{"id":368,"date":"2016-09-26T14:31:13","date_gmt":"2016-09-26T17:31:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/comunicacao\/arco\/2016\/09\/26\/post368\/"},"modified":"2016-09-26T14:31:13","modified_gmt":"2016-09-26T17:31:13","slug":"post368","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/post368","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o Polonesa no RS"},"content":{"rendered":"
As pesquisas sobre os processos de coloniza\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul costumam enfatizar a distribui\u00e7\u00e3o de terras e os aspectos econ\u00f4micos da chegada de colonos a\u00e7orianos, italianos e alem\u00e3es. Pouco se fala sobre aspectos relacionados \u00e0 vida cotidiana dessas popula\u00e7\u00f5es, como as adapta\u00e7\u00f5es culturais e educacionais \u00e0 nova terra. Quando falamos dos grupos imigrantes minorit\u00e1rios, como franceses, su\u00ed\u00e7os, austr\u00edacos e poloneses, esse tipo de conhecimento \u00e9 ainda menor.<\/span><\/p>\n <\/p>\n Foi a partir dessa constata\u00e7\u00e3o que os pesquisadores Adriano Malikoski e L\u00facio Kreutz, da Universidade de Caxias do Sul, desenvolveram uma pesquisa que buscava compreender a <\/span>organiza\u00e7\u00e3o das escolas entre imigrantes poloneses no Rio Grande do Su<\/span>l. Os pesquisadores ouviram ex-alunos dessas escolas para ilustrar, na rela\u00e7\u00e3o com os dados levantados com os n\u00facleos de coloniza\u00e7\u00e3o polonesa no estado, como os colonos lidavam com a educa\u00e7\u00e3o nas escolas \u00e9tnicas desde sua chegada.<\/span><\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n As primeiras 26 fam\u00edlias polonesas desembarcaram no Rio Grande do Sul em 1875, \u00e9poca em que j\u00e1 existiam no estado cerca de 12,5 mil estrangeiros de diversas nacionalidades. Os colonos poloneses foram se instalando, de modo geral, em<\/span> quatro regi\u00f5es distintas do estado – litoral, Serra Ga\u00facha, Planalto Norte e Miss\u00f5es<\/span>, e j\u00e1 existia, entre eles, um forte impulso para a forma\u00e7\u00e3o de comunidades relacionadas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de sua identidade e cultura \u00e9tnica.<\/span><\/p>\n \u00a0<\/span><\/p>\n <\/p>\n Outro elemento cultural importante dessa comunidade era a religiosidade. Segundo Malikoski e Kreutz, nos primeiros anos da imigra\u00e7\u00e3o para o Brasil, o principal s\u00edmbolo de organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria era a capela ou a pequena igreja, a partir da qual se formavam espa\u00e7os de conv\u00edvio social. \u201cOs primeiros tempos da forma\u00e7\u00e3o dos n\u00facleos poloneses eram caracterizados por uma situa\u00e7\u00e3o de abandono\u201d, contam os pesquisadores. Dessa forma, a necessidade de constru\u00e7\u00e3o de uma estrutura comunit\u00e1ria favorecia o surgimento de um tipo de rela\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, vinculada \u00e0 necessidade de constru\u00e7\u00e3o de la\u00e7os sociais e culturais na nova terra. Malikoski e Kreutz explicam que \u201cos imigrantes poloneses estavam isolados do mundo civilizado, com alus\u00e3o \u00e0 decad\u00eancia moral, f\u00edsica e econ\u00f4mica\u201d. <\/span><\/p>\n \u00a0<\/span><\/p>\n A organiza\u00e7\u00e3o do processo de ensino entre os imigrantes poloneses somente tomou forma a partir da funda\u00e7\u00e3o de \u201csociedades\u201d, que estimulavam a forma\u00e7\u00e3o educacional entre as comunidades \u00e9tnicas, no intuito de concentrar e defender os interesses da comunidade. Ao final de 1938, j\u00e1 existiam no Rio Grande do Sul 128 sociedades voltadas exclusivamente para o ensino particular \u00e9tnico no Rio Grande do Sul.<\/span><\/p>\n \u00a0<\/span><\/p>\n A partir da\u00ed, os imigrantes e descendentes passaram a criar iniciativas particulares para obter algum tipo de instru\u00e7\u00e3o e ensino em escolas: esses empreendimentos podiam acontecer a partir de escolas \u00e9tnico-comunit\u00e1rias, organizadas pela pr\u00f3pria comunidade, ou escolas \u00e9tnicas particulares de institui\u00e7\u00f5es religiosas, administradas por congrega\u00e7\u00f5es que cobravam mensalidade dos alunos.<\/span><\/p>\n \u00a0<\/span><\/p>\n No come\u00e7o, as escolas ensinavam somente em l\u00edngua polonesa. O portugu\u00eas foi inserido anos depois, com a finalidade de integrar as crian\u00e7as \u00e0 cultura nacional brasileira: \u201cO processo escolar entre os imigrantes e descendentes de poloneses teve algumas peculiaridades, tais como escolas bil\u00edngues, que ensinavam em<\/span> vern\u00e1culo <\/span>durante a manh\u00e3 e em polon\u00eas durante a tarde, e a utiliza\u00e7\u00e3o de material did\u00e1tico tanto em portugu\u00eas como em polon\u00eas.\u201d.<\/span><\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n Em 1938, contudo, Get\u00falio Vargas inviabilizou o funcionamento de escolas \u00e9tnicas no Brasil, ao restringir o uso e o ensino de l\u00edngua estrangeira e ao obrigar a presen\u00e7a de professores brasileiros natos. Conforme levantamento de Malikoski e Kreutz, muitas escolas tiveram de fechar suas portas. \u201cSegundo relatos dos pr\u00f3prios descendentes do grupo \u00e9tnico polon\u00eas, as proibi\u00e7\u00f5es das leis e dos decretos tamb\u00e9m aconteceram nos n\u00facleos poloneses, havendo inclusive pris\u00f5es\u201d, explicam os estudiosos. A Nacionaliza\u00e7\u00e3o do Ensino resultou no aumento no analfabetismo entre os imigrantes, e as escolas fechadas, em muitos casos, nunca mais foram reabertas.<\/span><\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n Os pesquisadores lembram que as escolas da imigra\u00e7\u00e3o polonesa marcaram uma importante fase da historiografia da Educa\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Sul at\u00e9 1938, por meio de um ensino voltado para as caracter\u00edsticas \u00e9tnicas e culturais desses imigrantes, e que a recupera\u00e7\u00e3o dessas mem\u00f3rias, atrav\u00e9s de t\u00e9cnicas de pesquisa como a Hist\u00f3ria Oral, s\u00e3o fundamentais para o resgate da hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o no Brasil. Malikoski e Kreutz defendem que \u201ccada entrevista, cada mem\u00f3ria contada e ouvida formaram sentidos e significados para a reconstru\u00e7\u00e3o do passado sobre as escolas \u00e9tnicas polonesas na complementa\u00e7\u00e3o das fontes materiais\u201d. <\/span><\/p>\n Reportagem: Mateus Martins de Albuquerque e William Boessio As escolas \u00e9tnicas contam parte importante da hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o no pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":800,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1814],"tags":[],"class_list":["post-368","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-humanidades"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=368"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/800"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"http:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}
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