Sem categoria – EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom Programa Educomunicação e Cidadania Comunicativa Wed, 04 Sep 2019 18:59:08 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Sem categoria – EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom 32 32 Sem categoria – EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2019/09/04/ufsm-em-movimento Wed, 04 Sep 2019 18:54:31 +0000 http://www.55bet-pro.com/revistatxt/?p=2876 Esporte Universitário incentiva a prática de atividades físicas

O Esporte Universitário é um projeto de desenvolvimento institucional que oferece diversas modalidades esportivas na Universidade Federal de Santa Maria. Os esportes são praticados por acadêmicos, docentes e servidores nas instalações do campus, principalmente no Centro de Educação Física e Desportos (CEFD). As atividades são supervisionadas por professores e alunos monitores. As inscrições para participar do projeto são feitas pelo Portal do Aluno no começo de cada período letivo.

O projeto iniciou as atividades no final do segundo semestre de 2017 e foi retomado em 2018. Depois, foi renovado até agosto de 2021. Em 2019, tornou-se projeto de desenvolvimento institucional junto à reitoria da UFSM. Assim, passou a receber recursos da Pró Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) para manter bolsas de R$ 250,00 para alunos monitores. Estes acadêmicos são dos cursos de Educação Física e Dança, tanto licenciatura quanto bacharelado e são coordenados pelo professor Gustavo de Oliveira Duarte.

O Esporte Universitário não visa treinamentos para competições. As atividades têm fim recreativo e promovem um espaço para a comunidade acadêmica realizá-las dentro da universidade. Com 34 modalidades disponíveis no primeiro semestre de 2019, o projeto atinge cerca de mil estudantes. Além de futebol, vôlei, basquete e handebol, o projeto também disponibiliza modalidades de lutas como Judô, Jiu-Jitsu, boxe entre outros. Além disso, atividades de danças também estão disponíveis. A natação é a modalidade com maior procura e é ofertada em 6 turmas.

O professor Duarte destaca a capacidade que o esporte possui de aproximar as pessoas, independente de suas personalidades: “O esporte tem uma competência social que cria vínculo entre as pessoas. Alunos que nunca iriam se encontrar, em função de cursos diferentes, se encontram aqui no esporte universitário”.

O estudante Aldebar Pereira está no 10º semestre de Engenharia Elétrica e pratica natação na quinta-feira durante a manhã. Ele participa do projeto desde seu início, em 2017, quando se matriculou para natação mesmo sem saber nadar. Depois de quase dois anos, já aprendeu a nadar os quatro estilos de nado: livre, costas, borboleta e peito.

Aldebar afirma que teve melhora em sua qualidade de vida após ingressar no projeto: “Não me incomodo mais em ter que caminhar por meia hora, por exemplo. A prática do esporte nos faz liberar endorfina e isso melhora nosso humor, psicológico e emocional. Posso dizer que até meu desempenho acadêmico aumentou depois que entrei para o Esporte Universitário”, destaca.

Estrutura para o futuro

Em 2020, o CEFD completará 50 anos, por isso algumas melhorias estão previstas, como na pista de atletismo, além da construção de um novo prédio para receber aulas, que deve ficar pronto em quatro anos. O CEFD também passa por reformas no ginásio 2, onde aconteciam as modalidades de musculação e lutas. Em virtude disso, a musculação  está temporariamente suspensa, já as lutas foram transferidas para o tatame do Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (CTISM). Enquanto as melhorias não ocorrem, os organizadores arrumam “jeitinhos” para os problemas de estrutura: “Nós perdemos um dos ginásios, onde ficava a academia e vamos perder a pista de atletismo por causa das obras. Mas fizemos parcerias com o Politécnico, CTISM, com o RU, com a Casa do Estudante. Os alunos sabem que professor de Educação Física se ‘vira nos 30’, arrasta cadeira, se não tem música canta e bate palmas”, ressalta Gustavo.

Leonardo Farias está no 8º semestre de Educação Física – Bacharelado e é monitor de três turmas de natação e uma de futebol 7 feminino. Para ele, diante dos recursos que a universidade tem, os materiais são suficientes para cumprir as necessidades da natação, além de valorizar a importância de haver uma piscina do porte que a UFSM oferece. Leonardo, considera a experiência gratificante e uma forma de progredir na profissão: “Nas aulas, eu busco ir atrás de conteúdos e didáticas novas para passar aos alunos, isto estimula minha criatividade. Tenho aprendido a conviver e ser compreensivo com os alunos, eles estudam como nós e também têm uma rotina difícil. Usam deste espaço para relaxar”, diz o monitor.

Para o professor Gustavo, o objetivo futuro do programa é melhorar a qualidade estrutural: “Nós queremos qualificar e não expandir porque o projeto já é grande, mas a gente sabe que isso demora. Para colocar um ar condicionado aqui demorou seis meses. É muita burocracia”, reclama. Todavia, o coordenador ressalta que o improviso, muitas vezes, é uma necessidade: “Nós adaptamos, mas não queremos baixar o nível. Não vamos fazer bola de meia para jogar.  Queremos equipamentos oficiais, como bolas, material para pilates, porque os maiores beneficiários do projeto são os alunos”. Na universidade, a busca pela excelência profissional é um preceito em todas atividades, independente do âmbito a qual é realizada. Todo o trabalho aqui executado, reflete direta ou indiretamente na vida da comunidade acadêmica e santamariense.

Bastidores

A ideia da matéria surgiu da nossa curiosidade em conhecer melhor o projeto do Esporte Universitário. Antes de irmos a campo em busca de informações, tudo o que  sabíamos a respeito do tema eram releases de divulgação e relatos de conhecidos que participaram ou participam do programa. Nosso objetivo era descobrir o intuito do projeto e o que ele proporciona não só para os participantes, mas para todos os envolvidos nele.

Para isso, entrevistamos o Coordenador do Esporte Universitário, recolhemos informações junto à supervisão do projeto, além de entrevistar um monitor e alunos que participam das modalidades oferecidas. Nós também acompanhamos algumas aulas de atletismo e natação e visitamos os locais que recebem as disciplinas esportivas dentro do campus. Foi isso que julgamos mais necessário para escrever a matéria, tendo em vista o objetivo que nos propusemos.

Reportagem: Gabriel Marques, Luís Henrique Ramires e Wederlei Pires

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Sem categoria – EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2018/09/30/mulheres-no-esporte-um-novo-angulo Sun, 30 Sep 2018 18:06:18 +0000 http://www.55bet-pro.com/revistatxt/?p=2656 Historicamente, a humanidade progrediu ao abolir as formas mais flagrantes de desigualdade de gênero. As significativas vitórias nesse sentido apontam para genuínos direitos que foram sendo conquistados na tentativa de posicionar a mulher na sociedade.

Para tanto, devemos recordar que a situação de inferioridade arrastava-se há séculos no mundo todo, havendo fases em que as mulheres e as crianças, nem mesmo eram contadas nos censos demográficos e não tinham sua vontade e direitos respeitados. Durante muito tempo, a mulher esteve confinada ao lar e sua atuação se limitava as atividades domésticas. Além disso, era tratada como mero objeto de procriação e considerada propriedade do homem, ao qual devia obediência e subordinação.

Quando elas passaram a se inserir no mercado de trabalho, sofriam duplo preconceito: o biológico, pelas diferenças físicas existentes entre os sexos, cuja maior delas é a maternidade, e o social, no qual o trabalho feminino era visto como inferior ao masculino e, portanto, de menor valor.

A mulher esteve em um estado de dormência durante várias gerações, aceitando essa relação de dependência e subordinação. Inicialmente, a luta foi esparsa, marcada por pequenas revoltas a fim de expressar sua opinião sobre a situação e lutar por seus direitos.

Embora conquistas importantes tenham sido consumadas, ainda vivemos em uma sociedade expressamente machista e patriarcal. Essa concepção exerce influência sobre a construção e evolução social humana, o que impacta diretamente na imagem feminina e no seu papel social, familiar e profissional.

A mulher no mercado de trabalho

A discriminação contra as mulheres é uma realidade no Brasil e no mundo. Apesar de os direitos das mulheres nas relações trabalhistas terem evoluído nas últimas décadas, ainda existem inúmeros aspectos a mudar, como por exemplo, a desigualdade salarial entre homens e mulheres.

Em março de 2018, uma pesquisa realizada pelo Catho, site brasileiro de classificados de empregos, apontou que as mulheres ainda recebem menos do que os homens em todos os cargos e áreas. Na área jurídica, a diferença salarial entre os gêneros chega a 53%. A pesquisa ainda mostrou que o nível de escolaridade das mulheres é mais alto que o dos homens.

No esporte, a diferença é ainda maior. Uma pesquisa feita pelo jornal brasileiro Correio Braziliense compara os salários mais altos do esporte e revela que um atleta chega a receber 234 vezes mais que uma competidora na mesma posição.

A diferença aparece, por exemplo, entre Messi e Marta, dois ícones do futebol mundial. Messi fatura US$ 26 milhões por temporada, enquanto Marta recebe US$ 400 mil por ano, o que representa um valor 65 vezes menor em relação ao que é pago para o argentino.

No ranking dos 100 atletas mais bem pagos do mundo, apenas uma mulher aparece: a tenista Serena Williams. Ainda assim, é preciso pular para a 51º posição para encontrá-la. Enquanto o primeiro lugar, ocupado pelo jogador de futebol Cristiano Ronaldo, recebe US$ 93 milhões de dólares, Serena recebe US$ 27 milhões de dólares.

Essa realidade também se repete no contexto local. A tenista santa-mariense Raquel de Martini, atual no 1 do estado, se envolveu em uma polêmica ao contestar a baixíssima premiação que recebeu ao disputar a 26a Copa Celina, que ocorreu em março deste ano, em Santa Maria.

A competição foi organizada pelo Avenida Tênis Clube, com realização conjunta da Pró-Esporte RS e da Secretaria da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do Governo do Rio Grande do Sul (Sedactel), além da Associação Leopoldinense de Esporte e Cultura. O valor da inscrição era de R$ 75,00 para sócios do clube e atletas federados — ou R$ 135,00 para a inscrição em duas categorias. Não sócios e não federados pagavam R$ 110,00 para uma ou R$ 170,00 para duas categorias — os valores eram iguais para homens e mulheres.

Embora o valor da inscrição fosse o mesmo para as ambas modalidades, a disparidade na premiação entre homens e mulheres foi estrondosa.  Na primeira classe masculina, a premiação era de R$ 7 mil para o campeão, R$ 3 mil para o vice e R$ 750,00 para os semifinalistas. Na classe equivalente feminina, a premiação foi de R$ 250,00 para Raquel, que foi a campeã, e R$ 100,00 para a vice-campeã.  Os números indicam que, nesse caso, a premiação para o campeão masculino foi 2.800% maior do que o prêmio pago para a campeã feminina.

Raquel conta que essa questão da diferença entre as premiações veio à tona neste ano, mas que é uma dificuldade de muito tempo. “Esse problema da premiação vem desde sempre, desde que eu comecei a jogar. Alguns [torneios] inclusive não pagam, ou seja, não tem premiação para o feminino. Os organizadores dizem que não tem premiação por falta de mulheres nos torneios” afirma a tenista.

A atleta explica que as tentativas vindas dos organizadores para justificar essa disparidade realmente a incomodam. Segundo ela, alguns alegam que não pagam tanto no naipe feminino porque no masculino os atletas são profissionais ou quase de nível profissional, enquanto que as mulheres estão longe disso. A atleta discorda terminantemente: “É óbvio que existe diferença de nível masculino e feminino. Pegar a nº 1 do mundo contra o nº 1 do mundo não tem graça, as diferenças são muitas. Mas não é falta de capacidade, falta de talento, falta de técnica, são apenas diferenças biológicas e naturais”. Ela ainda acrescenta: “Eu sou uma atleta, que só me dedico ao tênis. Minha vida é o tênis, amo o esporte. Jogo muito desses torneios que não pagam quase nada por amor e porque eu preciso desses torneios para manter o ritmo de competição”.

A tenista conta que hoje ela é a única atleta do interior do estado que segue jogando frequentemente e afirma que já houve boas jogadoras do interior, mas que, infelizmente, abandonaram o tênis.  Raquel provoca: “Já tivemos número e qualidade sim. Agora fica o questionamento, o que levou essas meninas a abandonar o esporte? Será que não foi a falta de incentivo? Será que não foi essa diferença que existe entre as premiações de torneio masculino e feminino?  O que nos motiva? O que nos inspira? O que nos garante o futuro?”.

Raquel não acredita que a resolução do problema esteja próxima, diz não saber que efeito a repercussão do assunto teve entre os organizadores de torneios e se eles vão realmente encarar o problema.  Ela se mostra pessimista e avalia que não vai ser de uma hora para outra que homens e mulheres terão o mesmo tratamento, esse será um processo gradativo. A tenista espera que aconteça, sobretudo, uma melhora significativa nas premiações femininas e que estas possam, pelo menos, vir a cobrir o investimento feito pelas atletas na disputa das competições.

O país do futebol, mas não para as mulheres?

 O machismo faz com que muitas mulheres deixem de seguir carreiras profissionais que são consideradas “masculinas”.  As bem-aventuradas que arriscam se infiltrar no mundo do futebol que é, na sua essência, um espaço majoritariamente dominado por homens, sofrem as consequências dessa imposição da superioridade masculina.

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Em julho do ano passado, a repórter da emissora RBS TV, Kelly Costa, protagonizou um dos inúmeros episódios de machismo que acontecem no ramo do futebol. Em entrevista coletiva após o jogo contra o Luverdense, válido pela Série B do Campeonato Brasileiro, Kelly questionou o então técnico do Sport Clube Internacional, Guto Ferreira, a respeito de questões táticas do time. Depois do apontamento feito pela jornalista, o treinador declarou: “Desculpe, não vou fazer essa pergunta para você porque você é mulher e, de repente, não jogou (futebol)”.

Já em março deste ano, Kelly foi mais uma vez alvo de ofensas de cunho machista enquanto exercia sua profissão. Nesta ocasião, um torcedor agrediu verbalmente a jornalista e foi retirado do estádio Passo D’Areia durante partida que ocorreu pelas semifinais do Campeonato Gaúcho. O fato ocorreu no mesmo dia em que jornalistas lançaram um manifesto em defesa das mulheres no esporte.

Os casos não são raros e acontecem por todo o país.  Em uma cobertura ao vivo de uma partida de futebol, a repórter Bruna Dealtry, do canal Esporte Interativo, foi beijada, à força, por um torcedor. O episódio ocorreu no Rio de Janeiro, no dia 14 de março deste ano, durante a partida entre o Vasco e Universidad do Chile, pela Libertadores. Constrangida, a repórter disse que a atitude “não foi legal”, mas continuou a transmissão. Três dias antes, em Porto Alegre, um torcedor do Internacional insultou e agrediu fisicamente a repórter Renata Medeiros, da Rádio Gaúcha, que cobria a partida entre a dupla Gre-Nal. “Sai daqui, sua puta”, disse o torcedor à jornalista.

No final do mês de abril, a comentarista Eduarda Streb foi vítima de uma piada machista do colega de trabalho Eduardo Bueno, o Peninha, durante o programa esportivo Sala de Redação, da Rádio Gaúcha. O historiador disse que a jornalista deveria “voltar para cozinha” e, após a grande repercussão, ele se pronunciou e pediu desculpas. Durante o ocorrido, Duda defendia o lado do Internacional de Porto Alegre e Peninha defendia o lado do Grêmio. Uma polêmica sobre arbitragem foi instaurada e o historiador disse “Quem colocou essa menina aqui? Volta para a cozinha que é o lugar que tu nunca deveria ter saído”.

Ainda abalada com a ofensa que sofreu, Duda também se pronunciou. A jornalista falou sobre a dificuldade de ser mulher em um ambiente de trabalho extremamente machista e, apesar de triste, aceitou o pedido de desculpas do colega de mesa. “É difícil ser mulher. Eu não sou de me vitimizar, não combina comigo. Acho mesmo que foi uma brincadeira do Peninha. Na hora, nem levei a sério, mas essa brincadeira não tem nenhuma graça. Porque nós mulheres sabemos o tamanho da nossa luta, o tamanho do nosso esforço e o quanto o mundo esportivo é machista. Encaro essa brincadeira como infeliz”, falou a jornalista.

Já em meados de maio deste ano, o Sala de Redação voltou a provocar polêmica quando outro de seus integrantes, Adroaldo Guerra Filho, conhecido popularmente como Guerrinha, falou que “mulher tem seu preço para ser conquistada”. Esses são apenas alguns dos casos mais recentes de assédio e desrespeito que jornalistas mulheres, principalmente – mas não somente – da área esportiva vem sofrendo no ambiente de trabalho.

A atuação feminina em outros cargos do ramo futebolístico também é permeada pelo machismo. Luiza Reis, formada em Educação Física pela UFSM, teve a oportunidade de fazer um curso de arbitragem oferecido pela Federação Gaúcha de Futebol e hoje atua como bandeirinha. Luiza conta que quando fazia o curso ouviu um colega dizer que: “mulher não poderia trabalhar arbitrando jogo de futebol”. Ela revela também que algo que a impressiona são as ofensas machistas vindas das próprias mulheres da arquibancada. A bandeirinha acredita que a maior dificuldade reside na mudança de perfil do profissional esportivo, devido ao fato de que as mulheres ainda são minoria.

No entanto, Luiza se mostra otimista em relação a esse cenário e considera que a situação da mulher, pelo menos no futebol, melhora a cada dia. Ela diz: “Nós mulheres do quadro da arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recebemos muita atenção, nós temos cursos específicos para mulheres”.  Luiza destaca também a importância da posição ocupada pela ex-bandeirinha Ana Paula Oliveira, que atualmente faz parte da comissão que trata especificamente do exercício da arbitragem feminina. Essa comissão luta por mais direitos, como por exemplo, a licença maternidade.  Nesse sentido, a bandeirinha finaliza: “Eu acredito que cada dia é um passo e que as coisas tão sempre progredindo e melhorando”.

A situação do futsal feminino na UFSM

Embora passos importantes estão sendo dados rumo à igualdade de gênero, ainda há um longo caminho a se percorrer.  A revista estadunidense Forbes divulgou que o patrocínio no esporte feminino representa 0,4% do total investido em esporte. Na UFSM, a situação não é diferente. A equipe de futsal feminino da Universidade Federal de Santa Maria iniciou suas atividades no primeiro semestre de 2017. O técnico do time, David Freitas, conta que “a UFSM tem equipes femininas no handebol, no voleibol e eu questionei o porquê de não ter uma equipe feminina de futsal”. Ao buscar amparo no Centro de Educação Física e Desporto (CEFD), David se deparou com certa resistência por parte da maioria dos professores.

Muitas dificuldades fazem parte do cotidiano da equipe. A verba para viagens, torneios e materiais provêm de rifas, venda de lanches e até mesmo do próprio bolso das atletas e da comissão técnica. Outro aspecto apontado por David é a falta de apoio e incentivo: “Tem muito mais apoio no esporte masculino do que no esporte feminino, tanto dentro da instituição quanto fora.” A atleta Alessandra Stefanello complementa: “Dentro da instituição, eu acho que falta o apoio do próprio CEFD e do próprio time de futsal masculino, parece que eles nos veem como inferiores”.

Essa falta de amparo e a concepção de que a mulher supostamente não tem a mesma capacidade que o homem são fatores que acarretam ataques machistas. A atleta Letícia Becker conta que sofre preconceito por praticar um esporte que ainda é protagonizado pelo sexo masculino: “Os meninos nunca queriam que a gente jogasse com eles, desde a escola. Falavam que as meninas não sabiam jogar direito, que não poderiam chegar com mais força”. Heloísa dos Santos, outra jogadora da equipe de futsal, relata que também sofre com comentários ofensivos, ouvia constantemente que mulher que joga futebol é “sapatão”.

Relatos como estes ilustram as dificuldades que as mulheres enfrentam ao ocuparem um espaço historicamente construído como masculino. Contudo, Heloísa afirma: “A gente não vai se entregar, vamos ganhando espaço e terão que nos respeitar”.

 A união faz a força

 O movimento feminista surge como uma força sociopolítica poderosa que luta pelos direitos das mulheres. O feminismo afirma que devem ser dadas às mulheres as mesmas oportunidades – econômicas, políticas e sociais – que são dadas aos homens. As militantes feministas lutam para mudar os estereótipos de gênero. Mas, sem dúvida, há ainda um longo caminho a ser percorrido para que tais desigualdades sejam eliminadas de fato.

O interesse pelo futebol e principalmente, o amor e a vontade de torcer pelo tricolor gaúcho, fizeram com que os caminhos de Suélen Lavarda e Caroline Melgarejo se cruzassem. Ambas são estudantes de Comunicação Social na UFSM: Suélen cursa Jornalismo e Caroline, Relações Públicas.

A futura jornalista conta que sua relação com o futebol vem da infância. Por volta dos três anos de idade ela já acompanhava os jogos com seu pai e frequentava os estádios, cultuando esse sentimento especial pelo futebol e, sobretudo, pelo Grêmio.

Em uma viagem de cunho acadêmico para Argentina, as duas estudantes se aproximaram e, desde então, mantiveram contato. Elas são as responsáveis pela criação da Força Tricolor Feminina de Santa Maria, um coletivo de jovens mulheres que busca espaço e afirmação no futebol e na torcida. O grupo tem como objetivo levar cada vez mais mulheres para o estádio e incentivar a união feminina em prol do Grêmio.

Suélen relata que a ideia de criar o grupo surgiu depois de uma excursão que foi organizada para as torcedoras gremistas que gostavam de futebol. Ela conta: “Divulgamos a ideia, as meninas já tiveram bastante interesse e fechou a primeira excursão. Nós fomos e depois veio a ideia de criar um movimento em si, com nome, com estrutura e tudo, foi daí que surgiu a Força”.

A estudante diz que elas notaram que havia um número significativo de meninas interessadas depois dessa primeira excursão e que as próprias meninas levantaram a ideia de criar um grupo.  O primeiro passo dado foi a criação e a divulgação de uma página no Facebook, que logo passou a angariar várias curtidas. No início, o movimento era formado apenas pelas meninas que participaram da primeira viagem. Depois de criada a página no Facebook, surgiu a ideia de criar um grupo também no WhatsApp para que as integrantes pudessem conversar, divulgar as viagens e falar sobre futebol.  A fundadora do coletivo explica que o WhatsApp foi fundamental para evolução do movimento e que hoje são em torno de 170 meninas envolvidas.

A Força Tricolor Feminina de Santa Maria completou um ano em maio de 2018. Nesse tempo, o movimento evoluiu, cresceu e se fortaleceu. No entanto, as dificuldades enfrentadas pelo grupo, principalmente em Santa Maria, foram e ainda são, muito grandes. Suélen explica que elas não receberam o devido apoio e que o grupo foi alvo de críticas desde a primeira postagem no Facebook que divulgava o movimento. Ela diz que ouviram, de muitos homens, frases tipicamente machistas, como: “por que querem ir para o estádio ver futebol, se não sabem nem o que é impedimento?”; “não conhecem nem a Arena e querem dizer que torcem para o Grêmio”.  E, infelizmente, esses tipos de situações acontecem até hoje: “Estamos num ambiente que ainda é predominantemente masculino, é bem difícil. Sempre temos que escutar piadinhas, assovios, coisas realmente desnecessárias e machistas” afirma Suélen.

Além de organizar excursões para os jogos que acontecem na Arena do Grêmio, o coletivo se reúne no Boteco do Rosário para assistir as partidas do tricolor. Os sócios do tradicional bar da cidade de Santa Maria acolheram o movimento e passaram a divulgar o nome da Força Tricolor nos eventos feitos no Facebook.

Os próximos passos do movimento buscam unir cada vez mais suas participantes e trazer mais meninas para torcer. A Força Tricolor Feminina empenha-se para que seja reconhecida pelo clube Grêmio como uma torcida organizada, como tantas outras. Com isso, é possível mostrar que o grupo faz o que faz pelo clube e pela paixão pelo futebol.

Suélen explica a importância que o movimento tem para ela: “Para mim, o movimento representa bem o nome que ele é, força. É uma força de mulheres pelo Grêmio, é uma força necessária. Fico muito feliz cada vez que vejo uma menina que vir até mim e falar que eu revivi o sentimento dela pelo Grêmio”.

O fato é que as diferenças que – felizmente – existem entre homens e mulheres servem para torná-los complementares, não para criar uma relação de subordinação de um gênero em relação a outro. Dessa maneira, a luta constante pela igualdade e valorização das mulheres torna – se essencial. É necessário discutir o assunto por meio de ações afirmativas e políticas públicas voltadas especialmente ao amparo e proteção da mulher e maior diálogo e compreensão do tema.

 BASTIDORES

A pauta com o tema Mulheres no esporte surgiu de maneira singela, aspirando conseguir apenas duas páginas dentro da edição da .TXT deste ano. Contudo, durante o processo de produção da reportagem nos deparamos com diversas situações locais e casos que mereciam atenção. Em resumo, chegamos ao fim desse processo com cinco páginas de conteúdo e ainda faturamos a matéria de capa da edição deste ano.

Essa matéria surge com força devido aos diversos casos de assédio e machismo que vêm sendo noticiados pela mídia e que também se repetem no contexto local. Além disso, é ano de Copa do Mundo e o esporte, em especial o futebol masculino, está em alta.

Para mim, Bruna, foi muito prazeroso fazer essa pauta porque o esporte é uma das coisas que mais me faz ‘brilhar o olho’ e também continuar no Jornalismo. Por esse mesmo motivo, muitas vezes foi difícil e desencantador produzir essa matéria: é triste pensar que ainda hoje mulheres que atuam nos mais diferentes ramos no mundo do esporte tenham que sofrer com o machismo, o preconceito e a desigualdade.

Aqui na edição online, decidimos contemplar algumas fotos que não saíram na versão impressa.

Reportagem: Bruna Eduarda Meinen Feil e Ana Clara Seberino

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Sem categoria – EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2018/09/30/molina-uma-vida-dedicada-ao-radio Sun, 30 Sep 2018 18:04:10 +0000 http://www.55bet-pro.com/revistatxt/?p=2625 Há 35 anos, a figura de baixa estatura, magrinha e de cabelos cinzas se dirige ao prédio da Reitoria no campus da Universidade Federal de Santa Maria. Aperta o botão do nono andar no elevador e sobe mais um lance de escada para chegar até o décimo. Seus passos o levam para a Rádio Universidade. Entrando pela porta de vidro, um dos personagens mais antigos daquele lugar cumprimenta a todos com um sorriso e realiza o trabalho, que faz com muito amor e competência. Esse é Ricardo Leonardo Bezerra Molina, ou apenas Molina, como é conhecido pela maioria das pessoas, natural de Santa Maria e prestes a completar 60 anos.

Em 1982, enquanto cursava fisioterapia pela UFSM, surgiu um estágio na Rádio Universidade. Já  naquele tempo, ele sabia como funcionava uma rádio, ao ter contato com seus amigos que trabalhavam na Rádio Medianeira, quando ainda era jovem. Em 1985, realizou um concurso para sonoplasta, que na época era conhecido como “técnico em assuntos educacionais”. Ao passar no concurso, a junção dos conhecimentos, que já adquirira na Rádio Medianeira e a adaptação aos equipamentos, todos analógicos na época, fez com que Molina se tornasse um grande profissional lá dentro.

Ao longo desses 35 anos trabalhando nas cabines e mesas de som, Molina acompanhou a transformação de eras de fitas cassete, rolos e bolachões para o que conhecemos hoje como rádio digital. As mudanças que ocorreram ao longo do tempo na rádio, não dizem respeito apenas à funcionalidade da rádio e dos equipamentos. Molina viu muitos colegas de trabalhos chegarem e partirem, outras pessoas, outros estudantes e outros cursos. O que no início servia apenas para acadêmicos da comunicação, hoje abrange estudantes de música e tecnologia e engenharia acústica. Passar seu conhecimento, adquirido em diversos cursos de rádio, até mesmo em São Paulo, é uma grande felicidade para Molina. Os estudantes chegam, muitas vezes, sem muito conhecimento prático e têm ali uma troca.

Molina

Molina transita por quase todos os programas produzidos na rádio, que está completando 50 anos. Chega cedo para o “Bom dia universidade” e, ao longo do dia, vai acompanhando a programação cheia de diversidade, apresentada na maioria das vezes pelos próprios alunos da Universidade Federal Santa Maria. Carismático, conta que a convivência com seus colegas dentro da rádio é boa, um ambiente descontraído. Ver o que se tornou a rádio traz grande satisfação, assim como ver cada vez mais estudantes se envolvendo: “Da minha parte, o que eu puder passar para os novos colegas, obviamente vou passando, porque amanhã ou depois quem está saindo sou eu e a coisa tem que continuar.”

O amor por rádio não é o único em sua vida. Desde os seis anos, Molina já afirmava que a música era sua melhor amiga: “Sem música eu não vivo, acho que sem música a vida não tem a menor graça.”. Em 1976, Molina formava uma banda que fazia tributo aos Beatles. A experiência de ter uma banda e cantar é muito singular para Molina: “É onde teu espírito consegue expressar o máximo possível das coisas boas”. O principal, como contou, é cantar para si, depois para a banda e só então para o público. Não existe músico sem plateia, porém, como Molina afirmou, a primeira responsabilidade é saber que está fazendo o melhor para si mesmo, dentro de suas capacidades.

Músico, sonoplasta, marido, pai, avô e bisavô, Molina é um personagem que marca a longa história da Rádio Universidade. Acompanhando todos os processos que levaram ao que hoje se conhece, convivendo dentro das cabines, realizando transmissões e ensinando o que adquiriu com sua experiência. “O rádio, como o pessoal sempre diz, é uma cachaça, depois que se entra, dificilmente se sai”, Ao entrar no décimo andar da Reitoria, com seus 25 anos de rádio, Molina deixou sua marca e, hoje, é um exemplo para os que chegam ali.

Reportagem: Ana Clara Seberino

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Sem categoria – EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2018/09/30/inclusao-uma-luta-diaria Sun, 30 Sep 2018 18:03:12 +0000 http://www.55bet-pro.com/revistatxt/?p=2632 Nos últimos anos, ampliaram-se as discussões e as práticas voltadas para a integração de estudantes com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) no ensino superior, mas muito ainda precisa ser feito. De acordo com o portal de notícias G1, no Brasil, existem mais de oito milhões de estudantes em universidades públicas e privadas, mas menos de 500 possuem o Transtorno, o que representa 0,006%.

A falta de compreensão sobre o que é o autismo faz com que as pessoas vejam o assunto como um tabu e os obstáculos da inclusão fiquem ainda mais difíceis. O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento e a forma como se apresenta varia de acordo com cada caso. Segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, o Transtorno é uma condição que afeta a capacidade de se comunicar e interagir.

O psicólogo e especialista em autismo, Carlo Schmidt, explica que normalmente o TEA é percebido na infância através de “sinais de alerta” que indicam que a criança pode vir a desenvolver o Transtorno posteriormente. Os sinais mais comuns afetam três áreas: comunicação (verbal e não verbal), interação social e comportamento. Além disso, incluem o atraso do desenvolvimento da linguagem, dificuldade de contato físico e visual e gestos ou comportamentos repetitivos. Desde o diagnóstico, são planejados tratamentos e quanto mais cedo isso ocorrer, melhores serão os resultados.

Conforme a criança cresce, as suas necessidades mudam. Carlo salienta a importância da presença de um educador especial para auxiliar os professores. Também enfatiza que a comunicação entre a instituição de ensino e a família do estudante é essencial no desenvolvimento e suporte do aluno com autismo. Adaptações em sala de aula e alterações nas dinâmicas de ensino e avaliações devem ser feitas, quando necessárias, para que o aluno consiga aprender de forma satisfatória e para evitar a evasão escolar, comum devido às dificuldades de adaptação encontradas pelos estudantes com autismo.

Segundo o Núcleo de Acessibilidade da UFSM, existem cinco alunos regulares com o diagnóstico de autismo na instituição, sendo três do campus de Santa Maria, um em Palmeira das Missões e outro em Cachoeira do Sul. A coordenadora do Núcleo, Tatiane Negrini, informa que “Tem aumentado o ingresso de autistas no ensino superior, o que é um fator positivo, inclusive em função da reserva de vagas.”.

A finalidade do Núcleo de Acessibilidade é fazer o acompanhamento desde o ingresso até o término do curso com o foco na permanência do estudante. “Nosso objetivo não é que eles evadam e nem que eles fiquem muito tempo a mais na universidade”, ressalta Tatiane. O Núcleo, criado em 2007, faz a mediação entre os professores, a coordenação, o aluno e seus colegas, além de oferecer atendimento com educador especial. Caso necessário, a UFSM disponibiliza um monitor para acompanhar o estudante. Desde o momento que o aluno ingressa na universidade pela reserva de vaga, o Núcleo entra em contato porque “é a partir do que vem deles que a gente vai orientar as coordenações, não temos que partir do pressuposto de que todos vão precisar da mesma coisa” explica Tatiane.

Como cada estudante com autismo possui diferentes dificuldades, as necessidades variam: menor acúmulo de conteúdo para as provas, atendimento diferenciado, estratégias de ensino distintas, mudança na didática, controle do barulho e o cuidado com trabalhos em grupo. Caso tenham dúvidas de como lidar com alguma situação, os professores podem entrar em contato com o Núcleo. Tatiane conta que um dos maiores empecilhos para a permanência do estudante com o Transtorno é a exigência de autonomia.

Ângela* é mãe de um estudante autista da UFSM que está no terceiro semestre da graduação e já sofreu inúmeras reprovações. Com a troca de professores a cada semestre, acontecem falhas na comunicação e, até maio deste ano, uma professora ainda não sabia da condição do seu filho. “Cheguei ao extremo de ouvir na universidade, de chefias, que em determinada disciplina ocorreu grande número de reprovações e que isto por si só justifica a reprovação do meu filho” relata Ângela.

No caso de Pedro*, a mãe conta que os professores não têm flexibilizado muito a didática, inclusive têm aplicado as mesmas provas e trabalhos para o filho. Ela relata que solicitou um monitor para seu filho, pois ele possui dificuldade em lembrar das atividades e trabalhos e acaba atrasando. Ele também não entende as falas do professor e, por conta disso, não anota o conteúdo. “Mesmo falando com o coordenador, ele acha melhor que seja assim, pois acabará por se organizar sozinho, mas até agora vem apresentando dificuldades. Eu mesma acabo contatando colegas para pedir informações e passo pra ele.” conta Ângela. Além dos desafios acadêmicos, a mãe revela que o filho não tem amigos: “[Ele] sofre com isso. É que ele não sabe chegar nas pessoas, iniciar uma conversa ou dar sequência. Diz que não é convidado a participar de festas, sair…”.

Quando questionada sobre como a Universidade poderia melhorar a acessibilidade, Ângela sugere o oferecimento de um trabalho diferenciado ao aluno com deficiência. Ela exemplifica maneiras para fazer esse trabalho dando atenção às dificuldades individuais desses estudantes: avaliá-los de forma diferente, garantir a comunicação entre os docentes para que todos estejam cientes de quem são os alunos e disponibilizar ou indicar colegas que possam dar assistência ou orientação às necessidades básicas, como datas e locais de provas, trabalhos e eventos.

Enquanto Pedro passa pelos seus desafios e luta pelos seus direitos na Universidade, Raul conseguiu se adaptar bem à rotina acadêmica. Raul Javorsky cursa Educação Física no campus de Santa Maria e conta que apesar de sempre saber, aceitar o diagnóstico de Asperger – um transtorno do espectro autista – foi difícil e demorado. “O processo de aceitação, se deu por volta de 2016, onde fui pesquisar mais a fundo sobre o tema e foi um alívio pra mim. Ainda hoje sofro algum tipo de deboche, porém bem menos acentuado que no colégio. Me arrependo de não ter explicado para os meus coleguinhas na época que era autista, para eles me entenderem melhor”, ressalta.

Ainda com esse sentimento de esperar que os outros o compreendam, ele usa suas redes sociais para divulgar conteúdos sobre a temática e luta para conscientizar as pessoas sobre o autismo. Desde que passou a se compreender melhor, decidiu investir no que realmente importava para ele. Hoje, Raul se dedica muito aos estudos e é um atleta e participa de diversas competições de natação.

Por mais que existam casos de sucesso como o de Raul, enquanto houver situações como a de Pedro, mudanças precisam ser realizadas. Há um caminho longo para ser trilhado e ele começa com o entendimento de que todos merecem ser respeitados pelas suas diferenças. Tatiane Negrini conclui: “Assim como tem esse [colega] com autismo, pode ter outro com outra condição, e eu sou diferente de vocês. Então nós estamos vivendo no diferente, cada um dentro do seu modo.”.

BASTIDORES

A ideia da matéria surgiu quando fizemos um programa de rádio com o autismo como temática central. A partir disso, notamos que nunca tínhamos visto uma reportagem sobre o autismo na educação superior. O nosso objetivo era descobrir como a Universidade Federal de Santa Maria lidava com a acessibilidade e se o apoio que eles ofereciam era o suficiente.

Para compreendermos melhor como a UFSM atende os alunos com autismo, entramos em contato com o Núcleo de Acessibilidade. Entrevistamos a Silvia Pavão, Chefe da Coordenadoria de Ações Educacionais, e Tatiane Negrini, Chefe do Núcleo de Acessibilidade. Elas nos deram as informações necessárias para entendermos todo o funcionamento e o suporte prestado aos estudantes.

Como o conceito era mostrar a realidade de quem vive com o Transtorno do Espectro Autista na Universidade, conversamos com o acadêmico de Educação Física, Raul Javorsky. Ele nos contou sobre como é a sua vida universitária e os desafios da autoaceitação. Também falamos com a mãe de outro estudante com autismo. Ela relatou os problemas que seu filho passa e sugeriu mudanças que podem ser feitas pela UFSM e pelos professores para melhorar o cotidiano dele.

Reportagem: Martina Irigoyen e Nathália Brum

 

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Sem categoria – EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2018/09/30/campus-de-oracao Sun, 30 Sep 2018 18:02:08 +0000 http://www.55bet-pro.com/revistatxt/?p=2486 Um espaço para formação de conhecimento e fé

Em várias universidades brasileiras, existem grupos de estudos e de oração que manifestam, dentro do ambiente acadêmico, aquilo que é garantido por lei: o livre exercício dos cultos religiosos, a liberdade de consciência e de crença. Na Universidade Federal de Santa Maria não é diferente. No campus, estudantes, docentes e funcionários, em seus diferentes espaços de atuação, expressam a sua religiosidade através destes círculos.

Pesquisador nas áreas da interação da religiosidade com a modernidade, Eduardo Maia destaca a importância de olhar para a religiosidade não com a perspectiva de um constrangimento, mas como transformadora e componente fundamental de muitas áreas da nossa vida. Segundo o professor da UFSM, desde que o pensamento universitário começou a se distinguir de um pensamento caracteristicamente pautado pela religiosidade medieval, criou-se uma ideia que a religiosidade é algo limitado e de que a ciência, por sua vez, deve ser algo independente. Entretanto, há cada vez mais uma interdependência que, segundo ele, é algo muito rico: “a religião é um tema central na sociologia, como construtora de moral, visão de mundo. Nossas atitudes são pautadas muitas vezes por essas visões mesmo que não nos demos conta disso.”

Mestre em Física pela UFSM e em fase de conclusão da licenciatura em física, João Paulo Gazola teve seu primeiro contato com o Grupo de Oração Universitário Católico, conhecido pela sigla GOU, em 2009. Convidado por uma amiga, ele confessa que o seu engajamento inicial se deu pelo interesse em tocar violão: “naquele tempo, havia a necessidade de alguém para tocar, fazendo com que eu me inserisse cada vez mais no meio. E, conforme foi passando o tempo, comecei a amadurecer”.

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Cada pessoa é abraçada pela fé de forma diferente e, ao olhar para trás, João Paulo analisa o amadurecimento de sua fé, da oração e aos poucos, com perseverança, percebeu que o grupo fazia diferença em sua vida. Questionado a respeito dessa “diferença” em sua vida, ele diz: “mais tranquilidade para encarar as situações da vida, mais esperança, porque a gente tira o foco do eu e vê mais o todo. Tu consegues ver além do teu umbigo…”. Ressalta também que aprendeu a respeitar as individualidades dos demais, o que  auxiliou no processo de amadurecimento espiritual e pessoal.

Além do amadurecimento, para muitos estudantes, grupos como esses são uma nova família. Para Joice Ceolin, que concluiu seu doutorado em Química no ano passado, o GOU foi como “um afago, um carinho de Deus” possibilitando-a viver por completo seu tempo na instituição, não apenas academicamente, mas espiritualmente. Ela também acredita que garantir que estudantes e frequentadores do ambiente universitário possam expressar sua espiritualidade, acarretaria em uma diminuição de dependências de medicação para ansiedade e tantas outras doenças atualmente comuns no ambiente universitário. Foi no grupo que ela encontrou uma “família”, que lhe sustentou na ausência de sua família biológica.

Para outros, sua espiritualidade e sua fé também se expressam nos estudos teóricos a respeito de temas que compõem as mesmas. Deste modo, o professor Eduardo Maia acentua que o pensamento científico e religioso não são antagônicos. Da mesma forma pensa Bruno Chaves, estudante de engenharia civil e participante do Farol. O grupo que tem como propósito básico mostrar para o ambiente universitário que a fé e a razão não são opostos, como muitos supõem. Para ele: “a fé não nos torna ignorantes, mas nos ajuda a entender melhor como funciona o universo e que deve existir uma razão para tudo, que cremos ser Deus.”

Em quase cinco anos de estudos na UFSM, Bruno diz que o Farol foi fundamental em sua vida universitária, pois considerava o grupo um refúgio para as correrias da semana. Ressalta ainda que aprendeu com o Farol a lidar com as pessoas, trabalhar em equipe com ideias divergentes às suas, valorizá-las pelo que cada pessoa é e não somente pelo que ela faz.

Mais que a reprodução da fé e do rito, o professor Eduardo Maia ressalta a possibilidade de construir conhecimento a partir do debate dos fundamentos religiosos. Importância já comprovada em áreas como a da saúde, onde houve a necessidade de levar fundamentos de espiritualidade para dentro da própria formação acadêmica.

Na forma de um curso de extensão complementar, Venice Grings, pedagoga formada pela UFSM e atualmente Coordenadora da Unidade de Apoio Pedagógico do Centro de Ciências Rurais (CCR), evidencia que a espiritualidade deve estar presente na formação de quem trabalha em contato com outras pessoas, seja na saúde, educação ou em outras áreas, para que se entenda melhor a si mesmo e ao próximo, seja cliente ou paciente.

Ciente da existência de muitas denominações religiosas dentro da universidade, a abordagem do curso não tem foco em uma única religião, contempla a espiritualidade de forma ampla sem se fixar em questões dogmáticas. Sobre a metodologia, o curso é de caráter vivencial, isto é, não voltado tanto para o lado teórico e expositivo. São realizadas diversas dinâmicas, como meditação, reiki, e dança circular.

A partir disso, Venice acredita que a espiritualidade deveria ser abordada com maior relevância dentro da universidade, pois a cada dia aumenta o número de estudantes com problemas emocionais, e nem sempre há a possibilidade de procurar um psicólogo ou um psiquiatra mediante as condições financeiras. Ela sugere a criação de espaços que trabalhem essa temática, para que se formem pessoas mais íntegras, equilibradas e que sejam capazes de enfrentar as dificuldades emocionais do dia a dia.

De diferentes maneiras, estudantes, ex-estudantes e até funcionários encontram na universidade um espaço para expressarem sua fé, aprenderem mais sobre ela e sobre a espiritualidade. Para cada um deles, o espaço para falar sobre estes assuntos é sinônimo de amadurecimento, de contato mais profundo com outras pessoas, diminuindo até mesmo estresses e outros problemas do tipo. Para outros, é sinônimo de encontrar uma família que os sustente longe de seus parentes ao longo deste tempo de formação, e até mesmo um espaço para se encontrar com Deus.

BASTIDORES

Após algum tempo sem tocar neste assunto, julgamos necessário retomar o tema nesta edição. Sabíamos da existência dos Grupos de orações dentro da UFSM e desta vez buscamos dar um enfoque maior à alguns dos integrantes.

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A proposta de abranger mais de um grupo de oração além de entrevistar um professor que pesquisa sobre religiosidade, foi um desafio estimulante para nós.

Além do cumprimento de prazos para a entrega, algumas dificuldades em apurar as pautas, contatos com novas pessoas e mais conhecimento neste assunto julgamos tudo isto ser um caminho de aprendizado e amadurecimento na profissão que estamos caminhando para exercer. Afora o crescimento profissional, o crescimento como pessoas.

Por fim, esperamos que você, caro leitor, curta essa matéria assim como nós curtimos fazê-la.

Reportagem: Jonas Freitas Faria e Jonatan Mombach

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Sem categoria – EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2018/09/30/dez-anos-de-reuni Sun, 30 Sep 2018 18:01:27 +0000 http://www.55bet-pro.com/revistatxt/?p=2617 “Prestei vestibular para Engenharia Acústica em 2008, fui aprovada e desde então me apaixonei pela profissão, que até o momento era desconhecida. O legal do curso é que ele não é novo somente na UFSM, mas também no Brasil. Hoje, trabalho em São Paulo, em um dos maiores escritórios de acústica do país”, conta Raquel Rocha, formada na primeira turma de Engenharia Acústica da Universidade Federal de Santa Maria.

A UFSM é a única universidade do país a oferecer o curso de Engenharia Acústica. Ele está entre os 30 cursos criados na instituição a partir do Reuni – Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais -, aceito em 2007 e com aplicação iniciada no ano seguinte. O projeto trouxe reestruturação acadêmico-curricular, renovação pedagógica da educação superior, suporte da pós-graduação ao desenvolvimento e aperfeiçoamento qualitativo dos cursos de graduação, compromisso social da instituição, e mobilidade intra e inter-institucional.

A adesão ao Reuni tem efeitos numéricos seja em relação a orçamento, alunos,vagas e cursos. De acordo com o pró-reitor de Planejamento, Frank Casado, estavam previstos recursos orçamentários de R$ 2 bilhões a serem distribuídos entre os anos de 2008 a 2011. Eles eram destinados dentro de Lei Orçamentária Anual, dados por um cálculo do Ministério de Educação (MEC), que considerava as matrículas potenciais de novos cursos criados, e então eram destinados para toda a UFSM, que os administrava. Hoje, não há recursos do projeto, e seu orçamento teve oscilações durante os anos e tende a diminuir nos próximos, como prevê a Proplan. 

Porém, no ponto de vista de Frank: “é importante destacar a trajetória da educação superior no Brasil antes do Reuni”. Para ele, com a expansão recente das universidades federais por meio do programa, as instituições públicas finalmente assumem um lugar de destaque nas políticas públicas para educação superior.

Discussão Reuni 

Na época da implantação, algumas instituições se posicionaram tanto a favor quanto criticamente ao Reuni, sendo uma delas a Seção Sindical dos Docentes da UFSM, a Sedufsm. De acordo com o presidente da época, professor Diorge Konrad, o Sindicato defendia, sim, a expansão do ensino público superior gratuito, estatal e de qualidade. Porém, durante a aprovação do Reuni expressava preocupações em relação à qualidade da mesma. As críticas, segundo o presidente, “não tinham nada de corporativismo, pois os princípios de defesa de uma expansão com qualidade não contradita com a defesa da expansão”. 

Além disso, o professor destaca que com a ampliação a partir de novas vagas, a crítica foi diminuindo, permanecendo apenas para a situação dos cursos criados, com pouco quadro docente. O fato feria o princípio da isonomia entre o ensino, a pesquisa e a extensão, que é pilar básico de uma universidade. Entretanto, “ao menos até 2011, a expansão ainda não havia atingido o índice ideal de 18 estudantes por um docente. Lembro que também alertamos situações de expansão com precariedade, como no exemplo do Cesnors – Centro de Educação Superior Norte – RS, com salas de professores nas quais havia rodízio entre os docentes para seu trabalho cotidiano, pois as mesmas não comportavam todos ao mesmo tempo.” 

A questão do Cesnors, que hoje é definido pelos Campi de Palmeira das Missões e Frederico Westphalen, foi citada pelo Pró-Reitor da Proplan e o Coordenador do Reuni. Atualmente não há recursos novos do Reuni, ficando apenas a agregação de custeio devido ao crescimento da Universidade. A manutenção dos outros campi é organizada com os mesmos critérios usados para a distribuição de recursos no campus central.

Efeitos do Reuni 

Para o professor Dalvan Reinert, coordenador do Reuni na época e então vice reitor, o projeto, cujo investimento foi de cerca de R$ 204 milhões, transformou a UFSM em algo muito maior. Ou seja, para ele, a Universidade tornou-se mais inclusiva e com oportunidades para a comunidade se qualificar – dentro da formação e aprimoramento pessoal– produzir conhecimento, e se informar.

O crescimento qualitativo da instituição passou da 20ª posição em 2007 para a14ª posição no ranking das melhores universidades do país em 2017. Além disso, avalia o professor que houve o crescimento do número de vagas, cursos, servidores, obras e orçamento, pois o Reuni proporcionou a ampliação do acesso à educação superior, a melhoria da assistência estudantil, com ampliação da inclusão social e infraestrutura, a construção de prédios para salas de aula e laboratórios e reforma de estruturas já existentes.

Quanto aos investimentos em obras, o Reuni financiou blocos das Casas de Estudante, prédios das Letras, Música, Fonoaudiologia, Centro de Educação, Biblioteca Setorial do CCNE, blocos dos prédios 74 do CCSH, a Biblioteca das Humanidades, entre outros. Além disso, investiu em blocos e Casas do Estudante dos campi de Frederico Westphalen e Palmeira das Missões.

Tabela 1 diz respeito somente ao campus de Santa Maria

Como estaria a UFSM sem o Reuni? 

De acordo com o pró-reitor de Planejamento, pensar a UFSM sem o Reuni é pensar em uma universidade menos grandiosa, com pouca expressão nacional e internacional, com menos vagas, menos inclusão, menos recursos, e menor impacto na região. Já o professor Dalvan Reinert projeta que a Universidade provavelmente estaria “sucateada” em questão de estruturas de laboratórios, infraestrutura e com deficiência de técnicos especializados. 

Na opinião do professor Diorge Konrad, “a UFSM estaria como esteve nos oito anos do governo FHC, entre 1995 e 2002, quando se priorizou a expansão privada, sem investimentos para a pesquisa e para os laboratórios, com salários congelados dos professores e dos técnico-administrativos. Estaria estagnada e apequenada”. 

A Sedufsm defende que “todo projeto que expande as vagas na universidade pública, que crie novos cursos, especialmente para a classe trabalhadora e seus filhos, incluindo as cotas raciais, étnicas e sociais, além de egressos de escola pública, será sempre bem-vindo em um país como o Brasil”. E afirma: “o Reuni cumpriu este papel, mesmo que tenha sido insuficiente para o ideal da universalização do ensino superior no Brasil, quando ficaremos satisfeitos”. 

Sendo assim, o projeto que prometeu expansão aparentemente cumpriu seu papel. Afinal, seja em números (vagas, cursos, profissionais), tamanho físico (construções de blocos, prédios), ou visibilidade, o patamar de grandiosidade que a universidade atingiu foi tópico da totalidade dos comentários sobre o Reuni.

Bastidores – Personagem do REUNI 

O diferencial do curso de Engenharia Acústica é não ser novo apenas na Universidade Federal de Santa Maria, e sim no Brasil. Através do REUNI, criou-se a graduação em Engenharia Acústica na Universidade. Segundo Raquel Rocha, formada pela primeira turma de Eng. Acústica da UFSM, as instalações onde acontecem as aulas do curso são edificações novas, construídas justamente devido ao aumento dos cursos de engenharia. “Os únicos problemas que tínhamos era a falta de material didático na biblioteca e a falta de alguns equipamentos, softwares para o aprendizado por ser um curso recente. Atualmente, sei que alguns dos itens acima não foram resolvidos. ” 

“Até hoje, após quatro anos formada, realizo reuniões com a coordenadora do curso, atualmente Profª Drª Dinara Paixão, para discutir o andamento do curso, possíveis melhoramentos e as necessidades do mercado. Assim, o curso sempre tende a melhorar. ” Hoje, Raquel trabalha em um dos maiores escritórios de acústica do Brasil, na capital São Paulo.

 Reportagem: Eduarda Nenê da Costa e Martina Pozzebon

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Sem categoria – EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2018/09/30/cinema-no-campus-uma-questao-de-tempo Sun, 30 Sep 2018 17:57:29 +0000 http://www.55bet-pro.com/revistatxt/?p=2640 O cinema é a arte que permite contar todo o tipo de história em diferentes formatos de produções. Nenhuma arte simula a vida tal como o cinema. Ele é um misto de todas as outras artes. Sua origem se deu no século 19, na França, através dos irmãos Lumiére, sendo aperfeiçoado ao longo dos tempos. Por volta da década de 1950, o cinema chegou em Santa Maria através das poltronas e projetores do Cine Glória, Cine Independência e do Cineclubismo, e trouxe o pioneirismo da 7ª arte à cidade cultura. Sendo assim, por ser uma cidade desenvolvida em torno de uma universidade, a arte cinematográfica também conversa com o 55BET Pro, onde transforma, discute e inova.

 

O Cineclubismo na Universidade

Santa Maria é pioneira quando o assunto se refere a cinema ou cineclube. Dando destaque ao Cineclube “Lanterninha Aurélio” que está em plena atividade há 40 anos no auditório da Cesma (Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria) todas as segundas-feiras, onde promove sessões e debates de produções locais e nacionais. O mesmo vale para o Cineclube “Da Boca” que funciona dentro da UFSM e é um projeto de extensão da curso de Gestão de Turismo vinculado ao Conselho Nacional de Cineclubes e tem como coordenador o professor Gilvan Dockhorn. Com dois anos de atividades no auditório do Prédio 67, o cineclube cujo o lema é: “Divertir, construir e emancipar”, possui uma estrutura democrática, e tem como seu principal compromisso a diversidade de produções locais e nacionais sem quaisquer fins lucrativos. O Cineclube ainda promove um amplo espaço para debates através dos seus chamados “ciclos de cinema” onde são exibidos filmes com questões que, por sua vez, possam levar à reflexão, como por exemplo, o racismo, a violência, a representatividade feminina ou de gênero. Em conversa com o professor Gilvan, ele acredita que proporcionar espaços como este, no cenário atual, é muito importante e conseguir isso através do cinema é “fenomenal.”

Cinema e o Audiovisual na Academia:

Enquanto o curso de Cinema não se torna realidade, os festivais e as amostras são as principais maneiras de incentivar a produção audiovisual no meio acadêmico. Foi com este pensamento que o Laboratório de Pesquisa em Arte Contemporânea, Tecnologia e Mídias Digitais (Labart), juntamente com o Cineclube da Boca e a TV OVO organizaram a primeira edição do Assimetria, Festival Universitário de Cinema e Audiovisual. O evento aconteceu nos dias 15 e 16 de maio, no auditório do prédio 67, e reuniu 32 produções selecionadas por uma equipe especializada num universo de quarenta e dois trabalhos inscritos. Ao final das exibições, foram premiados os melhores filmes nas categorias júri popular, melhor documentário, melhor ficção e melhor experimental.

Com 12 produções feitas por alunos ou egressos da UFSM, destaque para Metamorfose, vencedor nas categorias júri popular e melhor documentário, o Assimetria é um exemplo do crescente interesse das pessoas da universidade em produzir e exibir seus projetos e filmes.

Para a coordenadora da TV OVO, Neli Mombelli, os festivais são um modo de discutir e estudar o audiovisual dentro universidade: “ O legal de se fazer um festival universitário é congregar diferentes visões. No momento que temos um festival, os estudantes conseguem observar diferentes filmes e pensar em como é possível pensar e trabalhar narrativas de diferentes formas. É muito bom ter essa troca de experiência”.  Para ela, os festivais têm um papel básico e fundamental para quem quer produzir cinema: “Nós precisamos assistir muita coisa para também elaborar nossas histórias.”

Cartaz de divulgação do Festival de Cinema Universitário - Assimetria, com a programação completa
Cartaz de divulgação do Festival de Cinema Universitário – Assimetria, com a programação completa

Professora Nara Cristina Santos, coordenadora do fórum; cinema e artes visuais, ainda ressalta o caráter experimental desta primeira edição do Assimetria e diz que o objetivo é expandir no futuro: “ele (o primeiro Assimetria) foi restrito a produções do sul do país. A ideia é ampliar, nas próximas edições, para todo o Brasil e, posteriormente, toda Sul-América”. Segundo Nara, o audiovisual na UFSM deve dialogar com a realidade sul-americana.

O Cinema como graduação

Mesmo que Santa Maria seja reconhecida e chamada como “Cidade Cultura”, a UFSM ainda engatinha em relação às produções audiovisuais. Os espaços para se discutir o cinema dentro da Universidade foram aos poucos ganhando espaço e as pequenas produções desta área, muitas vezes, são restritas através de disciplinas de outros cursos, como os da Comunicação, ou em iniciativas de professores de outras áreas. Assim, essas ações proporcionam aos alunos interessados na graduação em Cinema um contato inicial com o audiovisual enquanto o curso não é implementado.

Para debater melhor o cinema, surgiu então uma questão: a da criação de um curso de graduação em Cinema e Audiovisual na UFSM.  Desta forma, se deu a criação do Fórum: cinema e artes visuais, idealizado pelo Labart do Centro de Artes e Letras sob coordenação da professora Nara Cristina Santos. O evento iniciou bem fundamentado, através da apresentação de estratégias curriculares e um estudo prévio sobre os cursos de graduação de cinema no brasil. “Se partiu para discussão e colaboração de cada um dos professores da área ou com proximidade da área para discutir cinema. Quando chegou o segundo fórum, a gente já apresentou uma primeira proposta de estrutura de currículo, e foi aí que surgiu parcerias como a TV OVO.”, revela Nara.

 Cartaz de divulgação de uma sessão do Cineclube da Boca, de 2015
Cartaz de divulgação de uma sessão do Cineclube da Boca, de 2015.

Presidente da comissão pedagógica para a criação do curso de graduação em Cinema, a professora Nara fala ainda que quando se pensou na criação do curso, foi idealizada uma proposta de disciplina que pudesse tratar não só das questões teórico-práticas, mas também da nossa condição Sulamericana: pensar o Rio Grande do Sul em diálogo com o resto sul-americano (Argentina, Chile, Uruguai). Característica principal do curso na UFSM.

Com um forte e importante apoio institucional, a Comissão Pedagógica se vê otimista nessa instalação do curso de graduação de cinema na universidade, porém ela esbarra numa questão básica que é a falta de professores específicos para área. “O meu trabalho, como presidente da comissão, é trazer a experiência técnica-administrativa e institucional. Propondo aquilo que é uma obrigatoriedade, ter pessoas que sejam produtoras de cinema e tenham uma formação mais específica para aquelas disciplinas próprias de produção”,  destaca.

O curso de graduação é uma realidade muito próxima da a Universidade. Nara salienta: “O curso de cinema vai acontecer na universidade. É só uma questão de tempo ”  a cidade de Santa Maria tem muito o que se beneficiar com a implementação deste curso, porém, devido a burocracia, o que resta aos alunos e aos professores é a espera.

Reportagem: Felipe Mikalauskas Bortoluzi e Pablo Cabral Iglesias

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Sem categoria – EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2018/09/30/agricultura-familiar-e-produtos-organicos Sun, 30 Sep 2018 17:56:18 +0000 http://www.55bet-pro.com/revistatxt/?p=2653 A agricultura teve seu início há mais ou menos 7.500 anos, na região que hoje se encontra o Egito. Nos primeiros passos de domesticação de animais, eles não eram utilizados para o abate, mas sim para o aproveitamento do leite e para o trabalho de tração animal, necessário para o cultivo da terra. A domesticação de plantas iniciou com a coleta de alguns exemplares que eram replantados próximos a seus acampamentos. Com a necessidade de cuidar de sua plantação, foi necessário que o homem fixasse sua residência próxima a esses locais, abandonando sua condição de nômade.

Com a utilização de animais de tração e um arado rudimentar, o homem iniciou o preparo do solo para o cultivo. Nesta mesma época, surgiram os primeiros ensaios de irrigação e a percepção de que o esterco dos animais que viviam próximos aos locais em que plantavam servia de adubo.

O agricultor sempre foi um bom observador e procurou acompanhar o comportamento da natureza para adequar a ela o ciclo de sua produção, tanto dos produtos agrícolas propriamente ditos, quanto o da pecuária. Entretanto, com o aumento da demanda de produtos agrícolas, a agricultura tradicional passou a utilizar defensivos agrícolas – agrotóxicos- com o objetivo de aumentar a produção. Os agrotóxicos surgiram durante a segunda Guerra Mundial para uso bélico. Logo a seguir, começou a ser empregado na agricultura para o combate às pragas.

Com a constatação de que esta forma de produzir alimentos estava sendo prejudicial à saúde humana surgiram movimentos para que o agricultor voltasse a produzir alimentos livres de agrotóxicos. Em 1934, foi aprovado o Decreto 24.114 que colocava um controle ao uso desses pesticidas. No Brasil, o uso de venenos para o plantio em escala exagerada ocorreu por volta de 1940 e a difusão maior de agrotóxicos se deu em 1980. Logo em seguida, começou a ser questionada a sua utilização pelo envenenamento de agricultores e animais.

Um dos principais combatentes contra o uso de agrotóxicos foi o agrônomo José Lutszenberger, que em 1970 deixou o emprego em uma indústria multinacional de agrotóxicos e, no ano seguinte, iniciou o combate ao uso destes pesticidas e a disseminar a necessidade da produção de produtos orgânicos.

Agricultura familiar  

Foi o pequeno agricultor que melhor se ajustou a mais antiga forma de produzir alimentos saudáveis. Grupos de produtores começaram a se formar para procurar a melhor alternativa para o cultivo de produtos orgânicos. Atualmente, os agricultores familiares contam com o apoio da Emater – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural). O engenheiro agrônomo, Guilherme Godoi dos Santos, responsável pela Emater Santa Maria, demonstra otimismo na produção e venda de produtos orgânicos em nossa cidade.

Segundo Guilherme, as pessoas atualmente passaram a ter um olhar mais crítico na escolha de alimentos provindos diretamente dos agricultores. Ciente dessa preferência, a Emater tem intensificado nos últimos anos a assistência técnica aos agricultores do município que optam pela produção orgânica.

Junto ao pequeno produtor, os técnicos da Emater, têm contribuído no ensinamento de formas de combate às pragas e outras doenças próprias da agricultura. O uso de técnicas naturais além de produzir alimento mais saudável diminui o custo de produção, sem o uso de defensivos.

De acordo com o engenheiro: “esta tecnologia veio para ficar, dada a sua eficácia”. Tanto é assim que algumas empresas agrícolas aderiram a esta “revolução verde” e estão lançando o selo de qualidade orgânica,  que garante a qualidade do produto e o fato de ser produzido de forma saudável.

Ainda sobre o tema, o engenheiro da Emater, disse que existe certa dificuldade em controlar a qualidade dos produtos orgânicos nas Feiras Livres em Santa Maria, já que um grande número feirantes são apenas comerciantes, pois eles compram os produtos para vender na feira. Contudo o órgão já conseguiu reunir alguns produtores que são orientados e fiscalizados. Em Santa Maria,  sete produtores têm o certificado de produtor orgânico.

Em Santa Maria, quem atende a parte burocrática pertinente aos seus associados é o Sindicato dos Trabalhadores Rurais. O sindicato presta assistência no preenchimento de formulários e requerimentos. Como não presta assistência técnica, o sindicato orienta os agricultores a participarem de “Dias de Campo” e cursos direcionados ao homem do campo e que são promovidos pela Emater e outras entidades do setor.

Segundo o presidente do Sindicato, Célio Luiz Fontana, planeja-se criar uma cooperativa ligada ao Sindicato Rural, que poderá prestar assistência técnica rural aos seus associados.

Polifeira

Na UFSM , uma equipe de técnicos trabalha na ampliação e na melhoria da produção orgânica. Foi criada a Polifeira para a venda de produtos diretamente dos agricultores. A feira conta é organizada pelo professor Gustavo Pinto da Fitotecnia do Colégio Politécnico da UFSM. O professor coordena os estagiários que fazem visitas periódicas aos agricultores da “Polifeira”  e da “Feira Ana Primavesi”. O nome da feira é uma homenagem a Ana Maria Primavesi, nascida na Áustria em 1920, naturalizada no Brasil, que foi professora da UFSM, e atuou na área de manejo integrado do solo e adubação verde. Ela também foi fundadora da Associação da Agricultura Orgânica (AAO) no Brasil.

A Polifeira é composta por 20 produtores e estima-se que há mais de 500 compradores assíduos. A polifeira é composta por agricultores que estão em processo de transição da agricultura convencional para agricultura orgânica.

Conforme nos relatou o professor Gustavo, estes agricultores encontram-se periodicamente para trocar informações e, aos poucos, assimilam essa nova tecnologia entre eles. Outro grande incentivador da feira, é o agricultor e ex-aluno do Colégio Politécnico, Geraldo André Radatz, que como agricultor reuniu alguns produtores em um total de 82 famílias de Ivorá, Itaara, e Dilermando de Aguiar, dos quais 20 atualmente participam da feira. Alguns agricultores, como os de Ivorá e Itaara, estão organizados em forma de cooperativa.

De acordo com Geraldo Radatz, para que um agricultor participe da feira, ele deve comprometer-se a não usar agrotóxico. Este é o primeiro passo até atingir a condição de produtor orgânico, e obter o selo de certificação de produtor orgânico.

Produção orgânica

Entrevistamos um dos agricultores que já possuem o selo de qualidade orgânica, que nos relatou como foi o processo de transição. João Antônio da Silva é agricultor há nove anos, mas somente conseguiu o certificado de produtor orgânico há seis meses, com a ajuda da Emater SM.

Visitamos o sítio de João Antônio da Silva, onde cultiva seus hortifrutigranjeiros numa propriedade de 12 hectares, localizado em Pains, a  30 Km da UFSM. Tivemos oportunidade de ver sua cultura e a forma de trabalhar. Ele possui uma “bolcadeira” (arado para fazer canteiros), tracionada por um trator Valmet. Para a produção, ele possui também um triturador de galhos (usados para compostagem), um debulhador de milho e uma bomba hidráulica com pivô para irrigar as hortaliças.

João Antônio cria espécie de peixes, como jundiá, carpa capim e tilápia. No pomar, cultiva várias espécies de frutíferas tais como: bergamota, laranja, limão, goiaba, banana, uva e amora, além de outras espécies nativas.

O produtor possui 38 canteiros de 50 metros onde cultiva as mais variadas espécies de hortaliças, todas irrigadas com pivô. A água para irrigação vem de um poço com uma vertente perene.  Apesar das dificuldades, com o tempo vem a satisfação em produzir um alimento saudável para a sua família e para os seus clientes.

Segundo João Antônio, no começo é difícil e a falta de conhecimento obriga o agricultor a procurar um técnico ou outro produtor mais experiente para tirar constantemente as dúvidas sobre o plantio. Entretanto, com o passar dos tempos, o agricultor acaba acumulando o conhecimento necessário para o cultivo de orgânicos. João Antônio nos mostrou com orgulho o registro de produtor orgânico e o talão de nota fiscal de venda de produtos.

Considerações Finais

Acredita-se que as pragas do Egito (Como cita a Bíblia) que antecedem ao Êxodo do povo hebraico, aproximadamente  1.250 anos AC tenha a justificativa científica, já por ter ocorrido um desequilíbrio do meio ambiente. No caso da invasão dos gafanhotos, das rãs e das pestes tenham ocorrido por desequilíbrio ambiental e falta de higiene nas aglomerações humanas.

São também dignas de comentário as técnicas do Dr. Rudolf Steiner que em 1920, percebendo a dificuldade dos agricultores da região (Alemanha), em melhorar a sua produção agrícola, através de uma pesquisa em que reunia conhecimentos de biologia e astronomia, criou o método produtivo denominado “agricultura biodinâmica”. Para difundir a sua tecnologia o Dr. Steiner consegui reunir no castelo de Koberwitz em Breslau na Alemanha, cerca de 300 produtores agrícolas, na sua maioria nobres da Alemanha e Suíça, para apresentar suas técnicas de produção agropastoril. Seus experimentos baseavam-se nas forças magnéticas do Cosmo, Biologia e Forças espirituais.  O Dr. Steiner fundou uma entidade que pregava a relação dos seres da Terra com o Cosmo. Quando alguém contestava sua teoria por ser fundamentada em “crendice”, ele apenas respondia – os senhores podem até afirmar que seja crendice, mas aconselho a testar em suas propriedades, depois de digam se funcionou ou não . Alguns desses ensinamentos chegaram até nossos tempos; plantar e colher em determinadas fazes da lua. Quem já não ouviu falar no Almanaque do Pensamento, que possuía um calendário para o cultivo de plantas conforme o período mais próximo ou distante de determinado astro.

Não podemos também deixar de tecer algum comentário sobre o período histórico da nossa agricultura em que surgiram os famosos “agrotóxicos” , que na época, a partir de 1940  surgiu como grande descoberta, que poderia acabar com a fome da humanidade, acabando com as pragas da lavoura. Longe estávamos em saber que estas ditas pragas na verdade, são apenas pequenos seres que podem conviver com nossas plantações harmoniosamente e até mesmo de forma simbiótica com as diversas cultivares.

No entanto a crença de que o uso de agrotóxico veio para acabar com a fome no mundo, apregoada pelas indústrias químicas que produzem os mesmos, conseguiu difundir o seu uso a custa de maciça propaganda enganosa. As grandes indústrias de agrotóxicos (Venenos)- Que eles denominam de “defensivos agrícolas” mantêm estes produtos no mercado a custa de “lobs” e demandas judiciais. O uso indiscriminado desses produtos tem matado ou tirado a saúde de muitos agricultores.

Associada aos agrotóxicos, outra técnica que silenciosamente vem comprometendo a saúde da população, é a transgênia. Estes produtos denominados “transgênicos”, são totalmente alienígenas, não pertencem a nenhuma categoria ou espécie encontrada no globo terrestre.

Temos que lembrar novamente o texto bíblico, agora no “gênesis”.  Podem dispor de todas as plantas da terra; mas não toquem na árvore da vida (A genética – formadora da vida -)

O organismo do ser humano levou 10.000 anos para ajustar-se aos alimentos que hoje dispomos. Assim precisaremos outros tantos para que possamos nos ajustar aos ditos  transgênicos. E agora os seus produtores não querem que saibamos onde eles estão nos mercados (Para que possamos nos envenenar sem saber), retirando do rótulo o símbolo (T) de transgênico (É um Projeto de Lei aprovado na Câmara dos Deputados e está para ir ao  Senado). Este símbolo identifica a característica (Transgênico). E eles realmente fazem mal a saúde, é o que dizem os pesquisadores; como afirmam diversos médicos cientistas contemporâneos.

Encerrando o nosso comentário, queremos enaltecer os produtores da Agricultura Familiar que não  medem esforços para colocar na prática os conhecimentos sobre a produção de alimentos orgânicos, livres de agrotóxicos e de transgênicos devidamente saudáveis. Os produtores orgânicos em especial da Agricultura Familiar podem ser a solução para que tenhamos produtos saudáveis na nossa mesa. Já que o grande produtor só pensa em retorno financeiro e exportação de “comodities”.

Reportagem: Adão de Jesus Ferreira

 

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Sem categoria – EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2018/09/30/a-resistencia-persiste Sun, 30 Sep 2018 17:55:36 +0000 http://www.55bet-pro.com/revistatxt/?p=2638 No dia 17 de agosto de 2017, descobriu-se pichações de suásticas no Diretório Acadêmico do Direito (DLD). Já em 14 de setembro, tomou-se ciência de novas pichações racistas no mesmo local. Essas ofensas, além de atacarem uma população inteira, foram direcionadas a dois estudantes negros do curso de Direito. Um processo administrativo e um inquérito na Polícia Federal foram iniciados para tentar identificar os responsáveis.

Em 21 de novembro de 2017, encontrou-se mais desenhos de suásticas, dessa vez no Diretório Acadêmico de Ciências Sociais. “Dois meses depois, aconteceu o segundo caso […] nos reunimos novamente, e puxamos uma nova assembleia de estudantes negros da Universidade. Naquele momento nós decidimos fazer um ato na reitoria, que foi no mesmo dia que teve o Consu (Conselho Universitário). A gente fez atos e falas e viu que não teria um diálogo com a instituição, então decidimos pela ocupação”, relata o integrante do coletivo Afronta Robson Daniel da Rosa.

A ocupação no hall da reitoria se estendeu por uma semana, dos dias 24 de novembro de 2017 até 30 do mesmo mês. Conforme Robson Daniel, “Nossa intenção era que a instituição desse um pronunciamento oficial em todas as redes sociais, só que não houve um pronunciamento de fato que falasse ‘nós vamos tentar o máximo possível realizar a pauta de vocês’. O máximo que tivemos foi uma nota da reitoria, falando que sentiam muito. Mas sentir muito não vale, nós precisamos ações concretas – foi por isso que ocupamos, pois não houve diálogo. O reitor disse em um dos dias de ocupação que era uma “ocupação subterrânea”. O máximo que fizeram foi apoiar um evento.”

Entre os estudantes que estavam na ocupação, havia membros de comitês e coletivos pertencentes a movimentos negros. Unidos por lutas e pautas semelhantes, entregaram uma carta de reivindicações ao reitor Paulo Afonso Burmann. Dentre as solicitações, estava a necessidade da implantação de cotas na pós-graduação e um posicionamento mais firme da instituição em relação à prevenção e à punição a quem comete violência racial. Entretanto, segundo membros dos movimentos negros Comitê pela Liberdade do Rafael Braga, Protagonismo Negro, Afronta e Racismo Basta, além de alunos dos diretórios acadêmicos de Ciências Sociais e de Direito, os pedidos não foram atendidos.

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Apesar disso, como conta o membro do Diretório Livre do Direito (DLD) Leonardo da Silva, a partir desses ataques racistas, os movimentos negros ganharam mais visibilidade. “Eles [os alunos mencionados nas pichações] disseram que queriam usar isso para dar um boom na causa, e os movimentos começaram a ganhar visibilidade.”, diz Leonardo. Adriano Cirqueira, também do diretório de Direito, adiciona: “As pessoas negras têm uma união maior desde aquele momento. Eu senti uma força maior”.

Robson Daniel concorda: “em setembro, quando aconteceu o caso no Direito, o Afronta estava um pouco parado. A gente retomou as atividades, começou a fazer debates e movimentações”. Ele explica que os movimentos entendem o racismo como um problema estrutural e, com ataques, foi importante que todos os movimentos se unissem: “a gente se uniu com as vítimas do primeiro caso e com os movimentos, para discutir o que a gente faria. Nesse momento a gente lançou uma nota e foi organizado uma movimentação antirracista, que durou cerca de 10 horas”.

Assim como para o coletivo Afronta, para a membro do Comitê pela Liberdade do Rafael Braga, Victórya Vieira, embora não se tenha conseguido uma conquista plena das reivindicações feitas, a ocupação teve essa conquista importante: a aproximação entre os movimentos. Na avaliação da estudante, o movimento estava muito disperso e com a ocupação houve união: “foi na primeira ocupação negra na UFSM que a gente teve o auxílio um do outro e a gente pôde se enxergar, pôde se unir, pôde estar um do lado do outro. […] O mais importante foi ver que sim, nós estamos juntos. Mostrou que a gente tem força e que não vai ser um caso ou dois de racismo que vai acabar com o movimento ou que vai nos calar”.

Andressa Goulart, do programa da Rádio Universidade entitulado Protagonismo Negro, pondera, pois diz que desde as pichações não há uma mudança no comportamento, mas sim na visibilidade dada para a situação: “Tudo aquilo que aconteceu causou um sentimento de revolta e medo constante. Eu acho que os estudantes negros tinham muito medo de circular na Universidade e fora, pois, toda a situação dá a entender que pode acontecer algo que nos agrida fisicamente ou psicologicamente.”

Já para um dos universitários atacados nas pichações que ocorreram no Diretório Livre do Direito e criador da campanha “Racismo Basta”, Elisandro Ferreira, a ocupação poderia ter um êxito muito maior se todos os estudantes negros se unissem e defendessem juntos as suas pautas: “Tu podias ter 500 negros ali e talvez uns quatro, cinco brancos… eles [administração] vão expulsar 500 negros da Universidade? Expulsem. Expulsem os 500 negros da universidade. ‘Por quê? Os negros invadiram a universidade porque tiveram manifestação racista com os nomes deles lá no diretório livre’. Quem é que está com a razão? Essa ocupação não foi nada desordenado. Não foi nada de vandalismo. Essa ocupação foi um sinal de desespero e de pedido de socorro”.

Elisandro falou também que falta força de vontade da Universidade no que diz respeito a causa racial: “É uma universidade federal, é uma universidade pública, nós negros fazemos parte dessa sociedade, desse público, digamos assim. E hoje, estamos num país que, eu me atrevo a dizer, 75% é negro ou mestiço. Então a universidade pode fazer sim [tomar iniciativas mais incisivas e assegurar apoio concreto]”.

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Segundo dados do IBGE divulgados em dezembro de 2015, mais da metade da população brasileira (54%) é de pretos ou pardos. Infelizmente, a Pró-reitoria de Graduação não respondeu aos diversos pedidos sobre o número de cotistas da UFSM.

Atitudes da Universidade diante da situação

Assim como Elisandro, todos os representantes dos movimentos entrevistados criticaram o comportamento da Universidade diante de suas pautas e problemáticas. Questionada sobre os apontamentos e críticas direcionadas pelos alunos à UFSM e sobre o não cumprimento das reivindicações entregues na ocupação, a assessoria do Gabinete do Reitor refutou as afirmações: “Todas as ações demandadas pelos estudantes foram ou estão sendo implantadas, exceto aquelas de longo prazo que necessitam de toda uma processualidade para serem instauradas”. Uma das ações referenciadas é a criação da Comissão de Acompanhamento e Permanência de Estudantes Negros e Negras da Universidade Federal de Santa Maria, formalizada através da Portaria nº 87.569, de 26 de janeiro de 2018.

Os alunos afirmam que uma das reivindicações, que exigia da reitoria a criação de uma campanha institucional contra o racismo, não aconteceu: “Foi uma iniciativa do Elisandro, teve apoio da Universidade, mas não foi realizado por ela. No máximo tem um banner da campanha “Racismo Basta” no site oficial da UFSM. Mas a gente não acha que campanha acaba com o racismo, e sim que conscientize as pessoas, e por isso nós nos organizamos”, diz Robson Daniel. Os membros do DLD, Adriano e Leonardo, também citam a mesma campanha como exemplo do descaso da universidade: “O Elisandro começou a campanha do “Racismo Basta” e pressionou a reitoria por apoio, não foi algo que a reitoria disse ‘vamos fazer’”, diz Adriano.

Contudo, o Gabinete do Reitor diz que “a campanha “Racismo Basta” foi assumida como campanha institucional pela reitoria, e consta em destaque na página principal do site da UFSM. O Gabinete do Reitor vem dando apoio na impressão de peças gráficas e na realização de diversas ações”. Segundo o Gabinete do Reitor, não foi avaliada necessidade de desenvolver outra campanha com o mesmo objetivo, já que foi considerada que esta atinge o objetivo principal que é “o de conscientizar a todos a sobre a causa, respeitando o protagonismo do povo negro e dando enfoque para seu lugar de fala em um espaço institucional”.

Entretanto, o autor da campanha contesta essa declaração. Segundo Elisandro, “a única vez que eles (reitoria) apoiaram com peças gráficas foi para o seminário do dia 21 e 22 de novembro de 2017. Eles foram três vezes levar a mim e uma colega até a Assembleia em Porto Alegre e não fizeram mais nada”. Para ele, dizer que o objetivo é alcançado apenas pela campanha é errôneo, pois ela não é suficiente para objetivos tão sérios e complexos: “A Universidade não tomou partido. Quem deu a cara a tapa e está tentando fazer alguma coisa somos nós. Sem dinheiro e com algum apoio de fora da UFSM e de alguns sindicatos e simpatizantes desta causa”.

Uma das ações imediatas da reitoria foi a implementação das câmeras no Diretório Acadêmico do Direito, mas os alunos pensam que chegou tarde demais – como relata Leonardo: “A câmera foi bem paliativa. Essa estratégia de vigiar a gente se sabe há muito tempo que não dá certo. Se a Universidade tivesse um suporte para quem sofreu racismo, como um espaço em que os negros pudessem debater, seria outra coisa. […] A câmera vai gravar quem entra e sai da sala. A gente vai punir depois que aconteceu ou vai prevenir?”.

O diretório do Direito abriu uma denúncia no Ministério Público e na Comissão Permanente de Sindicância e Inquérito Administrativo (Copsia), que integrou todos os ataques à mesma denúncia. Em entrevista a essa reportagem, o órgão afirmou que a sindicância administrativa ainda está em investigação e que qualquer especificidade só poderia ser relatada aos envolvidos no caso. Elisandro, uma das vítimas dos ataques, a nosso pedido, também entrou em contato para saber como anda o processo. Contudo, segundo ele, foi dito o mesmo.

No caso das pichações no diretório de Ciências Sociais, a coordenadora do curso de Bacharelado em Ciências Sociais, Janaína Xavier, relata que o apoio aos alunos foi imediato: “A Coordenadora da Licenciatura, Maria Clara, acompanhou os estudantes a Polícia Federal e lá foi feita uma denúncia. No outro dia, tivemos uma reunião com o reitor, que se colocou à disposição para dar os encaminhamentos institucionais para esse tipo de coisa”.

De acordo com a Assessoria do Reitor e alguns entrevistados, dentre eles o universitário alvo de um dos ataques, a Universidade ofereceu apoio psicológico aos estudantes que tiveram seus nomes mencionados nas pichações. Porém, o estudante avalia que não houve um atendimento adequado em razão do despreparo do profissional que o atendeu.  Problemas estruturados na sociedade brasileira não permitem uma compreensão completa dos profissionais, em sua maioria brancos, do impacto que uma ofensa racista pode causar em estudantes negros. “Outra reivindicação inclusive foi psicólogos negros e negras para atender os alunos, pois eles têm uma maior compreensão de racismo. Mesmo sendo branco, que possua uma formação interdisciplinar, que [desenvolva] mais empatia”, explica Leonardo.

Outra reivindicação dos estudantes é a aplicação da lei 10.639/03, conforme o Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana (2009), que propõe o ensino da cultura afro-brasileira desde o ensino básico até o superior. Ela também não foi plenamente implementada na UFSM e está sendo constantemente requerida pelos estudantes que fazem parte dos movimentos negros.

A política de cotas na pós-graduação é uma das poucas demandas que se encontra em andamento e será encaminhada para aprovação no Conselho Universitário, mas ainda sem previsão de data. O curso de Ciências Sociais também promove eventos que discutem racismo, gênero e ações afirmativas. A ideia desses eventos surgiu nas reuniões para discutir as pichações e o primeiro aconteceu no mês de junho. Além disso, a UFSM realizou, no mesmo mês, um curso de combate ao racismo institucional voltados aos servidores da universidade.

Conforme pesquisa realizada com 40 estudantes negras e negros da UFSM, 25% deles já sofreu algum tipo de violência racial. Dessa porcentagem, 100% não denunciou.

 A Lei

– A injúria racial está prevista no artigo 140, parágrafo 3º do Código Penal Estabelece a pena de reclusão de um a três anos e multa, além da pena correspondente à violência, para quem cometê-la. De acordo com o código, injuriar seria ofender a dignidade ou o decoro utilizando elementos de raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.

– O crime de racismo, previsto na Lei n. 7.716/1989, implica conduta discriminatória dirigida a determinado grupo ou coletividade e, geralmente, refere-se a crimes mais amplos. A lei enquadra uma série de situações como crime de racismo:

·                    recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial

·                    impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou às escadas de acesso

·                     negar ou obstar emprego em empresa privada, entre outros.

O crime de racismo é inafiançável e imprescritível, conforme determina o artigo 5º da Constituição Federal.

 BASTIDORES

Abordar uma questão como a discriminação racial não é fácil, ainda mais com manifestações racistas ocorrendo há menos de um ano na universidade. Pensamos no tema após nunca mais termos ouvido nada sobre as denúncias realizadas em 2017 – se houve punidos, quais foram as campanhas efetivas da universidade, como anda o desenrolar da denúncia, et

Uma das maiores frustrações, em nosso ponto de vista, foi a resposta da UFSM. A campanha “Racismo Basta”, que pensávamos ser criada pela instituição, na verdade  foi idealizada por um aluno, como revelado na reportagem. (Também não há planos da UFSM criar uma campanha própria, o que foi uma reivindicação na ocupação da reitoria que ocorreu em 2017) Os alunos negros da universidade se sentem desprotegidos e não valorizados, com razão.

Entrevistamos membros do Diretório Acadêmico do Direito (Adriano e Leonardo), onde a primeira pichação racista ocorreu. Como não existe mais uma chapa no Diretório de Ciências Sociais, falamos com Janaína Xavier, coordenadora do curso Bacharelado, pois os membros da antiga chapa não se sentiram confortáveis em conversar. Também falamos com Elisandro, mencionado em uma das pichações, Victórya Ferreira (Movimento pela Liberdade de Rafael Braga), Robson Daniel (integrante do coletivo Afronta) e Andressa Goulart (programa da Rádio Universidade Protagonismo Negro).

Reportagem: Naiady Machado Lima e Poliana Corrêa

 

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