{"id":1180,"date":"2013-06-07T13:09:23","date_gmt":"2013-06-07T16:09:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/revistatxt\/?p=1180"},"modified":"2019-08-16T14:45:40","modified_gmt":"2019-08-16T17:45:40","slug":"mais-que-uma-sala-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/experimental\/educom\/2013\/06\/07\/mais-que-uma-sala-2","title":{"rendered":"Mais que uma sala"},"content":{"rendered":"
O espa\u00e7o de recrea\u00e7\u00e3o do Centro de Tratamento da Crian\u00e7a com c\u00e2ncer \u00e9 local de esperan\u00e7a, alegria e motiva\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as e familiares.<\/strong><\/p>\n Guilherme Denardin Gabbi \u2013 degabbi.gui@gmail.com A descoberta de uma doen\u00e7a como o c\u00e2ncer em um filho abala as estruturas de qualquer fam\u00edlia. Todos os planos e rotinas s\u00e3o quebrados e o foco passa a ser um s\u00f3: a cura. Sensa\u00e7\u00f5es como o medo e a inseguran\u00e7a passam a ser sentidas, por isso \u00e9 preciso procurar locais de conforto, que tragam esperan\u00e7a, alegria e motiva\u00e7\u00e3o. Um desses lugares \u00e9 a sala de recrea\u00e7\u00e3o do Centro de Tratamento da Crian\u00e7a com C\u00e2ncer (CTCriaC), local em que pacientes e familiares criam for\u00e7as para lutar contra a doen\u00e7a, no Hospital Universit\u00e1rio de Santa Maria.<\/p>\n Certamente, a sala \u00e9 o local preferido de m\u00e3es e pacientes dentro do CTCriaC. A auxiliar de enfermagem K\u00e1tia Pedron, a Tia K\u00e1tia, como \u00e9 carinhosamente chamada e que trabalha no local h\u00e1 18 anos, conta que antigamente a sala era prec\u00e1ria: \u201cpossu\u00eda apenas arm\u00e1rios e livros\u201d. Atualmente, ao entrar na sala, percebem-se brinquedos espalhados por todos os lados, um ambiente completamente decorado e marcado pela alegria. Recentemente conquistados, os computadores se tornaram o principal alvo da aten\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as.<\/p>\n Tia K\u00e1tia n\u00e3o nega o envolvimento com o local e admite a dificuldade de conviver com os extremos da cura e da perda. Entre as dificuldades, ela relata o acolhimento p\u00f3s-\u00f3bito e os desabafos que ouve, sem contar as perdas, que acabam dolorosas devido ao v\u00ednculo e a rela\u00e7\u00e3o criada com as crian\u00e7as. Por outro lado, vivenciou in\u00fameros casos de cura, o que a motiva e traz for\u00e7as para continuar seu trabalho. V\u00e1rios desses casos s\u00e3o retratados em um mural de fotos de ex-pacientes na salinha.<\/p>\n Na sala, \u00e9 poss\u00edvel deparar-se com v\u00e1rias m\u00e3es de pacientes. Uma delas \u00e9 Rosemeri Maria Cardoso, m\u00e3e de Franciele Vieira Pinto, a Fran. Com quatro anos de idade, a menina foi diagnosticada com leucemia. Chegou ao centro em estado cr\u00edtico e, ap\u00f3s o tratamento, voltou para sua cidade natal, Santa Cruz do Sul.<\/p>\n Por\u00e9m, ap\u00f3s tr\u00eas anos, a doen\u00e7a reapareceu. Rose abandonou tudo em Santa Cruz e mudou-se para Santa Maria para dedicar-se totalmente \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de sua filha. Hoje, com sete anos, Fran aguarda um transplante. Em meio a tantas dificuldades, Rosemeri considera Tia K\u00e1tia uma amiga e psic\u00f3loga. A m\u00e3e conta que a salinha \u00e9 antidepressiva, pois ali conta com o apoio dos funcion\u00e1rios e das outras m\u00e3es que compartilham suas experi\u00eancias e hist\u00f3rias. Assim como Rosemeri, outras fam\u00edlias abdicam de seu cotidiano para voltar-se exclusivamente ao tratamento do filho. Enfrentam muitas dificuldades familiares e financeiras.<\/p>\n Ao contr\u00e1rio das salas de tratamento, a de recrea\u00e7\u00e3o \u00e9 o local onde o tratamento da doen\u00e7a \u00e9 relativamente esquecido. Nela, as m\u00e3es distraem-se com a confec\u00e7\u00e3o de artesanato e conversas. J\u00e1 as crian\u00e7as contam com jogos e brincadeiras. \u00c9 ali que as crian\u00e7as podem vivenciar a inf\u00e2ncia de forma plena.<\/p>\n
\nJonas Migotto \u2013 migottojonas@gmail.com<\/p>\n
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