{"id":6284,"date":"2020-10-29T10:32:04","date_gmt":"2020-10-29T13:32:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/?p=6284"},"modified":"2021-02-12T11:57:11","modified_gmt":"2021-02-12T14:57:11","slug":"porque-sentimos-medo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/porque-sentimos-medo","title":{"rendered":"Psicologia do medo"},"content":{"rendered":"\t\t
Outubro: o m\u00eas do Halloween. \u00c9 nesse per\u00edodo que entusiastas de obras aterrorizantes encontram um motivo a mais para apreciarem as narrativas que exploram o sombrio. Sejam os<\/span> cl\u00e1ssicos ou as novas produ\u00e7\u00f5es, os filmes de terror provocam curiosidade e despertam sentimentos que nos deixam na beira da poltrona. A principal das sensa\u00e7\u00f5es provocadas \u00e9 o <\/span>medo<\/b>.<\/span><\/p> Mas afinal, por que o sentimos? E como as narrativas de terror exploram as suas mais diversas facetas?<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t O medo \u00e9 basicamente a maneira que o corpo encontra de nos preparar para algo que nos represente amea\u00e7a ou perigo. Quando somos confrontados com uma situa\u00e7\u00e3o como esta, o c\u00e9rebro envia para o corpo sinais que buscam maximizar as chances de sobreviv\u00eancia. As partes do c\u00e9rebro respons\u00e1veis por essa rea\u00e7\u00e3o s\u00e3o, principalmente, a am\u00edgdala \u2013 que faz parte do sistema l\u00edmbico, onde, por exemplo, processamos as emo\u00e7\u00f5es \u2013 e o c\u00f3rtex frontal \u2013 a parte do c\u00e9rebro que trabalha, entre outras coisas, com a resolu\u00e7\u00e3o de problemas e com o controle de impulsos.\u00a0<\/span><\/p> Visto isso, vale lembrar que os sinais sensoriais chegam mais r\u00e1pido na am\u00edgdala \u2013 que aciona o p\u00e2nico e produz uma resposta \u201cinstintiva\u201d.\u00a0 Isso explica o motivo de \u00e0s vezes nos assustarmos de in\u00edcio e, ap\u00f3s a mensagem chegar ao c\u00f3rtex frontal, local que promove o pensamento consciente e racional, percebemos que o que antes nos representou uma amea\u00e7a, n\u00e3o necessariamente era uma.<\/span><\/p> Nesses momentos de estresse, o c\u00e9rebro libera horm\u00f4nios qu\u00edmicos \u2013 a adrenalina e o cortisol \u2013 na corrente sangu\u00ednea. Assim, reagimos de maneira fisiol\u00f3gica: h\u00e1 um aumento da press\u00e3o sangu\u00ednea, da frequ\u00eancia respirat\u00f3ria e dos batimentos card\u00edacos, al\u00e9m da pupila dilatar e os pelos se arrepiarem. No caso do medo, essas altera\u00e7\u00f5es buscam aumentar as chances de sucesso num poss\u00edvel confronto com a amea\u00e7a, j\u00e1 que nesse contexto, existem apenas duas rea\u00e7\u00f5es: lutar ou fugir.<\/span><\/p> Por\u00e9m, respostas f\u00edsicas como a dilata\u00e7\u00e3o da pupila e a acelera\u00e7\u00e3o dos batimentos card\u00edacos tamb\u00e9m acontecem em outros momentos, como por exemplo ao vermos a pessoa amada. \u00c9 por isso que, segundo o professor de Ci\u00eancias Sociais da UFSM e doutor em sociologia, Francis de Almeida, ao tratarmos do medo al\u00e9m da \u00f3ptica de \u201crea\u00e7\u00e3o\u201d autom\u00e1tica, ele se caracteriza como uma emo\u00e7\u00e3o provocada por uma percep\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p> Assim, o professor explica que existe um debate entre duas linhas principais: a naturalista \u2013 que pensa no medo como manifesta\u00e7\u00e3o universal entre seres humanos \u2013 e a culturalista \u2013 que considera as varia\u00e7\u00f5es que decorrem dos diferentes valores perceptivos de cada um. \u201cA naturalista diria: h\u00e1 elementos que s\u00e3o universalmente produtores de rea\u00e7\u00f5es de medo. Enquanto a culturalista diria: aquilo que \u00e9 percebido como objeto causador de medo varia hist\u00f3rica e culturalmente de acordo com o estoque cultural daquela pessoa.\u201d<\/span><\/p> A segunda concep\u00e7\u00e3o justifica a principal diferen\u00e7a entre o medo humano e o medo animal: n\u00f3s, humanos, n\u00e3o tememos as mesmas coisas. Isso porque o medo \u00e9 causado pela percep\u00e7\u00e3o que temos de objetos e contextos \u2013 a qual seria subjetiva, baseada nas intera\u00e7\u00f5es que estabelecemos com o desenvolvimento pessoal e a estrutura social e simb\u00f3lica na qual estamos inseridos. Francis lembra que um exemplo disso seria o fato de algumas pessoas se sentirem confort\u00e1veis em assistir filmes de terror do subg\u00eanero \u201cgore\u201d \u2013 caracterizado pelas representa\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas de sangue e viol\u00eancia \u2013, enquanto outras n\u00e3o.<\/span><\/p> A subjetividade de nossas percep\u00e7\u00f5es, explica o professor, tamb\u00e9m se relaciona com o fato de est\u00edmulos externos percebidos como amea\u00e7adores e produtores medo, n\u00e3o necessariamente serem amea\u00e7as reais. Por\u00e9m, se n\u00e3o formos considerar o medo como uma manifesta\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica, em certas propor\u00e7\u00f5es ele \u00e9 necess\u00e1rio para a prote\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie \u2013 na medida que pode nos alertar para situa\u00e7\u00f5es de perigo e assim, as evitar.\u00a0<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t J\u00e1 entendemos que apesar de natural para todas as esp\u00e9cies, o medo pode ser algo extremamente relacionado com a subjetividade e com aspectos culturais humanos. Mas como essa premissa se adapta \u00e0s narrativas ficcionais? E afinal, o que o que faz uma s\u00e9rie ou um filme de terror serem bons? <\/span>Stephen King<\/span><\/a>, aclamado escritor norte-americano do g\u00eanero, tem uma teoria sobre isso.<\/span><\/p> O autor, que conta com um acervo de mais de 60 romances e de 200 contos, recebeu a Medalha de Eminente Contribui\u00e7\u00e3o \u00e0s Letras Americanas da <\/span>National Book Foundation<\/span><\/a> em 2003. Ele escreveu cl\u00e1ssicos do <\/span>terror<\/span> como \u201c<\/span>Carrie, a estranha<\/span><\/a>\u201d, \u201c<\/span>O Iluminado<\/span><\/a>\u201d e \u201c<\/span>It \u2013 a coisa<\/span><\/a>\u201d, os quais foram posteriormente adaptados para as telas de cinema \u2013 e fazem parte das mais de 100 adapta\u00e7\u00f5es feitas das obras de King. Segundo ele, existem tr\u00eas n\u00edveis a serem aplicados em uma narrativa do g\u00eanero: a repulsa, o horror e o terror.<\/span><\/p> A repulsa \u00e9 o n\u00edvel mais b\u00e1sico e busca infiltrar o sentimento de medo a partir do nojo, ao causar aos espectadores a reagirem fisicamente. Segundo a psic\u00f3loga e mestranda em Psicologia pela UFSM, Bruna Schmitz, apesar da repulsa e o medo n\u00e3o serem correspondentes biologicamente, a sua rela\u00e7\u00e3o \u00e9 um exemplo de porque temos \u201cmedo\u201d de insetos: \u201cO objetivo do medo \u00e9 nos preparar para lutar ou fugir de situa\u00e7\u00f5es de perigo. O nojo, por sua vez, cumpre o papel de nos afastar de objetos, alimentos, cheiros, entre outros; que possam ser danosos para o corpo de alguma forma. Assim, faz sentido que, ao sentirmos nojo, tamb\u00e9m possamos sentir medo, pois o primeiro pode levar ao segundo, uma vez que tamb\u00e9m p\u00f5e em risco nossa sobreviv\u00eancia\u201d.<\/span><\/p> O horror \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o do inacredit\u00e1vel ou do imposs\u00edvel \u2013 ao fazer com que os espectadores reajam \u00e0 anormalidade do que presenciam. Nesse sentido, a psic\u00f3loga diz que \u00e9 justamente a falta de conhecimento sobre o objeto que nos aterroriza, ao nos sentirmos despreparados para lidar com a situa\u00e7\u00e3o: \u201cN\u00e3o sabemos quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas do \u2018monstro\u2019 ou \u2018entidade do mal\u2019 escondida nas sombras, e com isso nos mantemos sempre preparados para lutar ou fugir desse poss\u00edvel risco. O desconhecido, estranho ou anormal \u00e9 o que faz o c\u00e9rebro se manter alerta e preparado para se proteger.\u201d<\/span><\/p> Por fim, o terror \u00e9 o elemento utilizado em momentos de suspense, quando se induz o medo pela imagina\u00e7\u00e3o \u2013 ao se brincar com a falta de informa\u00e7\u00e3o sobre o contexto. Um exemplo disso \u00e9 o medo de escuro. Para Bruna, \u201cAo deixarmos de ver o rosto de algu\u00e9m, ou de poder enxergar o ambiente a nossa volta, ou de n\u00e3o saber o que acontecer\u00e1 a seguir, o c\u00e9rebro ir\u00e1 propor diferentes cen\u00e1rios poss\u00edveis para que nos preparemos. Assim, a falta de informa\u00e7\u00f5es sobre o meio nos faz estarmos preparados para lutar ou fugir de poss\u00edveis amea\u00e7as, que podem nem estar l\u00e1.\u201d<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t Essa cita\u00e7\u00e3o de King representa o \u00faltimo aspecto que pode explicar o porqu\u00ea de suas narrativas de terror serem t\u00e3o implac\u00e1veis: suas obras abrangem n\u00e3o apenas monstruosidades, mas tamb\u00e9m aspectos de nossas vidas cotidianas. Muito semelhante a ele nesse processo, H. P Lovecraft, autor estadunidense que revolucionou a escrita de terror no in\u00edcio do s\u00e9culo 19, trazia em suas obras \u2013 marcadas pela fantasia e pela fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u2013 monstros que eram met\u00e1foras para seus medos reais, como o desenvolvimento tecnol\u00f3gico.<\/span><\/p> Apesar de King tamb\u00e9m explorar os medos mais individuais \u2013 baseados em fobias -, eles atingem apenas um p\u00fablico mais seleto, enquanto tratar sobre os medos da sociedade em geral \u00e9 o que d\u00e1 \u00e0s suas narrativas um toque especial. Segundo a an\u00e1lise feita pelo canal do YouTube \u201c<\/span>Insider<\/span><\/a>\u201d, um exemplo disso seria \u201cO Iluminado\u201d, que explora os contextos patriarcais da sociedade americana da \u00e9poca.\u00a0<\/span><\/p> A verdade \u00e9 que diversas produ\u00e7\u00f5es do g\u00eanero de terror acabam por ser extremamente bem sucedidas no mercado. O cinematogr\u00e1fico, por exemplo, conta com a maior <\/span>bilheteria<\/span><\/a> de 700,4 milh\u00f5es de d\u00f3lares, com a <\/span>vers\u00e3o de 2017<\/span><\/a> de \u201cIt: A coisa\u201d. Mas o nosso interesse por elas poderia significar que gostamos de sentir medo?<\/span><\/p> Segundo a psic\u00f3loga Bruna, ainda que n\u00e3o gostemos de sentir medo – ele nos proporciona altos n\u00edveis de estresse – depois de um grande susto ou no final de narrativas marcada por eles, nosso c\u00e9rebro recebe uma grande dose de endorfina, que causa sensa\u00e7\u00e3o de relaxamento. \u201cUma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que essa endorfina “p\u00f3s-medo” faz com que as pessoas se sintam atra\u00eddas por narrativas desse tipo, e queiram repetir a experi\u00eancia. Outra poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o \u00e9 de que, enquanto estamos com medo, nosso foco principal \u00e9 processar e avaliar os est\u00edmulos envolvendo essa resposta, o que \u2018bloqueia\u2019 outros pensamentos e \u2018preocupa\u00e7\u00f5es\u2019 menos relevantes para a sobreviv\u00eancia. Nesse caso, se voc\u00ea estava ruminando pensamentos sobre uma briga com um amigo, mas agora est\u00e1 imerso em uma narrativa de fuga de um <\/span>serial killer<\/span><\/i>, seu foco atencional ser\u00e1 todo dirigido para esse \u00faltimo tema. Por isso, \u00e9 comum pessoas \u2018se sentirem menos preocupadas\u2019 depois de um filme ou livro de terror.\u201d<\/span><\/p> Embora a exist\u00eancia do medo se relacione diretamente com a import\u00e2ncia que n\u00f3s – e a sociedade em que vivemos – damos a ele, uma narrativa complexa e detalhada tem mais possibilidades de envolver e, assim, afetar os espectadores. Por isso, quase esquecemos que n\u00e3o somos n\u00f3s ao fugir de um assassino ou desbravar uma casa mal assombrada. De qualquer maneira, sentimos como se fosse.\u00a0<\/span><\/p>
\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\tSitua\u00e7\u00f5es de arrepiar<\/b><\/h3>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\tStephen King e os tr\u00eas n\u00edveis do horror<\/b><\/h3>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
Hist\u00f3rias implac\u00e1veis\u00a0<\/strong><\/h3>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
\u201cN\u00e3o \u00e9 necessariamente a aberra\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou mental que nos aterroriza, mas a falta de sentido e ordem que essas anormalidades podem apresentar\u201d \u2013 Stephen King<\/i><\/h4>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t