.TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt Revista Tue, 11 Nov 2025 18:24:18 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt 32 32 .TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2025/11/11/corrida-a-favor-do-tempo Tue, 11 Nov 2025 18:24:15 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=4120

Natural de Teutônia, interior do Rio Grande do Sul, Jaqueline Beatriz Weber, 30, demonstrou cedo o interesse e a aptidão pelo esporte. Ainda na escola, seu talento no atletismo chamou a atenção e lhe rendeu medalhas e convocações para as seleções brasileiras de base. Aos 17 anos, mudou-se para Santa Cruz do Sul, decidida a ir atrás do sonho de ser atleta profissional. A velocidade com que despontou contrastava com a lentidão na valorização de seu esporte no país, desafio enfrentado desde o início de sua trajetória.

De lá pra cá, entre glórias e frustrações, 13 anos se passaram, e uma rotina de 12 treinos por semana, resiliência e muita dedicação colocaram a gaúcha entre as melhores do país nas corridas de meio-fundo (provas de 800m a 3000m).  Entre 2023 e 2025, foi campeã sul-americana Indoor, categoria disputada em estádios fechados, representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos, no Mundial de Atletismo e no Mundial de Corrida de Rua. Feitos relevantes, mas que segundo a atleta não afastaram as contestações: ‘’já me perguntaram se eu trabalho além de correr, então eu digo que correr é o meu trabalho. No início foi difícil lidar com isso, mas usei como combustível para provar para todo mundo que fiz a escolha certa’’, comenta Jaqueline.  

Entre pistas e pesquisas 

Apesar das conquistas, as incertezas de uma jornada como atleta profissional no Brasil, que em geral estende-se por apenas um terço da vida dos competidores, fizeram com que Jaqueline investisse seu tempo também nos estudos. Nas palavras dela, ‘’os atletas ganham os holofotes e contam com suporte financeiro de instituições quando estão bem, e quando eles param são deixados de lado, com ainda dois terços de vida pela frente. Então, é preciso estar preparada’’. 

Nos primeiros anos da dupla carreira, a esportista conciliou os treinos com a graduação em Educação Física na Universidade de Santa Cruz  (Unisc) e no final de 2024, recebeu o título de mestra em Gerontologia, ciência que estuda o envelhecimento humano, pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A escolha do tema de seu mestrado não foi por acaso: com o intuito de arquitetar sua aposentadoria, ao longo dos dois anos, a corredora pesquisou sobre o envelhecimento e o processo de transição de carreira de atletas olímpicos meio-fundistas no Brasil. Em seu estudo, Jaqueline investigou como eles administram o fim de suas trajetórias nas pistas, como foi a adaptação a novas funções, e qual foi o impacto da rotina regrada na saúde e na qualidade de vida pós-carreira. 

Preparada para o futuro

Os resultados da pesquisa indicam uma transição de carreira promissora para Jaqueline. Corredores de alta performance que se mantiveram academicamente ativos apresentaram um processo de transição mais suave e positivo, principalmente no que diz respeito à necessidade de nova profissão em uma idade considerada precoce. Outro dado favorável indica que nenhum dos atletas entrevistados apresentou dores ou lesões oriundas da alta performance; pelo contrário, a maioria se encontram fisicamente ativos, o que reforça a eficácia da prática diária de exercícios físicos na melhora da saúde e da qualidade de vida. 

Com a conclusão de seu mestrado, a desportista tem se dedicado exclusivamente ao atletismo. Atualmente, está em fase de preparação, na busca para obter o índice necessário para a disputa dos Jogos Olímpicos de 2028, seu grande objetivo de carreira.

Enquanto corre contra o relógio, em busca da vaga olímpica, Jaqueline também corre em prol da vida. Em meio à rotina intensa de treinos, ela ainda encontra tempo para compartilhar suas experiências com crianças e adolescentes, por meio da Associação Medalha de Ouro,  projeto social que estimula a prática esportiva e oferece orientação a quem sonha trilhar caminhos parecidos com o dela.

Dentro e fora das pistas, o legado de Jaqueline Weber continua a ser escrito. E ela está preparada para qualquer linha de chegada.


Repórteres: João Victor Barbat e Matheus Lanzarin

Contato: joao.barbat@acad.55bet-pro.com / lanzarin.matheus@acad.55bet-pro.com

Link para a reportagem: http://youtu.be/_k-pFHcZAh4?si=aN-7X_ve4anRqpSB

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.TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2025/10/23/quero-fazer-arte-para-poder-ensinar Thu, 23 Oct 2025 22:12:27 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=4116 Precarização do Teatro Caixa Preta impacta na formação dos estudantes das Artes

Fundado em 1988, o Teatro Caixa Preta é um espaço artístico que integra o Centro de Artes e Letras (CAL) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Idealizado no modelo black box (caixa preta), conta com uma estrutura totalmente modulável, o que proporciona maior versatilidade e liberdade criativa na construção do espetáculo e na configuração do palco. O Caixa Preta recebe espetáculos de conclusão de curso e abriga atividades de ensino e pesquisa cênica, como aulas, ensaios e práticas laboratoriais associadas aos cursos de Artes Cênicas, Teatro, Música Licenciatura, Bacharelado, Música e Tecnologia, Artes Visuais e Dança Licenciatura e Bacharelado.

Após quatro anos fechado, em 2023 o espaço passou por reparos e manutenções para que pudesse retomar suas atividades artístico-pedagógicas e atender às demandas dos estudantes. A coordenadora do Teatro Caixa Preta, Raquel Guerra, conta que o local integra o currículo dos cursos de artes do CAL para atividades acadêmicas e extensionistas. Raquel explica que o espaço cultural é um lugar que tem uma vida e é como uma casa: “é que nem a tua casa. Tu tem que limpar todo dia, tem que cuidar da tua casa do dia. E o espaço cultural também é isso. Ele precisa de manutenção constante. Quando ele está fechado, essa manutenção além de não existir, ela só vai piorando”.

Ocupar o espaço tornou-se um desafio para os estudantes do Centro de Artes e Letras, devido às reivindicações e ao crescimento dos cursos do CAL, associado à saída da graduação em Dança Licenciatura do Centro de Educação Física e Desporto (CEFD). A coordenação do Caixa refere que a prioridade de uso é para trabalhos de conclusão de curso performáticos – ou seja, que contam com apresentação artística. Ainda assim, estudantes dos cursos de Dança enfrentam empecilhos para reservar o espaço.

A bacharela em Dança, Anna Beatriz Souza, apresentou seu trabalho de conclusão de curso no Teatro Caixa Preta com a colega Jéssica da Silva em novembro de 2024. Anna conta que seu orientador já previa que as alunas enfrentariam impasses para reservar uma data no Caixa e que foi necessária muita insistência para que conseguissem utilizar o espaço. Enquanto formandas em Dança Bacharelado, aquela poderia ser a única oportunidade de se apresentarem no local: “desde o início do curso nos foi dito que, pelo menos, o nosso trabalho de formatura poderia ser apresentado no Caixa, o que não é verdade, porque muitas colegas nossas não conseguiram  apresentar no Caixa”, cita a artista. 

Anna Beatriz Souza e Jéssica da Silva, em sua pré-banca de TCC, no Teatro Caixa Preta Foto: Jonathan Maciel

As dificuldades em reservar o Caixa Preta ao longo do curso também acarretaram  em barreiras para montar o espetáculo. Anna Beatriz reforça que idealizar uma obra exclusivamente dentro da sala de aula prejudica o processo de montagem: “a sala de aula não é própria para que a gente pense o espetáculo, […] porque não tem o tamanho, a estrutura e os elementos necessários para que a gente consiga pensar ou fazer um espetáculo lá dentro”. 

O curso de Dança Licenciatura integrava o CEFD até 2024, o que prejudicava o acesso dos acadêmicos ao Teatro. Assim, espetáculos e coreografias associadas ao curso e às disciplinas eram restritas ao Complexo Didático Artístico (CDA), um espaço não-convencional para pensar dança e performance pois, apesar de pensado para receber apresentações, não segue o formato tradicional de palco italiano – em estilo auditório. Como a caixa cênica do CDA não é pré-montada e tão estruturada , espetáculos no complexo implicam em ter alguém para adaptar a estrutura.

Em seis anos de graduação, a egressa do curso de Dança Licenciatura, Esther Ávila, nunca se apresentou no Caixa Preta. Ela reflete que o curso, por ter maior foco na parte pedagógica, não gerava oportunidades de performance por parte dos alunos: “depois de um tempo, eu me sentia só professora. Ser artista já não era mais uma coisa tão importante no curso (…) Mas, para eu estar numa licenciatura em arte, primordialmente, é porque eu sou artista. Porque eu quero estudar arte e fazer arte, para poder ensinar isso também”.

Os estudantes que seguem no curso reforçam as percepções sobre ser artista e o local da dança. Lauren Diel, formanda da Licenciatura em Dança, relata que a mudança de centro evidencia que a transformação na forma como a dança é vista e quais lugares ocupa são fatores determinantes para saber onde ela deve estar. Para a artista, a Dança é um curso das Artes da Cena, como todos os outros, e não uma modalidade de esporte.

Lauren Diel em apresentação na X Noite da Dança, no Teatro Caixa Preta Foto: Lucas de Araújo

Segundo o diretor do Centro de Artes e Letras, Gil Negreiros, a transição da licenciatura do CEFD para o CAL é uma correção histórica: “não tem fundamento você abrir dois cursos de Dança e cada curso ficar em um Centro, sendo que a dança é uma arte”. Ele destaca que a Arte não é só diversão e entretenimento, mas sim, objeto de pesquisa. Por isso, a necessidade de fornecer aos estudantes a infraestrutura necessária para potencializar suas pesquisas, seja dentro do Caixa Preta ou em novos espaços. 

A direção de centro elucida que o Teatro Caixa Preta tem um grande espaço pedagógico dentro do CAL e é primordial para a formação dos artistas da Universidade. Dessa forma, o Centro pretende reformar outros espaços até o final do ano, a fim de comportar performances e ensaios, como uma forma de aliviar a demanda do Caixa e garantir que todos os discentes possam utilizá-lo durante sua passagem pela UFSM. A retomada do funcionamento do Teatro é um ganho imenso para os estudantes e para a comunidade externa: “o CAL precisa de muitos espaços. O artista precisa do espaço “, destaca Gil. Ao fechar um local artístico-cultural, ele começa a se desmanchar e, para o artista, é essencial estar em cena – e é necessário cuidar do palco como quem cuida da própria casa.


Repórter: Julia Zucchetto

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.TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2025/10/02/radio-universidade-resiste Thu, 02 Oct 2025 16:36:39 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=4106

O rádio alcança semanalmente 80% da população brasileira, segundo a Kantar IBOPE Media, mas enfrenta limitações técnicas: 68% das emissoras utilizam equipamentos com mais de dez anos de uso, de acordo com a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT). Além disso, muitas emissoras AM enfrentam desafios logísticos e financeiros para migrar para a faixa FM, um processo iniciado em 2013 com o Decreto nº 8.139, que visa melhorar a qualidade de áudio e competitividade frente às mídias digitais. A migração exige investimentos em novos equipamentos, pagamento de outorgas (que variam de R$ 8 mil a R$ 4 milhões a depender da cidade e potência) e, em grandes centros, depende da liberação da faixa estendida após o desligamento do sinal analógico de TV, concluído em 2023. Esses custos e a demora na aprovação de projetos pelo Ministério das Comunicações e Anatel dificultam o processo, especialmente para emissoras menores. 

O sistema de Amplitude Modulada (AM) surgiu em 1906 e se consolidou no período pós-Primeira Guerra Mundial, com destaque para o grande alcance do sinal. A Frequência Modulada (FM), que surgiu em 1933 e se consolidou nos anos 1960, trouxe qualidade sonora superior, menos interferência e programação mais variada. Com o tempo, o rádio enfrentou novos desafios trazidos pela televisão, pela internet e pelas plataformas digitais. A sobrevivência do meio passou a depender da reinvenção de sua linguagem e formatos. 

Em meio a esse cenário, a Rádio Universidade 800 AM, da UFSM, destaca-se como exemplo de adaptação e compromisso com a comunidade, com operação mantida em AM e alcance ampliado via streaming online. A emissora resiste aos desafios e inova com a transmissão online, que expande sua audiência globalmente. Durante a enchente de maio de 2024, no Rio Grande do Sul, a Rádio Universidade permaneceu no ar enquanto outras mídias sofreram interrupção por falta de infraestrutura digital. O diretor do Núcleo de Rádios da UFSM, Jonathan Ferreira, relembra o período: “A FM ficou fora do ar por 15 dias. Já a AM seguiu no ar e informou a população.” A equipe da universidade organizou uma campanha que arrecadou rádios AM e os distribuiu às comunidades afetadas, o que reforçou sua relevância social. 

A UFSM mantém duas emissoras: a Rádio Universidade, inaugurada em 1968, e a UniFM 107.9, lançada em 2017. Ambas desempenham papel relevante na formação universitária e na prestação de serviço público. A Rádio Universidade e a UniFM nasceram com o objetivo de divulgar as atividades da instituição e, conforme estimativa do Núcleo de Rádios da UFSM em 2020, chegou a ultrapassar um milhão de ouvintes. De acordo com dados fornecidos pela direção das Rádios, a Universidade AM alcança 51 cidades da região, enquanto a UniFM cobre cerca de 20 municípios, com audiência aproximada de 480 mil pessoas. A programação educativa, cultural e científica, apoiada por uma equipe multidisciplinar integrada à comunidade acadêmica, consolida a missão pública das emissoras, que transcendem a lógica comercial.

A programação da 800 AM inclui coberturas de vestibulares, congressos, projetos acadêmicos e eventos institucionais, além de conteúdos de cidadania e divulgação científica. “O rádio público não pode ser pensado com lógica comercial. Ele tem que chegar aonde o mercado não tem interesse em ir”, afirma Ferreira. A emissora conta com 10 servidores, entre jornalistas, sonoplastas e programadores, dois operadores terceirizados e bolsistas dos cursos de Jornalismo,  Jornalismo, Relações Públicas, Produção Editorial, Engenharia Acústica, Música e Tecnologia.


Ao longo de mais de cinco décadas, a 800 AM passou por diversas mudanças técnicas. Discos e fitas foram substituídos por sistemas digitais por computador, sistema esse que foi ampliado com o surgimento da conexão Wi-Fi. O locutor Roberto Montagner destaca que, com o streaming, a diferença de qualidade entre AM e FM deixa de ser relevante. “Hoje qualquer rádio pode ser ouvida online, de qualquer lugar do mundo”, explica. Embora muitas AM tenham migrado para FM, a 800 AM permanece em sua frequência original. “O grande diferencial do AM é o alcance geográfico. Ele chega a lugares que o FM não alcança, especialmente em regiões remotas”, observa Jonathan

Segundo o site Tudo Rádio, apenas três universidades no Rio Grande do Sul ainda mantêm estações AM: a UFSM, a UFRGS e a UCPel. O Atlas da Notícia de 2023 aponta que mais de 26 milhões de brasileiros vivem em “desertos de notícia” — municípios sem veículos jornalísticos locais. Neste contexto, emissoras universitárias, como a 800 AM desempenham um papel essencial ao oferecer informações de interesse público, programação educativa e cultural, além de dar visibilidade a comunidades negligenciadas pela grande mídia.

O pesquisador Luiz Arthur Ferraretto, da UFRGS, define em seu artigo científico “Uma proposta de periodização para a história do rádio no Brasil” que o atual momento da radiodifusão é de convergência, em que o rádio expande sua presença em podcasts, streamings e web rádios. Para ele, o futuro do AM dependerá de sua capacidade de adaptação às transformações tecnológicas e culturais. A Rádio Universidade AM mostra que é possível inovar sem abandonar a missão pública que a originou. Seu papel pedagógico, cultural e social sustenta sua relevância, mesmo em meio às ondas da crise.

Desesrtos de Informação

Quem vive em um deserto de informação enfrenta uma realidade distante e desconexa com o resto do mundo e até mesmo da sociedade, e são vulneráveis a possíveis desastres socioambientais. Um exemplo claro disso foi durante as enchentes de Maio de 2024 no Rio Grande do Sul que deixou centenas de famílias desabrigadas. Durante a tragédia as pessoas afetadas tinham dificuldade para se informar sobre pontos de coletas de doações e locais de abrigo, pois a energia elétrica foi afetada e a internet instável.

Para tentar mitigar este problema, foi lançado no dia 24 de Março de 2025 o Fundo de Apoio ao Jornalismo (FAJ). A primeira iniciativa no Brasil com o objetivo de apoiar o Jornalismo Local. Foram selecionadas até 15 organizações, que receberam entre R$75 mil e R$150 mil por ano durante três anos. Quem empreendia nesse setor sabe que, embora não fosse uma quantia absurdamente volumosa, esse tipo de recurso tem o potencial de transformar completamente organizações pequenas em veículos profissionais e de qualidade.


Repórteres: Renan Silveira, Pedro Felipe de Almeida, João Pedro Amaral

Fotos: Matheus Lanzarin/Acervo Rádios UFSM 

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.TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2025/09/18/mais-que-confeccao-uma-forma-de-expressao Thu, 18 Sep 2025 12:06:11 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=4101 Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:

Foto: Mathias Ilnick

Para o senso comum, a moda pode parecer isto mesmo: um sistema superficial, movido pela lógica irracional do consumo. A acadêmica de Artes Visuais da UFSM Dárica Gomes não enxerga assim. “É algo afetivo, emocional, das raízes. É ancestral”, comenta a jovem a respeito de sua relação com o fazer artístico e a confecção de roupas. Ela afirma que a costura é uma forma de se conectar com as origens e alcançar um estilo único. 

Além de estudante, Dárica é uma das colaboradoras do Brechó Apenas, um empreendimento coletivo que expõe seu acervo, geralmente, no brique da Vila Belga e no hall do Restaurante Universitário I (RU I). O espaço de convivência do RU é casa para muitos outros negócios, organizados, inclusive, pelos próprios estudantes. Para expor, nenhum acordo é necessário; o Brechó Apenas, por exemplo, somente se instala e põe à venda peças de garimpo e de fabricação própria – muitas delas, com o uso do upcycling.

Trata-se não apenas de uma técnica, mas da “epítome da autenticidade”, como descreve Pedro Ivo Vieira, idealizador do Relance Brechó. O upcycling é uma abordagem sustentável na qual materiais que seriam descartados são transformados em novos produtos. Diferente da reciclagem tradicional, não há decomposição de matéria – o novo produto é criado a partir do velho, sem destruir sua forma original. No universo da moda, o upcycling acontece com recortes, costuras, pinturas e outras personalizações que dão continuidade à história das peças. 

No Perspectiv é o nome dado pelo relações públicas formado pela UFSM Brenner Barbosa à linha de peças sustentáveis produzida para seu Trabalho de Conclusão de Curso. As roupas, inspiradas nos estilos Y2K, Clubber Punk e Hip-Hop, foram produzidas a partir da reutilização de aparatos encontrados em pequenos bazares, todos bastante gastos e com avarias. Barbosa define-as como peças que atingiram o seu ciclo máximo na visão comercial. 

O projeto, acompanhado de uma série de vídeos e fotografias, simboliza o que o profissional de Relações Públicas descreveu como a falta de perspectiva para encontrar sua visão de mundo dentro de Santa Maria. Os artistas visuais Leo Penna e Rayssa Barcelos, amigos de Brenner, foram responsáveis pela tradução desses sentimentos nas peças ao trabalharem com estamparias que cobriam os rasgos das roupas originais. “Foi uma ligação de relações que eu tive durante a minha graduação, que diziam respeito às coisas que eu era e que eu sou”, explica.

Muito mais que uma iniciativa sustentável para a indústria têxtil – visto que o setor é responsável por, aproximadamente, 2% a 8% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo estudo de 2017 da Ellen MacArthur Foundation -, o upcycling se mostra, também, uma maneira singular de expressão pessoal. Para Brenner, a técnica ressignifica algo criado por outra pessoa e produzido em larga escala. Ele acrescenta: “você revive uma coisa que poderia estar morta. Você transmite a sua realidade, a sua verdade, os seus consumos, as coisas em que você acredita”.

Sustentabilidade ainda não é tendência

Mesmo que velados, estigmas relacionados ao mercado da moda sustentável ainda persistem. Em questionário realizado de forma on-line com 62 estudantes da UFSM, 25% informaram que não costumam comprar roupas em brechós. Dárica, do Brechó Apenas, ratifica o dado: “muitas vezes, a gente recebe críticas do tipo: ‘olha ali, aquele pessoal comprando roupa velha’”. 

O Relance Brechó, empreendimento inaugurado em Santa Maria no ano de 2021 e atualmente localizado no bairro Botafogo, no Rio de Janeiro, faz sucesso com o público carioca – mas não foi assim em todos os lugares por onde passou. Pedro Ivo percebe, desde a mudança, uma “diferença gritante” no interesse dos gaúchos e dos cariocas por moda sustentável. Segundo seu relato, os compradores da cidade maravilhosa deteriam maior poder aquisitivo, fator que incentiva a valorização de seu trabalho e das roupas comercializadas.

O fato é que a moda sustentável – nisso, inclui-se a técnica de reciclagem têxtil – ainda não faz parte da corrente de consumo cultural dominante. Para entusiastas da temática, “o upcycling, realmente, é o futuro”, como manifestou Pedro Ivo. Essa opinião é reiterada não só pelos artistas independentes, mas por grandes nomes da indústria como a estilista britânica Vivienne Westwood. Ela costumava dizer que o único efeito possível que alguém pode ter no mundo é por meio de ideias impopulares.


Repórteres: Camille Moraes e Pedro Gonçalves

Contato: camille.moraes@acad.55bet-pro.com/ pedro.marion@acad.55bet-pro.com

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.TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2025/09/12/a-luta-das-mulheres-no-esporte-universitario Fri, 12 Sep 2025 17:05:51 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=4096 Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:

A quadra pode parecer um lugar democrático: quem tem talento, joga. No entanto, para as mulheres, esse caminho é repleto de obstáculos. Na UFSM, os times femininos enfrentam muito mais do que adversárias, lidam com estruturas precárias, preconceitos e, muitas vezes, com o silêncio institucional.

A técnica do Handebol Feminino da UFSM, Ysadora Freitas, afirma que é necessário ter postura e conduta para conquistar respeito. Com mais de 10 anos de experiência como atleta e agora como treinadora, ela fala com propriedade sobre o que é liderar uma equipe em um ambiente ainda marcado pela desigualdade. “Já vivi o machismo na pele, em diferentes contextos. Quando sou a única mulher em reuniões técnicas ou em competições, a postura das pessoas muda”, expõe. Ysadora conta que hoje consegue lidar melhor com essas situações, pois há homens que a auxiliam na beira da quadra. “Eles me ajudam a fazer os outros me escutarem.” O relato mostra uma realidade recorrente entre mulheres do esporte: é preciso provar o tempo todo que o trabalho desenvolvido é sério.

A mesma sensação aparece nas falas das jogadoras. “A gente tem que espernear, gritar, para ter um reconhecimento que no masculino é básico, algo normal”, relata a atleta da equipe UFSM/Dallas Futsal, Elizabeth Amaral Neves. Mesmo com um histórico de conquistas tão relevante quanto o masculino, o time feminino ainda enfrenta desafios relacionados à visibilidade e valorização. Atualmente, composto por metade das atletas da universidade e metade de fora, a diversidade enriquece o elenco, mas também torna difícil conciliar horários de treino com o calendário acadêmico. “Semana de prova, aula à noite, projetos… tudo interfere”, comenta Elizabeth.

Falta estrutura básica. As atletas de Futsal relatam que um dos ginásios não tem condições adequadas para sediar jogos, e, quando chove, a umidade impossibilita o treino. Além disso, embora haja apoio de fisioterapeutas, o time ainda carece de nutricionistas e psicólogos. A jogadora ainda afirma: “A gente tem o curso de Nutrição na universidade, mas não consegue trazer esses alunos para o projeto. A maioria prefere atuar com os meninos.”

Para as jogadoras do Voleibol UFSM, Caroline Cipolatto e Lívia Lese, o esporte feminino tem recebido mais apoio nos últimos anos, mas ainda há diferenças claras de tratamento por gênero. “A gente ia para torneios em que o feminino era deixado para jogar no domingo, enquanto o masculino podia escolher entre sábado e domingo. Até hoje, a premiação é o que mais mostra essa diferença”, conta Caroline. Lívia cita a lista de 100 atletas mais bem pagos do mundo, divulgada pelo site Sportico: “Todos são homens. Não sei quando vai aparecer uma mulher nessa lista. É uma luta.” 

A representatividade feminina nas comissões técnicas é uma conquista. “Eu gosto de ver a mulher em posição de comando”, diz Caroline. O projeto Voleibol conta com uma comissão técnica formada majoritariamente por mulheres – treinadora, auxiliar, preparadora física e fisioterapeuta – além do apoio de professoras da Educação Física, Nutrição e Medicina da UFSM.

A equipe de Basquete feminino da UFSM também enfrenta dificuldades. O time nasceu em 2022 quando algumas atletas foram convidadas a disputar um campeonato 3×3 no Ceará. Sem equipe técnica e com um grupo pequeno, elas jogaram contra adversários experientes e voltaram com o título dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) . Ali começava a construção de uma equipe que hoje representa o estado na Liga Gaúcha e no JUBs. Assim como no futsal, a rotina também não é fácil. Entre treinos à noite, aulas durante o dia e infraestrutura limitada, as atletas se dividem para manter o sonho vivo. Das quatro quadras disponíveis na universidade, apenas uma possui medidas e tabela oficiais para o basquete.

A capitã do time de basquete, Evelyn Spengler,  rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho em novembro de 2024, durante os Jogos Interatléticas de Santa Maria (JISM). Em dezembro, passou por cirurgia e desde então vive o desafio da recuperação e do afastamento temporário. “A parte mais difícil é não poder jogar. Não poder estar ali com as gurias, não ajudar como ajudava antes.” Ela é formada em Fisioterapia, cursa Educação Física e organiza sua vida em torno do esporte. “Já deixei de ir a aniversário para estar no treino. Meu foco sempre foi: primeiro o treino, depois os outros afazeres.” Hoje, ela apoia e incentiva a equipe de fora da quadra, enquanto treina individualmente.

Evelyn lamenta a ausência de categorias de base no basquete em Santa Maria e no estado, e aponta a falta de incentivo desde a escola como um dos principais entraves para que mais meninas se interessem pela modalidade. Para ela, embora a visibilidade do esporte feminino universitário tenha crescido, a falta de divulgação e investimento ainda desmotiva muitas atletas. “Se não tem renda com o esporte, a mulher tem que trabalhar. Aí muitas desistem, mesmo com talento. Quantas ‘Martas’ já não foram perdidas por isso?”, questiona. A desigualdade de tratamento e visibilidade é a maior barreira, segundo a jogadora,. Enquanto o masculino é impulsionado por mídia e lucro, no feminino é preciso lutar todos os dias apenas para ser vista.

Na UFSM, a estrutura oferecida ao time de basquete também é limitada, e o espaço é disputado pelas demais modalidades como  futsal e handebol, o que obriga o grupo a treinar em quadras menores, em horários alternativos, geralmente à noite. “Às vezes começamos às oito e terminamos depois das dez da noite, porque é o único horário possível. A maioria das gurias tem aula, estágio, trabalho… e mesmo assim, seguem firmes”, explica Evelyn. 

O apoio da Universidade é importante, mas ainda insuficiente. A UFSM oferece materiais de treino, acesso à academia e, quando possível, transporte para competições. No entanto, quando se trata dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), por exemplo, o suporte vem do Governo do Estado Rio Grande do Sul através da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL), que garante transporte aéreo, além de todo suporte logístico durante a realização dos jogos. 

Fotografia vertical e colorida de um ginásio poliesportivo vazio à noite, iluminado por luzes artificiais. No chão, há linhas brancas que delimitam as áreas destinadas a diferentes modalidades esportivas, nas cores azul e laranja. Ao fundo, há uma goleira de estrutura de ferro nas cores vermelho e branco. Acima dela, há uma estrutura de cesta de basquete na cor branca com marcações pretas e, mais acima, a presença de um placar eletrônico. A estrutura de ferro do teto está exposta e há diversas lâmpadas de led fixadas nela, além de uma cesta de basquete. Ao fundo, paredes de tijolos à vista na cor marrom-claro com alguns detalhes em azul. Há janelas de vidro com esquadrias claras que mostram o lado de fora do ginásio, completamente escuro.
Ginásio poliesportivo

Ser vista também é vencer

Os relatos revelam que o esporte universitário feminino vai muito além da competição. Funciona também como espaço de resistência, onde mulheres enfrentam diariamente a falta de estrutura, o machismo e a invisibilidade. Ainda assim, seguem firme, treinam, competem e abrem caminhos para que outras mulheres ocupem esse lugar. A busca por igualdade atravessa tanto a quadra quanto a vida fora dela. Vencer, nesse contexto, é também ser reconhecida, ser vista, ser valorizada.


Reportagem: Jaíne Cristofari e Clara Basso

Contato: jainecristofari@gmail.com / claraantonelobasso2006@gmail.com

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.TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2025/09/05/o-peso-da-rotina Fri, 05 Sep 2025 18:12:32 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=4090

Segundo o dicionário Aurélio, rotina é um substantivo feminino que significa a sequência de ações, algo que se faz todos os dias da mesma forma. A rotina pode ser usada com o objetivo de resolver problemas recorrentes e alcançar resultados. Elas são como regras que reduzem a incerteza e coordenam atividades, conforme explicado no artigo Rotinas – Uma Revisão Teórica da professora Rosiléia Milagres da Universidade Estadual de Campinas, publicado na Revista Brasileira de Inovação, da mesma universidade. 

 Com o passar dos anos, as redes sociais digitais tornaram-se cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas, era de se esperar que elas se relacionassem com suas rotinas, o que influencia diretamente na organização do dia a dia dos usuários. Rotina de produção, de estudos, de exercícios, independente do objetivo, ela está presente na vida das pessoas há muito tempo. A organização é uma aliada quando supre as necessidades cotidianas, mas pode ser  vilã, se idealizada.

 O psicólogo, mestre em psicologia social da personalidade, Renato Favarin dos Santos, explica a ação da rotina na saúde das pessoas. Renato trabalha na Coordenadoria de Ações Educacionais (CAED), na Subdivisão de Educação e Saúde, onde ajuda os estudantes a lidarem com o processo de formação acadêmica. Ele explicou que, na maioria dos casos, em que seus pacientes relatam estresse e ansiedade com as tarefas da universidade, pode-se perceber um problema em relação à rotina. 

Para um dia produtivo, o psicólogo orienta que uma boa noite de sono, boa alimentação e momentos de lazer são indispensáveis para conseguir cumprir as tarefas do dia. A rotina não é sempre absoluta e regrada, como sua definição teórica indica, e  Renato alerta que ela pode ser uma geradora de sofrimento e angústia. “Alguns chegam aqui já sabedores de que a rotina é importante, mas com uma ideia de ‘rotina ideal’, que hoje em dia está muito em alta na internet, “ disse o psicólogo sobre os relatos dos estudantes. 

Ainda na área da Psicologia, o psicanalista Sigmund Freud explica o conceito  do “princípio do prazer”, que é quando a mente busca uma gratificação imediata, sensação de controle, ordem e segurança. A rotina pode ser entendida a partir disso, por conta da sensação de dever cumprido das tarefas estipuladas para o dia. Com base nos estudos de Freud, a teoria da compulsão explica que, a repetição se torna um padrão automático, que auxilia no controle da ansiedade.

No entanto, a ideia de “rotina ideal” não surge por acaso. Ela é, muitas vezes, moldada por discursos, imagens e vídeos que circulam nas redes sociais digitais, onde os influenciadores digitais transformam seu dia a dia em conteúdo altamente editado, esteticamente atraente e até mesmo comercial. Foi o que apontaram os professores e pesquisadores Vinicius Kenji Shimazaki e Márcia Matos Pinto da Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (FATEC), ao analisar em seu artigo, A influência das redes sociais na vida dos seres humanos como as novas tecnologias vêm reconfigurando identidades, comportamentos e o modo de viver da sociedade na era digital. O texto mostra que o modo como as pessoas constroem e compartilham suas vidas nas redes digitais não só altera a percepção que as pessoas têm de si mesmas, mas também a forma como os outros passam a entender e, na maioria das vezes, idealizar o que é uma “vida organizada” ou “produtiva”.

Nos meios digitais, a rotina deixa de ser apenas uma ferramenta pessoal de organização e passa a ocupar o lugar das aparências. Diante disso, tarefas habituais como acordar cedo, estudar ou até mesmo preparar uma refeição são exibidas com filtros, tornam-se o exemplo de modelo a ser seguido. 

O problema desse tipo de exposição é que ele tende a esconder os fracassos, a desorganização e o cansaço, que também fazem parte da vida, o que, como abordado anteriormente, cria um padrão de rotina idealizada e inalcançável. A repetição desse modelo nas plataformas digitais reforça um imaginário coletivo de que existe uma maneira específica de viver bem, estudar melhor e ser mais eficiente, mas na prática essa “rotina perfeita” não é coerente com a realidade da maioria das pessoas.

Por meio de um formulário on-line disponibilizado no período de um mês, durante o primeiro semestre do ano, buscou-se compreender como os estudantes da UFSM lidam com a rotina, como a organizam, o que pensam sobre ela e onde consomem conteúdos relacionados ao tema. O questionário foi respondido por 37 alunos de diferentes idades, gêneros, cursos e centros de ensino da Universidade. A maioria afirmou ter algum tipo de rotina, embora ela não seja fixa, variando conforme a disponibilidade de tempo. Em geral, a organização diária é feita a partir dos horários das aulas. Poucos citaram práticas adicionais. Apenas um aluno demonstrou preocupação em dormir cedo, outro mencionou a inclusão de esportes, e nenhum relatou dedicar tempo específico ao lazer.

Em relação às redes sociais digitais, metade dos participantes relatou ver com frequência, em sua “for you” (para você) do Instagram, vídeos sobre rotina. No entanto, afirmam que não se inspiram nesse tipo de conteúdo. Para organizar o dia a dia, alguns acadêmicos disseram utilizar métodos de gerenciamento de tempo de estudo como a técnica pomodoro (técnica de gestão de tempo que divide o trabalho em pequenos intervalos) e ferramentas de organização como Google Agenda ou Notion. Também destacaram que mudar de ambiente contribui para a concentração, por isso preferem estudar em espaços mais reservados, como bibliotecas, laboratórios e outros ambientes da própria Universidade. Embora a maioria descreva a rotina de forma positiva, muitos admitem ter dificuldade em mantê-la.

Diante de tantas possibilidades, expectativas e modelos compartilhados diariamente nas redes sociais digitais, é importante lembrar que a rotina ideal não tem a obrigação de ser bonita ou produtiva aos olhos dos outros. Como reforça o psicólogo Renato, cada rotina é única e precisa ser construída de forma coerente com a própria realidade. A pesquisa dos professores Vinicius e Márcia também mostra que a rotina deve ser uma aliada, um recurso para organizar a vida, e não um padrão idealizado. No fim das contas, talvez o mais importante seja entender que, longe dos filtros e das plataformas digitais, a rotina não é, e não precisa ser perfeita, só precisa ser possível.

Entre vídeos e pausas: Um jeito real de viver a rotina

Ilustração de Roberta, estudante de Farmácia. Ilustração: Ana Rebeca Ramos Machado

Às 6h30 da manhã, Roberta Marchesan já está de pé. Mesmo depois de dormir tarde estudando para alguma prova, ela se levanta, prepara um café e começa mais um dia de aulas, estágios, gravações e organização. Estudante de Farmácia na Universidade Federal de Santa Maria, Roberta faz parte de um grupo crescente de universitários que dividem sua rotina com seus seguidores nas redes sociais. 

Estudante do sétimo semestre, Roberta começou a postar vídeos ainda no ensino médio, compartilhando muitos de seus resumos, a pedido de alguns colegas. O perfil cresceu aos poucos, virou companhia durante a pandemia e hoje atrai seguidores interessados em organização, dicas acadêmicas e reflexões sobre saúde mental. Seus seguidores, em sua maioria mulheres também da área da saúde, acompanham dicas sobre a faculdade, momentos do dia e reflexões sobre autoestima. Ela diz que a organização a ajuda a ter clareza sobre como está se sentindo, que se vê tudo muito “carregado”, tenta aliviar no decorrer dos dias.

Apesar da organização, Roberta não compartilha uma rotina perfeita. Pelo contrário, se preocupa em mostrar que dias difíceis também existem. “Não gosto de vender uma vida que não vivo. Gosto de influenciar, mas com realismo”, explica. Para ela, os vídeos que romantizam produtividade extrema podem gerar frustração. Por isso, escolhe compartilhar o que faz sentido para si, mesmo que isso signifique cortar uma parte do vídeo que a deixou desconfortável.

Quando o relógio marca 23h, Roberta finalmente encerra o dia. A rotina pode até começar cedo, mas não precisa seguir o roteiro de ninguém, apenas o dela.


Repórteres: Fabiola Nicoletti e Matheus Bernardes

Contato:  fabiola.nicoletti@acad.55bet-pro.com/ matheus.bernardes@acad.55bet-pro.com 

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.TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2025/08/28/um-refugio-para-os-animais Thu, 28 Aug 2025 15:35:04 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=4079 Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:

Enquanto alunos circulam entre prédios e laboratórios no 55BET Pro da UFSM, animais silvestres enfrentam obstáculos diários para sobreviver. O espaço, que antes era território livre para a fauna local, foi ocupado por calçadas, prédios e vias asfaltadas. Mesmo em meio ao concreto, seriemas, ouriços, bugios, pererecas e até lontras continuam a habitar a área universitária — invisíveis para muitos, mas essenciais para o equilíbrio ecológico.

A área da UFSM já era habitat natural de diversas espécies de aves, mamíferos, répteis e anfíbios. Como destaca o doutor em Zoologia e docente no Departamento de Ecologia e Evolução da UFSM, Tiago Gomes dos Santos, : “fomos nós que invadimos o território deles”. A presença humana acarreta em diferentes respostas da fauna local, algumas espécies abandonaram o local, outras passaram a viver discretamente em fragmentos verdes e um terceiro grupo se adaptou ao novo cenário urbano.

Entre as espécies adaptadas estão lagartixas, roedores silvestres e aves generalistas — que se alimentam de diferentes tipos de alimentos, tanto de origem animal quanto vegetal. Animais como as seriemas, que se tornaram figuras emblemáticas do 55BET Pro, caminham entre gramados, mesmo em contato direto com humanos. Animais que não são facilmente vistos também desempenham funções importantes, como controle de insetos, dispersão de sementes e polinização. Sua presença indica que o ecossistema original do pampa gaúcho, que, mesmo fragmentado, ainda resiste.

seriemas
Fotografia horizontal, colorida em plano médio de duas seriemas que caminham sobre um campo gramado durante uma chuva leve. À direita, em está  uma das seriemas. Suas penas estão visivelmente úmidas por conta da chuva. À esquerda, um pouco mais para trás e levemente desfocada, está a outra seriema. Ambas estão voltadas para a direita e possuem coloração acinzentada, pernas longas alaranjadas e bicos na mesma cor. O chão está coberto por grama verde-clara e pequenas folhas amarelas espalhadas. Ao fundo, observa-se um campo aberto com montes de terra e areia, troncos de árvores e uma faixa escura de vegetação densa. O céu está nublado e a luz é natural.
Foto: Paulo Barauna

A expansão territorial resultou na eliminação de áreas úmidas, essenciais à reprodução de anfíbios. Sapos e pererecas, por exemplo, são obrigados a cruzar ruas e avenidas para chegar até poças ou açudes, onde ficam vulneráveis ao calor do asfalto, à desidratação e a atropelamentos. Monitoramentos feitos por estudantes de Zootecnia, coordenados por Tiago, já identificaram diversas mortes nos arredores do Jardim Botânico: “A gente monitorou por um ano os atropelamentos de fauna de vertebrados em vários pontos aqui do 55BET Pro e um desses é perto do Jardim Botânico. Encontramos vários animais que estavam se deslocando possivelmente para a poça atropelados ali”.

Cobra coral-falsa
Fotografia horizontal, colorida e em primeiro plano de uma serpente. A pele do animal possui as cores preto, vermelho e branco, dispostas em faixas alternadas diagonais. No centro da imagem, a cabeça está voltada para a direita, levemente elevada e os olhos são redondos e escuros. O corpo está enrolado sobre palha seca em tons amarelados e verde-escuros. O registro foi feito com iluminação natural.

O impacto vai além: A fragmentação dos habitats compromete a conectividade ecológica e dificulta o deslocamento seguro da fauna, o que afeta a diversidade genética e aumenta o estresse dos animais. Mesmo espécies mais adaptadas como algumas aves urbanas, enfrentam dificuldades causadas pela presença de veículos, excesso de iluminação artificial e pela perda de locais seguros para construírem seus ninhos. Casos como o de um jacaré encontrado em um dos açudes do Laboratório de Piscicultura da UFSM mostram que os animais persistem em se manter no espaço — mas muitas vezes sua permanência depende da sorte.

Além dos desafios estruturais, os animais também lidam com reações humanas hostis ao encontrar animais silvestres “é comum que alguém veja um ouriço e entre em pânico, preocupado com seu cachorro, sem perceber a importância ecológica do animal”, afirma a doutora em Zoologia e docente do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFSM Marilise Krügel . Cobras são outro exemplo: mesmo as não peçonhentas são frequentemente mortas por impulso. Segundo o doutor em Zoologia e professor no curso de Medicina Veterinária do Departamento de Ecologia e Evolução da UFSM, Nilton Caceres, a raiz do problema está na falta de educação ambiental. Sem informação adequada, comportamentos como alimentar seriemas ou tentar “amansar” animais silvestres tornam-se comuns, o que interfere nos instintos naturais das espécies.

A invisibilidade de anfíbios, répteis e roedores também revela uma hierarquia de empatia. Enquanto aves e mamíferos despertam mais simpatia, anfíbios, répteis e roedores são frequentemente ignorados ou exterminados sem protesto. Contudo, todos exercem papéis cruciais nos ciclos ecológicos locais. As enchentes que atingiram o 55BET Pro em maio de 2024 também deixaram marcas na fauna local. Canais transbordaram e trilhas foram inundadas e animais que vivem próximos à água, como anfíbios, roedores, além de aves de solo, como quero-queros e seriemas, foram afetados e muitos não conseguiram escapar. Além disso, a água represada ou poluída compromete  a qualidade dos habitats.

Registros de animais como lontras em áreas degradadas mostram que, mesmo diante da adversidade, a fauna tenta resistir. No entanto, de acordo com o professor Tiago, essa resistência tem limites: a ausência de planejamento urbano e políticas ambientais estruturadas agrava a situação e força os animais a ocupar espaços cada vez mais hostis. Com o objetivo de aproximar a comunidade universitária da fauna do 55BET Pro, docentes dos departamentos de Engenharia Rural, Engenharia Sanitária e Ambiental e alunos do curso de Redes de Computadores desenvolveram o aplicativo eFauna UFSM. Lançado em 2024, o aplicativo permite que qualquer pessoa registre a presença de animais na UFSM. Os dados são georreferenciados e formam um mapa vivo da biodiversidade do local.

O objetivo vai além do monitoramento: O aplicativo busca educar, gerar empatia e reforçar a percepção de que os animais fazem parte do cotidiano do 55BET Pro. “Queremos que as pessoas tirem os fones e escutem o ambiente”, afirma a professora Marilise. A ferramenta também fornece informações detalhadas sobre as espécies e promove a desconstrução de mitos e uma convivência mais consciente.

Gráfico: Felipe Trost | Dados: Aplicativo Efauna

O projeto também está no Instagram (@efaunaufsm), e incentiva a participação de estudantes e voluntários interessados em biologia, comunicação e ciência cidadã. Embora haja iniciativas pontuais, como o eFauna e monitoramentos de atropelamentos, não existe um plano de manejo ambiental amplo na UFSM. Segundo Tiago, medidas como instalação de passagens subterrâneas, redutores de velocidade, corredores verdes e campanhas educativas poderiam reduzir significativamente os conflitos entre pessoas e animais: “claro, a efetividade dessas medidas é bastante variável, depende do ambiente e das espécies que estão ali, mas acho que vale a tentativa de sugerir e testar essas medidas”, explica.
O docente Nilton Caceres defende ações contínuas de educação ambiental, que incluiriam desde orientações para calouros até sinalizações específicas. Mais do que ações isoladas, o que se busca é uma mudança de práticas e perspectivas — uma universidade que não apenas conviva com a fauna, mas a reconheça como parte de sua identidade.


Repórteres: Felipe Trost e Luana Pereira

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.TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2025/08/21/do-interior-do-brasil-ao-cosmos Thu, 21 Aug 2025 21:50:35 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=4075 Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:

Planetário da UFSM | Fotografia: Lavínia Coradini

Dentro da cúpula do planetário da UFSM, o que se projeta e experimenta ultrapassa os limites da Astronomia. Imagens criadas com inteligência artificial, sons, cheiros e sensores de movimento formam experiências que acionam o corpo, o espaço e a memória. A proposta envolve tecnologia, mas também sensação, expressão e política. |

É dessa união entre arte, ciência e espiritualidade que nasce o projeto Ambientes Imersivos, Interativos e Inteligentes em Rede (AIR). Criado pela professora do curso de Artes Visuais Andréia Machado Oliveira, o AIR transforma o planetário em um espaço de escuta e presença. Nesse processo busca-se outras formas de narrar o mundo e o cosmos, romper com estruturas convencionais e explorar linguagens sensoriais, corporais e imersivas — sons, imagens, aromas e movimentos, que dialogam com a memória, a experiência e o território. 

A abordagem emerge a partir do Sul, e valoriza saberes locais, ao invés de seguir modelos externos: queremos estimular um modo de pensar que inclua o corpo e o espaço em que se vive, não apenas a lógica dominante”, afirma Andréia. 

Nessa iniciativa, o planetário deixa de ser uma estrutura voltada apenas para observação espacial e se transforma em um território. Para o arquiteto e integrante do projeto Matheus Moreno, o local propõe outra forma de relação com o céu. A ideia é reconhecer o cosmos como algo próximo, ligado à existência e à experiência. 

O AIR também levanta questões sobre os modelos presentes nas tecnologias, sobretudo na inteligência artificial. Instalações como Quantum of Humanities e Cyberfaces mostram como os sistemas de dados reproduzem padrões visuais e sonoros eurocentrados, mesmo quando tentam representar outras populações. Em resposta, o projeto cria bancos de dados próprios, com materiais de museus da África e da América Latina, e dá a esses acervos um papel ativo na criação: queremos que os dados façam parte do lugar e da história, não sejam apenas arquivos desconectados”, reforça Andréia. 

Essa perspectiva se articula com a ideia de cosmoceno: encontro entre diferentes formas de conhecimento, vindas da ciência, da tradição e da relação com a terra. A tecnologia se entrelaça com o corpo, ritmos, cheiros e imagens que guardam memória. 

Mais do que apresentar tecnologias, o projeto propõe novos usos para elas. Ao integrar realidade virtual, ambientes digitais e inteligência artificial com acesso ampliado, o AIR cria experiências que despertam sentidos e convida à reflexão. As formas de interação e envolvimento já transformam práticas de comunicação e aprendizado, embora também tragam o risco de nos afastarmos do mundo físico e das referências que sustentam a vida.

Em 2025, o AIR participará de uma mostra com planetários do Brasil e da África do Sul. A proposta busca fortalecer a presença do Sul global na criação de soluções estéticas, educativas e tecnológicas que considerem o contexto, o ambiente e as múltiplas vozes que compõem o mundo. Quando o planetário se transforma em território e o céu é escutado como parte da experiência humana, a arte deixa de apenas imaginar o futuro e passa a disputá-lo — com imagens, presença e ancestralidade. 


Repórter: Lavínia Coradini

Contato: coradini.lavinia@acad.55bet-pro.com









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.TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2025/08/20/chegamos-a-30a-edicao Thu, 21 Aug 2025 02:49:34 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=4072 Para escutar o conteúdo do editorial, clique abaixo:

A .TXT chega a sua 30ª edição em seus 17 anos de existência. A revista-laboratório tem se consolidado no âmbito universitário brasileiro como uma das poucas publicações na área de Jornalismo que mantém sua versão impressa. Todos/as participam das fases de produção – da sugestão de pauta, apuração, redação, revisão, edição, fotografia, arte, ilustração, diagramação, divulgação e distribuição.

Nesta edição comemorativa, foi escolhido um dossiê sobre o uso de inovações tecnológicas na acessibilidade, em prol da qualidade de vida e autonomia. As reportagens destacam dois projetos da UFSM que criam dispositivos tecnologicamente assistivos, pensados para atender às particularidades do cotidiano de cada paciente. Além do dossiê, abordamos a tecnologia como um desafio na inclusão digital de estudantes com mais de 50 anos na UFSM.

Para destacar a importância da Universidade junto à comunidade, mostramos um projeto que acolhe mães e bebês para amamentação com cuidado, afeto e técnica. Com um olhar atento para o dia a dia, o Peso da Rotina no meio Instagramável é tema de reportagem sobre comportamento. O protagonismo feminino foi evidenciado nas equipes esportivas da UFSM e na editoria de perfil. Trouxemos, ainda, duas pesquisadoras da UFSM que detalham ações de enfrentamento e combate à violência contra a mulher.

Na busca por realçar as expressões criativas, as matérias culturais passam pela Rádio Universidade, o Teatro Caixa Preta e o Planetário. Também é explorado o lado autêntico e sustentável da moda, por meio da técnica upcycling. O cuidado com o meio ambiente é retratado em um texto que mostra a adaptação dos animais silvestres no 55BET Pro. Exploramos a situação da Casa do Estudante do Centro, para problematizar a infraestrutura.

A revista resulta de disciplina teórico-prática em que a experimentação dá o tom das atividades desenvolvidas por alunos/as do terceiro semestre do curso. As matérias foram produzidas com a dedicação de quem enxerga no cotidiano histórias que merecem ser contadas. Boa leitura!

Amanda Borin, Daniele Gabriel, Ellen Schwade, Natalie Soares, Viviane Borelli

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.TXT-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2025/08/18/30-edicao-2 Tue, 19 Aug 2025 00:27:54 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=4069
Chegamos à 30ª edição!
Para escutar o conteúdo do editorial, clique abaixo: A .TXT chega a sua 30ª edição em seus 17 anos de existência. A revista-laboratório tem se consolidado no âmbito universitário brasileiro como uma das poucas publicações na área de Jornalismo que…
20/08/2025
30ª Edição, Comportamento
O Peso da Rotina
Como os universitários buscam equilíbrio entre a rotina possível e o modelo Instagramável.
05/09/2025
30ª Edição, Meio Ambiente
Um refúgio para os animais
Animais silvestres da UFSM se adaptam à urbanização do 55BET Pro.
28/08/2025
30ª Edição, Paralelo
Do interior do Brasil ao cosmos
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21/08/2025
30ª Edição, Geral
Do centro ao esquecimento
A emblemática situação da CEU I: passado agitado, presente inerte e futuro incerto
14/08/2025
30ª Edição, Geral
Digitalmente invisíveis
O desafio da inclusão digital de estudantes com mais de 50 anos na UFSM
05/08/2025
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AMAmentar: nutrir no peito e na escuta
Projeto acolhe mães e bebês para amamentação com cuidado, ciência e afeto
30/07/2025
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Duas frentes, um mesmo propósito
Quando o ensino encontra a realidade em prol do combate a violência contra a mulher.
22/07/2025
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Tecnologia a serviço da acessibilidade
O projeto Nightwind desenvolve produtos de baixo custo para pessoas com deficiência
14/07/2025
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Inclusão sob medida
Projeto da Terapia Ocupacional usa impressão 3D para criar dispositivos únicos e proporcionar autonomia
14/07/2025
30ª Edição, Dossiê
Dossiê: Tecnologia e Acessibilidade
Para ouvir o áudio do dossiê, clique abaixo: As tecnologias assistivas (TA) são recursos criados para promover mais acessibilidade e…
14/07/2025
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