{"id":463,"date":"2017-05-24T15:46:18","date_gmt":"2017-05-24T18:46:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/comunicacao\/arco\/2017\/05\/24\/post463\/"},"modified":"2021-02-11T16:24:58","modified_gmt":"2021-02-11T19:24:58","slug":"post463","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/post463","title":{"rendered":"N\u00e3o era dos dinossauros"},"content":{"rendered":"
Ainda que os dinossauros sejam os animais mais lembrados quando se fala em Pr\u00e9-Hist\u00f3ria, nosso planeta n\u00e3o era povoado somente por eles. A chamada \u201cera dos Dinossauros\u201d se localiza na Era Mesozoica (251 \u2013 66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, inclui os per\u00edodos Tri\u00e1ssico, Jur\u00e1ssico e Cret\u00e1ceo). Mas ainda que eles tenham surgido e se extinguido nessa era, os dinossauros eram apenas uma variedade dentre a grande diversidade de animais. Os mam\u00edferos e as aves que conhecemos hoje, por exemplo, s\u00e3o descendentes de \u00a0grupos de animais ancestrais que viveram na Era Mesozoica.<\/span><\/p>\n Muitos desses animais, especialmente os que viveram durante o Per\u00edodo Tri\u00e1ssico, possuem parentescos ou liga\u00e7\u00f5es com animais que conhecemos. Por exemplo, os sinapsidas, hoje representados unicamente pelos mam\u00edferos, no Tri\u00e1ssico sul brasileiro eram representados por dois grandes grupos: os dicinodontes, herb\u00edvoros com tamanho e presas grandes, que foram extintos no fim da Era Mesozoica sem deixar descendentes; e os cinodontes, que tinham dentes similares aos de um cachorro e uma varia\u00e7\u00e3o de tamanho entre dez cent\u00edmetros e at\u00e9 dois metros, dos quais os mam\u00edferos atuais descendem.<\/span><\/p>\n Outro grupo de interesse \u00e9 o dos Diapsida, grupo dos r\u00e9pteis, que al\u00e9m de conter os r\u00e9pteis atuais tamb\u00e9m inclu\u00eda o grande subgrupo dos Arcossauros. Nele, estavam os pterossauros (r\u00e9pteis voadores), os crocodilianos e os dinossauros – dos quais descenderam as aves. Podemos perceber que os dinossauros ocupam um pequeno espa\u00e7o na grande cadeia de animais da Era Mesozoica. <\/span><\/p>\n A pesquisadora Ane Elise Branco Pavanatto, integrante do Centro de Apoio \u00e0 Pesquisa Paleontol\u00f3gica da Quarta Col\u00f4nia (CAPPA\/UFSM), dedicou sua pesquisa de mestrado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biodiversidade Animal ao estudo de f\u00f3sseis de cinodonte. A esp\u00e9cie estudada, <\/span>Massetognathus ochagaviae, <\/span><\/em>\u00e9<\/span> comumente encontrada no Tri\u00e1ssico do sul do Brasil.<\/span><\/p>\n O <\/span>Massetognathus ochagaviae<\/span><\/em> pertence a fam\u00edlia Traversodontidae, a mais diversificada dentre as fam\u00edlias de cinodontes. Al\u00e9m do sul do Brasil, os f\u00f3sseis do g\u00eanero <\/span>Massetognathus<\/span><\/em> j\u00e1 foram encontrados na Argentina e remetem ao Tri\u00e1ssico M\u00e9dio – \u00e9poca de idade intermedi\u00e1ria do per\u00edodo. Seu nome tem refer\u00eancia do Grego e remete ao poder de mastiga\u00e7\u00e3o de sua mand\u00edbula. A pesquisa de Ane Elise identifica e apresenta informa\u00e7\u00f5es sobre novos materiais, como fragmento de cr\u00e2nio, alguns dentes e ossos do esqueleto p\u00f3s-craniano, como v\u00e9rtebras, costelas, \u00famero e f\u00eamur. A descri\u00e7\u00e3o desses f\u00f3sseis contribui para o estudo sobre a esp\u00e9cie, j\u00e1 que possibilita um maior conhecimento sobre o <\/span>Massetognathus ochagaviae<\/span><\/em> que at\u00e9 ent\u00e3o tinha poucas caracter\u00edsticas identificadas, para o Tri\u00e1ssico do Rio Grande do Sul.<\/span><\/p>\n \u00a0Os f\u00f3sseis do Tri\u00e1ssico no Sul do Brasil <\/strong><\/p>\n Os f\u00f3sseis de animais do per\u00edodo Tri\u00e1ssico encontrados no Rio Grande do Sul s\u00e3o similares aos encontrados no sul da \u00c1frica e na Argentina. O Per\u00edodo Tri\u00e1ssico do Rio Grande do Sul se destaca por conter o registro f\u00f3ssil de dois grandes eventos evolutivos: a origem dos primeiros dinossauros e dos mam\u00edferos. Segundo pesquisas, um grupo de pequenos cinodontes encontrados aqui, os Brasilodontes, possuem dentre todos os cinodontes caracter\u00edsticas anat\u00f4micas que os identificam como os ancestrais mais pr\u00f3ximos dos mam\u00edferos. Durante a Era Mesozoica, os primeiros mam\u00edferos tinham uma m\u00e9dia muito pequena de tamanho, viviam em tocas e tinham h\u00e1bito noturno – e provavelmente eram presas de r\u00e9pteis de grande porte, como os dinossauros. No fim do Per\u00edodo Tri\u00e1ssico e in\u00edcio do Per\u00edodo Jur\u00e1ssico, o grande continente chamado Pangeia, que existia ent\u00e3o, come\u00e7ou a ser dividido e no fim do Per\u00edodo Cret\u00e1ceo houve a famosa extin\u00e7\u00e3o em massa que culminou com a extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros. Com o fim desses \u00a0grandes r\u00e9pteis, os ent\u00e3o pequenos mam\u00edferos se desenvolveram, aumentaram de tamanho e ocuparam o planeta.<\/span><\/p>\n A pesquisadora Ane Elise Branco Pavanatto continuou os estudos sobre cinodontes no Doutorado em Biodiversidade Animal na UFSM. \u201cMeu objetivo era estudar uma esp\u00e9cie de cinodonte do Tri\u00e1ssico muito comum aqui na Regi\u00e3o Central do Rio Grande do Sul, o <\/span>Exaeretodon<\/span><\/em>. Mas no meio de v\u00e1rios materiais coletados, notamos alguns materiais que apresentavam algumas caracter\u00edsticas um pouco diferentes do observado em \u00a0<\/span>Exaeretodon<\/span><\/em> e isso nos levou a especular sobre a presen\u00e7a de uma nova esp\u00e9cie\u201d, explica Ane. A conforma\u00e7\u00e3o desses resultados dependem de an\u00e1lises detalhadas e do cruzamento de informa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a f\u00f3sseis j\u00e1 identificados no Brasil e na Argentina.<\/span><\/span><\/p>\n