{"id":2468,"date":"2017-10-20T15:52:46","date_gmt":"2017-10-20T17:52:46","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.55bet-pro.com\/arco\/sitenovo\/?p=2468"},"modified":"2017-10-20T15:52:46","modified_gmt":"2017-10-20T17:52:46","slug":"cidade-campo-e-fotografia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/cidade-campo-e-fotografia","title":{"rendered":"Cidade, campo e fotografia"},"content":{"rendered":"
A\u00a0partir da crise de superprodu\u00e7\u00e3o que comprometeu a economia mundial em 1929, o Estado brasileiro passou a intervir na economia no sentido de atender aos interesses dos detentores das planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9. A necessidade de industrializa\u00e7\u00e3o dos centros urbanos e da moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura culminaram em conflitos pela posse da terra no campo, bem como no \u00eaxodo rural principalmente a partir da d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n
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Em meio a esse contexto, crescia Mario Witt, nascido em 1958. Filho de pecuaristas, a inf\u00e2ncia foi marcada pelos aprendizados e brincadeiras nos rios e sangas perto da propriedade da fam\u00edlia, na regi\u00e3o da fronteira, em Itaqui. Em 1971, quando tinha 13 anos, Mario presenciou o falecimento do pai, o que o levou com a fam\u00edlia a morar em Porto Alegre, onde um de seus irm\u00e3os j\u00e1 residia.<\/p>\n
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Apesar da ida para a capital, a fam\u00edlia mantinha o contato com a terra, porque a maior parte da renda ainda vinha do arrendamento da propriedade na fronteira. Morando no bairro Menino Deus, onde ficava um quartel da Brigada, a m\u00e3e trabalhara de costureira at\u00e9 seu falecimento em 1976. \u201cForam tempos dif\u00edceis em que a gente tinha que vender as cabe\u00e7as de boi para pagar as contas at\u00e9 que s\u00f3 sobraram as terras\u201d, conta Mario. Com o falecimento da m\u00e3e, alguns de seus irm\u00e3os voltaram ao campo para trabalhar na \u201cnova agricultura\u201d.<\/p>\n
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O encontro com a fotografia<\/strong><\/p>\n Adolescente, permaneceu na cidade de Porto Alegre, onde mantinha uma vida razo\u00e1vel a partir do arrendamento de sua parte da heran\u00e7a na fronteira. Depois de viajar para o campo com uma amiga, que havia levado uma c\u00e2mera com a qual brincaram, M\u00e1rio percebeu que intuitivamente conseguira alcan\u00e7ar alguma qualidade nas suas tentativas.<\/p>\n <\/p>\n Depois de uma excurs\u00e3o aos Estados Unidos, um dos irm\u00e3os de Mario trouxe do exterior uma c\u00e2mera da Olympus, com a qual n\u00e3o se acertou, dando-a ao irm\u00e3o mais novo. \u201cPara ele a fotografia n\u00e3o era como ela \u00e9 para mim. A c\u00e3mera estava estragada, ent\u00e3o eu a levei para o conserto e comecei a praticar\u201d, afirma.<\/p>\n <\/p>\n Com a m\u00e1quina nova, o jovem teve o talento confirmado pelos seus colegas de apartamento que estudavam Comunica\u00e7\u00e3o em Porto Alegre. \u201cAo verem minhas fotos, eles acharam muito boas e mostraram que nelas existiam elementos que eles estudavam. Eu j\u00e1 gostava da fotografia, e a partir da\u00ed eu passei a gostar mais\u201d, conta.<\/p>\n <\/p>\n Na \u00e9poca, a fotografia era uma moda. As pessoas tinham laborat\u00f3rios em suas casas, existiam grandes lojas que abasteciam os fot\u00f3grafos. Mario foi nesse embalo e, na passagem da d\u00e9cada de 1970 para 1980 fez um curso curto no SENAC. O jovem que fotografava flores e p\u00f4r-do-sol conheceu a fotografia em preto e branco. \u201cEra uma outra foto, era um deleite, um fazer art\u00edstico. Eu me sentia um pequeno mago, porque descobrir a foto em preto e branco foi algo m\u00e1gico. E aquilo veio junto com a miss\u00e3o de den\u00fancia\u201d, narra.<\/p>\n <\/p>\n Fotografia e o movimento ambientalista<\/strong><\/p>\n Fundada em 1971 em Porto Alegre por Jos\u00e9 Lutzenberger, Augusto Carneiro, Caio Lustosa, Alfredo Gui Ferreira e outros ambientalistas, a Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o ao Ambiente Natural (Agapan) \u00e9 uma ONG brasileira dedicada \u00e0 luta em defesa do meio-ambiente, que chamou a aten\u00e7\u00e3o de Mario pelas lutas que travara em fun\u00e7\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de celulose em Gua\u00edba, que polu\u00eda e causava mau cheiro na cidade.<\/p>\n <\/p>\n Com uma c\u00e2mera mais qualificada, Mario come\u00e7ou a se dedicar aos estudos sobre fotografia e meio ambiente, assistindo palestras, lendo diversos livros de Ana Maria Primavesi e outras autoras e autores que discutiam j\u00e1 nessa \u00e9poca a quest\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente. A perspectiva art\u00edstica adotada pelo fot\u00f3grafo gerou um choque na fam\u00edlia, porque ela praticava justamente a agricultura que a fundo Mario criticava em suas fotos. \u201cAs pessoas chamavam-me de louco, diziam que eu estava delirando, que era para me acalmar\u201d, afirma.<\/p>\n <\/p>\n N\u00e3o se acalmou. Em fun\u00e7\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o de um bueiro na cidade onde crescera, Mario enviou algumas de suas fotografias dessa obra ao jornal Zero Hora e, ainda jovem, entrou em uma pol\u00eamica com o prefeito de Itaqui, que lhe respondeu no pr\u00f3prio jornal a respeito das fotografias. Mario tamb\u00e9m entrava nas propriedades vizinhas para tirar fotos, porque achava bonitas e interessantes as paisagens, ainda que j\u00e1 entendesse o fato de que aquelas a\u00e7\u00f5es eram bastante agressivas ao meio ambiente. \u201cEu agia como um laborat\u00f3rio de jornalismo, com o cora\u00e7\u00e3o na boca, porque aquilo me colocava em situa\u00e7\u00f5es de risco. Mas a minha a\u00e7\u00e3o era mais contundente com a m\u00e1quina na m\u00e3o e dava resultados\u201d, afirma.<\/p>\n <\/p>\n Em 1986, depois de casado, Mario se mudou de volta para o campo, mas dessa vez para Lavras, junto \u00e0 esposa. Na \u00e9poca da mudan\u00e7a, a regi\u00e3o ainda era bastante preservada do novo formato de agricultura. \u201cFoi uma paix\u00e3o pela paisagem que eu perdi na inf\u00e2ncia e que reconstitu\u00ed, mas agora estamos sofrendo o mesmo impacto por causa da instala\u00e7\u00e3o de uma mineradora\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n <\/p>\n Atualmente com 59 anos e morando em Santa Maria, Mario continua fotografando n\u00e3o s\u00f3 preocupado com a paisagem que a mineradora vai afetar na regi\u00e3o centro-sul do estado ga\u00facho, mas tamb\u00e9m com os latif\u00fandios de soja que causam eros\u00e3o no solo em fun\u00e7\u00e3o da n\u00e3o-rotatividade de cultura. \u201cQuando eu pensei que poderia sossegar quanto a essas quest\u00f5es, as demandas chamam, batem na porta e \u00e9 assim tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mineradora quanto aos vizinhos que praticam a agricultura em grande escala, que se associam com outros, cujos poderes transcendem qualquer vizinhan\u00e7a\u201d, conta.<\/p>\n <\/p>\n Depois de quase quarenta anos dedicados \u00e0 fotografia em defesa do meio ambiente, Mario segue em conflito com a nova formata\u00e7\u00e3o da agricultura, defendendo a preserva\u00e7\u00e3o ambiental nos eventos, congressos, palestras em que participa, n\u00e3o com o objetivo de atender aos pr\u00f3prios interesses, mas de alertar quem quer que seja sobre as pr\u00e1ticas na agricultura que afetam negativamente o meio ambiente.<\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n Reportagem: Germano Molardi Mario Witt: 40 anos de fotografia dedicados \u00e0 defesa do meio ambiente<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":2472,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[268,650],"class_list":["post-2468","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","tag-fotografia","tag-meio-ambiente"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2468"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2468\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2472"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"http:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}
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\nFotografias: Mario Witt\/Arquivo pessoal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"