PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima Programa de Educação Tutorial Fri, 06 Mar 2026 05:02:41 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima 32 32 PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2026/02/24/educomunicacao-em-acao-no-dialogo-sobre-clima-comunicacao-e-cidadania Tue, 24 Feb 2026 21:47:33 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=364

O ano foi marcado por uma intensa agenda de atividades extensionistas no PET Educom Clima. As ações são realizadas em diálogo com a comunidade, especialmente a escola, por meio dos processos educomunicativos. Entre ações concluídas, adaptações de percurso e projetos que seguem em construção, o setor de extensão reafirmou seu papel como ponte entre o debate climático e a realidade local.

Uma das experiências mais significativas foi desenvolvida nas Escolas Sepé Tiaraju e Cardeal Roncalli em três momentos. No primeiro dia, realizamos a atividade “Brasil em Chamas” que tratou sobre as queimadas no Brasil em 2024, apresentando dados atualizados e imagens que contextualizaram a crise climática no país. A exposição abriu espaço para uma discussão interativa com os estudantes, incentivando reflexões sobre causas e consequências das queimadas. No segundo dia, promovemos uma oficina prática de fotografia, no qual os alunos foram convidados a registrar, em imagens, a relação entre meio ambiente e escola. O resultado foi exposto no evento Seja UFSM, uma mostra aberta a mais de 500 estudantes da região que visitam nosso campus, além de também ser divulgado nas redes sociais e em nosso site.

Outra iniciativa foi o PET Pró PET, um brechó solidário em prol dos animais abandonados e em situação de vulnerabilidade no campus da UFSM/FW. A ação combinou arrecadação de recursos, engajamento da comunidade acadêmica e conscientização sobre adoção responsável. Mais do que uma atividade pontual, o brechó evidenciou como as questões socioambientais também passam pelo cuidado com o território e com os seres que o habitam. Foram arrecadados R$280,00, valor que será repassado em março de 2026 para o grupo de apoio.

A cobertura da COP 30 também exigiu reinvenção. A ida presencial a Belém não foi possível por questões logísticas e financeiras, mas isso não impediu uma cobertura intensa e qualificada. A parceria com o Observatório do Clima fortaleceu as ações, com o envio de materiais didáticos que subsidiaram debates junto à comunidade acadêmica e à população de Frederico Westphalen, por meio do projeto Estação COP30. Ao longo de todas as atividades, a COP 30 foi tratada como eixo central de discussão, conectando o global ao local.

Temas como combate à desinformação climática e racismo ambiental foram trabalhados de forma transversal ao longo de 2025. As ações foram incorporadas às demais atividades, seja por meio de falas dos petianos, apresentação de dados ou produção de conteúdos para o site e redes sociais do grupo. No caso do racismo ambiental, posts especiais no Instagram e abordagens no podcast Vozes na COP, projeto especial de comunicação climática, ampliaram a discussão sobre como comunidades vulnerabilizadas são desproporcionalmente afetadas por problemas ambientais.

 As atividades de extensão são combinadas com uma comunicação ambiental crítica, acessível e socialmente engajada. O percurso evidencia que fazer extensão é, sobretudo, construir coletivamente para transformar conhecimento em diálogo e ação.

Por Raquel Teixeira  | Bolsista PET Educom Clima. 

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2026/02/17/de-manuais-de-praticas-a-acoes-solidarias-o-ano-de-consolidacao-do-pet-educom-clima Tue, 17 Feb 2026 20:22:45 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=363

Ao longo de 2025, o setor de Organização, Planejamento e Avaliações Institucionais do PET Educom Clima desenvolveu ações voltadas à melhoria da organização interna do grupo, ao planejamento das atividades e à avaliação das ações realizadas. As atividades foram pensadas de forma integrada, totalizando 265 horas, com o objetivo de tornar os processos mais claros, organizados e eficientes, além de fortalecer a atuação institucional do PET.

Entre as ações realizadas, destaca-se a criação de manuais de boas práticas e do banco de dados institucional, que teve como foco padronizar procedimentos e facilitar o funcionamento do grupo. O banco de dados foi totalmente criado, reunindo informações importantes para o dia a dia do PET. Já os manuais de boas práticas começaram a ser elaborados, com a definição de que cada setor do grupo seria responsável por construir seu próprio material, de acordo com suas atividades.

Outra ação importante foi a elaboração de pesquisas de satisfação para uso em eventos, com o objetivo de avaliar as atividades desenvolvidas pelo PET Educom Clima. Foram criados dois modelos de questionário: um para eventos internos e outro para eventos externos. Esses modelos passaram a ser utilizados como base para avaliar todas as ações promovidas pelo grupo.

Também foi criada uma mailing list, organizada com contatos relevantes, como jornalistas e emissoras de rádio. Esse mailing passou a ser utilizado para divulgar as ações do PET, enviar convites e fortalecer a comunicação com parceiros e instituições.

O Momento de Leitura foi desenvolvido como uma atividade de formação e reflexão. Os encontros aconteceram nos intervalos do almoço, com duração média de 30 minutos, e abordaram temas ligados à comunicação, educação, justiça social e mudanças climáticas. As leituras incluíram obras de autores como Ailton Krenak, Vandana Shiva, Paulo Freire e Françoise Vergès. A atividade também foi levada para o ambiente escolar, com uma edição especial realizada no dia 30 de maio na Escola Estadual de Ensino Básico Sepé Tiaraju, em Frederico Westphalen, envolvendo estudantes do Ensino Médio.

A recepção dos calouros, no início do ano, teve como objetivo apresentar o PET Educom Clima aos novos estudantes e aproximá-los das ações do grupo. Para isso, foi criado um QR Code que direcionava os alunos ao Instagram do PET, onde puderam conhecer os projetos e as atividades previstas para o ano.

No campo das ações solidárias, o grupo realizou campanhas de arrecadação em datas especiais. Entre elas, a arrecadação de brinquedos para o Dia das Crianças, feita em parceria com o PROMENOR de Frederico Westphalen. Promovidas em conjunto com os grupos Ecológica Jr, Agenda 2030 e o PET Engenharia Florestal, foram arrecadadas tampinhas plásticas e lacres de alumínio, destinados à ONG AMAA, que atua na proteção de animais. Devido ao bom engajamento, a campanha de arrecadação de tampinhas e lacres foi planejada para continuar em 2026.

Para melhorar a organização das tarefas, foi implementada a ferramenta Trello, organizada por setores, permitindo acompanhar o andamento das atividades e distribuir melhor as responsabilidades entre os integrantes do PET.

Por fim, foi realizada a organização do InterPET, em parceria com os grupos PET CISA e PET Odontologia. O evento aconteceu de forma online no dia 13 de setembro e teve como tema “Comunicação Pessoal e Presença nas Redes Sociais”, com palestra ministrada pela professora Cíntia da Silva Carvalho. A atividade promoveu a integração entre os grupos PET e a troca de experiências.

Por Júlia Weber | Bolsista PET Educom Clima. 

Percepção das petianas

Para Júlia Weber, "as atividades desenvolvidas demonstram um ano positivo para o setor. Foi observado um bom engajamento do grupo nas atividades, especialmente naquelas relacionadas ao planejamento interno e às campanhas de arrecadação, o que contribuiu para o fortalecimento do trabalho coletivo e para a melhoria da organização das atividades do PET. Também, nós petianos, organizando e realizando as atividades, temos a oportunidade de aplicar, na prática, os conhecimentos adquiridos em sala de aula, contribuindo para a nossa formação profissional". 

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2026/02/09/vozes-e-clima-a-construcao-da-identidade-do-pet-em-seu-primeiro-ano Mon, 09 Feb 2026 18:05:24 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=362

O primeiro ano de PET,  2025, foi marcado por descobertas, testes e, principalmente, pela vontade de comunicar. Em meio a aprendizados coletivos e à construção de uma identidade própria, o grupo encontrou na comunicação um espaço potente de diálogo  sobre questões climáticas e socioambientais de forma acessível e próxima do público.

Ao longo do ano, o Clima em Pauta se consolidou como uma das principais iniciativas do grupo. A proposta nasceu do desejo de traduzir temas complexos sobre o clima para uma linguagem simples, direta e conectada ao cotidiano. A cada novo vídeo, o projeto foi se moldando, ganhando forma e aproximando o PET de quem acompanhava os conteúdos. Mais do que informar, o Clima em Pauta se tornou um espaço de escuta, troca e reflexão, reforçando a importância de falar sobre o clima de maneira clara e responsável.

Outra atividade que marcou esse primeiro período do grupo foi o Podcast Vozes na COP. O podcast surgiu como uma forma de ampliar o debate e dar voz às discussões que atravessam as Conferências do Clima, conectando o que acontece nesses grandes eventos globais à realidade local. Ao longo dos episódios, o PET experimentou novas linguagens, explorou o formato do áudio; como resultado, percebemos o quanto aprofundar uma única temática pode gerar mais envolvimento e sentido para quem escuta.

Essas duas ações refletem muito do que foi o primeiro ano do PET: um período de construção coletiva, aprendizado constante e a busca pelas melhores formas de comunicar sobre o clima. Entre ajustes, descobertas e novas ideias, o primeiro ano deixou como legado a certeza de que a comunicação pode ser uma ferramenta de transformação — capaz de aproximar pessoas, provocar reflexões e fortalecer o compromisso coletivo com as questões climáticas.

Por Bruna Einecke | Bolsista PET Educom Clima. 

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2026/01/29/pesquisa-e-producao-de-conhecimento-as-acoes-do-pet-educom-clima-em-2025 Thu, 29 Jan 2026 18:12:29 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=360

Ao longo de 2025, o PET Educom Clima realizou um conjunto de ações voltadas à formação acadêmica, à pesquisa e à produção de conhecimento no campo da comunicação socioambiental. As atividades foram planejadas de modo integrado, promovendo momentos de estudo, troca e debate, que contribuíram tanto para a qualificação dos integrantes do grupo quanto para a comunidade acadêmica interessada nas temáticas da educomunicação e da justiça climática.

Nesse contexto, a Oficina Estudando Métodos destacou-se como um espaço aberto de formação em pesquisa científica. Desenvolvida em quatro encontros ao longo do ano, a oficina possibilitou o contato dos participantes com diferentes abordagens metodológicas, abrangendo discussões sobre elaboração de projetos, análise de dados qualitativos, relações entre pesquisa e comunicação socioambiental e uso de ferramentas digitais no meio acadêmico. A presença de pesquisadoras e pesquisadores convidados ampliou o diálogo entre teoria e prática e auxiliou estudantes em distintas fases de seus trabalhos acadêmicos.

De forma complementar, a atividade Encontro de Pesquisa: Futuros Possíveis consolidou-se como um espaço coletivo de leitura e debate de textos teóricos nas áreas de Jornalismo, Cidadania e Meio Ambiente. Ao longo de seis encontros, os integrantes do PET apresentaram textos previamente selecionados e conduziram discussões coletivas, estimulando a escuta, o diálogo e a construção compartilhada do conhecimento. A atividade contribuiu para o aprofundamento teórico do grupo e para o desenvolvimento de uma postura crítica diante dos desafios contemporâneos relacionados à comunicação e à crise climática.

As atividades desenvolvidas ao longo de 2025 estiveram vinculadas às ações do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental: Possibilidades de Engajamento Educomunicativo pela Justiça Climática, que manteve suas atividades ao longo de 2025. O grupo realizou fichamentos de produções acadêmicas selecionadas nas bases SciELO e BDTD, ampliando o repertório teórico dos participantes e fortalecendo a base conceitual que orienta as ações de ensino, pesquisa e extensão do PET. A participação de estudantes e pesquisadores para além do grupo PET contribuiu para a diversidade de perspectivas e para o diálogo interdisciplinar.

Esse processo formativo também se refletiu na participação do PET Educom Clima em diferentes eventos científicos ao longo do ano, como o Intercom Regional Sul, a Jornada Acadêmica Integrada (JAI), o Congresso Abrapcorp – Comunicação para a Sociedade de Risco e o Colóquio Mato-grossense de Educomunicação. Nesses espaços, o grupo apresentou trabalhos e relatos de experiência que sistematizaram ações de extensão, pesquisas em andamento e práticas educomunicativas, possibilitando a troca com outros pesquisadores e a circulação do conhecimento produzido no âmbito do PET. Como desdobramento dessas experiências, integrantes do grupo publicaram o relato “Em prol da justiça climática: saberes compartilhados” no dossiê Letramento Socioambiental: educação ambiental climática, educomunicação, justiça socioambiental e educação transformadora, da Revista Letramento SocioAmbiental, registrando e compartilhando práticas desenvolvidas pelo PET ao longo de 2025.

No eixo de pesquisa, as atividades desenvolvidas em 2025 contribuíram para a ampliação do repertório teórico e metodológico dos integrantes do PET Educom Clima, qualificando a elaboração de estudos, projetos e produções acadêmicas na área da comunicação socioambiental.

Por Júlia Gonsalo | Bolsista do PET Educom Clima

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/11/27/enquanto-discutimos-o-mapa-do-caminho-o-futuro-nos-escapa Thu, 27 Nov 2025 12:56:36 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=357
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Por Franchesco de Oliveira* e Cláudia Herte de Moraes**

Depois de dias intensos em Belém, a COP-30 deixa de ser apenas um encontro global e se torna um ponto de virada (ou de cobrança) para o mundo. Agora, no pós-COP-30, é hora de olhar para além dos discursos e avaliar o que realmente ficou: os compromissos firmados, as tensões expostas, os avanços possíveis e as lacunas que persistem. Entre análises que apontam divergências internas, acordos considerados tímidos e expectativas não atendidas por cientistas, ambientalistas e negociadores, estamos em um momento decisivo para entender o que, de fato, mudou e o que ainda permanece na agenda climática mundial.

A conferência terminou com promessas de acelerar a transição energética, elevar o financiamento climático e estabelecer mecanismos mais rígidos de adaptação. Houve avanços, mas também frustrações: os países maiores emissores ainda resistem a metas vinculantes, e o financiamento aos países do Sul Global continua marcado por burocracias e disputas políticas. Ainda assim, Belém deslocou o eixo das discussões: a urgência climática tem território, tem povo, tem nome. E tem pressa. 

Neste Observatório de Jornalismo Ambiental, acompanhamos a preparação e a realização da COP-30 a partir de diferentes abordagens e jornalismos. Podemos afirmar que a pauta se consolidou como mais relevante e mais aprofundada nesta edição do evento, realizado no coração da Amazônia. A atmosfera e a proximidade da COP-30 trouxeram elementos de destaque para o debate sobre a emergência climática que, afinal, já está sendo vivenciada de forma avassaladora no mundo. 

Para a análise do Nexo, mesmo com a inclusão de temas na COP que geralmente passam ao largo da visibilidade midiática (justiça racial, gênero e participação social com a Cúpula dos Povos), o ponto central sobre os combustíveis fósseis e desmatamento foi considerado vago e incapaz de reparar minimamente a dívida histórica do Norte Global com o Sul Global. Neste sentido, a reportagem analisada colabora para um debate mais aprofundado sobre as causas do aquecimento global e não apenas sobre as consequências já sentidas em vários cantos do mundo. 

Da mesma forma, a BBC destacou que a COP-30 terminou sob o peso das ausências, sobretudo a dos Estados Unidos, e de um texto final que frustrou ambientalistas ao não incluir qualquer referência aos “mapas do caminho” para abandonar os combustíveis fósseis e zerar o desmatamento, duas das propostas centrais defendidas por Lula. Embora o “Mutirão Global” tenha sido saudado por evitar a implosão do Acordo de Paris, o recuo diante da pressão de grandes produtores e consumidores de petróleo, como Arábia Saudita, Índia e China, marcou um dos pontos mais sensíveis da conferência. Ainda assim, a BBC apontou avanços moderados, como o aumento do financiamento para adaptação agora com a meta de triplicar até 2035, a inclusão histórica do termo “afrodescendentes” nos documentos oficiais e a adoção de 59 indicadores globais para medir a capacidade de adaptação climática. Ou seja, o veículo destacou o avanço da justiça racial, incorporando uma visão mais complexa da questão climática que é socioambiental em sua base.

Para o G1 a palavra que resume a COP30 é frustração. A principal decepção foi a ausência total de menções aos combustíveis fósseis nos documentos finais, assim como  nos textos de Nexo e BBC.  O portal inclui uma avaliação de que  houve avanços simbólicos, como a inclusão inédita de referências a afrodescendentes. Indicou ainda que para a ONU, a falta de ambição reflete a conjuntura geopolítica fragmentada, com os Estados Unidos ausentes, a União Europeia enfraquecida e China relutante em assumir liderança. Observamos que a análise do G1 trouxe a visão da governança global, de forma indireta, indicando que para a construção de um caminho ainda há fortes entraves de Estados negacionistas e/ou pressionados pelas elites econômicas que atuam globalmente.

Diante desse conjunto de avanços pequenos e problemas que continuam sem solução, os textos do pós-COP funcionam como um alerta: o mundo não está discutindo apenas metas, mas o que ainda é possível evitar diante da crise climática. Belém mostrou a força dos povos da floresta, das vozes que quase nunca são ouvidas e da pressão social que tenta mudar o centro das decisões. 

Ficou evidente que as grandes potências defendem de forma cada vez mais aguerrida os seus interesses ligados aos combustíveis fósseis e que a política internacional segue dividida. Relembramos aqui uma análise deste Observatório sobre a cobertura da COP-28, em 2023, que tratava do mesmo tema: o abandono dos combustíveis fósseis é uma exigência de nosso tempo

Durante a “barqueata” que integrou a programação da Cúpula dos Povos, evento paralelo à COP30, o cacique Raoni disse: “Precisamos cuidar do planeta. Se continuar o desmatamento, nossos filhos e netos vão ter problemas sérios. O nosso território garante a respiração do mundo inteiro.” O pós-COP-30 não é um encerramento, e sim um aviso: o planeta continua cobrando medidas concretas enquanto muitos países ainda hesitam em agir. O relógio climático não para e a história vai registrar quem escolheu empurrar o problema para depois, enquanto o futuro escapava.

*Franchesco de Oliveira é graduando em Jornalismo na UFSM e bolsista do PET Educom Clima. E-mail: franchesco.castro@acad.55bet-pro.com

**Cláudia Herte de Moraes é Jornalista e Doutora em Comunicação e Informação, professora no Programa de Pós-Graduação em Comunicação (UFSM). Tutora do PET Educom Clima (UFSM) e líder do Grupo Educom Clima (CNPq/UFSM). Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental e do Laboratório de Comunicação Climática. (CNPq/UFRGS). E-mail: claudia.moraes@55bet-pro.com

***Publicado originalmente no no Observatório de Jornalismo Ambiental.

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/11/15/petianos-publicam-relato-de-experiencia-em-dossie-sobre-letramento-socioambiental Sat, 15 Nov 2025 12:16:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=354

Integrantes do PET Educom Clima participaram da publicação do dossiê Letramento Socioambiental Educação ambiental climática: educomunicação, justiça socioambiental e educação transformadora, lançado em 13 de novembro de 2025. A produção integra o projeto temático “Como a educomunicação pode ampliar e qualificar as práticas de educação ambiental climática na Educação Básica no Brasil?” O lançamento ocorreu simultaneamente em Belém, na Casa da Educação e Inovação Ambiental e Climática, e em São Paulo, no auditório Lupe Cotrim da Escola de Comunicações e Artes da USP, com transmissão ao vivo pelo canal do Labidecom no YouTube.

A Revista Letramento SocioAmbiental reúne reflexões acadêmicas e relatos de experiências pedagógicas voltados à Educação Socioambiental no Brasil. Entre seus colaboradores estão pesquisadores, profissionais de organizações da sociedade civil e professores que desenvolvem práticas formativas em suas comunidades escolares. Com acervo totalmente gratuito, a revista busca ampliar o acesso a conteúdos para o ensino de temas socioambientais na Educação Básica. 

O texto “Em prol da justiça climática: saberes compartilhados”, assinado por Júlia Weber, Júlia Gonsalo de Carvalho, Franchesco de Oliveira Y Castro e Raquel Teixeira Pereira, com tutoria da Prof Dª Cláudia Herte de Moraes, apresenta ações realizadas pelo PET Educom Clima que articulam educomunicação, justiça climática e diálogo intercultural. O relato reúne três ações formativas realizadas entre março e junho de 2025: a oficina Brasil em Chamas, o Momento de Leitura e a oficina Olhar de Jornalista, todas articulando educomunicação, justiça climática e diálogo intercultural.

A seção do dossiê dedicada ao PET Educom Clima sintetiza a perspectiva que orienta as práticas desenvolvidas pelo grupo, a educomunicação como fundamento do letramento socioambiental. As ações são construídas a partir do diálogo, da escuta e da valorização de saberes diversos. Nessa abordagem, comunicação, educação e meio ambiente são compreendidos como processos coletivos e políticos, atravessados por pertencimento, memória, território e justiça social. O texto evidencia como o PET articula teoria e prática ao desenvolver oficinas, rodas de leitura e vivências que estimulam o protagonismo juvenil e indígena diante dos desafios climáticos contemporâneos.

A oficina Brasil em Chamas foi realizada com estudantes do ensino médio de Frederico Westphalen e teve como proposta discutir os impactos das queimadas no Brasil. A atividade apresentou dados, imagens e manchetes sobre incêndios em diferentes biomas, facilitando a compreensão do problema em escala nacional e local. Os estudantes analisaram as informações, debateram causas e consequências e, ao final, produziram cartazes que sintetizavam questionamentos e percepções sobre o tema. A oficina buscou desenvolver leitura crítica da mídia, reflexão contextualizada e produção visual baseada no conteúdo discutido.

A oficina Olhar de Jornalista, desenvolvida com estudantes da Licenciatura Intercultural Indígena da UFSM/FW durante o evento “Compartilhando Saberes”, ofereceu uma vivência prática sobre fotografia e comunicação. Os participantes tiveram uma introdução à história da fotografia e a aspectos técnicos básicos, utilizando câmeras do PET e celulares próprios. Em seguida, registraram o evento a partir de seus pontos de vista, exercitando o uso da imagem como forma de documentação e expressão. Ao final, uma conversa coletiva permitiu analisar as fotografias produzidas e discutir decisões de enquadramento, composição e registro do cotidiano.

O Momento de Leitura, realizado quinzenalmente na universidade e aberto à comunidade acadêmica, promove conversas sobre comunicação, meio ambiente e justiça climática a partir de trechos selecionados por integrantes do grupo. Em uma edição especial na Escola Estadual Sepé Tiaraju, a atividade utilizou um trecho de Ideias para Adiar o Fim do Mundo, de Ailton Krenak, para orientar o diálogo com estudantes do ensino médio sobre consumo, meio ambiente, pertencimento e representatividade indígena e quilombola. A proposta enfatizou a leitura como ponto de partida para discussão e troca de perspectivas.

A participação no dossiê registra parte das ações desenvolvidas pelo PET Educom Clima em 2025 e sistematiza práticas que integram comunicação, educação e meio ambiente.  A versão completa do dossiê está publicada no portal da Revista Letramento SocioAmbiental: http://letramentosocioambiental.com.br/ 

Por Júlia Gonsalo de Carvalho | Bolsista PET Educom Clima

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/11/12/o-agro-nao-enche-o-prato-a-denuncia-que-a-cop-ignora Wed, 12 Nov 2025 19:05:52 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=352
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Por Jéssica Thaís Hemsing* e Cláudia Herte de Moraes**

A COP30 começou oficialmente nesta segunda-feira, dia 10, com a promessa de colocar a transformação da agricultura e dos sistemas alimentares no centro das discussões sobre o combate à crise climática. Embora o tema esteja em alta nos painéis oficiais e na comunicação do evento, o debate permanece superficial. Ainda falta coragem para enfrentar o verdadeiro nó da questão: as estruturas de poder e a desigualdade que sustentam o modelo agroexportador brasileiro.

Falar em soberania alimentar sem tocar na concentração de terras e nos bilhões de reais em subsídios ao agronegócio é esvaziar o sentido da expressão. Não existe soberania alimentar quando quem decide o que e como se planta são grandes corporações mais interessadas em lucro do que em comida de verdade.

O que não pode acontecer é que, em uma conferência do clima que se propõe a discutir o combate à fome e à crise ambiental, o destaque vá para projetos do agronegócio como o Ferrogrão. A ferrovia, apresentada como símbolo de progresso, serve, na prática, para facilitar o escoamento de commodities do Centro-Oeste e do Norte, beneficiando exportadores e não quem precisa de alimento no prato. Muito se fala em redução de custos de frete e de preços dos alimentos, mas essa conta raramente chega à mesa do povo.

O jornal Brasil de Fato está presente em Belém e, por seu caráter contra-hegemônico, tem se destacado pela escuta de vozes diversas. Na tarde desta segunda-feira, 10, participou de um debate no qual Adriano Ferreira, representante do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo (MTC), afirmou: “A gente precisa gritar ao mundo que só existe justiça climática se houver proteção dos territórios tradicionais, dos povos indígenas e também dos camponeses que estão na terra produzindo o alimento que nutre o povo brasileiro.” A fala de Adriano representa muitos trabalhadores que lutam por uma justiça climática que inclua quem produz o alimento.

O portal de jornalismo independente ICL Notícias demonstra atenção aos movimentos sociais presentes em Belém, noticiando os protestos recentes durante a COP 30. Com destaque às frases na faixa, “O agro não enche o prato”,  “Ferrogrão Não”, “Comida sem veneno” e “O agro passa, a destruição fica” mostram que a sociedade civil está atenta. As mobilizações denunciam que os grandes empreendimentos do agronegócio (como o projeto Ferrogrão) trazidos como  “salvadores” da economia não alimentam o país. “Não queremos que nossos biomas sejam vistos só como mercado, como corredor de soja, porto ou ferrovia”, retrata a liderança Tupinambá Marília Sena ao ICL. 

Enquanto isso, o governo brasileiro segue abrindo mão de recursos públicos. Em 2024, foram cerca de R$ 158 bilhões em isenções fiscais ao agronegócio, segundo o próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O portal Sumaúma ressalta essa crítica ao destacar que, ao patrocinar grandes produtores e exportadores, o país prioriza o modelo agroexportador, deixando em segundo plano quem luta pela agroecologia e pela proteção ambiental. 

Mesmo diante de dados científicos evidentes sobre a necessidade de produção de alimentos de forma mais sustentável, a maior parte dos veículos de comunicação ignora a pauta da soberania alimentar. Ainda mais quando há manifestações contrárias aos interesses do agronegócio. Pensando na essência do jornalismo, que deveria pautar-se pelo compromisso público, percebemos que, em geral, os veículos hegemônicos descartam uma compreensão ampliada de sua responsabilidade social. Por exemplo, no caso do Ferrogrão citado acima, nenhum veículo tradicional destacou o tema no contexto da COP30.

De um lado, o discurso verde e rentável do agro. Do outro, a luta popular por comida sem veneno e por um modelo agrícola justo e sustentável. Para além do nosso presente já impactado pela mudança climática, que planeta estamos deixando às futuras gerações?

 

*Jéssica Thaís Hemsing é graduanda em Jornalismo na UFSM e bolsista do PET Educom Clima. E-mail: jessica.thais@acad.55bet-pro.com

**Cláudia Herte de Moraes é Jornalista e Doutora em Comunicação e Informação, professora na UFSM. Tutora do PET Educom Clima (UFSM) e líder do Grupo Educom Clima (CNPq/UFSM). Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental e do Laboratório de Comunicação Climática. (CNPq/UFRGS). E-mail: claudia.moraes@55bet-pro.com

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/11/11/cuidar-do-planeta-e-comunicar-a-cobertura-do-pet-educom-clima-na-cop30 Tue, 11 Nov 2025 20:42:46 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=347

A COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que está sendo realizada em Belém do Pará, marca um momento histórico: pela primeira vez, o centro das decisões climáticas globais volta-se diretamente para o coração da Amazônia, bioma essencial para a regulação climática do planeta e território de povos que, há séculos, garantem sua preservação. É neste cenário que o Grupo PET Educom Clima da UFSM fortalece sua atuação na comunicação socioambiental, contribuindo para aproximar a sociedade local das discussões mais urgentes do nosso tempo.

Petianos de Jornalismo e Relações Públicas

Desde o início de 2025, o grupo acompanha os preparativos da Conferência com o projeto “De Olho na COP”, desenvolvido em parceria com o Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental (GPJA/UFRGS). A iniciativa analisa criticamente a cobertura jornalística da COP30 e os desafios que cercam sua realização. O objetivo é identificar lacunas informativas e estimular um debate qualificado sobre as decisões que podem definir o futuro do clima no mundo.

Material produzido para a série De Olho na COP em pareceria com o Observatório de Jornalismo Ambiental

Além desse monitoramento da mídia, o PET Educom Clima ampliou sua presença na comunicação climática com reportagens especiais a cada semana. Entre os temas abordados ao longo do ano, foram destaque cultura amazônida, proteção de povos indígenas, o papel da juventude no ativismo ambiental, disputas entre interesses econômicos e justiça socioambiental. Essa atuação contínua se fortaleceu com o Clima em Pauta, quadro semanal que informa, de maneira acessível e dinâmica sobre mudanças climáticas, educação, comunicação e o combate à desinformação. A iniciativa traduz debates técnicos e decisões globais em conteúdos que fazem sentido no cotidiano da comunidade acadêmica e regional. Ao selecionar e contextualizar informações verificadas, o grupo contribui para ampliar o engajamento social diante da crise climática e enfrenta diretamente os desafios da desinformação, um dos grandes obstáculos para a construção de políticas ambientais efetivas.

Veiculado nos canais oficiais do PET, o Clima em Pauta se consolida como um espaço de referência para quem busca atualização constante e confiável sobre o futuro climático do planeta. Assim, o grupo reafirma seu compromisso com a educomunicação  que, inspirados em Paulo Freire, constitui as ações que mais do que transmitir saberes,  buscam o diálogo e a coparticipação crítica.

Entre as ações criadas recentemente, está o podcast “Vozes na COP”, um espaço de diálogo sobre os rumos do planeta a partir do que acontece em Belém. Com cinco episódios, o programa explorou tópicos como saberes tradicionais, integridade da informação, cultura e justiça climática, além das responsabilidades do Brasil no combate às mudanças climáticas. Todo o processo, do roteiro à edição, foi realizado pelos integrantes do PET, que buscaram tornar as discussões da Cúpula Climática acessíveis à comunidade.

Petiana Raquel Teixeira Pereira, editora do podcast Vozes na COP.

Aliando-se ao Observatório do Clima, o grupo atua como uma Estação Central da COP, divulgando o melhor da ciência entre estudantes do ensino médio e universitário. A Estação Central da COP é um convite do Observatório do Clima para qualquer grupo (escola, comunidade, coletivo, centro cultural, etc) que tenha interesse em criar um espaço de informação e formação sobre a Conferência das Partes (COP) e a mudança do clima. Nas esferas da pesquisa sobre desinformação climática, educação midiática e educomunicação socioambiental, a professora tutora Cláudia Herte de Moraes integra o PET Educom Clima à Rede de Parceiros pela Integridade da Informação sobre Mudança do Clima.

Para a professora Cláudia Herte de Moraes, tutora do PET Educom Clima, a participação do grupo na cobertura da COP30 é resultado de um trabalho planejado desde o início do projeto. “Nosso PET já nasceu com foco na comunicação e no clima. Sabíamos que, com a COP acontecendo em Belém, haveria uma grande movimentação no país e, por isso, organizamos desde o fim de 2024 atividades que nos permitissem pesquisar, aprender e discutir o tema”, explica. Ela destaca que o grupo atua de forma integrada entre pesquisa, ensino e extensão, abordando temas como jornalismo ambiental, educação midiática, educomunicação socioambiental e justiça climática. “A produção que temos feito dá muito orgulho, porque passa essa noção de que a comunicação faz parte da transformação que queremos operar na sociedade: uma transformação em direção à sustentabilidade da vida e aos direitos”, afirma. Para Cláudia, o trabalho desenvolvido pelos petianos em 2025 deixa um saldo extremamente positivo e a atuação não termina com o fim da conferência. “Para nós, clima não é só o ano da COP. Seguimos construindo alternativas e discutindo o que está em jogo para garantir uma sociedade de dignidade, oportunidades e igualdade para todos e todas.”

Agora, durante os dias intensos da Conferência, o grupo amplia ainda mais sua atuação e integra a ação extensionista COP UFSM, liderada pela pró-reitoria de extensão. Com a divulgação de lives e transmissões especiais, oficinas, reportagens especiais, as redes sociais do PET trazem  notícias em tempo real e aproximam o público do que está sendo debatido nos pavilhões da COP30. A cobertura reforça o papel da comunicação como ferramenta de participação política para a construção democrática em tempos de emergência climática. Fazer a COP na Amazônia é uma oportunidade única de expor ao mundo tanto os riscos de um bioma ameaçado quanto a riqueza de alternativas sustentáveis construídas por quem vive e cuida da floresta. Nesse contexto, o grupo PET Educom Clima reafirma seu compromisso: contribuir para que a sociedade compreenda o que está em jogo e participe da construção de futuros possíveis.

 

Acompanhe o PET Educom Clima nas redes sociais:

Instagram | @peteducomclima 

 

Por Franchesco de Oliveira | Bolsista PET Educom Clima

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/11/10/pet-educom-clima-apresenta-producoes-cientificas-na-jai-e-no-workshop-de-mudancas-climaticas Mon, 10 Nov 2025 19:42:13 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=340

Entre os dias 3 e 7 de novembro, integrantes do PET Educom Clima participaram da 40ª Jornada Acadêmica Integrada (JAI) e do III Workshop Gaúcho de Mudanças Climáticas, apresentando trabalhos vinculados ao projeto Divulgação Científica – Espalhando a Ciência.

A atividade de divulgação científica tem como objetivo incentivar e auxiliar na produção de artigos, materiais e projetos desenvolvidos pelos bolsistas e  voluntários do grupo. O Espalhando a Ciência busca valorizar a educomunicação  como prática de divulgação e de formação socioambiental, aproximando o conhecimento acadêmico de diferentes públicos.

As produções apresentadas representam diferentes experiências e práticas desenvolvidas nas áreas de pesquisa, ensino e extensão do PET. Entre elas estão os trabalhos “Oficina Brasil em Chamas: usando a fotografia para falar de meio ambiente”, de Franchesco de Oliveira e Raquel Pereira, e “Momento de Leitura do PET Educom Clima em práticas educomunicativas de diálogo e formação socioambiental”, de Júlia Gonsalo de Carvalho e Júlia Weber.

Também foram apresentados “Semana Pensando Verde: evento do grupo Agenda 2030 UFSM-FW”, de Isadora Casse Kozen; “Entre lentes e vozes: fotografia e educomunicação na construção de justiça climática”, de Franchesco de Oliveira e Raquel Pereira; e “PET Educom Clima: identidade e valores na comunicação”, de Bruna Einecke Cabreira, Jéssica Thaís Hemsing e Gabriela Ferreira de Menezes.

Cada trabalho apresentado reflete as ações do projeto, voltadas à divulgação das produções do grupo e ao estímulo à reflexão sobre a prática científica. O Espalhando a Ciência atua como um espaço de formação que integra ensino, pesquisa e extensão, contribuindo para a difusão das atividades do PET.

Por Júlia Gonsalo | Bolsista PET Educom Clima 

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/11/10/pet-educom-clima-integra-dialogo-sobre-cop30-em-evento-de-interculturalidade-na-ufsm-fw Mon, 10 Nov 2025 13:03:17 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=335

O Grupo PET Educom Clima participou, dia 8 de novembro, da segunda edição do evento “Compartilhando Saberes: Integração Cultural”, realizado na Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen. A ação celebra a presença indígena no ambiente universitário, reforçando a interculturalidade e o fortalecimento dos laços entre os povos originários da UFSM.

Petianos Franchesco de Oliveira e Raquel Pereira juntamente da Professora Aline Passini, coordenadora do curso de Licenciatura Intercultaral Indígena. Foto: Júlia Gonçalo.

Nesta edição, o PET Educom Clima promoveu um momento de diálogo e troca de conhecimentos sobre a Conferência das Partes (COP). O destaque foi para a importância histórica da COP30 ser sediada no Brasil, em 2025, e o papel central dos povos indígenas nos debates internacionais sobre mudanças climáticas. A atividade contou com a participação dos estudantes do curso de Licenciatura Intercultural Indígena, que contribuíram de forma ativa na atividade.

Foto: Aline Iora/Assessoria de Comunicação

Como proposta prática, os petianos convidaram os acadêmicos a colaborarem na montagem da Estação Central da COP, iniciativa do Observatório do Clima que busca incentivar instituições, escolas, comunidades e coletivos a criarem espaços de formação e engajamento sobre a pauta climática. A ação visou estimular o diálogo sobre justiça climática e ampliar o acesso às informações relacionadas às decisões definidas na Conferência.

A Estação Central da COP surge como resposta à urgência climática já vivenciada em diferentes territórios, sejam florestas, campos, periferias ou grandes cidades. É uma estratégia para reforçar que as decisões internacionais têm impacto direto na vida das pessoas. Assim, a participação da comunidade acadêmica e indígena torna-se essencial para o fortalecimento desse debate no Brasil.

Com iniciativas como esta, o grupo PET Educom Clima reafirma seu compromisso com a educação ambiental, a educomunicação e a construção de espaços que ampliem a participação social nas pautas globais sobre o clima.

Foto: Aline Iora/Assessoria de Comunicação

Por Franchesco de Oliveira | Bolsistas PET Educom Clima

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/10/29/vale-e-cop30-entre-o-discurso-verde-e-o-rastro-de-lama Wed, 29 Oct 2025 21:13:42 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=333

A notícia da Vale como uma das patrocinadoras oficiais da COP30, que acontecerá em 2025, em Belém, gerou reações intensas. Para alguns, é um sinal positivo de que grandes corporações estão assumindo um papel ativo nas discussões sobre o futuro do planeta. Para outros, é uma contradição evidente: como uma empresa associada a desastres ambientais de proporções históricas pode ocupar o palco de um evento voltado à sustentabilidade?

Desde as tragédias de Mariana, em 2015, e de Brumadinho, em 2019, a Vale carrega uma marca difícil de apagar. Mais do que perdas materiais, esses episódios deixaram cicatrizes humanas, sociais e ambientais profundas. A lama não destruiu apenas rios e comunidades, destruiu também a confiança de grande parte da população na palavra “responsabilidade corporativa”.

Mesmo assim, nos últimos anos, a empresa tem investido fortemente em projetos de comunicação, inovação e sustentabilidade. São campanhas, relatórios, compromissos públicos e ações de reparação que buscam mostrar uma Vale diferente, mais consciente, transparente e comprometida com o meio ambiente. Do ponto de vista das Relações Públicas, essas iniciativas fazem parte de um processo puro de gestão de crise e reconstrução de imagem. Afinal, toda organização que enfrenta uma crise precisa dialogar com seus públicos, assumir responsabilidades e mostrar, com atitudes, que está disposta a mudar.

Mas há um ponto sensível nessa história. Quando o discurso de sustentabilidade surge de empresas que tiveram grande responsabilidade em desastres ecológicos, é natural que o público desconfie. O patrocínio à COP30 pode ser visto como uma tentativa de reconexão com a sociedade mas também pode ser interpretado como uma ação de greenwashing, termo usado para descrever práticas de marketing enganoso que criam uma imagem “verde” mas sem uma mudança profunda na estrutura ou nas práticas da empresa.

No caso da Vale, é importante reconhecer que a empresa vem adotando medidas de reparação e ampliando a discussão sobre sustentabilidade. Mas também é necessário lembrar que as comunidades afetadas pelas barragens ainda convivem com as consequências da lama, da perda de renda e da destruição ambiental.

A presença da Vale na COP30 nos coloca diante de uma pergunta maior: até que ponto as grandes corporações podem ser parte da solução climática se elas também são, historicamente, parte do problema? Talvez o mais importante não seja escolher um lado, mas manter o olhar crítico e o questionamento vivo. 

Ricardo Stuckert/Fotos Públicas Fonte: Agência Senado

Por Isadora Konzen | Integrante do PET Educom Clima.

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/10/22/vozes-indigenas-e-quilombolas-seguem-a-margem-da-cobertura-antes-da-cop-30 Wed, 22 Oct 2025 11:44:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=331
Indígenas descem a esplanada dos ministérios em direção ao STF para a realização de uma vigília contra o Marco Temporal. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Por Bruna Einecke Cabreira* e Cláudia Herte de Moraes**

Cerca de 80% dos mais pobres e vulneráveis do mundo, quase 900 milhões de pessoas, estão diretamente expostas a riscos climáticos, como calor extremo, inundações, secas ou poluição do ar. E os números evidenciam que mulheres negras e indígenas estão entre as mais afetadas, com os piores índices de moradia digna, de violência, de acesso à renda e à saúde, entre outros indicadores de vulnerabilidade. Ainda assim, elas são as pessoas menos escutadas quando falamos sobre vulnerabilidade social diante da crise climática.

Essa questão foi abordada nos debates da Pré-COP sediada em Brasília, na última semana. A Pré-COP nada mais é que uma reunião preparatória que funciona como um termômetro para as negociações oficiais da COP-30 – que ocorrerão dos dias 10 a 21 de novembro, em Belém. O evento reuniu mais de 600 representantes de 67 delegações ao longo de dois dias de debates intensos, que abordaram temas centrais como o financiamento climático, a transição energética e a adaptação aos eventos climáticos extremos.

Além das discussões formais, a Pré-COP também foi marcada por manifestações da sociedade civil, que cobraram ações concretas e compromissos efetivos para a conferência em Belém. Povos indígenas marcaram presença com uma passeata, na segunda-feira, com cerca de 200 manifestantes de diferentes regiões do Brasil, em defesa da demarcação de terras. A Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas) pediu ao governo federal a titulação do passivo de 87% das terras ocupadas tradicionalmente por comunidades quilombolas como uma medida de preservação da natureza e da biodiversidade.

Mas, ainda assim, as vozes destes grupos tiveram pouco espaço na cobertura da mídia brasileira. Nos portais G1 e Folha de S. Paulo, dois dos maiores sites de notícias do país, apenas uma reportagem em cada site abordou as manifestações durante a Pré-COP. No G1, a cobertura destacou o ato indígena, focando principalmente em noticiar o protesto e deixando as reivindicações indígenas em segundo plano. Os argumentos pelo pedido de demarcação urgente das terras indígenas apareceram apenas por meio de duas fontes entrevistadas. Na Folha de S. Paulo, a notícia cobriu o protesto quilombola, dando ênfase especificamente na proposta de anexo à meta climática do Brasil, conhecida como NDC. A matéria se apoiou em apenas uma fonte, retirando grande parte das informações diretamente do documento e sem detalhar outros aspectos relevantes.

Por outro lado, mesmo não repercutindo os protestos indígena e quilombola, o jornal Brasil de Fato deu ênfase para as organizações da sociedade civil presentes na Pré-COP, destacando o evento “Caminho para Belém: contribuições da sociedade civil” que aconteceu durante as negociações. A notícia teve foco nas falas da Ministra Sônia Guajajara e Selwin Hart, enviado especial do Secretário-Geral da ONU, que participaram da cerimônia de abertura.
A cobertura limitada das manifestações indígenas e quilombolas evidencia que essas vozes continuam à margem do debate público e midiático em nosso país.

A pouca atenção da grande imprensa reforça a necessidade de ampliar o espaço dado às comunidades historicamente vulneráveis, garantindo que suas reivindicações e perspectivas sejam ouvidas e consideradas nas decisões políticas, e em especial, sobre o clima e o meio ambiente. A inclusão dessas vozes se faz necessária não apenas por uma questão de justiça social e climática com estas comunidades, mas também essencial para a construção de políticas climáticas mais eficazes para todos nós.


*Graduanda em Jornalismo na UFSM, bolsista do PET Educom Clima. E-mail: bruna.cabreira@acad.55bet-pro.com. 

**Jornalista, doutora em Comunicação e Informação, professora na UFSM. Tutora do PET Educom Clima (UFSM) e líder do Grupo Educom Clima (CNPq/UFSM). Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental e do Laboratório de Comunicação Climática. (CNPq/UFRGS). E-mail: claudia.moraes@55bet-pro.com.

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/10/13/dilemas-do-carro-eletrico-a-producao-e-o-descarte-desses-veiculos-ainda-representam-desafios-socioambientais-significativos Mon, 13 Oct 2025 19:56:40 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=329

Apresentados como solução limpa para o futuro da mobilidade, os carros elétricos conquistam cada vez mais espaço nos discursos sobre sustentabilidade. Mas, por trás das promessas de um planeta menos poluído, a produção desses veículos é feita de mineração intensiva, consumo energético elevado e problemas ainda distantes de serem superados.

Mais limpos... ou apenas diferentes?

De fato, os veículos elétricos reduzem as emissões diretas de gases poluentes e o ruído nas cidades. No entanto, a pesquisadora Meiry Mayumi Onohara, coautora do estudo “Comparações entre a Eficiência Energética de Carro Elétrico e de Carro à Combustão: uma análise dos impactos socioambientais e financeiros” (2022), alerta que a imagem de sustentabilidade é, em parte, ilusória.

“Existe uma percepção de sustentabilidade dos veículos elétricos que não considera totalmente os impactos ao longo de todo o seu ciclo de vida, incluindo o maior impacto ambiental inicial durante a fabricação e os desafios com o descarte e a reciclagem das baterias”, explica Onohara. “A fase de produção de veículos elétricos pode gerar significativamente mais emissões do que a de carros convencionais, principalmente devido à fabricação de baterias.”

Segundo dados da International Energy Agency (IEA), um carro elétrico pode demandar até cinco vezes mais minerais do que um modelo tradicional. A título de comparação, enquanto são necessários de 2 a 3 gramas de lítio para produzir a bateria de um iPhone 11, o módulo de energia de um Tesla Model S precisa de 12 quilos do metal, mas dependendo do veículo, essa quantidade pode chegar a 30 quilos.
A estimativa impressiona: se os 1,6 bilhões de carros no mundo fossem convertidos para modelos elétricos, seriam necessários mais de 19 milhões de toneladas de lítio, e isso sem considerar a troca desnecessária e constante para um novo modelo, incentivada por práticas de consumo cada vez mais aceleradas.

O estudo de Onohara e Onohara (2022) confirma que, embora os carros elétricos apresentem rendimento energético de até 90% na conversão da energia elétrica em movimento, frente aos 25% dos veículos a combustão, a fase de produção ainda é responsável por um impacto ambiental expressivo. A extração e o transporte das matérias-primas dependem de combustíveis fósseis e provocam degradação ambiental, especialmente em países latino-americanos que concentram as reservas minerais.

Carro elétrico sendo carregado em ponto recarga em Brasília. Foto: José Cruz/Agência Brasil

A corrida por minérios e os riscos para o Brasil

Boa parte do lítio que alimenta essa transição energética está na América do Sul, no chamado “Triângulo do Lítio”, formado por Chile, Bolívia e Argentina. De acordo com o “Guia Latam de Lítio”, produzido pela Agência EY, esses países detêm, juntos, metade das reservas globais conhecidas do mineral. 

 O Brasil também desponta como potência, com reservas significativas localizadas em Minas Gerais, na chamada Província Borborema e no Vale do Jequitinhonha, o qual equivale a 85% das reservas conhecidas, segundo reportagem do canal VE

A gigante chinesa BYD, uma das maiores fabricantes de veículos elétricos do mundo, adquiriu direitos minerários sobre uma área em Coronel Murta, no Vale do Jequitinhonha (MG),  De acordo com documentos obtidos pela Reuters, a empresa já detém títulos de exploração emitidos pela Agência Nacional de Mineração (ANM), o que marca a entrada direta da montadora na corrida global por minerais estratégicos.

Além disso, a mineradora Sigma Lithium, uma das líderes do setor, foi acusada por comunidades locais de ter contaminado um rio da região. Em resposta, a empresa passou a enviar caminhões-pipa semanalmente para cerca de 70 famílias. O caso reacende o debate sobre os impactos diretos da mineração em comunidades vulneráveis.
Outro ponto a se destacar é que a Sigma Lithium recebeu cerca de R$ 500 milhões do BNDES via o Fundo Clima, criado justamente para financiar ações de mitigação às mudanças climáticas. O financiamento serviu para dobrar a capacidade de produção da mina, o que gerou críticas sobre a real sustentabilidade desse modelo de desenvolvimento.

“Terras raras” na Amazônia

Além do lítio, os veículos elétricos dependem de um conjunto de 17 elementos químicos, as chamadas terras raras, que são essenciais em imãs, motores elétricos, catalisadores e componentes eletrônicos das baterias e sistemas de tração. 

Pesquisas geológicas recentes conduzidas pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) indicam que províncias minerais do Norte do país, especialmente a Província Mineral de Carajás, no Pará, concentram depósitos significativos de minerais estratégicos, incluindo elementos de terras raras. De acordo com levantamentos apresentados pelo SGB, já foram documentadas assinaturas desses elementos em amostras coletadas na região, o que reforça o potencial da Amazônia como polo de exploração de insumos críticos para a transição energética.

O Brasil, aliás, está entre os países com maiores reservas estimadas de terras raras no mundo, de acordo com o SGB, corresponde a cerca de 23%,  fato que atrai atenção de investidores e de governos interessados em diversificar cadeias de abastecimento fora da China, hoje dominante no refino e na produção global. Ao mesmo tempo, a expansão da mineração na Amazônia levanta alertas por impactos ambientais e sociais conhecidos: a extração de minerais na região tem histórico de danos a ecossistemas e de conflitos com populações tradicionais. 

Ao mesmo tempo, a expansão da mineração na Amazônia levanta alertas ambientais e sociais. Especialistas apontam que a extração de minérios na região tem um histórico de impactos severos sobre ecossistemas e populações tradicionais. No Pará, os riscos são intensificados por casos de contaminação industrial, como o da refinaria Hydro Alunorte, em Barcarena, que foi alvo de investigações e relatórios parlamentares após o vazamento de rejeitos que afetaram igarapés e comunidades locais.

Belém será a sede da COP30, que ocorrerá entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025. Há expectativa de que a Conferência coloque a Amazônia no centro das negociações globais sobre clima e conservação. Mas especialistas e lideranças locais temem que a atenção internacional possa, em vez de resultar em proteção efetiva, abrir avenida para um modelo de “extrativismo climático”, isto é, favorecer a exploração acelerada de minerais estratégicos sem garantias ambientais e de direitos para as comunidades afetadas

O dilema da eficiência energética

Quando se trata de eficiência energética, a vantagem elétrica é clara. Um carro a combustão converte apenas 10% a 30% da energia do combustível em movimento, enquanto o elétrico aproveita até 90% da energia armazenada na bateria.

Mas, segundo Onohara, “a sustentabilidade dos carros elétricos é relativa e depende fortemente de fatores como a matriz energética utilizada para geração da eletricidade e os desafios associados ao descarte e à reciclagem das baterias”.

Além disso, os custos ainda são altos: o valor da bateria pode representar até 50% do preço total de um carro elétrico. Como apontam os autores do estudo da UFU, a produção desses veículos demanda investimentos pesados em infraestrutura elétrica e redes de recarga, o que reforça o caráter elitizado da “mobilidade verde”.

Transporte público e bicicletas

O investimento em ônibus elétricos, corredores exclusivos, metrôs e bicicletas compartilhadas têm impacto mais direto, democrático e ambientalmente responsável do que a substituição dos veículos individuais.

Por isso, em vez de apenas trocar motores a combustão por baterias, propostas mais sustentáveis priorizam transporte coletivo eficiente, infraestrutura para pedestres e ciclovias integradas. De acordo com o Caderno Técnico de Rotas Tecnológicas de Descarbonização do Transporte Coletivo no Brasil (ANTP) e estimativas do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), a expansão do transporte público e o incentivo à mobilidade ativa, como o uso de bicicletas e deslocamentos a pé, podem reduzir entre 20% e 30% das emissões de CO₂ do setor de transportes urbanos nas grandes cidades brasileiras, especialmente quando combinadas com políticas de planejamento urbano sustentável.

Além disso, cidades mais compactas, com serviços acessíveis a pé, o chamado urbanismo de proximidade, têm se mostrado mais resilientes às crises climáticas, econômicas e sociais.

O futuro sustentável com carro elétrico

Para Meiry Onohara, tornar o carro elétrico realmente sustentável no Brasil exigirá uma série de mudanças estruturais. “É necessário fortalecer a matriz energética com fontes renováveis, desenvolver a logística reversa para as baterias e expandir a infraestrutura de recarga e superar barreiras financeiras e de aceitação social.”, defende. 

É essencial investir em políticas públicas e conscientização sobre o descarte correto, para que a transição energética não repita os mesmos erros do extrativismo tradicional. Enquanto as tecnologias de reciclagem e reaproveitamento avançam lentamente, a corrida por minérios se acelera e o dilema permanece: Estamos realmente caminhando para um futuro sustentável, ou apenas repetindo velhos padrões de exploração sob um novo discurso?

Gabriela de Menezes | Integrante PET Educom Clima

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/09/24/a-narrativa-individualista-no-cenario-ambiental Wed, 24 Sep 2025 17:32:57 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=327

Enquanto pequenos grupos de pessoas dispersas reduzem seu impacto ambiental, as empresas utilizam a narrativa individualista para danificar o meio ambiente e não serem devidamente responsabilizadas. 

Em entrevista publicada no Mídia Ninja, uma das coordenadoras da Fundação Heinrich Böll Brasil, Maureen Santos, comentou sobre o tema. “É muito importante você mudar a sua prática e estar de acordo com a sua consciência, dando coerência à sua luta e militância, mas nada vai mudar se você não transformar o coletivo através da busca por políticas públicas, construindo ações coletivas e de engajamento”, afirma.

Diante da busca por um cotidiano consciente e de controle sustentável, surge o conceito de Green New Deal, Novo Acordo Verde, que teria como base implementar hábitos verdes na economia, por exemplo: trocar combustíveis fósseis por energias renováveis e limpas. Mas, segundo Santos, continuaríamos sob a ótica capitalista e consumista. “Esse esverdeamento do capitalismo trazendo o sistema para ser um pouquinho mais ambientalmente correto, na verdade não muda as verdadeiras práticas do próprio modelo”, diz ela. 

Outro termo criado dentro deste contexto é o greenwashing, que em sua tradução significa “lavagem verde”. A prática diz respeito à divulgação de sustentabilidade falsa por meio de empresas com o intuito de enganar consumidores, através do marketing. De acordo com pesquisa do Market Analysis Brasil e do Instituto Akatu, 85% das empresas que vendem seus produtos com alegações ambientais possuem propagandas enganosas ou falsas. Tal prática induz o público ao erro e tem reconhecimento pelo Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), o órgão aceita denúncias com provas emitidas pelos compradores.

Outra abordagem individual para um problema coletivo e global foi o estabelecimento da chamada ‘pegada de carbono’. O conceito foi inicialmente implementado por campanhas publicitárias, que evoluíram para aplicativos que notificavam as pessoas quando utilizavam serviços com emissões de gás carbônico na atmosfera, como forma de culpar o consumidor e não a empresa fornecedora.

A raiz dos problemas

Educados em fazer banhos curtos, economizar na hora de escovar os dentes, muitas vezes não nos damos conta de cobrar dos grandes responsáveis pela crise. Porém, relatórios especiais demonstram que um número pequeno de empresas é quem mais contribui com a maior parte das emissões globais. Segundo o relatório Carbon Majors, publicado em 2017, aponta a responsabilidade do aumento de emissões de gases do efeito estufa na indústria de combustível fóssil desde 1998. A culpabilidade de hábitos rotineiros se torna um desvio de atenção para os verdadeiros poluentes.

Foto: Worldpackers

Para sair desse circuito individualista, pode-se pensar por que esta estratégia é usada? Ela é considerada eficaz porque se conecta com o nosso senso de responsabilidade e de um sentimento de culpa. Aliás, em algumas pessoas também essas narrativas podem ampliar a ecoansiedade.

No episódio “Ecoansiedade” do projeto de extensão Mão na Mídia, a psicóloga Laís Piovesan fala sobre o que pode ser feito para que o excesso de informações sobre o aquecimento global não se torne um adoecimento. “Em relação à questão específica de como canalizar esse incômodo, essa preocupação, uma das formas que eu vejo que tem uma grande potência é o envolvimento em causas coletivas, seja por meio de projetos mais acadêmicos, seja por meio de voluntariado”, diz a psicóloga. 

Um grupo que sai da lógica singular é o Engajamundo, composto por jovens ativistas em prol da mobilização social sobre o meio ambiente. A organização promove formações, participação e advocacy para conscientizar os integrantes sobre seus impactos socioambientais e colocá-los à frente na tomada de decisões sobre o tema. Atualmente, o grupo utiliza as redes sociais como forma de disseminar informações ambientais ao público. 

Por Emylli Mariana Fontoura | Integrante do PET Educom Clima

 

Fontes:

Maureen Santos: Soluções individuais não mudam o meio ambiente http://midianinja.org/maureen-santos-solucoes-individuais-nao-mudam-o-meio-ambiente/

Quem são os maiores poluidores do planeta e qual a nossa parte nisso? http://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2021/12/25/quem-sao-os-maiores-poluidores-do-planeta----e-qual-a-nossa-parte-nisso.htm?cmpid 

Greenwashing: entenda o que é e aprenda a se defender de propagandas falsas http://share.google/50PeMOgeHAQfwPD2S

Greenwashing no Brasil: Estudo revela que 85% das alegações ambientais nos produtos são enganosas http://envolverde.com.br/governanca/greenwashing-no-brasil-estudo-revela-que-85-das-alegacoes-ambientais-nos-produtos-sao-enganosas/

Home – Engajamundo http://share.google/9yJyEvachzH0JxSGK

Projeto de extensão Mão na Mídia - Ecoansiedade http://open.spotify.com/episode/2wEZwDqpdQxmCU4w20wW3n?si=Jsn0qA4sQHGpjzz62YO7hw 

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/09/15/pet-educom-clima-realiza-oficina-brasil-em-chamas-na-escola-cardeal-roncalli Mon, 15 Sep 2025 18:31:57 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=326

Nesta segunda-feira, 15 de setembro, o PET Educom Clima promoveu a oficina Brasil em Chamas com estudantes do 1º ano do ensino médio da Escola Estadual de Ensino Médio Cardeal Roncalli. Esta é a segunda edição da oficina que o grupo promove com estudantes de Frederico Westphalen e tem o objetivo de sensibilizar os jovens para os impactos das queimadas no Brasil, utilizando uma abordagem interativa que combina dados, imagens e expressão artística. 

A atividade iniciou com uma conversa sobre as causas e o impacto das queimadas no meio ambiente, o papel da comunicação em tempos de desastres climáticos e como poderíamos conscientizar as pessoas sobre os impactos das mudanças climáticas. Além de refletir sobre a COP-30, que será realizada dos dias 10 a 21 de novembro, em Belém. 

Com a proximidade da COP-30, a temática desta segunda edição foi adaptada e os alunos foram convidados a produzir cartazes imaginando que seriam representantes do Brasil na COP-30 e que precisariam apresentar uma solução para enfrentar as mudanças climáticas em nosso país. Os cartazes foram produzidos com colagens, tintas e desenhos. Após a produção, cada grupo apresentou suas ideias, simulando o papel de delegados(as) do Brasil na conferência.

Bruna Einecke | Bolsista PET Educom Clima.

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/09/03/entre-a-ciencia-e-as-redes-sociais-a-urgencia-da-educacao-midiatica-para-o-clima Wed, 03 Sep 2025 20:39:57 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=267

Não há como negar: as redes sociais se tornaram a principal forma de comunicação e fonte de informação dos dias atuais. Segundo dados da pesquisa global Digital News Report 2025, produzida anualmente pelo Reuters Institute, 63% da população brasileira afirma consumir notícias via redes sociais. Elas intermediam nossas relações pessoais, influenciam nossos gostos e comportamentos e, especialmente, adaptam as informações (ou desinformações) que chegam até nós. Nesse cenário complexo, a educação midiática ganha maior importância. 

Enquanto você navega pelos vídeos curtos no Instagram ou no TikTok, é bem provável que você já tenha se deparado com algum conteúdo de educação midiática, a partir de divulgadores de ciência. Ao se divertir e achar graça de um vídeo da bióloga Mari Kruger, por exemplo, estamos colocando em prática essa ideia. Não estamos apenas consumindo entretenimento, mas aprendendo com informações de qualidade, de forma clara, verídica, didática e bem-humorada. Em outras palavras: estamos nos educando midiaticamente. 

A educação midiática nasceu justamente com o intuito de possibilitar o desenvolvimento de habilidades para acessar essas informações, interpretá-las criticamente e assim compreender e produzir conteúdos com responsabilidade.

Com o avanço da desinformação climática, especialistas defendem esforços para a compreensão deste processo, bem como incluem a educação midiática como forma de enfrentamento. Para a professora e pesquisadora Cláudia Herte de Moraes, tutora do PET Educom Clima na UFSM, entender a realidade dos meios de informação e comunicação é hoje tão importante quanto, por exemplo, aprender as lições básicas de alimentação saudável e cuidados com a saúde. "A educação midiática é uma ferramenta importante para a educomunicação, uma área mais ampla que propõe a transformação social, principalmente pelo exercício do direito à comunicação, de forma dialógica e participativa."

Redes sociais são mais utilizadas pelos brasileiros para consumir notícias. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Quem está na contramão do algoritmo… 

Segundo dados do Instituto Locomotiva, quase 90% da população brasileira admite ter acreditado em algum conteúdo falso nas redes sociais. Por outro lado, divulgadores e influenciadores utilizam essas mesmas ferramentas e plataformas para enfrentar as ondas de fake news e desinformação que atingem um número cada vez maior de pessoas.  

É o caso da divulgadora científica Karina Lima, que integra um perfil dedicado a comunicar a ciência climática. Por meio das redes, ela informa sobre a emergência do clima e o aquecimento global, além de combater o negacionismo climático. Doutora em Climatologia pela UFRGS, Karina compartilha conhecimento de forma acessível e engajada. Em entrevista recente ao podcast Eco Vozes, do projeto de extensão Mão na Mídia, Karina comentou como iniciou nesta área. “Eu sou uma cientista do clima e quando percebi que eu poderia contribuir também de outra forma, no caso, por meio da divulgação científica, eu comecei a fazer isso nas redes sociais. Eu acho que desde 2020, mais ou menos.”

Ela destaca a importância de fazer divulgação científica, levando dados e informações ao público sem alarmismo. “É bem difícil, porque ao mesmo tempo que a gente tem que mostrar a gravidade da situação, a gente não pode ficar relevando isso ou subestimando essa gravidade [...] Mas ao mesmo tempo, essa comunicação não pode ser paralisante. Ela não pode chegar ao ponto em que as pessoas se sentem desmobilizadas ou achem que acabou tudo, que induz a um fatalismo.” A divulgadora defende que ao mesmo tempo que mostramos a gravidade da situação climática, também às sensibilizamos. E só assim conseguiremos gerar transformação.  

Projetos educomunicativos

“Você já parou para pensar no que faz com que a Terra seja habitável?” É com esse questionamento que inicia o primeiro capítulo, O Efeito Estufa, do guia ilustrado Eunice, o espaço unificado de informação climática e engajamento, criado pelo Observatório do Clima. O nome do projeto foi dado em homenagem à cientista estadunidense Eunice Foote, que foi uma das pioneiras na descoberta do efeito estufa, e tem um objetivo simples: ajudar o público a entender as mudanças climáticas de forma didática e acessível.

Guia ilustrado Eunice/Reprodução.

No formato de um mapa, o guia inicia no passado, explicando o que é o efeito estufa; então percorre o presente, falando da descoberta da crise climática e mostrando as causas e os culpados do aquecimento global, e vai até o futuro, explicando o que pode acontecer se não fizermos nada para mudar o nosso destino. Nesse caminho, ele passa por questões econômicas e políticas e exemplifica os efeitos delas no meio ambiente.

Eunice faz parte de um conjunto de projetos que mesclam educação e comunicação com o objetivo de ampliar o acesso à informação e a construção de conhecimento por meio da participação ativa dos educandos na sociedade. Entre a ciência e as redes sociais, a educação midiática mostra que há caminhos possíveis para transformar informação em consciência — e consciência em ação.

Por Bruna Einecke | Bolsista PET Educom Clima

 

Saiba mais

http://eunice.oc.eco.br/ 

http://papodedev.com.br/2025/06/28/consumo-de-noticias-brasil-2025/

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-04/quase-90-dos-brasileiros-admitem-ter-acreditado-em-fake-news

http://educamidia.org.br/educacao-midiatica/

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/09/02/vozes-na-cop-o-podcast-do-pet-educom-clima Tue, 02 Sep 2025 14:44:39 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=266

Podcast busca aproximar a comunidade dos debates climáticos globais

O PET Educom Clima estreará, no dia 09 de setembro, o Podcast “Vozes na COP”, espaço para aproximar a comunidade dos debates e os desafios sobre o futuro do planeta a partir da COP 30, a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que acontecerá em 2025, em Belém do Pará. O programa contará com 5 episódios e abordará pautas como cultura, saberes tradicionais, justiça climática, integridade da informação e tudo que está em jogo na COP 30.

O “Vozes na COP” é uma iniciativa do PET Educom Clima que tem como objetivo promover discussões, reflexões e perspectivas sobre os debates realizados nessa reunião global, fundamental para o enfrentamento da crise climática. No podcast, os ouvintes poderão compreender a relevância dos temas tratados na Cúpula Climática, a partir do trabalho dos petianos, responsáveis pelo roteiro, gravação e edição.

A COP 30 será realizada de 10 a 21 de novembro, tendo o Brasil como país-sede pela primeira vez. Belém, capital do Pará, na Amazônia brasileira, receberá chefes de Estado de mais de 100 países, o que trará grande visibilidade e responsabilidade ao país. O evento representa uma oportunidade estratégica para o Brasil assumir protagonismo nos debates climáticos.

Além do podcast, o PET Educom Clima já vem promovendo debates sobre a relevância das pautas que serão discutidas no evento. Em parceria com o Observatório de Jornalismo Ambiental, projeto de extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi criado o projeto “De Olho na COP”, uma iniciativa coletiva de graduandos e pesquisadores dedicada a analisar as informações que circulam no campo jornalístico sobre os desafios e as potencialidades da COP 30.

Jéssica Thaís Hemsing I Bolsista PET Educom Clima

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/08/20/pet-educom-clima-apresenta-artigos-no-iv-coloquio-mato-grossense-de-educomunicacao Wed, 20 Aug 2025 23:13:08 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=265

Integrantes do PET Educom Clima participam do IV Colóquio Mato-grossense de Educomunicação, realizado pelo Grupo de Pesquisa em Jornalismo, Educomunicação e Cidadania (Educom.JOR) da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). A 4ª edição do evento ocorre de maneira semipresencial, nos dias 21, 22 e 23, e tem como temática “Educomunicação socioambiental, intercultural e indígena”.

Os artigos apresentados são intitulados “Educomunicação em territórios originários: TI Guarita”, por Raquel Teixeira Pereira, Franchesco de Oliveira Y Castro e Cláudia Herte de Moraes, e “Olhar de Jornalista: a imagem como elo entre culturas na universidade”, por Franchesco de Oliveira Y Castro, Raquel Teixeira Pereira e Cláudia Herte de Moraes. Ambos os trabalhos, qualificados como Relato de Experiência, contemplam o GT 2 - ODS, extensão universitária e território. 

O Colóquio promove discussões educomunicativas e conta com a participação de conferencistas, palestrantes e equipe organizadora de distintas regiões. Além disso, participam ativamente pesquisadores da área de Comunicação e Audiovisual da Bournemouth University (Reino Unido), o que consolida sua projeção internacional.

A presença do PET Educom Clima no evento reforça o compromisso do grupo com pautas educomunicativas e interculturais. Os Relatos de Experiência também destacam as atividades de extensão desenvolvidas pelo grupo e reforçam sua seriedade no enfrentamento de questões de relevância social.

 

Jéssica Thaís Hemsing I Bolsista PET Educom Clima

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/08/18/licenciamento-ambiental-a-queda-de-braco-que-ameaca-os-biomas-brasileiros Mon, 18 Aug 2025 21:45:53 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=261

O desmatamento no bioma Pampa representa uma preocupação ambiental significativa, impulsionado pela conversão de áreas de vegetação nativa em lavouras e pastagens. Embora um relatório recente, realizado pela MapBiomas, tenha apontado uma redução de 42% no desmatamento do Pampa em 2024, a perda contínua de cobertura vegetal reflete a expansão constante da agricultura, especialmente do cultivo de grãos. Os cenários atuais em todos os biomas preocupam, ainda mais com as possibilidades de retrocessos na legislação de proteção ambiental no Brasil.

Esse é o caso da discussão sobre a flexibilização das regras de licenciamento ambiental que ganhou força com a tramitação de uma ampla reforma na legislação. A proposta, aprovada na Câmara dos Deputados em 2021 e no Senado em meados de 2025, criava um arcabouço legal que, segundo críticos, poderia facilitar a poluição descontrolada, aumentar o risco de tragédias como a de Brumadinho e intensificar a crise hídrica e o desmatamento. Desde sua aprovação inicial na Câmara, o projeto passou a ser visto por pesquisadores, pelo Ministério Público Federal e por organizações da sociedade civil como o maior retrocesso ambiental das últimas décadas no Brasil. Pela gravidade dos possíveis impactos, ganhou apelidos como “PL da Devastação” e “mãe de todas as boiadas”.

O “PL da Devastação” reflete o interesse econômico de setores que contrariam o Artigo 225 da Constituição Federal, que estabelece o direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado como um “bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida”. O texto constitucional impõe ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. “Pode ser considerado o maior ataque à legislação ambiental brasileira”, afirma André Trigueiro, jornalista da Globo News, em um vídeo divulgado em seu perfil no Instagram

Na prática, o PL da Devastação poderia abrir caminho para a “passagem da boiada” em áreas de preservação. Dos 31 deputados federais do Rio Grande do Sul, 21 votaram a favor do Projeto de Lei 2.159/2021. Mesmo após testemunharem e sentirem na pele as consequências da degradação da vegetação nativa, como nas enchentes de 2024, o que evidencia a contínua priorização de interesses econômicos em detrimento do meio ambiente por parte de seus apoiadores.

Mobilização nas ruas e redes pressionam pelo veto presidencial

Elaine Patricia Cruz/Agência Brasil

O ativismo ambiental mobiliza ruas e redes. Nos últimos meses, centenas de organizações e movimentos sociais e ambientais têm realizado manifestações em diversas cidades do país contra o PL da Devastação. Em São Paulo, o ato ocorrido na Avenida Paulista, no dia 13, contou com o apoio de 80 dessas entidades.

As mobilizações tiveram como objetivo pressionar os deputados a rejeitarem a proposta e também o presidente da República. A expressão “mãe de todas as boiadas” tornou-se um símbolo dessa luta, em referência à fala do ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que em 2020 sugeriu aproveitar que a atenção da mídia tinha foco na pandemia de Covid-19 para "passar a boiada" nas regras ambientais, no momento em que as pessoas estavam fragilizadas e preocupadas com a doença que se alastrava no país.

Além das manifestações presenciais, as organizações lançaram o site PL da Devastação para ampliar a pressão sobre os congressistas. Para o site de notícias “Agência Brasil”, o arquiteto urbanista, ativista e porta-voz da Rede Sustentabilidade em São Paulo, Marco Martins, alerta que o projeto antes dos vetos, “desestrutura completamente o licenciamento ambiental no Brasil”.

Nas ruas de Curitiba, com cartazes e palavras de ordem, manifestantes exigiram o veto integral ao PL pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, unificando o grito nacional: “Veta tudo, Lula!”. O protesto realizado em 02 de agosto reuniu ambientalistas, movimentos sociais, trabalhadores e estudantes, encerrando com performances simbólicas, como a queima de uma bandeira dos Estados Unidos, em crítica à submissão de interesses ambientais a pressões econômicas internacionais.

Presidente veta pontos-chave, mas governo edita MP

Enfim, em 8 de agosto de 2025, o presidente Lula sancionou o projeto com vetos considerados estratégicos. Dos quase 400 dispositivos aprovados pelo Legislativo, 63 foram vetados, impedindo a implementação da licença automática (o chamado "autolicenciamento"), reforçando a proteção de áreas mais sensíveis e garantindo a exigência de estudos de impacto ambiental para projetos prioritários. Conforme a ministra Marina Silva, os vetos também foram essenciais para defender direitos de povos tradicionais e originários, que ficariam privados de serem ouvidos.

O veto presidencial também manteve a possibilidade de impor condicionantes para impactos indiretos, preservou a análise técnica obrigatória em Unidades de Conservação e impediu que produtores rurais com Cadastro Ambiental Rural (CAR) pendente fossem dispensados do licenciamento. Um dos vetos mais importantes foi à criação da Licença por Adesão e Compromisso (LAC) no formato monofásico, o "autolicenciamento", no qual o próprio empreendedor se declararia em conformidade com a lei.

No entanto, no mesmo dia, o governo publicou a Medida Provisória (MP) 1.308/2025, que institui a mesma LAC, mas em um formato distinto. A nova versão não prevê a análise em fase única, mas ainda permite acelerar a autorização para obras e empreendimentos considerados estratégicos pelo Executivo. Embora já esteja em vigor, a MP é vista com ressalvas por ambientalistas.

Toda essa discussão tem muitos interesses econômicos em jogo. E o cenário ainda é incerto, pois há uma forte pressão de setores poderosos para a derrubada dos vetos de Lula, especialmente da bancada ruralista e de outros parlamentares que querem maior autonomia a estados e municípios. Um dos alvos principais é o veto que impediu a transferência irrestrita da competência para definir critérios de licenciamento aos entes federativos, com senadores argumentando que a manutenção do veto fere o pacto federativo. A derrubada deste e de outros vetos restauraria a versão original e mais controversa do projeto, intensificando a probabilidade de judicialização. Para derrubar um veto presidencial, é necessária a maioria absoluta dos votos em ambas as Casas.

Assim, da mesma forma que a mobilização da sociedade civil foi fundamental para garantir os vetos aos piores retrocessos, o tema agora segue para uma nova rodada de embates, debates e ativismo, definindo o futuro da proteção ambiental no Brasil.

Por Raquel Teixeira Pereira | Bolsista PET Educom Clima

Fontes:

http://www.camara.leg.br/noticias/1186832-lula-sanciona-novo-licenciamento-ambiental-com-63-vetos/

http://apublica.org/2025/08/sobre-os-vetos-de-lula-e-os-proximos-capitulos-da-novela-do-pl-da-devastacao/

http://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2025/08/marina-silva-detalha-vetos-no-pl-do-licenciamento-ambiental-no-bom-dia-ministra-desta-quinta-14

 

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/08/13/no-prato-e-na-pauta-a-importancia-da-agricultura-familiar-no-debate-da-cop-30 Wed, 13 Aug 2025 20:29:31 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=259
Crédito: Fotos Públicas

Por Jéssica Thaís Hemsing * e Cláudia Herte de Moraes**

Na reunião técnica preparatória para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-30) em Bonn, na Alemanha, foi anunciada uma decisão inédita sobre a alimentação dos participantes: pela primeira vez na história, alimentos oriundos da agricultura familiar e de povos e comunidades tradicionais estarão incluídos no cardápio da cúpula. 

No evento ocorrido em junho, o Brasil comprometeu-se a utilizar, no mínimo, 30% de alimentos produzidos na região, fortalecendo produtores locais. Mais do que incentivar a economia regional, essa medida impacta diretamente o combate às mudanças climáticas, contribuindo para a redução das emissões de carbono e outros gases de efeito estufa. Isso porque as cadeias curtas de alimentos reduzem o uso de transporte, enquanto a agroecologia utiliza menos insumos fósseis.

Fica, no entanto, a questão: trata-se apenas de um “prato bonito” para a foto oficial ou de um compromisso histórico capaz de deixar legado?  

A comunidade tem se mobilizado para que não seja um gesto pontual. A Comissão de Meio Ambiente (CMA) realizou uma audiência pública no Senado para lançar o Manifesto do Cooperativismo da Agricultura Familiar para a COP 30, reunir propostas sobre justiça climática, energias renováveis e agroecologia. 

Esse é um tema que merece centralidade no debate da COP 30. O que nos leva a questionar sobre a forma como a imprensa brasileira tem abordado essa relação.

Uma das poucas repercussões surgiu na revista Veja, que destacou o  fortalecimento de práticas agrícolas que respeitam a floresta e os saberes ancestrais das populações amazônicas. Por outro lado, o jornal independente Brasil de Fato, além de falar sobre a importância da preservação ambiental, buscou entender os desafios e oportunidades para a agricultura familiar e a agroecologia na COP30. O artigo do Brasil de Fato evidenciou que, pela primeira vez, a proposta de transformação dos sistemas alimentares é um eixo da Agenda de Ação da COP.

A existência de projetos e instituições dedicados à promoção da agricultura sustentável é fundamental. Um exemplo é o projeto “Na mesa da COP”, idealizado pelos institutos Regenera e Comida do Amanhã, que acompanharão de perto a implementação dessa nova política e atuarão na mobilização por políticas públicas e práticas alimentares capazes de fortalecer a agricultura familiar mesmo após a COP.

Segundo o Regenera, a compra de alimentos para o evento pode injetar até R$ 3,3 milhões na economia da agricultura familiar da região. Além de gerar renda, a política protege a diversidade biológica e cultural, junto com povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas e agricultores familiares que, acima de tudo, mantêm práticas agrícolas sustentáveis, respeitando os ciclos naturais e preservando o meio ambiente.

Uma das funções do jornalismo é - ou deveria ser, chamar a atenção de temas importantes e relevantes para a sociedade. Como é o caso da agricultura familiar e sua relação com as mudanças climáticas. Mesmo com o anúncio de que a COP30 contará com alimentos da agricultura familiar, esta pauta pouco repercutiu na discussão climática.

A agricultura familiar é potencialmente regeneradora e é uma forma de mitigação e adaptação climática. Isso demonstra um compromisso com os desafios socioambientais. A COP precisa pautar a soberania alimentar brasileira, e o jornalismo precisa dar a atenção devida a um debate que é central para nossa sociedade. Reportar a agricultura familiar não é apenas cobrir um evento, mas pensar que estamos diante do futuro do nosso planeta, a partir daquilo que será  semeado hoje na Amazônia.

 

* Graduanda em Jornalismo na UFSM, bolsista do PET Educom Clima (UFSM), E-mail: jessica.thais@acad.55bet-pro.com

** Jornalista, doutora em Comunicação e Informação, professora na UFSM. Tutora do PET Educom Clima (UFSM) e líder do Grupo Educom Clima (CNPq/UFSM). Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS) e do Laboratório de Comunicação Climática. E-mail: claudia.moraes@55bet-pro.com

***Publicado originalmente no Observatório de Jornalismo Ambiental

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/07/16/o-jornalismo-precisa-pautar-o-debate-climatico-desde-a-america-latina Wed, 16 Jul 2025 14:58:59 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=257
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Reunião anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) no RJ. Foto: Ricardo Stuckert/PR 

Por Bruna Einecke Cabreira* e Cláudia Herte de Moraes** 

A preocupação com a geopolítica, quando o assunto é a realização da 30º Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-30) em Belém, acendeu o alerta sobre os desafios que estão postos, entre eles, a postura do presidente Trump ao retirar novamente os Estados Unidos do Acordo de Paris. A tarefa do Brasil como país sede e um dos líderes do debate climático é ainda maior, como analisado pelo site Brasil de Fato, em função da necessidade de que os BRICS, bloco econômico que reúne países emergentes ao redor do mundo, sejam atraídos para a pauta ambiental, fazendo frente aos desafios globais.

Na primeira semana de julho, os países do BRICS enviaram um importante recado à comunidade internacional: países do Norte Global teriam que assumir mais protagonismo e responsabilidade na luta contra o aquecimento global. Em uma declaração divulgada em conjunto, o bloco cobra a ampliação da  participação dos países mais ricos nas metas de financiamento climático, reivindicando US$1,3 trilhões de dólares em investimento até a COP-30. 

Esse apelo relembra uma dura realidade: enquanto os países do Norte Global estão entre os que mais emitem gases de efeito estufa, quem ainda está mais vulnerável aos efeitos da crise climática são os países do Sul Global. Secas prolongadas, enchentes devastadoras, queimadas mais constantes e destrutivas afetam cada vez mais regiões que, como a América Latina, já enfrentam desigualdades sociais profundas. 

O governo brasileiro busca influenciar o debate para a questão climática com várias iniciativas, como noticiou o portal G1, quando o presidente Lula pautou o tema junto ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. Também o site Opera Mundi relatou os esforços do Brasil em dar prioridade para o debate climático em razão da realização da COP, até mesmo como uma bandeira da política externa do governo federal. No entanto, a pauta econômica é ainda o foco principal da atualidade, especialmente pelo aumento de tarifas ao comércio internacional, impostas pelo governo estadunidense, o que dificulta que o meio ambiente receba maior ênfase entre os desafios regionais dos blocos econômicos e políticos.

Vale lembrar que os países latino-americanos, mais que apenas vulneráveis ao aquecimento global, também aparecem como protagonistas na busca por soluções para esta crise. Da Amazônia à Cordilheira dos Andes, o continente latino-americano tem uma das regiões mais biodiversas do planeta. Sediar a COP-30 dentro da maior floresta tropical do mundo não é apenas importante simbolicamente, mas estrategicamente. Assim, podemos dizer que a COP-30 representa um espaço mais plural aos países latino-americanos e reacende uma integração regional em torno da luta contra as mudanças climáticas.

A América Latina pode se tornar referência em um desenvolvimento verde, mais justo e que respeite suas especificidades sociais, culturais, econômicas e ecológicas. De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), 60% da eletricidade da América Latina é gerada a partir de energia renovável, posicionando-a como uma das redes elétricas mais limpas do mundo. Países como Brasil, México e Chile lideram o caminho para diversificação de fontes de energia eólicas e solares. A agroecologia, por sua vez, também está se enraizando cada vez mais nos países latino-americanos. Um estudo realizado em quase duas mil propriedades rurais na América Central constatou que os locais onde são implementadas práticas agroecológicas têm um solo mais arável, com mais umidade e menos erosão, e sofrem menos perdas do que os sistemas convencionais. A agroecologia representa uma alternativa ao modelo agroindustrial e propõe novas economias centrada no cuidado das pessoas e da natureza. 

A COP-30 pode ser o recomeço para pensarmos em uma sustentabilidade menos colonialista. Enquanto não olharmos para quem mais sofre com as mudanças climáticas, não poderemos desenvolver ações mais justas e eficazes para enfrentá-las. Ser mais sustentável talvez tenha a ver com assumir a latinidade de forma ampla, o que inclui perceber a rica diversidade biológica e cultural, seus povos originários, as influências diversas e saberes construídos coletivamente. Para o jornalismo ambiental importa trazer esse debate de forma aprofundada, pautando o papel da América Latina, como tratado por Um Só Planeta. A inclusão de um sentido de engajamento regional ao enfrentamento da crise climática passa por entender os caminhos possíveis desde os nossos territórios.

 

*Graduanda em Jornalismo na UFSM, bolsista do PET Educom Clima. E-mail: bruna.cabreira@acad.55bet-pro.com

**Jornalista, doutora em Comunicação e Informação, professora na UFSM. Tutora do PET Educom Clima (UFSM) e líder do Grupo Mão na Mídia (CNPq/UFSM). Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS) e do Laboratório de Comunicação Climática. E-mail: claudia.moraes@55bet-pro.com 

***Publicado originalmente no Observatório de Jornalismo Ambiental.

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/07/01/pet-educom-clima-participa-do-intercom-sul-2025 Tue, 01 Jul 2025 19:44:52 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=256

Entre os dias 3 e 5 de julho, na Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), Santa Catarina, o grupo PET Educom Clima participará do Intercom Sul, o Congresso de Ciências da Comunicação da Região Sul, o mais importante evento científico da área da comunicação na região. 

A programação reunirá estudantes de graduação e pós-graduação, professores e profissionais do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul e contará com conferências, mesas-redondas, oficinas e minicursos de interesse para a área dacomunicação. Esta é a 24º edição do evento e, neste ano, segue a temática “(Re)pensar a Comunicação como Campo de Conhecimento, Formação e Práticas Profissionais”. 

O grupo PET participa do evento com a apresentação de seis trabalhos em diferentes Grupos de Trabalho (GTs) e na Jornada de Extensão. Confira abaixo os trabalhos que serão apresentados pelos petianos, sob tutoria da professora Cláudia Herte de Moraes. 

 

Divulgação e Mobilização para a Agenda 2030: Análise da Comunicação em Universidades Federais do Sul do Brasil.

Autoria de Jéssica Thaís Hemsing, Bruna Einecke Cabreira e Gabriela Ferreira de Menezes, apresentação no GT Estudos da Comunicação. 

PET Educom Clima: Identidade, Propósito e os Primeiros Passos na Comunicação.

Autoria de Bruna Einecke Cabreira, Júlia Weber, Júlia Gonsalo de Carvalho e Gabriela Ferreira de Menezes, apresentação no GT Estudos da Comunicação. 

Comunicação e Justiça Climática: o mapa de conflitos da Fiocruz e as disputas por território no Brasil.

Autoria de Júlia Gonsalo de Carvalho e Júlia Weber, apresentação no GT Comunicação Antirracista e Pensamento Afrodiaspórico.

Oficina Brasil em Chamas: usando a fotografia para falar de meio ambiente.

Autoria de Franchesco de Oliveira Y Castro e Raquel Teixeira Pereira, apresentação no GT Estudos da Comunicação. 

Cobertura de desastres socioambientais no Brasil na visão de jornalistas.

Autoria de Luana Novaes Scatigna, apresentação no GT Comunicação, Divulgação Científica, Saúde e Meio Ambiente.

O Papel da Juventude no Ativismo Climático: análise de um perfil no Instagram.

Autoria de Marcos Vinicius de Castro Lourenço Caldeira, apresentação no GT Comunicação, Divulgação Científica, Saúde e Meio Ambiente.

Educomunicação em territórios originários.

Autoria de Franchesco de Oliveira Y Castro e Raquel Teixeira Pereira, apresentação na Jornada de Extensão.

 

Bruna Einecke | Bolsista PET Educom Clima 

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/06/25/na-expectativa-da-cop-30-educacao-ambiental-e-caminho-para-engajamento Wed, 25 Jun 2025 14:23:53 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=243

Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado desastres ambientais recorrentes como enchentes, deslizamentos de terra, queimadas e secas que deixam marcas profundas, sobretudo nas regiões mais vulneráveis. Embora as mudanças climáticas e a má gestão do território sejam fatores evidentes, há um elemento crucial muitas vezes negligenciado: a falta de preparo e de consciência da população para lidar com os riscos. Diante da repetição dessas tragédias, é urgente olhar para além das medidas emergenciais e das obras de contenção. Em ano de COP no Brasil, a Educação Ambiental surge como um caminho capaz de formar cidadãos mais conscientes, engajados e preparados para prevenir e enfrentar esses desafios com responsabilidade coletiva.

Educação Ambiental como prática de escuta e transformação

A educação ambiental vai além de ensinar conceitos sobre natureza e sustentabilidade. Para quem vive essa prática no dia a dia, como a bióloga Maria Clara Pinheiro, supervisora do Projeto Meros do Brasil no Pará, ela é um processo de acolhimento, troca e transformação. “Educação ambiental não é só levar conhecimento técnico para as comunidades. É antes de tudo criar um espaço de escuta, entender os modos de vida, os saberes que muitas vezes são passados de geração em geração e que a gente, da universidade, nem sempre conhece”, diz. À frente das ações de educação ambiental do projeto na região de Belém, Maria Clara atua com crianças, jovens e adultos em comunidades tradicionais. Nessas localidades, a pesca é a principal atividade econômica e de subsistência, mas também um setor marcado por dificuldades. “Os pescadores são fundamentais para a nossa região, mas são os que menos recebem apoio e políticas públicas. Quando se fala em conservação marinha ou em evitar desastres, muitas vezes se aponta para eles como vilões. Mas a realidade é outra. São eles que mais sentem os impactos das mudanças no ambiente”, explica.

Exibição do Cine Meros: sessão com curtas sobre o meio ambiente e documentário do peixe mero, promovendo reflexão e consciência ambiental.

O Projeto Meros do Brasil tem como foco a preservação do mero (Epinephelus itajara), conhecido também como bodete, canapú, badejão, merote ou “senhor das pedras” na tradução tupi-guarani, espécie que há mais de 20 anos está em processo de extinção e que ainda é capturada na região. Maria Clara conta que, ao trabalhar a educação ambiental com os pescadores, o objetivo nunca é culpabilizar. “Eles não são os responsáveis pelo desaparecimento do mero. O nosso papel é sensibilizar, mostrar como cada um pode contribuir, mas sempre com respeito e diálogo. Muitas vezes, o que a gente acha que vai ensinar, eles já sabem de outra forma, porque aprenderam com os pais, com os avós.” Para ela, a educação ambiental em comunidades tradicionais deve ser construída de dentro para fora. Quando o assunto são os desastres climáticos, como as enchentes e queimadas que se intensificam no Brasil, Maria Clara defende que a educação ambiental deve ser feita com cuidado, principalmente com crianças. “Não podemos tirar das crianças o direito ao livre brincar, sobrecarregando-as com um peso que não cabe a elas. Com os adultos, o desafio é outro: mostrar que podemos transformar nossa realidade local, sem gerar aquele sentimento de impotência diante de problemas tão grandes”, afirma.

Maria Clara também critica a forma como as decisões sobre o meio ambiente costumam ser tomadas pelos governos. “As leis e normas vêm de cima para baixo, sem diálogo com quem vive na base, com quem está na linha de frente dos impactos. Isso precisa mudar. Precisamos dar voz às comunidades para que elas participem das decisões que vão afetar suas vidas”, reforça. Para transformar essa realidade, Maria Clara acredita que o primeiro passo é cultivar a empatia e o senso de comunidade. “A gente só vai avançar na preservação ambiental e na prevenção de desastres quando entender que o problema do outro também é meu. É ajudando o vizinho, cuidando do nosso entorno, que a mudança acontece. A educação ambiental deve despertar esse olhar coletivo”, defende. Além disso, ela destaca a importância de projetos que levem conhecimento prático e despertem novas perspectivas em crianças e jovens. “Às vezes, um simples exemplo, como construir um terrário ou observar o ciclo da água, já acende uma chama de curiosidade. Isso abre um mundo novo para quem vive em realidades muito duras, onde a perspectiva muitas vezes se limita ao que está ao redor.”

A professora Cláudia Rodrigues Castro, jornalista, doutora em Educação e pesquisadora da área de comunicação e questões sociais, destacou a importância da educomunicação socioambiental como ferramenta essencial na formação de professores e na conscientização das comunidades. Segundo ela, o trabalho que desenvolve busca orientar docentes para atuar em parceria com a população, utilizando as mídias comunitárias como forma de alerta e prevenção a desastres. “A educomunicação socioambiental é um processo que vai além do conhecimento técnico. É um trabalho que visa preparar professores para atuar em comunidade, criando espaços de escuta e aprendizado mútuo, onde se compreendam os riscos e se desenvolvam ações preventivas antes, durante e depois de desastres”, explica.

Cláudia também trouxe uma reflexão crítica sobre como a educação ambiental ainda é tratada nas escolas. “Enquanto a gente trabalhar a educação ambiental com conceitos duros, técnicos, sem estimular uma consciência crítica, vamos continuar só na superfície. Falta o que eu chamo de reforma íntima, uma consciência ética de pertencimento ao meio ambiente”, afirmou. Para ela, o ser humano precisa se enxergar como parte do ecossistema e abandonar a visão de superioridade que, muitas vezes, ainda predomina na sociedade e no próprio ambiente escolar. “Foi um choque quando percebi em minha pesquisa que muitos professores ainda veem o ser humano como algo à parte da natureza, como se fosse um ser supremo”, contou. Sobre o papel das universidades, Cláudia ressalta: “A universidade precisa formar profissionais conscientes, que atuem de forma transformadora na sociedade. Isso vale para professores, comunicadores, assistentes sociais, engenheiros, todos que lidam diretamente com questões socioambientais”. Ela também destaca a urgência de levar o debate ambiental para além das escolas e das situações de emergência. “Infelizmente, muitas vezes só se leva educação ambiental às comunidades mais vulneráveis quando ocorre um desastre de grande proporção. A gente precisa atuar antes, com uma pedagogia que ensine a contemplar, observar, sentir o ambiente para preveni-lo de chegar à degradação”.

Espaço de escuta

As expectativas de Maria Clara Pinheiro e Cláudia Rodrigues para a COP 30 se encontram no desejo comum de que o evento vá além das palavras e promessas. Maria Clara demonstra preocupação com a exclusão das populações que mais deveriam ser ouvidas no processo, como as comunidades periféricas e tradicionais. “Infelizmente, quem deveria ser ouvido não vai ser. A cidade está sendo modificada sem considerar a realidade de quem mora aqui. Minha esperança é que a gente consiga usar esse momento para fazer barulho, sensibilizar mais pessoas e reivindicar o direito das periferias, que são as mais impactadas, de participar das decisões sobre o próprio futuro”, relata a bióloga, que atua diretamente junto às comunidades na região amazônica.

Cláudia reforça essa crítica ao destacar que discussões e articulações, por si só, não bastam para transformar a realidade socioambiental. “Vai haver muita discussão, muita articulação, e isso é importante. Mas só o discurso não resolve. É preciso formar consciência e mudar a prática. A natureza não é só biologia; é também relação social. E a maior dificuldade que temos hoje é que o ser humano ainda não se entende como parte desse contexto”, afirma a pesquisadora. Ambas defendem que a COP 30 precisa ser um espaço de real escuta e de construção de caminhos concretos, que integrem as vozes das populações mais afetadas e promovam mudanças efetivas na forma como a sociedade se relaciona com o meio ambiente.

Por Franchesco de Oliveira Y Castro | Bolsista PET Educom Clima

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/06/19/a-universidade-e-territorio-indigena Thu, 19 Jun 2025 20:30:16 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=240

Durante muito tempo, os povos indígenas foram mantidos à margem das instituições de ensino superior no Brasil. Hoje, esse cenário começa a mudar. Com passos firmes e objetivos claros, estudantes indígenas têm ocupado espaços nas universidades públicas, trazendo consigo saberes, vivências e perspectivas que enriquecem o ambiente acadêmico. Sua presença não apenas amplia o acesso à educação, mas também convida a universidade a repensar suas estruturas, suas práticas e seus próprios sentidos.

Eles não vieram só para aprender o que está no currículo. Vieram para relembrar que o conhecimento não é monopólio de ninguém. Que sabedoria também é saber escutar a mata, decifrar o tempo pelas nuvens, ler o mundo pelas marcas do chão. Vieram para mostrar que os saberes ancestrais e a ciência podem caminhar juntos. Que a terra não é recurso, é parente.

Alunos do curso de Licenciatura Intercultural Indígena em visita ao 55BET Pro da UFSM/FW. (Foto: Aline Iora)

A universidade, que por muito tempo foi marcada por uma lógica eurocêntrica e excludente, ganha novas perspectivas a partir da diversidade de experiências, línguas, visões de mundo e formas de conhecimento trazidas por esses estudantes. A presença indígena amplia o diálogo intercultural, quebra estereótipos e desafia os padrões estabelecidos, promovendo uma educação mais crítica, reflexiva e conectada com a realidade brasileira. 

Em abril de 2024, um marco importante aconteceu em Frederico Westphalen: formou-se a primeira turma de Licenciatura em Educação Indígena EAD do Brasil, composta por estudantes Kaingang de diferentes aldeias da região Norte do Rio Grande do Sul. Mais do que uma cerimônia de colação de grau, o momento representou o florescer de um novo ciclo, em que os saberes tradicionais ganham espaço formal sem abrir mão de sua essência. Ao formar-se na universidade sem precisar se distanciar de seus territórios, esses novos professores reafirmam que a educação indígena não deve ser apenas um direito garantido, mas também um reconhecimento de que outras formas de ensinar e aprender já existiam muito antes das salas de aula. Essa conquista não é apenas individual ou acadêmica, ela simboliza o avanço de um país que, pouco a pouco, aprende a reconhecer a profundidade dos saberes que sempre estiveram aqui. Atualmente, o curso é chamado de Licenciatura Intercultural Indígena e conta com uma turma de 100 alunos. Segundo a coordenadora do curso, a professora Aline Ferrão Custodio Passini, neste ano o curso registrou um marco histórico de mais de 200 inscrições para concorrer a uma vaga na graduação. 

Entre os nomes que constroem essa história está o de Daniela Kaingang, mulher indígena, professora e egressa da primeira turma do curso. Hoje, ela retorna à universidade como formadora da segunda turma de licenciandos indígenas. “Estar hoje aqui como professora formadora da segunda turma é mais do que uma conquista individual”, afirma. “É um símbolo de resistência, de continuidade e de compromisso com o nosso povo e com a luta coletiva.”

Para Daniela, a presença indígena na universidade precisa ir além do acesso. Deve ser também uma política de permanência e de valorização dos saberes ancestrais. “Formar professores indígenas é fortalecer a autonomia das nossas comunidades. É reafirmar que temos o direito e a capacidade de ensinar a partir das nossas cosmovisões, das nossas histórias, dos nossos territórios.” Segundo ela, quando parentes de diferentes regiões chegam com suas línguas, espiritualidades e modos de vida, e encontram espaço para se formar como educadores, é a universidade quem mais tem a aprender.

Ao assumir o papel de docente, Daniela também assume um gesto político. “Nós estamos aqui, ocupamos esses espaços e queremos construir com eles uma educação verdadeiramente plural e justa. Seguimos firmes porque formar é também transformar.”

Daniela Kaingang e Zaqueu Key Claudino participando do evento Compartilhando Saberes na UFSM/FW. (Foto: Aline Iora)

A universidade só se torna verdadeiramente pública, democrática e representativa quando todos os povos que compõem o país têm voz, vez e espaço dentro dela. Cada diploma conquistado não é apenas um avanço individual, mas uma semente plantada no chão de onde vieram. E talvez, um dia, a universidade entenda: não se trata de incluir. Trata-se de reconhecer que sempre estiveram aqui, mesmo quando não foram vistos.

Por Franchesco de Oliveira Y Castro | Bolsista PET Educom Clima.

]]>
PET Educom Clima - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/2025/06/18/guerra-que-mata-e-faz-morrer-por-que-incluir-conflitos-armados-no-debate-climatico Wed, 18 Jun 2025 14:53:56 +0000 http://www.55bet-pro.com/pet/educom-clima/?p=238
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Por Julia Weber* e Cláudia Herte de Moraes**

O debate climático internacional tem se concentrado em temas como desmatamento, emissões industriais e transição energética. No entanto, os conflitos armados também representam uma fonte relevante de emissões de gases de efeito estufa e devem ser considerados nas negociações climáticas multilaterais. A imposição da guerra de Israel contra a população palestina em Gaza chama a atenção tanto pelo volume de emissões gerado quanto pela complexidade da reconstrução.

Diante disso, a inclusão desse tipo de impacto no debate climático ganhou visibilidade com a recente missão humanitária internacional que chegou a Gaza por via marítima. A iniciativa envolve ativistas de diferentes países, entre eles nomes como Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila. A missão foi interceptada por Israel, evidenciando os  abusos e arbitrariedades das autoridades locais.

Greta Thunberg e seus colegas foram deportados. A jovem ativista, conhecida mundialmente por sua luta climática, passou a ser alvo de críticas por se manifestar em defesa da Palestina, “mas, na realidade, as causas andam intimamente ligadas”, conforme analisa Leo Sakamoto. Em sua coluna divulgada nas redes sociais do portal UOL, Sakamoto situa que a mudança climática pode ser considerada um tema urgente, mas é difuso, enquanto que falar contrariamente ao genocídio em Gaza é um tema silenciado. Desta forma chovem críticas à ambientalista sueca. A própria Greta Thunberg explicou que sua preocupação ambiental não é apenas para “salvar árvores”, mas que se importa com o bem- estar humano e planetário, afirmando que não há justiça climática sem justiça social.

A guerra mata inocentes e também ajuda ao declínio das condições ambientais da Terra. Segundo reportagem do portal “Um Só Planeta”, a ofensiva militar israelense em Gaza, entre outubro de 2023 e maio de 2024, foi responsável pela emissão de aproximadamente 281 mil toneladas de CO₂ equivalente. Esse volume supera as emissões anuais de mais de 100 países, conforme levantamento do “Social Justice and Ecology Secretariat”. De acordo com o estudo, as principais fontes dessas emissões foram os ataques aéreos, o deslocamento de tropas e o uso de equipamentos militares.

Além das ações militares, os impactos ambientais se estendem ao processo de reconstrução. Dados reunidos pelo portal “ClimaInfo” estimam que a reconstrução da infraestrutura de Gaza poderá gerar emissões superiores às de 135 países em um ano. O cálculo considera as atividades necessárias para reerguer cidades destruídas, incluindo o transporte de materiais, produção de cimento e geração de energia.

Esses aspectos revelam que os efeitos da guerra ultrapassam os limites da destruição imediata. Eles se projetam no ambiente e deixam marcas no território e no clima. Ao mesmo tempo, reforçam a compreensão de que seres humanos e natureza não estão desassociados, pois os impactos sobre um inevitavelmente repercutem no outro. Como lembra o pensador indígena Ailton Krenak, “a ideia de que a humanidade está separada da natureza é uma ficção moderna que tem custado caro ao planeta e à vida”.  Em contextos de conflito, a degradação ambiental e as condições de vida humana caminham lado a lado, demonstrando que é preciso considerar essas relações de forma integrada.

Sakamoto destaca que, segundo Greta Thunberg, o genocídio em Gaza aplica a destruição ambiental como arma de guerra, provocando perda de biodiversidade, contaminação da água, erosão do solo, destruição de terras agrícolas, e uso ainda mais intenso de combustíveis fósseis. Porém, o tratamento destas questões nos veículos de comunicação ainda é muito pontual, circulando apenas entre colunistas e portais não hegemônicos, como nesta repercussão na Pública. Chama a atenção, portanto, que grande parte da imprensa deixe de lado essa interseção entre clima e guerras, ações de poderosos que são totalmente inaceitáveis pelos danos aos direitos humanos, sociais e ambientais nos territórios afetados.

Discutir esta questão em fóruns como a COP 30, em Belém (PA), representa uma oportunidade para ampliar o entendimento da variável climática nos assuntos de segurança, geopolítica e desenvolvimento. Este tema deve fazer parte do debate público e contribuir para fortalecer a abordagem da justiça climática, conceito que tem ganhado espaço nas edições recentes das conferências. Para além disso, é necessário pensar em uma transição ambiental justa e que situe a dignidade da vida humana em todos os territórios. O respeito à diversidade deve orientar humanistas e ativistas em defesa da ação climática, da justiça e da paz. Também a comunicação precisa se pautar pela ética da sustentabilidade e da vida.

* Graduanda em Relações Públicas na UFSM, bolsista do PET Educom Clima  E-mail: weber.julia@acad.55bet-pro.com.

** Jornalista, doutora em Comunicação e Informação, professora na UFSM. Tutora do PET Educom Clima (UFSM) e líder do Grupo Mão na Mídia (CNPq/UFSM). Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS) e do Laboratório de Comunicação Climática. E-mail: claudia.moraes@55bet-pro.com.

***Publicado originalmente no Observatório de Jornalismo Ambiental.

]]>