{"id":8628,"date":"2021-08-18T08:53:29","date_gmt":"2021-08-18T11:53:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/?p=8628"},"modified":"2021-08-18T15:44:48","modified_gmt":"2021-08-18T18:44:48","slug":"narciso","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/narciso","title":{"rendered":"Narciso acha feio o que n\u00e3o \u00e9 espelho?"},"content":{"rendered":"\t\t
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\u201cRedes\u201d s\u00e3o interliga\u00e7\u00f5es. Quando falamos em redes sociais, estamos considerando um espa\u00e7o de \u201centrela\u00e7amento\u201d de uma sociedade. Em um per\u00edodo marcado pelo aumento do uso dessas ferramentas, entender essa sociedade e a si enquanto pertencente a ela \u00e9 essencial. Afinal, hoje, devido \u00e0 proemin\u00eancia desses meios, pensar sobre a vida real tamb\u00e9m implica pensar sobre a vida virtual \u2013 e vice-versa.<\/p>

No total, existem mais de 4,3 bilh\u00f5es de usu\u00e1rios de m\u00eddias sociais em todo o mundo. Esse dado \u00e9 disponibilizado pelo Relat\u00f3rio Digital 2021<\/a>, publicado em parceria entre a We Are Social e a Hootsuite, ag\u00eancias globais de marketing digital especializadas nessas plataformas. O material tamb\u00e9m revela que, do ano de 2020 para 2021, durante a pandemia de Covid-19, as redes ganharam cerca de 490 milh\u00f5es de novos usu\u00e1rios.<\/p>

Al\u00e9m da quantidade de pessoas que as utilizam, tamb\u00e9m cresce o tempo de uso desses meios. O relat\u00f3rio calcula que o usu\u00e1rio t\u00edpico passa cerca de 2 horas e 25 minutos nas redes sociais todos os dias, o que corresponde a aproximadamente 17 horas de sua vida por semana. Somados, os usu\u00e1rios de m\u00eddia social do mundo inteiro passar\u00e3o um total de 3,7 trilh\u00f5es de horas nessas plataformas em 2021, o que equivale a mais de 420 milh\u00f5es de anos de exist\u00eancia humana combinada, estima a pesquisa. Ao que tudo indica, vivencia-se o \u00e1pice das redes sociais, que recebem cada vez mais usu\u00e1rios, tempo e aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t

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N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil visualizar esse contexto, afinal, para muitos, as m\u00eddias sociais se tornaram prefer\u00eancia na hora de se informar<\/a>, se comunicar e se entreter. Al\u00e9m da explos\u00e3o do Tik Tok<\/a>, redes sociais que j\u00e1 estavam em expans\u00e3o h\u00e1 mais tempo receberam maior aten\u00e7\u00e3o. Segundo dados divulgados pela Kantar<\/a>, empresa especializada em pesquisa de mercado, o uso do Instagram, Facebook e WhatsApp cresceu mais de 40% durante a pandemia.<\/p>

O significado do aumento desses n\u00fameros varia, tendo potencial positivo ou negativo. As redes sociais podem representar uma forma de encontrar abertura em meio a um mundo temporariamente fechado, possibilitando manter algumas rela\u00e7\u00f5es e rotinas apesar do distanciamento social ocasionado por este per\u00edodo. Contudo, essas ferramentas tamb\u00e9m podem representar o oposto: uma maneira de provocar ainda mais fechamento \u2013 em si e em seus pr\u00f3prios ideais.<\/p>

Na perspectiva da virtualidade, poder\u00edamos pensar tal processo pela exist\u00eancia dos\u00a0algoritmos<\/a>. Esses mecanismos autom\u00e1ticos buscam, por meio de crit\u00e9rios e c\u00e1lculos, serem assertivos quanto ao nosso consumo. H\u00e1 uma interpreta\u00e7\u00e3o de nossos comportamentos nos meios virtuais e, a partir disso, a sugest\u00e3o de publica\u00e7\u00f5es alinhadas a eles. Complexo, o processo envolve informa\u00e7\u00f5es de in\u00fameras redes, que acabam por se interligar entre si. Desse modo, tentam nos aproximar de conte\u00fados que se relacionem conosco e com nossa realidade e, consequentemente, nos afasta do que \u00e9 diferente disso. Por\u00e9m, na perspectiva da \u201crealidade\u201d, podemos encontrar formas mais profundas de pensarmos o social das redes.<\/p>

\u00c9 isso que prop\u00f5e Andr\u00e9 Oliveira Costa, ao compreender a import\u00e2ncia de debater o que este momento \u00e1pice das m\u00eddias sociais representa para o \u201cEu\u201d e para a sociedade. Professor convidado do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia da UFSM, ele sugere o seguinte ponto de vista: pensar a sociedade contempor\u00e2nea e virtual, atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o existente com a sociedade antiga e \u201creal\u201d.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t

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A hist\u00f3ria se repete<\/h3>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
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No artigo \u201cA constru\u00e7\u00e3o do Eu nas narrativas de vida<\/a>\u201d, com participa\u00e7\u00e3o de Karen Worcman, Andr\u00e9 faz refer\u00eancia \u00e0 obra do soci\u00f3logo Norbert Elias intitulada \u201cA Sociedade de Corte\u201d. O livro, em s\u00edntese, defende que a forma\u00e7\u00e3o do Eu acontece em conjunto com a forma\u00e7\u00e3o da sociedade. Para explicar isso, o autor descreve a constru\u00e7\u00e3o da sociedade de corte, do Absolutismo Mon\u00e1rquico de cerca de cinco s\u00e9culos atr\u00e1s. A organiza\u00e7\u00e3o social desse grupo pode ser caracterizada por um aspecto que n\u00e3o parece ser t\u00e3o obsoleto: na \u00e9poca, as pessoas estavam o tempo todo observando e controlando a si mesmas e \u00e0s outras.<\/p>

Essa organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o foge muito da realidade contempor\u00e2nea. Com a expans\u00e3o das redes sociais, lidamos com um espa\u00e7o de entrela\u00e7amento de uma sociedade que se \u201csegue\u201d, como registra a pr\u00f3pria nomenclatura comum dos aplicativos. Em contato di\u00e1rio com a maioria dos usu\u00e1rios que optamos por acompanhar, observamos constantemente o nosso pr\u00f3prio perfil e os dos demais. Por vezes, isso se estende ao controle: al\u00e9m de haver regras de uso elencadas pelos servi\u00e7os, se buscarmos entre os usu\u00e1rios, encontramos regras de \u201cetiqueta\u201d e de visibilidade.<\/p>

Sobre o Eu nas redes sociais, Andr\u00e9 afirma: \u201c\u00c9 como fazer parte da sociedade de corte\u201d. Segundo ele, no antigo grupo, os olhares representavam uma forma de as pessoas se reconhecerem como id\u00eanticas e pertencentes a uma certa camada social – de modo que uma funcionava como reguladora da outra, possibilitando, como um espelho, identifica\u00e7\u00e3o. Isso se relaciona com as redes, na medida em que a vida virtual tamb\u00e9m traz a necessidade de buscar o olhar do outro para garantir certo reconhecimento. \u201c\u00c9 vida de corte, em que as pessoas se confirmam e se reconhecem. Se uma delas n\u00e3o gosta de algo, por exemplo, tem toda uma classe que vai fazer com que a pessoa seja exclu\u00edda, afastada, pois h\u00e1 uma regula\u00e7\u00e3o\u201d, descreve Andr\u00e9.<\/p>

Esse tipo de identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 percebido por Andr\u00e9 como uma forma de gerar um fechamento em um certo grupo social. H\u00e1 uma diferencia\u00e7\u00e3o entre os que fazem parte e os que n\u00e3o fazem. \u201cQuem consegue construir para si certos comportamentos que fazem parte de um grupo, acaba se diferenciando daqueles que n\u00e3o conseguiram se submeter a essas regras do olhar, essas exig\u00eancias sociais. Tudo isso \u00e9 para poder encontrar um certo lugar de diferen\u00e7a, de destaque, de privil\u00e9gio\u201d, explica. Nas redes sociais, aqueles que reconhecem e acompanham as regras de \u201cetiqueta\u201d e visibilidade, conseguem construir comportamentos que agradam as exig\u00eancias sociais e, assim, encontram um lugar de diferen\u00e7a \u2013 recebendo um retorno que n\u00e3o \u00e9 toda a sociedade que recebe, simbolizado por um maior n\u00famero de seguidores, coment\u00e1rios e curtidas.<\/p>

Para compreender melhor a rela\u00e7\u00e3o entre a sociedade das redes e a sociedade de corte, podemos relacion\u00e1-las a uma express\u00e3o contempor\u00e2nea: bolha social. O termo sugere divis\u00f5es, que ocorrem atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o de grupos que se distanciam uns dos outros por enrijecerem determinados posicionamentos. Segundo mat\u00e9ria publicada na Folha de S. Paulo<\/a>, um estudo conduzido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) mostra que as redes sociais refor\u00e7am a propens\u00e3o humana a buscar informa\u00e7\u00f5es que se alinhem a ideias preconcebidas. Isso significa, portanto, o distanciamento de ideias diferentes.<\/p>

Assim, as bolhas representam segrega\u00e7\u00f5es de pessoas e de ideais. A fim de aprofundar a quest\u00e3o, Andr\u00e9 explica: \u201cAs pessoas se unem em um tra\u00e7o \u00fanico e comum e, assim, se forma uma massa. Ou, na etimologia atual, uma bolha. A ideia \u00e9 que todos s\u00e3o uniformes, indiferenciados, constitu\u00eddos pelo mesmo tra\u00e7o e se identificam com o mesmo ideal. A massa representa quase que como um \u00fanico indiv\u00edduo, porque essas pessoas acabam reproduzindo certos comportamentos. E qualquer diferen\u00e7a que tente se introduzir \u00e9 eliminada\u201d. Um exemplo do caso nas redes \u00e9 que, muitas vezes, para n\u00e3o lidar com opini\u00f5es divergentes, a alternativa frequente \u00e9 a op\u00e7\u00e3o de bloquear os usu\u00e1rios que as trazem para o espa\u00e7o virtual.<\/p>

Contudo, a \u2018diferen\u00e7a\u2019 que Andr\u00e9 menciona \u00e9 eliminada n\u00e3o s\u00f3 no sentido de, muitas vezes, n\u00e3o haver aceita\u00e7\u00e3o de perspectivas diferentes, mas tamb\u00e9m ao tentarmos suprimir aspectos que fogem do tal \u201cpadr\u00e3o\u201d em n\u00f3s mesmos. Isso porque estar preso em uma bolha significa internalizar e reproduzir que se deve ser igual \u00e0s pessoas que fazem parte dela. Nas palavras de Andr\u00e9, \u201co indiv\u00edduo se fecha em uma bolha e a reproduz mesmo sem saber. Isso ocorre muito facilmente, e vemos, inclusive, em discursos hegem\u00f4nicos, que dizem de algo \u2018estrutural\u2019, em que as pessoas n\u00e3o se d\u00e3o conta de que est\u00e3o participando. Est\u00e1 na estrutura da forma\u00e7\u00e3o da sociedade e do sujeito, que \u00e9 constitu\u00eddo por isso, mesmo sem saber. \u2018Voc\u00ea tem que gostar disso\u2019, \u2018Voc\u00ea tem que ser assim\u2019.\u00a0 Os grupos se constroem nessa l\u00f3gica de identifica\u00e7\u00f5es e diferencia\u00e7\u00f5es\u201d.\u00a0<\/p>

Logo, para o pesquisador, \u00e9 como se as redes sociais explicitassem uma repeti\u00e7\u00e3o dessa vida long\u00ednqua, de cerca de 500 anos atr\u00e1s, em que carregamos secularmente a necessidade do olhar do outro para poder nos reconhecermos como algu\u00e9m, para poder dizer \u201ceu sou\u201d ou \u201ceu fa\u00e7o parte\u201d. O que nos atrai, \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento, que faz com que, por vezes, nos adaptemos \u00e0s exig\u00eancias sociais desses meios. Andr\u00e9 acrescenta: \u201cEsse sentimento nos satisfaz narcisicamente, em que se pode pensar \u2018como eu perten\u00e7o a essa classe, eu sou privilegiado de estar ali, eu tenho capacidade, qualidade e virtude para fazer parte de um determinado grupo\u2019. \u00c9 como pertencer \u00e0 sociedade de corte\u201d.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t

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Para al\u00e9m do espelho<\/h3>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
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O psicanalista e doutor em Filosofia pela PUCRS, Luciano Mattuella, traz uma perspectiva semelhante. Segundo ele, a supervaloriza\u00e7\u00e3o do Eu faz parte da cultura contempor\u00e2nea. Mas, embora isso seja explicitado atrav\u00e9s das redes sociais, \u00e9 algo que sempre existiu. \u201cSempre precisamos, em toda a hist\u00f3ria da humanidade, do olhar de um outro que nos constitu\u00edsse e dissesse de alguma forma quem n\u00f3s somos. Os outros s\u00e3o os nossos espelhos, nos quais a gente v\u00ea a nossa imagem refletida\u201d, explica. <\/p>\n

Luciano aponta que, devido a essa supervaloriza\u00e7\u00e3o agora conectada \u00e0s redes sociais, por vezes cremos que, atrav\u00e9s dessas ferramentas, somos protagonistas o tempo todo, como se estiv\u00e9ssemos em uma condi\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio. \u201cMas, na verdade, somos todos figurantes. E essa promessa de protagonismo que a rede social produz pode gerar sofrimento, pois faz com que muitas pessoas se sintam como se n\u00e3o estivessem sendo reconhecidas como deveriam ser\u201d, observa. Nesse sentido, ele relata que uma das sensa\u00e7\u00f5es que surgem para o sujeito \u00e9 a de estar sempre endividado \u2013 n\u00e3o com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria ou com a \u00e9tica, mas com o outro, como se devesse a ele algo que possa ver e reconhecer. <\/p>\n

O psicanalista descreve que, apesar da perspectiva de fechamento em si, o fundo hist\u00f3rico e constitutivo da necessidade do olhar do outro prova que, sem ele, n\u00e3o vivemos. Fundamental, ele faz parte do Eu. O almejado \u00e9 conseguir atravessar essa ideia para se colocar dispon\u00edvel a algumas aberturas: \u201cCom o tempo, o que se espera \u00e9 que a gente possa lan\u00e7ar esse narcisismo investido na gente para o mundo. Se interessar pelo mundo, mesmo que do nosso ponto de vista, mas pelas outras coisas do mundo\u201d.<\/p>\n

Reconhecer a diferen\u00e7a \u00e9 uma maneira de se distanciar da ideia de que somente o que \u00e9 igual ao Eu \u2013 apenas o que \u00e9 espelho \u2013 \u00e9 digno de escuta. Isso n\u00e3o implica necessariamente concordar com perspectivas diferentes, mas estar dispon\u00edvel para ouvi-las e conhec\u00ea-las. Al\u00e9m desse movimento de escuta do novo e do diverso expandir as percep\u00e7\u00f5es para ajudar a \u201csair da bolha\u201d, tamb\u00e9m pode trazer menos sofrimento.<\/p>\n

Fabio Silva, professor de Jornalismo da UFSM, expressa que o sujeito que se disp\u00f5e \u00e0 interlocu\u00e7\u00e3o \u00e9 um sujeito talvez mais preparado e menos sofredor do que o que se indisp\u00f5e: \u201cAquele que se disp\u00f5e a falar e a ouvir de uma maneira realmente dispon\u00edvel, potencialmente sofre menos do que o sujeito que n\u00e3o se disp\u00f5e. Porque o sujeito que n\u00e3o se disp\u00f5e n\u00e3o consegue evitar totalmente esbarrar em uma opini\u00e3o divergente. E se isso traz sofrimento, ele ser\u00e1 v\u00edtima desse sofrimento\u201d.<\/p>\n

Quando a interlocu\u00e7\u00e3o se d\u00e1 por meio das redes sociais, \u00e9 importante estar ainda mais atento. Afinal, segundo Fabio, as intera\u00e7\u00f5es sociais que se estabelecem por meio da linguagem praticada nessas m\u00eddias tendem a ser mais fluidas, menos comprometidas e menos interessadas na exist\u00eancia e at\u00e9 no bem-estar do outro. Como cientista da linguagem e analista do discurso, ele acrescenta: \u201c\u00e9 uma forma de linguagem mais fragmentada – uma vez que, na maioria das vezes, costuma desprezar o contexto e, consequentemente, perde uma parte significativa e importante da possibilidade de compreens\u00e3o do que o outro est\u00e1 dizendo\u201d.<\/p>\n

Refletir, questionar e dialogar aparecem como importantes caminhos para desviar o poss\u00edvel \u201cfechamento\u201d propiciado pelo maior contato com as redes sociais em um per\u00edodo em que tais meios tanto se expandem. Assim, fica mais f\u00e1cil encontrar a abertura desejada e desej\u00e1vel atrav\u00e9s de um bom uso. Afinal, essas tr\u00eas a\u00e7\u00f5es permitem a entrada de novas perspectivas e da aceita\u00e7\u00e3o da diversidade, de modo que contribuem para que consigamos olhar para o que \u00e9 diferente do Eu, ao inv\u00e9s de buscarmos apenas o que \u00e9 igual. Considerar a diferen\u00e7a consiste, inclusive, em reconhecer \u00e9pocas distintas, movimento importante que fica claro atrav\u00e9s das contribui\u00e7\u00f5es do professor Andr\u00e9. Como exprime a significativa frase de Her\u00f3doto, historiador grego da Antiguidade, \u201cPensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro\u201d. <\/p>\n

As m\u00eddias sociais possuem um n\u00famero de usu\u00e1rios que equivale a mais do que a metade da popula\u00e7\u00e3o total do mundo. Da\u00ed a import\u00e2ncia de ter novas compreens\u00f5es sobre elas e sobre o que, consequentemente, elas podem representar para os indiv\u00edduos e a coletividade a curto e longo prazo. Ao fim e ao cabo, \u00e9 consenso entre os entrevistados: diante de um per\u00edodo t\u00e3o produtor de sofrimento como o de isolamento social, as redes sociais s\u00e3o importantes ferramentas para a manuten\u00e7\u00e3o de rotinas de estudo, trabalho e entretenimento, e para a constru\u00e7\u00e3o e o fortalecimento de la\u00e7os sociais. Isto \u00e9, em seus fins de abertura. Por meio deles, fica mais f\u00e1cil reconhecer como se caracteriza o bom uso das redes para cada sujeito e compreend\u00ea-las em seu verdadeiro significado: de interligar.<\/p>\n

***<\/p>\n

*Narciso acha feio o que n\u00e3o \u00e9 espelho” \u00e9 um verso da m\u00fasica “Sampa”, de Caetano Veloso e Gilberto Gil.<\/i><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t

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Expediente<\/strong><\/em><\/p>

Rep\u00f3rter<\/strong>: Anna J\u00falia da Silva, acad\u00eamica de Jornalismo (UFSM campus Frederico Westphalen) e estagi\u00e1ria
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Ilustrador<\/strong>: Noam Wurzel, acad\u00eamico de Desenho Industrial e bolsista<\/i><\/p>

M\u00eddia Social<\/strong>:<\/i>\u00a0Samara Wobeto e Elo\u00edze Moraes, acad\u00eamicas de Jornalismo e bolsistas<\/i><\/p>

Edi\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o<\/b>: Esther Klein, acad\u00eamica de Jornalismo e bolsista<\/i><\/p>

Edi\u00e7\u00e3o Geral<\/b>: Luciane Treulieb e Maur\u00edcio Dias, jornalistas<\/i><\/p><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/section><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/section>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

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