{"id":322,"date":"2016-07-20T14:26:42","date_gmt":"2016-07-20T17:26:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/comunicacao\/arco\/2016\/07\/20\/post322\/"},"modified":"2021-05-26T22:45:29","modified_gmt":"2021-05-27T01:45:29","slug":"post322","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/post322","title":{"rendered":"Mercadores de doen\u00e7as"},"content":{"rendered":"
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\n \n Antes do programa “Mais M\u00e9dicos”, criado pelo Governo Federal em 2013, existiam no Brasil uma m\u00e9dia de<\/span>\u00a01,8 m\u00e9dicos para cada 1000 habitantes. Esse n\u00famero\u00a0\u00e9 menor que o de pa\u00edses vizinhos como Argentina (3,9) e Uruguai (3,7), por exemplo. Esses \u00edndices constam no livro \u201cMais m\u00e9dicos – 2 anos: Mais sa\u00fade para os brasileiros\u201d, produzido em 2015 pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Antes da cria\u00e7\u00e3o do programa, o n\u00famero de m\u00e9dicos por habitante era significativamente menor que a necessidade da popula\u00e7\u00e3o e do SUS. Nas regi\u00f5es norte e nordeste, por exemplo, os n\u00fameros sequer se aproximavam da m\u00e9dia nacional, como o caso do Estado do Maranh\u00e3o, com 0,58 m\u00e9dicos para cada mil habitantes. \u00a0<\/span><\/p>\n \n Al\u00e9m dessa insufici\u00eancia de m\u00e9dicos, ainda havia a quest\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o deles pelo territ\u00f3rio. Segundo o livro, mesmo nos Estados que superam os 1,8, como Rio de Janeiro (3,44) e S\u00e3o Paulo (2,49), n\u00e3o havia uma distribui\u00e7\u00e3o proporcional dos profissionais, pois eles se concentravam nas capitais. Al\u00e9m disso, \u00e1reas mais pobres e vulner\u00e1veis eram as \u00a0menos atrativas para o servi\u00e7o desses m\u00e9dicos.<\/span><\/p>\n \n Esses foram alguns pontos que impulsionaram a cria\u00e7\u00e3o do \u201cMais M\u00e9dicos\u201d, conforme o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. A meta do \u00f3rg\u00e3o \u00e9 que em 2026 o pa\u00eds possua 2,7 m\u00e9dicos para cada mil habitantes. O professor de sa\u00fade coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Alcides Silva de Miranda, \u00a0analisou o processo de implanta\u00e7\u00e3o do programa no Rio Grande do Sul. <\/span><\/p>\n \n Alcides \u00e9 formado em Medicina e durante toda forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica atuou em diversos estados como Par\u00e1, Rio Grande do Sul, Cear\u00e1 e Bahia. O professor esteve na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em junho, para uma aula p\u00fablica sobre a atual situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil. Ele conversou com a revista Arco e abordou as considera\u00e7\u00f5es da sua pesquisa sobe o \u201cMais M\u00e9dicos\u201d, as especula\u00e7\u00f5es de que o programa seria extinto e ainda sobre a forma\u00e7\u00e3o fragmentada que os estudantes de medicina recebem nas institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/span><\/p>\n Como a proposta do programa \u201cMais M\u00e9dicos\u201d contribui para a melhoria do problema da escassez de m\u00e9dicos no Brasil?<\/strong><\/p>\n O maior problema no nosso pa\u00eds \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos no Brasil, em regi\u00f5es onde h\u00e1 um mercado paralelo ativo. Os dados mais recentes nos indicam que, por exemplo, a cada 100 m\u00e9dicos, em torno de 24 n\u00e3o t\u00eam nenhum rela\u00e7\u00e3o com o SUS, 20 trabalham exclusivamente com o SUS e 56 t\u00eam um \u201cp\u00e9\u201d no SUS e trabalham na iniciativa privada – vivem nessa ambiguidade. N\u00e3o s\u00f3 nos chamados \u201cgrot\u00f5es\u201d do Brasil, o interior, mas tamb\u00e9m as grandes periferias das metr\u00f3poles que n\u00e3o t\u00eam m\u00e9dicos – e eles n\u00e3o se deslocariam de onde est\u00e3o porque eles t\u00eam essa vincula\u00e7\u00e3o com o mercado paralelamente ao SUS.<\/span><\/p>\n \n V\u00e1rias propostas de governo tentaram incentivar e fixar esses profissionais, mas nunca deu certo. No momento em que o governo prop\u00f4s trazer profissionais de fora, houve uma forte rea\u00e7\u00e3o da corpora\u00e7\u00e3o m\u00e9dica com \u00a0o discurso que \u201cbastava o governo criar um plano nacional para os m\u00e9dicos para haver uma melhor distribui\u00e7\u00e3o\u201d. Mas eles n\u00e3o apresentaram essa proposta, e a\u00ed a impress\u00e3o que eu tenho \u00e9 que a corpora\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, ou pelo menos uma parte significativa dela, n\u00e3o est\u00e1 muito motivada em garantir a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade onde ela n\u00e3o existe. [A corpora\u00e7\u00e3o m\u00e9dica] est\u00e1 mais motivada em garantir seus nichos de mercado. <\/span><\/p>\n \n Os resultados do programa t\u00eam sido muito interessantes, analisei v\u00e1rios munic\u00edpios do Rio Grande do Sul. O impacto ainda \u00e9 pequeno, porque boa parte desses profissionais vieram substituir outros que sa\u00edram – ent\u00e3o, no Rio Grande do Sul, o programa tem um car\u00e1ter mais substitutivo do que complementar, pelo menos at\u00e9 o terceiro ciclo. Mas a partir do quarto ciclo est\u00e3o chegando mais profissionais, principalmente brasileiros. Acabar o programa agora seria um erro, porque, na verdade, precisa-se consolidar n\u00e3o s\u00f3 o programa ou a presen\u00e7a do m\u00e9dico, mas aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria em sa\u00fade. \u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n \n O \u201cMais M\u00e9dicos\u201d pode ser considerado um ato de car\u00e1ter emergencial e a curto prazo?<\/strong><\/p>\n Eu acho que ele foi emergencial no sentido de que era fim de governo, havia interesse eleitoral inclusive – \u00a0acho que isso \u00e9 importante ser colocado. O governo que lan\u00e7ou o \u201cMais M\u00e9dicos\u201d tinha interesse nisso. Mas na verdade, o programa \u00e9 estruturante para a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e por isso ele abre possibilidades. Por exemplo, no governo FHC, o programa \u201cSa\u00fade da Fam\u00edlia\u201d foi ampliado por objetivo eleitoral – eles queriam eleger o [Jos\u00e9] Serra, que era Ministro da Sa\u00fade. Isso pode ser considerado ruim, mas posteriormente o programa se consolidou como algo muito importante para o pa\u00eds. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n \n Infelizmente no Brasil, como n\u00e3o h\u00e1 uma arquitetura para o SUS, ele vive de \u201cpuxadinhos e penduricalhos\u201d. Quando se faz uma proposta, mesmo que eleitoreira, que pode depois servir como uma estrat\u00e9gia estruturante [do SUS], a gente questiona mas n\u00e3o desqualifica. E eu acho que, nesse aspecto, o programa \u201cMais M\u00e9dicos\u201d foi emergencial naquele momento, em alguns aspectos, mas em outros ele \u00e9 uma estrat\u00e9gia estruturante e isso precisa ser resguardado e refor\u00e7ado.<\/span><\/p>\n \n Parte significativa da corpora\u00e7\u00e3o m\u00e9dica n\u00e3o est\u00e1 muito motivada em garantir a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade onde ela n\u00e3o existe, mas sim em garantir seus nichos de mercado<\/strong><\/p><\/blockquote>\n \n Que outras medidas s\u00e3o necess\u00e1rias, atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es de Estado, para contribuir com a melhoria da sa\u00fade p\u00fablica do pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n Eu acho que primeiro tem que financiar o sistema p\u00fablico universal. H\u00e1 um discurso que o problema do SUS n\u00e3o \u00e9 financiamento, \u00e9 gest\u00e3o. Eu queria ver fazer a gest\u00e3o com o financiamento que o SUS tem – atender toda a popula\u00e7\u00e3o brasileira, a m\u00e3e paraguaia que atravessa a fronteira para vacinar o filho, o turista italiano que est\u00e1 passando as f\u00e9rias e quebrou a perna\u2026 \u00c9 muito f\u00e1cil fazer esse discurso que o problema \u00e9 gest\u00e3o quando n\u00f3s temos um \u201cdesfinanciamento\u201d enorme. <\/span><\/p>\n \n \u00c9 claro que existem problemas de gest\u00e3o. E, nesse aspecto, \u00e9 importante se fazer reformas sob a \u00e9gide do direito p\u00fablico, para consolidar o SUS. Discutir uma alternativa para a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, uma carreira \u00fanica para os trabalhadores do SUS, uma melhor distribui\u00e7\u00e3o dos recursos entre regi\u00f5es e munic\u00edpios, a viabiliza\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es de sa\u00fade – n\u00e3o somente como um espa\u00e7o assistencial, mas como um espa\u00e7o de aten\u00e7\u00e3o integral, de promo\u00e7\u00e3o, de prote\u00e7\u00e3o, de recupera\u00e7\u00e3o e reabilita\u00e7\u00e3o, vinculada a outras pol\u00edticas que s\u00e3o importantes, assim como educa\u00e7\u00e3o e meio ambiente.<\/span><\/p>\n \n N\u00f3s temos uma agenda que \u00e9 estrat\u00e9gica para o Estado brasileiro – e o SUS est\u00e1 nela. Mas o que est\u00e1 acontecendo agora \u00e9 um atentado. \u00c9 uma maneira de \u201cdesfinanciar\u201d mais, de torn\u00e1-lo algo somente assistencial, empobrecido em todos os sentidos, e isso precisa ser denunciado. Existem alternativas que estamos discutindo. Existem boas experi\u00eancias, inclusive de gest\u00e3o, que n\u00e3o ganham publicidade justamente porque a grande m\u00eddia tamb\u00e9m \u00e9 financiada por quem n\u00e3o tem interesse na viabiliza\u00e7\u00e3o do SUS. <\/span><\/p>\n \n Voc\u00ea afirma que, no atual cen\u00e1rio de forma\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos no Brasil, os estudantes s\u00e3o condicionados a enxergar o SUS como um \u201cmal necess\u00e1rio\u201d, que a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 voltada para o mercado. Como essa din\u00e2mica afeta o SUS e como uma reforma na forma\u00e7\u00e3o dos profissionais contribuiria para uma mudan\u00e7a nessa condi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n \n Eu acho que \u00e9 pior do que isso. Eles s\u00e3o treinados, ou melhor, adestrados a perder a sensibilidade. Eles s\u00e3o adestrados a lidar com doen\u00e7as, e n\u00e3o com pessoas. T\u00eam uma forma\u00e7\u00e3o fragmentada: se tornam especialistas sem ter uma no\u00e7\u00e3o do sentido de integralidade. \u00c0s vezes, tem sete especialistas cuidando de uma pessoa, nenhum conversa com outro e n\u00e3o conseguem enxergar a pessoa como um ser humano integral.<\/span><\/p>\n \n A forma\u00e7\u00e3o, hoje, cria essas condi\u00e7\u00f5es. Eu acho que uma alternativa de reforma, n\u00e3o s\u00f3 da Medicina, mas de toda a \u00e1rea de sa\u00fade, \u00e9 vincular cada vez mais essa forma\u00e7\u00e3o ao SUS, a essa perspectiva integrada de sa\u00fade, para que eles possam trabalhar juntos. Inclusive, aprender a trabalhar em equipe. <\/span><\/p>\n \n O m\u00e9dico n\u00e3o sabe trabalhar em equipe, sabe trabalhar de maneira hier\u00e1rquica. Hierarquiarizada, verticalizada – ele mandando, inclusive. Ele n\u00e3o sabe trabalhar com integralidade, trabalha com fragmenta\u00e7\u00e3o, com especialidades. <\/span><\/p>\n \n \n N\u00f3s precisamos investir na possibilidade dos profissionais de sa\u00fade conviverem e compartilharem projetos de aten\u00e7\u00e3o integral, o que acontece muito pouco e pode ser considerado uma resist\u00eancia [aos modelos de aten\u00e7\u00e3o especializada]. Estou sabendo que algumas faculdades de Medicina, inclusive a da UFRGS, est\u00e3o tentando reagir contra as novas diretrizes curriculares, que exigem mais viv\u00eancia em aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. E o discurso \u00e9: \u201cA aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria n\u00e3o nos interessa, \u00e9 coisa pra cubano\u201d. \u00c9 claro que h\u00e1 um interesse de mercado, mas este interesse \u00e9 velado e nunca colocado claramente.<\/span><\/p>\n \n N\u00e3o h\u00e1 um interesse genu\u00edno em fazer o melhor, e de uma forma compartilhada com outros profissionais. H\u00e1 um interesse em manter a distin\u00e7\u00e3o da corpora\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, e a sua dissocia\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao sofrimento humano. As pessoas s\u00e3o vistas como doen\u00e7as e o problema se resolve com tecnologia, com interven\u00e7\u00e3o, n\u00e3o com o mais importante da cl\u00ednica: a verdadeira condi\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico, que \u00e9 a capacidade de escuta, a capacidade de di\u00e1logo, a capacidade de negociar projetos terap\u00eauticos e de vida. \u00a0Meu discurso n\u00e3o \u00e9 contra a corpora\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos, mas contra a corpora\u00e7\u00e3o de mercadores de doen\u00e7a.<\/span><\/p>\n \n Os m\u00e9dicos possuem essa dualidade de v\u00ednculos – com o SUS e com as operadoras de planos de sa\u00fade. Como essa situa\u00e7\u00e3o afeta a atual situa\u00e7\u00e3o de distribui\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos?<\/strong><\/p>\n Eu n\u00e3o critico a dualidade de v\u00ednculos, acho perfeitamente normal se um profissional quiser ter um consult\u00f3rio particular e tamb\u00e9m trabalhar no SUS. O que eu critico \u00e9 a ambiguidade. Porque uma coisa \u00e9 ambival\u00eancia, ou polival\u00eancia, de estar em v\u00e1rios lugares, de operar em v\u00e1rios lugares, e de modos distintos. Outra coisa \u00e9 confundir e usar o SUS para transferir custo, para identificar clientes que podem ser levados para a iniciativa privada, ou seja, parasitar o SUS. <\/span><\/p>\n \n O profissional que est\u00e1 no SUS e depois vai para seu pr\u00f3prio consult\u00f3rio, tudo bem. Acho que a gente tem que incentivar que os profissionais trabalhem cada vez mais na rede p\u00fablica, mas eles t\u00eam que ser valorizados: t\u00eam que receber condi\u00e7\u00f5es de trabalho, sal\u00e1rio. E n\u00e3o s\u00f3 os m\u00e9dicos, mas todos os profissionais, porque os m\u00e9dicos ganham cerca de\u00a0seis\u00a0vezes mais que os outros profissionais da sa\u00fade. Se o profissional optar por n\u00e3o ficar s\u00f3 na rede p\u00fablica, n\u00e3o vejo problemas, desde que ele entenda claramente que s\u00e3o duas perspectivas diferentes de trabalho. <\/span><\/p>\n \n O trabalho na esfera p\u00fablica, sob a \u00e9gide do direito p\u00fablico, \u00e9 um trabalho que tem a ver com as concep\u00e7\u00f5es, com os princ\u00edpios e as diretrizes das pol\u00edticas p\u00fablicas do Sistema \u00danico de Sa\u00fade. [O profissional] n\u00e3o pode confundir isso com o que ele faz na iniciativa privada. Os m\u00e9dicos gostam de cultivar uma ilus\u00e3o de profissional liberal – mas todos est\u00e3o empresariados, tudo \u00e9 pessoa jur\u00eddica hoje. Eles preferem ser escravos dessa l\u00f3gica empresarial do que trabalhar no SUS. Muitas vezes porque s\u00e3o \u201cadestrados\u201d, s\u00e3o condicionados a isso desde a forma\u00e7\u00e3o na faculdade de medicina.<\/span> Ent\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica tamb\u00e9m, me parece.<\/span><\/p>\n \n Qual a sua opini\u00e3o acerca do debate sobre o Ato M\u00e9dico e a quest\u00e3o do \u201cbipoder\u201d dentro da Medicina?<\/strong><\/p>\n O Ato M\u00e9dico \u00e9 aquela velha pretens\u00e3o dos m\u00e9dicos de manter essa rela\u00e7\u00e3o vertical de poder, de exclusividade. Hoje, os problemas s\u00e3o outros. A ideia da transdisciplinariedade, pelo menos da interdisciplinariedade, no compartilhamento de ideias complexas, implica que os profissionais possam trabalhar de outra maneira tamb\u00e9m.<\/span><\/p>\n Ent\u00e3o, qualquer ato exclusivista \u00e9 um ato de arrog\u00e2ncia. E esse \u00e9 o grande problema da corpora\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, porque eles cultivam o complexo de superioridade. E esse complexo est\u00e1 dificultando que eles vejam que quem mais perde com isso s\u00e3o as pessoas que est\u00e3o sofrendo. Ent\u00e3o eu sou contra o Ato M\u00e9dico, acho um absurdo, acho que esse discurso corporativo precisa ser enfrentado, e esse complexo de superioridade precisa ser melhor refletido principalmente por esses profissionais e os estudantes de Medicina.<\/span><\/p>\n \n \n \n \u00a0 Reportagem: Nadine Kowaleski Ribeiro Pesquisador da UFRGS discute a atual crise do sistema p\u00fablico de sa\u00fade no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":835,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1742],"tags":[],"class_list":["post-322","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-extenda-10a-edicao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=322"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/835"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"http:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}
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\nFotografia: Rafael Happke<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"