Editoria – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt Revista Fri, 26 Aug 2022 21:09:21 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Editoria – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt 32 32 Editoria – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2022/08/26/voleibol-retoma-as-atividades-na-ufsm%ef%bf%bc Fri, 26 Aug 2022 21:09:19 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3690 Voltar a sentir o toque da bola, a emoção de estar dentro de quadra e traçar novos objetivos, são alguns dos sentimentos que marcaram a retomada das atividades da equipe masculina e feminina de voleibol da Universidade.  Com as práticas suspensas desde março de 2020, em razão da Pandemia de Covid-19, os times retomaram os treinos em março de 2022, logo no início do semestre acadêmico. 

Foto em sentido horizontal, colorida, com uma bola de voleibol  em destaque, dentro de uma quadra esportiva. A bola tem cores amarelo e azul. Ao fundo, com uma imagem desfocada, está a quadra de vôlei na cor laranja e as extremidades na cor azul, a rede de vôlei transparente com bordas brancas e oito atletas, todas mulheres que estão em pé, dos dois lados da quadra. 
Na lateral esquerda da imagem, um homem, com roupas pretas e uma touca amarela, em cima de um caixote marrom e segura uma bola de vôlei próxima a rede. Ao fundo o teto com estrutura de metal escura e iluminação em 19 lâmpadas circulares.

O comandante da equipe feminina e professor do Centro de Educação Física (CEFD), Lorenzo Laporta, salienta que após um período conturbado como foi a pandemia, poder voltar às atividades têm sido muito gratificante. Além de trabalharem aspectos técnicos e táticos que são extremamente necessários dentro de quadra, o coletivo e o social se tornam muito importantes nesse momento, pois os times voltam a estarem juntos. 

Apesar do tempo fora das quadras e com times reformulados, ambos têm conseguido evoluir muito bem e trazer bons resultados para a Universidade. Nos dias 11 e 12 de Junho, na cidade de Novo Hamburgo, os grupos disputaram os Jogos Universitários Gaúchos (JUG’s). A equipe masculina conquistou o vice-campeonato e a feminina ficou em 4º lugar. 

Foto em sentido horizontal, colorida, em plano geral aberto, dentro de um ginásio, bem iluminado, onde aparece uma quadra de voleibol nas cores laranja e as extremidades na cor azul, a rede de vôlei transparente com bordas brancas e oito atletas, todos homens que estão em pé dos dois lados da quadra. 
Ao fundo o teto com estrutura de metal escura e iluminação em 21 lâmpadas circulares.

O estudante de Educação Física e responsável técnico da equipe masculina, Lucian Carvalho, relata com expectativa os próximos objetivos para 2022: “Temos como meta a participação e conquista do Campeonato Citadino da cidade, além de buscar competições de um nível próximo ao do JUG’s, para nos prepararmos para o ano que vem e irmos com tudo. Os guris estão preparados e motivados para isso.” 

A troca de experiências que o esporte proporciona sempre vem a somar na vida dos esportistas. Estudante do último semestre de Educação Física, o atleta da equipe masculina, Gabriel Endler, este ano teve a oportunidade de representar a Universidade nos Jogos Universitários Brasileiros de Praia (JUB’s), que ocorreram no  estado do Ceará, pela modalidade de vôlei de praia. 

Gabriel explica que o voleibol trouxe e continua trazendo momentos que são importantes, tanto para o seu crescimento pessoal quanto profissional. “O JUB’s foi meu primeiro campeonato pós-pandemia e foi muito emocionante poder voltar a competir. Mas, além disso, no JUB’s eu pude visualizar e me atentar para coisas que antes, como atleta, eu não dava atenção e que agora, com outro olhar, são coisas que serão extremamente necessárias para a minha vida profissional.”

Foto em sentido horizontal, colorida, dentro de uma quadra esportiva. Em destaque estão duas atletas em movimento que executam o bloqueio. A atleta da direita tem pele clara, cabelos presos e veste um casaco cinza, shorts azul marinho, joelheiras brancas que estão na altura dos tornozelos e calça um tênis na cor branca. A atleta da esquerda tem pele clara, cabelos presos e veste uma camisa vermelha, shorts preto, joelheira preta e calça um tênis na cor nude. 
A quadra de vôlei tem a cor laranja e as extremidades na cor azul, a rede de vôlei é transparente com bordas brancas e sete atletas, todas mulheres que estão em pé, dos dois lados da quadra. 
Na lateral esquerda da imagem, um homem, com roupas pretas e uma touca amarela, em cima de um caixote marrom e segura uma bola de vôlei próxima a rede.

O apoio da família 

O incentivo da família é significativo para os atletas. Motivar e apoiar são os principais pilares para conseguir construir um bom desempenho. A professora municipal de Educação Infantil e mãe de atleta, Clarice Kober, explica a importância do apoio da família: “Competições exigem treinamento e responsabilidade na participação e a família, por sua vez, tem papel fundamental nessa questão, tratando sobre esses aspectos com leveza e naturalidade”. 

Motivados e participando assiduamente dos treinamentos, atletas e comissão técnica estão animados com o retorno. A evolução dentro de quadra é um processo contínuo. A cada dia eles aprimoram suas habilidades, atingem seus objetivos e começam a almejar novos, principalmente quando se trata de um esporte coletivo como o voleibol, onde o grupo  se esforça e trabalha como um todo. As equipes seguem com treinos em ritmo intenso e com muitas expectativas para as próximas competições que estão por vir. 

Foto em sentido horizontal, colorida, com um círculo formado pelas atletas e comissão técnica em destaque, dentro de uma quadra esportiva. Ao fundo, está a quadra de vôlei na cor laranja e as extremidades na cor azul, a rede de vôlei transparente com bordas brancas e dez atletas, todas mulheres que estão em pé, assim como dois homens, que também estão em pé.
Foto em sentido horizontal, colorida, em plano geral aberto, dentro de um ginásio, bem iluminado, onde aparece uma quadra de voleibol nas cores laranja e as extremidades na cor azul, a rede de vôlei transparente com bordas brancas e sete atletas ao fundo da imagem e quatro na frente, todos homens que estão em pé dos dois lados da quadra. 
Ao fundo o teto com estrutura de metal escura e iluminação em 18 lâmpadas circulares.

Reportagem: Mariana Rodrigues de Souza

Fotografia: Gabriel Escobar e Julia Petenon

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Editoria – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2020/09/29/colacao-virtual Tue, 29 Sep 2020 14:02:14 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3467

As medidas sanitárias de afastamento social decretaram a necessidade de uma adaptação nas cerimônias de formatura nas universidades. Agora, o auditório é a tela do celular ou do computador. Os cumprimentos são virtuais, mas o simbolismo da ocasião e a emoção permanecem.

Desde que fora aprovada para o ingresso na Universidade Federal de Santa Maria em 2014, a estudante Fahena Martins nutria o sonho de uma formatura com toda a pompa. Não era pra menos. Fahena faz parte da Centésima turma de Medicina. Se ingressar no curso mais disputado é uma grande conquista, sonhar obter o diploma numa cerimônia rodeada de amigos, familiares, professores é algo que ajuda a manter o foco nas tarefas e desafios que se apresentam no decorrer da graduação. Entretanto, para a turma de formandos do primeiro semestre de 2020, não seria nada como eles imaginavam.

Fotografia vertical e colorida de duas mulheres de pele branca que se abraçam pela cintura. A mulher na esquerda da imagem tem pele branca, faixa etária de cerca de 20 anos e rosto redondo; tem olhos escuros e sobrancelhas grossas; tem cabelos ondulados, com comprimento abaixo do peito e na cor castanho claro com mechas na cor loiro escuro; sorri amplamente e usa batom nude; veste  toga de formatura e capelo pretos com detalhes em branco no babado ao centro da toga e nas bordas do capelo; e detalhes em verde escuro na faixa da toga na cintura e, no capelo, em detalhe em formato circular, sob um símbolo de cobra dourada; ela está com a mão na cintura. Ao lado, mulher de pele branca e faixa etária em torno de 40 anos; tem rosto redondo, olhos escuros e sobrancelhas grossas; tem cabelos lisos com leve ondulação nas pontas, comprimento no ombro e na cor castanho claro; usa batom nude e sorri amplamente; usa brincos redondos, gargantilha e colar dourados; o colar é longo tem detalhe de franjas no centro; veste casaco de tricot branco, com detalhes de pelinhos em branco e bege na parte central, sobre uma blusa branca. O fundo da imagem é uma parede branca.
Fahena Martins com sua mãe no dia da formatura em Medicina.

Colar grau é uma cerimônia cheia de simbolismos e emoções. Encerra uma etapa importante da vida de jovens e apresenta uma nova fase de desafios profissionais. Para um grupo de estudantes de Medicina fazer parte da turma de formandos número 100 parecia uma distinção única e ainda coincidia com o ano no qual a universidade completa 60 anos da sua fundação. Um vírus novo que começou a se manifestar na China no final de 2019 e depois tomaria o mundo acrescentaria um novo ingrediente à formatura desses estudantes.

Poucos meses depois, no dia 07 de maio, exatamente às 10h 12min e 26seg iniciou a transmissão da primeira formatura online da UFSM. O protocolo teve que ser antecipado e ocorreu num formato inovador. Os formandos da universidade localizada no centro do Rio Grande do Sul estão espalhados por diversas cidades do Brasil, conectados entre si pela internet. A pandemia do Covid-19 e a necessidade de disponibilizar profissionais para ajudar no combate ao coronavírus obrigou os 59 acadêmicos de medicina a anteciparem a formatura em alguns meses. O calendário previa que a formatura devesse ocorrer a partir da metade do ano, após a conclusão do semestre letivo. Para poderem colar grau antecipadamente e obedecer a convocação das autoridades sanitárias, tiveram de correr para concluir as últimas etapas da formação, incluindo aí disciplinas e estágios obrigatórios.

Na sala dos Conselhos, nono andar da Reitoria, espalhados a uma distância segura entre si, as autoridades e professores se fazem presentes à cerimônia. Cada um acompanha e se conecta por um notebook. Fahena Martins, escolhida para ser a oradora da turma e João Felipe Marafiga Brutti, juramentista são os únicos alunos a estarem neste mesmo local e vestem a tradicional toga. A mãe de Fahena lhe acompanha, mas precisa permanecer do lado de fora, vendo o desenrolar da cerimônia pela conexão do celular ou espiando pela porta de vidro da sala onde acontece a enxuta cerimônia.

Fotografia vertical e colorida de uma mulher em pé atrás de uma porta de vidro. Ela tem pele branca, cabelos claros, lisos e na altura do ombro; usa uma máscara branca e veste blusa branca e calça jeans clara; segura um celular nas mãos. Na frente da porta de vidro, duas mesas de tampo branco atrás de uma cadeira com estofado azul; a porta de vidro está ao centro, cercada por parede branca. Acima da porta, uma placa verde com a frase “Saída” e uma flecha que aponta para cima. Na parte superior da imagem, teto branco e duas lâmpadas circulares ligadas.
Mãe da formanda Fahena Martins acompanha a solenidade pelo celular do lado de fora da Sala dos Conselhos na UFSM.

O protocolo assemelha-se ao roteiro tradicional: o Reitor declara aberta a cerimônia, é executado o Hino Nacional. Logo após, o formando João Felipe Marafiga Brutti faz o juramento, ao que os colegas repetem “assim o prometo”. As vozes dos formandos que falam a frase ficam se repetindo por vários segundos, fruto dos atrasos da conexão, mas nada que atrapalhe o evento. Em seguida, um a um, em ordem alfabética, os alunos são chamados e recebem a outorga do professor Arnaldo Teixeira Rodrigues. Naquele momento cada acadêmico torna-se oficialmente médico. Alguns comemoram de forma mais ruidosa e é possível ouvir na transmissão a comemoração dos familiares que os acompanham próximos aos seus computadores.

As irmãs Kelly e Karen Vincenzi são gêmeas. Entraram no curso de Medicina, na mesma universidade, no mesmo ano e se formaram juntas. Karen recebe a diplomação e logo em seguida é a vez da sua irmã Kelly. “Estávamos na mesma sala, cada uma com seu computador, uma do lado da outra, nossos pais também estavam presentes. Foi um dia muito especial, apesar  de ter sido on-line, foi muito emocionante”, conta Karen. Atualmente, as gêmeas seguem caminhos diferentes: Karen, reside em passo Fundo e mantém foco nos estudos para as provas de residência, enquanto Kelly está trabalhando na cidade de Mormaço (RS) com Saúde Familiar e no atendimento aos pacientes com coronavírus.

Fotografia vertical e colorida de duas mulheres de pele branca e na faixa etária de 20 anos. A fotografia enquadra elas da cintura para cima. Em primeiro plano, na direita da imagem, mulher de pele branca e rosto angular; tem olhos castanhos e sobrancelhas arqueadas; cabelos lisos, na altura do ombro e na cor castanho escuro; tem boca grande e usa batom vermelho; veste blusa social de mangas compridas na cor laranja claro. Ao seu lado, na esquerda da imagem, outra mulher: ela é branca e tem rosto angular; tem olhos castanhos e sobrancelhas arqueadas; cabelos lisos, com comprimento na altura do peito e na cor castanho escuro; tem boca grande e usa batom vermelho; veste blusa social de mangas compridas na cor branca; está com o braço direito apoiado sobre uma superfície marrom, ao lado de um celular branco. O fundo da imagem é composto por uma parede verde clara e uma porta aberta com guarnição na cor marrom claro.
Karen Vincenzi (de branco) junto à irmã Kelly Vincenzi em casa no dia da formatura de ambas em Medicina pela UFSM.

Após a chamada nominal de todos novos médicos, é a vez de Fahena fazer seu discurso. Fahena, 24 anos, natural de Santa Cruz do Sul, é a oradora da turma. Ela resume bem o momento que passam: “Não é nada do que nós planejamos. É um momento histórico, assustador e de muita tristeza. E é exatamente por isso que estamos nos formando hoje” diz a jovem médica em sua fala transmitida para um público de 3 mil pessoas. Seus colegas concordam com a cabeça e aplaudem ao final. Ainda antes da formatura, Fahena já fazia estágio no atendimento aos casos suspeitos de Covid-19. Após graduar-se, voltou a residir em Santa Cruz do Sul onde foi contratada para atender no Programa Saúde da Família. O namorado de Fahena, o médico Francisco de Sousa Rio, também colou grau no mesma cerimônia que ela e é mais um que partiu para o mercado de trabalho: atua meio período diretamente no combate ao coronavírus e meio período presta assistência na área da Saúde da Família no município de Venâncio Aires. Há vagas e muita demanda por profissionais nestas áreas e a pandemia imprimiu maior urgência à chegada ao mercado. A centésima turma de medicina da UFSM ajuda a suprir essa necessidade.

Incertezas do “novo normal”

Com a interrupção das atividades presenciais e a proibição de realizar eventos com aglomeração, a formatura à distância através da internet tornou-se a única possibilidade. Outros cursos da UFSM repetiram pela internet o cerimonial inaugurado pela centésima turma da Medicina: Enfermagem, Ciências Contábeis, Agronomia, Técnico em Zootecnia do Colégio Politécnico e, em Frederico Westphalen houve uma cerimônia de colação de grau conjunta que reuniu mais de um curso. Recentemente, também houve formatura pela internet para os cursos de Pedagogia e Medicina Veterinária. A alteração no calendário acadêmico deixa uma expectativa de que a partir de outubro os outros cursos adotem a mesma modalidade. Enquanto durar a adoção dos protocolos sanitários e medidas de segurança coletivas estão proibidas a realização de eventos presenciais como as formaturas. Apenas é possível realizá-las na modalidade videoconferência ou de gabinete com a presença de no máximo dois formandos, conforme explica Instrução Normativa 05/2020 da Pró-Reitoria de Graduação da UFSM. 

A indefinição de datas e de protocolos sanitários implica que os estudantes tenham que tomar decisões importantes. Uma formatura é normalmente um processo programado durante muito tempo e pode envolver agendamento de serviços e fornecedores como produtoras, fotógrafos, restaurantes, entre outros aspectos. A estudante de jornalismo Laura Coelho de Almeida é integrante da comissão de formatura do curso de Jornalismo. Ela ingressou na UFSM em 2017 e deverá se formar  ao final do segundo semestre de 2020. Laura conta que a turma vinha acompanhando com ansiedade o andamento da pandemia e dos protocolos sanitários na esperança de ainda conseguirem fazer uma formatura no formato tradicional. Mas a perspectiva não é muito animadora a medida que o tempo passa. Assim, os formandos tiveram que realizar uma negociação com a produtora que iria fazer os convites, quadros, fotos de pré-formatura e cobertura da colação de grau e alteraram o pacote de fotografias para uma modalidade que contempla apenas fotos pré-formatura, excluindo o pacote de cobertura da cerimônia.

Pensando na realização do sonho de ter uma formatura presencial tradicional, Laura revela que alguns colegas até manifestaram a possibilidade de atrasarem sua formatura por mais um semestre, mas a própria indefinição do que aconteceria mais pra frente e, claro, as perspectivas de ingressarem no mercado de trabalho ou continuar os estudos na pós-graduação parecem ter demovido essa ideia de todos. “Essa é a grande tristeza de todos os formandos. Todos queriam a formatura tradicional e agora não vai ser possível. A gente passa 4 anos esperando por esse momento e quando chega a nossa vez não tem como acontecer, mas é uma coisa que já estou conformada. O importante é concluir a graduação”, completa Laura.

As indefinições que obrigaram a alterar as formaturas para o modelo de videoconferência não são só frustrações. A modalidade online permitiu ampliar o público que assiste à cerimônia. O Centro de Convenções da UFSM, local onde ocorreria a formatura, possui lotação máxima de 1200 pessoas. Na colação de grau da Medicina, muito mais pessoas acompanharam o evento, foram mais de 3 mil espectadores e a cerimônia ainda fica disponível no site Farol da UFSM para quem quiser assistir posteriormente. Um mural permitia a interação virtual do público que mandava mensagens de felicitações. Fahena, a oradora da turma conta que suas amigas organizaram uma live entre elas para acompanhar o evento e que seus familiares, que moram em outros estados, puderam acompanhar a cerimônia. Se fosse presencial, ela relata que muitos não poderiam comparecer. 

Daqueles que concluem um curso no ensino superior, muito antes de imaginar que saiam dominando todos os conteúdos da área, espera-se capacidade de adaptação e vontade de seguir aprendendo e de vencer os desafios da carreira. A pandemia ocasionada pelo Covid-19 colocou à prova a Universidade e seus alunos. Aquilo que é planejado, muitas vezes simplesmente não acontece por um motivo alheio. Foi assim que a formatura por videoconferência roubou o lugar daquilo que Fahena imaginava. No entanto, a exigência de se adaptar e contornar as dificuldades sempre serve de lição: “penso que nós profissionais devemos estar prontos. Eu acho que a pandemia veio para trazer a saúde em voga de novo, que a gente tem que se cuidar. Como ser humano, nós somos frágeis” finaliza a médica.

Reportagem: Rafael Happke

Fotografias: arquivos pessoais e reprodução do site Farol-UFSM

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Editoria – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2020/09/29/o-intercambio-vivido-em-pandemia Tue, 29 Sep 2020 13:59:48 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3466

As oportunidades proporcionadas por intercâmbios de estudo são diversas, desde a experiência com outro idioma, a convivência em outros contextos culturais e diferentes visões e experiências profissionais relacionadas a área de estudo de cada intercambista. Muitos estudantes sonham com essa oportunidade que envolve alguns meses para decidir, planejar e conversar com familiares e amigos. O processo pré-intercâmbio foi assim com a aluna de Jornalismo Katiana Campeol. Com o auxílio de professores e amigos, o destino escolhido foi a Universidade da Beira Interior, na cidade de Covilhã, no norte de Portugal. No início de fevereiro ela desembarcou para um intercâmbio de seis meses. 

Entretanto, algumas semanas depois as notícias sobre um novo vírus começavam a vir da China e apenas 45 dias depois de sua chegada, Katiana embarcava de volta ao Brasil. Ela deixou parte de seus sonhos na Europa: “meus objetivos eram conhecer uma visão diferente sobre alguns conceitos de comunicação que eu gostaria de estudar e também uma forma de crescimento pessoal, com novos desafios”.

Fotografia horizontal e colorida de uma mulher jovem de pele branca na faixa etária de 20 anos, que sorri amplamente. Ela está enquadrada da cintura para cima; tem pele branca, olhos claros, cabelos ondulados, com comprimento na altura do peito e na cor ruiva; os cabelos estão jogados para o lado direito da mulher. Veste um xale na cor rosa bebê sobre blusa preta.  Está em pé, sobre uma calçada cinza e ao lado de uma rodovia. Ao fundo, uma passarela liga dois prédios, com destaque para o prédio à esquerda da imagem; a passarela e o prédio tem a estrutura em tons de bege e detalhes de janelas e telhado em tons de marrom avermelhado. No centro da passarela, em azul, a logomarca da “Universidade Beira Interior”, texto que está ao lado da logomarca. O fundo superior da imagem é o céu em tons nublados.
A estudante de Jornalismo Katiana em frente a universidade que a acolheu em Portugal.

De acordo com a SAI (Secretaria de Apoio Internacional) assim como Katiana, outros 51 alunos da UFSM se encontravam em Intercâmbios de estudos quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou a pandemia do novo coronavírus. Em meio a diversas incertezas e até mesmo medos, muitos alunos conseguiram regressar ao Brasil antes de as fronteiras serem fechadas, outros, de acordo com a SAI, receberam orientações para buscar a embaixada brasileira mais próxima, mas optaram por permanecer no país em que estavam. 

Além de enviar muitos alunos, a UFSM também recebe estudantes de diversas instituições estrangeiras para programas de intercâmbio no Rio Grande do Sul. Ainda segundo a SAI, 16 alunos se encontravam no Brasil quando declarada a pandemia, destes, 8 voltaram para seus países de origem, mas, houve quem preferisse ficar. A uruguaia Rocío Vairo veio para o Brasil em março cursar um semestre de Design Gráfico na UFSM, segundo ela “ pensamos nas opções de voltar para meu país, mas eu prefiro ficar aqui ainda. Como Uruguai é um país perto, não tenho problema, a fronteira agora ta aberta.”

Fotografia vertical e colorida de uma mulher jovem, na faixa etária dos 20 anos, que sorri amplamente. Ela está em pé no centro inferior direito da imagem, com enquadramento dos joelhos para cima, e em direção à esquerda da imagem. Tem pele branca,  cabelos ondulados, com comprimento na altura do ombro e na cor loiro. Veste camiseta azul marinho com gola “v” e short jeans claro. Usa um colar estilo “shoker”, com detalhe de pedra verde no centro. Na mão direita, usa uma pulseira preta. Tem uma tatuagem em tons de verde e preto no braço esquerdo. Segura duas bolas de malabares, uma vermelha e outra branca, cada uma em uma mão; os braços estão dobrados para frente. O fundo da imagem é uma parede branca.
A estudante de Design Gráfico Rocío ainda permanece no Brasil.

A adaptação a um novo país é sempre um processo complicado, no caso da Katiana, ainda houve a facilitação do idioma, mas outros desafios ainda existiram: “Os primeiros dias foram os mais difíceis, estando sozinha em um lugar completamente diferente, mas me adaptei facilmente, principalmente porque eu morava com outras meninas, também brasileiras.”

A recepção das primeiras notícias 

Assim como no caso da Katiana, Rocío afirma que a amizade entre intercambistas foi um fator muito importante para lidar com a situação: “tivemos muito medo, eu ainda tenho. Foi difícil, e muito triste, todas as emoções juntas. Mas nós nos ajudamos, então ninguém esteve sozinho, sempre falamos, e tentamos ficar todos juntos”.

Já a estudante brasileira em Portugal, conta que ela e outros intercambistas ficaram sabendo das primeiras notícias mais preocupantes no início de março, quase um mês depois de terem chegado. “Logo nossas rotinas lá começaram a mudar também, as aulas presenciais foram suspensas, não saíamos na rua a não ser para ir ao mercado e havia um clima de tensão muito grande.” 

O sentimento de ter um sonho interrompido é inevitável para esses estudantes que se planejaram por tanto tempo para seus intercâmbios, voltando para seu país de origem ou não, a experiência foi afetada pela pandemia. Katiana voltou para o Brasil 45 dias depois de chegado lá, em fevereiro. Rocío preferiu ficar no Brasil, mas suas expectativas de estudos na UFSM acabaram sendo influenciadas pela pandemia, apesar de ter continuado com aulas remotas, ela afirma que “a pandemia foi muito ruim, porque minha ideia de vir para cá e conhecer gente, conhecer a língua, as aulas principalmente, e isso não pode acontecer agora, só fico em casa.”

Há ainda de se questionar sobre a atuação dos países e suas instituições de educação ao enfrentar a maior crise sanitária do último século, Rocío afirma que professores da Universidade  a procuraram para verificar a situação da estudante no Brasil, mas tanto governos Uruguaio e Brasileiro, segundo as entrevistadas, não cumpriram seu papel em buscar e proteger seus cidadãos. Katiana conta que quando começou a pensar a voltar para o Brasil, tentou contato com a embaixada brasileira, que só retornou os emails com mensagens automáticas e apenas semanas após ela ter retornado. Ela lamenta o fato de não ter tido apoio da Embaixada: “Não nos foi dada nenhuma alternativa de acompanhamento ou retorno para o Brasil que não fosse de nossa própria iniciativa ” .

Passados seis meses das primeiras notícias sobre a pandemia do coronavírus no Brasil, o país se encontra no segundo lugar do mundo em números de mortes, atrás apenas dos EUA. As decisões tomadas pelo governo brasileiro são questionadas no mundo científico e político enquanto o vizinho brasileiro, Uruguai, é considerado um exemplo no combate a pandemia com apenas 45 mortes. O respeito às medidas de proteção também se mostraram mais eficazes que no Brasil:  “eu senti diferenças sim, no Uruguai a gente tem muito medo e as medidas de precaução são diferentes também”. 

A estudante brasileira afirma que em Portugal houve alguns casos de desrespeito às normas estabelecidas, mas logo a maioria da população portuguesa teve consciência da gravidade da situação. “ E essa acho que foi uma das principais diferenças que percebi entre os dois países nessa situação, na credulidade com que os Portugueses recebiam as notícias e seguiam as recomendações para ficar em casa e se proteger, em poucos dias todo o comércio e shoppings estavam fechados, apenas os serviços básicos de farmácia e mercado estavam funcionando.” Já sobre o Brasil ela diz que “ Houve muita preocupação em flexibilizar a abertura de locais públicos, para que a economia não fosse tão afetada, e as interferências políticas em um momento onde a prioridade deveria ser a saúde da população. O Brasil foi um dos últimos países a ser atingido pelo coronavírus e poderia ter se preparado melhor para atuar em defesa da saúde de seus cidadãos, o que, infelizmente, não aconteceu.”

Intercâmbios podem ser realizados por meio de convênio da AUGM (Associação de Universidades Grupo Montevidéu), que integra universidades de Brasil, Uruguai, Chile, Bolívia, Paraguai e Argentina. Além da AUGM, a UFSM possui convênios bilaterais com 33 países na África, Europa e Ásia, além de outros países do continente Americano. 

A UFSM está com seus programas de intercâmbios suspensos em 2020 e, segundo a SAI, serão retomados em 2021, já que é necessário avaliar tanto a evolução da pandemia no mundo quanto os debates na própria Universidade sobre a organização do calendário para o próximo ano. Para mais informações sobre os programas acesse o portal da SAI.  

Reportagem: Anderson Silveira

Crédito: Arquivo pessoal

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Editoria – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2020/07/16/os-desafios-da-aprendizagem-a-distancia Thu, 16 Jul 2020 13:00:51 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3458 Com o aumento iminente de casos do coronavírus, a UFSM está com suas aulas presenciais suspensas desde o dia 16 de março. A partir dessa suspensão, aulas na modalidade de ensino remoto foram inseridas no dia a dia dos mais de 26 mil alunos da Universidade. Uma parte considerável desses estudantes possuem dificuldade de se adaptar a este novo método de ensino que chegou tão repentinamente. Porém, a universidade afirma que nenhum aluno será prejudicado se não participar destas aulas remotas, com a possibilidade de recuperação dessas ausências quando as aulas presenciais retornarem.

  A suspensão das atividades presenciais e a implementação das aulas à distância acabaram por evidenciar pontos desafiadores de uma aprendizagem sem conversas diretas e sem a interação “olho no olho”. Desespero por não conseguir se concentrar ou adquirir interesse no conteúdo passado são preocupações que afetam os alunos nesse novo sistema. Contudo, o ensino à distância não é algo inovador e desafiador só para os alunos, mas também para os docentes da Universidade. Os professores são desafiados a cada dia a adaptar seus métodos de ensino presenciais para diferentes ferramentas digitais. Eles se viram obrigados a se aventurar e pensar em novas possibilidades para conseguir realizar suas aulas nessa modalidade. Assim como os estudantes, muitos educadores dependem de infraestrutura e suporte para esse novo meio de aprendizagem.

 Para esclarecer estas questões, entrevistamos duas especialistas no ensino à distância: Susana Cristina dos Reis e Andrea Reginatto. Susana é professora no curso de Letras-Inglês, coordenadora substituta do Programa de Pós-Graduação Mestrado Profissional em Tecnologias Educacionais em Rede (PPGTER), pesquisadora e docente no PPGTER. Andrea Reginatto é coordenadora do curso de letras EAD e docente no PPGTER. No mestrado em Educação e Tecnologias em Rede, há disciplinas que abordam o ensino à distância, com estudos voltados para modelos de aprendizagem e a utilização de jogos na educação. Além disso, pesquisas estrangeiras sobre EAD são estudadas para compartilhar conhecimentos sobre estas metodologias.

A importância das aulas e as dificuldades

Descrição de Imagem: Fotografia vertical e colorida de uma mulher branca, de frente e em plano próximo. Ela tem faixa etária em torno de 40 anos e sorri de forma leve. Tem pele branca, cabelos lisos, castanho médio, e de comprimento um pouco abaixo do ombro; tem olhos castanhos escuros, sobrancelhas grossas e na cor castanho escuro, nariz grande. Usa batom na cor vinho e um colar de fios marrom com pingente em formato de pedra cinza. Veste um blazer preto sobre blusa com estampa de pequenos hexágonos em tons de marrom, cinza e preto. O fundo da imagem é uma parede branca.
Susana Cristina dos Reis, professora no curso de Letras e docente no PPGTER

A respeito da implementação das aulas à distância em meio a  pandemia, Susana afirma que é importante a universidade se fazer presente na vida dos alunos tanto do ponto de vista educacional quanto do vínculo social. “Eu acho que esse uso é fundamental, esse contato com os alunos, para que a gente consiga manter um pouco mais de sanidade, verificando como eles estão passando por esse período todo. Claro que nossa preocupação também é com a aprendizagem, mas precisamos acima de tudo, considerar o lado humano”, ressalta. A professora ainda complementa que nesse momento é importante se manter ocupado a partir do  estudo, para que se possa suportar as adversidades.

Apesar da necessidade do ensino virtual, há vários impasses que podem afastar o aluno deste método de ensino. A falta de infraestrutura, como não ter um computador com boa conexão de internet, cria uma dificuldade para o estudante acessar o conteúdo, o que pode causar desinteresse e frustração. De acordo com Susana, o papel do professor para que isso não aconteça é essencial. 

O docente precisa buscar conhecer a situação de seus alunos, fazer um mapeamento inicial, para então poder identificar os problemas e ajudar os estudantes durante este período. O contato educador e educando é fundamental para o melhor andamento das aulas à distância, por isso é importante que o professor receba o feedback dos alunos – tanto em relação às atividades propostas quanto à situações específicas e de ordem pessoal.

O docente deve elaborar tarefas que coloquem o aluno no centro do processo de aprendizagem. “Para o professor, não é possível ensinar da forma tradicional, é necessária uma mudança tanto de abordagem quanto de paradigma”, diz Susana. A adaptação do material didático é outra estratégia que não pode ser deixada de lado: “Um texto no formato papel precisa passar por uma modificação para ser lido no formato de tela”, enfatiza Susana. Ela ainda reforça a importância do estudante se organizar dentro de sua própria casa para criar uma rotina de estudos. O interesse e a motivação do aluno em estar atento a estas aulas podem ser abalados por diversos fatores, como distrações por estar em casa, a falta de um local de estudo e  dificuldade em criar um cronograma. 

Descrição de Imagem: Fotografia horizontal e colorida de uma mulher branca, no centro da foto, de frente e em primeiro plano. Ela tem faixa etária em torno de 40 anos e sorri levemente. Pele branca, tem olhos escuros e cabelos lisos, na cor loiro escuro e de comprimento um pouco abaixo do ombro; usa brincos dourados de argolas pequenas, óculos escuro marrom e colar comprido de fios pretos com detalhes em círculos grandes em tons de laranja e branco. Veste blusa com estampa de animal print. Em segundo plano, um jardim de plantas ornamentais verdes, pedras em marrom claro e um muro de concreto cinza. No fundo da imagem, copas de árvores em verde escuro e detalhes de prédios em tons de cinza. Há incidência de luminosidade sobre a direita da imagem, nas plantas ornamentais.
Andrea Reginatto, coordenadora do curso de Letras UAB/EaD e docente no PPGTER

Para Andrea Reginatto, o professor possui um papel de conhecer potencialidades e as fragilidades de um ensino mediado pelas tecnologias e ir em busca de desafios, conhecer as plataformas digitais para conseguir o melhor resultado possível na aprendizagem remota. A respeito de diferença em questões de aprendizagem em aulas presenciais e à distância, Andrea acredita que alunos que possuam um bom acesso à internet e equipamentos com boas condições estão dispostos a enfrentar uma experiência nova. “O aluno poderá ter um bom desempenho, desde que seus professores também tenham tais condições”, afirma.

Ferramentas para o ensino

Ferramentas como o Moodle dão suporte para o professor avaliar e acompanhar o andamento do aluno em cada tarefa. O Moodle consegue dar um feedback para o educador, com relatórios de acessos, atividades realizadas e o tempo que o aluno ficou em determinada atividade, o que facilita o acompanhamento individual dos acadêmicos. 

No espaço dos fóruns, há uma troca entre os alunos e os professores. Nessa ferramenta, o educando pode responder o questionamento do conteúdo passado pelo professor e também trocar as experiências com seus colegas. A resposta fica salva para quem quiser ver, assim como as observações feitas pelo docente.

Em relação a recursos multimídia, o professor pode utilizar vídeos e áudios para  reforçar o método de aprendizagem e diversificar a metodologia de ensino.

Uma estratégia citada por Susana que pode tornar o ensino a distância mais atrativo é o de implementação de estratégias de Gamification”, que nada mais é do que o uso de jogos para contextos não relacionados a jogos. A implantação dessa metodologia pode tornar o ensino virtual um pouco mais motivador e engajador para o aluno. Um material de gamification faz com que o estudante trabalhe de forma mais colaborativa e favorece seu engajamento na aula.

Atualmente, há várias ferramentas que podem auxiliar o professor na interação com seu aluno, recursos como Whatsapp e Google Meet, por exemplo, podem tentar ‘’suprir’’ essa falta de contato face a face entre o profissional e o aluno. Aplicativos como Google Hangouts, Meet, Zoom e Jitsi, são opções para conseguir dialogar com o maior número de alunos ao mesmo tempo ou individualmente e, também, para receber o feedback necessário para o desenvolvimento do trabalho adaptado.

As aulas remotas podem servir como solução diante de um contexto de pandemia para alunos que possuem as condições necessárias para acompanharem esses materiais online. Porém, elas dependem também de grandes esforços por parte dos profissionais e dos alunos, que foram pegos de surpresa por esse método de ensinar à distância e se vêem diante de um novo desafio de ensino e aprendizagem.

Aulas remotas, solução ou problema?

A UFSM possui estudantes de várias regiões do país, que no meio da pandemia se viram obrigados a retornar à suas respectivas cidades. Com isso, muitos não possuem condições de acompanharem estas aulas à distância, acessando o Moodle e E-mail.

Abaixo-assinado realizado pelo DCE no site change.org para pedir o cancelamento do semestre 2020/1 da UFSM

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) realizou um abaixo-assinado que conta com a assinatura de 5.583 pessoas até a escrita da reportagem, com a proposta do cancelamento do semestre, por conta de que ‘’boa parte dos professores nunca haviam utilizado esse tipo de dinâmica e nem mesmo foram capacitados para tal” Em uma publicação realizada na página do DCE, a maioria dos estudantes responderam que estão ‘’sofrendo um impacto emocional/psicológico negativo devido a pandemia, e muitos não estão conseguindo realizar as atividades do REDE por conta disso’’.

Apesar da garantia de recuperação para quem não participou destas aulas à distância, muitos alunos ficam com um “pé atrás”’ sobre como será realizada essa recuperação. Desde junho, coordenações de curso, departamentos, centros de ensino e reitorias têm realizado reuniões para discutir alternativas para o prosseguimento das aulas. No próximo dia 17 de julho, haverá reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE), instância superior formada por representantes de todas unidades de ensino – docentes, discentes e técnicos administrativos e que deverá deliberar sobre a situação do REDE e encaminhamentos para o calendário acadêmico.

Reportagem: Bruno Lorenzi

]]> Editoria – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2020/07/16/no-meio-do-furacao-como-as-empresas-juniors-se-adaptam-a-pandemia Thu, 16 Jul 2020 13:00:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3437 Reuniões, prospecções, agrupamento nas sedes e encontros presenciais com clientes faziam parte da rotina dos estudantes que participam de alguma empresa júnior da Universidade Federal de Santa Maria. Agora, com a pandemia do Covid-19, tudo teve que mudar. As empresas foram forçadas a se adaptar a uma nova realidade: a não presencial.

Uma empresa júnior (EJ) é uma associação civil sem fins lucrativos, formada e gerida por alunos de um curso superior que pode ajudar os discentes a ganharem experiência para o mercado de trabalho. Assim, as empresas júniors criam um elo entre alunos, empresas (consumidores) e a universidade na qual estão inseridas. 

As empresas jrs ajudam não só os alunos a se tornarem empreendedores, mas também auxiliam micro e pequenos negócios a se manterem firmes, ainda mais nesse momento que enfrentamos. Segundo o site da Brasil Júnior (http://www.brasiljunior.org.br/conteudos/como-nos-respondemos-ao-coronavirus), entidade reguladora das EJs, o Movimento Empresa Júnior (MEJ) brasileiro realizou em 2019 13.386 projetos (47,66% do total) que impactou diretamente no ODS 8 – Emprego Digno e Crescimento Econômico, objetivo da Organização das Nações Unidas (ONU). Até agora, em 2020, o MEJ brasileiro, realizou 2542 projetos (53,71%) que impactam diretamente no ODS 8. Esses dados mostram a eficácia do trabalho voluntário das EJ’s por todo o Brasil e sua dedicação com os clientes.

A Brasil Júnior disponibilizou em seu site um portal com conteúdo especial voltado às EJs que estão com dificuldades para seguir com o trabalho durante a pandemia. A plataforma é sobre trabalho remoto e como os empreendedores jrs podem tirar vantagem desse momento. 

Fonte: http://brasiljunior.rds.land/ccb6da8ae0d6d16a0f57

Das sedes para a internet: escritórios online

Atualmente, as EJs, assim como os estudantes, vivem um momento complicado: a pandemia do Coronavírus. Entretanto, essa fase também pode funcionar como aprendizado para os empreendedores. O diretor de projetos da CompactJr do Centro de Tecnologia (CT) da UFSM e estudante do 3º semestre do curso de Ciências da Computação, Pedro de Andrade, afirma que o distanciamento social serviu para encontrar novas ferramentas, como o escritório virtual, o qual pode ser executado através de plataformas online, como o Discord, portal utilizado pela CompactJr. A plataforma permite a criação de salas de conversa, chamadas de áudio e vídeo, que de acordo com Pedro, auxiliaram de maneira expressiva o mantimento do contato dos participantes e clientes da CompactJr. Pedro comenta que após a pandemia, as atividades deverão ser mais virtuais: “nós já éramos da área da tecnologia e já estávamos mais acostumados com essa área digital. […] Acredito que essa virtualização se intensifique mais após o coronavírus”.

Escritório Virtual -CompAct Jr

A pandemia não é o único problema

Em contrapartida, há empresas juniores que não mantém seus trabalhos ativos durante a pandemia, como é o caso da NuvemJr, do Centro de Ciências Sociais e Humanas. Após passar por reformulação no quadro de participantes em 2019, a Nuvem não seguiu as atividades da empresa júnior. Conforme o assessor de projetos e estudante do 3º semestre de Relações Públicas da UFSM, Rafael Patrick, muitos alunos que participam da empresa são formandos e continuam a receber conteúdos via aulas à distância (EAD). Dessa maneira, os alunos se sobrecarregaram com disciplinas e a EJ foi deixada de lado, por ser um assunto extraclasse. Rafael relata ainda que apesar de muitas outras empresas júniors terem realizado o processo seletivo para abrir novas vagas, a NuvemJr foi pega de surpresa. Isso se deve ao fato de que os cursos vinculados ao Departamento de Ciências da Comunicação permaneceram com o mesmo número de disciplinas ativas à distância. Por conta disso, não realizaram seu processo seletivo, tampouco encontram tempo para seguir suas atividades de 2020.

Outro caso semelhante é a da Floresta Junior do Centro de Ciências Rurais (CCR), que apesar de manter seus projetos ativos em andamento, não está à procura de novos clientes durante a pandemia. Todavia, a empresa ainda atende clientes que vão atrás da FlorestaJr de forma passiva através do seu site e das suas redes sociais. Conforme o diretor de gestão de pessoas, coordenador comercial da FlorestaJr e estudante do 3º semestre de Engenharia Florestal da UFSM, Lucas Caye, contou em entrevista que o motivo de não irem atrás de mais clientes é justamente a pandemia. Para a empresa, que tem um relacionamento muito “familiar” com seus participantes e clientes, é imprescindível o contato com a sede dentro da universidade e por conta disso, optaram por executar apenas os projetos que já foram vendidos antes da pandemia. 

Lucas completa que é difícil traçar uma perspectiva para o futuro da empresa e metas a serem batidas em 2020, mas espera manter sua equipe engajada e participativa. “Vamos esperar as coisas acontecerem, para que assim que as aulas recomeçarem presencialmente, a gente consiga dar melhor assistência para nossos colaboradores”, finaliza o diretor de gestão de pessoas da FlorestaJr.

Novos ciclos e desafios

Um aspecto importante para manter uma empresa júnior ativa durante a pandemia é o uso das redes sociais. A acadêmica do 5º semestre de enfermagem e atual diretora de marketing da Mederi Junior, Maira de Oliveira, reforça o peso da constância de postagens, stories e interações que a empresa júnior deve estipular com a sociedade nas plataformas sociais: “[…] nós já éramos mais afluentes nas redes sociais, mas agora estamos mais ativos ainda porque é o meio que a gente consegue mais contato com os clientes”. Segundo a diretora de marketing, a principal dificuldade enfrentada é a falta de contato pessoal com o cliente, já que é um dos pontos essenciais para o processo de venda de projetos. 

A estudante explicou como funciona a nova plataforma desenvolvida pela MederiJr, a PsicoForma. O projeto consiste em uma plataforma online de serviços e consultas sobre psicologia direcionada às pessoas, especialmente estudantes que enfrentam dificuldades para vivenciar a pandemia dentro de casa. A PsicoForma foi projetada em colaboração com outras duas empresas júniors, a Metal Jr, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e a CJR, pertencente da Universidade de Brasília (UNB). A plataforma ainda está no processo de implementação e é idealizada sem fins lucrativos e com trabalho totalmente voluntário. Além disso, a Mederi possui outro plano, em parceria com a RenoveJr (UFSM), sobre a reabertura dos estabelecimentos em Santa Maria. O plano visa realizar projetos de capacitação dos empregados da saúde, da higiene e instruções de como fazer a limpeza adequada no local e produtos comercializados. Maira de Oliveira acredita que as atividades devem voltar de forma gradual. “Nós tínhamos um planejamento para 2020 e estamos readaptando ele em questão de metas e contratos. Sabemos que o ano não vai ser como esperávamos”, completa a diretora de Marketing. 

A volta do funcionamento das EJs ainda depende das decisões de retorno das atividades presenciais por parte do MEC e da UFSM. Alunos, bolsistas e diretores das EJs esperam de forma ansiosa a volta de suas rotinas no 55BET Pro.

Reportagem: Luka de Andrade

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Editoria – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2020/07/16/acolhemulheres-projeto-ampara-vitimas-de-violencia-domestica Thu, 16 Jul 2020 13:00:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3440 No mundo inteiro, medidas foram tomadas para controlar a pandemia do novo coronavírus, a principal e mais eficaz delas é o distanciamento social. Apesar desse tipo de isolamento ser extremamente importante para o controle da disseminação do vírus, nota-se que em algumas cidades, o número de casos de violência doméstica aumentaram na mesma proporção da quantidade de pessoas que aderiram ao distanciamento social. Um exemplo disso é o caso da cidade do Rio de Janeiro, que segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) teve um aumento de mais de 50% no número de denúncias desde que o isolamento começou. Em virtude de casos como esse, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) criou o projeto Disque COVID UFSM – Acolhe mulheres. Para falar sobre a violência doméstica, entrevistamos a professora Laura Ferreira Cortes e a delegada Elizabete Shimomura, da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM).

Descrição de Imagem: Banner ilustrativo horizontal e colorido. Em destaque no centro à direita da imagem, desenho de seis mulheres abraçadas, de costas. O desenho está em tons de roxo, lilás, azul capri e rosa. Elas têm cabelos de variados tamanhos e estilos, lisos e cacheados, curtos e longos; os cabelos de cinco delas são na cor roxo; a terceira mulher da esquerda para a direita tem cabelo rosa claro. Vestem roupas variadas: regatas e blusões, nas cores rosa, azul e roxo. Acima delas, em azul, o texto, “Se você está sofrendo violência durante a quarentena, busque ajuda. Ou compartilhe com quem precisa.”. No lado esquerdo do banner, o texto, “Disque COVID”, em preto, e #AcolheMulheres - UFSM”, em lilás. Abaixo, uma linha roxa e, ao lado, “UFSM”, em preto. Abaixo, sobre uma barra horizontal preta, em letras menores, “Ligue 3220-8440/99974-1090”, em branco. Abaixo, em preto, o texto, “Todos os dias/ 8h às 12h - 18h às 22h”. O fundo da imagem é branco com marcas d'água do símbolo de vênus em rosa claro.
Campanha DISQUE COVID UFSM – Acolhe Mulheres. Foto: Policia Civil/DEAM e UFSM

Coordenado pela professora Laura, o Disque COVID UFSM é um projeto de extensão do Colégio Politécnico da UFSM, vinculado ao Observatório de Direitos Humanos da Pró Reitoria de Extensão (PRE) e idealizado junto ao espaço do Fórum de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres de Santa Maria. Inicialmente, o projeto surgiu como uma das ações da campanha Vidas de Mulheres Importam: Santa Maria 50 –50/ uma campanha por igualdade. Que, por sua vez, é uma iniciativa do Juizado de Violência Doméstica de Santa Maria e tem como inspiração o projeto “PLANETA 50 – 50”, estratégia da ONU Mulheres para divulgar a Agenda 2030.

O Disque COVID UFSM – Acolhe Mulheres, é uma linha de atendimento para escutar as mulheres por meio de ligação ou WhatsApp. Segundo a professora Laura Cortes, através de um formulário preenchido no momento do atendimento, a profissional identifica qual é a necessidade da mulher, se ela está em segurança para falar, se quer ser ouvida ou se tem dúvidas sobre como acessar os serviços de atendimento, tirar dúvidas sobre a Lei Maria da Penha, como denunciar, ou até mesmo sobre benefícios sociais e medidas protetivas.

Com a finalidade de orientar e padronizar o atendimento dessas mulheres, as profissionais que trabalham no projeto usam como base um documento adaptado a partir do Guia de Primeiros Socorros durante uma Pandemia, da Organização Mundial da Saúde (OMS). O guia possui orientações das áreas de assistência social, segurança pública, justiça e saúde, a fim de auxiliar no atendimento de situações de violência doméstica.

As profissionais que compõe a equipe são mulheres voluntárias que trabalham nas áreas de Enfermagem, Direito, Serviço Social ou Psicologia. Além disso, todas elas possuem alguma experiência em relação à violência contra as mulheres ou aprofundamento temático nos estudos científicos de gênero e de violência. Até o momento, o projeto conta com 15 voluntárias e duas bolsistas que atuam no gerenciamento e divulgação do projeto.


O QUE É VIOLÊNCIA DOMÉSTICA?
É um abuso físico ou psicológico de um membro de um núcleo familiar em relação a outro, com o objetivo de manter poder ou controle. Esse abuso pode acontecer por meio de ações ou de omissões. A maioria das vítimas desse crime são mulheres.
QUAL É A PENA PARA O CRIME DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA?
A pena é de 1 a 3 anos de cadeia. Além disso, o juiz pode obrigar o agressor a participar de programas de reeducação ou recuperação. 
QUAIS SÃO AS MEDIDAS QUE A DELEGACIA ESPECIALIZADA NO ATENDIMENTO À MULHER (DEAM) TOMA APÓS UMA DENÚNCIA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA?
A vítima é levada para a Delegacia para efetuar o registro de ocorrência policial e o encaminhamento da solicitação de medidas protetivas quando ela assim o desejar. Também, quando necessário, a vítima é encaminhada a uma casa de passagem, sem contar na possibilidade de representação pela decretação da prisão preventiva quando o caso demanda.

A diminuição dos índices de violência doméstica e a subnotificação

O isolamento social torna o lar um refúgio durante a pandemia. E é justamente esse o local mais perigoso para mulheres que podem sofrer agressões dos seus parceiros. Conviver com a agressividade dentro do próprio lar não é algo inédito no dia a dia de muitas mulheres brasileiras, tendo em vista que em 2019 foi divulgado, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), um levantamento que aponta que 16 milhões de mulheres com mais de 16 anos sofreram algum tipo de violência, e que 42% dessas agressões ocorreram dentro de casa.

A diminuição dos índices de violência doméstica que vem acontecendo em diversos estados do Brasil após a adesão do distanciamento social gera desconfiança em relação à verdadeira situação dos lares brasileiros. De acordo com uma pesquisa sobre Violência Doméstica Durante a Pandemia de Covid-19 do FBSP, houve uma queda no número de registros de violência doméstica em casos de lesão corporal dolosa – ou seja, casos que requerem a presença física da vítima para a realização do boletim de ocorrência (BO). Os números, comparados entre março de 2019 e março de 2020, indicam uma queda de 28,6% no Acre, 29,1% no Ceará, 21,9% no Mato Grosso, 13,2% no Pará e 8,9% no estado de São Paulo.

No Rio Grande do Sul os registros de agressão em decorrência da violência doméstica apresentaram uma queda de 9,4% em março deste ano em comparação com mesmo mês do ano passado, e de 14,7% em relação a 2018. Em Santa Maria, o padrão de diminuição do índice se repete. Conforme a Delegada de Polícia da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Santa Maria, Elizabete Shimomura, antes do início do distanciamento social havia, em média, 300 ocorrências policiais por mês no município. Após ser questionada sobre o aumento no índice de violência doméstica na cidade, a Delegada afirma que houve diminuição significativa nos números de ocorrências em cerca de 30% a 35%. “Há inúmeros questionamentos sobre a possibilidade da diminuição desse índice estar associada a subnotificação” relata Shimomura.

Não há dúvidas que o distanciamento social trouxe à tona outro grande problema: a subnotificação dos casos de violência doméstica. Segundo a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH) houve um registro de que do dia 18 de março até dia 24 de abril de 2020 foram apontadas 7.563 queixas durante a pandemia, sendo 5.156 referentes à violência contra pessoas socialmente vulneráveis (mulheres, crianças e idosos). Dentre essas 5.156 denúncias, 208 são ocorrências e 11 delas são especificamente de violência contra mulher e envolvem risco de morte. 

Além disso, ainda em contramão à diminuição dos registros de violência doméstica, dados da ONDH apontam um aumento médio de 14,1%, em relação aos quatro primeiros meses de 2020 em comparação aos do ano passado, no número de denúncias realizadas pelo Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher. O Ligue 180 é um serviço criado em 2005, atualmente vinculado ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), cujo objetivo é receber denúncias de violência contra a mulher, além de fornecer orientação sobre seus direitos e sobre a rede de atendimento disponível. 

Um dos fatores da redução no número de denúncias de violência contra a mulher, segundo a Delegada Shimomura, é o trabalho da DEAM, que só no  ano passado, em conjunto com a Vara da Violência Doméstica, realizou 222 prisões de autores desse tipo de agressão. Em março de 2019, a DEAM possuía mais de 5.000 procedimentos policiais em andamento, e hoje está com um pouco mais de 1.200 procedimentos. Shimomura explica também que o declínio no índice de denúncias, na verdade, ocorre há alguns meses, mesmo antes da pandemia e reforça que as Delegacias de Polícia (DP) em nenhum momento fecharam as portas. Ela fala também que a DEAM Santa Maria trabalhou normalmente (com os devidos cuidados – uma vítima de cada vez, com uso de máscaras e álcool gel), assim com a DPPA (Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento), que também atendeu normalmente 24h. Além disso, outros canais sempre estiveram à disposição das vítimas, como os telefones para denúncias e a delegacia online da Polícia Civil. “Sou otimista em acreditar que a redução dos números é resultado do nosso trabalho árduo em conjunto com a Vara da Violência Doméstica, que, com certeza, também tem caráter preventivo”, diz a Delegada.

Outro possível fator da redução, é a criação de projetos como o Disque COVID UFSM – Acolhe Mulheres. De acordo com a professora Laura Cortes, o projeto possibilita escuta para muitas mulheres, já que o acesso aos serviços das Unidades Básicas de Saúde (UBS) está mais difícil nesse momento da pandemia, pois as UBS estão voltadas ao atendimento às vítimas de COVID-19. “Isso acaba tornando outras demandas, como a violência doméstica, secundárias”, relata a professora. 

A Delegada da DEAM, Elizabete Shimomura, também acredita na importância de serviços como esse e afirma que: “Campanhas como a do projeto Disque COVID UFSM são de grande relevância, pois abrem um canal de socorro às vítimas que sofrem violência doméstica em suas casas e também serve de campanha educativa e preventiva.”

Descrição de Imagem: Ilustração quadrada e colorida, com predominância de tons azul, lilás e branco. Na parte superior da imagem, sete logomarcas: “UFSM contra o COVID”, em roxo; brasão da UFSM, em tons de azul; do Observatório de Direitos Humanos da UFSM; do Colégio Politécnico da UFSM; do Fórum de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres de Santa Maria-RS; do Vidas de Mulheres Importam: Santa Maria 50 –50/ uma campanha por igualdade, e por fim, da Prefeitura de Santa Maria. Abaixo, no centro superior da imagem, o texto “#VejaQuemApoia”, em roxo e azul. Logo abaixo, no centro da imagem, dez logomarcas divididas em três fileiras. Na primeira linha, da esquerda para a direita, a logo do Centro de Ciências da Saúde UFSM; da Patrulha Maria da Penha; do Conselho Municipal do Direito das Mulheres; e  da Brigada Militar do Rio Grande do Sul. Na segunda linha, a logo da União das Associações Comunitárias de Santa Maria; da Ordem dos Advogados do Brasil - Subseção Santa Maria e o brasão da Polícia Civil. Na última linha, a logo da Força-Tarefa de Combate aos Feminicídios; o brasão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, e por fim, o brasão do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul. Abaixo, em marca d’água e em tons de roxo, desenho de seis mulheres abraçadas, de costas.  No canto inferior esquerdo, em uma barra horizontal preta, o texto “Ligue 3220-8440| 99974-1090”, em branco. Ao lado, no canto inferior direito, o texto, “Disque COVID”, em preto e “#AcolheMulheres UFSM”, em lilás. O fundo da imagem é branco e, em marca d’água, símbolos de vênus (círculo com cruz na parte inferior) na cor rosa claro.

O Disque COVID UFSM – Acolhe mulheres tem apoio do Fórum de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres de Santa Maria,  da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Defensoria Pública, da Brigada Militar, da Delegacia de Proteção ao Idoso e Combate à Intolerância, da Prefeitura Municipal de Santa Maria, do Observatório de Direitos Humanos da Pró-Reitoria de Extensão (ODH/PRE), da Pró-Reitoria de Infra-estrutura (Proinfra), do Centro de Processamento de Dados (CPD), do Colégio Politécnico, da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde, da Pós-Graduação e Especialização em Estudos de Gênero, do Departamento de Saúde Coletiva do Centro de Ciências da Saúde (CCS) e do Grupo de Pesquisa Cuidado à Saúde das Pessoas, Famílias e Sociedade da UFSM.

Reportagem: Bianca Guimarães e Karoline Rosa

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Editoria – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2020/07/09/bodas-de-diamante-sem-festa Thu, 09 Jul 2020 13:00:52 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3410 Em meio a pandemia do novo Coronavírus, a UFSM não só faz história, também a comemora

  As comemorações do jubileu de 60 anos da UFSM eram planejadas desde 2019. Os selos comemorativos e almoços festivos são uma forma de não deixar passar em branco a transição para a idade “jovem senhora” e poder reunir professores, funcionários e estudantes de diversas gerações que estiveram por aqui. Entretanto, diante da necessidade de distanciamento controlado para evitar aglomerações durante a pandemia, foi necessário estudar outras formas para celebrar a data. Nesse contexto, as redes sociais assumem o papel de homenagem e de união da comunidade acadêmica.  

  A data redonda do ano de número par de 2020 marca também aniversários especiais de alguns centros de ensino da instituição. O mais velho é o Centro de Tecnologia (CT), que completa 60 anos junto com a Universidade. Já outros centros comemoram suas bodas de ouro: Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH), Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), o Centro de Educação Física e Desportos (CEFD), o Centro de Ciências Rurais (CCR) e o Centro de Educação (CE). Ademais, o  Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), tão atuante no combate ao coronavírus na região central do estado, também está na lista dos cinquentões.   

Descrição de Imagem: Fotografia vertical em preto e branco de um professor e quatro alunos homens sentados. Todos eles têm tom de pele clara. A fotografia foi tirada na diagonal, de forma que o professor, em pé, esteja localizado no centro à esquerda da imagem. Ele tem faixa etária de 40 anos, cabelos e bigodes escuros; usa um jaleco em tom claro; com o braço erguido, aponta para o quarto negro, que está a sua frente e tem riscos de giz claro. Em primeiro plano, uma mesa escurecida e levemente espelhada. Sobre a mesa, quatro microscópios em tons claros e um escuro. Atrás do professor, o primeiro homem, com camiseta escura e um colete claro. Ele olha para o quadro. Ao lado, o segundo homem, de cabelos escuros e em corte bem curto está com o cotovelo apoiado na mesa e olha para o quadro. Atrás dele, o primeiro microscópio. Ao lado, o terceiro homem, que tem cabelo claro; usa um colete claro sobre camisa xadrez em tom escuro está de costas, e olha para o quadro;  apoia o cotovelo na mesa, próximo ao segundo microscópio. Após, no canto inferior direito da imagem, o quarto homem, que tem cabelos escuros; usa roupa clara e está de perfil esquerdo, atrás do microscópio escuro. O terceiro microscópio está na ponta direita da mesa. Já o quarto microscópio está na extremidade esquerda do retrato. Na mesa ainda há cabos e fios elétricos enrolados e em tons escuros, ligados aos aparelhos descritos. A parede é clara e sustenta quatro quadros claros de borda escura com desenhos escuros, acima do quadro negro.
Aula de engenharia florestal na UFSM de 1971

  Tanto o CT, quanto o CCSH, por exemplo, foram obrigados a inovar as formas de comemoração. Ao depararem-se com esta nova realidade, precisaram investir em conteúdos digitais para possibilitar a felicitação a todos que a eles se sentem ligados. Apesar de existir uma pandemia, é necessário dar parabéns a lugares importantes na vida de quem os frequenta ou frequentou. Com o atual cenário, as bodas de ouro do Centro de Ciências Sociais e Humanas com a instituição mostram a importância dessas ciências para compreender os fenômenos da sociedade. Assim como o Centro de Tecnologia e suas bodas de diamante com a UFSM jogam luz aos elos, sejam permanentes ou passageiros, formados ao longo de sua história com o lugar e com as pessoas que lá estudaram.

Descrição de Imagem: Fotografia horizontal em preto e branco da ponte seca da UFSM. A ponto está na diagonal da fotografia, da direita superior para o centro da imagem. Abaixo da ponte e em primeiro plano, uma pastagem com nivelamento desregular e com algumas poças de água e lama. Em destaque no centro e à direita da imagem, a ponte, com o corrimão claro e em retângulos. Abaixo dela há três pilares de sustentação. No fundo da imagem, um prédio centralizado entre árvores altas e escuras. Ao lado esquerdo, um prédio em construção. O céu está nublado.
UFSM em 1973

  Criada em 1960 com a iniciativa do professor doutor José Mariano da Rocha Filho, a UFSM já começou histórica, tornando-se a primeira universidade federal do interior do Brasil. Em seus primeiros anos, buscou expandir suas fronteiras para além do Rio Grande do Sul, com o Projeto Rondon no estado de Roraima, quando instalou em Boa Vista um 55BET Pro Avançado, com o objetivo de aplicar  conhecimentos acadêmicos nas comunidades carentes, experiência crucial na formação dos estudantes participantes. No decorrer do tempo, criou o primeiro coral universitário de Santa Maria – o qual chegou a ser o quarto melhor do mundo –  e consolidou-se na região como apoio à economia local agropecuária. Esses eventos reluzem o significado de bodas de diamante com o município, a região e sobretudo com as pessoas que aqui vivem permanentemente ou temporariamente. 

  Diante da impossibilidade de celebrar esta idade com aglomeração, a UFSM procura despertar o mesmo sentimento de gratidão com a comunidade pelo anos vividos, só que digitalmente. Ao relembrar a importância dessa data, a relações públicas Sendi Spiazzi, da Unidade de Comunicação Integrada da Universidade, declara: “Mais do que nunca é importante registrar essa história de permanência e prestação de serviços à sociedade”. Ela descreve o momento especial como uma forma de reviver o passado, projetar o futuro e valorizar as experiências vividas, tudo a fim de construir novos passos a partir do reconhecimento e entendimento do que foi vivido. 

 Através das redes sociais oficiais são postadas fotos antigas para recordar como tudo começou. Não obstante, são compartilhadas as costumeiras ações realizadas em prol de Santa Maria e região. Com a atual crise na saúde, torna-se ainda mais especial para o público saber que a Universidade atua no enfrentamento da pandemia, como a iniciativa de  recuperação de respiradores e a fabricação de álcool gel. São práticas que estimulam na população o orgulho de pertencimento – o “Sou UFSM”- slogan da campanha institucional proposta recentemente para demarcar o papel da Universidade e sua importância, mesmo em um contexto de desvalorização e cortes de verbas. “A Universidade entrega ensino, pesquisa e extensão diariamente à comunidade […] a celebração do aniversário é uma forma de marcar a história e tudo o que ela representa no seu dia a dia”, continua Sendi.  

Mudança de planos não é mudança de sentido

   Com todas as atividades presenciais não-essenciais transferidas ou para o meio digital, ou para o período pós-pandemia, a pergunta que fica é se o sentido de comemorar permanece o mesmo. Segundo Sendi, foi percebido um público maior em formaturas online do que em edições anteriores presenciais. Com isso, afirma que é previsto estender as comemorações até os 61 anos da UFSM, em dezembro de 2021, intercalando eventos e exposições, sejam presenciais ou virtuais. A relações públicas Laura Hartmann, do Núcleo de Comunicação Institucional do CCSH, também enfrentou o desafio de planejar as comemorações à distância. Ela conta que, aos poucos, conseguiu entender que cancelar todas atividades comemorativas e esperar a quarentena passar seria algo inviável. “Em um primeiro momento nos preocupamos, pois 50 anos é uma data importante, mas depois nos questionamos como manter a comunidade engajada e participe do aniversário, a resposta veio naturalmente, com a internet”, frisa.  

Descrição de Imagem: Fotografia vertical em preto e branco de vista panorâmica do campus da UFSM. No centro, uma avenida que divide a imagem ao meio, e, na margem desta, árvores que sombreiam a rua. Ao fim da avenida, um edifício alto e claro. No lado direito da avenida e em primeiro plano, ruas separam prédios horizontais em relação à avenida. À sua frente, uma sequência de cinco prédios do mesmo estilo enfileirados. Eles são sucedidos por outros dois prédios também retangulares, envoltos por um conjunto de árvores escurecidas. Já no lado esquerdo da avenida, estão concentrados aproximadamente cinco blocos de prédios horizontais em relação à avenida. O fundo da imagem, após o terreno da UFSM, é composto por mato característico do bioma pampa. O céu está limpo.
UFSM em 1975

No caso do CCSH, por exemplo, estava planejado o lançamento de um livro, um mural artístico e um almoço. De acordo com  Laura, a equipe de planejamento foi pega de surpresa pela pandemia, o que exigiu uma rápida adaptação nas propostas das atividades comemorativas, as quais seriam uma vez ao mês. A solução encontrada foi a promoção de duas campanhas pelas redes sociais: a primeira com o slogan do aniversário “Cada Vez Mais Sociais e Humanas”. Nela, foi pedido aos seguidores que gravassem vídeos para contar sua relação e história com o CCSH, com o intuito de serem veiculados no perfil oficial. Até o momento, são mais de 32 vídeos enviados. Já a segunda campanha foi um convite aos internautas a participarem do Vídeo Comemorativo dos 50 anos, produzido pelo Estúdio 21, (pertencente aos cursos de Comunicação Social) em que cada um fazia um gesto de comemoração, como aplausos ou brinde. Cerca de 71 vídeos foram recebidos.Um dos responsáveis pela sua realização, o produtor Felipe Dagort, relata que a experiência foi algo desafiador, por se tratar de uma atividade remota, mas no final foi surpreendente, além de lindo, receber a colaboração de muitas pessoas. 

Uma segunda casa 

 Felipe não apenas celebra os 50 anos de um lugar como organizador, mas também como estudante. Vindo de Santa Cruz do Sul, aos 17 anos, chegou à Santa Maria em 2000 para estudar Publicidade e Propaganda e assim, construir sua vida na universidade, no Centro, no departamento e hoje no estúdio 21. “Aqui tudo era diferente e, ainda bem, muito bom! A atmosfera das aulas, os colegas, os professores… tudo me encantava”, relembra o servidor. 

 Ele conta que sua relação com o CCSH foi construída aos poucos. Após se tornar publicitário em 2004,  iniciou outro curso na instituição, Artes Cênicas, vinculado ao CAL (Centro de Artes e Letras). Assim, em 2008, ao completar 8 anos de UFSM e concluir a segunda graduação, ele escolheu fazer da Universidade sua vida: fez concurso e tornou-se diretor de produção do Estúdio. Na época, Dagort percebeu as mudanças na infraestrutura do local e uma grande evolução desde da última vez  que o viu. “Parte desse desenvolvimento veio do próprio investimento do Governo Federal e do CCSH em servidores técnicos para as atividades relacionadas ao audiovisual”, compartilha. Essa  valorização o fez sentir-se privilegiado quanto a pertencer a tudo aquilo, contudo, segundo ele, é no presente que essa sensação está completa, não somente através das reuniões e comissões que participa junto ao Centro, mas sim no trabalho com os outros. Para ele, sua função é proporcionar as melhores condições para os alunos e professores nas aulas. Todavia, quando essas condições não existem, precisa-se lidar com a frustração. A partir dela, Felipe sabe que tem muitas coisas a serem feitas. Apesar disso, ele mantém nítido em sua mente o que lhe é mais importante: “o relacionamento humano me é muito caro, acreditar e apostar nas pessoas que passam pelo Estúdio é uma tarefa vital”.

Descrição de Imagem: Fotografia horizontal em preto e branco de um escritório com uma janela ao fundo. No centro da foto, três mesas unidas. A primeira mesa está à diagonal da imagem, e tem uma máquina de escrever na superfície. Uma mulher de pele em tom claro e de cabelos curtos está sentada e tem a mão esquerda sobre a mesa. A segunda mesa possui duas áreas com gavetas, uma em cada extremidade, com artefatos de escritório em cima. Ao lado, a terceira mesa, com o mesmo estilo que a anterior. Ela apoia uma máquina de escrever, utilizada por um homem de pele clara, sentado, de cabelos escuros e camisa social clara. Ele manuseia a máquina. Parado ao seu lado, um homem de cabelos também escuros e que usa camisa social. Ele olha para baixo. No canto inferior, encontram-se gavetas de arquivos, com pastas em cima. Ao lado, há uma mesa pequena. Todo o cenário está em uma área fechada, uma parede clara e com duas janelas grandes ao fundo, que estão abertas e trazem grande luminosidade ao ambiente; as janelas vão do teto até a metade da parede. As paredes são claras e o chão é de madeira retangular clara.
CCSH em 1973, ainda sob o nome de CCJEA,Centro de Ciências Jurídicas, Econômicas e Administrativas

As sociais e humanas em foco

  Ao observar o Centro das Sociais e Humanas, é possível notar sua expressividade em números: 24 cursos de graduação, 12 programas de pós-graduação e 501 projetos de pesquisa. Não é só pela quantidade que o centro se destaca, mas também pela diversidade ao abraçar duas áreas do conhecimento, segundo a relações públicas Laura. Para ela, às vezes isso aparenta falta de unidade, mas essa é a intenção. São cursos diferentes, com propostas diversificadas, os quais provocam debates relevantes à sociedade que emergem nessas áreas. Dessa maneira, as inquietações sociais são refletidas: “Muitas pessoas podem pensar apenas na questão tecnológica ou de saúde em função do período em que estamos vivendo, mas as sociais e humanas são fundamentais para que entendamos o contexto e possamos progredir enquanto sociedade”, ressalta. 

 Como exemplo, ela cita o projeto “Mais História, por favor”, que fez um paralelo entre a Gripe Espanhola, de mais de 100 anos atrás, com o novo Coronavírus, para identificar quais tendências de comportamento, tanto da população, quanto do governo, repetem-se. A relações públicas enfatiza que a campanha de ser “Cada Vez Mais Sociais e Humanas” ganha significância neste período de quarentena. Mesmo que a internet seja uma ferramenta fundamental para manter contato, a impossibilidade de abraços, olhares diretos e apertos de mãos torna as pessoas mais sensíveis, carentes de contato, tanto social, quanto humano.

Descrição de Imagem: Fotografia horizontal em preto e branco de uma sala de aula com 11 pessoas sentadas em cadeiras de madeira atrás de mesas de madeira. As pessoas estão distribuídas em três fileiras. Sobre todas as mesas, um papel retangular claro. Em primeiro plano, na fileira do meio, mulher com pele em tom claro, na faixa etária dos 20 anos e com blusa estampada; ela apoia a mão no rosto e olha para frente. Atrás, um homem de pele clara e de cabelos escuros; ele coloca as mãos sobre a mesa, possui um relógio no pulso. Atrás dele, um homem de pele clara e cabelos escuros. Posterior, um lugar vago e, no fundo da sala, um homem e duas mulheres dispostos da mesma maneira. Na fileira do lado esquerdo, mulher de pele clara, na faixa dos 20 anos, de cabelos curtos e de vestido estampado em flores. Ela olha para o papel sobre a mesa. Atrás, estão mais três pessoas, sendo dois homens e uma mulher. No fundo da imagem, há outro homem de pele clara sentado, com um quadrado desenhado na parede atrás dele. A parede da sala é clara e o chão de azulejo quadriculado.
Estudantes prestando vestibular na UFSM de 1970

A história de um centro perpassa a história das pessoas

     O Centro de Tecnologia comemora as bodas de diamante com a Universidade e havia igualmente se programado para tornar a data mais especial ainda. A relações públicas Ivana Cavalcante, do Núcleo de Divulgação Institucional do Centro, relata que era planejado montar um comitê composto por representantes da gestão, atuais servidores, aposentados, discentes e egressos, para discutir as atividades comemorativas de uma forma mais democrática e abrangente. Dentre as propostas, estavam promover um jantar-baile; fazer parceria com a Pró-reitoria de Extensão para um “Viva o 55BET Pro” comemorativo; ter exposições no hall do prédio 7 com fotos antigas; entre outras ações. No início de março, antes de ser decretada a impossibilidade de atividades presenciais, foi possível elaborar o selo comemorativo e decorar a entrada do edifício com balões. 

Descrição de Imagem: Fotografia horizontal e colorida do hall de entrada de um espaço amplo. Centralizado na imagem, o número 60, ocupa a metade da altura até o teto; é feito de material branco, e balões azuis preenchem o interior. Ao fundo, seis pilares de sustentação na cor azul capri; os pilares ligam-se ao teto branco e delimitam um recorte arredondado em destaque contra o restante do teto, liso e um palmo mais alto. A parede, atrás do número 60, é pintada em duas cores: branco na metade superior e azul capri na metade inferior; atrás do número 60 e de um dos pilares, uma porta de vidro transparente. No canto superior esquerdo, quadros horizontais de colação de grau sobre a parede. Abaixo deles, uma máquina de café preta. À sua direita, dois homens brancos, na faixa etária de 20 anos. O primeiro tem cabelos e barbas pretas. Usa camisa preta e calça bege. Um de seus braços está apoiado na cintura, enquanto o outro está segura um café. Ao seu lado, o outro homem, com camisa preta e calça marrom. Ele coloca a mão em um dos bolsos e olha para frente. Ao lado esquerdo da máquina de café e de costas para a câmera, outro homem branco, de cabelo escuro, com camisa branca e bermuda cinza, usa chinelos. Na extremidade direita da imagem, na entrada do prédio, duas mulheres brancas sentadas, de cabelos escuros na altura dos ombros. Estão atrás de uma mesa branca; sobre a mesa, um notebook em tom escuro. Na parede ao fundo da imagem, mural artístico de desenhos abstratos  em tons beges e marrons, e, ao lado, em torno de seis pessoas  circulam pelo hall. O teto é branco e o chão é cinza em azulejos quadrados.
Decoração feita pelas servidoras da Unidade de Apoio Pedagógico, Simoni Timm Hermes, pedagoga, e Celita Manfio Simões, auxiliar em administração. Arquivo pessoal.

  Para não deixar o jubileu ser esquecido, a saída foi investir em conteúdos para a internet. Publicações de depoimentos de ex-diretores do centro, criação de filtro para fotos no Instagram, compartilhamentos de imagens na hashtag “tbtCT” e uma série com base no “Retalhos da Memórias de Santa Maria” servem para preencher o vazio causado pelo isolamento social. “Estamos fazendo o que é possível no momento, não estamos, por enquanto, pensando no que fazer quando as aulas voltarem, se continuamos com as comemorações ou não”, expressa Ivana. 

  Ao descrever a importância desses 60 anos, ela conclui que a história é feita de pessoas, como as gerações pai/filho que estudaram lá, ou até mesmo de netos posteriormente. Pessoas que se conheceram no CT e formaram uma família, por exemplo, são relações afetivas que naturalmente acontecem paralelamente à história do Centro. Esses fatores aliados aos projetos desenvolvidos em prol da sociedade, aos prêmios em reconhecimento às pesquisas e aos protótipos, demonstram que o Centro contribui para resolução de problemas e melhoria na educação.

    Apesar deste ano atípico, em que as festas são feitas por videochamadas e os presentes se resumem à mensagens trocadas nas redes sociais digitais, as bodas da UFSM e de outros  centros foram vividas. Ao não conseguir cumprir essa tarefa da maneira como fora planejada, as comemorações deixaram retalhos espalhados pelo virtual para serem lembrados. Essa experiência permitiu tempo para que toda a comunidade acadêmica se reanime, com saúde e segurança. O desejo de recuperar o hiato e de repetir todas as boas memórias deixadas é o que mobiliza a todos a iniciar os novos 50 e 60 anos. 

Descrição de Imagem: Fotografia quadrada em preto e branco de aproximadamente 11 homens e uma mulher. Todos estão de perfil e em pé. Os homens estão enfileirados em diagonal, da direita para o centro, atrás de uma mesa escura. Em destaque, à esquerda, uma mulher de pele clara e cabelos escuros e curtos. Ela veste uma beca escura. O jabour e um enfeite de espuma no cabelo são claros. Uma de suas mãos está estendida, até o centro da mesa, e recebe um canudo de papel claro das mãos de um homem. Esse homem usa uma toga escura, sendo a murça clara. Na cabeça, um chapéu claro, parecido com um solidéu de padre. Em segundo plano, homens enfileirados com as mãos juntas, sendo oito estão ao fundo da imagem e dois mais à direita da imagem No fundo, estão postas três bandeiras, a primeira clara e as outras duas escuras.
Fundador da UFSM formando sua esposa, Maria Zulmira Dias Mariano da Rocha, em Geografia, 1968

*Imagens de arquivo retiradas do acervo do DAG – Departamento de Arquivo Geral da UFSM.

Reportagem: Gabrielle Pillon

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Editoria – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2020/07/09/adaptacao-dos-servicos-psicologicos-na-pandemia Thu, 09 Jul 2020 13:00:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3395 Diante da disseminação do coronavírus pelo mundo, medidas de isolamento e distanciamento social são apontadas por autoridades sanitárias como indispensáveis para o controle da contaminação. Com isso, foi necessário que diversos setores da sociedade se adaptassem à nova rotina: trabalhar e estudar em casa. A Portaria-97.935-1, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) suspendeu desde o dia 17 de março de 2020, as atividades acadêmicas e administrativas presenciais. 

Foram mantidas as atividades essenciais, como serviços da saúde, de segurança e de alimentação. Os atendimentos aos alunos e a comunidade na área da saúde mental também precisaram ser adaptados. Entrevistamos o psiquiatra Vitor Calegaro, as psicólogas Ana Júlia Vicentini e Amanda Schreiner Pereira, que explicam como passaram a acontecer as consultas neste período.

A Coordenadoria de Ações Educacionais (CAED), que desde as interrupções das atividades presenciais atua de forma remota, desenvolve ações de apoio ao público da UFSM. Sua estrutura parte do Observatório de Ações de Inclusão e de três núcleos: Núcleo de Acessibilidade, Núcleo de Ações Afirmativas Sociais, Étnico Raciais e Indígenas e Núcleo de Apoio à Aprendizagem. 

A CAED proporciona atendimentos nas áreas de Psicologia e Psiquiatria de forma gratuita para estudantes da UFSM. A prática de fazer esse acompanhamento psicológico de forma virtual é permitida pelo Conselho Federal de Psicologia desde 2018, no entanto, não era tão utilizado pelos profissionais. No dia 19 de março, o governador do Estado do Rio Grande do Sul decretou estado de calamidade pública devido ao coronavírus, assim, os profissionais acabaram por se articular e mudar a forma de atendimento. A psicóloga e chefe substituta do Núcleo de Apoio à Aprendizagem da CAED, Ana Júlia Vicentini, relata que a experiência é muito interessante para os profissionais da Psicologia e que é um atendimento que se mostra eficaz até o momento.

Além da adaptação dos profissionais, é necessária a adequação da população em geral com essa nova forma de viver, o que pode se tornar muito angustiante para diversas pessoas. Em abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que após a pandemia poderemos ter uma crise de saúde mental mundial. Com isso, o psiquiatra e pesquisador, Vitor Calegaro, alerta sobre a atenção na duração e intensidade dos sintomas que podem aparecer neste período.

O Programa de extensão, Clínica de Estudos e Intervenções em Psicologia (CEIP) também continuou de modo online com a escuta psicológica. A CEIP disponibiliza atendimentos psicológicos gratuitos à comunidade, nas diversas faixas etárias que a compõe: crianças, adolescentes, adultos e idosos. Os acompanhamentos são realizados por acadêmicos do Curso de Graduação em Psicologia da UFSM e pós-graduandos vinculados aos projetos de extensão, ambos supervisionados pelas psicólogas responsáveis. Contudo, as sessões durante a pandemia só são realizadas por psicólogos formados e que possuem cadastro no e-Psi, que é uma plataforma, a qual lista os profissionais que estão autorizados/as pelo Sistema Conselhos de Psicologia a prestarem serviços psicológicos online.

A coordenadora da Clínica, Amanda Schreiner Pereira, comenta que diante da necessidade de isolamento social, as psicólogas da CEIP realizaram uma primeira análise para averiguar as demandas pelos atendimentos psicológicos online. Dentre os dados referidos pela entrevistada, constata-se que nenhuma criança manteve as consultas nesta modalidade. Amanda destaca que neste primeiro contato as queixas relativas às crianças situavam-se em um primeiro momento nas dificuldades em se adaptarem ao trabalho escolar em casa, mas a princípio elas estão adequando-se a esse momento. 

O Setor de Atenção Integral ao Estudante (SATIE), vinculado à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) disponibiliza um suporte emocional via Skype para os moradores da Casa de Estudante (CEU). Ademais, oferta oficinas online para estudantes no geral, com o objetivo de ajudar na qualidade de vida e na saúde mental. Algumas atividades oferecidas são yoga, meditação, escrita e literatura. 

Além de proporcionar apoio psicológico para os discentes e para a comunidade, a UFSM dispõe também de suporte para os servidores. “Nós nunca podemos esquecer que somos sujeitos, os professores, técnicos e alunos da psicologia sofrem também os efeitos desta pandemia.”, relata Amanda Schreiner Pereira. A Coordenadoria de Saúde e Qualidade de Vida do Servidor (CQVS) e a Perícia Oficial em Saúde (PEOF), da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas, da UFSM, desenvolvem atividades específicas de auxílio e de esclarecimentos aos servidores da Instituição.

Calouros e Formandos

Ingressar na graduação é algo novo para todo estudante que acabou de sair do Ensino Médio. Passar por esse processo durante a pandemia é ainda mais incerto. Uma série de expectativas e atividades barradas, além da falta de tempo para conhecer e se adaptar à nova rotina, as atividades e as companhias. 

Durante esse período de suspensão das atividades presenciais, a UFSM adotou o REDE, sistema de ensino que mantém as atividades acadêmicas e o vínculo entre docentes e discentes. Contudo, os estudantes relatam dificuldade com os deveres acadêmicos, muitos pela falta de acesso, mas principalmente pelo agravamento de estresse. Uma sugestão do psiquiatra Vitor é “manter essas atividades, estabelecendo uma rotina, mas também não se preocupar demasiadamente. Aproveitar o momento para ficar com a família, fazer atividades que gosta e se relacionar com os amigos virtualmente”. 

Em contrapartida, deixar a universidade e adentrar ao mercado de trabalho também não deixa de ser algo novo, ainda mais no momento que vivemos. As dúvidas naturais ao final da graduação somadas à crise financeira são motivos para que se fique ainda mais ansioso. Estudantes da área da saúde tiveram suas formaturas antecipadas para atuarem na linha de frente do combate ao Covid-19. Formandos tiveram suas cerimônias de formaturas realizadas de forma virtual, como o curso de Medicina.

Pensar em um mundo pós pandemia

O período de isolamento social necessita de adaptação para todos contudo, após a pandemia, a situação não será diferente. Ana Júlia e Vitor Calegaro ressaltam que saúde mental é um conjunto de vários fatores, internos e externos. Por isso, é necessário mantermos atenção aos sintomas e possíveis agravamentos, mesmo com a volta à normalidade. A psicóloga Ana Júlia completa: “Não sabemos como será a realidade pós-pandemia, mas podemos imaginar que exigirá alguns esforços de adaptação de todos. Porém, muitos cuidados que valiam antes e que foram reforçados durante a pandemia continuarão valendo”. 

Lidar com o luto

O sofrimento de perder alguém querido é doloroso. No momento que estamos, sem poder se despedir com os familiares pode ser ainda pior. É preciso vivenciar esse luto todo dia, para que esses sentimentos não fiquem reprimidos. Vitor Calegaro pondera que a morte é algo natural e é a única certeza que temos, faz parte do ciclo da vida, por isso deve-se viver esse luto. É importante também se sensibilizar com cada vida perdida. Com os números crescendo ainda mais, acabamos por banalizar a situação. Devemos pensar nas histórias de vida de cada pessoa e viver essas perdas. 

Nesse sentido, existem iniciativas que visam contar essas histórias de vida para humanizar esse processo. O site de notícias G1.globo, por exemplo, criou um memorial sobre os brasileiros que perderam a vida na pandemia do novo coronavírus. Outra página da internet dedicado às histórias das vítimas brasileiras da pandemia é o Inumeráveis. Essas ações também são realizadas por outros países, como nos Estados Unidos. O site do canal de televisão CNN produziu um memorial, no qual 105 famílias compartilham suas memórias daqueles que perderam a vida. A descrição do site Inumeráveis ressalta: “Não há quem goste de ser número, gente merece existir em prosa”.

Evitar negar a existência da pandemia

Enfrentar a realidade é o melhor a se fazer nesse momento. Às vezes, uma forma de manter a saúde mental equilibrada durante esse período é negar a existência do vírus e o caos que está o mundo. No entanto, evitar pode ser uma válvula de escape por um tempo, mas os problemas relacionados a pandemia não vão deixar de aparecer. Diante disso, o mais correto a se fazer é dosar as informações sobre o COVID-19 para não ficar sobrecarregado. Contudo não esquecer que o Brasil até o dia 07 de julho, havia registrado 1.254 mortes e com um total de 66.741 mortes decorrentes do vírus (covid.saude.gov.br). “Fechar os olhos” para o problema não fará ele desaparecer.

Como manter a saúde mental durante o isolamento social:

  • Evitar se sobrecarregar de informações que você já possui;
  • Faça o que você gosta, por exemplo, leia, assista séries e filmes;
  • Buscar por informações verdadeiras;
  • Manter uma rotina, mas sem se cobrar demais; 
  • Conversar com amigos por chamadas de vídeo;
  • Buscar apoio psicológico com profissionais, se necessário. 

Contatos para o suporte psicológico 

  •  CAED/NAE UFSM:

Telefone: 3220-9622

Email: suportepsicologicocaedufsm@gmail.com

  • SATIE:

Email: satieprae@gmail.com

  • DISQUE COVID #ACOLHEMULHERES: 

Telefone: 3220-2020 ou 99974-1090

  • COORDENADORIA DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA DO SERVIDOR E PERÍCIA OFICIAL EM SAÚDE:

Telefone Equipe Médica: (55) 3220.8134 e (55) 99165.8496

Telefone Equipe de assistentes sociais, psicólogos e médicos psiquiatras realizando ações de acolhimento: (55) 3220.8060 e (55) 99115.1216.

Reportagem: Eduarda Paz e Letícia Klusener

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Editoria – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2020/07/09/um-convite-ao-autocuidado Thu, 09 Jul 2020 13:00:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3396   Um dos serviços mais importantes oferecidos pelo SATIE (Setor de Atenção Integral ao Estudante) são as oficinas que visam promover a manutenção do bem estar psicológico dos estudantes por meio de diversas atividades. Entrevistamos quatro estudantes que atuam como monitores nas oficinas, Esther Schmidt que ministra as oficinas de dança contemporânea e taekwondo; Elisa Lemos, que dá aulas na oficina de teatro; Felipe Limas, responsável pela oficina de “escriteratura” e Juliana Roeber, monitora da oficina de yoga. Eles contam os desafios na adaptação das oficinas durante a pandemia. Como ressalta o psicólogo do SATIE, Eduardo Bagolin, a ideia das oficinas é “apostar no lado que está saudável do aluno, tentar fazer com que ele consiga mobilizar os recursos psíquicos dele para não adoecer”.

  Com o foco na higiene mental para prevenir o adoecimento psicológico, as oficinas começaram a ser desenvolvidas no ano de 2015 e ofereciam três modalidades distintas. Hoje são 12 modalidades que incentivam o bem estar físico e mental dos estudantes da universidade. Segundo Eduardo, as oficinas podem ser até mais terapêuticas do que uma consulta psicológica. “O aluno aprender a se cuidar, a fazer atividades físicas traz benefícios não só nas questões fisiológicas, traz também em questões emocionais”, destaca o psicólogo.

Descrição de Imagem: Arte horizontal e colorida, de vários post-its coloridos sobre um fundo branco. Na parte superior da imagem, logomarca vermelha e redonda com a inscrição “Oficinas SATIE-PRAE” em letras vazadas. Ao lado, a frase, em preto, “Confira a programação das nossas oficinas”, seguido da palavra “On-line” em cor vermelha. Ao lado, o brasão da UFSM. Abaixo, dez post-its, divididos em duas fileiras, e fixados por alfinetes vermelhos. Na primeira fileira, da esquerda para a direita, um post-it verde, com as frases “Yoga”, na cor vermelha, seguido de “Segundas e quartas às 17 horas” em cor preta. O segundo tem cor amarela e nele, o título, “Escrita e Literatura” em azul, seguido de “Quintas às 18 horas” em preto. O terceiro é rosa, com a frase, “Taekwondo. Terças e quintas às 17 horas”, em preto. O quarto é verde, com o título, “Dança Contemporânea”, em vermelho, seguido de “Quartas e sextas às 18 horas” em preto. Encerrando a fileira, o quinto é rosa e leva a frase, “Contos e Fuxicos sextas às 18 horas”, em preto. Na segunda fileira: o primeiro post-it é rosa, com o título, “Teatro e Ballet”, em azul, seguido de “Terças às 18 horas”. O segundo é verde, com o título “Meditação”, em vermelho, seguido de “Terças e sextas às 17 horas e 30 minutos” em preto. O terceiro é amarelo, com  o título, “Xadrez”, em azul, seguido de “Sextas às 17 horas e 30 minutos” em preto. O penúltimo é verde, com o título, “Ritmos”, em azul, seguido de “Sextas às 17 horas” em  preto. O último, amarelo, possui um texto na vertical que diz “E muitas dicas…”; e, na horizontal, alinhados em cinco linhas, as palavras “+ Fotografia; + Culinária; + Pilates; + Corrida e + Karaokê” em múltiplas cores. Abaixo, a logomarca do Facebook e o endereço Oficinas SATIE-PRAE. Ao lado, a logo do Instagram e o endereço “Satie.prae”. Abaixo, a frase, “Dúvidas e informações pelo e-mail oficinas.satie@gmail.com”. Ao lado, dois retângulos vermelhos com letras vazadas e as frases “Cuide-se! #Fique em casa”.
Todas as oficinas ofertadas pelo SATIE neste semestre

  No entanto, o serviço essencial para a assistência estudantil chegou a ser ameaçado pela pandemia da covid-19 em razão da não continuidade das oficinas presenciais e manutenção das bolsas dos ministrantes. Eduardo recorda: “Chegamos até a falar para os bolsistas que nós cancelaríamos as oficinas no decorrer da pandemia, porque a universidade não iria conseguir pagar as bolsas durante esse período”. Foi apenas após reunião com a PRAE (Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis) que foi decidido que as bolsas seriam mantidas devido ao momento de extrema necessidade. 

  A continuidade das bolsas foi de grande importância para a estudante do 5° semestre de Licenciatura em Dança, Esther Avila Schmidt. “Na questão financeira me ajuda bastante porque eu dou aula em dois lugares e eu tinha vários alunos e fiquei só com duas pessoas, então reduziu bastante uma parte da minha renda mensal. Então, a manutenção também me ajuda a ficar um pouquinho mais tranquila”, completa.

  Após a decisão pela manutenção das bolsas, o processo de planejamento das oficinas online foi iniciado. Primeiro, uma reunião foi realizada com todos os professores pelo Instagram onde a ideia de executar as oficinas durante a pandemia foi lançada e bem recebida pelos monitores. Depois dessa reunião, veio o desafio de planejar as oficinas e as aulas virtuais para que o aluno pudesse se organizar e participar das atividades em casa. “A pandemia acabou desafiando todos os setores”, afirma Eduardo.

  A assistente social da PRAE, Juliana Barreto, conta que se surpreendeu com a criatividade dos monitores e assegura que o trabalho desenvolvido beneficia tanto o monitor, quanto o aluno: “além de gratificante, as oficinas beneficiam não só os participantes, mas também os próprios monitores que são estudantes”.

Adaptação das atividades

  Esther Avila Schmidt, que é faixa vermelha ponta preta (última faixa antes da preta) em taekwondo, ministra as oficinas de dança contemporânea e taekwondo desde o início do ano letivo. Sobre as mudanças que a pandemia trouxe para suas oficinas, ela conta: “há algumas limitações em relação ao espaço que  têm disponível em casa”, afirma. Devido a essas dificuldades, toda estrutura de ensino e os conteúdos planejados anteriormente tiveram que ser alterados. A prática do taekwondo exige equipamentos tanto para diminuir o risco de lesões durante a prática, quanto para os ritos de iniciação e de finalização de cada aula. “Tive que adaptar muita coisa e deixar muita coisa para a porção presencial e começar a trabalhar principalmente as técnicas de uma maneira mais sutil porque eu não tenho como cuidar eles e ver se eles estão conseguindo fazer corretamente”, relata.

  Uma das maneiras que a monitora encontrou para ensinar os alunos a executar os movimentos de forma correta parece ter saído de um filme de artes marciais. “Já fiz atividades para eles tentarem apagar a chama da vela com um soco ou um chute para treinar a potência do movimento e o seu caminho para que ele ocorra corretamente”, revela.

  Já as aulas de dança contemporânea se baseiam em técnicas de contato e de improvisação, uma prática em grupo que atualmente é inviável. Por ter muitos movimentos no chão, as aulas de dança também precisam de equipamentos tanto para diminuir o risco do aluno se machucar, quanto para deixar a prática mais agradável principalmente na época mais fria do ano. “Eu tenho que pedir muitas práticas que eles fiquem na vertical sendo que a dança contemporânea é majoritariamente no chão”, conta.

  Para a estudante do 7° semestre de Licenciatura em Teatro, Elisa Lemos, o ensino à distância é uma forma diferente de se pensar teatro e que possibilita um formato novo para oficina que ministra há três semestres. Enquanto oficinas presenciais focam na prática do teatro para ajudar o estudante no cotidiano em relação à dificuldade em se expressar, timidez e ansiedade, por exemplo, durante o isolamento social, o foco passou a ser falar sobre teatro e a vivência de uma peça teatral. Para driblar a distância, as oficinas se baseiam no encontro virtual. De acordo com Elisa,  a interação é fundamental para que os alunos se sintam como parte do projeto. “Estamos tentando trabalhar numa perspectiva de grupo, que é muito do trabalho teatral”, afirma. A oficina coordenada por Elisa, com o auxílio do bolsista Diordinis Baierle, tem cerca de 40 participantes e desenvolve apresentação de quatro peças teatrais: “Pode ser que seja só o leiteiro lá fora” de Caio Fernando Abreu, uma adaptação de “Romeu e Julieta” de William Shakespeare, “Marcha para Zenturo” e “Amores Surdos” ambas de Grace Passô. 

  Criada após a instituição do regime de atividades domiciliares, “escriteratura” é resultado da unificação entre as oficinas de literatura e escrita. Ministrado pelo estudante do 7° semestre de Ciências Sociais, Felipe Nunes Limas, a oficina se divide em duas aulas de literatura e duas aulas de escrita durante o mês. Anteriormente, os textos eram lidos durante a oficina de literatura e as atividades eram feitas na aula de escrita, atualmente, a leitura do texto e a realização das atividades são feitas com antecedência para serem discutidas durante os encontros. Outra adaptação pode ser observada na oficina de yoga, a estudante do 9° semestre de Psicologia, Juliana Roeber destaca que a orientação do professor é essencial para que o praticante realize as posturas de forma correta e não corra o risco de se lesionar. Antes de poder ensinar, Juliana precisou aprender. Foi preciso encontrar uma nova forma de planejar e dar aulas. Por isso, ela define o processo como “desafiador e construtivo”.

Rotina de ensino

  Apesar de já ter experiência com gravação, edição de vídeos e Youtube devido ao seu trabalho como artista, a experiência de gravar aulas foi algo novo para Esther. Antes de gravar é preciso cuidar a organização do espaço, o quê e como vai ser ensinado, além da  preocupação constante com o bem estar dos alunos. “Tenho que planejar para espaços pequenos, para não fazer nada que utilize equipamentos, para coisas que eles possam fazer sem o risco de se machucarem, preparar o corpo deles e tudo mais. Isso demanda bastante atenção”, relata.

  Embora os alunos só vejam a monitora das oficinas de dança contemporânea e taekwondo em frente às câmeras, Esther também cuida dos aspectos técnicos das gravações: luz, o som, imagem, espaço e enquadramento da imagem. “Essas coisas mais técnicas são muito difíceis de trabalhar em casa, sozinha”, comenta. Depois de checar tudo e gravar, ainda há um longo processo de edição. “Um vídeo de aproximadamente 12 minutos eu fico umas 4 horas selecionando material e ultimamente os vídeos têm sido mais longos. Essas aulas de quarenta, de cinquenta minutos eu demoro umas seis, sete horas editando”, afirma.

  Na oficina de teatro, os grupos que apresentarão cada peça têm dias específicos para se reunir via videoconferência, cada reunião dura de duas a três horas. Atualmente, o tema das reuniões é o estudo de texto dos personagens escolhidos pelos próprios alunos. “Como eu prezo pela participação de todos no encontro, nós adaptamos os encontros. Se o aluno não pode, a gente troca para um dia que todos possam. O objetivo é contar com a presença de todos para que todos se sintam pertencentes ao projeto”, diz Elisa Lemos. Caso essa fase do projeto seja concluída antes do retorno às aulas presenciais, a próxima fase das reuniões virtuais será com ensaios individuais.

Os desafios

  As aulas de yoga também estão disponíveis no Youtube, no entanto, Juliana Roeber não possuía experiência com a gravação de vídeos para o Youtube. Ela também conta que fica um pouco difícil produzir as aulas sem saber quem é o público interessado, o que ele espera e como recebem as atividades propostas. Mesmo com o grupo no Whatsapp, poucas pessoas se sentem à vontade para dar retorno. Juliana passou a realizar algumas aulas via Skype para melhorar a interação com os alunos e o objetivo foi atingindo. No entanto, ela revela que poucos alunos acompanham as aulas ao vivo.

  Juliana explica que cada corpo reage e apresenta dificuldades diferentes durante as aulas, por isso é preciso que cada aluno tenha atenção especial. “Ter alguém olhando de fora para perceber o que pode ser melhorado na prática ajuda muito”, afirma. A segunda dificuldade consiste em ensinar os outros elementos presentes no yoga como relaxamento, respiração e filosofia da prática. “Parece difícil passar esse algo além do yoga, já que para isso eu tenho que estabelecer diálogo com a pessoa que está assistindo e com a distância isso não parece se dar de forma tão fluida quanto pessoalmente”, relata. Essa falta de contato com os alunos é algo desestimulante para ela. A estudante de Psicologia conta que já ficou desanimada a ponto de adiar as aulas por alguns dias.

  Juliana precisa conciliar as oficinas com seus compromissos acadêmicos, entre eles a etapa mais importante do curso: o desenvolvimento do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Ela conta que um dos desafios trazidos pelas atividades remotas é a criação dos próprios horários já que não há mais uma rotina a ser seguida. Para ela, o maior desafio é conseguir conciliar seus compromissos com suas necessidades como o cuidado com a saúde física e mental.

  A oficina de literatura e escrita também ocorre por videoconferência, mas poucos alunos acompanham. Enquanto no grupo da oficina há mais de trinta pessoas, a presença nas reuniões é de normalmente quatro a seis pessoas que acompanha as aulas desde o começo, o “público fiel” como define Felipe. Ele também comenta que o principal motivo para a baixa adesão é o Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE). Felipe afirma: “Muitas das aulas que os alunos têm são próximas dos horários com o que a gente dá [as oficinas]”. Em uma ocasião especial, quando planejou atividades para mais pessoas, a baixa participação o frustrou: “Uma das últimas aulas de escrita que eu dei inclusive tive que adiar porque tinha pouquíssima gente, tipo duas pessoas e eu tinha planejado uma aula super legal que eu queria discutir com o pessoal. Realmente desanima um pouco isso”, lembra. Na semana posterior, eu dei essa aula e foi bem legal, o pessoal foi super receptivo”. Entretanto, apesar de todas as dificuldades, as oficinas seguem e isso é tão benéfico para os participantes quanto para ele. 

  Outro fator que dificulta a realização das oficinas é a qualidade da internet. Felipe recorda que os primeiros encontros eram realizados na plataforma Jitsi Meet, no entanto, por conta da lentidão os encontros atualmente são realizados pelo Google Meet. Mesmo assim, a conexão nem sempre está boa e isso gera problemas na comunicação. “Quase sempre a gente tem corte quando algum aluno fala. Temos problemas técnicos, digamos assim, quando a gente está falando, quando os alunos estão falando”, relata. Na opinião de Felipe, o ensino à distância é mais exaustivo, pois as aulas se resumem a uma série de textos e exercícios que presencialmente seriam resumidos e explicados pelos professores. “É um momento que, querendo ou não, estamos com responsabilidade triplicadas”, reconhece. Esses fatores levam o estudante de Ciências Sociais a afirmar que não enxerga nenhuma vantagem no ensino à distância.

  Já para Esther, as principais desvantagens do ensino de dança e taekwondo à distância são a ausência das práticas coletivas que prejudica a aprendizagem e há menor envolvimento dos participantes. “A questão da atmosfera, do envolvimento entre as pessoas, do coletivo e da relação isso se perdeu muito nas oficinas”, conta. Apesar de cada oficina contar com mais de 40 participantes, poucos entram em contato para avaliar as oficinas. Também há muitos alunos que saem do grupo sem explicar o motivo e isso gera inseguranças para a estudante. “A gente acha que é uma coisa pessoal, da minha metodologia, do meu ensino, do meu fazer e ser professora”, afirma. Uma outra dificuldade que a monitora enfrenta são dificuldades técnicas durante a produção das aulas como, por exemplo, a sua filmadora que estragou dias atrás, o que atrasou a aula. Essas situações são desmotivadoras para ela. Sobre a gravação de uma das últimas aulas, Esther relembra: “Já estava tudo pronto e eu deixei até o último minuto para eu gravar porque eu não estava nem um pouco a fim”.

  Além da organização das oficinas, os monitores precisam se dedicar às atividades de seus cursos e a outros desafios e preocupações que a pandemia impôs a todos, como o contato com os amigos, uma nova rotina e incertezas em relação ao futuro. Esther conta que para lidar com todos os compromissos, a organização é fundamental.“Se eu não me organizar para o dia que eu vou gravar, que eu vou editar, que eu estudar, que eu vou dedicar um tempo para mim fazer as coisas da minha faculdade eu me perco toda, fico totalmente improdutiva”. Mesmo assim, em alguns momentos ela precisa sacrificar algumas horas do seu sono para concluir as suas atividades. “Às vezes eu fico até às duas da manhã editando e tenho que acordar às oito para uma aula que eu tenho as oito e meia”, recorda.

As recompensas

  Coordenar as oficinas à distância é um grande desafio, mas os monitores afirmam que é recompensador ver o impacto positivo das atividades. Mesmo com o envolvimento abaixo do esperado, Esther recebe alguns relatos de quem pratica as oficinas. “Algumas alunas, no caso todas mulheres, elas me chamam pelo Whatsapp quase que semanalmente para conversar sobre como foi a aula”. Sobre o contato com os alunos, ela cita duas ocasiões em específico: “Uma menina que já dançava antes falou sobre como o meu método é diferente para criar, que ela se sente super potente para criar coisas”. O segundo relato que recebeu é de uma aluna especial: sua professora de teatro. Ela que participa da oficina de dança contemporânea gostou bastante das aulas e pratica com frequência. “Ela dança no gramado, ela experimenta dentro de casa, ela dança com o cachorro… ela inventa de tudo”, relata.

  Nos momentos de desânimo é em relatos como esses que Esther encontra a força e a inspiração necessária para continuar. “Isso me deixa muito inspirada, me deixa muito feliz saber que eu estou conseguindo ajudar as pessoas e potencializar a criação artística delas”. Ela também explica que as oficinas a ajudam a se manter criativa e produtiva. Uma ideia que surgiu para as oficinas online e que Esther pretende dar continuidade, foi a criação de um diário de dança contemporânea. No diário, os alunos registram as aulas por meio de textos, áudios, desenhos e “tudo que eles puderem criar artisticamente”. 

Descrição de Imagem: Fotografia vertical e colorida de uma folha branca. Centralizado na parte superior, o texto escrito em caligrafia manual, “Além disso, amo dançar.”. Logo abaixo, desenho de um busto feminino em posição de meditação, envolto por folhas. Abaixo do busto há traços circulares, que crescem de cima para baixo em formato de redemoinho. Ao redor do desenho, símbolos de folhas e pássaros em um tom marcado de preto. Abaixo, as frases, “Em meio ao caos prático o conhecimento interior que me leva à compreensão última do universo e ao sentimento de calma e serenidade”.  O fundo da imagem é branco.
Diário de uma aluna da oficina de Dança Contemporânea. O texto diz: “Além disso, amo dançar. Em meio ao caos pratico o conhecimento interior que me leva à compreensão última do universo e ao sentimento de calma e serenidade”.

  Felipe conta que no início da oficina de “escriteratura” muitos alunos tinham dificuldades na leitura, na escrita e em acompanhar as atividades, mas esses desafios foram vencidos ao longo da oficina. O monitor deixa nítida a sua satisfação: “é muito legal como os alunos que nos disseram que não conseguiam ler, não conseguiam escrever, conseguiram e se sentiram bem com isso”. Não foram apenas os alunos que superaram obstáculos graças a oficina. Felipe conta que não conseguia manter uma rotina de leitura e escrita mas devido à oficina e ao apoio dos alunos conseguiu construir o hábito. “Tenho lido textos extras para produzir a minha parte da aula de escrita. Também tenho escrito junto com eles na oficina de escrita. Então nesse sentido está sendo muito bom para as duas partes”, afirma.

  De acordo com Elisa, boa parte dos alunos se expressa e participa da discussão durante os encontros da oficina de teatro. Mas ela lembra que nas primeiras semanas, o cenário era totalmente diferente: “eu tinha no início quase um monólogo, eu falava o tempo inteiro”.  Ao falar sobre a mudança, ela diz: “Isso é muito gratificante porque eu percebo que além de eles se sentirem mais pertencentes, eles se sentem mais confortáveis”.

  Elisa também conta que fora do horário das aulas recebe mensagens dos alunos que falam sobre coisas que os fizeram lembrar da peça ou para compartilhar as reflexões que tiveram sobre seus personagens. A dedicação dos alunos faz com que a monitora da oficina de teatro se sinta privilegiada e motivada a produzir cada vez mais. Essa produção, segundo ela, se baseia nas relações e nos afetos, que a ajudam a manter a sua saúde mental durante um período tão difícil. “Isso aqui me alimenta, isso aqui me mantém equilibrada, me mantém para cima”, afirma.

  As aulas por videoconferência permitiram que Juliana tivesse um contato maior com os alunos da oficina de yoga. Ela afirma que esse contato é “muito importante para ela, para os alunos e para o ensino em si”. Por mais que em alguns dias se sinta indisposta, Juliana se sente melhor quando produz as aulas. “yoga propicia um momento de contato com nós mesmos que traz bem-estar”, conta.  As aulas de yoga são um meio de Juliana manter contato com a universidade, além de ser um grande aprendizado sobre autoconhecimento: “Sinto que dar uma aula pros alunos também é dar uma aula para mim mesma”, conclui.

  No momento atual, a prevenção é vital para evitar o adoecimento físico, mas a saúde mental também precisa de cuidados preventivos para evitar maiores danos. Esse é o foco das oficinas do SATIE que visam o bem estar dos estudantes da universidade, sejam eles  praticantes ou monitores. 

  Se interessou por algumas das oficinas? Além das aulas disponíveis no Youtube muitas oficinas são abertas fazem lives no seu perfil do Instagram ou divulgam suas salas de encontro no Facebook

Reportagem: Bernardo da Silva

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Editoria – .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2020/07/09/mudanca-repentina Thu, 09 Jul 2020 13:00:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3409 Projetos de extensão e campanhas da UFSM buscam se adaptar às condições do isolamento social

A UFSM suspendeu as atividades presenciais por conta da pandemia do coronavírus no dia 16 de março. A previsão inicial era de apenas um mês de suspensão, mas com aumento de casos no Brasil, a situação se agravou e todos os prazos foram adiados. O isolamento social dificultou o andamento de projetos de extensão e de campanhas já previstas, porém, através de adaptações foi possível realizar algumas ações. Entrevistamos Victor de Carli Lopes, técnico administrativo que atua na Pró-Reitoria de Extensão e o professor Luiz Fernando Cuozzo Lemos, coordenador de projetos de extensão na área de Educação Física.

O Observatório de Direitos Humanos (ODH) da UFSM, por exemplo, conseguiu realizar campanhas como a da Páscoa e a do agasalho. O ODH tem como propósito ampliar o debate sobre os direitos humanos e estimular a participação da comunidade em ações e reflexões, englobando grupos populacionais em situação de vulnerabilidade social. “Nesse momento, mais específico do isolamento social, outros problemas acabam surgindo, principalmente as dificuldades de subsistência dessas pessoas”, diz Victor. Ele informa que medidas assistencialistas se faziam necessárias. E esse foi o intuito da campanha da Páscoa: “levar doces e chocolates para as crianças para poderem aproveitar o feriado de uma maneira mais lúdica”, relata o servidor público da UFSM.

Descrição de Imagem: Fotografia vertical e colorida, ao ar livre, de Victor De Carli Lopes e uma mulher na entrega de doações. Eles estão no centro da foto, em frente a uma cerca de madeira. Ele tem pele morena, olhos escuros e cabelos cacheados, escuros e curtos. Usa máscara quadriculada branca e verde, jaqueta preta com mangas na cor cinza sobre blusão bordô; calças jeans cinza e tênis marrom. Ao lado, uma mulher com expressão facial alegre. Tem pele negra e cabelo escuro, que está preso para trás. Usa touca marrom, casaco rosa claro e calça verde água. Na mão esquerda segura um celular na cor rosa. No chão, em frente a ela, três sacolas fechadas, com doações. Em segundo plano e atrás de Victor e da mulher, uma casa de tijolos laranja e objetos no pátio da casa, com cobertores por cima. Ao lado, um carro bordô na garagem, uma cerca torta de madeira na cor cinza; no meio, um portão de ferro enferrujado, levemente solto e na cor branca. O chão é de terra com alguns tufos de grama. Ao fundo, o céu sem nuvens, o telhado cinza de uma casa e galhos de árvores em tons de marrom e verde.
Victor à esquerda em entrega de agasalhos

 Diferente dos outros anos, a campanha do agasalho precisou ser mais pontual, por conta do isolamento social e por tempo limitado. Foram apenas dois dias para arrecadações em locais específicos e as doações foram feitas em modelo drive-thru, assim como foi a da Páscoa, na qual as pessoas passavam de carro e deixavam a sua contribuição. Além disso, o Observatório contou com o auxílio de um carro da universidade que passou na casa de quem não tinha condições de se deslocar, mas que havia ligado com interesse de fazer doações e cadastrou o endereço.

Apesar dos “empecilhos logísticos”, como diz Victor, somente em um turno foi possível arrecadar mais de 1.000 peças de roupas e calçados para a campanha do agasalho. Para a ação da Páscoa, foram montados 330 kits de doces e chocolates, além de alimentos e materiais de higiene e limpeza. Os integrantes do Observatório avaliaram o resultado de forma positiva ao considerar todas as dificuldades proporcionados pela pandemia.

Lives e treinamentos à distância

Há ações que têm como característica primordial a realização de atividades presenciais e, por isso, precisaram se adaptar diante dessa impossibilidade. É o caso dos projetos coordenados pelo professor Luiz Fernando, do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD), que trabalha com modalidades esportivas.

“Infelizmente, é impossível continuar com qualquer um dos projetos, por que eles são muito humanos, próximos, são muito de movimentos, de reunião de pessoas. Todos eles, eu não consigo pensar um, que eu consiga manter na plenitude ou com uma mínima adaptação.” lamenta, o professor. Entre os diversos projetos está o atletismo da universidade, que estava em ascensão nos Jogos Universitários Gaúchos (JUGs), porém as competições tiveram que ser interrompidas em virtude da Covid-19. No entanto, para as equipes há orientação e treinamentos online, que podem ser feitos à distância ou até mesmo em academias. 

​Com a intenção de aproximar-se da comunidade, Luiz Fernando, junto ao Núcleo de Implementação da Excelência Esportiva e Manutenção da Saúde (NIEEMS), o qual é coordenador, promoveu lives pela página do Instagram para entrevistar e conversar com estrelas do esporte, como o ex-jogador de basquete, Oscar Schmidt. Já foram realizadas mais de 15 entrevistas e que repercutiram em vários meios de comunicação. O professor enxerga sua iniciativa como uma possibilidade de difusão, visto que o conteúdo ficará registrado nas mídias como uma forma de destacar atividades de entretenimento e de informação para os interessados. 

Descrição de imagem: Captura de tela colorida da live, no aplicativo Instagram, de Luiz Fernando Cuozzo em entrevista com Oscar Schimitt. Centralizado na parte superior, está a tela de Luiz Fernando, que sorri. Tem a pele clara e cabelo escuro com penteado topete. Usa camiseta branca, e está em frente à uma parede branca. Em primeiro plano, está Oscar, que sorri. Ele tem pele clara e cabelo loiro claro nas extremidades da cabeça. Usa casaco azul royal com três listras brancas nas mangas. Ao fundo, uma estante de madeira marrom, com vidros nas portas. Na parte esquerda superior da captura, está a foto de perfil e o usuário do Nieems, em letras brancas. Ao lado, uma barra horizontal em tom de rosa, com a frase “Ao vivo” em branco; Ao lado, em uma barra horizontal transparente, desenho de um olho e “28”; ao lado, um “x” em branco. Na parte inferior, está a barra para comentar, curtir ou interagir durante a live.
Print da transmissão do professor Luiz Fernando com Oscar Schmidt

O professor destaca que desde o final de março, a intenção era seguir com as ações a partir desse enfoque de divulgação como forma de adaptação das atividades à distância. “Ficar somente em casa dando aulas para nós, que somos muito envolvidos e ativos em ações, em vários projetos, poderia causar uma situação de tristeza para mim e para os alunos”, completa o docente.

Com perspectivas para o futuro, tanto Victor, quanto Luiz Fernando, declaram ter planos junto aos projetos que fazem parte na UFSM. O Observatório vai aceitar doações para comprar materiais de cesta básica, higiene e limpeza, a fim de auxiliar as famílias em situação de vulnerabilidade social. Já o professor pretende continuar com as lives, bem como seguir com a preparação física dos atletas para o JUGs e outras competições que foram adiadas.

 

Reportagem: Flávia Morishita e Nathiele Pizzutti

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