{"id":6592,"date":"2021-05-06T09:55:45","date_gmt":"2021-05-06T12:55:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/?p=6592"},"modified":"2021-05-06T11:00:38","modified_gmt":"2021-05-06T14:00:38","slug":"maternidade-no-lattes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/maternidade-no-lattes","title":{"rendered":"A maternidade no Lattes"},"content":{"rendered":"\t\t
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Em abril deste ano, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) anunciou uma mudan\u00e7a significativa na plataforma do Curr\u00edculo Lattes: uma se\u00e7\u00e3o para o registro dos per\u00edodos de licen\u00e7a-maternidade de pesquisadoras. Tal mudan\u00e7a tem como objetivo justificar os per\u00edodos de queda na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica por parte das pesquisadoras m\u00e3es. A plataforma Lattes, mantida pelo CNPq, consiste em um ambiente virtual no qual s\u00e3o integrados dados curriculares, grupos de pesquisa e institui\u00e7\u00f5es em um \u00fanico sistema de informa\u00e7\u00f5es, o que resulta em um curr\u00edculo acad\u00eamico dos pesquisadores e pesquisadoras, o Curr\u00edculo Lattes.<\/p>

A adi\u00e7\u00e3o desse registro na plataforma \u00e9 fruto de um pedido, feito em 2019, pelo projeto Parent In Science<\/i><\/a>, coordenado pela professora Fernanda Staniscuaski, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O Parent In Science<\/i> surgiu com o intuito de levar a discuss\u00e3o sobre maternidade e paternidade para dentro do universo da ci\u00eancia do Brasil, e a luta por equidade para pesquisadoras (e pesquisadores) que tiveram filhos. O \u201cevento da maternidade\u201d pode desacelerar por um per\u00edodo a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e afetar o curr\u00edculo, o que gera desvantagem em rela\u00e7\u00e3o a outros colegas ou poss\u00edveis concorrentes em, por exemplo, processos seletivos.<\/p>

De acordo com a pesquisa \u201cMulheres e Maternidade no Ensino Superior no Brasil\u201d<\/a>, da mesma organiza\u00e7\u00e3o, <\/i>a presen\u00e7a de mulheres na \u00e1rea cient\u00edfica brasileira sofre um efeito tesoura: conforme se avan\u00e7a no n\u00edvel da carreira cient\u00edfica, reduz o percentual de mulheres. Na inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica – primeira etapa de uma carreira de pesquisa e que acontece na gradua\u00e7\u00e3o, 55% dos bolsistas s\u00e3o mulheres. Mas, quando se olha para as bolsistas de produtividade em pesquisa – etapa mais avan\u00e7ada da carreira cient\u00edfica, geralmente vinculada ao CNPq -, as mulheres s\u00e3o apenas 36% do total de pesquisadores.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t

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A maternidade romantizada e a <\/b>desigualdade de g\u00eanero<\/b><\/h3>

Milena Freire \u00e9 professora do Departamento de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o da UFSM, embaixadora do Parent In Science <\/i>e coordenadora do grupo de pesquisa Comunica\u00e7\u00e3o, G\u00eanero e Desigualdades. A docente desenvolve uma pesquisa cuja tem\u00e1tica central \u00e9 voltada para observa\u00e7\u00f5es da maternidade no Instagram e que visa problematizar a sua romantiza\u00e7\u00e3o. No estudo, busca-se refor\u00e7ar que outras pessoas devem fazer parte do cuidado com as crian\u00e7as, com servi\u00e7os que podem vir a ser feitos por outras pessoas que n\u00e3o apenas a m\u00e3e. Essas problem\u00e1ticas escancaram a desigualdade de g\u00eanero em todos os espa\u00e7os, sejam eles familiares, de trabalho ou cient\u00edficos. Para a pesquisadora, as redes sociais digitais s\u00e3o um espa\u00e7o muito representativo na nossa cultura, no qual atuam valores, conven\u00e7\u00f5es e pap\u00e9is sociais e a sua pesquisa visa demonstrar a apropria\u00e7\u00e3o de determinados valores pelas pessoas: \u201capesar de estarmos falando de um aparato t\u00e9cnico, o que na verdade a gente v\u00ea \u00e9 como as pessoas se apropriam e fazem circular determinados valores. Ent\u00e3o, no que diz respeito \u00e0 maternidade, o que a gente v\u00ea \u00e9 muito o ideal dessa maternidade, uma maternidade que a gente t\u00e1 chamando de \u201cromantizada\u201d, mas que muitas vezes refor\u00e7a o papel da mulher como principal cuidadora, como respons\u00e1vel\u201d, conta a pesquisadora.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t

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Al\u00e9m da doc\u00eancia, Milena Freire tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e3e pesquisadora, e dedica seu tempo entre ser professora da UFSM e m\u00e3e de Tom\u00e1s, de 12 anos, e Nina, de quatro. Ela conta que o trabalho no Parent In Science<\/i> se d\u00e1 no sentido de sensibilizar as universidades e as ag\u00eancias de fomento p\u00fablicas e privadas para a tem\u00e1tica da parentalidade. Al\u00e9m disso, objetiva a considera\u00e7\u00e3o do tempo da licen\u00e7a-maternidade e do evento de ser m\u00e3e como algo que \u00e9 significativo na produ\u00e7\u00e3o das pesquisadoras. \u201cIsso \u00e9 uma busca que pretende impactar essa realidade que \u00e9 vivida por essas m\u00e3es em raz\u00e3o do trabalho que elas assumem a partir do momento que elas s\u00e3o m\u00e3es.\u201d<\/p>

Apoio como elemento essencial<\/b><\/h3>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
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Mariana Fauerharmel tem 34 anos e \u00e9 m\u00e3e da Maria Rita, de 17 anos, e da Helena, de dois anos. Tamb\u00e9m \u00e9 doutora em Engenharia Florestal. Para ela, \u201cser m\u00e3e pesquisadora n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil, especialmente em um pa\u00eds como o Brasil, onde os pesquisadores n\u00e3o recebem a devida valoriza\u00e7\u00e3o, e quando esta fun\u00e7\u00e3o se soma \u00e0 maternidade, as dificuldades aumentam\u201d.\u00a0<\/p>

A gesta\u00e7\u00e3o da filha mais nova aconteceu durante o doutorado, em 2018. Mariana menciona que teve direito a quatro meses de licen\u00e7a maternidade. \u201cAo retornar do per\u00edodo de licen\u00e7a, entrei em processo de depress\u00e3o p\u00f3s-parto, que certamente foi agravado pela press\u00e3o e cobran\u00e7a em fun\u00e7\u00e3o do doutorado\u201d. Para Mariana, o apoio do orientador, da fam\u00edlia, dos amigos e da pr\u00f3pria UFSM, por meio de afastamento por motivos de sa\u00fade, foi fundamental para retornar \u00e0s atividades posteriormente.\u00a0<\/p>

A vida como equilibrista<\/b><\/h3>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
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Juliana Petterman, de 39 anos, \u00e9 m\u00e3e do Moreno, de um ano. E tamb\u00e9m \u00e9 professora no Departamento de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o da UFSM e pesquisadora apaixonada pela \u00e1rea de Publicidade e Propaganda. \u201cSer m\u00e3e pesquisadora \u00e9 ser uma grande equilibrista: \u00e9 tentar ser m\u00e3e e ser pesquisadora da melhor forma, gerando a menor ansiedade poss\u00edvel. Isso porque \u00e9 muito f\u00e1cil de se deixar levar pela sensa\u00e7\u00e3o de estar sempre em d\u00e9bito\u201d. <\/p>\n

Ela relata situa\u00e7\u00f5es em que sentiu que n\u00e3o foi uma boa m\u00e3e – quando respondia e-mails enquanto cuidava do beb\u00ea ou quando o pensamento voava para a lembran\u00e7a da coleta de dados enquanto brincava com ele – ou que n\u00e3o foi uma boa pesquisadora – quando n\u00e3o conseguiu enviar um artigo para o principal congresso da \u00e1rea, ou quando atrasou a corre\u00e7\u00e3o de textos de orientandos e orientandas. A docente menciona que precisou aprender a ser paciente consigo mesma: \u201cEu sempre fui apaixonada pelo meu trabalho e acabei trabalhando muito mais do que deveria, comprometendo inclusive minha sa\u00fade mental. A maternidade veio para me ensinar a eleger prioridades, para me ajudar a entender que eu n\u00e3o sou uma m\u00e1quina e que \u00e9 preciso mudar muitas coisas em rela\u00e7\u00e3o ao modo como a maternidade \u00e9 vista na universidade.\u201d<\/p>\n

M\u00e3e pesquisadora X Pai pesquisador<\/b><\/h3>\n

As diferen\u00e7as entre uma m\u00e3e pesquisadora e um pai pesquisador come\u00e7am no tempo concedido para o per\u00edodo de licen\u00e7a: seis meses para a m\u00e3e, e de cinco a 20 dias corridos para o pai. Dessa forma, as obriga\u00e7\u00f5es da parentalidade e do cuidado com a crian\u00e7a iniciam de forma desigual e refor\u00e7am estere\u00f3tipos de g\u00eanero. Milena Freire trouxe, durante a entrevista, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios – PNAD, de 2019, anterior \u00e0 pandemia. A pesquisa<\/a> revela que, em m\u00e9dia, no Brasil, as mulheres brasileiras usam 21,4 horas semanais no envolvimento com o trabalho dom\u00e9stico, enquanto o tempo gasto por homens nas mesmas tarefas \u00e9 de 11 horas por semana.<\/p>\n

\u201cEnquanto as mulheres est\u00e3o trabalhando na casa ou cuidando das pessoas da casa, homens t\u00eam a possibilidade ou de descansar, ou de se aperfei\u00e7oar, se dedicar mais ao trabalho remunerado e assim por diante. Ent\u00e3o, essa desigualdade acaba se mantendo, e \u00e9 por isso que a gente chama a dupla jornada como um conceito que \u00e9 feminino. N\u00e3o escutamos falar da dupla jornada do homem, porque n\u00f3s temos a manuten\u00e7\u00e3o da mulher em casa\u201d, explica Milena.<\/p>\n

Para Juliana Petterman, a m\u00e3e pesquisadora j\u00e1 \u00e9 vista de antem\u00e3o como aquela que n\u00e3o conseguir\u00e1 manter sua produtividade depois do nascimento do beb\u00ea. \u201cEu lembro que, antes de sair de licen\u00e7a-maternidade, uma pessoa, no contexto da universidade, me sugeriu que eu me desligasse do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, visto que minha produ\u00e7\u00e3o cairia\u201d. Mesmo com planejamento e consci\u00eancia da queda de produ\u00e7\u00e3o, julgamentos como os que Juliana recebeu s\u00e3o comuns no meio acad\u00eamico. \u201cMeu barrig\u00e3o de nove meses – que eu carregava na ocasi\u00e3o deste acontecimento – era sin\u00f4nimo de algo que me impediria de dar conta do recado. E, ainda que minha produ\u00e7\u00e3o caia,  o ambiente da universidade deveria ser de apoio e n\u00e3o de pr\u00e9-julgamentos ou de cr\u00edtica. Dificilmente um pai pesquisador passaria por uma situa\u00e7\u00e3o parecida com essa que relatei\u201d, desabafa.<\/p>\n

Mariana Fauerharmel diz que a principal diferen\u00e7a entre uma m\u00e3e pesquisadora e um pai pesquisador \u00e9 a falta de tempo que as m\u00e3es t\u00eam para a pesquisa. Para ela, \u201c\u00e9 muito dif\u00edcil conciliar a maternidade e a vida acad\u00eamica, al\u00e9m de tantas outras demandas que temos diariamente. Acredito que isso afeta diretamente a carreira de uma m\u00e3e pesquisadora\u201d. Milena Freire, quando fala sobre essa diferen\u00e7a, relembra que, quando os homens se tornam pais, tornam-se os \u201cprovedores\u201d, e por isso passam a se dedicar mais ao trabalho remunerado do que \u00e0 fam\u00edlia. \u201cParece um pensamento at\u00e9 arcaico, mas muito presente na nossa sociedade ainda hoje, e isso se d\u00e1 no \u00e2mbito da academia tamb\u00e9m, porque n\u00f3s n\u00e3o vemos, de modo geral, os pesquisadores diminuindo a sua produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica quando seus filhos nascem\u201d.<\/p>\n

Uma pesquisa<\/a> da Parent in Science <\/i>mostra, em estudo detalhado, o impacto da maternidade na carreira das mulheres. 78% das pesquisadoras s\u00e3o m\u00e3es, e o nascimento do primeiro filho acontece, em m\u00e9dia, dois anos e oito meses depois da contrata\u00e7\u00e3o. Sobre os cuidados com os filhos, 54% das crian\u00e7as t\u00eam como \u00fanica cuidadora a m\u00e3e, contraste relevante contra as 34% das crian\u00e7as cuidadas por ambos os pais. <\/p>\n

Juliana Pettermann foi m\u00e3e durante a pandemia: \u201ceu senti muito a falta da rede de apoio nos primeiros meses de vida do meu beb\u00ea e hoje sinto muito a falta de ter um tempo exclusivo com ele e um tempo exclusivo para o trabalho. De ter limites. Hoje eu trabalho enquanto meu beb\u00ea dorme e nos turnos que revezo com meu companheiro\u201d. Ela conta que a falta da rede de apoio e a pandemia, com todas as consequ\u00eancias que trazem, pode afetar tamb\u00e9m a capacidade de produ\u00e7\u00e3o: \u201cum exemplo bem concreto: se antes eu lia e corrigia cem p\u00e1ginas de uma tese em um dia, hoje eu consigo ler umas dez p\u00e1ginas. Outra coisa que percebo: \u00e0s vezes as pessoas querem marcar uma reuni\u00e3o pela manh\u00e3 e outra no turno da tarde. Para mim, isso \u00e9 impens\u00e1vel\u201d.<\/p>\n

Muito mais que uma mudan\u00e7a no Lattes<\/b><\/h4>\n

Uma das maneiras de mensurar a carreira cient\u00edfica \u00e9 pela taxa de produtividade, que leva em conta o n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es, ou seja, quanto mais publica\u00e7\u00f5es a pesquisadora faz em um ano, mais esse \u00edndice sobe. <\/p>\n

De acordo com pesquisa da Parent in Science<\/i><\/a>, <\/i>estima-se que a produtividade de m\u00e3es pesquisadoras caia por at\u00e9 quatro anos ap\u00f3s o nascimento do beb\u00ea. Por isso que a inclus\u00e3o do per\u00edodo da licen\u00e7a-maternidade no Lattes<\/i> \u00e9 importante. \u201cO levantamento do Parent In Science,<\/i> que foi feito a partir de uma pesquisa estat\u00edstica com m\u00e3es pesquisadoras do Brasil inteiro, vem dar conta de que existe esse espa\u00e7o, em que as mulheres, depois que s\u00e3o m\u00e3es, param ou diminuem bastante a sua produ\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, essa inclus\u00e3o da maternidade no Lattes<\/i> busca dar visibilidade da quest\u00e3o da maternidade e paralelamente na inten\u00e7\u00e3o de que seja inclu\u00edda nos editais de fomento \u00e0 pesquisa, seja de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, no credenciamento em programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, no caso das estudantes, e possa vir a ser considerado a maternidade um espa\u00e7o de tempo que passa a ser contabilizado a mais na vida acad\u00eamica dessa m\u00e3e\u201d, diz a professora Milena. <\/p>\n

Para Juliana, \u201cinserir a licen\u00e7a-maternidade no curr\u00edculo \u00e9, para al\u00e9m de uma quest\u00e3o informacional muito importante, tamb\u00e9m um ato pol\u00edtico.\u201d Mariana concorda que a conquista \u00e9 importante, uma vez que \u201cmuitas m\u00e3es t\u00eam sua produtividade acad\u00eamica afetada durante o per\u00edodo de licen\u00e7a e posteriormente tamb\u00e9m\u201d. <\/p>\n

No entanto, mesmo que a conquista seja importante, ela ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente. \u00c9 necess\u00e1rio avan\u00e7ar no modo de entendimento da maternidade e da paternidade. \u00c9 importante pontuar que a maternidade n\u00e3o \u00e9 o problema para a carreira dessas mulheres, mas sim o modo como a avalia\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e de produtividade \u00e9 feita. Juliana explica que algumas possibilidades de mudan\u00e7a podem estar na concess\u00e3o de licen\u00e7a-paternidade com o mesmo per\u00edodo da licen\u00e7a-maternidade, que os congressos e eventos cient\u00edficos preparem-se melhor para receber pessoas com filhos, na discuss\u00e3o dos sistemas de avalia\u00e7\u00e3o e, inclusive, na diversifica\u00e7\u00e3o das pessoas que avaliam. \u201cPrecisar\u00edamos que a pr\u00f3pria universidade fosse um lugar mais compreensivo com a parentalidade. Precisar\u00edamos discutir o pr\u00f3prio produtivismo e o sistema de competi\u00e7\u00e3o que faz parte da l\u00f3gica da universidade, substituindo-o por uma l\u00f3gica mais sens\u00edvel e de coopera\u00e7\u00e3o\u201d, exemplifica.<\/p>\n

Mariana diz que a mudan\u00e7a \u00e9 pequena, mas significativa, e que ainda h\u00e1 muito a avan\u00e7ar, e \u201cisso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel quando nossa sociedade for mais justa, igualit\u00e1ria e menos machista. Felizmente, temos pessoas que lutaram pelos direitos das m\u00e3es e mulheres pesquisadoras\u201d. Ainda que a maternidade e a pesquisa s\u00e3o escolhas pessoais do \u00e2mbito das mulheres, elas s\u00e3o condicionadas tamb\u00e9m pelo medo do impacto da maternidade em suas carreiras. Ela conta: \u201co sistema nos pressiona por uma produtividade acad\u00eamica muitas vezes abusiva e incompat\u00edvel com todas as demandas da maternidade e da sociedade em que vivemos. Ent\u00e3o nos resta a escolha: vida acad\u00eamica ou maternidade? Aquelas que optam pelos dois certamente ter\u00e3o que abrir m\u00e3o de algumas coisas\u201d.<\/p>\n

Juliana destaca que as dificuldades da maternidade n\u00e3o podem ser vistas como falta de organiza\u00e7\u00e3o e planejamento: \u201cas pessoas normalmente ouvem as quest\u00f5es relacionadas \u00e0 maternidade com a seguinte resposta pronta: \u2018mas, ent\u00e3o, por que teve filhos?\u2019. J\u00e1 imaginou se as m\u00e3es fizessem uma greve? Ningu\u00e9m mais nasceria e a humanidade acabaria rapidinho. Ainda mais agora, neste contexto pand\u00eamico, que j\u00e1 morrem mais pessoas do que nascem\u201d.<\/p>\n

Como destacado pelas tr\u00eas pesquisadoras, a conquista da inclus\u00e3o da licen\u00e7a maternidade no curr\u00edculo Lattes \u00e9 importante, mas n\u00e3o apaga as desigualdades de g\u00eanero da academia. A luta pela equidade na pesquisa cient\u00edfica deve ser fomentada atrav\u00e9s do debate e de a\u00e7\u00f5es concretas, objetivos que v\u00e3o ao encontro do movimento proposto pelo Parent in Science. <\/i><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t

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Expediente<\/i><\/b><\/p>

Rep\u00f3rteres<\/i><\/b>: Alice Santos e Samara Wobeto, acad\u00eamicas de Jornalismo e volunt\u00e1rias<\/i><\/p>

Ilustra\u00e7\u00e3o<\/i><\/b>: Renata Costa, acad\u00eamica de Produ\u00e7\u00e3o Editorial e bolsista<\/i><\/p>

M\u00eddia Social<\/i><\/b>: Nathalia Pitol, acad\u00eamica de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e bolsista<\/i><\/p>

Editora de Produ\u00e7\u00e3o<\/i><\/b>: Esther Klein, acad\u00eamica de Jornalismo e bolsista<\/i><\/p>

Edi\u00e7\u00e3o Geral<\/i><\/b>: Luciane Treulieb e Maur\u00edcio Dias, jornalistas<\/i><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

M\u00e3es pesquisadoras podem registrar o per\u00edodo de licen\u00e7a-maternidade no curr\u00edculo do CNPq desde o \u00faltimo dia 15<\/p>\n","protected":false},"author":3635,"featured_media":6593,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1523],"tags":[560,744,4384,2162,4637,4640,4641,436,740,4642,112,4329],"class_list":["post-6592","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia","tag-ciencia","tag-cnpq","tag-destaque-arco","tag-destaque-ufsm","tag-igualdade-de-genero","tag-lattes","tag-licenca-maternidade","tag-maternidade","tag-mulheres-na-ciencia","tag-parents-in-science","tag-pesquisa","tag-pesquisadores-ufsm"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6592","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3635"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6592"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6592\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6593"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"http:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}