{"id":2486,"date":"2018-09-30T15:02:08","date_gmt":"2018-09-30T18:02:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/revistatxt\/?p=2486"},"modified":"2019-07-30T16:40:27","modified_gmt":"2019-07-30T19:40:27","slug":"campus-de-oracao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.55bet-pro.com\/midias\/experimental\/educom\/2018\/09\/30\/campus-de-oracao","title":{"rendered":"55BET Pro de ora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"

Um espa\u00e7o para forma\u00e7\u00e3o de conhecimento e f\u00e9<\/em><\/p>\n

Em v\u00e1rias universidades brasileiras, existem grupos de estudos e de ora\u00e7\u00e3o que manifestam, dentro do ambiente acad\u00eamico, aquilo que \u00e9 garantido por lei: o livre exerc\u00edcio dos cultos religiosos, a liberdade de consci\u00eancia e de cren\u00e7a. Na Universidade Federal de Santa Maria n\u00e3o \u00e9 diferente. No campus, estudantes, docentes e funcion\u00e1rios, em seus diferentes espa\u00e7os de atua\u00e7\u00e3o, expressam a sua religiosidade atrav\u00e9s destes c\u00edrculos.<\/p>\n

Pesquisador nas \u00e1reas da intera\u00e7\u00e3o da religiosidade com a modernidade, Eduardo Maia destaca a import\u00e2ncia de olhar para a religiosidade n\u00e3o com a perspectiva de um constrangimento, mas como transformadora e componente fundamental de muitas \u00e1reas da nossa vida. Segundo o professor da UFSM, desde que o pensamento universit\u00e1rio come\u00e7ou a se distinguir de um pensamento caracteristicamente pautado pela religiosidade medieval, criou-se uma ideia que a religiosidade \u00e9 algo limitado e de que a ci\u00eancia, por sua vez, deve ser algo independente. Entretanto, h\u00e1 cada vez mais uma interdepend\u00eancia que, segundo ele, \u00e9 algo muito rico: \u201ca religi\u00e3o \u00e9 um tema central na sociologia, como construtora de moral, vis\u00e3o de mundo. Nossas atitudes s\u00e3o pautadas muitas vezes por essas vis\u00f5es mesmo que n\u00e3o nos demos conta disso.\u201d<\/p>\n

Mestre em F\u00edsica pela UFSM e em fase de conclus\u00e3o da licenciatura em f\u00edsica, Jo\u00e3o Paulo Gazola teve seu primeiro contato com o Grupo de Ora\u00e7\u00e3o Universit\u00e1rio Cat\u00f3lico, conhecido pela sigla GOU, em 2009. Convidado por uma amiga, ele confessa que o seu engajamento inicial se deu pelo interesse em tocar viol\u00e3o: \u201cnaquele tempo, havia a necessidade de algu\u00e9m para tocar, fazendo com que eu me inserisse cada vez mais no meio. E, conforme foi passando o tempo, comecei a amadurecer\u201d.<\/p>\n

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Cada pessoa \u00e9 abra\u00e7ada pela f\u00e9 de forma diferente e, ao olhar para tr\u00e1s, Jo\u00e3o Paulo analisa o amadurecimento de sua f\u00e9, da ora\u00e7\u00e3o e aos poucos, com perseveran\u00e7a, percebeu que o grupo fazia diferen\u00e7a em sua vida. Questionado a respeito dessa \u201cdiferen\u00e7a\u201d em sua vida, ele diz: \u201cmais tranquilidade para encarar as situa\u00e7\u00f5es da vida, mais esperan\u00e7a, porque a gente tira o foco do eu e v\u00ea mais o todo. Tu consegues ver al\u00e9m do teu umbigo\u2026\u201d. Ressalta tamb\u00e9m que aprendeu a respeitar as individualidades dos demais, o que  auxiliou no processo de amadurecimento espiritual e pessoal.<\/p>\n

Al\u00e9m do amadurecimento, para muitos estudantes, grupos como esses s\u00e3o uma nova fam\u00edlia. Para Joice Ceolin, que concluiu seu doutorado em Qu\u00edmica no ano passado, o GOU foi como \u201cum afago, um carinho de Deus\u201d possibilitando-a viver por completo seu tempo na institui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas academicamente, mas espiritualmente. Ela tamb\u00e9m acredita que garantir que estudantes e frequentadores do ambiente universit\u00e1rio possam expressar sua espiritualidade, acarretaria em uma diminui\u00e7\u00e3o de depend\u00eancias de medica\u00e7\u00e3o para ansiedade e tantas outras doen\u00e7as atualmente comuns no ambiente universit\u00e1rio. Foi no grupo que ela encontrou uma \u201cfam\u00edlia\u201d, que lhe sustentou na aus\u00eancia de sua fam\u00edlia biol\u00f3gica.<\/p>\n

Para outros, sua espiritualidade e sua f\u00e9 tamb\u00e9m se expressam nos estudos te\u00f3ricos a respeito de temas que comp\u00f5em as mesmas. Deste modo, o professor Eduardo Maia acentua que o pensamento cient\u00edfico e religioso n\u00e3o s\u00e3o antag\u00f4nicos. Da mesma forma pensa Bruno Chaves, estudante de engenharia civil e participante do Farol. O grupo que tem como prop\u00f3sito b\u00e1sico mostrar para o ambiente universit\u00e1rio que a f\u00e9 e a raz\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o opostos, como muitos sup\u00f5em. Para ele: \u201ca f\u00e9 n\u00e3o nos torna ignorantes, mas nos ajuda a entender melhor como funciona o universo e que deve existir uma raz\u00e3o para tudo, que cremos ser Deus.\u201d<\/p>\n

Em quase cinco anos de estudos na UFSM, Bruno diz que o Farol foi fundamental em sua vida universit\u00e1ria, pois considerava o grupo um ref\u00fagio para as correrias da semana. Ressalta ainda que aprendeu com o Farol a lidar com as pessoas, trabalhar em equipe com ideias divergentes \u00e0s suas, valoriz\u00e1-las pelo que cada pessoa \u00e9 e n\u00e3o somente pelo que ela faz.<\/p>\n

Mais que a reprodu\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e do rito, o professor Eduardo Maia ressalta a possibilidade de construir conhecimento a partir do debate dos fundamentos religiosos. Import\u00e2ncia j\u00e1 comprovada em \u00e1reas como a da sa\u00fade, onde houve a necessidade de levar fundamentos de espiritualidade para dentro da pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica.<\/p>\n

Na forma de um curso de extens\u00e3o complementar, Venice Grings, pedagoga formada pela UFSM e atualmente Coordenadora da Unidade de Apoio Pedag\u00f3gico do Centro de Ci\u00eancias Rurais (CCR), evidencia que a espiritualidade deve estar presente na forma\u00e7\u00e3o de quem trabalha em contato com outras pessoas, seja na sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o ou em outras \u00e1reas, para que se entenda melhor a si mesmo e ao pr\u00f3ximo, seja cliente ou paciente.<\/p>\n

Ciente da exist\u00eancia de muitas denomina\u00e7\u00f5es religiosas dentro da universidade, a abordagem do curso n\u00e3o tem foco em uma \u00fanica religi\u00e3o, contempla a espiritualidade de forma ampla sem se fixar em quest\u00f5es dogm\u00e1ticas. Sobre a metodologia, o curso \u00e9 de car\u00e1ter vivencial, isto \u00e9, n\u00e3o voltado tanto para o lado te\u00f3rico e expositivo. S\u00e3o realizadas diversas din\u00e2micas, como medita\u00e7\u00e3o, reiki, e dan\u00e7a circular.<\/p>\n

A partir disso, Venice acredita que a espiritualidade deveria ser abordada com maior relev\u00e2ncia dentro da universidade, pois a cada dia aumenta o n\u00famero de estudantes com problemas emocionais, e nem sempre h\u00e1 a possibilidade de procurar um psic\u00f3logo ou um psiquiatra mediante as condi\u00e7\u00f5es financeiras. Ela sugere a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os que trabalhem essa tem\u00e1tica, para que se formem pessoas mais \u00edntegras, equilibradas e que sejam capazes de enfrentar as dificuldades emocionais do dia a dia.<\/p>\n

De diferentes maneiras, estudantes, ex-estudantes e at\u00e9 funcion\u00e1rios encontram na universidade um espa\u00e7o para expressarem sua f\u00e9, aprenderem mais sobre ela e sobre a espiritualidade. Para cada um deles, o espa\u00e7o para falar sobre estes assuntos \u00e9 sin\u00f4nimo de amadurecimento, de contato mais profundo com outras pessoas, diminuindo at\u00e9 mesmo estresses e outros problemas do tipo. Para outros, \u00e9 sin\u00f4nimo de encontrar uma fam\u00edlia que os sustente longe de seus parentes ao longo deste tempo de forma\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 mesmo um espa\u00e7o para se encontrar com Deus.<\/p>\n

BASTIDORES<\/strong><\/p>\n

Ap\u00f3s algum tempo sem tocar neste assunto, julgamos necess\u00e1rio retomar o tema nesta edi\u00e7\u00e3o. Sab\u00edamos da exist\u00eancia dos Grupos de ora\u00e7\u00f5es dentro da UFSM e desta vez buscamos dar um enfoque maior \u00e0 alguns dos integrantes.<\/p>\n

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A proposta de abranger mais de um grupo de ora\u00e7\u00e3o al\u00e9m de entrevistar um professor que pesquisa sobre religiosidade, foi um desafio estimulante para n\u00f3s.<\/p>\n

Al\u00e9m do cumprimento de prazos para a entrega, algumas dificuldades em apurar as pautas, contatos com novas pessoas e mais conhecimento neste assunto julgamos tudo isto ser um caminho de aprendizado e amadurecimento na profiss\u00e3o que estamos caminhando para exercer. Afora o crescimento profissional, o crescimento como pessoas.<\/p>\n

Por fim, esperamos que voc\u00ea, caro leitor, curta<\/em> essa mat\u00e9ria assim como n\u00f3s curtimos<\/em> faz\u00ea-la.<\/p>\n

Reportagem: Jonas Freitas Faria e <\/em>Jonatan Mombach<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

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