{"id":3742,"date":"2018-06-13T18:30:34","date_gmt":"2018-06-13T21:30:34","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.55bet-pro.com\/arco\/sitenovo\/?p=3742"},"modified":"2021-05-27T12:46:38","modified_gmt":"2021-05-27T15:46:38","slug":"combustivel-que-move-a-universidade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/combustivel-que-move-a-universidade","title":{"rendered":"Combust\u00edvel que move a universidade"},"content":{"rendered":"

De acordo com a <\/span>Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis,<\/span> o Brasil consumiu 136 bilh\u00f5es de litros de combust\u00edveis em 2017, um aumento de 0,4% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, que registrou a venda de 135,4 bilh\u00f5es de litros nas bombas de combust\u00edveis. A pesquisa aponta tamb\u00e9m um aumento do consumo de biocombust\u00edveis – fontes de energia consideradas alternativas, de car\u00e1ter renov\u00e1vel e <\/span>baixos \u00edndices de emiss\u00e3o de poluentes<\/span><\/a>.<\/span><\/p>\n

Em decorr\u00eancia do aumento da frota de ve\u00edculos no pa\u00eds, h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o cada vez maior sobre a produ\u00e7\u00e3o de energia limpa. Na UFSM, algumas iniciativas j\u00e1 v\u00eam sendo propostas neste sentido, a exemplo da Usina Piloto de Etanol do Col\u00e9gio Polit\u00e9cnico. Agora, outro projeto est\u00e1 prestes a sair do papel: a Usina de Biocombust\u00edvel de maior capacidade sustent\u00e1vel.<\/span><\/p>\n

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Usina de Etanol<\/b><\/p>\n

O projeto iniciou em 2009 com a produ\u00e7\u00e3o do etanol a partir de amil\u00e1ceas, sendo a primeira usina com esta finalidade no Rio Grande do Sul. Um ano depois, uma <\/span>parceria com a Receita Federal<\/span><\/a> foi firmada e a usina passou a produzir etanol a partir de materiais l\u00edquidos apreendidos pela receita, como whiskys<\/em> e perfumes . At\u00e9 2018, a UFSM recebeu 176.316 litros de produtos apreendidos pela Receita Federal que geraram em torno de 17.631 litros de etanol, \u00e0 gradua\u00e7\u00e3o 95\u00b0C GL.
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Parte do processo de produ\u00e7\u00e3o de etanol a partir de amil\u00e1ceas na Usina Piloto<\/figcaption><\/figure>\n

Inicialmente, a maior parte do etanol produzido no campus servia para abastecimento de ve\u00edculos oficiais e higieniza\u00e7\u00e3o<\/span>.<\/span> Segundo o professor e coordenador da usina, C\u00edcero Nogueira, atualmente o combust\u00edvel \u00e9 usado majoritariamente nos trabalhos desenvolvidos em laborat\u00f3rios, sendo o principal deles o Laborat\u00f3rio de Motores, vinculado ao curso de Engenharia Mec\u00e2nica.<\/span><\/p>\n

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Ve\u00edculo institucional abastecido com etanol<\/figcaption><\/figure>\n

Antes de 2010, toda a bebida apreendida pela Receita Federal de Santa Maria ia para a Esta\u00e7\u00e3o de Tratamento de Esgoto do munic\u00edpio, o que causava um grande impacto ambiental. Frente aos avan\u00e7os e aos resultados positivos, o projeto recebeu premia\u00e7\u00e3o em 2016, <\/span>no Concurso Inova\u00e7\u00e3o, realizado pela Escola Nacional de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica (Enap).<\/span><\/p>\n

Usina de Biodiesel<\/b><\/p>\n

A produ\u00e7\u00e3o de etanol despertou na equipe respons\u00e1vel o desejo de tamb\u00e9m produzir biodiesel. Foi ent\u00e3o que, em 2013, surgiu a ideia de reutilizar os \u00f3leos de fritura de restaurantes e lanchonetes da Universidade para a produ\u00e7\u00e3o deste combust\u00edvel. No ano seguinte, uma miniusina j\u00e1 trabalhava a todo vapor no Col\u00e9gio Polit\u00e9cnico, por\u00e9m sua efici\u00eancia sustent\u00e1vel n\u00e3o era alta: muita \u00e1gua era descartada na produ\u00e7\u00e3o, devido ao processo de lavagem e purifica\u00e7\u00e3o dos \u00f3leos.<\/span><\/p>\n

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Antiga usina de biodiesel do Col\u00e9gio Polit\u00e9cnico<\/figcaption><\/figure>\n

O projeto Mobilidade gerada pela sustentabilidade<\/em>\u00a0<\/span>foi ent\u00e3o elaborado pelo doutorando Antonio Fantinel e pelos professores C\u00edcero Nogueira e S\u00e9rgio Luiz Jahn e a<\/span>pontou que s\u00e3o descartados cerca de 1500 litros de \u00f3leo de fritura residual por m\u00eas na UFSM, sendo somente o Restaurante Universit\u00e1rio e o Husm respons\u00e1veis por cerca de 850 litros. <\/span>O projeto objetiva a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel a partir de \u00f3leo de fritura para abastecimento de ve\u00edculos a diesel da institui\u00e7\u00e3o, facilitando a mobilidade intra-campus. <\/span><\/p>\n

Custos e impactos ambientais do Biodiesel<\/b><\/p>\n

\u201cEst\u00e1vamos sendo duplamente sustent\u00e1veis, pela transforma\u00e7\u00e3o de um subproduto altamente poluidor ao meio ambiente e pela produ\u00e7\u00e3o de um combust\u00edvel renov\u00e1vel. No entanto, toda produ\u00e7\u00e3o precisa ser economicamente sustent\u00e1vel, da\u00ed a an\u00e1lise econ\u00f4mica da pesquisa\u201d, reflete Antonio Fantinel.<\/span><\/p>\n

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Armazenamento do \u00f3leo de cozinha na usina<\/figcaption><\/figure>\n

O pesquisador resolveu ent\u00e3o avaliar a viabilidade econ\u00f4mica e ambiental da produ\u00e7\u00e3o de biodiesel em uma pequena unidade industrial, empregando \u00f3leos e gorduras residuais como mat\u00e9ria-prima. A <\/span>disserta\u00e7\u00e3o<\/span><\/a>, defendida em 2016, apontou que os custos relativos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de biodiesel em pequena escala foram superados e que as vantagens com a utiliza\u00e7\u00e3o dessa mat\u00e9ria-prima poderiam ser ampliadas, se observada sob a perspectiva da sustentabilidade.<\/span><\/p>\n

Al\u00e9m disso, as conclus\u00f5es da pesquisa ressaltaram os benef\u00edcios da produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edvel na esfera ambiental, j\u00e1 que este previne que os \u00f3leos sejam descartados na rede de esgotos e em rios, e reduz a emiss\u00e3o de gases poluentes; e, na esfera social e econ\u00f4mica, pois pode gerar emprego e renda com a articula\u00e7\u00e3o da cadeia de coleta e reciclagem.<\/span><\/p>\n

Coleta da mat\u00e9ria prima do biodiesel<\/b><\/p>\n

Neste ano, a empresa Rec\u00f3leo, que fazia a <\/span>coleta do \u00f3leo de cozinha na UFSM<\/span><\/a>, suspendeu as atividades.\u00a0 Em fevereiro, o Col\u00e9gio Polit\u00e9cnico recebeu a instala\u00e7\u00e3o da usina de biodiesel com maior capacidade e, at\u00e9 ent\u00e3o, o processo passa por alguns ajustes. A ideia, segundo o professor C\u00edcero, \u00e9 que a usina esteja em pleno funcionamento j\u00e1 a partir do segundo semestre e, possa fazer uso de todo o \u00f3leo de cozinha do campus que a Rec\u00f3leo coletava anteriormente.<\/span><\/p>\n

De acordo com Fantinel, com a instala\u00e7\u00e3o da usina de biodiesel ser\u00e1 poss\u00edvel produzir aproximadamente 1.400 litros de biodiesel ao m\u00eas com o \u00f3leo de fritura descartado dentro da UFSM. Ele salienta, no entanto, que a produ\u00e7\u00e3o pode ser muito maior se houver ades\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o acad\u00eamica: \u201cNuma perspectiva que cada pessoa descarte aproximadamente 0,2 litros de \u00f3leo de soja ao m\u00eas e mais de 25 mil pessoas entre docentes, servidores t\u00e9cnico-administrativos e alunos que transitam diariamente dentro da UFSM, a oferta ia se elevar para 5 mil litros de \u00f3leo de fritura.\u201d Dessa forma, segundo o pesquisador seria poss\u00edvel aumentar a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel para mais de 5 mil litros de biodiesel ao m\u00eas, sendo poss\u00edvel alimentar o <\/span>BUFSM<\/span><\/a> – \u00f4nibus que \u00a0faz o transporte interno dos alunos.<\/span><\/p>\n

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Sala que deve receber a usina de biodiesel no pr\u00f3ximo semestre<\/figcaption><\/figure>\n

Os desafios do cen\u00e1rio atual e os biocombust\u00edveis<\/b><\/p>\n

Segundo <\/span>relat\u00f3rio<\/span><\/a> divulgado em 2017 pela Ag\u00eancia Internacional de Energia, o consumo mundial de combust\u00edveis f\u00f3sseis deve seguir aumentando at\u00e9 o ano de 2040. Atualmente, a matriz de transportes no mundo utiliza 95% \u00a0de derivados do petr\u00f3leo; as estimativas para daqui a mais de 20 anos \u00e9 de que este percentual caia para 88%. Os problemas causados pelo seu uso intensivo do petr\u00f3leo e seus derivados preocupam estudiosos e reafirmam a necessidade de pensar alternativas.<\/span><\/p>\n

De acordo com o professor C\u00edcero Nogueira, a maioria (98%) do etanol utilizado no Rio Grande do Sul vem de fora do Estado e isso se reflete fortemente no valor do produto: \u201cO transporte \u00e9 feito pelas rodovias e o etanol vem de estados como Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo e Mato Grosso. O Rio Grande do Sul, por quest\u00f5es clim\u00e1ticas, n\u00e3o \u00e9 muito favor\u00e1vel \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cana-de-a\u00e7\u00facar mas, em contrapartida, \u00e9 rico em fontes amil\u00e1ceas como o arroz.\u201d <\/span><\/p>\n

Quase a totalidade do etanol advindo de outros estados \u00e9 utilizado para abastecer a ind\u00fastria petroqu\u00edmica e, na vis\u00e3o de C\u00edcero, o Rio Grande do Sul teria grandes vantagens econ\u00f4micas ao incentivar mais a produ\u00e7\u00e3o do biocombust\u00edvel para abastecer os p\u00f3los petroqu\u00edmicos. Al\u00e9m disso, o professor aponta que a produ\u00e7\u00e3o local de biocombust\u00edvel poderia ser uma sa\u00edda para momentos de crise de abastecimento, como os vivenciados no m\u00eas de abril devido \u00e0 greve dos caminhoneiros.<\/span><\/p>\n

Fantinel acredita ser necess\u00e1rio investir mais na produ\u00e7\u00e3o de biodiesel, j\u00e1 que \u201c<\/span>a maioria dos biocombust\u00edveis produzidos \u00e9 de primeira gera\u00e7\u00e3o, utilizando em seu processo de produ\u00e7\u00e3o partes comest\u00edveis de plantas como fonte de mat\u00e9ria-prima, e isso faz emergir calorosas discuss\u00f5es relacionadas \u00e0 seguran\u00e7a alimentar.\u201d Nesta perspectiva, estaria de acordo ao amplo investimento na produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis utilizando \u00f3leo de fritura, por exemplo: \u201cMant\u00e9m-se a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis renov\u00e1veis e tamb\u00e9m minimiza-se os problemas ambientais pelo descarte impr\u00f3prio de \u00f3leo de fritura\u201d.<\/span><\/p>\n

Reportagem: Tainara Liesenfeld<\/span><\/p>\n

Fotografia: Rafael Happke<\/span><\/p>\n

Ilustra\u00e7\u00e3o: Pollyana Santoro e Juliana Krupahtz<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

UFSM avan\u00e7a nas pesquisas e na produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":3805,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1523],"tags":[900,634,902,904,906],"class_list":["post-3742","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia","tag-biocombustivel","tag-biodiesel","tag-colegio-politecnico","tag-energia","tag-etanol"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3742"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3742\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3805"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"http:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}