29ª Edição – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt Revista Thu, 22 May 2025 13:44:24 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico 29ª Edição – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt 32 32 29ª Edição – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2024/11/28/transformacao Thu, 28 Nov 2024 12:45:52 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3948

Aulas suspensas, entrevistas canceladas e uma onda de incertezas permearam a produção da 29ª edição da revista .TXT. A ocorrência das enchentes no Rio Grande do Sul direcionou os olhares para o contexto das mudanças climáticas. Alternativas de recuperação ambiental e adaptação a esta realidade são urgentes. Dentre tantas iniciativas criadas na Universidade, uma delas é destaque de capa. O projeto ‘Proteção e Revestimento Vegetal’ usa a engenharia ambiental para recuperar áreas degradadas.

Ilustração horizontal e colorida da UFSM estilizada em miniatura nas cores turquesa e laranja. O estilo geral é plano e simplificado, com cores sólidas e contornos nítidos. Há uma mão de cor laranja no canto superior esquerdo, que coloca uma peça de árvore na maquete. Várias árvores laranjas com bases verdes circulares estão espalhadas ao longo de um rio laranja que serpenteia pelo centro horizontal da imagem. No rio, há um barco de papel azul. Na esquerda da imagem e ao lado do rio, há uma placa de Área de Preservação Permanente - APP. Do outro lado do rio e na direita da imagem, está o Planetário da UFSM com teto preto e estrutura azul. No plano de fundo, há uma ponte preta que se estende horizontalmente. O fundo é azul.

Nesta edição, produzimos, ainda, matérias que mostram o caráter plural da nossa UFSM. Na área da saúde, desmistificamos doenças como o câncer de mama masculino, que afeta um homem a cada 100 mulheres. Exaltamos projetos que visam o apoio e formação para as pessoas que cuidam de idosos e idosas. Abordamos, também, a prática esportiva e de que forma ela pode fazer os/as estudantes se inserirem no meio acadêmico. Contamos histórias inspiradoras, como da servidora Débora Dimussio, e da doutoranda Raíssa Raimundo da Silva.

 

No caminho de uma universidade mais inclusiva, mostramos as mudanças nos processos seletivos – com as cotas para pessoas trans e também para atletas. Na área de tecnologia, destacamos projetos de pesquisa científica que com criatividade desenvolvem aeronaves e robôs. Por meio do conhecimento, a instituição busca prover à sociedade soluções que melhorem a qualidade de vida, sempre com um olhar atento às necessidades da comunidade e ao futuro da ciência.

 

Os projetos mostram a potência que é a universidade pública na sua relação com a comunidade. O trabalho realizado pelos/as estudantes marca a .TXT como um espaço laboratorial de aprendizagem – tanto do processo produtivo de uma revista quanto na inserção da acessibilidade no jornalismo. A produção da revista une os pilares da educação universitária: ensino, pesquisa e extensão; e ainda traz uma amostra do que a UFSM representa para a população de Santa Maria e do estado do Rio Grande do Sul.

Alexandre La-Bella, João Victor Souza, Pedro Pereira, Samara Wobeto e Viviane Borelli

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29ª Edição – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2024/07/31/uma-vida-entre-livros-e-cores Wed, 31 Jul 2024 20:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3913

Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:

Fotografia horizontal, colorida e em plano médio do perfil de Débora Dimussío. Ela está posicionada ao lado esquerdo. Ela sorri para a câmera. Tem pele branca e cabelos grisalhos e encaracolados abaixo dos ombros. A mão direita dela está semi aberta, apoiada no queixo. Usa um anel de formato oval no dedo médio. O braço esquerdo dela passa pela frente do peito e serve de apoio ao braço direito. Veste uma jaqueta preta e lenço um na cor amarelo e outro roxo com detalhes em preto e vermelho. Usa um crachá de funcionária da biblioteca da UFSM no pescoço. Ao fundo estão expostas telas de pintura feitas por ela em tons variados, que destacam balões.
Bibliotecária Débora Dimussío | Foto: João Agripino Veigas

 

Nascida em Pedro Osório, no interior do Rio Grande do Sul, Débora Dimussío, 58 anos, sempre foi apaixonada por livros e arte. Há mais de 20 é bibliotecária-documentalista na Biblioteca Central da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e atua no Portal de Periódicos Eletrônicos da instituição. Formada em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), uniu as habilidades administrativas à paixão pela biblioteconomia: é servidora acadêmica há mais de duas décadas.

Ela cresceu em uma cidade pequena e segura, onde desenvolveu profunda ligação com os livros. Débora visitava livrarias com o pai e irmãos, e, com isso, adquiriu o hábito desde a infância. Essa experiência familiar  inspirou o amor por leituras e também pela preservação da história.

Aos 12 anos, Débora e a família mudaram-se para Rio Grande, onde concluiu o ensino médio e cursou Administração. Trabalhou na gestão de transporte, experiência que lhe ensinou a resolver problemas, mesmo sob pressão. Em 1988, com o nascimento do filho Erik, decidiu dedicar-se à maternidade, mas já com a intenção de retornar aos estudos.

Inspirada pelas frequentes visitas a bibliotecas com o filho, ela se identificou com o curso de Biblioteconomia e decidiu fazer a graduação. Em 2004 foi aprovada em concurso para bibliotecária na UFSM e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Optou pela instituição de Santa Maria, onde encontrou seu lar profissional.

Além da carreira profissional, Débora tem paixão pela arte. “A arte para mim é libertadora. É o meu canal de manifestação. Sem nenhuma regra ela me permite não pensar em nada que possa me oprimir”, destaca. Na pintura em telas, ela encontra uma forma de expressão livre e introspectiva, sem restrições de estilo ou técnica. Durante a pandemia e com a necessidade de afastamento social, essa atividade tornou-se um refúgio, e permitiu trazer a natureza para as telas.

Guiada apenas pela intuição, ela usou texturas para fazer um quadro sobre planetas. A obra foi presente para uma pessoa com deficiência visual para que, através do tato, ela pudesse sentir a arte. Para Débora, essa é uma forma de conexão com os outros, o que  proporciona momentos de introspecção e alegria para ela e aqueles que apreciam as suas criações.

Apaixonada pela natureza, permitiu-se explorar o universo da fotografia. A pintura lhe traz desprendimento do que é técnico, então enxerga nos retratos uma forma de estudar luz e sombra, elementos essenciais para aprimorar sua arte. Fotografar é um exercício de movimento e criatividade que contrasta com a introspecção da pintura. Hoje, a fotografia ocupa seu tempo. “Fotografar, para mim é movimento, se posicionar e achar o melhor ângulo com criatividade”, explica.

Débora Dimussío é uma mulher multifacetada, que encontra beleza  nos livros e cores. Sua trajetória é um exemplo de como é possível unir diferentes paixões e habilidades, criar impacto positivo na comunidade e na vida das pessoas ao seu redor. Algumas  obras de arte de Débora estão expostas na Biblioteca Central da UFSM e trazem cor e vida ao espaço.

Arte na UFSM: Um patrimônio cultural a ser explorado

Débora Dimussío é também estudante do 3° semestre do curso Técnico em Geoprocessamento da UFSM. A fim de conectar seus interesses em arte pelo Geoprocessamento, Débora planeja produzir como trabalho de conclusão do curso, um projeto de mapeamento que visa localizar com precisão as esculturas a céu aberto do campus da UFSM. “Há obras muito bonitas nos centros da UFSM. É interessante existir um mapa que as localize e nos informe quem é o autor”. O mapeamento será realizado a partir do uso de coordenadas, pelo Google Earth.

A iniciativa de Débora se baseia em dois projetos: no Catálogo de Esculturas da UFSM Santa Maria, organizado pela arquivista Flávia Simone Botega Jappe e pelo professor José Francisco Goulart, e que registra informações sobre trinta e três esculturas públicas expostas ao ar livre no 55BET Pro. O outro produto é o “Catálogo de Murais UFSM: 1971-2021”, organizado pela arquivista da UFSM, Cristina Strohschoen dos Santos, e lançado no ano de 2021 pela Pró-Reitoria de Extensão (PRE), explora uma linha do tempo de 30 murais da UFSM. Os dois catálogos estão foram disponibilizados pela UFSM a partir da PRE, e se encontram disponíveis para download e leitura no site da PRE.

Fotografia horizontal, colorida e em plano geral de Débora Dimussío em pé, posicionada no lado esquerdo da imagem. Ela sorri enquanto olha para as pinturas expostas ao seu redor. Tem pele branca e cabelos grisalhos e encaracolados abaixo dos ombros. A mão direita está apoiada no queixo. Usa um anel de formato oval no dedo médio. O braço esquerdo dela passa pela frente do peito e serve de apoio ao braço direito. Veste jaqueta preta, cachecol nas cores vermelho e branco, calça verde musgo e sapatos pretos. Ao seu redor, expostas sobre cavaletes de madeira clara, estão cinco pinturas coloridas feitas por ela. As pinturas tem tons variados, e destacam balões e formas geométricas em tons e texturas variados.
Bibliotecária Débora Dimussío ao lado de telas artísticas | Foto: João Agripino Veigas

Reportagem: Eliandro Martins e João Agripino Veigas

Contato: eliandro.martins@acad.55bet-pro.com/joao.veigas@acad.55bet-pro.com

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29ª Edição – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2024/07/30/parcerias-sao-alternativas-para-festas-universitarias Tue, 30 Jul 2024 20:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3910

Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:

Fotografia horizontal, colorida e em plano geral de uma banda que se apresenta em um palco. O grupo musical é composto por seis integrantes, cinco homens e uma mulher, que é a vocalista. No palco, a formação da banda está dividida com três pessoas na parte da frente e as outras três na parte de trás.Na frente,um homem de estatura média está em pé,de óculos escuro, segurando uma flauta, com 2 garrafas de água ao lado dele, ao lado dele temos outro homem também de óculos escuro, porém com uma compleição física mais larga, cabelos longos, tocando um violão, a sua direita temos uma mulher que está segurando um microfone e está cantando num palco. Ela possui uma flor na cabeça e está com um vestido longo. Atrás temos um integrante com um violão menor, de cabelos longos e lisos de roupa clara, a sua direita um homem de cabelos longos, porém ondulados com uma guitarra bem grande. Ao fundo, há uma bandeira preta com o nome da banda Chimarruts escrito em branco.
Crédito: Tainara Liesenfeld/Arquivo Agência de Notícias da UFSM

Há seis anos, a UFSM publicou uma resolução que determinava a proibição de venda de bebidas alcoólicas no 55BET Pro. Sem o lucro desse comércio, as festas universitárias nos espaços da UFSM se tornaram inviáveis. A resolução N.026/2018, que determinou  a proibição, tem base na Política Nacional sobre o álcool, e visava mitigar os impactos do alcoolismo na comunidade acadêmica. Com isso, foi necessário alterar os locais das festas e consequentemente, o valor do investimento por parte das associações de turma. 

Com o aumento de gastos, começaram a se criar grupos maiores e com experiência na organização de eventos. Um exemplo é as atléticas universitárias, grupos que antes ficavam restritos a alguns centros estudantis e com foco em eventos esportivos. A diretora de esportes e eventos da atlética do curso de Relações Internacionais, a ‘Anárquica’, Larissa Locatelli, menciona que os valores atuais de organização de uma festa giram em torno de R$ 17 mil.

A nova configuração fez com que outras partes da Universidade passassem a olhar a formação de atléticas como forma de manter as festas. Anteriormente, as associações de turma eram as responsáveis por essa organização, porém num momento posterior as atléticas começaram a ocupar esse espaço. Uma das razões era o fato das atléticas previamente estabelecidas terem diretorias especializadas para eventos. Isso aumentava a capacidade de angariar recursos e viabilizar os novos gastos, além do uso de parcerias com outros grupos através de ações em conjunto ou patrocínios, o que não era tão comum em outros tempos. 

 

Dois dos cursos que resolveram investir nesse modelo foram os Relações Internacionais e Fisioterapia. Eles criaram suas atléticas em 2019 e 2020, respectivamente, e realizam eventos através do modelo de parcerias. Exemplos são as festas Rino Dusa, parceria entre as atléticas de Relações Internacionais e Fisioterapia, e a Se ela dança eu danço, organizada pelos grupos do Direito e Relações Internacionais.

Planejamento

As festas começam a ser planejadas com meses de antecedência, pois demandam uma série de atividades. Para o coordenador da ‘Medusa’, Pedro Ribas, a organização,  em geral,  é bastante trabalhosa e envolve a procura por prestadores de serviço, distribuidores de comida e bebida. ´”A negociação com atrações e o local é algo que gira em torno de 45 a 60 dias de organização”, afirma Pedro.

Larissa Locatelli reitera que a principal razão para essa parceria é a dificuldade para se pagar o custo inicial das festas. Segundo ela, o evento costuma dar lucro, mas os custos para a realização costumam ser altos demais para uma atlética sozinha conseguir dar conta. No entanto, um outro fator levantado por ela como chave para a iniciativa de parcerias, foi a integração entre diferentes grupos, que ela explicou abaixo:

“Eu gosto, particularmente, de fazer festa  em conjunto, justamente pela integração com outras pessoas, outros ambientes, muda um pouco em relação às RI, e assim realizamos uma gama de contatos com diferentes grupos”

A divulgação das festas é dividida em duas frentes: a presencial, com destaque para as ações realizadas nos restaurantes universitários, e a digital, focada nas ativações por redes sociais. A diretora de marketing Bárbara Matté Puhl, conta que a maior parte das vendas ocorrem por meio digital, mas que as vendas físicas também são significativas e destacou o engajamento do próprio curso como fator de sucesso.

Reportagem: Rodrigo Praxedes Aarão

Contato:

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29ª Edição – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2024/07/29/esporte-um-impulso-para-a-mente Mon, 29 Jul 2024 20:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3885

Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:

O esporte se expande por todos os centros de ensino da UFSM  e é um pilar essencial na rotina dos alunos. Os programas esportivos e as atividades de integração entre os cursos incentivam a saúde física e mental e também impulsionam o desenvolvimento pessoal e profissional dos acadêmicos. Exemplos dessas iniciativas são as atléticas universitárias e o Programa Esporte Universitário.

 

Para estimular a participação nas atividades, as associações atléticas surgiram na UFSM no ano de 2009. De acordo com o conselheiro da Associação Atlética de Medicina da UFSM, conhecida como ‘Tirana’, Vinicius Brito, elas preservam o espírito esportivo e contribuem para o desenvolvimento de habilidades como liderança, organização e comprometimento, além de aliviar o dia a dia acadêmico. Além disso, confirma que quem faz parte da atlética cria um sentimento de pertença ao curso, à cidade e aos amigos. “ O esporte coletivo tem esse poder: ensinar as pessoas a vibrarem com a conquista dos outros, e principalmente aprender a trabalhar em equipe”, afirma.

 

No Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) o exercício físico para o lazer e a saúde mental também é uma preocupação. Com o apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), o CEFD implementa o programa institucional Esporte Universitário. O professor e coordenador do projeto, Frederico Lima, enfatiza que o esporte está conectado à formação de qualquer pessoa. Segundo ele, aprender a trabalhar em um grupo heterogêneo, seja em um ambiente de trabalho ou escola, sempre será uma necessidade, e o esporte é uma ferramenta poderosa para facilitar esse aprendizado.

Saúde Mental

De acordo com estudo realizado pela Universidade de Brasília (UnB), o treinamento aumenta a concentração e a atenção, reduz a ansiedade e estimula a qualidade do sono, aspectos essenciais para quem deseja maximizar os estudos e aprimorar o desempenho na faculdade. (acesse o estudo aqui). Vinicius Brito afirma que as atléticas têm o papel de incentivar os estudantes a participar das mais diversas modalidades, sejam elas individuais ou coletivas, por meio da formação de times pelos próprios alunos.

A prática esportiva é aliada no controle da ansiedade e outras doenças.O professor comenta: “O Esporte Universitário vem para ajudar na saúde física e mental dos estudantes A ideia principal é o costume da prática esportiva regular, porque está ligado à saúde”. Frederico refere estudos que abordam o fato de que pessoas que se exercitam regularmente têm um risco menor de desenvolver uma série de doenças crônicas e cardíacas. 

Os benefícios de utilizar o projeto para a prática esportiva vão além da saúde física. A doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFSM, Camila Steinhorst, participou de diversas modalidades do esporte universitário e afirma que o programa ajudou a melhorar seu desempenho acadêmico. “Essa prática, a resistência e a superação do estresse são os maiores benefícios para aliviar minha ansiedade e manter minha concentração”, conta.

Aluno do curso de Educação Física pratica salto com vara | Foto: Jéssica Mocellin

Esporte e lazer

O vice-presidente e atleta da Atlética da Educação Física, João Gabriel Segabinazzi, destaca que esses espaços são uma válvula de escape para os alunos. “É um passatempo, é um lazer para a maioria do pessoal. Eu acho muito interessante esse lazer através do esporte, melhora a sua qualidade em tudo: no seu dia,  nas atividades curriculares e extracurriculares, você fica mais disposto para tudo”,  conta João Gabriel.

O programa Esporte Universitário proporciona interação entre estudantes da Educação Física com outros centros e incentiva a sociabilidade. As aulas são ministradas por acadêmicos, bolsistas ou profissionais formados que atuam como voluntários, com o apoio de um professor supervisor, proporcionando benefícios tanto para os alunos como para os professores.

Como participar

Todo semestre são abertas novas vagas. A inscrição é feita por meio de um formulário disponível no portal de Questionários e do Aluno. As ofertas incluem diversos esportes, em modalidades individuais ou coletivas, como voleibol, natação, tênis, musculação, karatê, jiu-jitsu , alongamento, corrida e cheerleading (atividades de líderes de torcida). Cada aluno pode escolher apenas uma modalidade. As opções de esportes são determinadas todos os semestres com base na disponibilidade de monitores.

Grupo de alunos estuda salto com vara | Foto: Jéssica Mocellin

Reportagem: Andrya Lima Nielsen e Maria Luisa Amaral 

Contato: andrya.nielsen@acad.55bet-pro.com/maria.diogo@acad.55bet-pro.com

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29ª Edição – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2024/07/28/um-novo-caminho-para-atletas-na-universidade Sun, 28 Jul 2024 20:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3866

Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:

Fotografia vertical, colorida e em Contra-Plongée, de baixo para cima, com foco em um atleta que alonga a perna direita em uma barreira de atletismo na pista da UFSM. O homem tem pele branca, cabelos castanhos e curtos e olha para baixo. Ele usa uma regata azul de treino e um short preto. À sua frente estão mais três barreiras, que são formadas por duas barras verticais que sustentam uma barra horizontal. A pista é vermelha com listras brancas. O dia está ensolarado e ao fundo, há uma cerca, um prédio branco e árvores.
Atleta João Cazari na pista de Atletismo da UFSM | Foto: Giovana Chaves

 

Uma postagem no instagram da Confederação Brasileira de Atletismo: esta foi a maneira inusitada que o atleta João Cazari Vinicius Silva, 18, descobriu a possibilidade de ingressar na UFSM. João saiu de Presidente Prudente, São Paulo, para morar em Santa Maria e cursar Direito na Universidade graças a uma publicação que destacava o Processo Seletivo de Ingresso de Atletas de Rendimento (Piares). No programa,  implementado em 2024 para facilitar a matrícula de desportistas na instituição, ele viu uma oportunidade de concretizar algo que sempre sonhou: conseguir conciliar  a vida no esporte com os estudos.

O Piares disponibilizou 66 vagas para 49 cursos, divididas em duas categorias. A primeira para pessoas na faixa etária de 16 a 23 anos, vinculadas às modalidades de futsal, handebol, voleibol e atletismo, que disputaram competições nos últimos três anos. Já a segunda foi ofertada para ex-atletas que tiveram destaque internacional em qualquer esporte reconhecido pelo Comitê Olímpico Brasileiro (Cob). A pontuação do processo seletivo funcionou da seguinte maneira: 50% de peso para a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e os outros 50% para as conquistas desportivas do indivíduo. No ano de estreia do Programa, oito atletas ingressaram pelo edital nos cursos bacharelados de Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, Direito, Educação Física e Serviço Social e a licenciatura de Ciências Sociais. Todos são do gênero masculino e da divisão de talentos em potencial.

Esta nova categoria de processo seletivo é coordenada pelo Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) e pelo Núcleo de Implementação da Excelência Esportiva e Manutenção da Saúde (NIEEMS). A coordenação do NIEEMS sonhava com a efetivação do projeto há mais de 20 anos. O Programa foi inspirado na trajetória de atletas que abdicam da carreira esportiva para concluir a graduação. A motivação para tentar mudar este cenário, somada ao estudo de políticas deste gênero aplicadas em outros países deu vida ao Piares: o edital pioneiro para o ingresso de atletas na Universidade.

 

Do outro lado da América

 

Os Estados Unidos são um exemplo de potência no esporte universitário, com faculdades  mundialmente reconhecidas pela captação de atletas mediante bolsas de estudo. Para o estudante bolsista da modalidade de tênis na Universidade de North Greenville, Lucas Cardoso, o Brasil encontra-se muito longe do nível de investimento norte-americano. “É incomparável a estrutura. Por exemplo, tem uma universidade perto da minha (Universidade de Clemson) com um estádio que cabe de 80 a 90 mil pessoas, mais público que o Maracanã”, conta o tenista, que é natural de Santa Maria.

Segundo uma matéria produzida pelo Globo Esporte em 2016, 440 dos 555 convocados da delegação estadunidense para as Olimpíadas do Rio de Janeiro praticaram o esporte universitário. Inclusive, alguns atletas competiam por universidades na época em que foram chamados para os Jogos Olímpicos. Ou seja, a valorização do esporte no país da América do Norte vem da base escolar e universitária, algo que o Brasil carece.

Projetos como o Piares são o primeiro passo de uma jornada para o reconhecimento do assunto. Lucas, por exemplo, usufrui de um centro médico patrocinado pela Gatorade, roupas ilimitadas da Nike, uma treinadora e dois preparadores físicos especializados na modalidade do tênis. João não conta com essas regalias na UFSM, mas também tem auxílio proveniente da instituição. Ele mora na Casa do Estudante Universitário (Ceu) e dispõe do Benefício Socioeconômico (BSE), que disponibiliza  refeições gratuitamente. Além disso, o acadêmico de Direito acrescenta que a pista de atletismo, recém reformada e nos padrões olímpicos, colaborou para a sua escolha de vir para Santa Maria. Este é um ponto importante para ele, que compete nos 400 metros com barreiras, 110 metros com barreiras e decatlo – modalidade composta por dez provas de atletismo.

João é protagonista de uma das oitos histórias que ingressaram na Universidade pelo Piares e sonham em viver do esporte, porém sabem a adversidade dessa realidade no país e, por esse motivo, prezam pela formação acadêmica. “É muito importante entender que a vida de atleta não é para toda a vida, você tem que seguir com uma outra rotina, uma outra carreira quando isso termina, porque tem o fim”, enfatiza. A escolha pelo Direito não é por acaso. João julga a área jurídica como flexível para prosseguir o maior tempo possível, dentro e fora das pistas.

Reportagem: Marina Brignol de Llano Einhardt e Marina Ferreira dos Santos

Contato: marina.llano@acad.55bet-pro.com/santos.marina@acad.55bet-pro.com

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29ª Edição – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2024/07/27/uma-palavra-sem-traducao Sat, 27 Jul 2024 20:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3895

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Pessoas de todos os lugares do Brasil e do mundo compartilham o ambiente universitário e buscam novas experiências. Com isso, o estranhamento da cultura local é algo comum na UFSM. O sentimento  que prevalece é a saudade.

O  “sentir falta” faz parte do vocabulário de todas as pessoas. “Saudade” não é uma palavra que existe em todas as línguas, mas pode traduzir o sentimento de estar longe de casa. 

 

As argentinas Ailén Bühler, graduanda de Medicina Veterinária, e Camila Cheble, de Psicologia,  moram na Inter House – moradia disponibilizada para os  intercambistas da UFSM – e contam que desenvolveram meios de não sentir saudade de onde vieram. A relação próxima desenvolvida entre as cinco moradoras é um dos motivos para que esse período se torne mais fácil. “Acho que é o jeito que eu encontrei de não ter saudades ou que essas saudades não façam eu me sentir triste”, compartilha Ailén.

 

A intercambista Emília Romero também veio da Argentina por meio da Universidad Nacional de Córdoba. Ela confessa que o seu maior medo era sentir muita falta de casa, de não conseguir se adaptar a Santa Maria e às colegas de apartamento. No entanto, Emília construiu com as colegas, uma família. 

 

O apoio para os estudantes estrangeiros da UFSM é realizado pela Secretaria de Apoio Internacional (SAI). O órgão estabelece  programas de intercâmbios para alunos da Universidade, recebe estudantes de instituições internacionais e promove atividades de acolhimento. 

 

O Amigo Internacional é uma das atividades desenvolvidas para receber esses alunos. O projeto foi criado para tornar a experiência dos alunos estrangeiros mais confortável e faz com que um voluntário da UFSM se torne amigo de um intercambista. A relação criada pela necessidade de um rosto conhecido se torna, para a maioria, um lar longe de casa. A agenda inclui receber o estudante após a viagem, mostrar lugares importantes para o dia a dia e mantê-los ativos na comunidade acadêmica.

Fotografia horizontal, colorida e enquadrada em primeiro plano. Duas pessoas, um homem e uma mulher, olham e sorriem diretamente para a câmera. O homem, de 23 anos, está do lado esquerdo da fotografia. Ele é branco, alto, tem o cabelo castanho escuro, bigode e cavanhaque, e um brinco em cada orelha. Ele veste uma blusa azul escura com cordões brancos. Em seu pescoço está um colar marrom, com aspecto de couro, que possui um pingente de dente de tubarão. Em seu ombro leva uma bolsa, que segura próxima ao corpo com a mão direita. A mulher está à direita do jovem. Ela é branca, tem o cabelo loiro e está com as bochechas levemente coradas. Seu casaco corta vento, que está fechado, é marrom claro e branco com o zíper preto. Um feixe de luz solar passa por seu cabelo, que fica ainda mais claro. Ao fundo, um ambiente da UFSM, com vegetação verde e parte de um prédio, levemente desfocados.
A esquerda está Pedro Figo e a direita Maria Augusta Della | Foto: Jéssica Mocellin

O peso da saudade de casa diminui quando é dividido.O aluno de Engenharia Química, Pedro Figo, e a graduanda de Medicina Veterinária, Maria Augusta Della, participam do Programa Amigo Internacional como voluntários. Para Pedro, que também foi intercambista na Universidad de La Republica, em Montevideo, a maior importância do Programa é que as pessoas se sintam acolhidas.Quando você vai para longe é normal que se sinta sozinho, mesmo rodeado de pessoas, tanto pela questão do idioma quanto pela questão de ser de outro país”, lembra. 

 

Maria Augusta conta que os benefícios são mútuos. Conhecer novas línguas e fazer amizades com alunos internacionais foi importante para ela.  “Uma amizade verdadeira. Tenho contato com eles até hoje e sei que se eu fizer uma formatura eles vão vir de lá para cá. Tivemos uma conexão muito grande”, comenta. 

 

Angélica Iensen é Secretária Executiva bilíngue da Sai e responsável pelo Núcleo de Acolhimento de Estudantes Internacionais. “Morei três meses em um país estranho. Eu sei o quanto faz falta ter uma rede de apoio, com pessoas que você conheça, pessoas amigas. O acolhimento não é só na chegada, é dar suporte durante a estadia da pessoa”, ressalta Angélica.

As atividades de acolhimento envolvem Welcome Meetings (encontros de boas-vindas), tours pela cidade e pelo 55BET Pro, idas ao  Esporte Clube Internacional (Inter de Santa Maria) e reuniões para compartilhar a culinária de cada integrante. Um exemplo foi  a “Noite do Xis” na Escola de Samba Unidos do Itaimbé. “A bateria fez uma roda de samba e eles experimentaram o xis naquela noite”, conta Angélica. 

Grupo de estudantes seguram bandeiras e caminham em direção ao Arco da UFSM | Ilustração: Pedro Pagnossin

Reportagem: Jéssica Mocellin e Nadine Guarize

Contato: jessica.mocellin@acad.55bet-pro.com/nadine.guarize@acad.55bet-pro.com

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29ª Edição – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2024/07/26/entrar-permanecer-e-transformar Fri, 26 Jul 2024 20:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3935

Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo: 

A Universidade implementou políticas afirmativas que visam não apenas o ingresso, mas a permanência de estudantes da comunidade trans na graduação e pós-graduação. Uma das iniciativas é a Casa Verônica. Fundada em 2021, atua n a promoção da igualdade de gênero e no suporte à comunidade trans: é o primeiro espaço multiprofissional de apoio para pessoas LGBTQIAPN+ vinculada a uma instituição de ensino superior federal. 

De acordo com a psicóloga Gabriela Quartiero, integrante do setor, os serviços oferecidos vão desde o primeiro acolhimento psicossocial até orientação jurídica. Contam também com a parceria do Transcender – único ambulatório trans do interior do estado. O jornalista Wellington Hack pontua: “Também atuamos para que os estudantes em transição dos outros campi possam solicitar o atendimento online e ter encaminhamento ao ambulatório”.

O espaço não tem atendimento psicossocial individual contínuo, mas disponibiliza encontros semanais, como o grupo terapêutico “Transição na Universidade”. Além de participar ativamente de eventos anuais, como a Parada do Orgulho e o Viva o 55BET Pro, cerca de 13 projetos de ação e extensão são financiados pela Casa Verônica, com temática voltada para questões sociais que abrangem gênero, sexualidade e enfrentamento de violências. 

Em 2024, a UFSM reservou 71 vagas suplementares distribuídas entre 54 cursos de graduação, destinados para pessoas transgêneras, travestis e não-binárias. De acordo com a Coordenadoria de Oferta e Relacionamento (COFRE), de todas as vagas, apenas cinco foram preenchidas.

A acadêmica de Educação Física e vanguarda do movimento trans em Santa Maria, Ísis Gomes, afirma que os apoios na UFSM são uma conquista coletiva, mas permanecer na graduação ainda é um desafio. “A conquista pela cota trans é uma vitória, 54 dos 136 cursos é pouco. No edital, por exemplo, não fomos contemplados com cota em Medicina. Uma pessoa trans não pode ser médica?”, questiona Isis sobre as questões de equiparidade de ofertas.

No Processo Seletivo de Pessoas Transgêneros, conforme o Edital Nº 127/2023, as vagas são adicionais e não comprometem a oferta regular da UFSM. Para o curso aderir ao processo, é necessário que o Colegiado, por meio de votação, aceite a demanda.                                                                                                            Em janeiro deste ano, a Universidade divulgou a lista de egressos com os nomes de batismo, os popularmente chamados ‘nomes mortos’, o que desencadeou violações e constrangimentos.  

A situação gerou discussões entre as comunidades acadêmica e administrativa. O calouro de Jornalismo, Darlan Lemes, relata que a exposição do nome morto causou desconfortos e sentimento de invalidação. “É uma violação, agride o psicológico de pessoas trans e retrai todos os direitos que nossa comunidade já conquistou”, afirma. Apesar de já ter os documentos oficiais retificados, direito garantido no Brasil desde 2016, o estudante comenta que ainda não conseguiu inserir o nome social no sistema administrativo da UFSM, apesar desta garantia ser assegurada desde 2015.

A assistente social da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), Ângela Sousa, lamenta e se manifesta com o ocorrido. Para ela, a universidade tem uma estrutura eurocêntrica histórica, o que implica em resistência na implementação de políticas inclusivas. Mas Ângela afirma que colocar a culpa somente no sistema de registro da UFSM é ignorar um erro que é cultural e estrutural.

O acesso à universidade pública é uma conquista para as pessoas trans e travestis no país. Mesmo que o processo em busca da equidade social seja lento, o ingresso já é uma realidade. “Acima de tudo acreditamos na educação, sabemos que essas violências estão acontecendo e tentamos o máximo mostrar para as pessoa o seu direito por meio da educação” pontua Gabriela Quartiero. 

Ilustração: Pedro Pagnossin

Panorama

O cenário de inclusão na educação é desafiador: no ano de 2018, 0,2% dos estudantes matriculados no ensino superior no Brasil se identificavam como transgêneros, segundo o relatório da  Associação de Travestis e Transexuais (ANTRA). 82% das pessoas abandonaram os estudos ainda na educação básica. Apenas 10% integram o mercado de trabalho.

No Brasil, a expectativa de vida de pessoas trans é de até 35 anos de idade. O país lidera o ranking dos que mais matam essa população no mundo . Os esforços pela permanência e formação na universidade não são apenas a garantia do direito à educação, mas também uma forma de construir um futuro digno e com perspectiva de direitos.

Reportagem: Ana Bacovis

Contato: bacovis.ana@acad.55bet-pro.com

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29ª Edição – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2024/07/25/a-escolha-de-se-doar-a-ciencia Thu, 25 Jul 2024 20:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3915

Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:

A morte não é um medo da enfermeira Martha Azevedo. Com 32 anos, ela comunicou à família o destino que deseja para seu corpo: a doação aos laboratórios e salas de aula do Departamento de Morfologia da UFSM. A profissional de saúde é uma das 54 inscritas no Programa de Doação Voluntária de Corpos, que registra um crescimento de 40% após a pandemia.

No Brasil, há 39 programas semelhantes. O Rio Grande do Sul concentra uma em cada quatro iniciativas no país. São dez espalhadas pelo Estado. A UFSM tem o quinto programa de doação mais antigo do Estado. Criada em 2016 para estudos e pesquisas, a iniciativa auxilia na formação acadêmica de mais de mil alunos por ano. Desde a fundação do projeto, 11 corpos foram doados e 54 intenções foram formalizadas.

Comunicar em vida o desejo de doar o próprio corpo é uma prática assegurada por lei desde 2002. O texto diz, no artigo 14, que “É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte”. Martha fala que o desejo de ser doadora surgiu durante a graduação em enfermagem, há seis anos: “Ter contato com um corpo foi essencial para minha formação. Fiquei pensando em uma forma de retribuir o gesto de quem já se foi, e também poder ajudar outros alunos assim como eu”, contou a enfermeira.

Crescimento de doadores

Fotografia horizontal, colorida, de metade de um crânio humano, de resina, da cor amarela. No lado esquerdo da imagem aparece parte da cavidade do nariz, um dos olhos e metade dos dentes. O fundo está desfocado e retrata uma sala de aula, com mesas e cadeiras brancas. Há um corpo deitado sobre uma das mesas, coberto por um tecido azul. Na parede branca existe um quadro verde-escuro fixado.
Crânio humano | Foto: Francine Castro

As intenções de doação cresceram na UFSM até 2019, mas foram prejudicadas com o início dos casos de Covid-19. Em 2020, o programa não recebeu nenhuma declaração. No entanto, o número aumentou depois de 2021 e chegou a sete em 2023, uma alta de 40% com o fim da pandemia. No primeiro semestre deste ano, o departamento recebeu cinco documentos.

Mais da metade das pessoas que manifestam formalmente a vontade têm idade superior a 40 anos e cerca de 60% são mulheres. No entanto, não há um perfil socioeconômico definido dos doadores, como informa o professor Carlos Eduardo Seyfert, coordenador do programa. “Tivemos, por exemplo, pessoas que são gratas à ciência, por serem curadas de câncer ou doença rara. Outros simplesmente querem encontrar uma forma de continuar sendo úteis após a morte”, afirmou.

A terapeuta Marisa Zuse, 54, é outro exemplo. Ela já comunicou à família sobre o desejo de destinar seu corpo à ciência. Residente em Santa Maria, tomou a decisão após um encontro com familiares, quando um estudante de Medicina comentou sobre os programas que existiam. “Na mesma hora já decidi. Posso contribuir de alguma forma. Quero ser útil”, completou. 

Gráfico de colunas verticais na cor amarelo-mostarda, mostra que em 2020 não houve doações. Em 2021 tiveram quatro. Em 2022, cinco. No ano de 2023, sete doações e em 2024, cinco. O fundo é branco.
Fonte: Departamento de Morfologia da UFSM

O que é feito com os corpos?

Os corpos que chegam no Departamento de Morfologia do 55BET Pro de Santa Maria passam por um processo de fixação. A etapa inclui formol ou salmoura para evitar a decomposição. Cerca de seis meses após a aplicação do produto, o corpo poderá ser usado. 

Os materiais são utilizados em aulas de anatomia humana, como informa o chefe do Departamento de Morfologia da UFSM, professor João Cezar Dias. Ele destaca a importância do contato direto com corpos humanos reais, que proporcionam a compreensão detalhada – algo que modelos anatômicos não conseguem replicar.”Todos os cursos da saúde têm disciplinas de anatomia, às vezes mais de uma, inclusive. Nosso respeito é total, com todo corpo sobre a bancada. Mantemos a ética com quem está ali nos ajudando”, afirmou João Cezar.

Como ser um doador?

Qualquer pessoa maior de 18 anos pode doar o corpo para fins acadêmicos e científicos. A única excessão é que não são aceitos corpos em caso de morte violenta, ou seja: decorrente de acidentes de qualquer natureza, homicídio ou suicídio. Isso porque os corpos devem ser submetidos à necropsia e, conforme necessidade da investigação, devem estar à disposição para exumação.

A declaração de doação de órgãos e restos mortais é feita com base em um modelo disponível no site da universidade (acesse aqui o documento). Para reconhecimento é preciso procurar um cartório ou realizar a assinatura digital por meio do cadastro online no Gov.br (acesse o serviço aqui). O professor orienta que pelo menos uma pessoa  – de preferência familiar – assine como testemunha, pois apesar de declarar o desejo em vida, a família é superior na decisão da destinação do corpo após a morte. O documento deve ser preenchido em três vias: uma é entregue diretamente no Departamento de Morfologia da UFSM e as outras duas ficam com o doador e a família. No caso do indivíduo manifestar interesse para a família em destinar o corpo para a universidade, mas não formalizar o desejo, a família pode optar por destinar mesmo assim.

Depois do falecimento, a família deve fazer contato com a Universidade para informar o óbito. É permitido que o corpo seja velado antes de ser encaminhado ao Departamento. A decisão cabe à família, que também arca com o custo do transporte entre a funerária e a UFSM.  Participar do programa não exclui a possibilidade de doar órgãos para transplante e é possível doar apenas partes do corpo.

Reportagem: Francine Castro e Tayline Manganeli

Contato: francine.castro@acad.55bet-pro.com/tayline.alves@acad.55bet-pro.com

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29ª Edição – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2024/07/24/mulheres-buscam-visibilidade Wed, 24 Jul 2024 20:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3882

Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:

Cólicas, menstruação, gestação, puerpério e climatério. Essas são palavras que caracterizam aspectos da saúde da mulher e que compõem um cenário desafiador para a conscientização social. De caráter multiprofissional e interdisciplinar, a Liga Acadêmica de Saúde da Mulher (LIASM) da UFSM capacita profissionais e contribui para a conscientização da comunidade a respeito das necessidades e especificidades do corpo feminino. As atividades são desenvolvidas através do ensino, pesquisa e extensão.

Durante a vida, o olhar para a saúde feminina é tímido e ineficaz. Nos ambientes de ensino, a saúde sexual ainda é pouco abordada e as visitas a alguns profissionais da área podem ser frustrantes e pouco humanizadas. Também coordenadora da Liga, a professora Luciane Sanchotene, explica que a atuação mediadora com as participantes dos projetos é também um espaço para debate. “Falar sobre a saúde da mulher ainda é um processo lento. Algumas têm vergonha de perguntar ao ginecologista sobre o que acontece com o seu corpo”, exemplifica. Durante as reuniões de grupo, participantes relatam o frequente descaso de profissionais da saúde feminina com as pacientes, o que dificulta o processo de autoconhecimento.

Diante da necessidade de abordar o tema para a população de Santa Maria, o projeto foi criado em 2020 pelo curso de Fisioterapia da UFSM e atualmente conta com 44 ligantes. Por meio de divulgação nas plataformas digitais, as ações se expandiram. Desde o começo, a Liga já apresentava um caráter interdisciplinar e multiprofissional e contou com “ligantes” de outras instituições, como da Universidade Federal de Cariri (UFCA) localizada no Ceará.

A LIASM promove aulas, palestras, seminários e jornadas, de formas presenciais e remotas, para oferecer maior embasamento teórico-prático sobre a saúde da mulher. De maneira instrutiva e humanizada, há integração de conhecimentos sobre diversas áreas e suas formas de abordar o assunto. Os projetos de extensão promovidos pelo grupo são: o Projeto Blitz da Saúde – Educação Sexual que tem parceria com o Núcleo de Estudos em Medidas e Avaliação dos Exercícios Físicos e Saúde (NEMAEFS), e oferta a educação sexual em escolas e instituições de Santa Maria e região, por meio da desmistificação de tabus. 

O Projeto de Gestantes – que tem parceria com o Pró-Saúde-, estimula a educação em saúde e exercícios físicos para este público de forma gratuita e o Projeto TPM, que trabalha a educação menstrual e distribui produtos de higiene íntima e menstrual para pessoas em situação de vulnerabilidade. A arrecadação de produtos como absorventes e sabonetes íntimos acontece durante todo o ano em eventos e reuniões divulgadas nas redes sociais da Liga, para serem distribuídos. Em 2024, as coordenadoras da Liga direcionaram o material arrecadado para a população atingida pelas chuvas no Rio Grande do Sul. 

Hoje coorientadora da LIASM, Ivana Camargo Braga é graduada em Fisioterapia pela UFSM e foi uma das fundadoras da iniciativa. Ela relata que hoje tem uma relação melhor com o corpo e a saúde, pois teve a oportunidade de desenvolver conhecimentos através da Liga. “Aprendi a entender melhor o meu corpo e, com isso, pude ajudar outras mulheres a se entenderem também”, conta. Naturalizar as características e as necessidades do corpo feminino é um dos desafios abordados nos projetos. Ivana acredita que quanto mais o assunto for abordado, mais o debate será normalizado.

Quem tem interesse em fazer parte da LIASM pode se inscrever em um edital específico, publicado, uma vez ao ano, no site da UFSM. Se a inscrição for aceita, deverá participar do processo seletivo. Para participar dos projetos de extensão, o contato pode ser feito diretamente no perfil do instagram @liasm.

A imagem é uma ilustração vertical nas cores ciano, verde marinho, laranja fechado e laranja aberto. O desenho é composto por sete corpos de mulheres, dispostos de maneira fluída e sobrepostas na vertical. As silhuetas das personagens se mesclam de maneira orgânica uma sobre a outra, o cabelo de uma é ao mesmo tempo o perfil de outra e todas formam uma unidade dando a impressão de que estão todas juntas.
Corpos femininos I Ilustração: Pedro Pagnossin

Projeto Blitz da Saúde

O Projeto Blitz da Saúde oferta a Educação Sexual em escolas e instituições de Santa Maria e região, por meio da desmistificação de tabus. O projeto tem parceria com o Núcleo de Estudos em Medidas e Avaliação dos Exercícios Físicos e Saúde (NEMAEFS).

Com a intenção de ampliar o conhecimento de crianças e adolescentes sobre seus corpos e suas sexualidades, o Blitz realiza atividades para proporcionar instrução às crianças e adolescentes sobre sexualidade, métodos contraceptivos e proteção contra ISTs.

O Projeto Blitz da Saúde na Escola tem sua origem no Projeto Proação, desde 2017 e ações de educação sexual para jovens, tutores e professores, foram incluídas ao projeto em 2022. Informações sobre proteção e contraceptivos, são os principais focos do projeto, além do debate sobre os limites e o respeito sobre o seu corpo e o corpo do outro.

O grupo promove em suas palestras a importância de manifestar o “não” durante momentos de desconforto e a compreenderem situações em que uma ação levada apenas pela pressão, desconsiderando os limites do próprio corpo, pode ser perigosa para todos.

A equipe evidencia que a proposta é fazer com que a juventude se conscientize a respeito dos riscos, consequências e precauções atreladas à saúde sexual.

A produção de folders e cartilhas expositivas sobre o tema também fazem parte da divulgação do projeto, como forma de torná-lo acessível para um maior número de pessoas.

Instagram do projeto: @blitz.educacaosexual

E-mail do projeto: blitzdasaudees.ufsm@gmail.com.

Educação em Saúde e Exercícios Físicos para Gestantes

O Projeto de Gestantes, que tem parceria com o Pró-Saúde, estimula a educação em saúde e exercícios físicos para gestantes gratuitamente. Esse é um projeto de extensão desenvolvido dentro da Liga que avalia e orienta as gestantes que desejam praticar exercícios físicos planejados para cada necessidade especial. Todas as atividades realizadas dentro do programa são planejadas por profissionais e acadêmicos

da área da saúde que podem instruir de maneira correta os exercícios. Entre as especialidades estão Educação Física, Enfermagem, Nutrição, Medicina, Terapia Ocupacional e Fisioterapia. As modalidades ofertadas são: caminhada, corrida, treinamento funcional, alongamento, pilates, musculação e circuito de emagrecimento.

 Os critérios exigidos para que as gestantes possam participar do projeto são:

– Não apresentar fator de risco individual;

– Gestantes a partir da 14° semana de gestação;

– Gestantes que estejam realizando o pré-natal;

– Apresentar liberação médica para a prática dos exercícios;

 

Instagram do projeto: @gestantesprosaude

Reportagem: Giovana Costa Chaves e Luísa Soccal

Contato: giovana.chaves@acad.55bet-pro.com/luisa.soccal@acad.55bet-pro.com

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29ª Edição – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2024/07/23/preservar-para-existir Tue, 23 Jul 2024 20:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3921

Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:

Ilustração horizontal e colorida da UFSM estilizada em miniatura nas cores turquesa e laranja. O estilo geral é plano e simplificado, com cores sólidas e contornos nítidos. Há uma mão de cor laranja no canto superior esquerdo, que coloca uma peça de árvore na maquete. Várias árvores laranjas com bases verdes circulares estão espalhadas ao longo de um rio laranja que serpenteia pelo centro horizontal da imagem. No rio, há um barco de papel azul. Na esquerda da imagem e ao lado do rio, há uma placa de Área de Preservação Permanente - APP. Do outro lado do rio e na direita da imagem, está o Planetário da UFSM com teto preto e estrutura azul. No plano de fundo, há uma ponte preta que se estende horizontalmente. O fundo é azul.
Maquete da UFSM | Ilustração: Pedro Pagnossin

Ao atravessar o Arco da UFSM, também se cruza a sanga Lagoão do Ouro. Próximo ao CTISM e à Unidade de Educação Infantil Ipê Amarelo, o córrego está em um local de grande circulação humana e animal. O Lagoão, com nascente no Residencial Novo Horizonte, é uma extensão do rio Vacacaí-Mirim e percorre o núcleo habitacional Fernando Ferrari, as vilas Santos Dumont, Santa Tereza e Assunção. O terreno em torno do córrego é delimitado como uma Área de Preservação Permanente (APP), mas, ao mesmo tempo, apresenta sinais de poluição. Para recuperar áreas como essa, foi criado o “Projeto de Proteção e Revestimento Vegetal”.  

A iniciativa é da Pró-reitoria de Infraestrutura (Proinfra) em parceria com o Laboratório de Engenharia Natural (LabEN), com coordenação da engenheira biofísica    e pesquisadora de pós-doutorado, Rita Sousa. A proposta é um exemplo do uso da engenharia natural  para a reconstituição de APPs. Essa modalidade se difere da engenharia civil por ter benefícios ecológicos e sociais para a fauna e a flora, como a regulação da temperatura ambiental. “O uso de plantas tem funções técnicas, como alta filtragem, que não são atendidas pela engenharia civil. Dependendo das exigências de cada local, a engenharia natural é o melhor caminho”, afirma a engenheira biofísica.

Para Rita, o conceito de engenharia natural remete a um conjunto de técnicas que utilizam elementos da própria natureza a fim de proporcionar estabilidade na área em que é aplicada. Nessa modalidade, o uso de plantas, madeira, pedras e outros materiais inorgânicos são importantes devido às suas funcionalidades ecológicas. A engenharia natural tem sido utilizada em diversas partes do mundo como uma alternativa para amenizar os impactos da degradação ambiental.

A sanga Lagoão do Ouro foi escolhida como área pioneira para aplicação do projeto, criado em 2022, devido ao alto nível de erosão no local. Rita argumenta que o objetivo é diminuir a incidência de desgaste das margens do córrego, com a  introdução de espécies de plantas nativas da região, “A erosão está progredindo rapidamente nos dois lados da área. Achamos que era um ponto importante para aplicar o projeto já que há grande circulação de pessoas”, conta Rita. Já foram feitos estudos sobre a água, solo e relevo da região, e agora a iniciativa está na fase de contratação da execução.

Legislação das APPs

O Código Florestal Brasileiro, criado em 2012, define que as APPs são locais protegidos e voltados à conservação do ecossistema. Essa legislação tem especificações para zonas urbanas e rurais. O Artigo 4° impõe o estabelecimento de margens, com metragens específicas, ao redor de cursos d’água, conforme sua largura. Em áreas urbanas, por exemplo, as margens devem ter 30 metros, e em regiões rurais, 100 metros – exceto para corpos d’água com até 20 hectares de superfície, o que equivale a aproximadamente 20 campos de futebol.

Em 2020, a UFSM recebeu a Licença de Operação, emitida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). A coordenadora do Setor de Planejamento Ambiental e Urbano da Proinfra, Nicolli Reck, explica que após receber o documento, a Universidade passou a monitorar as APPs. “A partir de então, a nossa prioridade é recuperar todos os locais de preservação do 55BET Pro”, pontua.

Conforme dados da Proinfra, na UFSM, aproximadamente 16% da extensão territorial total são de APPs e 144,9 desses hectares possuem necessidade de recomposição. O pró-reitor de Infraestrutura, Mauri Lobler, explica que o setor mapeia o terreno da UFSM e elabora estratégias de restabelecimento dessas áreas. “Elaboramos um plano de recuperação, com o plantio de árvores e projetos de revestimento vegetal”, acrescenta.

Resiliência nas correntezas

Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou a maior catástrofe climática da sua história. Conforme dados da Defesa Civil, 95% das cidades do estado foram afetadas por alagamentos, deslizamentos de terra, quedas de energia e falta de água potável.

Devido ao grande volume de chuvas, nos primeiros dias do evento climático extremo, a Prefeitura de Santa Maria registrou pontos de alagamento causados pelo aumento do nível da água do Rio Vacacaí-Mirim, próximos ao Lagoão. Os alertas de evacuação foram emitidos nos bairros João Goulart, Km 3 e Campestre do Menino Deus, na região leste do município.

As Áreas de Preservação Permanente (APP) contribuem ativamente para reduzir os riscos de enchentes. Rita exemplifica como uma área preservada se comporta ao receber grandes quantidades de água: “Em um muro de concreto, há pouca permeabilidade e maior risco de transbordar. Já em uma área com vegetação, a água tem menor velocidade e a infiltração ocorre de forma mais eficiente”.

As APPs não agem sozinhas: a combinação de estratégias estruturais e medidas de categorização, manutenção e recuperação de áreas naturais amenizam os riscos de enchentes. A engenheira ainda ressalta que o projeto será um dos pilares para a reconstituição das APPs no 55BET Pro, o que vai permitir que elas diminuam os riscos de enchentes.

Durante o período de calamidade, a UFSM promoveu uma série de ações para dar suporte à comunidade atingida. Dentre as iniciativas, houve mutirão para produção de alimentos, recolhimento de doações, recuperação de eletrodomésticos, auxílio na construção de abrigos emergenciais, assistência psicológica, entre outras ações, registradas no site da Universidade.

Reportagem: João Victor Souza e Pedro David Pagnossin

Contato: victor.souza@acad.55bet-pro.com/pedro.moro@acad.55bet-pro.com

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