Jornal Noroeste em Pauta-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta Sat, 21 Dec 2024 16:04:53 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Jornal Noroeste em Pauta-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta 32 32 Jornal Noroeste em Pauta-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/2024/12/21/uniao-e-reformulacao Sat, 21 Dec 2024 07:31:26 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/?p=89

As eleições para o novo conselho administrativo do União Frederiquense ocorreram no último dia 28 de outubro, em uma assembleia geral realizada na Câmara de vereadores de Frederico Westphalen. Vinícius Girardi foi eleito presidente do clube de futebol pela terceira vez na história do Leão da Colina, como nos mandatos de 2015/2016 e 2021/2022.

Novo conselho administrativo do União Frederiquense | Foto: Pedro Costa

Juntamente com Girardi, mais nove nomes compuseram os cargos de vice-presidentes do clube frederiquense pelo período de 2024/2026. A chapa composta por pessoas conhecidas do clube como Celso Luís Oliveira, primeiro presidente do time em 2010, e Pedro Gelson da Costa, dirigente de finanças do União desde 2021, foi eleita de forma unânime pelos sócios presentes na audiência pública. Além disso, a instituição ainda definiu os 40 integrantes do conselho deliberativo para os próximos dois anos.

Com o novo estatuto do União Frederiquense, firmado em agosto de 2018, o conselho administrativo do time passou a contar com um presidente e nove vice-presidentes eleitos diretamente pelos sócios do clube.

DIFICULDADES ELEITORAIS

As eleições do União Frederiquense, que ocorrem a cada dois anos desde a criação do clube em 2010, passaram por uma situação inusitada neste último período eleitoral, em 2024. Com a falta de chapas concorrendo pelo comando do time até a virada do semestre, a equipe correu um grande risco de encerrar as atividades por pelo menos três anos, segundo lei da Federação Gaúcha de Futebol.

O próprio Vinícius Girardi, eleito por unanimidade, acredita que não seria o momento ideal para iniciar esse ciclo na presidência do clube. No entanto, devido às dificuldades que o União enfrenta e ao seu amor pela instituição, ele decidiu assumir essa responsabilidade. “A gente está aqui pelo amor que tem ao clube e pela necessidade de fazer um ‘aperto de parafusos’ em toda essa situação que o União está passando”, ressalta o presidente eleito.

A demora para encontrar integrantes que assumissem o conselho administrativo ocorreu num momento em que o clube passa por instabilidades, após uma mal-sucedida tentativa de firmar uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol) no ano de 2023.

Com a promulgação da Lei 14.193/2021, as SAFs ficaram conhecidas no ambiente do futebol brasileiro por transformarem os clubes de uma associação sem fins lucrativos para uma associação empresarial, dispondo de normas de governança, controle e meios de financiamento específicos para a atividade do futebol.

Na visão do atual vice de futebol e primeiro presidente do clube, Celso Oliveira , o projeto de SAF é bem-vindo, tanto no União Frederiquense quanto para os demais times brasileiros, contanto que ele seja administrado por pessoas sérias.

Já Ademir Teles, jornalista da Rádio Comunitária e setorista do União Frederiquense desde a sua criação, enxerga como um engano os antigos dirigentes do clube terem acreditado muito na possibilidade do time do União Frederiquense se tornar um clube-empresa. “A relação foi muito penosa para o União”, afirma Teles ao falar sobre o envolvimento da equipe com os empresários responsáveis pelo projeto da SAF.

A SAF foi cogitada no clube como forma de resolver uma dívida que compromete o União desde o seu acesso para a primeira divisão do campeonato estadual, em 2021.

Os últimos anos foram marcados por um aumento significativo na dívida do clube, que hoje ultrapassa os 5 milhões de reais, e por frustrações na divisão de acesso, sendo duas vezes eliminado nas quartas de final da competição. “Tem uma série de pecados administrativos, erros no planejamento futuro, que fizeram com que a dívida fosse aumentando”, diz o setorista da Rádio Comunitária.

A DÍVIDA

Foto: Pedro Costa

Alcione Bueno, gestor e um dos únicos funcionários remunerados pelo Leão da Colina, explica que um dos principais fatores para que o clube tenha essa alta dívida é a estrutura que possui hoje, em especial, a Arena União Frederiquense. “Em 45 dias gastamos aproximadamente 3 milhões de reais”, declara Bueno sobre as medidas que o clube teve que tomar após conseguir o acesso para o Gauchão em 2021. A maioria desse dinheiro foi utilizada para padronizar e expandir o estádio conforme as regras estabelecidas pela FIFA e pelas autoridades de segurança.

A construção do estádio também é colocada por Celso Oliveira como um dos principais fatores para as dificuldades pelas quais o clube passa atualmente, já que a Arena foi construída sem a contribuição do dinheiro público e apenas com recursos e auxílios da comunidade.

A Arena União Frederiquense é atualmente o maior patrimônio do clube, com um valor estimado em mais de 13 milhões de reais. A manutenção do estádio também representa a maior fonte de gastos que o clube possui, gerando um custo de mais ou menos 10 mil reais mensais para os cofres do clube. Os credores com quem a equipe mais tem de negociar os valores de pagamento das dívidas do clube são as cooperativas de crédito da região.

Higor Ferreira, administrador da rede social FuteRS, voltada à cobertura jornalística dos clubes do interior do Rio Grande do Sul, considera que o valor da dívida do Leão da Colina é alto para o período de existência do clube. Ao falar da estrutura que o clube possui, o influenciador destaca a qualidade da Arena União. “O estádio é invejável”, declara Higor.

DESAFIOS PARA O FUTURO

O ex-presidente do União, Edison Cantarelli, que teve seu último mandato de 2023 até metade de 2024, diz que o próximo presidente do clube seguirá enfrentando os mesmos problemas que todo dirigente acaba tendo dentro do time, no que diz respeito às questões financeiras e administrativas, porém com a diferença de que hoje o União possui sua estrutura própria, o que sempre era problema nas antigas gestões. “Vai encontrar um clube que tem condições de crescer”, ressalta o ex-presidente.

Um dos desafios é mobilizar a comunidade para aumentar o quadro de sócios da equipe. “A tendência é fazer um trabalho específico na questão dos sócios para chamar mais público e ter um aumento na renda do clube”, segundo Alcione.

A arrecadação associativa do rubro-verde gira em torno de 12 mil reais por mês para os cofres da instituição. A mensalidade cobrada aos torcedores a cada 30 dias, no momento, custa R$39,90. O gestor completa dizendo que o clube, atualmente, possui cerca de 300 a 320 sócios ativos.

A equipe ainda conta com outra modalidade associativa que são os “sócios remidos”. Estes pagam um valor de pouco mais de 35 mil reais para o União e possuem uma pequena parcela do patrimônio da sociedade desportiva. Dentre os principais benefícios para os sócios de qualquer categoria está a entrada gratuita nos jogos do clube, na Arena.

Em audiência pública que o clube realizou no dia 29 de julho de 2024 com os seus torcedores, foi discutida também a ideia da negociação de terrenos da instituição próximos à Arena. Alcione diz que o time está procurando parceiros para estruturar e comercializar estes terrenos de posse do União. O gestor também conta que, por meio de parcerias com empresas, o clube está buscando formas de pagar as altas dívidas que possui.

Girardi e seu conselho administrativo devem priorizar as dificuldades financeiras durante sua gestão. A chapa eleita se apoia muito na possibilidade da reformulação do calendário da divisão de acesso, que passaria para o segundo semestre de 2025 e possibilitaria ao time de Frederico Westphalen focar em estancar a dívida do clube. “Nós não trataremos de futebol até janeiro e fevereiro se a competição começar lá em agosto”, explica Vinícius Girardi.

Texto escrito por Eduardo Faria e Pedro Costa

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Jornal Noroeste em Pauta-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/2024/12/21/prontos-para-meter-um-golaco Sat, 21 Dec 2024 07:19:20 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/?p=85

De 28 de setembro a 23 de novembro de 2024, em Frederico Westphalen, aconteceram as classificatórias do Municipalito de Futsal. Criado em 1999 pela Secretaria de Esportes, Juventude e Lazer do município, o evento envolve crianças entre 5 e 16 anos de idade e tem investimento da Prefeitura, através da Secretaria de Esportes. De 13 de abril até 17 de novembro de 2024, aconteceram os jogos das categorias de base da Liga Gaúcha de Futsal, que ocorreram em cidades de todo o estado do Rio Grande do Sul (RS). O investimento é feito pelos 160 clubes filiados à Liga, que inscrevem suas equipes no campeonato.

Ambos os campeonatos, o Municipalito e o Gauchão, contribuem para a prática de esportes realizada pelas crianças frederiquenses.

Itapajé contra Asif, no Gauchão 2024 | Foto: Larissa da Costa

O primeiro objetivo do Municipalito era o de ser um evento competitivo entre as equipes de Frederico. Mas, em 2023, a Secretaria transformou a competição em uma atividade de caráter apenas recreativo. Segundo Renato Kreitmeier, secretário da pasta de Esportes, Juventude e Lazer do município, essa mudança foi realizada porque, quando os jogos eram competitivos, acontecia de os professores colocarem apenas os melhores alunos para jogar, deixando de fora da competição as crianças que tinham um rendimento menor. Agora, tanto os que ganham os jogos quanto os que perdem, recebem a mesma medalha. “São para as crianças participarem das atividades, do futsal, sem ter competição, que seja para elas se divertirem, brincarem e fazerem uma atividade física que elas possam gostar e criar amor pelo esporte”, diz Kreitmeier. O secretário conta que cerca de 900 crianças de escolas do município participam das atuais partidas do Municipalito.

Já as partidas do Gauchão são realizadas por times de base de todo o estado do Rio Grande do Sul, nos quais as crianças são treinadas com o objetivo de futuramente jogarem no time principal dos clubes profissionais. O campeonato é profissional, com árbitros da Federação Gaúcha de Futebol de Salão e funciona por meio de fases, nas quais os times das cidades participantes se enfrentam em jogos divididos por categorias. Nesse tipo de jogo, as crianças são escolhidas a dedo pelas escolinhas, e a cobrança é maior do que em uma atividade recreativa, como o Municipalito.

SAÚDE E FUTSAL

Estar em quadra é um benefício para os pequenos, porque eles exercem a socialização com outras crianças, trocam experiências e mantêm seus corpos saudáveis enquanto se divertem. Tudo isso longe das telinhas. Franciel Soso, treinador da Escolinha do Itapajé, pontua que não acha saudável uma criança estar parada, dependente de um celular, televisão ou videogame. Para o treinador, quanto mais uma criança praticar esportes, brincar na rua e jogar bola, mais rápido ela se desenvolve. “O esporte proporciona muito mais coisas do que ficar na frente de um celular”, diz.

O esporte serve também para desenvolver as habilidades da criançada. As atividades auxiliam na coordenação motora, na identificação de cores e trabalham a motricidade e a lateralidade. Além disso, ensinam sobre a parte técnica do futsal, como o passe, o domínio de bola e o entendimento dos conceitos de vitória e derrota.

A prática de esportes como o futsal colabora ainda com o desenvolvimento de crianças com transtornos ou déficits. Franciel comenta que um de seus alunos, uma criança com autismo, obteve uma melhora significativa no seu envolvimento social, individual e esportivo. “No último jogo do Municipalito, nós ganhamos de 1 a 0, e ele jogou de zagueiro fixo. Ele dominava a bola, passava para o colega, desarmava o adversário. Foi uma evolução que surpreendeu a gente. Por isso que eu digo, todo esse trabalho é a longo prazo”, relata.

Posse de bola do time de futsal Itapagé | Foto: Larissa da Costa

A mudança não se aplica somente à questão física, mas à emocional. Kreitmeier trabalhou com as dez escolas do município e conta que uma atitude considerada pequena pode fazer muita diferença na vida das crianças. Ele relembra: “Em uma das escolas, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Falcon, as crianças são muito carentes, e eu lembro até hoje que, no primeiro Municipalito que eles foram participar, nós treinamos com eles e eu arrumei um par de tênis para cada um, mas eles não sabiam. No primeiro jogo, quando abri o porta-malas do carro, dei um par para cada um. Nunca vi os olhos das crianças brilharem daquele jeito, sabe? Foi o que me marcou”.

Além do Municipalito, a cidade agora conta com a primeira instituição municipal de treino de futsal infantil, criada em 2021. A Escolinha Primeiro Passe é gratuita e treina, atualmente, cerca de 200 crianças de ambos os sexos. O objetivo é incentivá-las a não abandonarem os estudos, pois, a cada trimestre, devem apresentar o boletim escolar ao treinador da equipe, que fica responsável por monitorar o bom desempenho na escola. Se as notas de um dos estudantes não alcançarem a média de sua escola, o treinador pode desligar o aluno da escolinha.

DAS CATEGORIAS DE BASE AO PROFISSIONAL

Gabriel Busanello é um dos jogadores de destaque que passaram pelos times de base do Municipalito. O lateral-esquerdo formado pelo União Frederiquense joga, atualmente, pela equipe de futsal sueca Malmö Fotbollförening. Matheus Buzatto também passou pelos times infantis e teve atuação como atacante no União Frederiquense. Além deles, passaram pelas equipes de base Douglinhas Fortes, que jogou como atacante, e Lukinhas, que atuou na posição de ala, ambos pelo time do Guarani.

Hoje, esses atletas são inspiração para os jogadores mirins. “O Lukinhas jogava no Guarani e é por isso que eu comecei a jogar futsal, até o número da minha camiseta é igual ao dele”, diz Lucas, camisa 11 e capitão do time de futsal do Itapajé.

Texto escrito por Larissa da Costa e Lizian dos Santos

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Jornal Noroeste em Pauta-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/2024/12/21/espiritismo-em-frederico-westphalen Sat, 21 Dec 2024 07:04:50 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/?p=81

Chegamos à SEAK (Sociedade Espírita Allan Kardec), no dia 9 de outubro, às 19h da noite, para conhecer a casa e a religião. Ao entrarmos, nos deparamos com uma sala de palestras, com cadeiras enfileiradas, uma mesa e um projetor. Nessa sala, também havia um aparador com duas pequenas caixas, papel e caneta, para que os frequentadores da casa pudessem deixar mensagens para os seus entes queridos, encarnados (vivos) ou não. Do lado direito, uma cozinha repleta de garrafas de água, recebidas como doação. Um pouco mais à frente, outras salas, sendo uma delas a biblioteca e a outra a sala de passe.

Fachada da Sociedade Espírita Allan Kardec, localizada na Rua Maurício Cardoso | Foto: Sarah Kliman

Nesse dia, entrevistamos Katia Zardo, de 45 anos, a atual presidente da Sociedade Espírita Allan Kardek. Ela é docente do Curso Técnico em Agropecuária do IFFar (Instituto Federal Farroupilha) e moradora de Frederico Westphalen há 10 anos. Katia nos contou que, de sua família, somente ela e a filha são espíritas, e que começou a estudar o espiritismo por não ter conseguido encontrar as respostas que queria no catolicismo. Diferentemente deste, o espiritismo, às vezes designado por “doutrina” e outras por “religião”, tem uma composição tríplice: um viés científico, um viés filosófico e um viés religioso, segundo o livro Estudo sistematizado da doutrina espírita: programa fundamental, publicado pela FEB (Federação Espírita Brasileira), em 2013.

Às 20h, teve início a palestra do dia, cujo tema era obsessão e desobsessão, isto é, a influência contínua que espíritos negativos podem exercer sobre as pessoas e os recursos espirituais que buscam reestabelecer o equilíbrio dos envolvidos. Wolmar Trevisol, fundador da SEAK e palestrante do dia, fez uma apresentação de slides e explicou os tópicos, com a participação esporádica da plateia.

Pouco antes da sessão terminar, o palestrante nos deu o Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, obra fundamental da doutrina. Trevisol pediu que, após o término da leitura, o livro fosse repassado adiante, a fim de que outra pessoa tivesse acesso aos ensinamentos contidos na obra.

Sala de palestras da SEAK | Foto: Amália Miura

Depois da palestra, foi realizado o passe, quando os passistas, membros do grupo mediúnico, ergueram as mãos em direção às nossas cabeças no intuito de renovar as energias do grupo. No espiritismo, a mediunidade é sintonia e troca de experiência entre espíritos desencarnados e encarnados. “Não temos santos ou rituais. Nossa prática é pautada na caridade e na fraternidade”, explica Trevisol.

A prática do passe aconteceu no mesmo ambiente da palestra, já que, nesse dia a sala de passes estava ocupada por doações.

De acordo com Katia, para um local ser considerado uma casa espírita, é necessário o estudo da religião, o atendimento ao público e a ação social. O estudo da religião se baseia na leitura do Livro dos Espíritos e do Evangelho, que, para os espíritas, não se limita às palavras de Jesus em seu contexto histórico, mas se estende ao seu ensinamento mais profundo e universal. Já o atendimento ao público visa orientar e acolher quem busca ajuda. Por fim, a ação social consiste em promover a caridade e o bem-estar social, as doações para entidades assistenciais do município que lotaram a sala de passes do Seak.

HISTÓRIA DA INSTITUIÇÃO

Fundada em 1993, a SEAK é uma das instituições espíritas mais antigas da cidade, apesar de estarem no endereço atual há apenas um ano. A casa é alugada e as despesas são pagas com a venda de livros e de pizzas, bem como com doações feitas por sócios. O estabelecimento onde funciona a SEAK, atualmente localizado na Rua Maurício Cardoso, nº 997, é aberto às quartas-feiras, a partir das 19h30 para as sessões.

Em Frederico, de acordo com o Censo de 2010, existem 92 pessoas espíritas, porém, a SEAK tem, em média, 15 associados. O IBGE ainda não publicou os dados sobre religião obtidos no Censo de 2022.

ESPIRITISMO NO BRASIL E NO RIO GRANDE DO SUL

Segundo Sinuê Neckel Miguel, no artigo Espiritismo fin de siècle: a inserção do Espiritismo no Rio Grande do Sul (1896-1898), publicado em 2009, na Revista Brasileira de História das Religiões, a doutrina espírita chegou ao país logo após o lançamento do Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857, atraindo a atenção de intelectuais e pessoas em busca de respostas para questões espirituais e existenciais. A doutrina, aos poucos, ganhou mais adeptos no país, especialmente entre grupos intelectuais. Em 2010 no Brasil, havia 3.848.876 pessoas praticantes de espiritismo no Brasil, de acordo com o IBGE.

No entanto, no final do século 19, ela ainda era vista com desconfiança em várias partes do país, como no Rio Grande do Sul, onde o espiritismo era considerado por muitos uma ameaça à saúde mental e à ordem social. Aos poucos, a doutrina passou a ter uma imagem de filosofia racional e científica legítima. A publicação da eRevista Espírita e a criação de grupos e sociedades espíritas também foi um passo importante para a consolidação do movimento. Hoje o Rio Grande do Sul tem 343.784 adeptos ao espiritismo, conforme dados de 2010 do IBGE.

Texto escrito por Amália Miura e Sarah Kliman

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Jornal Noroeste em Pauta-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/2024/12/21/a-historia-atraves-das-lentes Sat, 21 Dec 2024 06:24:53 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/?p=63

Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria, no campus de Frederico Westphalen (UFSM/FW), Maria Eduarda Fortes começou sua trajetória como fotojornalista em 2020, no Jornal O Alto Uruguai. Em 2023, foi para Porto Alegre e ingressou na equipe de fotografia do Jornal Correio do Povo e, desde março de 2024, trabalha como repórter fotográfica no Grupo RBS, no jornal gaúcho Zero Hora.

Duda Fortes voltou à Frederico para compartilhar seu conhecimento por meio de uma palestra e de uma oficina no campus da universidade, no dia 21 de outubro. Na ocasião, ela abordou temas ligados à fotografia e ao fotojornalismo, destacando a importância da fotografia como ferramenta para contar histórias e construir a memória local.

À direita, a repórter fotográfica Maria Eduarda Fortes, egressa do curso de Jornalismo da UFSM FW

Com a volta da Duda à cidade, é possível pensar sobre a prática da fotografia no município e em como ela começou a ser desenvolvida na região. Os primeiros registros fotográficos locais vieram a partir de Alexandre Panosso, que residiu na antiga Vila Barril, hoje município de Frederico Westphalen, até meados de 1935. Depois dele, chegou Elias Dal Piva, carpinteiro profissional, que comprou as máquinas e tripés de Alexandre. Dal Piva montou um pequeno estúdio fotográfico e, a partir de então, dezenas de acontecimentos foram documentados pela câmera dele, segundo conta o livro Rostos e Rastros no Barril, publicado em 2004 por Wilson Ferigollo, escritor e guia turístico da cidade, hoje com 85 anos.

Em 1947, o Monsenhor Vitor Battistella, sacerdote que ficou conhecido localmente por seu trabalho pastoral e pela construção da Catedral Santo Antônio entre 1942 a 1952, adquiriu uma câmera e começou a fotografar suas viagens e a evolução da região do Médio-alto Uruguai, que começava a se urbanizar.

De acordo com o livro Mons. Vitor Battistella na história de Barril, publicado em 1989 e de autoria de Breno Antonio Sponchiado, o padre nasceu em 1905, em Tapera, município no noroeste do Rio Grande do Sul (RS), e chegou à Vila Barril dia 13 de março de 1932. Após cinco anos de sua chegada ao município, ele partiu em uma viagem de seis meses pela Europa, na qual também fez diversos registros fotográficos. Após seu retorno à cidade, ele fotografou regularmente a construção da Catedral. Batistella faleceu em 16 de maio de 1973, na cidade de Santa Maria (RS).

Vitório Locatelli com sua câmera. Ao lado, outra máquina fotográfica de Vitório | Arquivo Pedro Locatelli

Já em 1948, com a chegada de Vitorio Locatelli e com a evolução das câmeras, a fotografia frederiquense entrou em uma nova fase. Locatelli foi o primeiro fotógrafo a residir e se estabelecer comercialmente na cidade. Nascido em 1901, em Garibaldi (RS), Locatelli tinha a fotografia como profissão em Espumoso (RS), onde residia. Entretanto, percebeu que o trabalho com fotografia nessa cidade não oferecia retorno financeiro suficiente, devido à falta de clientes, e resolveu vir para a Vila Barril. Esta era uma localidade em desenvolvimento, e nela passou a se dedicar à fotografia como profissão principal.

Devido à qualidade de seu serviço, Locatelli criou a primeira casa fotográfica local, na qual ele oferecia um espaço com guarda-roupas para que os moradores pudessem se arrumar para as fotos. Mesmo com poucos recursos e tecnologias, ele transformou o porão de sua residência em seu laboratório. Vitorio faleceu em 1975, em Frederico Westphalen, como relatou seu filho Pedro Locatelli, empresário de 81 anos, morador local e que tem como hobbie a fotografia.

Pedro Locatelli mostrando o livro de seu pai, Vitório Locatelli | Foto: Beatriz Duarte

O Museu Municipal Wülson Jeovah Lütz Farias se destaca como um espaço de preservação da memória local, reunindo uma coleção de câmeras antigas, doadas por moradores de Frederico Westphalen que quiseram contribuir para a preservação da fotografia na região. Essas câmeras representam não apenas a evolução tecnológica do registro fotográfico, mas também carregam memórias de gerações passadas.

A TRANSFORMAÇÃO FOTOGRÁFICA

Joseph Nicéphore Niépce, inventor francês, é considerado o pioneiro da fotografia, pois, em 1826, conseguiu a fixação permanente de uma imagem, em um processo que durou oito horas. Essa técnica foi batizada pelo autor de heliografia. Em 1839, Louis Daguerre desenvolveu a primeira câmera fotográfica, o daguerreótipo.

A invenção de George Eastman, com a Kodak, tornou as câmeras portáteis populares no final do século 19. Essas câmeras que fotografavam em preto e branco foram as que chegaram com os colonizadores da região do Médio-alto Uruguai.

No final do século 20, a digitalização transformou a fotografia. Hoje, as câmeras digitais e os smartphones incorporam diversas tecnologias, como inteligência artificial e sensores avançados, permitindo uma captura mais precisa e criativa das imagens.

Wilson Ferigollo acredita que a evolução dos estúdios de fotografia em Frederico Westphalen reflete essas mudanças. Antigamente, um simples pano branco e algumas luminárias bastavam. Hoje, os estúdios são ambientes criativos, onde o fotógrafo assume um papel de artista, transformando a experiência em algo muito mais sofisticado.

Foto tirada onde hoje está o Instituto Federal Farrouilha (IFFAR) 55BET Pro Fredeico Westphalen | Arquivo Wilson Ferigollo

Com a chegada das tecnologias digitais de fotografia, o número de fotógrafos na cidade também aumentou, ao mesmo tempo que o uso de smartphones para registrar o cotidiano fez que com muitas pessoas deixassem de imprimir suas fotos.

O comerciante de fotografia Jorge Luiz Marcon, 63 anos, conhecido socialmente por seu apelido Chapa, iniciou como fotógrafo em Frederico, em 1981. Ele relata: “Aqui tem uma história para contar, porque ela está aqui, impressa. Mas a foto no celular, com o tempo vai acabar sumindo. Eu tive vários casos de celulares que foram roubados, e a pessoa não teve o cuidado de salvar aquelas fotos. E foi junto a história da família, e o que foi embora, não se resgata mais!”.

Texto escrito por Beatriz Duarte e Isabelle Okubo

Frederico Westphalen em cada década

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Jornal Noroeste em Pauta-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/2024/12/21/chibo-vida-na-fronteira Sat, 21 Dec 2024 06:03:32 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/?p=57

O documentário Chibo produzido em Tiradentes do Sul, no estado do Rio Grande do Sul, e El Soberbio, na província de Misiones, na Argentina, conquistou o prêmio de melhor curta gaúcho no Festival de Cinema de Gramado de 2024, trazendo visibilidade e reconhecimento não só para a obra, mas para a região Noroeste do Rio Grande do Sul. O curta-metragem retrata uma prática comum na fronteira entre o Brasil e a Argentina, o chibo, uma atividade comercial que envolve a travessia clandestina de mercadorias. Como nessa região não há ponte ligando os dois países, as travessias são feitas em pequenos barcos ou pela balsa. A palavra “chibo” vem do espanhol “chivo”, que também significa “ato ilícito”.

Daniela atravessa o Rio Uruguai, entre o Brasil e a Argentina, junto com o seu pai | Foto: Divulgação

O documentário, além de oferecer um retrato da realidade de uma família que vive às margens do Rio Uruguai, aborda também a vida dos chibeiros, aqueles que se arriscam transportando mercadorias para sustentar suas famílias. Os chibeiros são figuras conhecidas nas áreas de fronteira entre Brasil e Argentina. São pequenos contrabandistas, que cruzam mercadorias de um lado para o outro, aproveitando a variação dos preços e do câmbio relativo. Produtos de limpeza, cigarros, vinho, comida e gasolina estão entre os principais.

O curta-metragem Chibo tem duração de 18 minutos e foi dirigido por Gabriela Poester e Henrique Lahude. Henrique nasceu em Encantado, no Rio Grande do Sul (RS). É cineasta e produtor cultural, formado em Realização Audiovisual pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e especialista em Desenvolvimento de Projetos para Cinema e TV pela EICTV de Cuba.

Já Gabriela, é nativa de Cachoeira do Sul (RS), é formada em Direção Teatral pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com foco em experiências imersivas e relação interativa com o espectador. Também tem formações como atriz pela Oure International College, na Dinamarca (2008 a 2009), pela Casa de Teatro de Porto Alegre (2011 a 2012) e em Teatro Digital pela Teatro Em Mov Digital (2020).

Localização da fronteira entre El Soberbio (Argentina) e Tiradentes do Sul (Brasil), onde o documentário foi gravado | Foto: Google Earth/Divulgação

Os dois se encantaram pela região Noroeste do RS durante visitas realizadas em 2013, e essa relação com o local foi fundamental para a obra. “Desde 2013, quando a gente frequentava a fronteira entre Tiradentes e a Argentina, o fato de visitar lugares da região e conhecer a história, isso ficou um pouco no meu imaginário e criou muitas ideias para poder pensar em fazer histórias”, destaca Henrique.

Henrique Lahude e Gabriela Poester são figuras de destaque em eventos no Noroeste do estado e participam ativamente de projetos regionais voltados ao audiovisual, como o Cidade Cinematográfica e o Festival de Cinema, ambos na cidade de Três Passos. Em 2023, Henrique foi homenageado na 6ª edição deste festival, por sua contribuição local e pelo impacto de seu trabalho na forma como a cidade de Três Passos se relaciona com cinema.

Inspirado pelas histórias do interior gaúcho, Henrique fundou a produtora Êa Êa Apepê em 2015, com o objetivo de realizar produções, principalmente, fora de Porto Alegre e focadas nas realidades regionais. A Êa Êa Apepê busca dar voz às narrativas do interior do Rio Grande do Sul, destacando as culturas e cenários locais, distantes da capital. O documentário Chibo reflete essa proposta, trazendo uma visão imersiva sobre as vidas que se entrelaçam ao longo da fronteira entre Brasil e Argentina, na beira do Rio Uruguai.

A JORNADA DO DOCUMENTÁRIO

Henrique Lahude e Gabriela Poester recebem o prêmio de melhor filme por Chibo | Foto: Cleiton Thiele

Segundo Henrique Lahude, a ideia de Chibo nasceu de uma busca por histórias que representassem a vida na fronteira. O projeto foi selecionado no Edital Entre-Fronteiras em 2019, realizado pelo estado do Rio Grande do Sul, através do Instituto Estadual de Cinema (Iecine), em parceria com a província de Misiones e o Instituto de Artes Audiovisuais de Misiones. O edital selecionou quatro propostas brasileiras e quatro argentinas, com o objetivo de explorar histórias da fronteira. Inicialmente, o enredo seria sobre um casal de jovens, uma brasileira e um argentino, que se relacionavam apesar da distância e das diferenças entre os dois países. No entanto, o término desse relacionamento, pouco antes das gravações, levou a uma reformulação da história.

Com o impacto da pandemia, o projeto teve que ser adaptado, mas, ao longo de 2021 e 2022, foram produzidos três curtas-metragens que abordam o tema da fronteira, sendo Chibo um deles. O edital exigia que as produções tivessem profissionais argentinos e brasileiros, abrangendo ambos os lados da fronteira. O foco do filme mudou, então, para a prática do chibo e o cotidiano da família fronteiriça. “A ideia do filme é mostrar a transição da vida dessa adolescente para a fase adulta”, ressalta Henrique, destacando que o novo enredo buscou capturar a essência da vida nas margens do Rio Uruguai. “O chibo é o plano de fundo onde essa menina está inserida. O curta não tem como objetivo fazer uma denúncia sobre a ilegalidade, mas sim retratar o cotidiano dessa jovem e de sua família”.

A trama do filme foca em Daniela, personagem principal do documentário, uma jovem que vive perto da divisa entre o Brasil e a Argentina e que enfrenta os dilemas da transição para a vida adulta, convivendo com a atividade do chibo. “O primeiro contato com a Dani foi com a Escola Estadual de Tiradentes, onde sempre tivemos uma relação muito boa e realizamos diversas oficinas de cinema. Foi pedido à direção da escola que conversasse com diferentes alunos para conhecer histórias da fronteira. Conhecemos várias histórias fantásticas, que poderiam originar diversos filmes maravilhosos. Foi então que conhecemos a Dani, que tinha um relacionamento com um ‘ficante’ argentino, e nos encantamos com essa ideia”, relembra Henrique.
Além disso, foi criada uma intimidade com a família da Daniela, que deu naturalidade em frente às câmeras, com gravações realizadas tanto de dia quanto de noite, totalizando cerca de 20 dias de filmagem com uma equipe pequena.

IMPORTÂNCIA PARA O NOROESTE GAÚCHO

Cartaz do documentário Chibo | Foto: Divulgação

Henrique destaca que a vitória de Chibo no 52º Festival de Cinema de Gramado evidencia a importância do documentário como um catalisador cultural para a região Noroeste do Rio Grande do Sul. “É uma região rica em potencial narrativo, com sotaques, paisagens e costumes próprios, que oferece um vasto campo para a produção cinematográfica”, afirma o produtor.

A conquista do prêmio no festival de cinema gaúcho é um reconhecimento ao local e uma oportunidade para fomentar ainda mais a produção audiovisual no interior do estado. O sucesso de Chibo incentivou o desenvolvimento de outros projetos na área. “A nossa equipe já está envolvida em novas produções, como um curta-metragem sobre o Salto do Yucumã, além de planejar um longa-metragem ficcional ambientado na região”, revela Henrique.

O curta-metragem é um marco para o cinema gaúcho e para a região, provando que, mesmo nas áreas mais remotas, há histórias valiosas que merecem ser contadas.

Texto escrito por Franck Kardorel e Raniele Quevedo de Lima

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Jornal Noroeste em Pauta-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/2024/12/21/as-aguas-de-2024 Sat, 21 Dec 2024 05:39:28 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/?p=51
Defesa Civil faz vistoria em comunidades rurais afetadas pelas chuvas intensas no mês de maio | Foto: Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil

Em março de 2024, Frederico Westphalen passou por alagamentos urbanos, quando choveu 78mm em menos de 24 horas e cerca de 70 pessoas ficaram fora de casa, conforme notícia do Portal G1. Janete Piovesan, moradora do Bairro Aparecida, na rua Muniz Reis, foi uma das pessoas afetadas. Antes do alagamento que aconteceu em sua moradia, eram ocupados os dois andares do sobrado. No andar acima do nível da rua ficava sua loja de confecções e, no andar abaixo do nível da rua, ficava a moradia da família. Mas no dia 8 de março, o piso inferior foi completamente inundado, quase todos os móveis ficaram danificados, o muro que rodeava a casa desmoronou, a garagem ficou comprometida e a casa teve que ser interditada pela Defesa Civil.

Segundo a proprietária, devido ao grande volume de chuva e ao escoamento precário, a via responsável pela drenagem não foi suficiente para armazenar a grande quantidade de água. Devido a esse problema, o bueiro transbordou e a água acumulou na casa de Janete e nos seus arredores. Nas proximidades, outras seis moradias foram afetadas, sendo que uma delas, jamais voltou a ser ocupada. A própria Janete teve que encontrar uma nova moradia em outro bairro, um lugar sem riscos de alagamentos.

“E até agora, falar desse assunto, pra mim, até é bem complicado, porque fico receosa. Assim, quando arma uma nuvem no céu, tu já tá com medo da chuva. Então, fica aquele trauma’’, salienta Janete. A costureira entrou com um processo na justiça, porque os bueiros que deveriam escoar a água da chuva são de responsabilidade da prefeitura municipal e teriam prevenido os danos que afetaram as moradias dos cidadãos caso estivessem melhor estruturados e se fossem desentupidos regularmente.

No mês de abril, o governador do estado do Rio Grande do Sul (RS) Eduardo Leite homologou a situação de emergência no município de Frederico Westphalen por meio do Decreto n°57.586. O documento deixa explícito os sete bairros urbanos e as oito linhas da área rural com riscos de alagamentos. O bairro onde residia Janete estava presente na lista que cita as áreas urbanas em situação de alerta.

O mapa mostra os lugares com risco de alagamento em maio, segundo adaptação feita em mapa disponibilizado pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil

Outro acontecimento que afetou a cidade ocorreu na primeira semana de maio de 2024. A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec) e sua equipe técnica foram informadas pela prefeitura de Frederico Westphalen de que as chuvas intensas que afetaram a região metropolitana de Porto Alegre teriam consequências no município, localizado a 430 km de distância da capital.

Conforme laudo técnico nº 04-2024 feito pela Compdec de Frederico, as chuvas de 500mm agregadas às estruturas antigas da cidade, causaram danos a quatro pontes, nas linhas Pedras Brancas, Santos Anjos, São Brás e Ponte de Pardo. Também foram danificados dois bueiros nas linhas Pedras Brancas e Boa Esperança e dois taludes nas linhas 21 de Abril e Ponte de Pardo.

A defesa civil de Frederico e o engenheiro civil da prefeitura fizeram um levantamento com georreferenciamento para comprovar o estrago e solicitar auxílio do governo do estado. Além disso, segundo o coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, Gilberto de Souza, a coordenadoria também respondeu questionários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Caixa Econômica Federal e do Ministério Público para provar a situação emergencial que o município enfrentava naquele momento.

Os representantes da Defesa Civil do Rio Grande do Sul estiveram no município, para auxiliar na montagem do processo de busca por recursos em instância nacional, na primeira semana de junho.

Em relação aos futuros possíveis desastres, há um plano de contingência municipal, que tem como ideia central auxiliar órgãos públicos a enfrentar essas ocorrências. O documento aborda de forma separada as áreas atingidas, seus respectivos lugares com mapeamento, as residências com mais riscos de alagamentos e deslizamentos, nomeia com termos técnicos o que aconteceu em cada situação e como a Defesa Civil deve agir.

COMO PREVENIR OS EVENTOS CLIMÁTICOS INTENSOS

Conforme a professora Malva Andrea Mancuso, que é doutora em Hidrogeologia e Recursos Minerais, os eventos naturais intensificados que foram presenciados têm como causa inicial o aquecimento global. O aumento de gás carbônico na atmosfera, causado por grandes fábricas, produção de gasolina, queimadas em áreas de matas, entre outros, contribui para a intensificação do efeito estufa que, como seu nome indica, tem como principal consequência a alteração da temperatura mundial. Algumas das consequências desconhecidas pela maior parte da população são as mudanças nos períodos de chuvas e secas e o redirecionamento dos ventos, assim como foi observado no RS no primeiro semestre de 2024 .
Em termos de ações a nível municipal, o que pode ser feito é a identificação de solos que são naturalmente inundados, o gerenciamento das ocupações de lugares seguros para se morar e a criação de comitês de bacias hidrográficas. A identificação e o gerenciamento serviriam para o conhecimento das prefeituras sobre bairros e ruas que sofrem de inundações, para que possam auxiliar os moradores a não construírem casas naquele local. Já os comitês servem para possibilitar a identificação e a solução de problemas dentro de uma bacia hidrográfica, isto é, dentro de um conjunto de terras delimitadas pelos divisores de água e drenadas por um rio principal, explica a especialista.

Acima, alagamento da casa de Janete Piovesan no dia 8 de março | Foto: Janete Piovesan

Segundo Malva, em nível global, o combate às causas da mudança climática depende de que aqueles que têm poder econômico mudem suas políticas de produção e de ganho de capital, o que é algo difícil. As indústrias que vêm produzindo e emitindo gases, por exemplo, têm dificuldades de mudar o seu método produtivo e obter o mesmo lucro, explica. A professora enfatiza: “É muito difícil, é uma questão que envolve grandes empresas e grandes inversões. É difícil que isso seja revertido de um momento para o outro ou em poucos anos”.

Texto escrito por Emylli Fontoura e Júlia Tahara

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Jornal Noroeste em Pauta-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/2024/12/21/sob-agua-e-fuligem Sat, 21 Dec 2024 05:30:40 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/?p=47

Entre os dias 10 e 13 de setembro deste ano, a região Noroeste do Rio Grande do Sul (RS) foi atingida pela chamada chuva preta, evento climático que assustou e despertou curiosidade em parte da população. Em seu site oficial, no dia 11 de setembro, o Governo do RS alertou a população sobre a possibilidade da chuva preta: “A piora na qualidade do ar ocasionada pelas queimadas é agravada pela atual presença de vento norte na Região Metropolitana, pela massa de ar quente, seco e estável, somadas à ausência de chuvas, dificultando a dispersão dos poluentes”.

Esse evento incomum chamou a atenção dos moradores do Noroeste do estado. Residente em Frederico Westphalen há 50 anos, Valdecir Bernard relata ser a primeira vez que presencia o fenômeno. O agricultor alega que a fuligem das chuvas pretas vem prejudicando as lavouras que ele cultiva, sujando as plantações de milho e de fumo.

Mas afinal, o que é a chuva preta? É ácida? Ela é realmente preta? Por que isso aconteceu? Acontecerá novamente? Nossa equipe foi atrás das respostas.

O QUE É A CHUVA PRETA?

O geólogo e analista ambiental Nilson Ferreira recebeu o jornal Noroeste em Pauta para esclarecer algumas dessas dúvidas em sua sala na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), campus de Frederico Westphalen, instituição na qual é mestrando em Ciências e Tecnologia Ambiental, além de desenvolver projeto de monitoramento ambiental sob orientação da professora Malva Andrea Mancuso.

Geólogo Nilson Ferreira concedendo entrevista ao jornal Noroeste em Pauta. | Foto: Gabriel Pinto

Nilson explicou que a chuva preta ocorre quando a água da chuva passa pelos poluentes suspensos na atmosfera e se mistura com eles, ficando, assim, carregada de carbono e escurecendo sua coloração. Normalmente, ela acontece em grandes polos industriais, como Londres, Paris e, aqui no Brasil, São Paulo. Metrópoles onde o acúmulo de carbono e matérias orgânicas na atmosfera é facilitado pela queima de combustíveis fósseis nas fábricas. Ou seja, é preciso uma série de fatores para que aconteça esse tipo de precipitação em nosso estado.

QUAIS RISCOS ELA APRESENTA?

Quando um novo episódio climático é noticiado, logo surgem preocupações e inseguranças. Um dos maiores temores da população era a possibilidade de a chuva ser tóxica ou ácida. Nilson revelou que o pH da água determina isso. Normalmente, ele se encontra entre 5 e 6,5. Já na coleta do período em que a chuva preta caiu, foi registrado pH entre 4,9 e 5,1, aumentando sua acidez.
Ele explicou que os riscos à saúde dos humanos são mínimos, porque temos como prever quando a chuva preta vai acontecer e nos abrigarmos, mas alertou: “Para quem capta a água diretamente para o consumo, não é aconselhável consumir água da chuva quando você tem esses eventos, porque há uma quantidade de poluentes muito grande ali”.

Acerca das plantas, Nilson contou que o solo pode sofrer com grande acúmulo de poluentes, pois absorve a chuva que recebe, o que pode dificultar o processo de desenvolvimento das vegetações.

Já em relação aos animais, recordou que eles não têm como fugir da chuva, ficando expostos às impurezas e se submetendo a riscos como, por exemplo, acabar bebendo essa água com fuligem, o que causaria vômitos, náuseas e perda de apetite.

A maior preocupação do geólogo veio ao falar dos corpos hídricos, ou seja, das lagoas e lagos. “Nesse período de chuva preta muito grande, imagina como é que fica a parte microbiológica dos lagos, que são águas paradas e que não têm pra onde escorrer, e você vai colocar uma quantidade de carbono muito grande ali”, refletiu. O acúmulo de carbono deixa a água contaminada, afetando as plantas e podendo resultar na morte dos animais aquáticos.

COMO A ÁGUA É EXAMINADA?

Base de coleta da água da chuva no campus da UFSM em Frederico Westphalen. | Foto: Nilson Ferreira

Nilson contou aos nossos repórteres que é responsável pela base de coleta de chuva localizada no campus da UFSM em Frederico Westphalen. De acordo com ele, existem diversas bases espalhadas pelo mundo. Mensalmente, a água é coletada, examinada e tem seus dados enviados para a Agência Internacional de Energia Atômica, na Áustria, para colaborar com o monitoramento ambiental global. Este tem como objetivo identificar a composição química da chuva e detectar os locais de onde ela vem, além dos processos que controlam as mudanças de fase da água em seu ciclo.

COMO EVITAR QUE SE REPITA?

Sabendo que esse tipo de evento é consequência, principalmente, das queimadas nos períodos de estiagem, o indicado é que o fogo nas zonas florestais seja combatido com mais eficiência, o que depende de ações dos governantes.
De acordo com a Agência Gov, portal de notícias governamental dedicado à cobertura diária das ações do Governo Federal, o presidente Luís Inácio Lula da Silva promoveu, na primeira quinzena de setembro, uma série de reuniões com especialistas e ministros para discutir medidas coordenadas de enfrentamento à grave emergência climática do país, resultando na ampliação da verba destinada à causa climática, no aumento de recursos para a Polícia Federal investigar e combater os incêndios criminosos e na contratação, pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), de novos serviços especializados no combate ao fogo.

À população, as recomendações são simples, como não desmatar as florestas, evitar poluir a natureza e denunciar quando presenciar qualquer tipo de crime ambiental, ligando para o 193 (Bombeiros) ou o 190 (Polícia Militar).

Texto escrito por Eduardo Freitas e Gabriel Pinto

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Jornal Noroeste em Pauta-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/2024/12/06/familias-multiespecie Fri, 06 Dec 2024 18:35:49 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/?p=38

Desenvolvida pela Secretaria de Coordenação e Planejamento de Frederico Westphalen (SePlan), uma Praça Pet está em funcionamento na cidade, oferecendo um espaço destinado a animais de estimação e tutores.

A obra faz parte da revitalização da Praça da Fonte, localizada nas proximidades do supermercado Cotrifred, na rua Maurício Cardoso, no centro de Frederico. Segundo o arquiteto Guilherme Busatto Mello, responsável pela obra, “o objetivo é um espaço de integração para animais de estimação em ambiente urbano, especialmente voltado para aqueles que vivem em apartamentos ou em residências sem pátio, proporcionando uma área de lazer”.

Praça Pet integra tutores e seus animais de estimação na rua Maurício Cardoso, centro de Frederico | Foto: Vanessa Onci

Em conjunto com a obra, foi realizada a remoção de uma antiga escada que cruzava o espaço, agora transformado em uma ampla área gramada. Foram instalados bancos de madeira, para o descanso dos tutores, e brinquedos, como uma rampa e um escorregador, para a diversão dos pets. Além disso, foram colocados postes de iluminação, garantindo que o local seja acessível em diferentes horários do dia.

A praça conta também com bebedouros para os animais, placas de comunicação visual, um espaço com blocos intertravados e um nicho de areia, oferecendo uma estrutura completa para o lazer dos pets.

O investimento total na obra foi de R$79.391,56, provenientes de recursos próprios do município. Conforme o cronograma da SePlan, a obra teve início em junho e foi entregue no mês de novembro.

A praça não funcionará como abrigo para animais de rua. “Não é esse o propósito da praça. O foco está na interação entre os pets que já têm tutores e seus donos no ambiente urbano”, destaca Guilherme.

Assim, a cidade oferece uma ferramenta para a qualidade de vida de quem vive em espaços reduzidos e precisa de um local seguro e amplo para seus animais. “A praça é incrível, os bichinhos gastam toda a energia e estresse por ficarem trancados a maioria do tempo em apartamentos, tem brinquedos, grama, é ótimo”, diz Sidi Vargas durante passeio com sua cachorra Amora.

A nova Praça Pet de Frederico Westphalen é projetada principalmente para cães, é a primeira da cidade e, segundo o responsável pelo projeto, Guilherme Busatto, “também é a única na região”. Embora o espaço tenha sido planejado prioritariamente para cães devido à natureza sociável desses animais, a praça está aberta para outros tipos de animais de estimação. Busatto observa, no entanto, que é raro ver gatos em ambientes como este. Caso algum tutor deseje levar um animal de outra espécie, como gatos, coelhos ou outros animais domésticos, a responsabilidade recai sobre o próprio tutor, que deve estar ciente dos possíveis riscos e da reação ao contato com outros animais.

NOVAS ESTRUTURAS FAMILIARES

Em 2018, o Brasil tinha aproximadamente 35,5 milhões de crianças de até 12 anos, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínuos (PNAD Contínua) do IBGE. Na mesma época, o número de animais de estimação no país foi significativamente maior, alcançando 139,3 milhões, conforme levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Esses dados refletem a forte presença de animais de estimação nos lares brasileiros, uma manifestação que movimenta diversos setores da economia e impacta o estilo de vida das famílias.
Os pets têm ganhado cada vez mais espaço dentro do ambiente familiar. Vem crescendo o número de famílias multiespécie, que é o termo utilizado para famílias que são compostas por humanos e animais de estimação.

No passado, os pets eram criados para ficarem somente no quintal, sem acesso à casa. Agora, pets têm cama, banho, brinquedos de pelúcia, perfume, shampoo e, até mesmo, um espaço para lazer.

Os brinquedos da Praça Pet são uma forma de estimular o animal e fornecer entretenimento: 1-Escorregador; 2-Tubo de concreto 3-Rampa 4-Bancos de descanso para tutores 5-Escadas 6-Arreia 7-Pneus 8-Grama

A nova organização da sociedade tem incentivado famílias a adotarem cães e gatos na forma de “filhos”. Questionada sobre essa relação, a Associação Melhores Amigos dos Animais (AMAA), de Frederico Westphalen, salienta: “Respeitadas as peculiaridades de cada espécie, é muito benéfico que cães e gatos sejam tratados como filhos. Se tem amor de verdade, é família. E essa relação é boa para os animais, que têm suas necessidades supridas, como para humanos, que têm diversos benefícios de saúde ao conviverem, de perto, com animais de estimação”.

Atualmente, não há legislação que trate da guarda de animais domésticos no Brasil. Mas foi protocolado, no dia 12 de abril, na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 1806, de 2023, que pede que os pets sejam tratados como filhos, em caso de separação dos tutores.

COMPANHEIRISMO

Em conjunto com o avanço da urbanização e o aumento das famílias multiespécie, os tutores enfrentam o desafio de oferecer estímulos adequados aos cães em ambientes urbanos, além de manter sua conexão com a natureza. Superfícies como grama e areia, além de atividades que atendam aos instintos naturais dos animais, são fundamentais para evitar problemas como ansiedade e estresse nos bichinhos.

Cássia Ulbrik e sua cachorra | Foto: Vanessa Onci

Cássia Ulbrik, é tutora de Pretinha, uma “salsicha” de quatro anos que entrou de forma inesperada em sua vida e, rapidamente, se tornou sua melhor amiga e companheira inseparável. Apaixonada por animais desde sempre, Cássia conta que foi Pretinha quem a escolheu primeiro, aparecendo em sua vida ainda filhote, após ser rejeitada por outras pessoas. “Digo sempre que foi ela que me escolheu. Quando a conheci, sabia que seria minha”, relembra Cássia, destacando o laço imediato e intenso que se formou entre as duas.

MANUTENÇÃO É NECESSÁRIA

Pretinha costuma frequentar a praça, o que exige atenção especial com parasitas, como pulgas e carrapatos, comuns em áreas públicas. Cássia também aponta a necessidade de um controle mais rigoroso de limpeza por parte da prefeitura, já que frequentemente encontra lixo e dejetos de outros animais no local, o que afeta a segurança e o bem-estar de Pretinha e de outros pets.

Antes mesmo de as obras estarem concluídas, a praça já vinha sendo frequentada e, agora, se tornou um ponto de encontro para animais de estimação e tutores, promovendo momentos de lazer e integração entre as famílias multiespécie frederiquenses.

Texto escrito por Ana Julia da Fontoura e Vanessa Onci

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Jornal Noroeste em Pauta-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/2024/12/05/quem-ama-cuida-e-castra Thu, 05 Dec 2024 23:35:33 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/noroeste-em-pauta/?p=32
Veterinária Luciane Dal Piva na sala de castração do Castramóvel | Foto:João Victor Cassol/Ascom

No início do mês de setembro, às margens da BR-386, em Frederico Westphalen, uma cadelinha vira-lata chamada Bolinha foi encontrada em uma situação delicada: cercada por cães e com as patas traseiras fraturadas. Resgatada por um morador da comunidade, Bolinha foi levada para o Castramóvel, onde recebeu cuidados da veterinária e responsável técnica Magali Inês Piaia. O projeto, recém-implantado na cidade, oferece castrações e atendimentos acessíveis. Agora, Bolinha segue em recuperação, enfrentando o caminho para restabelecer sua saúde física e superar os traumas vividos.

Muitos animais se encontram na mesma situação de Bolinha. O índice de abandono de animais no Brasil, atualmente, é de cerca de 30 milhões de cães e gatos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso causa problemas de controle populacional de animais e de saúde pública nas cidades, com a proliferação de zoonoses (doenças transmitidas por animais), devido à superpopulação de pets abandonados.

A cidade de Frederico Westphalen agora conta com um serviço voltado ao bem-estar animal e ao controle populacional de cães e gatos. No dia 17 de julho de 2024, o Castramóvel começou suas atividades, em resposta aos pedidos da comunidade frederiquense. A iniciativa foi viabilizada pela equipe da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), que atendeu às demandas dos moradores por um serviço acessível de castração.

A HISTÓRIA QUE ANTECEDE A INICIATIVA

Castramóvel fica na Rua José Cañellas, 184, no Centro | Foto: Marina Lima

Foi assinado em 2011, no município de Frederico Westphalen, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), o qual estabelecia que deveriam ser feitas, pelo menos, 20 castrações semanais com recursos municipais. Em uma pequena sala de castração localizada no prédio da antiga prefeitura municipal, eram castrados animais abandonados.

Com o decorrer do tempo e devido ao aumento de pedidos da população, no final de 2023, o município recebeu recursos da emenda parlamentar do deputado Giovani Cherini, para a construção de um Castramóvel, uma sala de cirurgia sobre rodas. Apesar do nome, o Castramóvel tem endereço fixo na Rua José Cañellas, 184, centro. O serviço é oferecido para cães e gatos, com o objetivo de atender principalmente famílias que não têm condições de acessar clínicas veterinárias particulares.

COMO FUNCIONA

Em julho de 2024, o projeto iniciou, castrando, em média, 68 animais por mês. O Castramóvel em conjunto com o Consultório Veterinário Municipal segue as leis responsáveis pelas unidades móveis de castração no Rio Grande do Sul. Segundo a lei 15.4515 de 2019, as castrações devem ser gratuitas e oferecidas à comunidade de tutores com renda até três salários mínimos, a partir de cadastro. Tutores que atendem esses requisitos podem levar seu animal resgatado ou adotado para a castração. Animais comprados não têm direito ao procedimento de castração gratuito.

Clínica veterinária conjunta com o Castramóvel | Foto: João Victor Cassol/Ascom

A lei também inclui o atendimento de animais de ONGs e de protetores independentes (termo usado para criadores de animais resgatados que disponibilizam um lar provisório para que possam ser adotados) cadastrados junto à prefeitura, bem como de animais abandonados na rua. Para atendimento e castrações, a prefeitura convocou as veterinárias Luciane Dal Piva e a própria Magali. As cirurgias ocorrem de segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h30min às 17h30min.

O Castramóvel conta com o apoio da equipe da Semma, coordenada pelo Secretário Municipal do Meio Ambiente, Ricardo Giovenardi, e parcerias com protetores independentes. Desde o início da unidade de castração, são castrados cinco animais por dia. Magali salienta que, caso o animal precise de acompanhamento pós-cirúrgico, basta fazer agendamento prévio, a não ser em casos urgentes, nos quais são feitas consultas ou cirurgias de emergência.

O ABANDONO

A questão crítica do abandono de animais traz consequências graves para a saúde pública e para o bem-estar animal. Quando duas gatas são deixadas sem controle de natalidade, por exemplo, e cada uma tem oito filhotes por ano, em apenas sete anos elas podem ser progenitoras de até 174.764 felinos. Se essa reprodução descontrolada continuar, com cada fêmea gerando oito filhotes anualmente, a população poderá atingir impressionantes 781.250 gatos vivendo nas ruas, conforme estudos publicados na revista Em Extensão da Universidade Rural do Rio de Janeiro, em 2013. Esse crescimento exponencial seria um possível resultado da falta de políticas efetivas de controle populacional animal, como programas de castração acessíveis e conscientização sobre a guarda responsável.

Veterinária Magali Inês Piaia com a cadela Bolinha | Foto: Marina Ramos

O aumento descontrolado de animais abandonados gera inúmeros problemas, desde o sofrimento dos próprios animais, que enfrentam fome, doenças e maus-tratos, até questões de saúde pública, como a disseminação de zoonoses e acidentes de trânsito. Além disso, abrigos e protetores de animais acabam sobrecarregados, sem recursos suficientes para acolher e cuidar de todos os animais necessitados.

Investir em castramóveis é uma solução para lidar com o abandono de animais e os problemas decorrentes disso. Sobre a importância da iniciativa na cidade, Magali lembra: “São 32 anos que eu trabalho no município, e o que mais impactou na minha vida mesmo foi a maldade do ser humano. Desse abandono, desses maus-tratos, de todas essas coisas. Mas a gente está aqui pra fazer o melhor que a gente pode. E agora o Castramóvel está ajudando todos os bichinhos”.

Texto escrito por Marina Lima e Marina Ramos

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