{"id":98,"date":"2016-02-16T11:40:00","date_gmt":"2016-02-16T13:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/comunicacao\/arco\/2016\/02\/16\/post98\/"},"modified":"2021-05-25T15:47:41","modified_gmt":"2021-05-25T18:47:41","slug":"post98","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/post98","title":{"rendered":"Literatura Cartonera"},"content":{"rendered":"

Atrav\u00e9s de cores vivas, desenhos, colagens, pinturas e o que a criatividade permitir no momento. O livro feito tradicionalmente se reinventa. No lugar de grandes m\u00e1quinas produzindo em s\u00e9rie, com capas padronizadas, em Santa Maria, um novo conceito se expande: o livro artesanal e exclusivo.<\/p>\n

Utilizando o papel\u00e3o como principal mat\u00e9ria-prima para a confec\u00e7\u00e3o de capas, a Editora Vento Norte Cartonero, iniciou suas atividades no fim de 2014. O lan\u00e7amento aconteceu no dia em 2014\u00a0no\u00a0Vaca Profana, no centro de Santa Maria. \u00a0Na ocasi\u00e3o, foram vendidos 58 livros, n\u00famero considerado expressivo e comemorado pelos editores. \u201cSe fala muito que o pessoal n\u00e3o gosta de ler, mas eu acho que h\u00e1 um potencial para colocar livros deste tipo em circula\u00e7\u00e3o. entramos muito com a sedu\u00e7\u00e3o visual, o livro chama a aten\u00e7\u00e3o. E \u00e9 uma maneira de colocar (em circula\u00e7\u00e3o) o material liter\u00e1rio para que o pessoal comece a ler\u201d, comenta o Professor Fernando Villarraga, do Departamento de Letras Vern\u00e1culas da UFSM, um dos idealizadores da Editora Vento Norte.<\/p>\n

As tr\u00eas primeiras obras da Vento Norte Cartonero, s\u00e3o Xorok Kopox<\/em>, do autor Zuca Sardan, considerado o pai da poesia marginal \u00a0dos anos 70 e que j\u00e1 teve obras lan\u00e7adas pelas maiores editoras do pa\u00eds, como a Companhia das Letras. Al\u00e9m das obras E Agora Jos\u00e9?<\/em>, de autoria do Professor Fernando Villarraga eInterfer\u00eancias<\/em>, do autor Bruno Brum.<\/p>\n

A Editora procura ser autossustent\u00e1vel, ou seja, todo o lucro da venda dos livros retorna exclusivamente para a produ\u00e7\u00e3o de novas edi\u00e7\u00f5es. O que \u00e9 arrecadado, \u00e9 utilizado nas despesas com a gr\u00e1fica e com os materiais para colorir as capas. Dessa maneira, n\u00e3o se obt\u00e9m lucro com as publica\u00e7\u00f5es, mas mais recursos para a confec\u00e7\u00e3o de novas edi\u00e7\u00f5es. \u201cSomos um projeto independente, de autogest\u00e3o, o que implica que n\u00e3o temos, nem v\u00ednculos e nem recebemos apoio institucional\u201d, afirma o professor Villarraga.<\/p>\n

OFICINAS<\/h4>\n

O miolo do livro continua confeccionado da maneira tradicional, e \u00e9 impresso pela gr\u00e1fica Espa\u00e7o Gr\u00e1fico, parceira da Editora desde o in\u00edcio de suas atividades. J\u00e1 as capas, que \u00e9 o diferencial das editoras cartoneras, s\u00e3o produzidas em papel\u00e3o, colorido conforme a criatividade de cada um, por isso s\u00e3o exclusivas. Para a produ\u00e7\u00e3o delas, s\u00e3o organizados mutir\u00f5es por volunt\u00e1rios.<\/p>\n

Uma das a\u00e7\u00f5es realizadas pelo grupo s\u00e3o oficinas ministradas em escolas p\u00fablicas de Santa Maria. Segundo o professor Fernando Villarraga, \u00e9 importante \u201cmostrar aos meninos como se faz livros e desmistificar que livro \u00e9 um objeto muito distante da sua realidade. E introduzir o aspecto l\u00fadico do fazer.\u201d<\/p>\n

LITERATURA ALTERNATIVA<\/h4>\n

O papel\u00e3o virou capa de livros em solo argentino. Em 2003, a Argentina vivia um per\u00edodo cr\u00edtico economicamente. No Barrio de La Boca<\/em>, em Buenos Aires, foi criada a Editora Eloisa Cartonera, com o intuito de produzir livros de baixo custo. Os integrantes entraram em contato com a cooperativa de catadores local, afim de reciclar papel\u00e3o e utilizar como alternativa para as capas dos livros, todas produzidas de maneira artesanal e manualmente. A ideia foi difundida, e atualmente, a editora tem mais de 200 t\u00edtulos de autores consagrados e estreantes. O professor Fernando teve contato com o trabalho da Editora argentina, e em algum momento come\u00e7ou a pensar em montar um espa\u00e7o semelhante \u00e0 Eloisa Cartonera, por\u00e9m em Santa Maria. \u201cUma cartonera para abrir um espa\u00e7o de divulga\u00e7\u00e3o de autores da cidade e de outros que colaborassem com o projeto, e foi assim que nasceu em setembro de 2013, a Maria Papel\u00e3o Editora.\u201d, comenta Fernando. A Maria Papel\u00e3o Editora, foi a primeira Editora criada na cidade com a ideia de difundir o conceito cartonero de utilizar papel\u00e3o para a confec\u00e7\u00e3o das capas e serviu de inspira\u00e7\u00e3o para a Vento Norte Cartonero.<\/p>\n

PLURALIDADE DE CONTE\u00daDOS<\/h4>\n

O projeto est\u00e1 aberto a receber propostas de textos liter\u00e1rios e outras linguagens art\u00edsticas. Segundo a mestranda Luiza Casanova, todo o tipo de publica\u00e7\u00e3o \u00e9 aceita, \u201cSeja de moradores de rua at\u00e9 escritores. A editora cartonera \u00e9 isso, um espa\u00e7o aberto para a pluralidade. O nosso sentido n\u00e3o \u00e9 fazer dinheiro, n\u00f3s n\u00e3o concorremos com o mercado, n\u00f3s criamos um espa\u00e7o paralelo ao mercado.\u201d<\/p>\n

A Editora busca integrar todo o tipo de trabalho que incentive os novos autores a publicarem, por isso, n\u00e3o h\u00e1 uma linha editorial definida. S\u00e3o publicados poemas, narrativas, cr\u00f4nicas, ensaios. \u201cSomos um projeto aberto para propostas, se a gente receber materiais, a gente analisa se vale a pena publicar\u201d, finaliza Villarraga.<\/p>\n

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