{"id":8733,"date":"2021-11-05T10:50:23","date_gmt":"2021-11-05T13:50:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/?p=8733"},"modified":"2022-04-08T10:20:42","modified_gmt":"2022-04-08T13:20:42","slug":"dinossauro-gigantesco","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/dinossauro-gigantesco","title":{"rendered":"UFSM participa de descoberta de dinossauro gigantesco no interior do Maranh\u00e3o"},"content":{"rendered":"\t\t
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Leonardo Kerber*<\/i><\/strong><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t

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Em abril de 2021, meu colega, o paleont\u00f3logo Elver Mayer, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Par\u00e1 (Unifesspa), entrou em contato comigo para mostrar algumas fotos de f\u00f3sseis em um barranco lamacento localizado no munic\u00edpio de Davin\u00f3polis, interior do Maranh\u00e3o, a quase 650 quil\u00f4metros da capital S\u00e3o Lu\u00eds. O barranco estava pr\u00f3ximo a uma obra de constru\u00e7\u00e3o de uma ferrovia.\u00a0<\/span><\/p>

Os f\u00f3sseis se tratavam de algumas v\u00e9rtebras e alguns fragmentos isolados – e, somente pelas imagens, n\u00e3o poder\u00edamos ter ideia do que realmente se tratava. As fotos foram tiradas pelo arque\u00f3logo Daniel Silva, e enviadas ao seu colega, o arque\u00f3logo Jardel Stenio, ambos da empresa ArqueoLog\u00edstica, que acompanhava a obra. Eles ficaram curiosos e as imagens foram enviadas para o paleont\u00f3logo Juan Cisneros, da Universidade Federal do Piau\u00ed, seu antigo professor do curso de gradua\u00e7\u00e3o em Arqueologia, que, por sua vez, encaminhou as fotos para Elver, j\u00e1 que ele atuava em uma universidade n\u00e3o t\u00e3o distante do munic\u00edpio de Davin\u00f3polis. Inicialmente, cogitou-se que se tratavam de f\u00f3sseis de uma pregui\u00e7a-gigante, que s\u00e3o relativamente comuns no nordeste brasileiro. E, por isso, Elver, especialista em f\u00f3sseis do Quatern\u00e1rio*, foi chamado para o desafio. Quando Elver compartilhou as fotos comigo, n\u00f3s dois ficamos muito curiosos com o fato de estarem aparecendo ossos t\u00e3o grandes naquela regi\u00e3o.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t

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Nesse primeiro momento, Elver organizou os tr\u00e2mites para o trabalho de campo junto \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, comunicou-se com o paleont\u00f3logo Manuel Medeiros, da Universidade Federal do Maranh\u00e3o, que prontamente lhe passou uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es sobre a \u00e1rea de estudo. Entretanto, como est\u00e1vamos em um momento de aumento do n\u00famero de casos de Covid-19, e a variante Delta acabava de chegar ao pa\u00eds, a log\u00edstica para reunir mais paleont\u00f3logos para verificar a ocorr\u00eancia de f\u00f3sseis ficou comprometida.\u00a0<\/span><\/p>

Mesmo assim, com a documenta\u00e7\u00e3o em m\u00e3os e contando com o suporte log\u00edstico da empresa que construiu a ferrovia e da equipe de arque\u00f3logos que trabalhavam no local, Elver dirigiu de sua cidade at\u00e9 Davin\u00f3polis. Em campo, eles encontraram uma s\u00e9rie de ossos de um grande animal \u2013 tratava-se de um dinossauro que provavelmente viveu entre 145 e 100 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s – e n\u00e3o de um mam\u00edfero <\/span>pleistoc\u00eanico*<\/span> como o cogitado preliminarmente pela foto de ossos aparecendo em meio ao sedimento lamacento. Durante uma semana, em meio a muita chuva e lama, foram recuperados dezenas de ossos do gigante. Entretanto, muito material ainda ficou para ser resgatado.\u00a0<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t

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Foi na segunda etapa do trabalho de campo que eu entrei em a\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio de junho, dirigi meu carro por pouco mais de 600 quil\u00f4metros, de Bel\u00e9m do Par\u00e1 – onde atualmente desenvolvo projetos no Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi –\u00a0 at\u00e9 Davin\u00f3polis. No local, encontrei Elver e a equipe de trabalho e escavamos mais ossos do grande animal, v\u00e9rtebras, ossos longos, costelas, diversos pequenos fragmentos e, entre eles, um osso longo e grande, que fomos deixando para coletar por \u00faltimo.\u00a0<\/span><\/p>

Ap\u00f3s embalarmos todos os demais<\/span> f\u00f3sseis<\/span>, come\u00e7amos a escavar esse <\/span>osso<\/span> longo e grande e, para nossa surpresa, era bem maior do que imagin\u00e1vamos. No total, ele tem mais de um metro e meio, e n\u00e3o est\u00e1 completo – o que indica que era ainda maior. Provavelmente, trata-se de um f\u00eamur desse animal gigantesco, mas ainda faltam muitos estudos para detalhar a identifica\u00e7\u00e3o dos <\/span>ossos<\/span>. Ao todo, foram recuperados aproximadamente 35 <\/span>elementos<\/span> desse animal, al\u00e9m de uma s\u00e9rie de outros<\/span> f\u00f3sseis <\/span>menos completos, que ir\u00e3o fornecer dados sobre como era esse gigante.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t

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Como a equipe estava acostumada a fazer escava\u00e7\u00f5es minuciosas, todas as etapas de coleta foram extremamente detalhadas, com desenhos, fotos e v\u00eddeos mostrando a disposi\u00e7\u00e3o dos f\u00f3sseis no afloramento antes da coleta. Tudo foi devidamente registrado para auxiliar os paleont\u00f3logos a compreenderem como se formou aquela concentra\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis. Al\u00e9m disso, a equipe aproveitou para gravar um <\/span>minidocument\u00e1rio<\/span><\/a> de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre o achado, mostrando todas as etapas da coleta e entrevistas com funcion\u00e1rios da obra, arque\u00f3logos e paleont\u00f3logos. Ap\u00f3s a coleta e embalagem adequada dos esp\u00e9cimes, eles foram levados para um laborat\u00f3rio da Unifesspa, 55BET Pro S\u00e3o Felix do Xing\u00fa, onde ser\u00e3o agora preparados e estudados pela equipe do Grupo de Estudos em Paleontologia, coordenado por Elver.<\/span><\/p>

Existem muitas quest\u00f5es a serem respondidas sobre esse animal gigantesco. Come\u00e7amos pela pergunta mais simples: quem foi esse animal? Ser\u00e1 uma esp\u00e9cie j\u00e1 conhecida pela ci\u00eancia, ou se trata de uma esp\u00e9cie ainda desconhecida? Depois que descobrirmos a identidade do gigante, teremos que descobrir qual era o seu tamanho e massa corp\u00f3rea, como andava, como morreu, quem eram os outros animais que coabitavam nesse mesmo ambiente. Enfim, uma s\u00e9rie de perguntas que a ci\u00eancia brasileira ir\u00e1 responder nos pr\u00f3ximos anos. Fiquem atentos para novidades!<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t

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Notas<\/i><\/strong><\/p>

*A escala de tempo geol\u00f3gico se divide em grupos e subgrupos identificados como \u00e9ons, eras, per\u00edodos, \u00e9pocas e idades.\u00a0<\/i><\/span><\/p>

*Cret\u00e1ceo<\/b>: terceiro per\u00edodo da Era Mesozoica, correspondente ao intervalo de tempo entre 145 e 66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.\u00a0<\/span><\/i><\/p>

*<\/span>Quatern\u00e1rio<\/b>: \u00faltimo per\u00edodo da Era Cenozoica correspondente ao intervalo de tempo entre 2.58 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Inclui as \u00c9pocas <\/span>Pleistoceno<\/b> e <\/span>Holoceno<\/b> (\u00faltimos 11,6 mil anos). <\/span><\/i><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t

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Expediente<\/span><\/i><\/p>

Texto:<\/b><\/em> Leonardo Kerber \u00e9 doutor em Ci\u00eancias pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Geoci\u00eancias da Universidade do Rio Grande do Sul (UFRGS) e paleont\u00f3logo do Centro de Apoio \u00e0 Pesquisa Paleontol\u00f3gica da Quarta Col\u00f4nia da Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA\/UFSM). Atualmente, atua como orientador do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biodiversidade Animal da universidade e \u00e9 colaborador\u00a0 t\u00e9cnico entre o Museu Paranaense Emilio Goeldi e a UFSM<\/em><\/div>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
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Ilustradora:<\/i><\/b> Yasmin Faccin, acad\u00eamica de Desenho Industrial e bolsista<\/i><\/p>

M\u00eddia Social: <\/i><\/b>Samara Wobeto, acad\u00eamica de Jornalismo e bolsista; Elo\u00edze Moraes, acad\u00eamica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acad\u00eamica de Jornalismo e volunt\u00e1ria; e Martina Pozzebon, acad\u00eamica de Jornalismo e estagi\u00e1ria<\/span><\/i><\/p>

Edi\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o:<\/i><\/b> Esther Klein, acad\u00eamica de Jornalismo e bolsista<\/span><\/i><\/p>

Edi\u00e7\u00e3o Geral:<\/i><\/b> Luciane Treulieb e Maur\u00edcio Dias, jornalistas<\/span><\/i><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

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