{"id":426,"date":"2017-02-17T09:44:58","date_gmt":"2017-02-17T11:44:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/comunicacao\/arco\/2017\/02\/17\/post426\/"},"modified":"2021-05-27T11:11:51","modified_gmt":"2021-05-27T14:11:51","slug":"post426","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/post426","title":{"rendered":"Prote\u00e7\u00e3o e direitos dos animais"},"content":{"rendered":"

\"Foto:<\/span><\/p>\n

A domestica\u00e7\u00e3o de animais \u00e9 parte da hist\u00f3ria da humanidade. At\u00e9 pouco tempo naturalizada, a tem\u00e1tica vem despertando cada vez mais o interesse das pessoas, que passaram a discutir criticamente as rela\u00e7\u00f5es entre homens e animais. At\u00e9 na ci\u00eancia a domestica\u00e7\u00e3o despertou debates, e a antropologia contempor\u00e2nea tem se debru\u00e7ado sobre o assunto partindo do conceito de \u201c<\/span>p\u00f3s-domesticidade<\/span><\/em>\u201d: uma proposta que defende a ideia de que animais passaram a ser reconhecidos como parte da sociedade e, por isso, portadores de direitos, com repercuss\u00f5es em pol\u00edticas p\u00fablicas e na reconfigura\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais em torno deles.<\/span><\/p>\n

O Grupo de Pesquisas \u201cEspelho Animal\u201d, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social da UFRGS, tem discutido essas quest\u00f5es atrav\u00e9s de uma pesquisa que explica as rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem entre mulheres protetoras de animais em ONGs da cidade de Porto Alegre. Leandra Pinto, uma das autoras do estudo, diz que essas pesquisas s\u00e3o emergentes no campo da Antropologia Social, e \u201ct\u00eam se mostrado muito promissoras, considerando o volume de grupos de pesquisa, publica\u00e7\u00f5es e eventos sobre a tem\u00e1tica que t\u00eam sido desenvolvidos na \u00e1rea atualmente\u201d.<\/span><\/p>\n

Uma das quest\u00f5es mais interessantes propostas por estes estudos \u00e9 sobre a posi\u00e7\u00e3o do ser humano nas rela\u00e7\u00f5es com outros seres vivos. De um lado, os protetores de animais entrevistados afirmam que a vida de todos os seres vivos tem o mesmo valor. De outro, defendem que a qualidade de vida dos animais \u00e9 responsabilidade exclusiva dos humanos. Os pesquisadores reconhecem, nesse dilema, tra\u00e7os do pensamento antropoc\u00eantrico – que coloca o homem como centro das rela\u00e7\u00f5es com o universo.<\/span><\/p>\n

O pensamento antropoc\u00eantrico \u00e9, de certa forma, inevit\u00e1vel para os seres humanos que, dotados de consci\u00eancia, possuem a capacidade de intervir na natureza. No entanto, isso n\u00e3o significa que a rela\u00e7\u00e3o homem-bicho necessariamente seja de domina\u00e7\u00e3o, pois ela pode ser de empatia.<\/span><\/p>\n

O debate p\u00f3s-dom\u00e9stico considera a domestica\u00e7\u00e3o como uma rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua de intera\u00e7\u00e3o, onde n\u00e3o s\u00f3 o animal \u00e9 domesticado, mas tamb\u00e9m o homem passa por um processo de adapta\u00e7\u00e3o que o molda. \u201cTrata-se de pensar na domestica\u00e7\u00e3o como um processo de m\u00e3o dupla, por meio do qual humanos e animais est\u00e3o sendo constantemente domesticados\u201d, afirma Leandra.<\/span><\/p>\n

Com quais animais nos preocupamos?<\/strong><\/p>\n

No Brasil, legal e culturalmente, existe uma assimetria na preocupa\u00e7\u00e3o com diferentes tipos de animais. Segundo Leandra Pinto, \u201cconstatamos uma pluralidade de vis\u00f5es e a\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de animais em diversas situa\u00e7\u00f5es de intera\u00e7\u00e3o com seres humanos. De fato, vemos um desequil\u00edbrio entre a preocupa\u00e7\u00e3o com a biodiversidade dom\u00e9stica em detrimento da biodiversidade selvagem\u201d, explica Leandra. Os animais dom\u00e9sticos, principalmente, os c\u00e3es e os gatos, s\u00e3o os campe\u00f5es de iniciativas para seu benef\u00edcio, enquanto animais selvagens e os de produ\u00e7\u00e3o, como bovinos e aves de corte, n\u00e3o causam tanta como\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica. Ainda assim, existem muitas iniciativas que lutam pela quest\u00e3o animal, al\u00e9m dos animais dom\u00e9sticos de companhia, mesmo que sejam menos expressivas do que em outros pa\u00edses.<\/span><\/p>\n

Segundo dados do IBGE, o Brasil tem cerca de 74 milh\u00f5es de c\u00e3es e gatos de estima\u00e7\u00e3o, sendo considerado o segundo maior pa\u00eds do mundo quando se fala em animais de estima\u00e7\u00e3o. Isso gera um forte mercado de produtos e servi\u00e7os para animais, com um faturamento de mais de 21 bilh\u00f5es de reais anuais, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Produtos para Animais de estima\u00e7\u00e3o (Abinpet). Esse mercado leva em conta a produ\u00e7\u00e3o de comida, medicamentos, acess\u00f3rios, produtos de higiene e beleza animal, e at\u00e9 mesmo novas especializa\u00e7\u00f5es em medicina veterin\u00e1ria.<\/span><\/p>\n

Ao mesmo tempo que alguns c\u00e3es e gatos se tornam parte das fam\u00edlias, recebendo aten\u00e7\u00e3o e cuidados especializados, outra grande parcela vive em situa\u00e7\u00e3o de abandono. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), existem, no pa\u00eds, mais de 30 milh\u00f5es de animais vivendo nas ruas. A tentativa de acolhimento desses animais, geralmente realizada em organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais e associa\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o animal, \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o de uma nova moralidade sobre a rela\u00e7\u00e3o com os animais.<\/span><\/p>\n

Animais comunit\u00e1rios: certo ou errado?<\/strong><\/p>\n

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A Lei 13.193\/09 – RS define que <\/span>animais comunit\u00e1rios<\/span><\/em> s\u00e3o aqueles que n\u00e3o t\u00eam um dono definido e que vivem nas ruas. Eles acabam recebendo, de moradores solid\u00e1rios, alguns cuidados como alimenta\u00e7\u00e3o, vacina\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo a esteriliza\u00e7\u00e3o<\/span>. Esses animais n\u00e3o est\u00e3o nem abandonados nem adotados.<\/span><\/p>\n

Quem defende essa pr\u00e1tica afirma que o cuidado coletivo pode ser uma alternativa sustent\u00e1vel para a quest\u00e3o do abandono. Isso porque seria mais f\u00e1cil o animal ser acolhido por uma comunidade – que se transforma, com o tempo, em uma rede de apoio – do que por um indiv\u00edduo ou fam\u00edlia somente.<\/span><\/p>\n

Por outro lado, h\u00e1 quem diga que a “ado\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria” \u00e9 apenas uma situa\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria e que a exist\u00eancia de animais de rua est\u00e1 ligada \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as. J\u00e1 as pessoas da “rede protetora” argumentam que o animal deve estar necessariamente sob responsabilidade de alguma fam\u00edlia humana, pois s\u00f3 assim estaria assegurado, caso aconte\u00e7a alguma fatalidade (atropelamento, doen\u00e7a, machucados, etc.). Al\u00e9m disso \u00e9 importante ressaltar que muitos animais se encontram em situa\u00e7\u00e3o de <\/span>feralidade<\/span><\/em>, ou seja, atacam quando algu\u00e9m tenta se aproximar, por isso nem sempre a ado\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Para esses animais, as ajudas comunit\u00e1rias podem ser mais eficazes do que uma ado\u00e7\u00e3o for\u00e7ada.<\/span><\/p>\n

Rep\u00f3rteres: Jo\u00e3o In\u00e1cio, Ramiro Brites e Vitor Rodriguez
\nFotos: Julia Goulart e Juliana Krupahtz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

Na Antropologia, pesquisas discutem as novas moralidades na rela\u00e7\u00e3o homens e animais<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":929,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1814],"tags":[],"class_list":["post-426","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-humanidades"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/426","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=426"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/426\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/929"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=426"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"http:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}