{"id":6427,"date":"2021-06-14T11:40:06","date_gmt":"2021-06-14T14:40:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/?p=6427"},"modified":"2021-06-14T11:50:32","modified_gmt":"2021-06-14T14:50:32","slug":"mediacao-no-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/mediacao-no-seculo-xxi","title":{"rendered":"Media\u00e7\u00e3o no S\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"\t\t
\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\tO jornalismo \u00e9 respons\u00e1vel por parte daquilo que se pensa da cultura em sociedade e sua pr\u00e1tica se aproxima do que faz o cientista. Tanto os jornalistas quanto os cientistas se baseiam em fatos. Apesar da similaridade, a professora do Departamento de Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM\/FW) Luciana Carvalho explica que esses profissionais t\u00eam crit\u00e9rios e padr\u00f5es de condutas pr\u00f3prios e distintos, o que faz com que seus trabalhos tenham efeitos diferentes na sociedade. Ela afirma que, diferentemente dos cientistas, o jornalista se relaciona, antes de tudo, com o p\u00fablico e a necessidade primordial de comunicar.\u00a0<\/span><\/p> Outra e, talvez, uma das maiores diferen\u00e7as entre cientistas e jornalistas \u00e9 o uso da linguagem. \u201cN\u00e3o se trata de ser melhor ou pior, mas diferente\u201d, pondera Luciana. Segundo a professora, assim como a ci\u00eancia, o jornalismo funciona como processo de constru\u00e7\u00e3o de conhecimento. \u201cO jornalismo, ao construir narrativas sobre o mundo, tamb\u00e9m faz parte da cultura, principalmente se adotarmos a perspectiva da constru\u00e7\u00e3o social da realidade, pela qual compreendemos que as not\u00edcias s\u00e3o resultado de agenciamentos entre a cultura profissional, os fatos, as quest\u00f5es empresariais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas\u201d, esclarece.\u00a0<\/span><\/p> Mesmo com bases pr\u00e1ticas de investiga\u00e7\u00e3o e de checagem de dados e informa\u00e7\u00f5es, tornou-se cada vez mais comum encontrar posicionamentos contr\u00e1rios aos trabalhos dos jornalistas e dos cientistas, principalmente nas redes sociais. O cuidado nos resultados disponibilizados \u00e0 sociedade n\u00e3o isenta o jornalismo e a ci\u00eancia de carregarem consigo uma verdade provis\u00f3ria. \u201cSabemos que n\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica verdade e que, por mais que dela cheguemos perto, nunca a alcan\u00e7aremos por inteiro\u201d, acentua Luciana.\u00a0<\/span><\/p> Diante de tantos contrapontos, da nega\u00e7\u00e3o do aquecimento global e da propaga\u00e7\u00e3o de que as vacinas s\u00e3o estrat\u00e9gias de redu\u00e7\u00e3o populacional ou que causam doen\u00e7as, a ci\u00eancia e o jornalismo enfrentam o mesmo problema, a falta de credibilidade. \u201cRecentemente, temos visto emergir um cen\u00e1rio de p\u00f3s-verdade, em que o conhecimento cient\u00edfico e a produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica s\u00e3o atacados e desmerecidos, o que torna cada vez mais importante a busca pelo fortalecimento desses campos, por meio da valoriza\u00e7\u00e3o de seus m\u00e9todos de trabalho\u201d, salienta a professora.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t Diariamente, o jornalista lida com v\u00e1rias pautas, assuntos de \u00e1reas distintas e, por isso, o profissional precisa estar bem informado e ser curioso. A partir desse estere\u00f3tipo que a professora Luciana Carvalho coloca que algumas pessoas consideram o jornalista um especialista em generalidade. Para ela, diferente do cientista, o jornalista n\u00e3o tem obriga\u00e7\u00e3o de ter conhecimento aprofundado sobre tudo, mas precisa saber onde e como buscar o que necessita apurar para informar \u00e0 sociedade. \u201cQuando surge uma pauta, temos que saber com quem falar, onde encontrar informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, buscar o hist\u00f3rico daquele assunto\u201d. Assim Luciana exemplifica o processo de apura\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o da not\u00edcia.\u00a0<\/span><\/p> Na maioria das vezes, as qualidades b\u00e1sicas do jornalistas s\u00e3o despertadas na universidade, local em que acontece a instru\u00e7\u00e3oe a experimenta\u00e7\u00e3o daqueles que passam a atuar na sociedade. \u00c9 o processo em que est\u00e1 o estudante Jos\u00e9 Bruno Fiorini, acad\u00eamico de Jornalismo e participante do Grupo de Pesquisa em Comunica\u00e7\u00e3o, Tecnologia e Sociabilidades da UFSM, campus de Frederico Westphalen.\u00a0<\/span><\/p> Ele se mostra preocupado com a ascens\u00e3o das redes sociais como meios de difus\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e, por isso, volta sua forma\u00e7\u00e3o para conhecer mais sobre o funcionamento dessas ferramentas de media\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica. Bruno alerta que nem tudo o que est\u00e1 vinculado \u00e0s redes sociais \u00e9 jornalismo, ainda que publicado em plataformas de ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o. Segundo o acad\u00eamico, a falta desse feeling parece descaracterizar a representa\u00e7\u00e3o de um dos principais crit\u00e9rios para definir o que \u00e9 not\u00edcia: o interesse p\u00fablico. \u201cAcumular conte\u00fado nas p\u00e1ginas do Facebook n\u00e3o \u00e9 fazer jornalismo nas m\u00eddias sociais. Compartilhar o hor\u00f3scopo nos Stories n\u00e3o \u00e9 produzir conte\u00fado [jornal\u00edstico] audiovisual\u201d, explica.\u00a0<\/span><\/p> Para ele, os produtos audiovisuais para Facebook e Instagram, por exemplo, trazem ao jornalismo novas formas de linguagens e de intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. Neste sentido, a aproxima\u00e7\u00e3o entre ve\u00edculo e p\u00fablico \u00e9 uma das principais caracter\u00edsticas dessas m\u00eddias. Ao encontro disso, Luciana frisa que as redes sociais s\u00e3o \u201cambientes digitais que, por suas caracter\u00edsticas, acabam se tornando m\u00eddias, as denominadas m\u00eddias sociais digitais, que \u00e9 o termo que considero mais adequado, atualmente, por envolver tamb\u00e9m os aplicativos m\u00f3veis\u201d.\u00a0<\/span><\/p> Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), por meio do relat\u00f3rio Caracter\u00edsticas Gerais dos Domic\u00edlios e dos Moradores 2017, no Brasil, o acesso \u00e0 internet em casa atinge 70,5% da popula\u00e7\u00e3o. Pelos celulares e smartphones, chega a mais de 80%. H\u00e1 muita gente que s\u00f3 se informa por grupo de Whatsapp. \u201cEsses usu\u00e1rios s\u00e3o as v\u00edtimas mais f\u00e1ceis das fake news. Al\u00e9m disso, h\u00e1 empresas e partidos pol\u00edticos trabalhando para desinformar a popula\u00e7\u00e3o, criando p\u00e2nico, desacreditando os jornalistas e a ci\u00eancia\u201d, alerta Luciana. Ela refor\u00e7a ainda que, nos anos 1990, quando a internet se expandiu para toda a sociedade, autores como Pierre L\u00e9vy j\u00e1 falavam que o ciberespa\u00e7o promoveria uma desintermedia\u00e7\u00e3o ao tornar dispens\u00e1veis os mediadores tradicionais do conhecimento, como os jornalistas e os cientistas.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t \u00c9 preciso definir o que se entende por m\u00eddia alternativa ou independente. Se for para considerar todas as iniciativas que buscam se desvincular das press\u00f5es organizacionais da grande m\u00eddia, que n\u00e3o se associam a financiamento do governo ou de empresas, a professora diz que poucas conseguem se manter neste modelo. Para Luciana, \u00e9 o que acontece no caso da Ag\u00eancia P\u00fablica e da Ponte, que, aparentemente, mant\u00eam-se com recursos de editais e contribui\u00e7\u00f5es de leitores. \u201cAlguns blogs e coletivos se dizem independentes, mas essa independ\u00eancia \u00e9 relativa, pois est\u00e3o muitas vezes vinculados a partidos pol\u00edticos ou grupos com interesses que v\u00e3o al\u00e9m da pr\u00e1tica do jornalismo\u201d, critica. Segundo a professora, o posicionamento do ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um problema, pelo contr\u00e1rio, desde que seja exposto para o leitor de que lado se est\u00e1. Ainda mais se o lado escolhido for aquele de combate \u00e0s injusti\u00e7as sociais.<\/span><\/p> As redes sociais s\u00e3o met\u00e1foras para as liga\u00e7\u00f5es que se estabelecem entre as pessoas. Como essas m\u00eddias s\u00e3o alimentadas por meio da troca de informa\u00e7\u00f5es e da conversa\u00e7\u00e3o online, mostram um grande potencial para a pr\u00e1tica jornal\u00edstica. \u201cEu diria que o jornalismo continua sendo jornalismo nas redes ou m\u00eddias sociais digitais. E, ao mesmo tempo, surgem novas pr\u00e1ticas, novas rotinas, novas linguagens, que parecem criar um tipo diferente de jornalismo, mais pr\u00f3ximo da informalidade e do entretenimento, como j\u00e1 foi visto surgir, em outros moldes, na televis\u00e3o ou no r\u00e1dio\u201d, explica Luciana.\u00a0<\/span><\/p> A professora demonstra preocupa\u00e7\u00e3o com o teor de not\u00edcias falsas, porque abusam de uma poss\u00edvel ingenuidade do p\u00fablico. \u201cMuitas pessoas n\u00e3o sabem ou n\u00e3o fazem quest\u00e3o de saber diferenciar o boato do fato, a not\u00edcia da falsa not\u00edcia, a informa\u00e7\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o, o jornalismo do pseudojornalismo\u201d, analisa. Para ela, falta letramento digital, mas tamb\u00e9m h\u00e1 quem lucre e tenha vantagens em disseminar informa\u00e7\u00f5es falsas ou maliciosas de modo deliberado, como ocorre em conflitos ou elei\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p> Luciana leva em conta que o digital n\u00e3o criou a desinforma\u00e7\u00e3o, mas a potencializou, pois muitos recebem e repassam conte\u00fados para suas redes sociais sem checar a credibilidade da fonte. No Brasil, ainda h\u00e1 o agravante da decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal, que em 2009 suspendeu a obrigatoriedade do diploma superior em jornalismo para a obten\u00e7\u00e3o do registro profissional de jornalista. A professora menciona ainda que o mercado de trabalho est\u00e1 cheio de pessoas sem forma\u00e7\u00e3o que atuam no lugar de profissionais, o que acaba por precarizar a \u00e1rea.\u00a0<\/span><\/p> A curadoria \u00e9 ressignificada no digital. O termo se relaciona ao ato de cura, vigil\u00e2ncia e zelo. Na comunica\u00e7\u00e3o social, historicamente, o mediador tem realizado a fun\u00e7\u00e3o curadora. Ele age como uma esp\u00e9cie de filtro. Por meio de base te\u00f3rica e pr\u00e1tica, seleciona, checa a veracidade e direciona informa\u00e7\u00f5es \u00e0 sociedade. Antes realizada quase como uma exclusividade do jornalista, no s\u00e9culo XXI outros profissionais passam a realizar a fun\u00e7\u00e3o de curadoria.\u00a0<\/span><\/p> Em uma sociedade cada vez mais digitalizada, os Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, por exemplo, passam a ser inseridos nessa tarefa, j\u00e1 que eles estreitam ou mant\u00eam o relacionamento entre empresa e p\u00fablico de forma estrat\u00e9gica. No entanto, quem t\u00eam chamado aten\u00e7\u00e3o no protagonismo desse funcionamento s\u00e3o os algoritmos. Aparentemente, a curadoria por meio de algoritmos se sobressai \u00e0 feita por humanos. A rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas Mar\u00edndia Dalla Valle, formada pela UFSM\/FW, trabalha como analista de m\u00eddias digitais. Ela explica que esta \u00e9 uma \u00e1rea de instabilidade, porque a cada semana surge uma nova atualiza\u00e7\u00e3o de uma m\u00eddia social digital ou um recurso novo para ser usado.\u00a0<\/span><\/p> Lu\u00eds Kr\u00f6tz, formado em Tecnologia em Sistemas para Internet na UFSM, conta que as empresas de jornalismo podem usar o recurso das plataformas para identificar e atingir determinados p\u00fablicos e que h\u00e1 um processo de curadoria algor\u00edtmica nessa rela\u00e7\u00e3o. \u201cDe acordo com o p\u00fablico, podem ser selecionadas m\u00faltiplas plataformas de propaganda social, em geral utiliza-se mais de uma, algumas para atingir um p\u00fablico mais gen\u00e9rico e outras para atingir determinados nichos de usu\u00e1rios\u201d, diz o gerente de tecnologia.\u00a0<\/span><\/p> Assim, o conhecimento que antes parecia restrito aos profissionais das ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o passa a ser de interesse de todos, dos comunicadores e da sociedade em geral, afinal todos est\u00e3o submersos na linguagem do zero e um. \u201cDentro da l\u00f3gica das m\u00eddias sociais digitais, o algoritmo \u00e9 fundamental, pois sem ele ficaria imposs\u00edvel receber e procurar conte\u00fado online. No processo de comunica\u00e7\u00e3o social, ele auxilia para aproximar o usu\u00e1rio das pessoas com as quais esse mais tem contato digital e dos conte\u00fados com os quais ele mais interage\u201d, explica Dalla Valle.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t Reportagem<\/b>: In\u00e1cio de Paula <\/em><\/p>Para al\u00e9m do lead\u00a0<\/b><\/h3>
\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\tJornalismo e(m) redes sociais\u00a0<\/b><\/h3>
Curadoria algor\u00edtmica\u00a0<\/b><\/h3>