{"id":397,"date":"2016-10-27T17:06:26","date_gmt":"2016-10-27T19:06:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/comunicacao\/arco\/2016\/10\/27\/post397\/"},"modified":"2016-10-27T17:06:26","modified_gmt":"2016-10-27T19:06:26","slug":"post397","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/post397","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o acredito na verdade, tudo \u00e9 vol\u00e1til e passageiro\u201d"},"content":{"rendered":"

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Edgar Franco ou Ciberpaj\u00e9? O professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Arte e Cultura Visual da Universidade Federal de Goi\u00e1s n\u00e3o concebe uma separa\u00e7\u00e3o entre as facetas de si mesmo. Desde 2011, quando realizou p\u00f3s-doutorado em Arte e Tecnoci\u00eancia na UnB, declara-se Ciberpaj\u00e9, como explica, \u201catrav\u00e9s de um processo art\u00edstico e m\u00e1gico de transmuta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n

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Edgar cresceu em uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia na cidade de Ituiutaba, Minas Gerais. O pai foi um autodidata, que construiu uma biblioteca particular com cerca de 5 mil volumes, e j\u00e1 lia para o filho de 2 anos hist\u00f3rias em quadrinhos. Com 9 anos, Edgar conheceu a obra do xar\u00e1 Edgar Alan Poe, e, a partir dele, Baudelaire, Robert E. Howard, Guy de Maupassant, al\u00e9m de fil\u00f3sofos como Voltaire, Schopenhauer, Friedrich Nietzsche. Dos quadrinhos, Mozart Couto, Jayme Cortez, Rodolfo Zalla, Nico Rosso, Rubens Lucchetti j\u00e1 eram inspira\u00e7\u00f5es. Durante um per\u00edodo da inf\u00e2ncia, Edgar morou em uma pequena vila, onde teve maior contato com a natureza: caminhava com o pai pelo cerrado e nadava no Rio Tejuco. \u201cMinha inf\u00e2ncia foi marcada pelo desenvolvimento do amor pela natureza e pelas narrativas\u201d, conta. Com 16 anos, j\u00e1 produzindo suas pr\u00f3prias ilustra\u00e7\u00f5es e narrativas visuais, Edgar teve seu primeiro contato com a m\u00fasica. \u201cFascinado pela rebeldia e iconoclastia do heavy metal, comecei meus estudos com o contrabaixo, ao mesmo tempo em que tive contato com o ocultismo, lendo obras de Madame Blavatsky e Teilhard de Chardin\u201d, lembra o artista.<\/span><\/p>\n

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Cursou Arquitetura e Urbanismo na Universidade de Bras\u00edlia e fez o mestrado em Multimeios, na Unicamp. L\u00e1, Edgar pesquisou a linguagem h\u00edbrida das HQs na internet: \u201cPassei esse tempo investigando a linguagem interm\u00eddia que batizei de <\/span>HQtr\u00f4nicas<\/span><\/em>. Criei tamb\u00e9m as minhas pr\u00f3prias <\/span>HQtr\u00f4nicas<\/span><\/em>, realizando uma pesquisa pioneira no mundo, que foi publicada como livro e, em sua segunda edi\u00e7\u00e3o, virou refer\u00eancia no pa\u00eds inteiro\u201d, relata. Foi nesse per\u00edodo que passou a se interessar pelo conceito de p\u00f3s-humano, a ideia de que o corpo pode, um dia, ser substitu\u00eddo pelas m\u00e1quinas. Segundo ele, \u00e9 um pensamento recorrente entre fil\u00f3sofos p\u00f3s-modernos. \u201cAutores como Ray Kurzweil, Hans Moravec, Vernon Vinge, Baudrillard e P.K.Dick; e artistas como Stelarc, Eduardo Kac, Natasha Vita More, Mark Pauline e H.R.Giger, me levaram a criar arte inspirada no p\u00f3s-humano e tamb\u00e9m ao doutorado, feito na Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da USP\u201d, explica. Na tese, \u201cPerspectivas P\u00f3s-humanas nas Ciberartes\u201d, estudou a arte p\u00f3s-humana e a sua pr\u00e1tica construiu o universo ficcional transm\u00eddia que ele chama de <\/span>Aurora P\u00f3s-humana<\/span><\/em>, espa\u00e7o que serve de base para a cria\u00e7\u00e3o de suas obras art\u00edsticas nas mais variadas m\u00eddias: quadrinhos, m\u00fasica, poesia, aforismos, web arte, instala\u00e7\u00f5es interativas, videoclipes, videoarte, <\/span>gamearte<\/span><\/em>, e performances h\u00edbridas.<\/span><\/p>\n

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Sua forma de viver, como diz, tem causado furor nos espa\u00e7os acad\u00eamicos onde convive. A sua vis\u00e3o a respeito da arte e da Academia tamb\u00e9m. A Revista Arco conversou com ele para saber mais sobre a sua trajet\u00f3ria, sobre o personagem que criou e que a ele foi incorporado e sobre as suas produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. <\/span><\/p>\n

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O que \u00e9 o Ciberpaj\u00e9 e por que essa incorpora\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n

A figura do paj\u00e9 \u00e9 fascinante, pois tem a capacidade de se conectar diretamente com a natureza para modificar a realidade. Ela mistura os mundos real e mitol\u00f3gico; consegue reestruturar a realidade mixando esses mundos e \u00e9 algu\u00e9m que busca a cura, a harmonia, o equil\u00edbrio. Eu me espelho no paj\u00e9. Crio mundos ficcionais e tenho utilizado gradativamente esses mundos para modificar a minha realidade. O prefixo ciber, da cibern\u00e9tica, foi agregado ao paj\u00e9 porque denota a conex\u00e3o e troca de informa\u00e7\u00f5es entre seres vivos, mas tamb\u00e9m entre seres vivos e m\u00e1quinas. Ele incorpora as novas possibilidades tecnol\u00f3gicas como um campo amplo para os exerc\u00edcios m\u00e1gicos de conex\u00e3o entre mundos que o ciberpaj\u00e9 promove.<\/span><\/p>\n

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Me declarei Ciberpaj\u00e9 descrevendo o meu renascimento atrav\u00e9s de um ritual que criei, baseado em uma contagem regressiva de dez dias, e dez \u201cchaves da transmuta\u00e7\u00e3o\u201d que criei. Na manh\u00e3 do renascimento, eu compus e gravei um ritual que considero minha declara\u00e7\u00e3o de \u201cCiberpaj\u00e9\u201d. <\/span><\/p>\n

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