EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom Programa Educomunicação e Cidadania Comunicativa Fri, 07 Feb 2020 12:33:36 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom 32 32 EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2020/02/07/banner1 Fri, 07 Feb 2020 12:33:16 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/?p=3422 EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2020/02/07/livro-infantil-feito-por-criancas-ganha-premio-em-congresso-de-comunicacao Fri, 07 Feb 2020 11:20:19 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/?p=3408

O livro Até onde vai a imaginação organizado por estudantes da UFSM e escrito por crianças de 11 e 12 anos ganhou prêmio no XIV Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sul (Intercom Sul). O evento ocorreu no período de 30 de maio a 1º de junho, na cidade de Santa Cruz do Sul.

A proposta do livro nasceu na disciplina de Redação para Produtores Editoriais ministrada pela professora do curso de Comunicação Social da UFSM, Marília Barcellos. A ideia era de trabalhar com os paratextos editoriais estudados. Os acadêmicos integrantes do grupo do trabalho, Maura da Costa, Raquel Scremin e Flávio Teixeira, optaram por desenvolver a ideia com alunos do 5º ano da Escola Estadual de Educação Básica Augusto Ruschi, pois uma das integrantes já atuava como bolsista do programa de Educomunicação e Cidadania Comunicativa da universidade. “Utilizamos os desenhos dos alunos da Raquel como originais. A partir disso, montamos a estrutura do livro, trabalhamos no tratamento das ilustrações, na revisão, na diagramação, acompanhamos o trabalho da gráfica e fizemos contato com algumas livrarias”, conta Maura. O Programa é coordenado pela professora, também do curso de Comunicação Social da UFSM, Rosane Rosa, foi financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) em 2011 e 2012, e neste ano pelo Ministério da Educação (MEC).

A professora Rosane Rosa, em parceria com a professora Marília Barcelos, atuou como orientadora da publicação e destaca o processo de construção do livro como uma nova literatura sob a perspectiva da autoria, de criança para criança. Ela conta que foi possível dar vazão ao protagonismo e deslocar as crianças do papel de leitoras para atuarem também como autoras. “É um produto bem singelo, o que tem de rico é o processo. O processo participativo contempla a autoria infantil. É uma linha de uma nova literatura que repensa a questão da autoria, que é possível, sim, você desencadear esse processo desde a infância”, enfatiza a orientadora. O programa de Educomunicação continua trabalhando nessa linha com projetos como Ciranda Cultural, Sarau Literário e Contação de Histórias.

Maura da Costa, Raquel Scremin e Flávio Teixeira foram os mediadores e organizadores do livro. Os estudantes provocaram a imaginação das crianças, por meio de desenhos, através da pergunta “O que você gostaria de ver a partir da janela do seu quarto?”. O resultado foi desenhos que trouxeram como tema a natureza e o cuidado que se deve ter com ela, acompanhados de frases como: “Este é o laboratório do Doutor Maluco, onde toda a natureza foi criada por ele”, “Mais bonita que a natureza é a menina cuidando das Flores”. A professora Rosane destaca nos desenhos as cores coloridas e vibrantes e a presença de elementos como o sol, onde se encontra implícita a alegria. Rosane enfatiza a importância disto: “São crianças de escola pública, moram em periferia, muitas dessas crianças abrem a janela e veem um lixão, ou veem um cenário que está longe do que eles desejariam […]. Esses elementos são os que eles sentiram a necessidade e gostariam de ter próximos. A natureza, a alegria, o colorido, o ser humano, eles próprios inseridos nesse cenário”, relata.

Até onde vai a imaginação é um produto que integrou ensino e extensão, foi pensado em uma disciplina e executado em um programa que trabalha com escolas da periferia com baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). O programa de Educomunicação e Cidadania Comunicativa iniciou em 2008 e hoje conta com 15 bolsistas acadêmicos das quatro habilitações do curso de Comunicação Social (Jornalismo, Produção Editorial, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas). Trabalha com oficinas multimídias, já inaugurou mais de oito rádios-escolas e está preparando mais onze. Também tem oficinas de desenho em quadrinho, audiovisual, fanzine, dicção oratória e desinibição, além de fotografia e jornal. Neste ano, o programa pretende estender seus projetos a outras escolas além das localizadas na periferia.

Para a professora Rosane Rosa, projetos de Educomunicação como o livro Até onde vai a imaginação contribuem na formação dos acadêmicos, mostrando a eles um outro lado da Comunicação Social, foge do aspecto exclusivamente mercadológico e da espaço à criatividade e iniciativa. “Eles ensinam, mas também aprendem, são educandos e simultaneamente educadores […] Autonomia e criatividade é com eles, o que é difícil ver no mercado”- afirma a professora. “Com certeza foi uma grande realização sabemos da importância desse trabalho para o nosso currículo e nosso curso. Além disso, poder levar uma ideia inovadora com intuito de propagar a leitura é gratificante”, acrescentam as estudantes Raquel Scremin e Maura da Costa. Para as crianças, o livro além de explorar a criatividade e incentivar a leitura também contribui com a auto-estima dos jovens escritores.

A publicação pode ser adquirida na escola Augusto Ruschi ou no Laboratório EDUCOM UFSM no campus da universidade, Prédio 67, sala 1214. O recurso adquirido com a venda dos exemplares será revertido para financiar outras publicações infanto-juvenis. Alguns exemplares do livro também foram doados para as bibliotecas das escolas da 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) de Santa Maria.

  

 

Fotos: Divulgação.

Repórter: Franciele Varaschini – Acadêmica de Jornalismo.

Edição: Lucas Durr Missau.

Fonte: Notícias UFSM

 

 

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EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2020/02/07/vi-encontro-brasileiro-de-educomunicacao-e-iii-educom-sul-estao-com-inscricoes-abertas Fri, 07 Feb 2020 11:16:09 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/?p=3406

Já iniciaram as inscrições para VI Encontro  Brasileiro de Educomunicação e  III Educom Sul, para participar é preciso se inscrever pelo site do evento. Também estão abertas as inscrições para a submisão de trabalhos relato de experiência ou pôster. 

Os eixos temáticos discutidos serão: 

1.   Educomunicação gênero e raça/etnia
2.   Educomunicação e desenvolvimento social e ambiental.
3.   Educomunicação, cidadania em rede e movimentos sociais
4.   Educomunicação,  juventude e direitos humanos
5.   Educomunicação, educação integral nas políticas públicas
6.   Educomunicação na educação midiática e informacional
 
As incrições podem ser feitas até dia 10 de abril! Mais informações  e inscrições acesse: http://www.6educom.blogspot.com.br/
 
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EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2020/02/07/pesquisa-aponta-relevancia-da-midia-no-desenvolvimento-da-crianca Fri, 07 Feb 2020 11:11:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/?p=3402

Em texto publicado na última edição da Revista Comunicação e Educação, veiculado pelo Departamento de Comunicações e Artes da ECA-USP, a pós-doutora Ariane Porto faz uma análise da interação entre o público infantil e a mídia, e sobre as “relações, significados e vivências que emergem desta confluência”, como retrata o artigo
 
No contexto atual em que a população se encontra rodeada de informação e novas maneiras de comunicar com rapidez e fluência, é impossível, e também nocivo, pensar em uma infância sem a presença da mídia, de acordo com a autora. Por isso, a mediação de forma consciente por parte da família e da escola é importante, para que as novas tecnologias e mídias digitais se representem como ferramentas para a formação e desenvolvimento saudável da criança.
 
“As tecnologias promoveram muitas e diversas alterações nas relações socioculturais, como por exemplo o aumento da autonomia de consumo, não só pela diversidade e quantidade, mas também pela possibilidade de acesso on demand”, afirma Ariane. De acordo com a autora, isto possibilita o acesso da criança a produções que favorecem o reconhecimento de múltiplos discursos e vozes diferenciadas, que dialogam com sua cultura.
 
Além do consumo de culturas diferentes, uma nova possibilidade que a tecnologia trouxe é a inserção do público infantil como também produtor de cultura. A internet e as plataformas sociais permitem que a criança crie e compartilhe conteúdo com a rede mundial. “As tecnologias digitais proporcionam não apenas a polifonia, mas, fundamentalmente, cria ‘ouvidos’ para essas vozes. As crianças das novas gerações já podem se comunicar com o mundo todo – e isso é uma enorme revolução.”
 
Porém, é importante que escola e a família estejam atentas para a presença da mídia no imaginário da criança, e use esta conscientemente para o fim de educá-la. A mídia não é capaz de substituir um professor ou de resolver problemas da criança, sendo ela apenas um instrumento para estabelecer comunicação, algo que anda de mãos dadas com a educação, de acordo com Ariane.
Como explica a autora, a escola e a mídia são como “pais divorciados”: a escola é antiquada, enquanto a mídia é irresponsável. “A escola ensina conteúdos inúteis, e a mídia promove comportamentos inadequados e violentos. E poderíamos seguir com uma longa lista de acusações.”
 
É aí que entra a importância do estudo da educomunicação, curso inaugurado pela USP e área de especialização de Ariane. Este estudo trata de estabelecer pontes entre os novos formatos da mídia e a sala de aula, de maneira responsável, para oferecer um ensino mais completo e prático para estudantes de todos os níveis.
 
Um exemplo disto é a nocividade da publicidade infantil, algo que apenas recentemente tem sido regulamentado. Para Ariane, se trata de um tipo de mídia extremamente delicado, que não deve ser pensado com base em lógicas de mercado, já que pode causar sérios danos ao público infantil se mal realizado.
 
Porém existem possibilidades proporcionadas pela mídia que podem ser proveitosas para o público infantil, e devem ser valorizadas: com sensatez e comprometimento dos mediadores – como a família, a escola e o Estado – a mídia pode ampliar o conhecimento e capacidade criativa das crianças de maneira muito mais fluída e intensa do que era possível há décadas atrás, além de colocar a criança em contato com questões globais e complexas.

“Temos a questão ambiental como um grande ponto de conflito e gerador de questões estruturantes, que estão alterando sobremaneira os paradigmas de desenvolvimento atual”, adiciona Ariane. “Nesse ponto específico, as tecnologias possibilitam que questões globais como essa passem a fazer parte do cotidiano e das preocupações das crianças, talvez de forma muito mais intensa que na geração dos anos 90.”
 
O artigo completo pode ser lido no Portal de Revistas da USP.
 
 
 
Crédito foto: Telegraph.co.uk
Repórter: Vitor Andrade

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EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2020/02/06/radio-escola-no-ii-educom-sul-em-ijui-rs Thu, 06 Feb 2020 16:03:52 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/?p=3397 O II Educom Sul – Encontro de Educomunicação da Região Sul – aconteceu nos dias 27 e 28 de junho, na Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. O evento focou em Educomunicação eDireitos Humanos e contou com 400 inscritos de diferentes estados.

Durante os dois dias de evento, entre mesas temáticas, trabalhos científicos e oficinas, os congressistas desenvolveram conhecimento teórico-prático sobre educomunicação e direitos humanos, além de trocar experiências sobre projetos da área.

O evento propiciou a articulação de pesquisas e práticas educomunicacionais da educação básica nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Bahia.

Em entrevista à cobertura colaborativa dos alunos do Programa Educom UFSM, a professora Ademilde Silveira Sartori, membro da diretoria da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação, atribui a importância do evento como espaço de diálogo e trocas de ideias entre os profissionais e pesquisadores tanto da educação quanto da comunicação.

II Educom Sul teve cobertura colaborativa

O Programa Educomunicação e Cidadania Comunicativa da Universidade Federal de Santa Maria (Educom UFSM), coordenado pelos professores Rosane Rosa e Luciano Mattana, proporcionou aos alunos de Ensino Fundamental e Médio da Escola Estadual de Educação Básica Augusto Ruschi, do Instituto Estadual Padre Caetano e da Escola Estadual de Ensino Médio Itaara, a experiência de trabalhar em uma cobertura colaborativa online por meio de publicações na fanpage do Programa, com fotos e entrevistas em áudio.

O Educom UFSM democratiza a comunicação como um direito humano. Para tanto, desenvolve cursos e oficinas por meio de diferentes linguagens e dispositivos midiáticos aplicados a serviço da educação.

Acadêmicos de Comunicação Social – Produção Editorial da UFSM, que são bolsistas do Programa, trabalharam com os alunos na preparação da cobertura do evento, utilizando a programação oficial para delinear o que seria feito no dia do evento. Para firmar os conhecimentos, os alunos das escolas tiveram breves oficinas sobre os canais de comunicação definidos para a cobertura.

Em depoimento, a aluna Kátia Moreira, participante da cobertura do evento, publicou na fanpage a relação entre a educomunicação e a realidade social brasileira. Para a aluna: “O conceito da Educomunicação visa tornar os alunos cidadãos mais reflexivos e críticos dentro das escolas, traz os estudantes para esse mundo mais politizado, influenciando na mobilização do povo brasileiro e colaborando para uma melhor percepção do real sentido dessas manifestações, uma vez que os vários pontos de vista são expostos e a possibilidade de discussão das diferentes opiniões é concretizada”.

Texto: Eveline Ugalde, Jaiane Ventorini e Raquel Scremin
Foto: Daniel Ribeiro | Edição de Imagem: Carolina Xavier

Entrevista: Paola Escobar e Pâmela Medeiros

Fonte: Rádio Ruschi

Disponível emhttp://radioruschi.wix.com/radioruschi#!n2/cvo6

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EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2019/09/04/ufsm-em-movimento Wed, 04 Sep 2019 18:54:31 +0000 http://www.55bet-pro.com/revistatxt/?p=2876 Esporte Universitário incentiva a prática de atividades físicas

O Esporte Universitário é um projeto de desenvolvimento institucional que oferece diversas modalidades esportivas na Universidade Federal de Santa Maria. Os esportes são praticados por acadêmicos, docentes e servidores nas instalações do campus, principalmente no Centro de Educação Física e Desportos (CEFD). As atividades são supervisionadas por professores e alunos monitores. As inscrições para participar do projeto são feitas pelo Portal do Aluno no começo de cada período letivo.

O projeto iniciou as atividades no final do segundo semestre de 2017 e foi retomado em 2018. Depois, foi renovado até agosto de 2021. Em 2019, tornou-se projeto de desenvolvimento institucional junto à reitoria da UFSM. Assim, passou a receber recursos da Pró Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) para manter bolsas de R$ 250,00 para alunos monitores. Estes acadêmicos são dos cursos de Educação Física e Dança, tanto licenciatura quanto bacharelado e são coordenados pelo professor Gustavo de Oliveira Duarte.

O Esporte Universitário não visa treinamentos para competições. As atividades têm fim recreativo e promovem um espaço para a comunidade acadêmica realizá-las dentro da universidade. Com 34 modalidades disponíveis no primeiro semestre de 2019, o projeto atinge cerca de mil estudantes. Além de futebol, vôlei, basquete e handebol, o projeto também disponibiliza modalidades de lutas como Judô, Jiu-Jitsu, boxe entre outros. Além disso, atividades de danças também estão disponíveis. A natação é a modalidade com maior procura e é ofertada em 6 turmas.

O professor Duarte destaca a capacidade que o esporte possui de aproximar as pessoas, independente de suas personalidades: “O esporte tem uma competência social que cria vínculo entre as pessoas. Alunos que nunca iriam se encontrar, em função de cursos diferentes, se encontram aqui no esporte universitário”.

O estudante Aldebar Pereira está no 10º semestre de Engenharia Elétrica e pratica natação na quinta-feira durante a manhã. Ele participa do projeto desde seu início, em 2017, quando se matriculou para natação mesmo sem saber nadar. Depois de quase dois anos, já aprendeu a nadar os quatro estilos de nado: livre, costas, borboleta e peito.

Aldebar afirma que teve melhora em sua qualidade de vida após ingressar no projeto: “Não me incomodo mais em ter que caminhar por meia hora, por exemplo. A prática do esporte nos faz liberar endorfina e isso melhora nosso humor, psicológico e emocional. Posso dizer que até meu desempenho acadêmico aumentou depois que entrei para o Esporte Universitário”, destaca.

Estrutura para o futuro

Em 2020, o CEFD completará 50 anos, por isso algumas melhorias estão previstas, como na pista de atletismo, além da construção de um novo prédio para receber aulas, que deve ficar pronto em quatro anos. O CEFD também passa por reformas no ginásio 2, onde aconteciam as modalidades de musculação e lutas. Em virtude disso, a musculação  está temporariamente suspensa, já as lutas foram transferidas para o tatame do Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (CTISM). Enquanto as melhorias não ocorrem, os organizadores arrumam “jeitinhos” para os problemas de estrutura: “Nós perdemos um dos ginásios, onde ficava a academia e vamos perder a pista de atletismo por causa das obras. Mas fizemos parcerias com o Politécnico, CTISM, com o RU, com a Casa do Estudante. Os alunos sabem que professor de Educação Física se ‘vira nos 30’, arrasta cadeira, se não tem música canta e bate palmas”, ressalta Gustavo.

Leonardo Farias está no 8º semestre de Educação Física – Bacharelado e é monitor de três turmas de natação e uma de futebol 7 feminino. Para ele, diante dos recursos que a universidade tem, os materiais são suficientes para cumprir as necessidades da natação, além de valorizar a importância de haver uma piscina do porte que a UFSM oferece. Leonardo, considera a experiência gratificante e uma forma de progredir na profissão: “Nas aulas, eu busco ir atrás de conteúdos e didáticas novas para passar aos alunos, isto estimula minha criatividade. Tenho aprendido a conviver e ser compreensivo com os alunos, eles estudam como nós e também têm uma rotina difícil. Usam deste espaço para relaxar”, diz o monitor.

Para o professor Gustavo, o objetivo futuro do programa é melhorar a qualidade estrutural: “Nós queremos qualificar e não expandir porque o projeto já é grande, mas a gente sabe que isso demora. Para colocar um ar condicionado aqui demorou seis meses. É muita burocracia”, reclama. Todavia, o coordenador ressalta que o improviso, muitas vezes, é uma necessidade: “Nós adaptamos, mas não queremos baixar o nível. Não vamos fazer bola de meia para jogar.  Queremos equipamentos oficiais, como bolas, material para pilates, porque os maiores beneficiários do projeto são os alunos”. Na universidade, a busca pela excelência profissional é um preceito em todas atividades, independente do âmbito a qual é realizada. Todo o trabalho aqui executado, reflete direta ou indiretamente na vida da comunidade acadêmica e santamariense.

Bastidores

A ideia da matéria surgiu da nossa curiosidade em conhecer melhor o projeto do Esporte Universitário. Antes de irmos a campo em busca de informações, tudo o que  sabíamos a respeito do tema eram releases de divulgação e relatos de conhecidos que participaram ou participam do programa. Nosso objetivo era descobrir o intuito do projeto e o que ele proporciona não só para os participantes, mas para todos os envolvidos nele.

Para isso, entrevistamos o Coordenador do Esporte Universitário, recolhemos informações junto à supervisão do projeto, além de entrevistar um monitor e alunos que participam das modalidades oferecidas. Nós também acompanhamos algumas aulas de atletismo e natação e visitamos os locais que recebem as disciplinas esportivas dentro do campus. Foi isso que julgamos mais necessário para escrever a matéria, tendo em vista o objetivo que nos propusemos.

Reportagem: Gabriel Marques, Luís Henrique Ramires e Wederlei Pires

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EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2018/09/30/mulheres-no-esporte-um-novo-angulo Sun, 30 Sep 2018 18:06:18 +0000 http://www.55bet-pro.com/revistatxt/?p=2656 Historicamente, a humanidade progrediu ao abolir as formas mais flagrantes de desigualdade de gênero. As significativas vitórias nesse sentido apontam para genuínos direitos que foram sendo conquistados na tentativa de posicionar a mulher na sociedade.

Para tanto, devemos recordar que a situação de inferioridade arrastava-se há séculos no mundo todo, havendo fases em que as mulheres e as crianças, nem mesmo eram contadas nos censos demográficos e não tinham sua vontade e direitos respeitados. Durante muito tempo, a mulher esteve confinada ao lar e sua atuação se limitava as atividades domésticas. Além disso, era tratada como mero objeto de procriação e considerada propriedade do homem, ao qual devia obediência e subordinação.

Quando elas passaram a se inserir no mercado de trabalho, sofriam duplo preconceito: o biológico, pelas diferenças físicas existentes entre os sexos, cuja maior delas é a maternidade, e o social, no qual o trabalho feminino era visto como inferior ao masculino e, portanto, de menor valor.

A mulher esteve em um estado de dormência durante várias gerações, aceitando essa relação de dependência e subordinação. Inicialmente, a luta foi esparsa, marcada por pequenas revoltas a fim de expressar sua opinião sobre a situação e lutar por seus direitos.

Embora conquistas importantes tenham sido consumadas, ainda vivemos em uma sociedade expressamente machista e patriarcal. Essa concepção exerce influência sobre a construção e evolução social humana, o que impacta diretamente na imagem feminina e no seu papel social, familiar e profissional.

A mulher no mercado de trabalho

A discriminação contra as mulheres é uma realidade no Brasil e no mundo. Apesar de os direitos das mulheres nas relações trabalhistas terem evoluído nas últimas décadas, ainda existem inúmeros aspectos a mudar, como por exemplo, a desigualdade salarial entre homens e mulheres.

Em março de 2018, uma pesquisa realizada pelo Catho, site brasileiro de classificados de empregos, apontou que as mulheres ainda recebem menos do que os homens em todos os cargos e áreas. Na área jurídica, a diferença salarial entre os gêneros chega a 53%. A pesquisa ainda mostrou que o nível de escolaridade das mulheres é mais alto que o dos homens.

No esporte, a diferença é ainda maior. Uma pesquisa feita pelo jornal brasileiro Correio Braziliense compara os salários mais altos do esporte e revela que um atleta chega a receber 234 vezes mais que uma competidora na mesma posição.

A diferença aparece, por exemplo, entre Messi e Marta, dois ícones do futebol mundial. Messi fatura US$ 26 milhões por temporada, enquanto Marta recebe US$ 400 mil por ano, o que representa um valor 65 vezes menor em relação ao que é pago para o argentino.

No ranking dos 100 atletas mais bem pagos do mundo, apenas uma mulher aparece: a tenista Serena Williams. Ainda assim, é preciso pular para a 51º posição para encontrá-la. Enquanto o primeiro lugar, ocupado pelo jogador de futebol Cristiano Ronaldo, recebe US$ 93 milhões de dólares, Serena recebe US$ 27 milhões de dólares.

Essa realidade também se repete no contexto local. A tenista santa-mariense Raquel de Martini, atual no 1 do estado, se envolveu em uma polêmica ao contestar a baixíssima premiação que recebeu ao disputar a 26a Copa Celina, que ocorreu em março deste ano, em Santa Maria.

A competição foi organizada pelo Avenida Tênis Clube, com realização conjunta da Pró-Esporte RS e da Secretaria da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do Governo do Rio Grande do Sul (Sedactel), além da Associação Leopoldinense de Esporte e Cultura. O valor da inscrição era de R$ 75,00 para sócios do clube e atletas federados — ou R$ 135,00 para a inscrição em duas categorias. Não sócios e não federados pagavam R$ 110,00 para uma ou R$ 170,00 para duas categorias — os valores eram iguais para homens e mulheres.

Embora o valor da inscrição fosse o mesmo para as ambas modalidades, a disparidade na premiação entre homens e mulheres foi estrondosa.  Na primeira classe masculina, a premiação era de R$ 7 mil para o campeão, R$ 3 mil para o vice e R$ 750,00 para os semifinalistas. Na classe equivalente feminina, a premiação foi de R$ 250,00 para Raquel, que foi a campeã, e R$ 100,00 para a vice-campeã.  Os números indicam que, nesse caso, a premiação para o campeão masculino foi 2.800% maior do que o prêmio pago para a campeã feminina.

Raquel conta que essa questão da diferença entre as premiações veio à tona neste ano, mas que é uma dificuldade de muito tempo. “Esse problema da premiação vem desde sempre, desde que eu comecei a jogar. Alguns [torneios] inclusive não pagam, ou seja, não tem premiação para o feminino. Os organizadores dizem que não tem premiação por falta de mulheres nos torneios” afirma a tenista.

A atleta explica que as tentativas vindas dos organizadores para justificar essa disparidade realmente a incomodam. Segundo ela, alguns alegam que não pagam tanto no naipe feminino porque no masculino os atletas são profissionais ou quase de nível profissional, enquanto que as mulheres estão longe disso. A atleta discorda terminantemente: “É óbvio que existe diferença de nível masculino e feminino. Pegar a nº 1 do mundo contra o nº 1 do mundo não tem graça, as diferenças são muitas. Mas não é falta de capacidade, falta de talento, falta de técnica, são apenas diferenças biológicas e naturais”. Ela ainda acrescenta: “Eu sou uma atleta, que só me dedico ao tênis. Minha vida é o tênis, amo o esporte. Jogo muito desses torneios que não pagam quase nada por amor e porque eu preciso desses torneios para manter o ritmo de competição”.

A tenista conta que hoje ela é a única atleta do interior do estado que segue jogando frequentemente e afirma que já houve boas jogadoras do interior, mas que, infelizmente, abandonaram o tênis.  Raquel provoca: “Já tivemos número e qualidade sim. Agora fica o questionamento, o que levou essas meninas a abandonar o esporte? Será que não foi a falta de incentivo? Será que não foi essa diferença que existe entre as premiações de torneio masculino e feminino?  O que nos motiva? O que nos inspira? O que nos garante o futuro?”.

Raquel não acredita que a resolução do problema esteja próxima, diz não saber que efeito a repercussão do assunto teve entre os organizadores de torneios e se eles vão realmente encarar o problema.  Ela se mostra pessimista e avalia que não vai ser de uma hora para outra que homens e mulheres terão o mesmo tratamento, esse será um processo gradativo. A tenista espera que aconteça, sobretudo, uma melhora significativa nas premiações femininas e que estas possam, pelo menos, vir a cobrir o investimento feito pelas atletas na disputa das competições.

O país do futebol, mas não para as mulheres?

 O machismo faz com que muitas mulheres deixem de seguir carreiras profissionais que são consideradas “masculinas”.  As bem-aventuradas que arriscam se infiltrar no mundo do futebol que é, na sua essência, um espaço majoritariamente dominado por homens, sofrem as consequências dessa imposição da superioridade masculina.

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Em julho do ano passado, a repórter da emissora RBS TV, Kelly Costa, protagonizou um dos inúmeros episódios de machismo que acontecem no ramo do futebol. Em entrevista coletiva após o jogo contra o Luverdense, válido pela Série B do Campeonato Brasileiro, Kelly questionou o então técnico do Sport Clube Internacional, Guto Ferreira, a respeito de questões táticas do time. Depois do apontamento feito pela jornalista, o treinador declarou: “Desculpe, não vou fazer essa pergunta para você porque você é mulher e, de repente, não jogou (futebol)”.

Já em março deste ano, Kelly foi mais uma vez alvo de ofensas de cunho machista enquanto exercia sua profissão. Nesta ocasião, um torcedor agrediu verbalmente a jornalista e foi retirado do estádio Passo D’Areia durante partida que ocorreu pelas semifinais do Campeonato Gaúcho. O fato ocorreu no mesmo dia em que jornalistas lançaram um manifesto em defesa das mulheres no esporte.

Os casos não são raros e acontecem por todo o país.  Em uma cobertura ao vivo de uma partida de futebol, a repórter Bruna Dealtry, do canal Esporte Interativo, foi beijada, à força, por um torcedor. O episódio ocorreu no Rio de Janeiro, no dia 14 de março deste ano, durante a partida entre o Vasco e Universidad do Chile, pela Libertadores. Constrangida, a repórter disse que a atitude “não foi legal”, mas continuou a transmissão. Três dias antes, em Porto Alegre, um torcedor do Internacional insultou e agrediu fisicamente a repórter Renata Medeiros, da Rádio Gaúcha, que cobria a partida entre a dupla Gre-Nal. “Sai daqui, sua puta”, disse o torcedor à jornalista.

No final do mês de abril, a comentarista Eduarda Streb foi vítima de uma piada machista do colega de trabalho Eduardo Bueno, o Peninha, durante o programa esportivo Sala de Redação, da Rádio Gaúcha. O historiador disse que a jornalista deveria “voltar para cozinha” e, após a grande repercussão, ele se pronunciou e pediu desculpas. Durante o ocorrido, Duda defendia o lado do Internacional de Porto Alegre e Peninha defendia o lado do Grêmio. Uma polêmica sobre arbitragem foi instaurada e o historiador disse “Quem colocou essa menina aqui? Volta para a cozinha que é o lugar que tu nunca deveria ter saído”.

Ainda abalada com a ofensa que sofreu, Duda também se pronunciou. A jornalista falou sobre a dificuldade de ser mulher em um ambiente de trabalho extremamente machista e, apesar de triste, aceitou o pedido de desculpas do colega de mesa. “É difícil ser mulher. Eu não sou de me vitimizar, não combina comigo. Acho mesmo que foi uma brincadeira do Peninha. Na hora, nem levei a sério, mas essa brincadeira não tem nenhuma graça. Porque nós mulheres sabemos o tamanho da nossa luta, o tamanho do nosso esforço e o quanto o mundo esportivo é machista. Encaro essa brincadeira como infeliz”, falou a jornalista.

Já em meados de maio deste ano, o Sala de Redação voltou a provocar polêmica quando outro de seus integrantes, Adroaldo Guerra Filho, conhecido popularmente como Guerrinha, falou que “mulher tem seu preço para ser conquistada”. Esses são apenas alguns dos casos mais recentes de assédio e desrespeito que jornalistas mulheres, principalmente – mas não somente – da área esportiva vem sofrendo no ambiente de trabalho.

A atuação feminina em outros cargos do ramo futebolístico também é permeada pelo machismo. Luiza Reis, formada em Educação Física pela UFSM, teve a oportunidade de fazer um curso de arbitragem oferecido pela Federação Gaúcha de Futebol e hoje atua como bandeirinha. Luiza conta que quando fazia o curso ouviu um colega dizer que: “mulher não poderia trabalhar arbitrando jogo de futebol”. Ela revela também que algo que a impressiona são as ofensas machistas vindas das próprias mulheres da arquibancada. A bandeirinha acredita que a maior dificuldade reside na mudança de perfil do profissional esportivo, devido ao fato de que as mulheres ainda são minoria.

No entanto, Luiza se mostra otimista em relação a esse cenário e considera que a situação da mulher, pelo menos no futebol, melhora a cada dia. Ela diz: “Nós mulheres do quadro da arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recebemos muita atenção, nós temos cursos específicos para mulheres”.  Luiza destaca também a importância da posição ocupada pela ex-bandeirinha Ana Paula Oliveira, que atualmente faz parte da comissão que trata especificamente do exercício da arbitragem feminina. Essa comissão luta por mais direitos, como por exemplo, a licença maternidade.  Nesse sentido, a bandeirinha finaliza: “Eu acredito que cada dia é um passo e que as coisas tão sempre progredindo e melhorando”.

A situação do futsal feminino na UFSM

Embora passos importantes estão sendo dados rumo à igualdade de gênero, ainda há um longo caminho a se percorrer.  A revista estadunidense Forbes divulgou que o patrocínio no esporte feminino representa 0,4% do total investido em esporte. Na UFSM, a situação não é diferente. A equipe de futsal feminino da Universidade Federal de Santa Maria iniciou suas atividades no primeiro semestre de 2017. O técnico do time, David Freitas, conta que “a UFSM tem equipes femininas no handebol, no voleibol e eu questionei o porquê de não ter uma equipe feminina de futsal”. Ao buscar amparo no Centro de Educação Física e Desporto (CEFD), David se deparou com certa resistência por parte da maioria dos professores.

Muitas dificuldades fazem parte do cotidiano da equipe. A verba para viagens, torneios e materiais provêm de rifas, venda de lanches e até mesmo do próprio bolso das atletas e da comissão técnica. Outro aspecto apontado por David é a falta de apoio e incentivo: “Tem muito mais apoio no esporte masculino do que no esporte feminino, tanto dentro da instituição quanto fora.” A atleta Alessandra Stefanello complementa: “Dentro da instituição, eu acho que falta o apoio do próprio CEFD e do próprio time de futsal masculino, parece que eles nos veem como inferiores”.

Essa falta de amparo e a concepção de que a mulher supostamente não tem a mesma capacidade que o homem são fatores que acarretam ataques machistas. A atleta Letícia Becker conta que sofre preconceito por praticar um esporte que ainda é protagonizado pelo sexo masculino: “Os meninos nunca queriam que a gente jogasse com eles, desde a escola. Falavam que as meninas não sabiam jogar direito, que não poderiam chegar com mais força”. Heloísa dos Santos, outra jogadora da equipe de futsal, relata que também sofre com comentários ofensivos, ouvia constantemente que mulher que joga futebol é “sapatão”.

Relatos como estes ilustram as dificuldades que as mulheres enfrentam ao ocuparem um espaço historicamente construído como masculino. Contudo, Heloísa afirma: “A gente não vai se entregar, vamos ganhando espaço e terão que nos respeitar”.

 A união faz a força

 O movimento feminista surge como uma força sociopolítica poderosa que luta pelos direitos das mulheres. O feminismo afirma que devem ser dadas às mulheres as mesmas oportunidades – econômicas, políticas e sociais – que são dadas aos homens. As militantes feministas lutam para mudar os estereótipos de gênero. Mas, sem dúvida, há ainda um longo caminho a ser percorrido para que tais desigualdades sejam eliminadas de fato.

O interesse pelo futebol e principalmente, o amor e a vontade de torcer pelo tricolor gaúcho, fizeram com que os caminhos de Suélen Lavarda e Caroline Melgarejo se cruzassem. Ambas são estudantes de Comunicação Social na UFSM: Suélen cursa Jornalismo e Caroline, Relações Públicas.

A futura jornalista conta que sua relação com o futebol vem da infância. Por volta dos três anos de idade ela já acompanhava os jogos com seu pai e frequentava os estádios, cultuando esse sentimento especial pelo futebol e, sobretudo, pelo Grêmio.

Em uma viagem de cunho acadêmico para Argentina, as duas estudantes se aproximaram e, desde então, mantiveram contato. Elas são as responsáveis pela criação da Força Tricolor Feminina de Santa Maria, um coletivo de jovens mulheres que busca espaço e afirmação no futebol e na torcida. O grupo tem como objetivo levar cada vez mais mulheres para o estádio e incentivar a união feminina em prol do Grêmio.

Suélen relata que a ideia de criar o grupo surgiu depois de uma excursão que foi organizada para as torcedoras gremistas que gostavam de futebol. Ela conta: “Divulgamos a ideia, as meninas já tiveram bastante interesse e fechou a primeira excursão. Nós fomos e depois veio a ideia de criar um movimento em si, com nome, com estrutura e tudo, foi daí que surgiu a Força”.

A estudante diz que elas notaram que havia um número significativo de meninas interessadas depois dessa primeira excursão e que as próprias meninas levantaram a ideia de criar um grupo.  O primeiro passo dado foi a criação e a divulgação de uma página no Facebook, que logo passou a angariar várias curtidas. No início, o movimento era formado apenas pelas meninas que participaram da primeira viagem. Depois de criada a página no Facebook, surgiu a ideia de criar um grupo também no WhatsApp para que as integrantes pudessem conversar, divulgar as viagens e falar sobre futebol.  A fundadora do coletivo explica que o WhatsApp foi fundamental para evolução do movimento e que hoje são em torno de 170 meninas envolvidas.

A Força Tricolor Feminina de Santa Maria completou um ano em maio de 2018. Nesse tempo, o movimento evoluiu, cresceu e se fortaleceu. No entanto, as dificuldades enfrentadas pelo grupo, principalmente em Santa Maria, foram e ainda são, muito grandes. Suélen explica que elas não receberam o devido apoio e que o grupo foi alvo de críticas desde a primeira postagem no Facebook que divulgava o movimento. Ela diz que ouviram, de muitos homens, frases tipicamente machistas, como: “por que querem ir para o estádio ver futebol, se não sabem nem o que é impedimento?”; “não conhecem nem a Arena e querem dizer que torcem para o Grêmio”.  E, infelizmente, esses tipos de situações acontecem até hoje: “Estamos num ambiente que ainda é predominantemente masculino, é bem difícil. Sempre temos que escutar piadinhas, assovios, coisas realmente desnecessárias e machistas” afirma Suélen.

Além de organizar excursões para os jogos que acontecem na Arena do Grêmio, o coletivo se reúne no Boteco do Rosário para assistir as partidas do tricolor. Os sócios do tradicional bar da cidade de Santa Maria acolheram o movimento e passaram a divulgar o nome da Força Tricolor nos eventos feitos no Facebook.

Os próximos passos do movimento buscam unir cada vez mais suas participantes e trazer mais meninas para torcer. A Força Tricolor Feminina empenha-se para que seja reconhecida pelo clube Grêmio como uma torcida organizada, como tantas outras. Com isso, é possível mostrar que o grupo faz o que faz pelo clube e pela paixão pelo futebol.

Suélen explica a importância que o movimento tem para ela: “Para mim, o movimento representa bem o nome que ele é, força. É uma força de mulheres pelo Grêmio, é uma força necessária. Fico muito feliz cada vez que vejo uma menina que vir até mim e falar que eu revivi o sentimento dela pelo Grêmio”.

O fato é que as diferenças que – felizmente – existem entre homens e mulheres servem para torná-los complementares, não para criar uma relação de subordinação de um gênero em relação a outro. Dessa maneira, a luta constante pela igualdade e valorização das mulheres torna – se essencial. É necessário discutir o assunto por meio de ações afirmativas e políticas públicas voltadas especialmente ao amparo e proteção da mulher e maior diálogo e compreensão do tema.

 BASTIDORES

A pauta com o tema Mulheres no esporte surgiu de maneira singela, aspirando conseguir apenas duas páginas dentro da edição da .TXT deste ano. Contudo, durante o processo de produção da reportagem nos deparamos com diversas situações locais e casos que mereciam atenção. Em resumo, chegamos ao fim desse processo com cinco páginas de conteúdo e ainda faturamos a matéria de capa da edição deste ano.

Essa matéria surge com força devido aos diversos casos de assédio e machismo que vêm sendo noticiados pela mídia e que também se repetem no contexto local. Além disso, é ano de Copa do Mundo e o esporte, em especial o futebol masculino, está em alta.

Para mim, Bruna, foi muito prazeroso fazer essa pauta porque o esporte é uma das coisas que mais me faz ‘brilhar o olho’ e também continuar no Jornalismo. Por esse mesmo motivo, muitas vezes foi difícil e desencantador produzir essa matéria: é triste pensar que ainda hoje mulheres que atuam nos mais diferentes ramos no mundo do esporte tenham que sofrer com o machismo, o preconceito e a desigualdade.

Aqui na edição online, decidimos contemplar algumas fotos que não saíram na versão impressa.

Reportagem: Bruna Eduarda Meinen Feil e Ana Clara Seberino

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EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2018/09/30/molina-uma-vida-dedicada-ao-radio Sun, 30 Sep 2018 18:04:10 +0000 http://www.55bet-pro.com/revistatxt/?p=2625 Há 35 anos, a figura de baixa estatura, magrinha e de cabelos cinzas se dirige ao prédio da Reitoria no campus da Universidade Federal de Santa Maria. Aperta o botão do nono andar no elevador e sobe mais um lance de escada para chegar até o décimo. Seus passos o levam para a Rádio Universidade. Entrando pela porta de vidro, um dos personagens mais antigos daquele lugar cumprimenta a todos com um sorriso e realiza o trabalho, que faz com muito amor e competência. Esse é Ricardo Leonardo Bezerra Molina, ou apenas Molina, como é conhecido pela maioria das pessoas, natural de Santa Maria e prestes a completar 60 anos.

Em 1982, enquanto cursava fisioterapia pela UFSM, surgiu um estágio na Rádio Universidade. Já  naquele tempo, ele sabia como funcionava uma rádio, ao ter contato com seus amigos que trabalhavam na Rádio Medianeira, quando ainda era jovem. Em 1985, realizou um concurso para sonoplasta, que na época era conhecido como “técnico em assuntos educacionais”. Ao passar no concurso, a junção dos conhecimentos, que já adquirira na Rádio Medianeira e a adaptação aos equipamentos, todos analógicos na época, fez com que Molina se tornasse um grande profissional lá dentro.

Ao longo desses 35 anos trabalhando nas cabines e mesas de som, Molina acompanhou a transformação de eras de fitas cassete, rolos e bolachões para o que conhecemos hoje como rádio digital. As mudanças que ocorreram ao longo do tempo na rádio, não dizem respeito apenas à funcionalidade da rádio e dos equipamentos. Molina viu muitos colegas de trabalhos chegarem e partirem, outras pessoas, outros estudantes e outros cursos. O que no início servia apenas para acadêmicos da comunicação, hoje abrange estudantes de música e tecnologia e engenharia acústica. Passar seu conhecimento, adquirido em diversos cursos de rádio, até mesmo em São Paulo, é uma grande felicidade para Molina. Os estudantes chegam, muitas vezes, sem muito conhecimento prático e têm ali uma troca.

Molina

Molina transita por quase todos os programas produzidos na rádio, que está completando 50 anos. Chega cedo para o “Bom dia universidade” e, ao longo do dia, vai acompanhando a programação cheia de diversidade, apresentada na maioria das vezes pelos próprios alunos da Universidade Federal Santa Maria. Carismático, conta que a convivência com seus colegas dentro da rádio é boa, um ambiente descontraído. Ver o que se tornou a rádio traz grande satisfação, assim como ver cada vez mais estudantes se envolvendo: “Da minha parte, o que eu puder passar para os novos colegas, obviamente vou passando, porque amanhã ou depois quem está saindo sou eu e a coisa tem que continuar.”

O amor por rádio não é o único em sua vida. Desde os seis anos, Molina já afirmava que a música era sua melhor amiga: “Sem música eu não vivo, acho que sem música a vida não tem a menor graça.”. Em 1976, Molina formava uma banda que fazia tributo aos Beatles. A experiência de ter uma banda e cantar é muito singular para Molina: “É onde teu espírito consegue expressar o máximo possível das coisas boas”. O principal, como contou, é cantar para si, depois para a banda e só então para o público. Não existe músico sem plateia, porém, como Molina afirmou, a primeira responsabilidade é saber que está fazendo o melhor para si mesmo, dentro de suas capacidades.

Músico, sonoplasta, marido, pai, avô e bisavô, Molina é um personagem que marca a longa história da Rádio Universidade. Acompanhando todos os processos que levaram ao que hoje se conhece, convivendo dentro das cabines, realizando transmissões e ensinando o que adquiriu com sua experiência. “O rádio, como o pessoal sempre diz, é uma cachaça, depois que se entra, dificilmente se sai”, Ao entrar no décimo andar da Reitoria, com seus 25 anos de rádio, Molina deixou sua marca e, hoje, é um exemplo para os que chegam ali.

Reportagem: Ana Clara Seberino

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EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2018/09/30/inclusao-uma-luta-diaria Sun, 30 Sep 2018 18:03:12 +0000 http://www.55bet-pro.com/revistatxt/?p=2632 Nos últimos anos, ampliaram-se as discussões e as práticas voltadas para a integração de estudantes com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) no ensino superior, mas muito ainda precisa ser feito. De acordo com o portal de notícias G1, no Brasil, existem mais de oito milhões de estudantes em universidades públicas e privadas, mas menos de 500 possuem o Transtorno, o que representa 0,006%.

A falta de compreensão sobre o que é o autismo faz com que as pessoas vejam o assunto como um tabu e os obstáculos da inclusão fiquem ainda mais difíceis. O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento e a forma como se apresenta varia de acordo com cada caso. Segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, o Transtorno é uma condição que afeta a capacidade de se comunicar e interagir.

O psicólogo e especialista em autismo, Carlo Schmidt, explica que normalmente o TEA é percebido na infância através de “sinais de alerta” que indicam que a criança pode vir a desenvolver o Transtorno posteriormente. Os sinais mais comuns afetam três áreas: comunicação (verbal e não verbal), interação social e comportamento. Além disso, incluem o atraso do desenvolvimento da linguagem, dificuldade de contato físico e visual e gestos ou comportamentos repetitivos. Desde o diagnóstico, são planejados tratamentos e quanto mais cedo isso ocorrer, melhores serão os resultados.

Conforme a criança cresce, as suas necessidades mudam. Carlo salienta a importância da presença de um educador especial para auxiliar os professores. Também enfatiza que a comunicação entre a instituição de ensino e a família do estudante é essencial no desenvolvimento e suporte do aluno com autismo. Adaptações em sala de aula e alterações nas dinâmicas de ensino e avaliações devem ser feitas, quando necessárias, para que o aluno consiga aprender de forma satisfatória e para evitar a evasão escolar, comum devido às dificuldades de adaptação encontradas pelos estudantes com autismo.

Segundo o Núcleo de Acessibilidade da UFSM, existem cinco alunos regulares com o diagnóstico de autismo na instituição, sendo três do campus de Santa Maria, um em Palmeira das Missões e outro em Cachoeira do Sul. A coordenadora do Núcleo, Tatiane Negrini, informa que “Tem aumentado o ingresso de autistas no ensino superior, o que é um fator positivo, inclusive em função da reserva de vagas.”.

A finalidade do Núcleo de Acessibilidade é fazer o acompanhamento desde o ingresso até o término do curso com o foco na permanência do estudante. “Nosso objetivo não é que eles evadam e nem que eles fiquem muito tempo a mais na universidade”, ressalta Tatiane. O Núcleo, criado em 2007, faz a mediação entre os professores, a coordenação, o aluno e seus colegas, além de oferecer atendimento com educador especial. Caso necessário, a UFSM disponibiliza um monitor para acompanhar o estudante. Desde o momento que o aluno ingressa na universidade pela reserva de vaga, o Núcleo entra em contato porque “é a partir do que vem deles que a gente vai orientar as coordenações, não temos que partir do pressuposto de que todos vão precisar da mesma coisa” explica Tatiane.

Como cada estudante com autismo possui diferentes dificuldades, as necessidades variam: menor acúmulo de conteúdo para as provas, atendimento diferenciado, estratégias de ensino distintas, mudança na didática, controle do barulho e o cuidado com trabalhos em grupo. Caso tenham dúvidas de como lidar com alguma situação, os professores podem entrar em contato com o Núcleo. Tatiane conta que um dos maiores empecilhos para a permanência do estudante com o Transtorno é a exigência de autonomia.

Ângela* é mãe de um estudante autista da UFSM que está no terceiro semestre da graduação e já sofreu inúmeras reprovações. Com a troca de professores a cada semestre, acontecem falhas na comunicação e, até maio deste ano, uma professora ainda não sabia da condição do seu filho. “Cheguei ao extremo de ouvir na universidade, de chefias, que em determinada disciplina ocorreu grande número de reprovações e que isto por si só justifica a reprovação do meu filho” relata Ângela.

No caso de Pedro*, a mãe conta que os professores não têm flexibilizado muito a didática, inclusive têm aplicado as mesmas provas e trabalhos para o filho. Ela relata que solicitou um monitor para seu filho, pois ele possui dificuldade em lembrar das atividades e trabalhos e acaba atrasando. Ele também não entende as falas do professor e, por conta disso, não anota o conteúdo. “Mesmo falando com o coordenador, ele acha melhor que seja assim, pois acabará por se organizar sozinho, mas até agora vem apresentando dificuldades. Eu mesma acabo contatando colegas para pedir informações e passo pra ele.” conta Ângela. Além dos desafios acadêmicos, a mãe revela que o filho não tem amigos: “[Ele] sofre com isso. É que ele não sabe chegar nas pessoas, iniciar uma conversa ou dar sequência. Diz que não é convidado a participar de festas, sair…”.

Quando questionada sobre como a Universidade poderia melhorar a acessibilidade, Ângela sugere o oferecimento de um trabalho diferenciado ao aluno com deficiência. Ela exemplifica maneiras para fazer esse trabalho dando atenção às dificuldades individuais desses estudantes: avaliá-los de forma diferente, garantir a comunicação entre os docentes para que todos estejam cientes de quem são os alunos e disponibilizar ou indicar colegas que possam dar assistência ou orientação às necessidades básicas, como datas e locais de provas, trabalhos e eventos.

Enquanto Pedro passa pelos seus desafios e luta pelos seus direitos na Universidade, Raul conseguiu se adaptar bem à rotina acadêmica. Raul Javorsky cursa Educação Física no campus de Santa Maria e conta que apesar de sempre saber, aceitar o diagnóstico de Asperger – um transtorno do espectro autista – foi difícil e demorado. “O processo de aceitação, se deu por volta de 2016, onde fui pesquisar mais a fundo sobre o tema e foi um alívio pra mim. Ainda hoje sofro algum tipo de deboche, porém bem menos acentuado que no colégio. Me arrependo de não ter explicado para os meus coleguinhas na época que era autista, para eles me entenderem melhor”, ressalta.

Ainda com esse sentimento de esperar que os outros o compreendam, ele usa suas redes sociais para divulgar conteúdos sobre a temática e luta para conscientizar as pessoas sobre o autismo. Desde que passou a se compreender melhor, decidiu investir no que realmente importava para ele. Hoje, Raul se dedica muito aos estudos e é um atleta e participa de diversas competições de natação.

Por mais que existam casos de sucesso como o de Raul, enquanto houver situações como a de Pedro, mudanças precisam ser realizadas. Há um caminho longo para ser trilhado e ele começa com o entendimento de que todos merecem ser respeitados pelas suas diferenças. Tatiane Negrini conclui: “Assim como tem esse [colega] com autismo, pode ter outro com outra condição, e eu sou diferente de vocês. Então nós estamos vivendo no diferente, cada um dentro do seu modo.”.

BASTIDORES

A ideia da matéria surgiu quando fizemos um programa de rádio com o autismo como temática central. A partir disso, notamos que nunca tínhamos visto uma reportagem sobre o autismo na educação superior. O nosso objetivo era descobrir como a Universidade Federal de Santa Maria lidava com a acessibilidade e se o apoio que eles ofereciam era o suficiente.

Para compreendermos melhor como a UFSM atende os alunos com autismo, entramos em contato com o Núcleo de Acessibilidade. Entrevistamos a Silvia Pavão, Chefe da Coordenadoria de Ações Educacionais, e Tatiane Negrini, Chefe do Núcleo de Acessibilidade. Elas nos deram as informações necessárias para entendermos todo o funcionamento e o suporte prestado aos estudantes.

Como o conceito era mostrar a realidade de quem vive com o Transtorno do Espectro Autista na Universidade, conversamos com o acadêmico de Educação Física, Raul Javorsky. Ele nos contou sobre como é a sua vida universitária e os desafios da autoaceitação. Também falamos com a mãe de outro estudante com autismo. Ela relatou os problemas que seu filho passa e sugeriu mudanças que podem ser feitas pela UFSM e pelos professores para melhorar o cotidiano dele.

Reportagem: Martina Irigoyen e Nathália Brum

 

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EDUCOM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/educom/2018/09/30/campus-de-oracao Sun, 30 Sep 2018 18:02:08 +0000 http://www.55bet-pro.com/revistatxt/?p=2486 Um espaço para formação de conhecimento e fé

Em várias universidades brasileiras, existem grupos de estudos e de oração que manifestam, dentro do ambiente acadêmico, aquilo que é garantido por lei: o livre exercício dos cultos religiosos, a liberdade de consciência e de crença. Na Universidade Federal de Santa Maria não é diferente. No campus, estudantes, docentes e funcionários, em seus diferentes espaços de atuação, expressam a sua religiosidade através destes círculos.

Pesquisador nas áreas da interação da religiosidade com a modernidade, Eduardo Maia destaca a importância de olhar para a religiosidade não com a perspectiva de um constrangimento, mas como transformadora e componente fundamental de muitas áreas da nossa vida. Segundo o professor da UFSM, desde que o pensamento universitário começou a se distinguir de um pensamento caracteristicamente pautado pela religiosidade medieval, criou-se uma ideia que a religiosidade é algo limitado e de que a ciência, por sua vez, deve ser algo independente. Entretanto, há cada vez mais uma interdependência que, segundo ele, é algo muito rico: “a religião é um tema central na sociologia, como construtora de moral, visão de mundo. Nossas atitudes são pautadas muitas vezes por essas visões mesmo que não nos demos conta disso.”

Mestre em Física pela UFSM e em fase de conclusão da licenciatura em física, João Paulo Gazola teve seu primeiro contato com o Grupo de Oração Universitário Católico, conhecido pela sigla GOU, em 2009. Convidado por uma amiga, ele confessa que o seu engajamento inicial se deu pelo interesse em tocar violão: “naquele tempo, havia a necessidade de alguém para tocar, fazendo com que eu me inserisse cada vez mais no meio. E, conforme foi passando o tempo, comecei a amadurecer”.

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Cada pessoa é abraçada pela fé de forma diferente e, ao olhar para trás, João Paulo analisa o amadurecimento de sua fé, da oração e aos poucos, com perseverança, percebeu que o grupo fazia diferença em sua vida. Questionado a respeito dessa “diferença” em sua vida, ele diz: “mais tranquilidade para encarar as situações da vida, mais esperança, porque a gente tira o foco do eu e vê mais o todo. Tu consegues ver além do teu umbigo…”. Ressalta também que aprendeu a respeitar as individualidades dos demais, o que  auxiliou no processo de amadurecimento espiritual e pessoal.

Além do amadurecimento, para muitos estudantes, grupos como esses são uma nova família. Para Joice Ceolin, que concluiu seu doutorado em Química no ano passado, o GOU foi como “um afago, um carinho de Deus” possibilitando-a viver por completo seu tempo na instituição, não apenas academicamente, mas espiritualmente. Ela também acredita que garantir que estudantes e frequentadores do ambiente universitário possam expressar sua espiritualidade, acarretaria em uma diminuição de dependências de medicação para ansiedade e tantas outras doenças atualmente comuns no ambiente universitário. Foi no grupo que ela encontrou uma “família”, que lhe sustentou na ausência de sua família biológica.

Para outros, sua espiritualidade e sua fé também se expressam nos estudos teóricos a respeito de temas que compõem as mesmas. Deste modo, o professor Eduardo Maia acentua que o pensamento científico e religioso não são antagônicos. Da mesma forma pensa Bruno Chaves, estudante de engenharia civil e participante do Farol. O grupo que tem como propósito básico mostrar para o ambiente universitário que a fé e a razão não são opostos, como muitos supõem. Para ele: “a fé não nos torna ignorantes, mas nos ajuda a entender melhor como funciona o universo e que deve existir uma razão para tudo, que cremos ser Deus.”

Em quase cinco anos de estudos na UFSM, Bruno diz que o Farol foi fundamental em sua vida universitária, pois considerava o grupo um refúgio para as correrias da semana. Ressalta ainda que aprendeu com o Farol a lidar com as pessoas, trabalhar em equipe com ideias divergentes às suas, valorizá-las pelo que cada pessoa é e não somente pelo que ela faz.

Mais que a reprodução da fé e do rito, o professor Eduardo Maia ressalta a possibilidade de construir conhecimento a partir do debate dos fundamentos religiosos. Importância já comprovada em áreas como a da saúde, onde houve a necessidade de levar fundamentos de espiritualidade para dentro da própria formação acadêmica.

Na forma de um curso de extensão complementar, Venice Grings, pedagoga formada pela UFSM e atualmente Coordenadora da Unidade de Apoio Pedagógico do Centro de Ciências Rurais (CCR), evidencia que a espiritualidade deve estar presente na formação de quem trabalha em contato com outras pessoas, seja na saúde, educação ou em outras áreas, para que se entenda melhor a si mesmo e ao próximo, seja cliente ou paciente.

Ciente da existência de muitas denominações religiosas dentro da universidade, a abordagem do curso não tem foco em uma única religião, contempla a espiritualidade de forma ampla sem se fixar em questões dogmáticas. Sobre a metodologia, o curso é de caráter vivencial, isto é, não voltado tanto para o lado teórico e expositivo. São realizadas diversas dinâmicas, como meditação, reiki, e dança circular.

A partir disso, Venice acredita que a espiritualidade deveria ser abordada com maior relevância dentro da universidade, pois a cada dia aumenta o número de estudantes com problemas emocionais, e nem sempre há a possibilidade de procurar um psicólogo ou um psiquiatra mediante as condições financeiras. Ela sugere a criação de espaços que trabalhem essa temática, para que se formem pessoas mais íntegras, equilibradas e que sejam capazes de enfrentar as dificuldades emocionais do dia a dia.

De diferentes maneiras, estudantes, ex-estudantes e até funcionários encontram na universidade um espaço para expressarem sua fé, aprenderem mais sobre ela e sobre a espiritualidade. Para cada um deles, o espaço para falar sobre estes assuntos é sinônimo de amadurecimento, de contato mais profundo com outras pessoas, diminuindo até mesmo estresses e outros problemas do tipo. Para outros, é sinônimo de encontrar uma família que os sustente longe de seus parentes ao longo deste tempo de formação, e até mesmo um espaço para se encontrar com Deus.

BASTIDORES

Após algum tempo sem tocar neste assunto, julgamos necessário retomar o tema nesta edição. Sabíamos da existência dos Grupos de orações dentro da UFSM e desta vez buscamos dar um enfoque maior à alguns dos integrantes.

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A proposta de abranger mais de um grupo de oração além de entrevistar um professor que pesquisa sobre religiosidade, foi um desafio estimulante para nós.

Além do cumprimento de prazos para a entrega, algumas dificuldades em apurar as pautas, contatos com novas pessoas e mais conhecimento neste assunto julgamos tudo isto ser um caminho de aprendizado e amadurecimento na profissão que estamos caminhando para exercer. Afora o crescimento profissional, o crescimento como pessoas.

Por fim, esperamos que você, caro leitor, curta essa matéria assim como nós curtimos fazê-la.

Reportagem: Jonas Freitas Faria e Jonatan Mombach

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