-04-11T13:18:05","date_gmt":"2016-04-11T16:18:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/comunicacao\/arco\/2016\/04\/11\/post219\/"},"modified":"2016-04-11T13:18:05","modified_gmt":"2016-04-11T16:18:05","slug":"post219","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/post219","title":{"rendered":"Economia Salina"},"content":{"rendered":"
No Brasil, apenas os estados do \u00a0Piau\u00ed, Cear\u00e1, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte tem produ\u00e7\u00e3o de sal marinho, o tipo preferido dos lares brasileiros. Mas esta produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de ser equilibrada: enquanto o estado do Rio de Janeiro, onde se encontram as marcas de sal mais conhecidas nacionalmente, produz apenas 2,9% do sal consumido no pa\u00eds, o Sum\u00e1rio Mineral Brasileiro destaca que 94% da produ\u00e7\u00e3o se concentra nas salinas potiguares.<\/span><\/p>\n <\/p>\n A resposta para o sucesso do Rio Grande do Norte pode estar na teoria de um economista austr\u00edaco da primeira metade do s\u00e9culo 20, Joseph Schumpeter. A proposta \u00e9 resultado de um trabalho conjunto de pesquisadores de tr\u00eas dos quatros estados produtores: Marco T\u00falio Mendon\u00e7a Diniz (UFRN), F\u00e1bio Perdig\u00e3o Vasconcellos (UECE) e M\u00e1rcia Barbosa Martins (UERJ) \u00a0consideram que o desenvolvimento das salinas no Rio Grande do Norte acabou por utilizar a metodologia empreendedora de Schumpeter.<\/span><\/p>\n <\/p>\n Professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Schumpeter foi um dos principais expoentes da Teoria do Empreendedorismo, que defende o capitalismo como uma forma de transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Segundo essa teoria, a economia n\u00e3o deve ficar est\u00e1tica e sua mudan\u00e7a deve partir do produtor, n\u00e3o do consumidor.<\/span><\/p>\n \u00a0<\/span><\/p>\n Desde 1938, quando o IBGE passou a coletar dados acerca da produ\u00e7\u00e3o de sal no pa\u00eds, o Rio Grande do Norte figura como o maior produtor do insumo. Como a produ\u00e7\u00e3o era artesanal, o volume n\u00e3o era suficiente para atender o mercado nacional , que precisava se complementado com importa\u00e7\u00f5es. Com a cria\u00e7\u00e3o do Instituto Nacional do Sal em 1940, a produ\u00e7\u00e3o nacional passou a ser protegida, com cotas estabelecidas, sistemas de financiamento e a proibi\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o de salinas. A Comiss\u00e3o Executiva do Sal, que assumiu a regulamenta\u00e7\u00e3o do setor em 1967, acabou com as cotas e permitiu a amplia\u00e7\u00e3o e venda das salinas para empresas estrangeiras.<\/span><\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n O Rio Grande do Norte se beneficiou tamb\u00e9m pelo clima, que permitiu um aumento no tamanho das salinas – algo que n\u00e3o p\u00f4de acontecer nos outros estados. A expans\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o favoreceu que o processo se tornasse mais moderno, com a chegada da mecaniza\u00e7\u00e3o e a instala\u00e7\u00e3o de um porto naval no Estado. O mercado potiguar acabou, n\u00e3o intencionalmente, cumprindo as cinco etapas empreendedoras descritas na obra de Schumpeter – o que, segundo os pesquisadores, explica seu predom\u00ednio de mercado ainda hoje.<\/span><\/p>\n <\/p>\n A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o intensa que em 2012 os Estados Unidos importaram sal do Rio Grande do Norte para ser utilizado no derretimento de nevascas intensas. Al\u00e9m disso, o estado \u00e9 refer\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de Flor de Sal, um tipo raro e refinado, usado em restaurantes especializados. S\u00f3 a cidade de Mossor\u00f3, distante 280 quil\u00f4metros da capital Natal, produz at\u00e9 8 toneladas de Flor de Sal por ano, um produto que pode chegar ao custo de 20 reais por cada 150 gramas.<\/span><\/p>\n \u00a0<\/span><\/p>\n A ind\u00fastria salineira \u00e9 de vital import\u00e2ncia para o Rio Grando do Norte, e emprega mais de 70 mil pessoas, direta e indiretamente. A economia do estado tamb\u00e9m tem sido afetada com a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica nacional. No ano de 2015, o valor da tonelada de sal baixou de 180 para 50 reais. A solu\u00e7\u00e3o foi investir na exporta\u00e7\u00e3o, principalmente para na\u00e7\u00f5es africanas: a Nig\u00e9ria consome 60% das 400 mil toneladas exportadas anualmente pelo estado.<\/span><\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n Reportagem: Mateus Albuquerque e Willian Boessio Conhe\u00e7a os motivos do Rio Grande do Norte ser o produtor de 94% de todo sal consumido no pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":984,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1538],"tags":[],"class_list":["post-219","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dossie-producao-de-alimentos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/219","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=219"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/219\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/984"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=219"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=219"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=219"}],"curies":[{"name":"wp","href":"http:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}
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\nEmbora o pa\u00eds africano seja o maior importador do sal potiguar, a demanda pelo insumo tamb\u00e9m tem crescido em pa\u00edses como Canad\u00e1 e Estados Unidos. Uma sa\u00edda est\u00e1 posta. Resta saber se o esp\u00edrito empreendedor de Schumpeter proteger\u00e1 o sal potiguar em tempos de economia desfavor\u00e1vel.<\/span><\/span><\/p>\n
<\/span><\/span><\/p>\n
\nInfogr\u00e1ficos: J\u00falia Dotto e Mayara Souto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"