{"id":1066,"date":"2025-05-09T07:50:14","date_gmt":"2025-05-09T10:50:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/?p=1066"},"modified":"2025-05-24T22:52:54","modified_gmt":"2025-05-25T01:52:54","slug":"geracao-lilica-ripilica-para-as-mulheres-que-nos-criaram","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/2025\/05\/09\/geracao-lilica-ripilica-para-as-mulheres-que-nos-criaram","title":{"rendered":"Gera\u00e7\u00e3o Lilica Ripilica \u2013 para as mulheres que nos criaram<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n

Em especial para Dona Patr\u00edcia (afinal, filha de Patr\u00edcia… patricinha \u00e9).<\/em><\/p>\n\n\n\n

Por:<\/strong> Teresa Vit\u00f3ria<\/p>\n\n\n\n\n\n

\"\"<\/p>\n

Teresices \u2013 2\/12<\/strong><\/p>\n

Muita gente diz que a nossa gera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pataquada. Que temos vontades que ningu\u00e9m nunca teve antes (tipo ficar vendo TikTok deitada na cama, o que para mim \u00e9 necessidade b\u00e1sica), doen\u00e7as que ningu\u00e9m nomeava (como FOMO e depress\u00e3o) e v\u00edcios novos (como o pod, esse diabo da frutinha congelada – \u00e9 bom, n\u00e9, gente?). Mas n\u00e3o vou entrar nesses m\u00e9ritos. Quero falar da gera\u00e7\u00e3o Lilica Ripilica, como eu autointitulei a nossa gera\u00e7\u00e3o de garotas que cresceram nos anos 2000.<\/p>\n

Por causa das nossas m\u00e3es que s\u00f3 nos vestiam de Lilica Ripilica, com mochila e lancheira da Barbie combinando, tinha o CD da Kelly Key e assistia Meninas Superpoderosas no Cartoon Network enquanto tentava pegar o chaveiro da Hello Kitty dentro do salgadinho com um Kapo de morango na m\u00e3o. E agora, patricinhas crescidas, como \u00e9 saber que seu medo de engravidar na adolesc\u00eancia n\u00e3o \u00e9 mais real, porque voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o mais na adolesc\u00eancia, hein manas?<\/p>\n

Hoje eu vim falar com voc\u00eas! E com a gera\u00e7\u00e3o de m\u00e3es que criou essas divas que agora est\u00e3o tatuadas, com preenchimento labial (eu que o diga), estudando fora, conhecendo o mundo. E a saudade? Aquela vontade de ver Sess\u00e3o da Tarde com pipoca e um musical bem anos 2000 no colo da mam\u00e3e… j\u00e1 t\u00e1 batendo?<\/p>\n

\"\"<\/p>\n

Se tem uma coisa que minha m\u00e3e amava fazer comigo, al\u00e9m de me arrumar como uma bonequinha, ver sess\u00e3o da tarde e \u201cbater perna\u201d (uma desculpa safada que ela usava pra gastar dinheiro com mais roupas e adere\u00e7os pra mim, coisa que eu amava, t\u00e1?), era me mostrar fotos da juventude dela. E olha, gente, ela viveu!<\/p>\n

Quando eu digo que viveu, esse \u201cviveu\u201d \u00e9 dan\u00e7ar em gaiolas em noites mexicanas regadas a tequila nos anos 90, conhecer os Mamonas Assassinas e fazer after com eles (tem foto e tudo, t\u00e1, manas?) trocar o F\u00e1bio Assun\u00e7\u00e3o numa boate de SP (sim, ele mesmo!) em plena fase Rei do Gado por outro bofe (j\u00e1 sabemos de onde vem meu p\u00e9ssimo gosto para homens) e terminar a noite (ou come\u00e7ar a manh\u00e3) num vel\u00f3rio, de roupa de balada, com minha av\u00f3 querendo comer o f\u00edgado dela! (Ali\u00e1s, minha av\u00f3 deve querer comer \u00e9 o meu f\u00edgado l\u00e1 do c\u00e9u por eu estar expondo isso com minha boca de sacola pras minhas 3 leitoras.)<\/p>\n

Voltando \u00e0s fabulosas aventuras de Dona Patr\u00edcia: ela sempre disse que gostava de \u201cbiscatear\u201d, e isso nunca foi depreciativo. Ela amava viver. Amava viajar, beber, usar minissaias, sair com homens que davam presentes car\u00edssimos (que ela guarda at\u00e9 hoje, e me conta a hist\u00f3ria de cada um, ali\u00e1s). Mas, um dia, isso tudo acabou.<\/p>\n

N\u00e3o sei se foi porque ela conheceu meu pai e engravidou (de mim). S\u00f3 sei que as noites viradas vivendo viraram noites em claro cuidando de mim. A m\u00fasica e as risadas do ap\u00ea em Campinas com as amigas deram lugar \u00e0 voz do meu av\u00f4 no telefone dizendo que ela teria que largar a faculdade porque ele n\u00e3o podia bancar um filho na medicina e uma filha fazendo turismo. (Anos 90, n\u00e9? Melhor um filho m\u00e9dico do que uma filha que \u201cuma hora t\u00e1 aqui, outra hora t\u00e1 l\u00e1\u201d.)<\/p>\n

Os homens babadeiros ficaram de lado diante da maior \u00e2nsia que ela tinha (e ainda tem, acho) de consertar o meu pai. Ela escolheu um homem quebrado por dentro, na esperan\u00e7a de ajud\u00e1-lo, de salv\u00e1-lo. E eu vi minha m\u00e3e fazer isso a vida inteira, com ele, com todo mundo \u00e0 sua volta, e at\u00e9 comigo.
(\u00c0s vezes penso que, se n\u00e3o fosse por mim, Teresa, ela poderia estar vivendo tudo aquilo. E isso me d\u00f3i tanto.)<\/p>\n

Acho que toda m\u00e3e se doa pelos filhos. Elas s\u00f3 faltam tirar peda\u00e7os delas pra colocar na gente. Literalmente, se isso fosse necess\u00e1rio, elas o fariam sem hesitar. Minha m\u00e3e sempre disse que sua boneca favorita quando crian\u00e7a se chamava Teresa, por isso o meu nome, e esse meu jeitinho mimado de uma garotinha de apenas 25 anos. Sim, eu admito que voc\u00eas est\u00e3o certos, eu sou mimada (e olha que melhorei muito!). Mas fui criada para isso. Criada para ter todos os meus sonhos servidos em uma bandeja de prata, pra que eles n\u00e3o fossem s\u00f3 sonhos, como os dela, que ficaram no et\u00e9reo. J\u00e1 os meus sempre foram uma wishlist<\/em> de carrinho da Shein<\/em>, sabe? S\u00f3 desejos que vou realizando um a um, dando check<\/em>, porque, gra\u00e7as \u00e0 minha m\u00e3e, ela sempre os tornou poss\u00edveis e reais.
\u00a0(\u00c0s vezes at\u00e9 me toma o pensamento que ela desistiu dos sonhos dela pra eu poder realizar os meus.)<\/p>\n

E eu vejo isso em toda a nossa gera\u00e7\u00e3o. Posso estar falando de um lugar completamente errado e privilegiado, sim, mas \u00e9 o que vejo. Cada amiga que largou tudo para seguir seu sonho, ou sua carreira ou qualquer outra coisa que a gente inventa, cada uma que decidiu cair no mundo… tem uma figura feminina forte por tr\u00e1s. Uma mulher que abriu m\u00e3o de algo pra essa menina estar fazendo isso agora, seja escrevendo uma coluna na internet, curando pessoas, cuidando de animais, ensinando crian\u00e7as. (T\u00e1, minha profiss\u00e3o pareceu uma merda perto dessas que citei, n\u00e9? Mas ok, vambora…)<\/p>\n

Essas mulheres nos prepararam. As Lilicas Ripilicas que assistiam desenho no intervalo entre a escola e o bal\u00e9, tomando Kapo, est\u00e3o vivendo seus sonhos porque algu\u00e9m pavimentou esse caminho e construiu essa identidade nelas. E foi uma mulher! Independente de ser m\u00e3e ou n\u00e3o.<\/p>\n

Minha m\u00e3e nunca passou necessidade, mas as \u201cBarbies profiss\u00f5es\u201d que ela tinha ficaram s\u00f3 pra brincar mesmo. Quando chegou a vez dela ser \u201co que quisesse ser\u201d, como diz o slogan da pr\u00f3pria Barbie, ela n\u00e3o p\u00f4de. Mas ela abriu todos os caminhos poss\u00edveis pra que eu pudesse escolher. E eu a amo tanto por isso e queria tanto agradec\u00ea-la… (apesar de quase nunca devolver os Pix que ela me faz durante a semana quando t\u00f4 lisa).<\/p>\n

Voc\u00ea que t\u00e1 lendo isso: saiba que sua m\u00e3e abriu m\u00e3o de muita coisa por voc\u00ea. E m\u00e3es, se estiverem lendo: a gente sabe. N\u00e3o agradece o suficiente, mas sabe. E essa consci\u00eancia \u00e9 feita de gratid\u00e3o, e de um certo luto. Porque sabemos que talvez algum sonho seu teve que morrer pro nosso poder viver, e queremos fazer jus a isso.<\/p>\n

Minha m\u00e3e sempre cultivou em mim uma cultura de autoestima: o sentimento de que eu era \u201cdemais\u201d, pra que eu nunca me sentisse \u201cde menos\u201d. Ela me inscrevia em concursos, e eu sempre ganhava. N\u00e3o por ser a mais bonita (a mais bem vestida eu era, sim, m\u00e9rito total dela!), mas por ser a mais confiante. E voc\u00ea, com certeza, tem algu\u00e9m que te encorajou, seja na escola, nos esportes, em qualquer hobby que hoje se tornou parte da sua personalidade. Algu\u00e9m que viu voc\u00ea. Que torceu por voc\u00ea mais alto que qualquer cr\u00edtica ou vaia do mundo.<\/p>\n

Fui t\u00e3o envolvida no meu mundo cor-de-rosa criado pela minha m\u00e3e para me proteger, que s\u00f3 depois de adulta entendi: o mundo n\u00e3o \u00e9 cor-de-rosa, as pessoas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 boas, e quase nada sai como o planejado. \u00c0s vezes nosso pai n\u00e3o tem salva\u00e7\u00e3o, e \u00e0s vezes voc\u00ea tem, sim, que levar o casaco antes de sair, porque se resfriar n\u00e3o vai ter mam\u00e3e pra fazer sopa. A verdade \u00e9: a gente cresce, mas no fundo segue sendo aquela menininha que precisa de colo e do urso de pel\u00facia.<\/p>\n

Essas mulheres, nossas m\u00e3es, nos deram o que elas queriam ter tido. Agora, enquanto escrevo esse Teresices, t\u00f4 ouvindo Slipping Through My Fingers<\/em>, do musical Mamma Mia<\/em> (hist\u00f3ria de m\u00e3e e filha que a minha m\u00e3e sempre quis ver comigo, e eu nunca quis porque odeio musicais). Mas, quando assisti, percebi que a hist\u00f3ria sempre foi mais da Donna (a m\u00e3e) do que da Sophie (a filha). Sophie s\u00f3 vive aquilo porque a m\u00e3e, Donna (tentando n\u00e3o dar spoiler), abriu m\u00e3o de algo que amava pela maternidade. Mas teve uma vida cheia de lembran\u00e7as para se orgulhar e lembrar com carinho da \u00e9poca em que era livre, cheia de viagens, festas e m\u00fasicas do ABBA. Minha m\u00e3e queria isso pra mim, n\u00e3o necessariamente a mesma vida, mas a liberdade de ter escolhas. Que pudesse escolher viver isso e depois, assim como a Sophie, escolher aquietar a bunda em casa. Ela me deu essa escolha que ela n\u00e3o teve, de m\u00e3o beijada, numa bandeja de prata. E \u00e9 por isso que um peda\u00e7o dela vive em mim.<\/p>\n

Quando dizem que sou uma patricinha, pois \u00e9, sou mesmo, incorrigivelmente. N\u00e3o porque sou mimada, criada \u00e0 base de Lilica Ripilica e Melissa no p\u00e9. Mas porque tenho muito orgulho de ser filha da minha m\u00e3e, Dona Patr\u00edcia. Ou poderia ser a Dona Cris, Luciana, Micheli ou Tatyana (sim, estou citando as m\u00e3es das minhas amigas, porque elas tamb\u00e9m deram isso a suas filhas).<\/p>\n

A gera\u00e7\u00e3o das nossas m\u00e3es ainda precisava cumprir as expectativas que a sociedade colocou sobre elas. Mas foram as \u00faltimas. A nossa, gra\u00e7as a elas, veio pra cumprir as pr\u00f3prias. E esse \u00e9 um dos maiores legados que elas nos deixaram.<\/p>\n

O t\u00edtulo desse texto \u00e9 para as mulheres que nos criaram. Porque foram elas que nos moldaram, que nos constru\u00edram. Independentemente de quem tenha sido essa mulher na sua vida, m\u00e3e biol\u00f3gica ou n\u00e3o, av\u00f3, tia, madrasta, professora, ela te deu um peda\u00e7o de si, talvez tudo de si, pra voc\u00ea ser essa mulher completa hoje.<\/p>\n

Beijinhos,<\/p>\n

Tere.<\/p>\n

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Em especial para Dona Patr\u00edcia (afinal, filha de Patr\u00edcia… patricinha \u00e9). Por: Teresa Vit\u00f3ria Teresices \u2013 2\/12 Muita gente diz que a nossa gera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pataquada. Que temos vontades que ningu\u00e9m nunca teve antes (tipo ficar vendo TikTok deitada na cama, o que para mim \u00e9 necessidade b\u00e1sica), doen\u00e7as que ningu\u00e9m nomeava (como FOMO […]<\/p>\n","protected":false},"author":2786,"featured_media":1069,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","filesize_raw":"","footnotes":""},"categories":[9,2],"tags":[28,39,161],"class_list":["post-1066","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-noticias","tag-agenciadahora","tag-cultura","tag-teresices"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1066","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2786"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1066"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1066\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1069"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1066"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1066"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1066"}],"curies":[{"name":"wp","href":"http:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}