AM – Rádios-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/orgaos-suplementares/radio Emissoras Públicas da UFSM - AM/FM Tue, 14 Oct 2025 19:27:26 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico AM – Rádios-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/orgaos-suplementares/radio 32 32 AM – Rádios-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/orgaos-suplementares/radio/2025/01/23/democratizacao-e-justica-social-a-atuacao-dos-cursinhos-populares-no-vestibular-da-ufsm Thu, 23 Jan 2025 13:37:26 +0000 http://www.55bet-pro.com/orgaos-suplementares/radio/?p=7871

 

O Coletivo de Educação Práxis e o Pré-Universitário Popular Alternativa são dois dos maiores programas de extensão da Universidade Federal de Santa Maria. Com sede no Complexo Multicultural Antiga Reitoria da Universidade, ambas as iniciativas atuam como cursinhos populares que atendem dezenas de estudantes todos os anos de forma gratuita. O objetivo é auxiliar esses alunos na busca pela aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e demais vestibulares. 

Como forma de resistência à hegemonia dos cursos preparatórios particulares no acesso à UFSM, esses programas nasceram no final dos anos 90 pelas mãos do corpo estudantil, estudantes do Centro de Ciências Rurais e do curso de História. Sua missão é promover a educação popular por meio de um método que interliga a realidade social dos estudantes com os conteúdos das provas.

O professor de Química e membro coordenador do Práxis, Rafael Ita, conta que a metodologia de ensino do cursinho é contextualizar o porquê daquele conteúdo estar sendo estudado. “Nós mostramos como a aplicação dele na vida do estudante tem importância a nível coletivo, mostramos como aquele objeto de estudo se aplica na vida cotidiana”, explica.

O método é aprovado pela educanda Ana Amaral, que, antes de ingressar no Práxis, estudava sozinha. “É bem diferente da educação tradicional em que eles só nos jogam o conteúdo, sem ter uma aula mais prática sobre ele. Me sinto mais preparada para enfrentar isso”, relata.

Segundo a educadora e integrante da coordenação do Alternativa, Vitória Carolini, cerca de 23% dos estudantes do cursinho demonstraram interesse no Vestibular da UFSM em 2024. Uma vez que o foco do programa é o ENEM, houve adaptação na forma de ensino, os gêneros textuais da redação do vestibular, artigo de opinião e carta aberta, tiveram que receber mais atenção dos educadores, por exemplo.

Além disso, Vitória define a educação popular como uma chave para a transformação social. Para ela, essa prática tem o poder de “democratizar o acesso à universidade ao proporcionar formação de qualidade àqueles que não a encontram na educação tradicional”.

Os cursinhos populares são alguns dos maiores agentes na luta pela democratização do acesso ao ensino público e de qualidade em Santa Maria. Com o poder da ligação entre educação e realidade social, os educadores agem com o objetivo de dar chance a quem já entra nos processos seletivos em desvantagem. Sendo, assim, agentes contribuintes para a promoção da justiça social e democratização do ensino superior. 

Ambos os cursinhos atendem no período noturno no Prédio da Antiga Reitoria, localizado na rua Floriano Peixoto, 1184, Centro de Santa Maria. Há seleção de novos educadores e estudantes todos os anos. Interessados devem ficar atentos às redes sociais dos programas: @pup.alter e @praxispopular.

 

União sinistra: cursinhos realizam aula pública 

No dia 5 de janeiro, Práxis e Alternativa se uniram para realizar a “União Sinistra”, um aulão público na Praça Saldanha Marinho sobre a redação do vestibular da UFSM. O evento, ministrado pelas educadoras Vitórias Carolini e Laura Stalin, durou 3 horas e contou com discussões sobre os gêneros textuais do vestibular, artigo de opinião e carta aberta, critérios de avaliação. Atrações culturais também marcaram o encontro.

Práxis lança o “Vestibular Comentado”

No último dia de provas do Vestibular de Verão 2025 da UFSM (12), o Coletivo de Educação Práxis lançou o “Vestibular Comentado”, um documento de 146 páginas que pontua problemáticas sobre questões e temas das provas do vestibular de 2024. O conteúdo também abordou o retorno da forma de ingresso na UFSM, as privatizações que afetaram a vida dos estudantes e as polêmicas em torno dos restaurantes universitários. O link de acesso ao documento está disponível na biografia do perfil do Práxis no Instagram. 

Atrações culturais do aulão

Thomas Machado

Repórter do Gritos do Silêncio, estudante de Jornalismo pela UFSM.
Contato: thomas.souza@acad.55bet-pro.com

 

Fotos: João Gabriel Monteiro

Revisão: Isadora Bortolotto, repórter do Gritos do Silêncio, estudante de Jornalismo pela UFSM. 

Contato: isadora.bortolotto@acad.55bet-pro.com

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AM – Rádios-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/orgaos-suplementares/radio/2024/11/25/gritos-do-silencio-tranquilidade-para-menstruar-iniciativa-pauta-saude-intima-da-mulher-encarcerada Tue, 26 Nov 2024 02:07:22 +0000 http://www.55bet-pro.com/orgaos-suplementares/radio/?p=7870

A saúde da mulher é um tema comumente relegado, especialmente em contextos de privação de liberdade. Segundo a Cartilha Pré-Natal, Parto e Puerpério para Mulheres Privadas de Liberdade e Parceiros (as), em 2023, cerca de 2.500 mulheres encontravam-se em regime prisional no Rio Grande do Sul. Em ambientes penitenciários, o público feminino enfrenta uma  realidade complexa e desafiadora, marcada por camadas de vulnerabilidade. 

Um dos aspectos críticos que afetam a saúde das mulheres encarceradas é a pobreza menstrual, questão reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um problema global de saúde pública e dignidade humana. Esse cenário se agrava pela limitação do acesso a saneamento básico, serviços de saúde e informação adequada sobre higiene menstrual. Pessoas que menstruam e se encontram em situação de vulnerabilidade socioeconômica são as mais afetadas pelo problema.

O projeto “TPM: Tranquilidade para Menstruar”, vinculado ao Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFSM, tem como objetivo combater a pobreza menstrual. O programa realiza visitas ao Presídio Regional de Santa Maria, uma das principais penitenciárias femininas da região, para distribuir materiais de higiene e sensibilizar as detentas sobre o cuidado com a saúde íntima. 

 

De acordo com a  coordenadora do projeto e professora vinculada ao CCS, Melissa Medeiros Braz, muitas dessas mulheres não conhecem seu ciclo menstrual. “Ensinamos o uso correto dos absorventes internos e a lidar com cólicas. Orientamos sobre cuidados de higiene íntima, já que muitas não sabem que sabonetes agressivos podem causar problemas”, relata.

 

A psicóloga da Polícia Penal, Renata Cauduro, conta que a maioria das presas escolhe a injeção anticoncepcional trimestral, um método oferecido pelo SUS que inibe a menstruação. Pessoas que optam por continuar menstruando ganham mensalmente absorventes do governo estadual e doações de projetos como o TPM. No entanto, Renata destaca que, embora os absorventes sejam fornecidos regularmente, a disponibilidade de sabonete e papel higiênico é escassa, o que leva a campanhas de doação para garantir a higiene das presas. 

 

No Presídio Regional, as detentas podem consultar toda semana com um médico clínico geral que realiza encaminhamento para o ginecologista quando há uma demanda específica. Periodicamente, são realizados mutirões do exame preventivo, conhecido como “Papa Nicolau”, responsável pela detecção dos primeiros sinais de aparecimento de câncer de colo do útero e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) que atingem o sistema genital feminino. A psicóloga ressalta que a enfermaria possui todos os equipamentos para os exames preventivos, com uma cama adequada e todos os materiais necessários.

 

A saúde de homens trans que estão em ambientes penitenciários também entra em pauta. Renata informa que esse público é atentido na galeria feminina e tem acesso aos mesmos cuidados de saúde que as mulheres cis, uma vez que o SUS não cobre a harmonização, mas custeia os exames e consultas. A profissional ainda reforça que a maioria dos homens trans opta por não menstruar, também utilizando a injeção trimestral.

Conscientização sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)

Segundo dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (INFOPEN), de junho de 2021, foram identificadas 27.033 pessoas com agravos transmissíveis nas unidades carcerárias do país. Dentre elas, cerca de 7,5 mil são acometidas por HIV. 

Melissa aponta que, na situação de cárcere, é comum que as presas tenham relações sexuais entre si e a desinformação torna-se um fator complicador para a prevalência de ISTs. “Muitas mulheres acreditam que não há transmissão de infecções sexualmente transmissíveis entre elas. Durante nossas visitas, abordamos como as mulheres podem se cuidar para evitar a transmissão de doenças entre si, além de falarmos sobre práticas sexuais seguras”, explica.

A Universidade como um espaço multiplicador para a sociedade

A atuação da UFSM vai além da formação acadêmica e serve como um espaço de conscientização e transformação social acerca de questões que não são vistas, nos âmbitos culturais, socioeconômicos, de gênero e de raça. Melissa ressalta que muitas das mulheres atendidas pelo projeto são invisibilizadas e não recebem a atenção devida. “É fundamental orientá-las para que possam se instrumentalizar e cuidar melhor da sua saúde. Essa é uma questão de extrema relevância para essa população”, afirma.

A sensibilização da sociedade sobre as condições das mulheres no sistema prisional, principalmente em relação à saúde menstrual, deve ser debatida para chamar a atenção à saúde em pessoas em situação de vulnerabilidade. “A partir do momento em que essas mulheres estão encarceradas, elas estão pagando pelos seus crimes, mas isso não significa que não mereçam ser tratadas com dignidade”, defende a coordenadora. 

 

Melissa também enfatiza a importância de considerar questões como a maternidade, mencionando a necessidade de atenção às presidiárias gestantes ou que estão amamentando. “Essas mulheres precisam ser vistas e aprender a cuidar de seus corpos e de seus filhos”, destaca.

A vaidade no cárcere

A vaidade é um aspecto significativo na vida das mulheres encarceradas que influencia em sua autoestima e bem-estar. Renata observa que a falta de produtos de higiene pessoal e beleza, como shampoos, condicionadores e cremes específicos, afeta a autopercepção. “Muitas delas relatam a insatisfação com a aparência, expressando preocupações sobre seus cabelos, peles e cuidados pessoais”, conta. 

O ambiente prisional, por limitar o acesso a itens básicos de cuidados, pode levar a um sentimento de descuido e impactar a saúde mental e a autoconfiança das detentas. Para suprir essa necessidade, o presídio promove o “Dia da Beleza”, uma iniciativa que permite que as detentas realizem cuidados pessoais.

 

Conforme a psicóloga, nessas ocasiões, serviços de manicure e corte de cabelo são ministrados pelas detentas com experiência e material próprio. “Elas podem fazer as unhas, o cabelo. Tem chapinha e secador que são de algumas das presidiárias. Até cílios e sobrancelhas elas fazem. Ficam felizes da vida. Muito, muito felizes”, conclui.

 

Isadora Bortolotto

Repórter do Gritos do Silêncio, estudante de Jornalismo pela UFSM. Contato: isadora.bortolotto@acad.55bet-pro.com

Ilustração: Instituto Avon

Edição e publicação: Kemyllin Dutra, repórter do Gritos do Silêncio, estudante de Jornalismo pela UFSM. 

Contato: kemyllin.dutra@acad.55bet-pro.com

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A comunicação é um direito humano fundamental, ratificado no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. No entanto, para os 18,6 milhões de brasileiros com deficiência, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse direito encontra empecilhos significativos. Os desafios mais críticos são a falta de acessibilidade digital e as dificuldades de comunicação e compreensão verbal. Essas questões não só limitam o acesso à informação, à educação e ao trabalho, como também perpetuam a exclusão social de pessoas com deficiência.

Conseguir usufruir da internet e de serviços digitais é essencial em uma sociedade cada vez mais conectada. Contudo, muitas pessoas com deficiência enfrentam obstáculos diários na navegação online. Conforme pesquisa realizada pelo BigData Corp, em parceria com o Movimento Web para Todos, apenas 0,46% dos sites foram considerados acessíveis para pessoas com deficiência no ano de 2022, evidenciando uma lacuna significativa na inclusão digital. A acessibilidade digital vai além de uma questão técnica: ela é um pré-requisito para a inclusão social. 

Recursos como descrições alternativas em imagens e legendas em vídeos são, respectivamente, indispensáveis para que pessoas cegas e surdas consumam conteúdos visuais. Entraves adicionais para pessoas com baixa visão estão presentes em sites sem contraste adequado e com layouts confusos e fontes pequenas. Documentos em PDF não formatados com tags que permitem a leitura por softwares específicos são impeditivos para o uso de leitores de tela, o que dificulta ainda mais o acesso de pessoas com deficiência visual a informações vitais.

Educação inclusiva

 

A docente do Departamento de Educação Especial da UFSM, Andreia Inês Dillenburg, entende a inclusão e a acessibilidade como temas historicamente interligados que mostram sua influência mundial crescente. Para ela, a oferta de tecnologias e a construção de uma cultura sólida de acessibilidade ainda não são ideais para atender a grupos diversos e tornar a acessibilidade um valor concreto que garante a participação social plena de todos.

A professora cita que recursos de acessibilidade não são de uso exclusivo de pessoas com deficiência. “Ao criar materiais, é crucial lembrar que há usuários com deficiência visual e demais demandas de acessibilidade ou comodidade. Um exemplo são as legendas, que, embora destinadas principalmente a pessoas com deficiência auditiva, são úteis em situações cotidianas, como quando não podemos utilizar o som do smartphone em um ambiente silencioso e estamos sem fones de ouvido”, defende.

Apesar disso, a educadora aponta que os dispositivos de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) têm evoluído substancialmente, tornando-se cada vez mais intuitivos e acessíveis. Esses dispositivos, que utilizam símbolos, texto ou voz para permitir que pessoas com deficiências na fala se comuniquem de maneira eficaz, têm o potencial de revolucionar a comunicação para pessoas com deficiência, promovendo maior autonomia e inclusão social.

As formas de comunicação habituais utilizadas no cotidiano também podem se tornar uma barreira invisível, mas poderosa. O uso de termos inadequados e ofensivos, como “surdo-mudo” ou “retardado”, reforça estereótipos negativos e desumaniza as pessoas com deficiência. Substituir essas expressões por termos mais respeitosos e precisos, como “pessoa surda” ou “pessoa com deficiência intelectual”, é um passo básico para a promoção da inclusão. 

Outro ponto é a ausência de intérpretes de Libras em muitos ambientes públicos, o que impede a compreensão de informações essenciais por parte de pessoas surdas e resulta em exclusão comunicacional. Além disso, a linguagem por vezes técnica e complexa de documentos oficiais e educacionais pode ser de difícil compreensão para algumas  pessoas.

No contexto educacional, a docente ressalta que a formação de professores deve ser mais do que a simples apresentação de conceitos de educação especial. Para ela, é necessário um esforço contínuo para integrar esses conceitos na prática pedagógica das diferentes áreas, o fornecimento de suporte especializado e a promoção de uma compreensão mais profunda das necessidades e potencialidades de cada indivíduo. “A educação especial é essencial,  pois com ela podemos realizar muitas formas de adaptação, como por exemplo ensinar a cor para quem não consegue ver e os conceitos musicais para quem não consegue ouvir”, conclui Dillenburg.

Legislação e Luta

A legislação brasileira conta com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), sancionada em 2015, que estabelece diretrizes abrangentes para garantir os direitos das pessoas com deficiência. A LBI, também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, abarca desde a educação inclusiva, com a proibição de recusa de matrícula e a exigência de adaptações necessárias, até normas de acessibilidade física e digital e proteção no ambiente de trabalho. 

A LBI representa um avanço significativo, mas a integração de legislações internacionais e o aprimoramento contínuo das práticas de acessibilidade são fundamentais. Dillenburg observa que, embora seja um marco, a implementação da lei precisa ser monitorada para uma inclusão mais efetiva. “Iniciativas como a distribuição de tecnologias assistivas e a oferta de recursos têm contribuído para melhorar o acesso à comunicação. No entanto, a realidade prática muitas vezes não acompanha a legislação”, afirma.

Ela explica que a aplicação da legislação e a alocação de recursos financeiros para a acessibilidade não podem ser negligenciadas. “As barreiras atitudinais, atitudes ou comportamentos que impedem ou prejudicam a participação social da pessoa com deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas, estão profundamente enraizadas no preconceito e constituem a base de outras formas de exclusão”, declara Dillenburg.

A professora menciona, ainda, que a escassez de infraestrutura, investimento e profissionais capacitados para a instituição de tecnologias assistivas em larga escala resultam em desigualdades no acesso à comunicação, especialmente em regiões menos favorecidas. Sem acessibilidade, a promessa de uma sociedade igualitária permanece inalcançável e restringe-se aos textos oficiais.

 

Renan Silveira

Repórter do Gritos do Silêncio, estudante de Jornalismo pela UFSM. Contato: renan.silveira@acad.55bet-pro.com

 

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Edição e publicação: Kemyllin Dutra, repórter do Gritos do Silêncio, estudante de Jornalismo pela UFSM.

Contato: kemyllin.dutra@acad.55bet-pro.com

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