, o cineasta Carlos Saura fez essa adapta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\u00a0<\/b><\/p>
No texto de <\/span>A Casa de Bernarda Alba<\/span>, Luciana encontrou uma d\u00favida que durou desde a entrega da tese de doutorado em 2008 at\u00e9 2016, ano em que foi a Granada pela primeira vez. Em uma das cenas, uma criada disse que pisaria na protagonista Bernarda e a deixaria amassada no ch\u00e3o como se fosse um lagarto. Logo depois, uma vizinha chama a personagem que d\u00e1 nome \u00e0 pe\u00e7a de \u201c<\/span>vieja lagarta recocida\u201d . <\/span>A diferen\u00e7a entre o g\u00eanero masculino e o feminino chamou a aten\u00e7\u00e3o da pesquisadora.<\/span><\/p>\u00a0<\/b><\/p>
Ela consultou outras tradu\u00e7\u00f5es, e todas mantiveram essa diferencia\u00e7\u00e3o. Como a d\u00favida persistiu, Luciana recorreu ao dicion\u00e1rio. Foi ent\u00e3o que percebeu que a palavra no feminino \u00e9 usada em tom depreciativo, como p***, mas tamb\u00e9m para designar uma pessoa astuta ou trai\u00e7oeira. Luciana escolheu a primeira op\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\u00a0<\/b><\/p>
Como Lorca usou um animal como met\u00e1fora no original espanhol, ela achou que teria que fazer o mesmo em portugu\u00eas. Luciana ficou em d\u00favida entre galinha e piranha. Para decidir qual termo iria empregar, ela utilizou um m\u00e9todo aprendido nas t\u00e9cnicas de tradu\u00e7\u00e3o: perguntar a pessoas sem nenhuma liga\u00e7\u00e3o com o trabalho. Assim, ela come\u00e7ou a perguntar para amigos pr\u00f3ximos sobre qual era a diferen\u00e7a entre um animal e outro. \u201cEscolhi os homens porque havia considerado a hip\u00f3tese de o adjetivo estar referido \u00e0 moral feminina e achei que os homens poderiam me dar respostas mais espont\u00e2neas\u201d, explica Luciana.<\/span><\/p>\u00a0<\/p>
Mas a protagonista \u00e9 t\u00e3o trai\u00e7oeira que enganou at\u00e9 mesmo a professora. Ela s\u00f3 foi perceber que Lorca usou \u201c<\/span>lagarta\u201d <\/span>com o sentido de v\u00edbora quando chegou na Espanha. Com a descoberta, a d\u00favida sobre qual animal utilizar na tradu\u00e7\u00e3o\u00a0 retornou e, por isso, consultou Jos\u00e9 Antonio Pinilla, professor da <\/span>Universidad de Granada <\/span>e tradutor de portugu\u00eas. \u201cEst\u00e1vamos no gabinete de portugu\u00eas da universidade, ele estava lendo, levantou a cabe\u00e7a e disse: ‘v\u00edbora”’, lembra.\u00a0 Luciana quase n\u00e3o acreditou na facilidade com a qual ele solucionou seu dilema de anos.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t