{"id":9822,"date":"2024-02-29T10:02:11","date_gmt":"2024-02-29T13:02:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/?p=9822"},"modified":"2024-02-29T10:02:14","modified_gmt":"2024-02-29T13:02:14","slug":"seguranca-alimentar-em-xeque","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/arco\/seguranca-alimentar-em-xeque","title":{"rendered":"Dossi\u00ea Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas: Seguran\u00e7a alimentar em xeque"},"content":{"rendered":"\t\t
Milho, soja, feij\u00e3o, arroz, leite, carne bovina e frango tiveram aumento significativo de pre\u00e7os em 2022. Al\u00e9m da crise econ\u00f4mica, os eventos clim\u00e1ticos extremos que atingiram o Brasil em 2021 e 2022 tamb\u00e9m s\u00e3o motivos do maior custo dos alimentos. Bahia, Minas Gerais, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro registraram enchentes com centenas de mortos, de acordo com o Sistema Integrado de Informa\u00e7\u00f5es sobre Desastres do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Regional (S2ID\/MDR). Al\u00e9m disso, no sudeste e sul do pa\u00eds, principalmente em S\u00e3o Paulo e no Rio Grande do Sul, a aus\u00eancia de chuvas provocou uma estiagem severa que, no estado ga\u00facho, \u00e9 a segunda maior j\u00e1 registrada, de acordo com o Monitor de Secas do Brasil, da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas e Saneamento B\u00e1sico (ANA). Tanto o excesso quanto a falta de \u00e1gua afetam a produ\u00e7\u00e3o de alimentos: a agricultura funciona por meio de ciclos e de cadeias de produtividade e, caso haja desequil\u00edbrios em alguma etapa, a safra pode ser prejudicada. De acordo com o relat\u00f3rio de 2021 do Painel Intergovernamental sobre o Clima (IPCC), da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), com a intensifica\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos brasileira ser\u00e1 menor, principalmente em fun\u00e7\u00e3o da maior frequ\u00eancia dos eventos clim\u00e1ticos extremos, como secas, enchentes e inc\u00eandios.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t Para Dilson Bisognin, professor no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o aumento da temperatura impacta todas as popula\u00e7\u00f5es de plantas, inclusive no crescimento de pat\u00f3genos – como bact\u00e9rias, fungos e v\u00edrus – e plantas daninhas mais resistentes, al\u00e9m de afetar os animais.\u00a0\u201cQualquer mudan\u00e7a no ambiente vai afetar a vida do planeta. M\u00ednimas mudan\u00e7as t\u00eam um enorme efeito nas popula\u00e7\u00f5es. Por exemplo, em 2022, os meses de restri\u00e7\u00e3o h\u00eddrica tiveram um enorme impacto nas plantas e microorganismos\u201d, explica o docente. Segundo o relat\u00f3rio “Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Eventos Extremos no Brasil”, da Funda\u00e7\u00e3o Brasileira para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (FBDS), durante os \u00faltimos 50 anos, a Am\u00e9rica do Sul teve amplia\u00e7\u00e3o de intensidade e frequ\u00eancia dos eventos clim\u00e1ticos extremos. Isso aumenta os custos econ\u00f4micos e sociais e impacta principalmente os setores da agricultura, da gera\u00e7\u00e3o de hidroeletricidade, os centros urbanos e a biodiversidade.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t A seguran\u00e7a alimentar se baseia em quatro pilares: disponibilidade, utiliza\u00e7\u00e3o, estabilidade e acesso.<\/p> Com base em dados do relat\u00f3rio do IPCC 2020 – 2021.<\/em><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t Resultado dos processos de produ\u00e7\u00e3o, armazenamento, processamento, distribui\u00e7\u00e3o e troca de alimentos. Se a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 afetada, as outras etapas tamb\u00e9m ser\u00e3o. Em uma estiagem, a aus\u00eancia de \u00e1gua na produ\u00e7\u00e3o pode acarretar, por exemplo, a falta de tomate na prateleira do supermercado.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t Modo como se utilizam os alimentos (envolve a composi\u00e7\u00e3o nutricional, a prepara\u00e7\u00e3o e a qualidade). As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas influenciam o modo como os alimentos ser\u00e3o consumidos. Na safra de tomate prejudicada pela estiagem, a pouca disponibilidade eleva os pre\u00e7os, o que impacta a capacidade de compra das pessoas, que deixam de consumir o alimento.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t Capacidade das pessoas em acessar e usar alimentos diariamente. Em um cen\u00e1rio de aumento do pre\u00e7o dos alimentos, que \u00e9 intensificado pelos eventos clim\u00e1ticos extremos, uma fam\u00edlia de m\u00e9dia ou baixa renda pode n\u00e3o ter dinheiro para comprar comida de qualidade todos os dias.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t Capacidade de obter comida com pre\u00e7os acess\u00edveis. Os itens mais afetados com o aumento de pre\u00e7os costumam ser os cereais e produtos de origem animal. O acesso influencia a estabilidade alimentar.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t Os \u00faltimos relat\u00f3rios do IPCC, inclusive o de 2022, apontam que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem afetar diferentes sistemas produtivos, como a pecu\u00e1ria, a poliniza\u00e7\u00e3o, a aquicultura e a agricultura familiar (veja detalhes na pr\u00f3xima p\u00e1gina). Al\u00e9m disso, s\u00e3o os locais mais vulner\u00e1veis que t\u00eam maior possibilidade de serem atingidos pelos efeitos de eventos clim\u00e1ticos extremos. \u201cOs alimentos, nos \u00faltimos tempos, t\u00eam sido encarados enquanto mercadoria e n\u00e3o s\u00e3o produzidos com a finalidade de consumo e de alimentar as pessoas\u201d, argumenta Cleder Fontana, docente no Departamento de Geoci\u00eancias da UFSM e l\u00edder do N\u00facleo de Estudos em Geografia, Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (NUGAAL). Ou seja, a produ\u00e7\u00e3o de commodities – em grande escala, como os gr\u00e3os – deve continuar crescendo globalmente e gerar riscos \u00e0 seguran\u00e7a alimentar, devido \u00e0 convers\u00e3o de \u00e1reas produtoras de alimentos em \u00e1reas produtoras de mat\u00e9ria-prima para os agrocombust\u00edveis.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t De acordo com Juliano Barin, docente no Departamento de Tecnologia e Ci\u00eancia dos Alimentos da UFSM, elementos como os insumos, a \u00e1gua, o solo e o trabalho humano tamb\u00e9m s\u00e3o parte integrante dos sistemas produtivos alimentares. \u201cS\u00e3o cadeias que est\u00e3o interligadas. Por exemplo, o milho \u00e9 muito usado para ra\u00e7\u00e3o animal. Ent\u00e3o, se tiver uma quebra na produ\u00e7\u00e3o do milho, o pre\u00e7o da carne vai aumentar, especialmente a de frango. Qualquer altera\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica que tenha uma quebra na produ\u00e7\u00e3o vai impactar em efeito cascata\u201d, explica.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t 1. Quando h\u00e1 estiagem, a safra de milho \u00e9 prejudicada (tanto para a colheita do gr\u00e3o quanto para o corte da planta).<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t 2. Para o gado, a ra\u00e7\u00e3o e a silagem (milho picado e fermentado) tem custo maior e menos qualidade. O frango tamb\u00e9m \u00e9 afetado, a ra\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a base da alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 feita de milho, cujo custo fica maior.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t 3. Com isso, os pre\u00e7os do leite, dos ovos, da carne de gado e de frango aumentam. Nos supermercados, nem todas as pessoas conseguem adquirir estes e outros itens b\u00e1sicos da alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t Somente no Brasil, s\u00e3o mais de 33 milh\u00f5es de pessoas que passam fome, de acordo com dados do 2\u00ba inqu\u00e9rito sobre inseguran\u00e7a alimentar produzido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Penssan). Conduzida em 2022, Mesmo assim, de acordo com estudos da Organiza\u00e7\u00e3o\u00a0das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura\u00a0<\/span>(FAO), as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas v\u00e3o impactar,\u00a0<\/span>de forma negativa, os pilares da seguran\u00e7a alimentar.\u00a0<\/span>De acordo com o IPCC e a Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es\u00a0<\/span>Unidas para o Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o (UNCDD),\u00a0<\/span>os mais afetados ser\u00e3o os produtores e consumidores\u00a0<\/span>de baixa renda, principalmente por conta da aus\u00eancia\u00a0<\/span>de recursos que possibilitem o investimento em\u00a0<\/span>adapta\u00e7\u00f5es, tanto em sistemas produtivos quanto no\u00a0<\/span>consumo. \u201cCom certeza pode afetar as popula\u00e7\u00f5es\u00a0<\/span>e produ\u00e7\u00f5es locais, que abastecem as pessoas com\u00a0<\/span>alimentos, especialmente no contexto em que as\u00a0<\/span>pessoas n\u00e3o t\u00eam recursos financeiros para comprar\u201d,\u00a0<\/span>afirma Cleder.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t Com base em dados do relat\u00f3rio do IPCC 2020 – 2021.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t PECU\u00c1RIA: impactado pela combina\u00e7\u00e3o de temperaturas mais altas, a varia\u00e7\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o, a concentra\u00e7\u00e3o de AGRICULTURA FAMILIAR: eventos\u00a0como estiagens e inunda\u00e7\u00f5es, principalmente,\u00a0<\/span>impedem a produ\u00e7\u00e3o de\u00a0<\/span>alimentos que, muitas vezes, s\u00e3o, al\u00e9m\u00a0<\/span>da \u00fanica fonte de renda, tamb\u00e9m a\u00a0<\/span>fonte alimentar das fam\u00edlias do campo.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t POLINIZA\u00c7\u00c3O: afetado, principalmente,\u00a0pelo aumento de pat\u00f3genos mais virulentos,\u00a0<\/span>como o fungo Nosema cerana,\u00a0<\/span>que se prolifera em temperaturas mais\u00a0<\/span>altas.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t AQUICULTURA: inunda\u00e7\u00f5es trazem\u00a0perda na produ\u00e7\u00e3o, mais risco de doen\u00e7as,\u00a0<\/span>algas t\u00f3xicas e parasitas, aumenta\u00a0<\/span>o risco de eutrofiza\u00e7\u00e3o (aus\u00eancia de\u00a0<\/span>oxig\u00eanio na \u00e1gua, que leva \u00e0 morte de\u00a0<\/span>plantas e animais) e pode provocar a\u00a0<\/span>escassez das sementes silvestres.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t Em documento de 2021, o IPCC alerta que ao menos um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos est\u00e1 em risco como resultado do aquecimento Um exemplo de como os eventos clim\u00e1ticos extremos afetam\u00a0o agroneg\u00f3cio est\u00e1 na estimativa feita pela Associa\u00e7\u00e3o das Empresas\u00a0<\/span>Cerealistas do Estado do Rio Grande do Sul (Acergs) em maio\u00a0<\/span>de 2022: 65% da safra de milho do ano foi comprometida, o que\u00a0<\/span>corresponde a uma perda de quatro milh\u00f5es de toneladas e R$ 6,3\u00a0<\/span>bilh\u00f5es. Na soja, a redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o no mesmo per\u00edodo \u00e9 de\u00a0<\/span>48,7% (10,2 milh\u00f5es de toneladas ou R$ 32,4 bilh\u00f5es), de acordo\u00a0<\/span>com a Rede T\u00e9cnica Cooperativa (RTC), filiada \u00e0 Cooperativa\u00a0<\/span>Central Ga\u00facha Ltda (CCGL). No entanto, o setor do agroneg\u00f3cio\u00a0<\/span>tem mais recursos para lidar com o cen\u00e1rio, principalmente\u00a0<\/span>por meio do uso e desenvolvimento de tecnologias. Para Dilson,\u00a0<\/span>apesar de ser fundamental, a tecnologia n\u00e3o pode ser a \u00fanica\u00a0<\/span>solu\u00e7\u00e3o para a problem\u00e1tica. \u201cA tecnologia \u00e9 excludente, e as\u00a0<\/span>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas v\u00e3o favorecer e justificar novas tecnologias\u201d,\u00a0<\/span>afirma. Para o docente, a agricultura familiar \u00e9 mais afetada\u00a0<\/span>pelos eventos clim\u00e1ticos extremos j\u00e1 que tem menos recursos\u00a0<\/span>financeiros para investir em tecnologia.\u00a0<\/span><\/p> Em 2010, Dilson coordenou um estudo no Departamento de\u00a0Fitotecnia sobre os efeitos da evolu\u00e7\u00e3o das temperaturas no cultivo\u00a0<\/span>de batatas. Na \u00e9poca, a conclus\u00e3o da pesquisa j\u00e1 apontava que\u00a0<\/span>o aumento do CO\u2082 e de temperatura resulta em consequ\u00eancias\u00a0<\/span>
\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t4 pilares<\/h3>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
DISPONIBILIDADE<\/h4>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
UTILIZA\u00c7\u00c3O<\/h4>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
ESTABILIDADE<\/h4>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
ACESSO<\/h4>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
Sistemas produtivos<\/h3>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
Efeito cascata<\/h3>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\tInseguran\u00e7a alimentar e fome<\/h3>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
a pesquisa mostra que s\u00f3 quatro a cada dez fam\u00edlias t\u00eam acesso pleno \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Os n\u00fameros altos mostram um cen\u00e1rio preocupante. Os relat\u00f3rios do IPCC alertam que a inseguran\u00e7a alimentar e a fome podem aumentar com o cen\u00e1rio de maior frequ\u00eancia
e intensidade dos eventos clim\u00e1ticos extremos. No entanto, para Cleder Fontana, \u00e9 preciso cautela na an\u00e1lise, uma vez que a fome n\u00e3o \u00e9 causada apenas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cTemos que pensar que a fome \u00e9 um problema, sobretudo, pol\u00edtico. E quando fazemos a rela\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, aquecimento global e fome, corremos o risco de dar uma explica\u00e7\u00e3o simplista, de que a fome \u00e9 um problema que deriva de uma condi\u00e7\u00e3o natural, apesar de que os dois problemas guardam similaridades, pois ambos s\u00e3o sociais\u201d, alerta. O docente refor\u00e7a que abordar outros aspectos que causam a fome e a inseguran\u00e7a alimentar n\u00e3o v\u00e3o contra o consenso cient\u00edfico da exist\u00eancia das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e seus efeitos.<\/p>Inseguran\u00e7a alimentar e fome<\/h3>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
di\u00f3xido de carbono atmosf\u00e9rico (CO\u2082) e a disponibilidade da \u00e1gua. Consequ\u00eancias s\u00e3o a diminui\u00e7\u00e3o da oferta e o aumento do pre\u00e7o de carnes, problemas na reprodu\u00e7\u00e3o, na sa\u00fade animal e na qualidade das pastagens, al\u00e9m do aumento de doen\u00e7as.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\tInseguran\u00e7a alimentar e fome<\/h3>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t
global. Apesar de a agricultura familiar figurar como a mais afetada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o agroneg\u00f3cio n\u00e3o fica de fora. Dilson Bisognin concorda com essa afirma\u00e7\u00e3o e alerta que, uma vez que h\u00e1 altera\u00e7\u00f5es em pragas e doen\u00e7as de plantas, que se tornam mais resistentes, cultivares mais adequadas devem ser desenvolvidas, tanto para cen\u00e1rios de temperaturas mais altas quanto para o enfrentamento dos pat\u00f3genos. O docente ainda afirma que o cen\u00e1rio brasileiro \u00e9 preocupante, uma vez que houve redu\u00e7\u00e3o e restri\u00e7\u00e3o de recursos para a ci\u00eancia e o desenvolvimento tecnol\u00f3gico. \u201cN\u00f3s vamos ter que ter uma prepara\u00e7\u00e3o a longo prazo, e n\u00f3s n\u00e3o temos uma preocupa\u00e7\u00e3o a longo prazo. Vamos ter muita dificuldade em ter pessoas qualificadas, tecnologia e ci\u00eancia para dar resposta a isso. A partir
do momento que se tira recurso da ci\u00eancia e da tecnologia, est\u00e1 atrasando toda a resposta\u201d, evidencia Dilson.<\/p>