{"id":6240,"date":"2020-07-16T10:07:02","date_gmt":"2020-07-16T13:07:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/?p=6240"},"modified":"2021-05-24T17:26:18","modified_gmt":"2021-05-24T20:26:18","slug":"isso-e-fake-news","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/isso-e-fake-news","title":{"rendered":"Isso \u00e9 fake news"},"content":{"rendered":"\t\t
\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\tElas est\u00e3o por toda a parte: na publica\u00e7\u00e3o no Facebook, na mensagem encaminhada pelo grupo do Whatsapp, no boca-a-boca. N\u00e3o h\u00e1 quem n\u00e3o tenha recebido ou compartilhado – mesmo sem inten\u00e7\u00e3o – alguma fake news.\u00a0<\/p>
Uma pesquisa publicada pelo\u00a0Centro para a Inova\u00e7\u00e3o em Governan\u00e7a Internacional, em junho de 2019, mostrou que as not\u00edcias falsas j\u00e1 foram ditas como verdadeiras por 86% dos usu\u00e1rios de internet entrevistados. Al\u00e9m disso, t\u00eam 70% mais chance de serem compartilhadas do que as verdadeiras. A comprova\u00e7\u00e3o veio nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais brasileiras de 2018: boatos foram compartilhados pelo menos 3,84 milh\u00f5es de vezes nos quatro meses que antecederam a vota\u00e7\u00e3o, conforme a ag\u00eancia de checagem Aos Fatos.\u00a0<\/p>
Apesar de ser corriqueiramente entendida como not\u00edcia falsa, a defini\u00e7\u00e3o de\u00a0fake news<\/i>\u00a0\u00e9 incompleta e amb\u00edgua. \u201cSe analisarmos a no\u00e7\u00e3o de fake news que a m\u00eddia e a sociedade em geral costumam utilizar, encontramos ali um caldeir\u00e3o de diversos fen\u00f4menos sociais e comunicativos diferentes\u201d, pontua o professor de Jornalismo na Universidade Franciscana (UFN),\u00a0Iuri Lammel, mestre em Comunica\u00e7\u00e3o Midi\u00e1tica pela UFSM. Para ele, a explica\u00e7\u00e3o mais adequada \u00e9 a do dicion\u00e1rio ingl\u00eas Cambridge, que entende as\u00a0fake news<\/i>\u00a0como “hist\u00f3rias falsas que parecem ser not\u00edcias e s\u00e3o difundidas na internet ou em outros meios, criadas para influenciar opini\u00f5es pol\u00edticas ou como piada”.<\/p>
As informa\u00e7\u00f5es falsas existem desde que os humanos passaram a usar a linguagem formal para se comunicar. J\u00e1 as not\u00edcias deliberadamente falsas, difundidas para fins de influ\u00eancia pol\u00edtica e manipula\u00e7\u00e3o, s\u00e3o mais recentes – ainda que datem de s\u00e9culos atr\u00e1s. Entretanto, foi com a expans\u00e3o da internet e, em especial, com redes sociais, que as fake news passaram a se disseminar com velocidade e tomaram propor\u00e7\u00f5es mundiais.\u00a0<\/p>
Segundo o professor\u00a0Iuri, aliado \u00e0 ascens\u00e3o das redes sociais, existe um fator que motiva a dissemina\u00e7\u00e3o de fake news: o fen\u00f4meno global da\u00a0polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que \u201cserve como combust\u00edvel para fazer essa infraestrutura toda funcionar a todo o vapor, principalmente em per\u00edodo eleitoral, em que eleitores tentam vencer as disputas ideol\u00f3gicas travadas nas redes sociais e nos aplicativos de mensagem\u201d.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t A discuss\u00e3o sobre <\/span>fake news<\/span><\/i> tamb\u00e9m \u00e9 pol\u00edtica. Um estudo realizado pela Universidade de Oxford mostrou um aumento exponencial no n\u00famero de na\u00e7\u00f5es cuja estrat\u00e9gia para governar passa pela divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas. Foram 70 pa\u00edses que fizeram uso das informa\u00e7\u00f5es falsas para obter vantagem frente \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o. No Vietn\u00e3, por exemplo, cidad\u00e3os foram alistados para fazer postagens pr\u00f3-governo em suas p\u00e1ginas pessoais de <\/span>Facebook<\/span><\/i>. J\u00e1 o governo da Guatemala usou contas roubadas e hackeadas para silenciar opini\u00f5es dissidentes. E o partido no comando da Eti\u00f3pia contratou pessoas para influenciar, a seu favor, conversas em redes sociais. Assim, \u00e9 comum que as <\/span>fake news<\/span><\/i> sejam associadas como uma caracter\u00edstica de algum dos espectros pol\u00edticos: direita ou esquerda.<\/span><\/p> Para o professor Iuri Lammel, o fen\u00f4meno das informa\u00e7\u00f5es falsas tem um lado pol\u00edtico. \u201cNa hist\u00f3ria, percebo que ambos os lados do espectro pol\u00edtico utilizaram da estrat\u00e9gia de produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es distorcidas e falsas com o intuito de atacar desafetos pol\u00edticos e de manipular a opini\u00e3o p\u00fablica\u201d, conta.<\/span><\/p> No Brasil, ele lembra da \u00e9poca dos governos Lula e Dilma, onde observou o surgimento de diversos <\/span>sites <\/span><\/i>e <\/span>blogs <\/span><\/i>especializados em reeditar mat\u00e9rias publicadas na imprensa, com o objetivo de refor\u00e7ar um dos lados. Geralmente, n\u00e3o era realizado o trabalho de apura\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica esperado. \u201cAtualmente, eu n\u00e3o tenho nenhuma d\u00favida de que a enorme maioria dos produtores e propagadores de not\u00edcias falsas s\u00e3o ligados a movimentos de direita, tanto no Brasil quanto no resto dos pa\u00edses. \u00c9 um fen\u00f4meno global\u201d, explica o professor.<\/span><\/p> Assim, Iuri apresenta uma das hip\u00f3teses que desenvolveu. Para ele, a recente eclos\u00e3o das for\u00e7as e movimentos de direita no mundo coincidiu com o aumento da estrutura de produ\u00e7\u00e3o e propaga\u00e7\u00e3o automatizada de informa\u00e7\u00f5es, tais como os rob\u00f4s e servi\u00e7os de intelig\u00eancia artificial que, ao se associarem a financiamentos privados de organiza\u00e7\u00f5es da direita, que possuem interesses tamb\u00e9m privados e n\u00e3o compromissados com o p\u00fablico, tornaram a m\u00e1quina de<\/span> fake news<\/span><\/i> mais eficiente e “profissional”. Ou seja, cada vez mais parecidas com not\u00edcias verdadeiras. Por\u00e9m, o professor refor\u00e7a que a estrat\u00e9gia das informa\u00e7\u00f5es falsas n\u00e3o \u00e9 monop\u00f3lio de nenhum dos dois lados.\u00a0<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t Em 2016, a Elei\u00e7\u00e3o presidencial nos Estados Unidos foi pauta constante no jornalismo. Durante a campanha, o ent\u00e3o candidato – e hoje presidente – Donald Trump acusou o <\/span>The New York Times<\/span><\/i> de produzir not\u00edcias falsas para prejudic\u00e1-lo. <\/span>\u201cYou\u00b4re fake news\u201d<\/span><\/i>, foi a express\u00e3o utilizada.\u00a0<\/span><\/p> De l\u00e1 para c\u00e1, segundo a jornalista e mestranda do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da UFSM Kauane M\u00fcller, o termo foi extremamente popularizado e trouxe implica\u00e7\u00f5es para o jornalismo. \u201cEssa declara\u00e7\u00e3o deu a entender que a imprensa \u00e9 quem produz not\u00edcias falsas e, mais, n\u00e3o s\u00f3 produz mas ela em si \u00e9 a mentira\u201d, declara. Para ela, assim, se intensifica o problema da credibilidade j\u00e1 enfrentado pelo jornalismo, pois, desde 2008, a imprensa \u00e9 afetada pela crise mundial do capitalismo financeiro. \u201cEm um contexto mais amplo, as pessoas j\u00e1 vinham diminuindo a confian\u00e7a no jornalismo ao longo do tempo, como apontam pesquisas do LatinoBar\u00f3metro, medidor de opini\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, e isso tem outras implica\u00e7\u00f5es\u201d, postula.<\/span><\/p> \u00a0Para Kauane, apesar do cen\u00e1rio da desinforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser responsabilidade somente do jornalismo, existem quest\u00f5es problem\u00e1ticas, como a qualidade da informa\u00e7\u00e3o que, devido \u00e0 crise financeira vivida por diversos ve\u00edculos, pode ser questionada. Um exemplo, s\u00e3o as famosas \u201cbarrigadas\u201d, termo jornal\u00edstico de quando o ve\u00edculo oferece uma informa\u00e7\u00e3o com erros graves.<\/span><\/p> O professor Iuri Lammel diz n\u00e3o ser poss\u00edvel afirmar de maneira categ\u00f3rica que a alta dissemina\u00e7\u00e3o de<\/span> fake news<\/span><\/i> acontece devido a falhas no jornalismo. Mas, acredita que, nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, com o surgimento desse ecossistema da informa\u00e7\u00e3o digital, os profissionais que trabalham com a media\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es na sociedade perderam muita for\u00e7a, poder e influ\u00eancia.<\/span><\/p> \u201cEntre as consequ\u00eancias est\u00e1 o enfraquecimento do pr\u00f3prio jornalismo. Quando os cidad\u00e3os diminuem drasticamente a rotina de consumo de informa\u00e7\u00f5es elaboradas por profissionais guiados por uma deontologia, esses cidad\u00e3os ficam mais suscet\u00edveis \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o\u201d, postula Iuri. Logo, \u00e9 arriscado atribuir a culpa apenas ao jornalismo, visto que o crescimento dr\u00e1stico de <\/span>fake news<\/span><\/i> \u00e9 um fen\u00f4meno complexo, com v\u00e1rias causas, principalmente devido ao cen\u00e1rio de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.\u00a0<\/span><\/p> Tamb\u00e9m \u00e9 a partir das <\/span>fake news<\/span><\/i> que uma s\u00e9rie de ataques \u00e0 imprensa tem acontecido. O intuito \u00e9 de desacreditar no trabalho profissional da imprensa, assim, Iuri afirma a import\u00e2ncia dos comunicadores deixarem expl\u00edcito o processo de apura\u00e7\u00e3o. \u201cPodemos indicar, por exemplo, as fontes entrevistadas, a origem dos documentos consultados, as condi\u00e7\u00f5es do trabalho realizado, a fim de trazer mais clareza e minimizar ataques de descr\u00e9dito\u201d. Al\u00e9m disso, o jornalista defende que os comunicadores trabalhem ativamente na luta contra a desinforma\u00e7\u00e3o ao apurarem <\/span>fake news<\/span><\/i> ostensivamente propagasse.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t O cen\u00e1rio de populariza\u00e7\u00e3o das <\/span>fake news<\/span><\/i> e da crescente desinforma\u00e7\u00e3o fez com que, dentro do jornalismo, alternativas fossem pensadas para transformar a situa\u00e7\u00e3o. Assim, come\u00e7aram a surgir ag\u00eancias e plataformas de checagem. No contexto brasileiro, s\u00e3o tr\u00eas as organiza\u00e7\u00f5es signat\u00e1rias do\u00a0<\/span>Internacional Fact-checking Network (IFCN)<\/a>, rede internacional de checadores: Aos Fatos, Lupa e Estad\u00e3o Verifica.\u00a0\u00a0<\/span><\/p> Devido \u00e0s not\u00edcias falsas estarem diretamente relacionada \u00e0 pol\u00edtica, algumas plataformas de checagem, como\u00a0<\/span>Aos Fatos<\/a>, destinam seus esfor\u00e7os \u00e0 checagem de discursos de pol\u00edticos. Com bases no Rio de Janeiro e em S\u00e3o Paulo, a ag\u00eancia existe desde 2015 e tem como miss\u00e3o a \u201cbusca da verdade, checamos o que h\u00e1 de mais controverso no mundo da pol\u00edtica\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t O rep\u00f3rter de Aos Fatos, Luiz Fernando Menezes, come\u00e7ou a atuar na organiza\u00e7\u00e3o a partir da checagem de falas de pol\u00edticos, como Michel Temer, e, em 2018, intensificou a checagem devido \u00e0 elei\u00e7\u00e3o presidencial. Para Luiz Fernando, o trabalho que desenvolve como checador \u00e9 bastante importante: \u201ccom essa ferramenta conseguimos levar a checagem para as pessoas que compartilharam a not\u00edcia falsa, por exemplo, e oferecemos a possibilidade dela rever o que naquela informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 verdadeiro\u201d, conta. Al\u00e9m disso, refor\u00e7a a import\u00e2ncia de trabalhar no sentido de combater as <\/span>fake news<\/i>. \u201cA checagem se torna importante at\u00e9 para o debate p\u00fablico, que acaba muito prejudicado com as not\u00edcias falsas. Em um debate democr\u00e1tico n\u00e3o se pode e n\u00e3o se deve usar dados lidos em uma <\/span>fake news<\/i>, por exemplo\u201d.<\/span><\/p> A mestranda Kauane M\u00fcller pesquisa sobre as tr\u00eas plataformas brasileiras de checagem que s\u00e3o certificadas pela IFCN. Na disserta\u00e7\u00e3o, a jornalista trabalha a partir de dois eixos: primeiro, busca entender a pr\u00e1tica dos jornalistas nessas plataformas de checagem, as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, as especificidades, o contrato de trabalho e a rotina produtiva; segundo, eixo central da pesquisa, estuda as estrat\u00e9gias que as organiza\u00e7\u00f5es de checagem usam para manter o jornalismo como uma institui\u00e7\u00e3o relevante para a sociedade, a partir da ideia de crise do jornalismo, sem deixar de lado o contexto maior de crise do capitalismo. Assim, ela procura responder como, a partir das plataformas de checagem, o jornalismo busca resolver e se legitimar frente \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o. <\/p>\n
\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\tDireita ou esquerda?<\/h3>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
Culpa do jornalismo?<\/h3>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
Checagem de fatos<\/h3>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
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