{"id":3847,"date":"2018-07-03T14:09:07","date_gmt":"2018-07-03T17:09:07","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.55bet-pro.com\/arco\/sitenovo\/?p=3847"},"modified":"2021-05-27T12:47:22","modified_gmt":"2021-05-27T15:47:22","slug":"a-saude-bucal-para-alem-da-boca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/a-saude-bucal-para-alem-da-boca","title":{"rendered":"A sa\u00fade bucal para al\u00e9m da boca"},"content":{"rendered":"
Todas as partes do corpo humano est\u00e3o relacionadas – ainda que n\u00e3o percebamos. A sa\u00fade bucal deixou de ser vista como algo isolado, j\u00e1 que estudos e a evolu\u00e7\u00e3o da odontologia demonstram que os cuidados com a boca podem interferir no organismo como um todo. Por mais que a sa\u00fade bucal seja valorizada principalmente pela preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, ela tamb\u00e9m pode ser considerada a porta de entrada para diversas enfermidades, como doen\u00e7as card\u00edacas e pulmonares. \u00a0<\/span><\/p>\n A partir dessas constata\u00e7\u00f5es, a dentista Camila Silveira Sfreddo investiga sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a periodontite e o c\u00e2ncer de mama desde 2011. Esta tem\u00e1tica foi estudada por ela na gradua\u00e7\u00e3o em Odontologia e no <\/span>Mestrado em Ci\u00eancias Odontol\u00f3gicas com \u00eanfase em Periodontia<\/span>, ambos realizados na UFSM. Ap\u00f3s analisar os dados finais, a pesquisadora, que hoje \u00e9 doutoranda pelo mesmo programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, comprovou que mulheres com periodontite t\u00eam at\u00e9 tr\u00eas vezes mais chance de ter c\u00e2ncer de mama.<\/span><\/p>\n Como foi feito o estudo?<\/b><\/p>\n A pesquisa de mestrado de Camila, divulgada em 2014, revelou as informa\u00e7\u00f5es mais recentes sobre a tem\u00e1tica. Realizada em parceria com o Hospital Universit\u00e1rio de Santa Maria (Husm), o estudo contou com a ajuda de quatro pesquisadores, entre eles o orientador de Camila e professor do Departamento de Estomatologia do Centro de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da UFSM, Carlos Heitor Moreira. O professor explica que as mulheres com c\u00e2ncer de mama t\u00eam um hist\u00f3rico maior nos diferentes fatores avaliados: \u201cem todos os crit\u00e9rios que usamos para determinar o n\u00edvel da periodontite, as mulheres com c\u00e2ncer tinham maior severidade da doen\u00e7a periodontal\u201d.<\/span><\/p>\n Para chegar aos resultados, os pesquisadores<\/span> compararam mulheres que j\u00e1 tinham o diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer de mama (denominadas, na pesquisa, como <\/span>casos<\/span><\/i>) com mulheres que n\u00e3o tinham c\u00e2ncer (identificadas como <\/span>controles<\/span><\/i>). Os resultados mostraram que as mulheres com c\u00e2ncer de mama possu\u00edam hist\u00f3rico de destrui\u00e7\u00e3o dos tecidos periodontais maior do que as mulheres <\/span>controle<\/span><\/i>. A partir do exame da condi\u00e7\u00e3o periodontal das participantes, foi feita uma an\u00e1lise de dados. O estudo, que contou com 67 <\/span>casos<\/span><\/i> e 134 <\/span>controles<\/span><\/i>, foi publicado na Community Dentistry and Oral Epidemiology, revista de refer\u00eancia mundial na \u00e1rea de Odontologia, em junho de 2017.<\/span><\/p>\n Segundo Carlos Heitor, para que o estudo fosse o mais ver\u00eddico poss\u00edvel, eles utilizaram exames cl\u00ednicos completos. \u201cN\u00f3s realizamos, do ponto de vista do exame periodontal, o que tem de mais acurado e verdadeiro\u201d, pontua. Todo esse cuidado foi para que a pesquisa pudesse se diferenciar positivamente das feitas anteriormente, fora do Brasil.<\/span><\/p>\n Camila refor\u00e7a, no entanto, que n\u00e3o se pode dizer que a periodontite causa o c\u00e2ncer de mama, pois o tipo de delineamento do estudo n\u00e3o permite que se comprove uma rela\u00e7\u00e3o de causalidade. \u201cPode ser que elas estejam associadas porque compartilham fatores de risco comuns ou porque, na verdade, o tratamento para o c\u00e2ncer e o pr\u00f3prio c\u00e2ncer influencie na sa\u00fade bucal, ent\u00e3o tem essa rela\u00e7\u00e3o inversa tamb\u00e9m\u201d, explica a doutoranda.<\/span><\/p>\n A recomenda\u00e7\u00e3o de Camila \u00e9 para que mulheres com periodontite ou suspeita da doen\u00e7a procurem o atendimento para se tratar e, posteriormente, receber acompanhamento. Isso porque, muitas vezes, a doen\u00e7a periodontal n\u00e3o provoca dor em est\u00e1gios iniciais, e algumas pessoas convivem com ela por anos at\u00e9 perder os dentes \u00a0ou notar que estes eles est\u00e3o trocando de posi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n