Educação – PRE-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre Pró-Reitoria de Extensão Fri, 20 Feb 2026 16:57:48 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Educação – PRE-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre 32 32 Educação – PRE-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/2026/02/20/seminario-de-integracao-da-pro-reitoria-de-extensao Fri, 20 Feb 2026 16:54:54 +0000 http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/?p=14948

Com o objetivo de promover o reconhecimento interno, fortalecer a integração entre equipes e alinhar as ações institucionais, no dia 12 de fevereiro a Pró-Reitoria de Extensão (PRE) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realizou o Seminário de Integração da PRE. O encontro reuniu cerca de 40 servidores das diferentes coordenadorias e marcou o início da nova gestão.

A Pró-Reitora de Extensão Adjunta, Angela Righi, explica que a iniciativa surgiu da necessidade de aproximar as equipes após a mudança de gestão e do crescimento significativo da estrutura nos últimos anos. “Às vezes as pessoas se conhecem, mas não se reconhecem no que fazem, nas atividades que desenvolvem. Então pensamos esse momento para que todos possam se ver, entender o papel de cada setor e enxergar a pró-reitoria como um todo”, destaca.

A programação do primeiro semestre prevê dois momentos centrais: o Seminário de Integração, realizado agora no início das atividades; e um Seminário de Planejamento, já agendado para abril. 

Na primeira etapa, cada uma das quatro coordenadorias apresentou sua equipe, suas atribuições e as ações desenvolvidas, sempre articuladas à Política de Extensão e às responsabilidades institucionais da pró-reitoria. A proposta foi oferecer uma visão macro da extensão universitária, permitindo que os servidores compreendessem como os setores organizam suas ações, quem são os responsáveis por cada atividade e como se dá o fluxo de trabalho. “Todas as nossas ações são pensadas para atender às atribuições previstas na política de extensão. Ao trazer isso para o grande grupo, conseguimos visualizar melhor como cada coordenadoria contribui para o funcionamento da PRE”, reforça Angela.

Para a Pró-Reitora de Extensão, Milena Carvalho, encontros como esse têm uma natureza muito específica dentro da rotina administrativa da Universidade. “Na extensão, o nosso propósito é comum: a relação com a sociedade, a promoção de transformações sociais e a formação humana dos estudantes. Mas somos uma pró-reitoria espalhada geograficamente e com coordenadorias que têm naturezas distintas, como desenvolvimento regional, cultura e arte e cidadania. Muitas vezes o grupo não se encontra no cotidiano”, explica.

Milena destaca que, além da dispersão física — com equipes atuando em diferentes espaços, como o Planetário, o Centro de Convenções, a Antiga Reitoria e Silveira Martins —, há também a diversidade de públicos e projetos, o que torna ainda mais necessário um momento coletivo de alinhamento. “Quando nos enxergamos, conseguimos identificar possibilidades de complementaridade, apoio mútuo e até reconhecer desafios comuns. Isso fortalece o sentimento de integração, que é o principal propósito”, afirma.

Abertura do seminário

Coordenadoria de Articulação e Fomento à Extensão

A equipe da Coordenadoria de Articulação e Fomento à Extensão (CAFE) apresentou sua estrutura e suas principais frentes de atuação, evidenciando o papel estratégico que desempenha no fortalecimento das ações extensionistas da instituição.

A coordenadoria é responsável por gerir recursos destinados a editais e programas institucionais. Também atua no acompanhamento da curricularização da extensão, processo obrigatório desde 2018, que determina a inserção de, no mínimo, 10% da carga horária dos cursos de graduação em atividades extensionistas. Desse modo, passou a acompanhar de forma mais sistemática como essas horas estão sendo implementadas nos currículos, seja por meio de disciplinas obrigatórias, disciplinas optativas ou ações de extensão vinculadas aos cursos.

A equipe também foi responsável pela organização do Fórum de Extensão, que, no último ano, realizou quatro edições, reunindo aproximadamente 300 participantes apenas no 55BET Pro Sede. Os encontros promovem a troca de experiências entre coordenadores de projetos, estudantes e representantes das comunidades atendidas, evidenciando os impactos sociais das ações desenvolvidas.

Coordenadoria de Cultura e Arte

A Coordenadoria de Cultura e Arte (CCA) atua de forma transversal, articulando cultura, educação, direitos humanos, inclusão social e ações afirmativas. “Não existe atividade cultural que não esteja inserida na natureza extensionista”, reforçou Raquel Guerra, coordenadora da CCA.

Centro de Convenções e Viva o 55BET Pro

Entre os principais espaços culturais está o Centro de Convenções da UFSM, considerado um dos maiores teatros do interior do Rio Grande do Sul. O espaço é frequentemente associado diretamente à coordenadoria, já que é o principal palco das ações culturais promovidas pela Universidade.

A programação do Centro é definida por um comitê gestor que reúne representantes de diferentes setores institucionais. As atividades são organizadas por meio do portal de agendamentos e de editais específicos, inclusive para locações externas, com recursos gerenciados pela fundação de apoio da Universidade. Parte desses recursos é destinada à manutenção do teatro, que exige constante investimento técnico e estrutural.

Outro destaque é o projeto Viva o 55BET Pro, criado em 2014. A iniciativa consolidou o 55BET Pro Sede da UFSM como um dos principais espaços culturais da cidade de Santa Maria. Desde 2017, o projeto registra média anual de público que gira em torno de 100 mil pessoas, mesmo considerando períodos de pandemia, reformas e adversidades climáticas. Somente em 2025, já foram realizadas sete edições, reunindo mais de 100 mil participantes e oferecendo cerca de 149 atividades.

Divisão de Museus e espaços de memória

O Museu Gama D’Eça, fundado em 1913, é um dos mais antigos do estado e possui acervo reconhecido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Desde 2023, o espaço já recebeu mais de 40 mil visitantes, número expressivo mesmo diante de desafios estruturais. O museu, que atualmente está fechado em razão de uma obra, desenvolve exposições temáticas, atividades educativas e um intenso trabalho de catalogação e preservação do acervo.

O Laboratório de Arqueologia atua com pesquisa, preservação e democratização do acesso ao patrimônio arqueológico, promovendo exposições, visitas mediadas, oficinas e publicações educativas.

Planetário e popularização da ciência

O Planetário da UFSM, que completa 55 anos em 2026, atende cerca de 20 mil visitantes por ano. Além das sessões presenciais de cúpula, realiza transmissões virtuais para escolas de diferentes estados brasileiros. O espaço conta com exposições permanentes, atividades de observação astronômica, oficinas e participação em eventos como o Descubra UFSM.

Entre as exposições recentes, destacam-se iniciativas voltadas à valorização da ciência e da presença feminina na produção científica, em diálogo com instituições parceiras como o Planetário do Rio de Janeiro.

Coordenadoria de Desenvolvimento Regional

A Coordenadoria de Desenvolvimento Regional (CODER), consolida-se como um dos principais braços institucionais na promoção do desenvolvimento territorial sustentável no Centro e Oeste do Rio Grande do Sul. Com foco na articulação de atores locais, no apoio a políticas públicas e na valorização do patrimônio natural e cultural, a coordenadoria atua diretamente nos territórios dos geoparques e em municípios parceiros.

Atuação nos geoparques

A principal ferramenta de trabalho da CODER é a atuação territorial estruturada, especialmente nos territórios dos seguintes geoparques mundiais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO): o Geoparque Quarta Colônia e o Geoparque Caçapava. O Brasil possui atualmente seis geoparques reconhecidos pela UNESCO, sendo três no Rio Grande do Sul.

Esses territórios são reconhecidos por revelar a memória geológica da Terra e estruturam suas ações em três pilares: educação, geoturismo e desenvolvimento sustentável. A CODER atua no acompanhamento dos processos de certificação e revalidação junto à UNESCO, oferecendo suporte técnico, científico e extensionista para que os territórios atendam aos critérios internacionais.

O trabalho envolve viagens constantes, reuniões com prefeituras, secretarias de educação, gestores municipais e comitês gestores dos geoparques.

Expansão e novos espaços

Em Silveira Martins, a CODER também coordena o Espaço Multidisciplinar Silveira Martins. O local abriga feiras de ciência, eventos culturais, seminários e ações interdisciplinares em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. A proposta é ampliar a ocupação do espaço pela comunidade acadêmica e regional, promovendo pertencimento e integração.

Desenvolvimento que nasce da articulação

A CODER reforça o papel da extensão universitária como instrumento de desenvolvimento regional. A estratégia está baseada na escuta das comunidades, no direcionamento de editais a demandas específicas e na construção coletiva de soluções.

Ao articular universidade, poder público e sociedade civil, a coordenadoria contribui para que os territórios avancem não apenas na certificação internacional, mas na consolidação de redes sustentáveis de educação, cultura, turismo e geração de oportunidades.

Coordenadoria de Cidadania 

A Coordenadoria de Cidadania (COCID), consolida-se como um dos principais eixos de atuação social da instituição. Com projetos voltados à população em situação de vulnerabilidade, a COCID desenvolve suas ações em diferentes espaços estratégicos

A COCID articula políticas de direitos humanos, igualdade de gênero, relações étnico-raciais e inovação social sob uma mesma perspectiva: promover dignidade, acesso e permanência.

Ao integrar acolhimento institucional, formação crítica, geração de renda e fortalecimento comunitário, a coordenadoria reafirma o papel da extensão universitária como instrumento de transformação social, ampliando o alcance da UFSM para além dos muros do campus.

Observatório de Direitos Humanos

O Observatório de Direitos Humanos (ODH) coordena cerca de 60 projetos organizados em Grupos de Trabalho, que atuam em áreas como estudos afro-brasileiros e indígenas, segurança alimentar e nutricional, deficiência e acessibilidade e extensão prisional.

Entre suas atribuições, estão:

  • promover diálogo com a comunidade sobre direitos humanos;
  • articular acordos com instituições escolares e sociais;
  • fomentar editais e eventos voltados à temática.

O ODH também atua na consolidação de parcerias com organizações comunitárias da região, buscando fortalecer projetos territoriais e responder a demandas sociais concretas.

Casa Verônica

Criada a partir da Política de Igualdade de Gênero aprovada em 2021, a Casa Verônica é um espaço de acolhimento, orientação e articulação institucional para promoção da igualdade de gênero e enfrentamento às violências. O nome homenageia Verônica Oliveira, mulher trans e ativista social de Santa Maria, assassinada em 2019, reconhecida pelo trabalho comunitário que realizava.

O serviço oferece:

  • atendimento psicológico e jurídico (via profissionais contratadas com recursos de emenda parlamentar);
  • orientação social para estudantes, servidores e terceirizados;
  • ações educativas e grupos temáticos;
  • capacitações para docentes e servidores;
  • articulação com rede municipal de enfrentamento à violência (Juizado da Violência Doméstica, Ministério Público e serviços de assistência).

Além do acolhimento individual, a Casa Verônica desenvolve ações de formação e campanhas institucionais, como atividades alusivas ao Dia Internacional das Mulheres e capacitações sobre prevenção ao assédio.

Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) atua na promoção das relações étnico-raciais dentro e fora da Universidade. Estruturado como programa de extensão, o núcleo articula ações com movimentos sociais, escolas e instituições públicas.

Entre as iniciativas desenvolvidas estão:

  • cursos de geração de renda em comunidades e no sistema prisional;
  • projetos de inclusão digital em parceria com universidades de outros estados;
  • Novembro Negro, com programação cultural e acadêmica;
  • concurso literário com escolas da rede pública;
  • formação sobre cultura indígena e afro-brasileira nas escolas;
  • realização do Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as).

Um avanço recente foi a aprovação da resolução dos Notórios Saberes, permitindo que mestres e mestras de saberes tradicionais possam atuar como docentes convidados, reconhecendo epistemologias historicamente invisibilizadas no ambiente acadêmico.

O NEABI também atua no acolhimento e permanência de estudantes negros e indígenas, oferecendo suporte acadêmico e institucional.

Incubadora Social

A Incubadora Social da UFSM é considerada a primeira incubadora pública de inovação social vinculada a uma universidade federal no Brasil. Seu objetivo é gerar trabalho, renda e impacto social por meio do fortalecimento de empreendimentos comunitários. Sua atuação é estruturada em três frentes: compartilhamento, mercado e conexão. 

Atualmente, a incubadora acompanha 12 empreendimentos incubados e prepara nova chamada pública para ampliação do número de projetos atendidos. O trabalho é realizado com apoio de bolsistas de graduação e pós-graduação. Os empreendimentos apoiados atuam em áreas como economia circular, negócios de impacto, geração de renda e sustentabilidade.

O chefe da Incubadora Social, Lucas Avila, destaca o papel dela como espaço estratégico de articulação com o ecossistema de inovação e impacto social de Santa Maria. “É vital estarmos aqui para que esse conjunto de ações possa se integrar e ganhar ainda mais força”, pontua.

Integração e confraternização 

A segunda parte do seminário foi dedicada a uma dinâmica de integração entre as coordenadorias. Após um momento de confraternização, os participantes foram organizados em grupos mistos, reunindo servidores de diferentes setores. A atividade propôs o mapeamento de inter-relações e possibilidades de cooperação, incentivando a reflexão sobre como uma coordenadoria pode apoiar a outra, seja no planejamento, na execução ou no suporte operacional das ações.

Para a coordenadora da CCA, Raquel Guerra, o momento tem sido produtivo e estratégico. “Acho que está sendo um momento em que estamos podendo nos conhecer melhor, entender como cada setor trabalha. É muito importante ver o trabalho que os colegas realizam, se identificar com ele e pensar possíveis parcerias com outras coordenadorias”, destaca. Segundo ela, o seminário cumpre seu propósito de promover integração entre as equipes.

A articulação entre áreas também é apontada como fundamental pelo chefe da Incubadora Social, Lucas Avila. Para ele, o encontro é essencial para o processo de gestão universitária, especialmente no campo da extensão. “Estamos falando de várias coordenadorias e inúmeros projetos sendo desenvolvidos. Esse é o espaço em que as equipes podem conhecer o trabalho umas das outras, verificar como é possível criar conexões e fortalecer a sinergia entre as ações”, afirma.

Avila ressalta que o seminário também evidencia o crescimento da extensão na Universidade. “A cada ano e a cada semestre, a extensão vem se desenvolvendo e ampliando suas conexões com a sociedade, com organizações e com os cursos. A pós-graduação, por exemplo, hoje precisa estar conectada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), da Agenda 2030”, explica, referindo-se à Organização das Nações Unidas (ONU) e aos compromissos globais assumidos pelas instituições de ensino.

O seminário ocorre em um momento de projeção para 2026, ano que será marcado por transição de gestão na Universidade e por novos desafios institucionais e sociais. “Será um ano de mudanças, com eleições e grandes eventos no cenário nacional. Precisamos estar preparados para aproveitar as oportunidades e fortalecer cada vez mais a extensão”, reforça Avila.

Texto: Laura Severo, bolsista de jornalismo da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

Revisão: Catharina Viegas, revisora de textos da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

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Educação – PRE-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/2026/01/07/subdivisao-de-geoparques-promove-roda-de-conversa-com-o-presidente-da-rede-global-de-geoparques Wed, 07 Jan 2026 11:48:08 +0000 http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/?p=14733

Em 26 de novembro de 2025, após agenda na Reitoria da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), aconteceu, na Sala dos Conselhos, uma roda de conversa com o professor Artur Sá, atual presidente da Rede Global de Geoparques (GGN).

Estiveram presente representantes dos comitês, gestores e coordenadores científicos dos geoparques mundiais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) Caçapava (André Borba – UFSM) e Quarta Colônia (Adriano Figueiró e Maria Medianeira Padoin – UFSM), além de membros da Coordenadoria de Desenvolvimento Regional (CODER) e Subdivisão de Geoparques da UFSM. Na ocasião, as servidoras da Subdivisão de Geoparques, Patricia Freitas e Bibiana Schiavini, entregaram mimos dos territórios de Caçapava e Quarta Colônia ao professor Artur.

Vale destacar que a UFSM passou a integrar, em novembro de 2021, a Cátedra UNESCO Geoparques, Desenvolvimento Regional Sustentável e Estilos de Vida Saudáveis. A associação internacional, coordenada pela UNESCO, atualmente também é presidida pelo referido professor.

Artur Sá cumpriu agenda no Brasil por convite do Programa de Pós- Graduação em Patrimônio Cultural (PGPC) da UFSM e da Coordenação da Quarta Colônia Geoparque, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS) para participar do Seminário Internacional de Formação Continuada de Professores da Quarta Colônia Geoparque Mundial da UNESCO. A atividade faz parte do ciclo comemorativo dos 150 anos da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul e será realizada nos dias 27 e 28 de novembro do corrente ano no Quarta Colônia Geoparque Mundial da UNESCO.

Texto: Subdivisão de Geoparques (PRE/UFSM).

Revisão: Catharina Viegas, revisora de textos da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

Fotos: Assessoria de comunicação do Geoparque Quarta Colônia.

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Educação – PRE-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/2026/01/06/projeto-linguas-no-campus-desenvolve-materiais-didaticos-colaborativos-para-qualificar-o-ensino-de-ingles-em-escolas-publicas Tue, 06 Jan 2026 14:49:54 +0000 http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/?p=14725

Um projeto de extensão iniciado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) no ano de 2025 tem como foco a produção colaborativa de materiais didáticos para o ensino de inglês como língua adicional no contexto da escola pública. Intitulado Línguas no 55BET Pro: desenvolvimento de material didático para qualificação do acesso à educação em inglês como língua adicional, o projeto integra um programa de extensão já consolidado na Universidade e aposta na articulação entre formação inicial de professores, docentes da educação básica e pesquisa acadêmica.

A iniciativa está vinculada ao Programa Línguas no 55BET Pro, que atua há quase três décadas na UFSM, completando 30 anos em 2027. Segundo a coordenadora do projeto, professora Roseli Gonçalves do Nascimento, o programa tem como eixos centrais a formação de professores, especialmente da área de Letras, e a capacitação linguística da comunidade. “É um programa de formação de professores, qualificação da formação de profissionais de Letras, principalmente Letras em Inglês, e a capacitação em línguas para a comunidade externa”, explica.

 

Produção colaborativa como estratégia formativa

 

O projeto surgiu a partir da participação em um edital do Fundo de Incentivo à Extensão (FIEX), com o objetivo de desenvolver materiais didáticos de forma colaborativa, voltados ao ensino de inglês como uma língua adicional na educação básica da região. A proposta envolveu estudantes de Letras em formação inicial e professores que já atuam na rede básica de ensino, em um processo mediado por docentes da UFSM e por um doutorando que atuou como mentor.

De acordo com a coordenadora, o foco do projeto está na qualificação da produção de materiais didáticos, compreendidos como o elemento central da prática pedagógica no ensino de línguas. “O material didático é o principal mediador da ação pedagógica desses profissionais da educação. É ali que a gente seleciona o insumo de linguagem, os textos em áudio, vídeo ou escrito, e as atividades que vão dar acesso às línguas adiconais”, afirma.

A qualidade desse material, segundo Roseli, não pode ser entendida de uma forma genérica. “Não é um conceito abstrato. Um material de qualidade é aquele adequado ao contexto de ensino: à faixa etária, à série, aos interesses e às necessidades daquele grupo específico de estudantes”, pontua a professora.

 

Encontro do projeto para definição de atividades

Formação crítica e autonomia docente

 

Ao longo do projeto, foram desenvolvidas unidades didáticas específicas para o contexto de atuação de cada professor participante. Esse processo ocorreu por meio de encontros semanais de trabalho chamados de design sessions, nos quais as equipes analisaram, discutiram e reformularam os materiais em conjunto.

Roseli destaca que mudar a forma de produzir material didático envolve uma transformação mais profunda da prática docente. “Mudar a maneira como você desenvolve material didático e como você dá aula não é algo que se faz com umas simples técnicas. É um processo de mudança de visão do que é a linguagem e de como se ensina essa linguagem e que leva tempo”, ressalta.

Nesse contexto, o papel dos bolsistas do projeto foi considerado fundamental. “O trabalho das bolsistas que atuaram nessa mediação foi crucial, porque elas faziam reuniões semanais com as professoras para realmente olhar para o material e discutir como poderiam melhorar”, relata. Além de duas bolsistas financiadas pelo edital, o projeto contou ainda com a atuação de duas assistentes voluntárias.

 

Democratização do acesso ao inglês como direito

 

Um dos pilares conceituais do projeto é a compreensão da língua inglesa como um direito, e não como um conhecimento restrito a determinados grupos sociais. A coordenadora explica que a equipe adota a noção de “língua adicional” justamente para reforçar essa perspectiva.

“A gente entende que a língua inglesa, assim como outras línguas estrangeiras, é um direito do cidadão, assim como o acesso à educação, à saúde e à moradia”, comenta a coordenadora. Para ela, o domínio de uma língua adicional amplia as possibilidades de participação social, de interlocução e de exercício da cidadania.

Nesse sentido, a democratização do acesso ocorre de forma indireta, mas estruturante: ao qualificar a formação e a prática de professores da educação básica, o impacto do projeto se estende a um número muito maior de estudantes. De acordo com Roseli, “se a gente qualifica a formação de um professor, quando ele entra em sala de aula esse trabalho se expande, porque ele vai atingir diversos alunos”.

 

Financiamento, resultados e próximos passos

 

Em 2025, o projeto contou exclusivamente com recursos do FIEX para a concessão de bolsas, o que viabilizou a dedicação das estudantes envolvidas. No entanto, a coordenadora aponta que a continuidade e a ampliação das ações dependem de novos apoios, especialmente para a etapa de revisão, edição e divulgação dos materiais produzidos.

A proposta inicial do projeto prevê a produção, aplicação, avaliação e publicização dos materiais didáticos. Caso não haja recursos para impressão, a equipe pretende disponibilizar os conteúdos através do formato digital. “A nossa ideia é disponibilizar publicamente, seja em versão impressa ou como e-book”, explica a coordenadora.

 

Desafios na articulação com a educação básica

 

Entre os principais desafios enfrentados, Roseli destaca as dificuldades de comunicação com os professores da rede básica de ensino e a intensa rotina de trabalho desses profissionais. A coordenadora relata que, apesar do interesse inicial, alguns docentes precisaram desistir da participação devido à sobrecarga de atividades.

“A rotina de um professor da educação básica é extremamente puxada. Muitas vezes, mesmo com interesse e engajamento, não conseguem manter a participação”, afirma a coordenadora. Ainda assim, a adoção do formato híbrido permitiu a participação de professores de diferentes municípios do Rio Grande do Sul, ampliando o alcance do projeto.

Integração com ensino, pesquisa e extensão

O projeto integra um laboratório e um programa de extensão mais amplo, que reúne diferentes frentes de atuação em ensino, pesquisa e extensão. Entre elas estão estudos sobre letramentos acadêmicos, translinguagem, ensino bilíngue, suficiência linguística na pós-graduação e eventos voltados à divulgação científica em língua inglesa, como o Symposium of Academic Exchange.

Para Roseli, essa diversidade de ações reforça o papel da universidade na formação crítica de professores e na aproximação com a sociedade. “É um trabalho lento, de médio e longo prazo, mas que tem potencial de intervir de forma consistente na qualidade do ensino e no acesso ao conhecimento”, conclui.

Para acompanhar as ações, publicações e novidades do projeto, é possível acessar o perfil no Instagram: @linc_ufsm.  Mais informações sobre o laboratório que integra o programa de extensão também estão disponíveis no site do Laboratório LabLER, clicando aqui!

 

Texto: Gabriele Mendes, bolsista de jornalismo da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

Revisão: Catharina Viegas, revisora de textos da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM). 

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Educação – PRE-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/2025/12/30/viva-silveira-martins-2025-fortalece-vinculos-com-a-comunidade-em-dois-dias-de-ciencia-arte-e-literatura Tue, 30 Dec 2025 13:59:29 +0000 http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/?p=14666

Durante os dias 5 e 6 de dezembro, aconteceu o “Viva Silveira Martins – Ciência, Arte, Cultura e Literatura em Movimento”, realizado no Espaço Multidisciplinar Silveira Martins. O evento teve como foco aproximar a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) da comunidade de Silveira Martins, reforçando os vínculos institucionais e territoriais por meio de ações culturais, educativas, científicas e sociais. A programação reuniu, em um mesmo espaço, atividades de extensão universitária, arte, patrimônio, saúde e interação comunitária, promovendo a integração entre a universidade e a população local.

O evento reuniu cerca de 200 pessoas, compostas por estudantes e docentes da educação básica e do ensino superior, além de integrantes da comunidade em geral. Entre os participantes, estiveram autoridades municipais, pais e familiares de estudantes da educação básica, reforçando o caráter integrador e comunitário da iniciativa. A ação buscou valorizar o território e estimular o diálogo entre saberes acadêmicos e conhecimentos construídos pela comunidade, ampliando a participação social. Com isso, o Espaço Multidisciplinar Silveira Martins (EMSM) foi consolidado como um espaço dinâmico de convivência, aprendizagem e integração regional, reafirmando seu papel como ponto de encontro entre diferentes áreas do conhecimento e a comunidade.

A preparação do espaço ocorreu de forma colaborativa, envolvendo a equipe do Espaço Multidisciplinar Silveira Martins e a Secretaria Municipal de Educação, que atuou diretamente na organização, ambientação e disposição das atividades. O trabalho conjunto garantiu acolhimento ao público e funcionalidade aos diferentes ambientes expositivos e interativos ao longo do evento.

Programação

Com mais de 40 atrações, o Viva Silveira Martins 2025 contou com a participação de projetos vinculados ao edital Território Imembuy e apresentou uma programação ampla e integrada ao longo de dois dias. As atividades envolveram as áreas de educação, cultura, ciência, literatura e saúde, reunindo diferentes públicos em um mesmo espaço de troca e aprendizagem.

A programação incluiu exposições de trabalhos, relatos de experiências de escolas e projetos de extensão, oficinas temáticas nas áreas de literatura, nutrição, economia criativa, jogos populares e esporte de orientação, além de lançamentos do Centro de Documentação e Memória, ações de promoção da saúde, biblioteca itinerante, visitas guiadas e apresentações culturais.

Extensão em ação 

O evento destacou-se pela relevância no âmbito das ações de extensão universitária, ao concretizar o papel social da UFSM na aproximação com a comunidade de Silveira Martins e da região. Ao reunir, em um mesmo espaço, atividades culturais, educativas, científicas e sociais, a iniciativa ampliou a circulação de conhecimentos e facilitou o acesso da população às ações acadêmicas, promovendo diálogo, participação e sentimento de pertencimento.

A interação direta entre universidade e comunidade evidenciou o compromisso institucional com o desenvolvimento territorial, a valorização da cultura local e a formação cidadã. Além disso, o evento fortaleceu redes de cooperação entre universidade, escolas, poder público e projetos comunitários, consolidando o Espaço Multidisciplinar Silveira Martins como um ambiente vivo, aberto e integrador. Ao dar visibilidade às iniciativas de extensão e estimular a troca entre saberes acadêmicos e comunitários, a ação contribuiu para a construção de vínculos duradouros, ampliou o impacto social das atividades desenvolvidas e abriu caminho para novas parcerias que qualificam a presença da UFSM no território.

Destaques da edição 

Esta edição do evento destacou-se pela ampliação das parcerias institucionais, especialmente com a Secretaria Municipal de Educação, e pela forte presença dos projetos vinculados ao Território Imembuy, que qualificaram a programação e reforçaram a identidade territorial da iniciativa. A proposta apresentou uma programação mais diversificada, com atividades culturais, educativas e comunitárias voltadas ao patrimônio, à saúde, à arte, à ciência e à participação social, ampliando o alcance junto à população e consolidando o Espaço Multidisciplinar Silveira Martins (EMSM) como um espaço vivo de integração entre universidade e comunidade.

Um dos principais destaques foi a integração do Viva Silveira Martins com dois eventos de grande relevância para o município: a Feira Municipal de Ciências e a Feira Municipal do Livro. A Feira de Ciências garantiu protagonismo às escolas, valorizando as produções estudantis, incentivando a cultura investigativa e fortalecendo o diálogo entre a educação básica e a universidade. Já a Feira do Livro agregou um importante componente cultural e educativo, estimulando a leitura, a formação de leitores e o acesso à literatura por meio de estandes, exposições e atividades formativas. A união dessas três iniciativas potencializou a programação, diversificou o público participante e consolidou o EMSM como um espaço articulador de saberes, cultura, ciência e integração comunitária.

Confira as fotos do evento

Texto: Laura Severo, bolsista de Jornalismo da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

Revisão: Valéria Luzardo, bolsista de Revisão Textual da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

Fotos: Espaço Multidisciplinar Silveira Martins

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Educação – PRE-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/2025/12/22/eventos-do-geoparque-cacapava-celebram-o-geodia-com-educacao-integracao-e-valorizacao-do-territorio Mon, 22 Dec 2025 11:17:25 +0000 http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/?p=14598

No dia 14 de novembro, o 55BET Pro da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em Caçapava do Sul, recebeu mais uma edição do GeoDia, reunindo estudantes, professores e visitantes ao longo de um dia inteiro de atividades educativas, culturais e interativas. A coordenação do evento ficou a cargo da Subdivisão de Geoparques da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

A programação contou com oficinas, exposições e experiências práticas. Entre as atividades, estiveram a oficina “Pequenos Paleo-Artistas”, com pintura de fósseis, ministrada pela equipe do Serviço Geológico do Brasil (SGB), a sessão historiada “Uma Vida de Preguiça”, a Exposição de Minerais e Rochas, a Trilha das Plantas Ameaçadas do Pampa, o projeto “ODS em Ação: Pensar Global, Agir Local” e a oficina “As cores do Geoparque Caçapava”, que envolveu a produção de tintas naturais

Também fizeram parte da programação a visita guiada ao Jardim da Geodiversidade, mostra fotográfica, muro de escalada, jogo de memória, oficinas com lã no “Caminhos da Lã”, Sandbox, uso de óculos de realidade virtual, entre outras atrações que despertaram o interesse de públicos de todas as idades.

No período da tarde, alunos e professores participaram de atividades como “Investigadores da Natureza”, Corrida de Orientação, ações do Projeto Te Acolhe – APAE e da apresentação “Tambores de Sopapo: arte e ancestralidade”, que encantou os participantes ao valorizar a cultura e a ancestralidade afro-gaúcha. Durante todo o evento, uma equipe de monitores esteve distribuída pelos espaços, garantindo organização e uma experiência qualificada para o público.

Dando continuidade às ações, o GeoDia — Edição Minas do Camaquã chegou à sua 4ª edição no dia 11 de dezembro, sendo realizado na Escola Gladi Machado. O evento reuniu alunos, professores e membros da comunidade em um dia repleto de atividades educativas e oficinas interativas, fortalecendo o vínculo entre escola, universidade e território.

As atividades foram ministradas por alunos e servidores da UFSM e da Unipampa, com coordenação da Subdivisão de Geoparques da UFSM, promovendo a integração entre as universidades e o território do Geoparque. A programação incluiu a Trilha das Plantas Ameaçadas do Pampa, as mostras fotográficas “Aves do Geoparque Caçapava”, de Thomas Michel Ambiel, e “Céu Noturno do Geoparque Caçapava”, com registros de Vinícius Tavares, cedidos pela Tuna Ecoturismo.

Atividades como “Investigadores da Natureza” animaram as crianças, que puderam explorar o ambiente natural de forma lúdica. Oficinas do “Caminhos da Lã”, o Cine Kids — que apresentou os bastidores e o processo criativo do livro Geoaventuras em Caçapava do Sul —, o projeto ODS em Ação e a exposição de minerais e rochas do Geoparque Caçapava completaram a programação.

Antes do evento, os ministrantes participaram de um city tour pelas Minas do Camaquã, conhecendo de perto a riqueza natural, histórica e cultural da região. A edição contou ainda com a presença da subprefeita das Minas do Camaquã, Vitória Godinho, reforçando o apoio institucional às ações do Geoparque.

Texto: Laura Severo, bolsista de Jornalismo da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).
Revisão: Valéria Luzardo, bolsista de Revisão Textual da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

Fotos: @geoparquecacapava

 

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Educação – PRE-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/2025/12/02/sabores-e-saberes-conheca-o-projeto-da-ufsm-que-impulsiona-culinaria-com-frutas-nativas-2 Tue, 02 Dec 2025 18:26:15 +0000 http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/?p=14470

No interior da Quarta Colônia, em Restinga Seca, no Quilombo São Miguel dos Carvalhos, um movimento silencioso, mas profundamente transformador, tem brotado de frutos nativos da Pampa e da Mata Atlântica e histórias ancestrais. O projeto Sabores e Saberes, coordenado pela professora Suzane Bevilacqua Marcuzzo, do curso de Gestão Ambiental da UFSM e Pós-Graduação em Geografia, está ressignificando o valor cultural, econômico e ambiental das frutas tradicionais dos biomas, transformando conhecimento em renda, alimento em identidade e floresta em futuro.

Criado em 2017, o projeto tem como propósito incentivar a preservação de frutas nativas da Mata Atlântica e do Pampa — derrubando estigmas de que espécies menos conhecidas seriam incomestíveis ou até venenosas — e transformá-las em uma oportunidade de geração de renda. A iniciativa nasceu da inquietação da professora Suzane diante do desconhecimento generalizado sobre as frutas nativas do Sul do Brasil, abundantes na região, mas ainda pouco presentes no cotidiano.

Entre essas espécies estão o butiá, a jabuticaba, o guabiju, a cereja-do-mato, a uvaia, o araçá e a pitanga, frutos com alto valor nutricional, mas frequentemente tratados apenas como algo que “serve para os bichos”, como relatam muitos moradores do interior. “Ninguém preserva aquilo que não conhece. Se as pessoas não experimentam, não consomem e não criam vínculo com a floresta, nunca vão entender por que ela precisa ser protegida”, comenta a professora.

Idealizadora e coordenadora do projeto, professora Suzane Marcuzzo.

Como tudo começou

A professora,  Engenheira Florestal de formação, lembra que, no início do projeto, chegaram a surgir propostas para trabalhar com sistemas agroflorestais da região. A ideia, porém, despertou uma inquietação: no Sul, boa parte da população ainda tem pouco contato com as frutas nativas, e praticamente não existe uma cadeia de valor consolidada para esses produtos. “Eu ficava pensando: quando chegasse a época da colheita, o que aconteceria com o agricultor? Ele teria uma grande quantidade de frutas, mas não teria para quem vender”, explica.

Além de serem desconhecidas, essas frutas precisam de um certo cuidado. “Frutas nativas são altamente perecíveis. “Você colhe pela manhã e, se não preparar ou congelar no mesmo dia, o fruto já começa a perecer. Não é como a banana, que pode durar até uma semana. No caso dessas espécies, muitas vezes, no fim da tarde ou à noite, já é possível perceber sinais de deterioração”, explica.

Foi então que a professora, também coordenadora do NEAP – Núcleo de Estudos em Áreas Protegidas, tomou uma decisão: testar receitas com frutas nativas, pois, para preservar, as pessoas precisam primeiro conhecer. Ela deu início aos experimentos em Vale Vêneto, em 2017, na Quarta Colônia, com a ajuda da nutricionista irmã Rosa, da Casa de Retiros. “Pensei: as pessoas primeiro precisam conhecer para ter demanda. Para aquele agricultor que está desmatando passar a ver que ele pode manter ou até aumentar sua área de floresta por meio de pomares de espécies nativas ou agrofloresta. Então ele vai enxergar com outro olhar e pensar: ‘Mas se eu produzir aqui, eu vendo lá na feira, na agroindústria, ou eu abro a minha agroindústria’”, relata a professora.

Depois de desenvolver algumas receitas, a professora decidiu organizar um café aberto à comunidade, no qual todos pudessem experimentar pratos preparados com frutas pouco conhecidas na região. Entre eles estavam o queijo com aroeira-vermelha, a geleia de jerivá e o docinho de jaracatiá. São nomes diferentes, mas que despertaram memórias afetivas. Segundo ela, o encontro teve resultados positivos, marcado por comentários como: “Nossa! A minha avó fazia isso!”. Muitos também demonstraram surpresa, dizendo que não imaginavam que aquela fruta, ou até mesmo aquele pedaço da árvore, pudesse ser aproveitado na cozinha.

Primeiro banner expositivo do projeto, com receitas desenvolvidas para degustação no café.

Para Suzane, esse era justamente o objetivo do experimento: recuperar saberes que foram se perdendo com o tempo, já que muitas dessas preparações fazem parte da história local. O jaracatiá, por exemplo, conhecido como “mamãozinho do mato”, tem uma tradição antiga. Ela explica: “Esse docinho não é feito do fruto que você come, mas do galho ralado. Ele fica parecido com coco e tem um sabor entre coco e abacaxi. Essa receita tem forte ligação com a imigração italiana. Quando os colonos chegaram na região, provavelmente aprenderam com os indígenas. A partir disso, começaram a fazer uma espécie de cocada, chamada de ‘pau-doce’, usando os galhos dessa árvore nativa da Mata Atlântica”.

Alguns anos após o primeiro experimento, a professora foi convidada pela PRE para participar do edital dos Geoparques e ministrar um curso no Projeto Progredir — realizado nos geoparques Quarta Colônia e Caçapava —, já que o trabalho de Suzane dialogava diretamente com o desenvolvimento territorial. Nesse contexto, ela desenvolveu duas edições do Progredir, uma com 52 horas e outra com 72 horas. Assim como no primeiro experimento, os resultados foram extremamente positivos: o público adorou.

Segundo Suzane, no último curso ela ofertou 15 receitas, uma para cada fruta utilizada. No entanto, o engajamento das participantes foi tão grande que elas criaram mais de 50 novas receitas a partir dos mesmos ingredientes. As criações foram diversas e inventivas, como bala de bergamota com aroeira, bala de jaboticaba, geleia de laranja com aroeira vermelha, além de várias outras combinações que incorporavam aroeira de diferentes formas.

Feira com os produtos desenvolvidos pelas participantes do Progredir Caçapava.

Como o projeto acontece 

A partir de oficinas participativas que iniciam com a apresentação da professora Suzane, é introduzido o tema com falas de abertura, exibição de materiais e vídeos sobre a espécie trabalhada, sobre a floresta e sobre a proposta de desenvolvimento sustentável baseada na manutenção da mata como fonte de geração de renda. Para contextualizar, Suzane também apresenta vídeos de outras regiões do país, onde chefs de cozinha já atuam com iniciativas semelhantes, demonstrando que a prática é uma realidade consolidada em vários lugares do Brasil.

Uma grande característica do projeto é a participação ativa apenas de mulheres, pois, embora os encontros sejam abertos a todos os públicos, a presença masculina é mínima. “Os homens até participam, mas são poucos, não chega a 1%. Quem realmente comparece e leva as ideias adiante são as mulheres”, explica.

Após a introdução, a oficina segue para a parte prática, “quando partimos para as panelas”, como descreve a professora. Todos os participantes trabalham juntos na preparação das receitas. Suzane leva as frutas que guarda em sua casa e no Politécnico– armazenadas em diversos freezers —, colhidas com apoio de amigas, familiares e moradoras das comunidades, sempre com o cuidado de preservar as espécies e incentivar seu plantio. Em algumas edições, ao final do curso, as agricultoras recebem um kit de mudas, reforçando o compromisso com a conservação e a ampliação das áreas cultivadas.

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Suzane e participantes no momento de preparação dos alimentos.

A professora Suzane trabalha com uma fruta específica em cada encontro, como a uvaia, por exemplo. A fruta, já descongelada, é distribuída entre os participantes, que aprendem o processo de despolpa e manejo: retirada do caroço, separação da polpa e identificação das particularidades de cada espécie. “Cada fruta exige um tipo de cuidado. Algumas têm a semente aderida à polpa, outras não. Nada é tão simples, e cada uma precisa ser apresentada do jeito certo”, explica.

Na sequência, o grupo parte para a elaboração da receita do dia, que pode ser uma geleia, cuca, bolacha ou broa. Após o preparo, vem o momento da degustação, seguido da análise sensorial. Ao final de cada oficina, os participantes preenchem uma ficha avaliando sabor, textura e aroma do produto, utilizando uma escala Likert.

Onde encontrar o projeto 

O curso é realizado onde houver demanda. Segundo a professora Suzane, a iniciativa conta com o apoio da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) e das prefeituras da região. Sempre que surge a oportunidade de ministrar oficinas financiadas por algum município, ela segue para a comunidade, levando suas frutas e seu livro de receitas.

A divulgação dos encontros fica a cargo das prefeituras e da Emater, responsáveis por mobilizar os participantes. “Eles nos trazem as pessoas. Chegamos até a Emater, que é nossa parceira, e à prefeitura, conversamos sobre a proposta e, a partir daí, eles iniciam a chamada. A divulgação é feita principalmente pelos grupos de WhatsApp que eles mantêm”, explica Suzane.

Mulheres que viram protagonistas

Nas últimas edições do curso, a professora Suzane percebeu que estava fortalecendo o empreendedorismo feminino, pois ajudava as mulheres a encontrar nas receitas uma forma de sustento. Segundo ela, nessa edição participaram 30 mulheres, e quatro delas decidiram empreender, entre elas dona Celi, que hoje integra a Polifeira. “Nas quintas-feiras, ali na Polifeira, tem a banca Mata Atlântica, e esse é um dos resultados do projeto: a Celi vende geleias de pitanga, cereja, jacarandá, butiá, uvaia, guabiroba e guabiju. Ela já está ali há dois anos, desde que participou do curso”, ressalta.

Banca “Mata Atlântica” na Polifeira da UFSM.

Suzane iniciou uma nova etapa de trabalho ao levar suas receitas para as mulheres do Quilombo de São Miguel dos Carvalhos, em Restinga Sêca, na região da Quarta Colônia, onde atua atualmente. Diferente das oficinas pontuais, o curso oferecido no quilombo segue o formato do Progredir (sem ser do Progredir), com encontros semanais e conteúdo continuado. As participantes também ganharam uma apostila com dicas e receitas. Sem grandes financiamentos, a professora viaja aos fins de semana levando seu acervo de frutas para as atividades práticas. Durante a semana, mantém contato constante com as participantes por meio de um grupo de WhatsApp, no qual circulam fotos de novos pratos, ideias de receitas e até novidades da comunidade.

Participantes durante preparação dos alimentos na cozinha do Quilombo.

Hoje, o projeto também se estrutura como curso de formação, com apostilas, oficinas práticas e articulação para futuros financiamentos. Segundo a professora, “experimentar uma fruta nativa é um ato político. É conhecer para preservar”. As oficinas se tornam um espaço não apenas de aprendizado técnico, mas também de fortalecimento comunitário, troca de memórias e construção de autoestima. “Elas descobrem que aquilo que estava ali do lado de casa, caindo no chão, pode virar renda. E, quando percebem isso, olham para a floresta com outros olhos”, ressalta.

No evento “Caminhada da Natureza” , que reúne de 100 a 200 pessoas, a professora conta que o grupo produziu diversos produtos e vendeu tudo, arrecadando cerca de 800 reais em um único dia. As participantes ficaram surpresas e relataram a Suzane que essa é uma  oportunidade real de autonomia financeira. “A caminhada deu uma injeção de entusiasmo. Elas voltaram dizendo: ‘Professora, dá certo! Nós conseguimos!’”, comentou Suzane.

Uma semente que continua crescendo

Os resultados confirmam que o esforço vale a pena: mulheres que antes duvidavam de suas próprias habilidades agora desenvolvem receitas autorais, formam coletivos e comercializam seus produtos por toda a região. No quilombo, a cozinha tornou-se um espaço de protagonismo e resistência.

A professora conduz praticamente todo o trabalho sozinha, contando apenas com o apoio de uma bolsista na parte administrativa. Quando surgem oportunidades, ela busca financiamentos por meio de editais e, no momento, aprovou o projeto no edital Fapergs (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul). “É um projeto pessoal, um sonho. Às vezes a gente precisa apostar no que acredita, mesmo sem recursos”, afirma Suzane.

Segundo Suzane, “a cereja do bolo é a restauração ecológica. É quando as próprias participantes pedem árvores para plantar. É recuperar a Mata Atlântica e o Pampa com sentido e com pertencimento”. 

Alguns dos produtos desenvolvidos no projeto: 

Texto: Maria Lúcia Homrich Gotuzzo, bolsista da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

Revisão: Valéria Luzardo, bolsista da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

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Educação – PRE-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/2025/11/18/taura-bots-conquista-terceiro-lugar-na-competicao-brasileira-de-robotica-2025-e-celebra-trajetoria-de-inovacao-no-ct-da-ufsm Tue, 18 Nov 2025 18:58:33 +0000 http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/?p=14347

A equipe Taura Bots, vinculada ao Centro de Tecnologia (CT) da UFSM, conquistou o terceiro lugar na categoria Small Size LeagueEntry Level (SSL) da Competição Brasileira de Robótica (CBR) 2025, realizada em outubro, em Vitória (ES). A CBR é a etapa nacional da RoboCup, um dos maiores eventos de robótica do mundo. O resultado consolida a retomada e o crescimento do projeto, que há mais de dez anos atua na formação prática de estudantes e no desenvolvimento de tecnologias em robótica.

Futebol de Robôs

Fundada no ano de 2013, a equipe Taura Bots foi criada com o objetivo de aplicar os conhecimentos dos cursos de tecnologia por meio de projetos de robótica competitiva. Inicialmente dedicada ao futebol de robôs humanoides, a equipe diversificou suas áreas de atuação com o passar dos anos, participando de competições internacionais, projetos de carros autônomos e modalidades como tiro com arco, na qual chegou a ser campeã mundial. Após um período de descontinuidade causado pela pandemia, o grupo passou por uma reconstrução e retomou suas atividades, no início de 2024, com o objetivo de participar da competição.

Atualmente coordenada pelo professor Anselmo Rafael Cukla, do Departamento de Processamento de Energia Elétrica (DPEE), a equipe Taura Bots conta com cerca de 20 membros distribuídos entre suas subequipes, que abrangem robôs de futebol das categorias Small Size League (SSL) e Very Small Size Soccer (VSSS), além do desenvolvimento de drones autônomos. O projeto reúne estudantes de diferentes cursos — como Engenharia de Controle e Automação, Engenharia da Computação, Ciência da Computação, Sistemas de Informação e Engenharia Aeroespacial — que atuam de forma integrada nos setores de mecânica, software, eletrônica e comunicação.

 

Robôs autônomos e estratégias de jogo: como é a competição

A categoria Small Size League – Entry Level consiste em partidas de futebol de robôs totalmente autônomos, nas quais times formados por três robôs competem entre si em uma dinâmica semelhante ao futebol tradicional. Os robôs — pequenos veículos com rodas capazes de se deslocar, driblar e chutar a bola — recebem comandos a partir de um sistema de visão computacional. Uma câmera instalada acima do campo identifica a posição de cada robô e da bola, enquanto um software processa essas informações e envia, via rádio, instruções de movimento e tomada de decisão. “Os robôs jogam sozinhos. A partir do momento em que a partida começa, ficamos apenas assistindo”, explicaram os integrantes. Com dois tempos de cinco minutos e regras específicas, como faltas, substituições e pedidos de time out, a competição exige precisão técnica, estratégia e controle rigoroso do comportamento dos robôs durante as partidas.

Segundo os integrantes Gabriel Niederauer, René Gargano Ferrari e Maria Rita Piekas, que representaram a equipe na competição, este é um dos principais desafios técnicos: integrar visão computacional, tomada de decisão e controle de movimento, ajustando tudo em tempo real no ambiente da competição. Muitos testes precisaram ser feitos no local para compensar variáveis como escorregamento das rodas, atraso na comunicação entre os robôs e diferenças entre o simulador e o campo real.

“Nós aprendemos a não desistir no primeiro problema que aparecer. Precisamos confiar no trabalho que fizemos”, afirma Gabriel, capitão da equipe e acadêmico de Engenharia de Controle e Automação. Ele destaca que a conquista foi resultado da persistência da equipe e da capacidade de identificar soluções rápidas entre uma rodada e outra. 

A integrante Maria Rita Piekas reforça essa percepção ao recordar o desempenho da equipe durante a competição: “A gente perdeu o primeiro jogo e depois fomos até o final. Depois que a gente perdeu o primeiro jogo, a gente focou muito em consertar os pontos fracos e, depois disso, até esse momento do final, a gente ganhou todos”. Para o grupo, o pódio simboliza justamente essa evolução coletiva e o amadurecimento técnico alcançado ao longo do processo.

A edição deste ano contou com nove universidades na categoria Entry Level (categoria de entrada), representando diferentes estados brasileiros. A Taura Bots avançou até a semifinal, na qual enfrentou o time favorito, mais forte do campeonato. Apesar da derrota impedir o acesso à final, a equipe venceu os demais confrontos e garantiu seu lugar no pódio.

 

Trajetória e formação interdisciplinar

Ao longo dos anos, a Taura Bots participou de intercâmbios com laboratórios na Alemanha, competições internacionais e eventos científicos. Parte das pesquisas desenvolvidas pelos estudantes já resultou em artigos apresentados na Jornada Acadêmica Integrada (JAI) da UFSM e no Simpósio Brasileiro de Robótica, incluindo trabalhos sobre drones autônomos e estruturas mecânicas proprietárias.

A reconstrução recente da equipe também envolveu o desenvolvimento de novos robôs criados totalmente do zero. Segundo Maria Rita e René, esse processo fortaleceu a integração entre cursos e ampliou o caráter formativo do projeto. “O laboratório é um espaço onde diferentes áreas se encontram. Cada estudante aprende com a área do outro, e isso cria um ambiente muito de desenvolvimento técnico e pessoal”, destacam.

Além das competições, o laboratório da Taura Bots também serve de suporte para atividades práticas de disciplinas de engenharia e computação, oferecendo infraestrutura e equipamentos que permitem aos estudantes participantes do projeto aplicar conteúdos do curso em projetos reais.

Parcerias e desafios de financiamento

Embora conte com apoio institucional para deslocamentos e inscrições na competição, a equipe não recebe verba direta da universidade para o desenvolvimento dos robôs. Por isso, depende de parcerias com empresas e do uso eficiente do laboratório.

Atualmente, a Taura Bots possui apoio de empresas como SolidWorks, Allegro e tecnologias da NVIDIA, que fornecem licenças, componentes eletrônicos e unidades de processamento. Os estudantes explicam que, mesmo sem um apoio financeiro, esses recursos são essenciais para manter o nível técnico dos projetos.

Planos para 2026

Após o pódio em Vitória, a equipe já concentra seus esforços em aprimorar os robôs da categoria Small Size LeagueEntry Level. Segundo os integrantes, o principal objetivo para 2026 é aumentar a velocidade dos robôs, hoje considerada baixa para competir em condições mais desafiadoras. Isso exigirá uma reformulação do projeto mecânico e eletrônico, com a adoção de ajustes nos sistemas de controle.

Com os robôs atualmente funcionando de forma estável, a equipe destaca que o próximo ciclo de desenvolvimento será mais eficiente, pois agora é possível testar melhorias diretamente em campo, diferentemente do período inicial, em que as partes eram desenvolvidas separadamente e em simuladores.

Para acompanhar o desenvolvimento dos projetos, os bastidores da preparação para as próximas competições e demais atividades do grupo, a Taura Bots divulga atualizações em seu Instagram: @taurabots

 

Texto: Gabriele Mendes, bolsista de Jornalismo da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

Revisão: Valéria Luzardo, bolsista de Revisão Textual da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

 
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Educação – PRE-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/2025/11/17/lancamento-da-14a-coletanea-do-atelie-de-textos-celebra-autoria-estudantil-e-aproxima-universidade-e-comunidade Mon, 17 Nov 2025 14:15:35 +0000 http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/?p=14306

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a comunidade escolar de Campos Borges celebraram, na última sexta-feira (14), o lançamento da coletânea produzida pelos estudantes participantes da 14ª edição do Programa Ateliê de Textos. O evento ocorreu no Centro Cultural do município e contou com a presença dos alunos-autores e seus familiares, professores da E.E.E.B. João Ferrari, autoridades locais, integrantes da equipe do programa e acadêmicos do curso de Licenciatura em Letras que atuaram na prática extensionista.

A coletânea foi publicada em formatos e-book e impresso, marcando a culminância de um trabalho realizado ao longo de todo o ano letivo e reafirmando a potência da escrita como experiência formativa, social e afetiva. Está disponível para leitura gratuita clicando aqui!

Alunos-autores, equipe e homenageados Ateliê de Textos 2025


Um programa que transforma a relação com a leitura e a escrita

         Com quase 15 anos de atuação, o Ateliê de Textos é um programa de extensão vinculado ao Centro de Artes e Letras (CAL) da UFSM que vem transformando a forma como a leitura e a escrita são trabalhadas em escolas públicas da região. Criado em 2011 como projeto de extensão e institucionalizado como programa em 2021, o Ateliê reúne ensino, pesquisa e extensão em uma proposta colaborativa que envolve comunidade escolar, professores universitários e estudantes de graduação e pós-graduação.

        Coordenado pela professora Cristiane Fuzer, do Departamento de Letras Vernáculas, o programa desenvolve oficinas de leitura e produção textual junto a estudantes dos anos finais do ensino fundamental. As ações são realizadas por acadêmicos de Letras e professores das escolas parceiras, sob orientação da equipe da UFSM, em um processo pedagógico que valoriza autoria, reflexão crítica e participação ativa dos alunos.

       “O Ateliê de Textos tem como objetivo fazer um trabalho colaborativo entre escolas e universidade, voltado à formação inicial de professores de Língua Portuguesa e ao aprimoramento do letramento de estudantes da educação básica”, explica a coordenadora. “É um processo que envolve o ensino, a pesquisa e a extensão, beneficiando tanto quem ensina quanto quem aprende”.

Do planejamento à autoria: como funciona o Ateliê de Textos

A metodologia do programa organiza o ensino da escrita em etapas de pré-escrita, (re)escrita e pós-escrita, incluindo atividades de leitura, contação de histórias, produção textual e devolutivas individuais e coletivas.

 

As oficinas seguem os princípios da Pedagogia de Gêneros, que estrutura o aprendizado em quatro momentos:

  • desconstrução do gênero (leitura e análise detalhada);

  • construção conjunta;

  • produção independente;

  • socialização da versão final.

 

“Os alunos começam lendo e analisando um gênero textual, depois escrevem coletivamente, com apoio dos bolsistas e professores, até se sentirem seguros para produzir de forma independente”, comenta Cristiane. “Cada texto passa por um processo de revisão e reescrita até chegar à sua versão final”.

O ponto alto de cada edição é justamente a publicação do livro, etapa que se materializou na celebração desta 14ª edição. Para a coordenadora, “as crianças se tornam autoras e vivem a experiência de ver seu texto publicado e compartilhado com o mundo. Isso reforça a autoestima, o protagonismo e a compreensão de que a escrita tem valor social”.

O programa também produz cadernos didáticos e cartilhas, elaborados pela equipe e publicados pela Editora da UFSM e pela Editora da PRE. Cinco volumes já foram lançados, além das coletâneas dos alunos, todas disponíveis gratuitamente no repositório institucional da universidade.

 
Alunos autografando - Lançamento 2025

Fundamentos teóricos e produção de conhecimento

A base do programa está na Linguística Sistêmico-Funcional, teoria de Michael Halliday que compreende a linguagem como sistema sociossemiótico. Essa perspectiva sustenta a utilização da metodologia “Ler para Aprender”, adotada nas oficinas e nas ações de formação docente.

“Todo projeto precisa ter base científica. No nosso caso, trabalhamos com a linguística sistêmico-funcional, que embasa nossa prática e nossas pesquisas”, afirma a coordenadora. As oficinas e materiais produzidos servem também como corpus para iniciação científica, trabalhos de mestrado e doutorado, além de publicações e participação em eventos nacionais e internacionais.

 

O programa integra ainda uma rede de pesquisadores brasileiros e latino-americanos dedicados à Pedagogia de Gêneros e à metodologia “Ler para Aprender”, ampliando o alcance das ações para além dos espaços da UFSM.

Integração com o ensino e impacto social

Desde 2020, o Ateliê de Textos está inserido no currículo do curso de Letras – Licenciatura em Língua Portuguesa, por meio da disciplina “Leitura e Produção de Textos: Práticas de Avaliação e Mediação”. Essa integração permite que os acadêmicos vivenciem a realidade escolar desde a graduação e desenvolvam competências práticas para sua futura atuação docente.

Ao longo de quase 15 anos, o programa já atendeu cerca de 40 escolas públicas de Santa Maria, da Quarta Colônia e da região Central, incluindo Restinga Sêca, Faxinal do Soturno, Agudo e Campos Borges. Cada edição trabalha com um gênero textual diferente, como narrativa, fábula, biografia ou observação comentada, sempre em diálogo com as demandas das escolas parceiras.

“As relações humanas construídas nesse processo são tão importantes quanto o aprendizado técnico”, afirma Cristiane, ao destacar a dimensão afetiva e comunitária que atravessa o trabalho.

Alunos da escola E.M.E.I.E.F. Dezidério Fuzer (2024)

Reconhecimento institucional e desafios

         O trabalho desenvolvido pelo Ateliê de Textos já recebeu reconhecimento nacional em duas ocasiões que marcaram profundamente a trajetória do programa. Em 2013, o projeto foi contemplado com o Prêmio RBS de Educação, voltado ao impacto comunitário. Segundo a coordenadora, esse prêmio foi decisivo para ampliar a atuação da iniciativa: “Com o valor do prêmio, nós conseguimos, no ano seguinte (2014), atender duas escolas. Conseguimos pagar bolsas, comprar materiais para o projeto. Foi um momento muito importante para expandir as ações”.

        Já em 2017, o programa recebeu o Prêmio Rubens Murillo Marques, concedido pela Fundação Carlos Chagas, dessa vez reconhecendo o trabalho voltado à formação inicial de professores. “O prêmio RBS foi focado no trabalho com os alunos das escolas, e o prêmio da Fundação Carlos Chagas foi mais focado no trabalho que eu faço com os professores em formação aqui na universidade”, explica Cristiane.

      Juntos, os dois prêmios permitiram a ampliação do número de escolas atendidas e a consolidação da metodologia que hoje estrutura o programa. Cristiane recorda que, após os editais e reconhecimentos, o Ateliê viveu seu período “dourado”: “Conseguimos muitos recursos. Compramos computador, muita coisa para o projeto que estamos usando até hoje […], e conseguimos atender quatro escolas em um ano, cinco escolas em outro”.

      Os prêmios, portanto, não apenas legitimaram o impacto social e formativo do programa, mas também garantiram condições materiais e de equipe para que o Ateliê de Textos se tornasse uma referência em leitura, escrita e formação docente na UFSM e na região.

      Ao longo de sua trajetória, o Ateliê de Textos também contou com importantes fontes de financiamento que possibilitaram a continuidade e a ampliação de suas ações. Além dos prêmios já recebidos, o programa foi contemplado pelos editais PROEXT MEC-Sisu em 2015 e 2016, o que garantiu recursos para estruturação de materiais e atividades. Em 2020 e 2021, o Ateliê também recebeu apoio por meio do edital Geoparques da UFSM, fortalecendo o desenvolvimento das oficinas e das pesquisas associadas. Atualmente, o programa se mantém com recursos do FIEX, da Pró-Reitoria de Extensão (PRE), e com o apoio institucional do Centro de Artes e Letras (CAL), assegurando a continuidade das atividades de formação docente e letramento em escolas públicas.

 

A escrita como ferramenta de cidadania

Ao promover o encontro entre universidade e escola, o Ateliê de Textos reafirma a linguagem como prática social e instrumento de transformação. A cada nova edição, novos estudantes experimentam o prazer de escrever, revisar, compartilhar e publicar seus textos. Para a coordenadora, esse é o verdadeiro sentido do programa: “O Ateliê de Textos é um espaço onde todos aprendem, sejam os professores, os acadêmicos e os alunos das escolas. É a universidade cumprindo seu papel de estar próxima das escolas e das comunidades, ajudando a formar leitores, escritores e cidadãos mais conscientes do seu lugar no mundo”.

 

Para saber mais sobre o Programa Ateliê de Textos, acompanhar as atividades e acessar materiais produzidos ao longo das edições, visite o site oficial do projeto ou o perfil no Instagram: @atelie.de.textos.ufsm

 

 

Texto: Gabriele Mendes, bolsista de Jornalismo da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

Revisão: Valéria Luzardo, bolsista de Revisão Textual da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

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A equipe Carancho Aerodesign representará a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) na 27ª Competição SAE BRASIL de AeroDesign, que ocorre entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro de 2025, no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP). Considerada a maior competição estudantil de engenharia aeronáutica do país, o evento reúne cerca de 80 equipes de universidades brasileiras e estrangeiras, desafiando os estudantes a projetar, construir e fazer voar aeronaves em escala reduzida.

Neste ano, o Carancho participará novamente na categoria Micro, que envolve aviões de pequeno porte com envergadura entre 1 e 2 metros. A proposta da categoria é simular missões humanitárias, em que os protótipos devem transportar e lançar cargas utilizando paraquedas. 

De acordo com o capitão da equipe, Vitor Araujo Moreira, estudante do 8º semestre do curso de Engenharia Aeroespacial, a decisão de permanecer na categoria Micro faz parte de uma estratégia de consolidação da equipe. Ele explica que o Carancho já competiu em outras classes no passado, mas nos últimos anos optou por concentrar esforços em uma única categoria para alcançar resultados mais consistentes.

Segundo Vitor, o grupo chega à edição de 2025 com grandes expectativas, após conquistar o 3º lugar entre 19 equipes na edição anterior, o melhor resultado da história da Carancho e o melhor desempenho entre as equipes gaúchas. O capitão destaca que a equipe vem aprimorando processos de planejamento e documentação técnica, etapas fundamentais na competição.

“Tínhamos bons projetos, mas percebemos que precisávamos refletir essa qualidade também nos relatórios e apresentações. Evoluímos muito nesse aspecto e queremos manter o desempenho entre as três melhores do país, mirando agora o P1 (primeiro lugar)”, explica o capitão.



Protótipo de 2024 com o tema "Carros" que conquistou o 3º lugar na categoria Micro.

A competição

A Competição SAE BRASIL de AeroDesign é um evento técnico e educacional organizado pela Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE BRASIL) desde 1999, em parceria com a SAE International, responsável pela versão norte-americana. O evento tem como objetivo desenvolver competências práticas em projeto, construção e operação de aeronaves em escala. Além da categoria Micro, o evento conta com as classes Regular e Advanced, que se diferenciam pelo tamanho e complexidade das aeronaves.

Voltada a estudantes de graduação e pós-graduação em Engenharia e áreas relacionadas, a competição simula um projeto real da indústria aeronáutica. As equipes são responsáveis por projetar, construir e operar uma aeronave em escala capaz de cumprir as missões estabelecidas pelo regulamento da edição.

As avaliações são divididas em duas etapas: o projeto técnico, composto por relatórios e apresentações orais; e a competição de voo, em que as aeronaves precisam cumprir missões reais enfrentadas pela indústria aeronáutica. Cada categoria tem suas missões específicas; na Micro, por exemplo, são o transporte de carga útil e pousar com estabilidade. O regulamento é atualizado anualmente, o que exige das equipes constante adaptação e inovação.

Em 2025, acontece a 27ª edição do evento, que tem início no dia 30 de outubro e vai até 2 de novembro. Neste ano, a categoria Micro conta com 20 equipes inscritas. 

 

Os dias da competição são divididos da seguinte forma:

  • 1º dia: Credenciamento, cerimônia de abertura e exposição das aeronaves.
  • 2º e 3º dia: Competições de voo e cerimônia de premiação.
  • 4º dia: Visita à Embraer.




Trabalho em equipe e criatividade

Fundado em 2004, o Carancho Aerodesign é um projeto multidisciplinar formado majoritariamente por estudantes dos cursos de Engenharia e da área de tecnologia. Desde a sua criação, a equipe participa anualmente da competição da SAE BRASIL, acumulando experiência, inovações e conquistas importantes.

Ao longo dos anos, o grupo tem se destacado pela dedicação e pela busca constante por aprimoramento. O terceiro lugar conquistado em 2024 na categoria Micro marcou um ponto alto na trajetória da equipe e reforçou o potencial dos estudantes da UFSM em nível nacional.

Além do desempenho técnico, o Carancho também se destaca pela criatividade na identidade visual dos seus protótipos. A cada edição, o grupo escolhe um tema para personalizar o projeto. Neste ano, a aeronave será inspirada no universo do filme Toy Story. De acordo com Vitor, a escolha reflete o espírito coletivo e cooperativo da equipe, já que a animação aborda valores como amizade, superação e trabalho em grupo.

O capitão explica que a definição do tema é um processo colaborativo: “Buscamos referências que sejam reconhecidas pelo público e que representem valores e momentos da equipe. Nesta temporada, o Toy Story simboliza muito bem a ideia de parceria e aprendizado conjunto, algo que faz parte da essência da Carancho”.

Protótipo de 2025 com o tema "Toy Story".

Aprendizado que vai além da sala de aula

Com cerca de 45 integrantes, entre estudantes de diferentes cursos da UFSM e do CTISM, a equipe Carancho é estruturada em subsistemas que abrangem as áreas de aerodinâmica, estruturas, elétrica, modelagem 3D, ensaios estruturais, desempenho e controle, além dos setores administrativo, financeiro e de marketing.

Os testes de voo da equipe são realizados em parceria com a Associação Santamariense de Aeromodelismo (ASA) e com a Base Aérea de Santa Maria, o que garante condições próximas às encontradas na competição. Vitor ressalta que essas colaborações são fundamentais para o desenvolvimento técnico da equipe e para a segurança dos testes.

Mais do que uma disputa técnica, a competição da SAE BRASIL é um espaço de aprendizado e integração entre ensino, pesquisa e extensão. Para Vitor, a participação na equipe Carancho é uma oportunidade de aplicar o conhecimento teórico aprendido em sala de aula em desafios reais e desenvolver habilidades essenciais para a atuação profissional.

O estudante explica que o projeto proporciona uma formação mais completa, unindo o desenvolvimento técnico ao trabalho em equipe e à gestão de projetos. Ele considera que a competição é também uma forma de aproximar a Universidade das demandas da indústria e da sociedade.



Membros montando o protótipo de 2025.

Acompanhe a participação da equipe da UFSM na competição através do Instagram: @caranchoufsm

Texto e fotos: Gabriele A. Mendes, Bolsista da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM)

Revisão: Catharina V. Carvalho, revisora de textos da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

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A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realizou, nos dias 14 e 15 de outubro, o I Seminário de Acompanhamento da Inserção da Extensão nos Currículos de Graduação, no Auditório Wilson Aita, no Centro de Tecnologia. O encontro marcou um novo momento de reflexão e avaliação sobre o processo de curricularização da extensão, reunindo gestores, docentes, técnicos e estudantes da universidade.

 

O evento teve início na noite de terça-feira (14) com a exibição do vídeo institucional da Extensão UFSM, e seguiu com as falas de Giséli Duarte Bastos, técnica em assuntos educacionais da Subdivisão de Inserção da Extensão nos Cursos, que destacou a importância de manter o acompanhamento contínuo das ações extensionistas nos cursos de graduação.

 

O pró-reitor de Extensão, Flavi Ferreira Lisboa Filho, lembrou que a UFSM já realizou outras discussões sobre a inserção da extensão, mas enfatizou que este é o primeiro seminário voltado especificamente ao acompanhamento do processo. Segundo ele, mais de 90% dos cursos da instituição já estão com a extensão curricularizada.

 

Flavi afirmou que a extensão universitária “é feita na partilha, pelo diálogo”, e que esse processo de troca é o que conecta a universidade com a sociedade. Ele destacou ainda que as ações extensionistas têm o poder de gerar consciência cidadã, ao permitir que o estudante coloque em prática o que aprende em sala de aula e se reconheça como agente de transformação social. “A extensão nos conecta com a sociedade. Ela é um exercício potente de cidadania”, afirmou o pró-reitor.

 

A vice-prefeita de Santa Maria, Lúcia Madruga, também participou da mesa de abertura e relembrou sua trajetória como estudante da UFSM, marcada pela participação em projetos de extensão ainda nas décadas de 1980 e 1990. Ela citou experiências realizadas junto à APAE e a outras instituições locais, ressaltando o impacto dessas iniciativas na formação de estudantes e no desenvolvimento da cidade.

 

Lúcia destacou que, mesmo antes da curricularização da extensão, essas experiências já cumpriam um papel fundamental de integração entre a universidade e a comunidade externa. “A extensão sempre esteve presente na minha formação, mesmo antes de se tornar política pública”, afirmou a vice-prefeita. Ela acrescentou que, atualmente, em sua atuação na gestão municipal, reconhece ainda mais o valor da parceria com a universidade. “As portas da prefeitura estão abertas para os projetos da UFSM em todas as áreas”, reforçou.

 

O diretor do Centro de Tecnologia e vice-reitor eleito da UFSM, Thiago Marquezan, também destacou a importância da integração entre a universidade e a sociedade, afirmando que a curricularização da extensão vem consolidar uma prática já presente na instituição. Para ele, a extensão universitária “transforma”, porque está presente em diferentes dimensões da vida comunitária – da saúde e da cultura à engenharia, ao esporte e à educação.

 

Thiago ressaltou que a lei que determina a inserção da extensão nos currículos veio para “lembrar o óbvio”: que não há formação superior completa sem esse relacionamento com a comunidade externa. “A curricularização da extensão nos desacomoda e nos faz repensar a universidade que queremos”, afirmou. Ele também enfatizou o compromisso da nova gestão com o fortalecimento do processo, destacando que “a formação vai muito além da sala de aula; a extensão é a conexão com a sociedade que dá sentido ao ensino e à pesquisa”.

 
Mesa de autoridades do evento

Extensão como prática democrática

Encerrando a noite, o professor Hélder Eterno da Silveira, titular da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e ex-presidente do Fórum de Pró-Reitores de Extensão (Forproex), ministrou a palestra “Inserção curricular da extensão: para quê? Com quem e como?”.

 

Em sua fala, o professor destacou que a curricularização da extensão é um processo formativo que reforça o compromisso institucional das universidades com a democratização dos saberes. Segundo ele, a proposta vai além de uma exigência normativa, representando uma mudança de paradigma na forma como o conhecimento é produzido e compartilhado.

 

Hélder afirmou que “fazer assistência não é fazer extensão” e defendeu que o verdadeiro sentido da prática extensionista está no diálogo, na práxis e na construção coletiva. Para ele, a universidade tem como função central formar pessoas, e a extensão é parte essencial desse processo, pois possibilita o encontro entre diferentes realidades e experiências de vida. “A extensão democratiza o acesso ao saber e cria oportunidades de aprendizado mútuo. É compreender quem eu sou nesse mundo e qual o meu papel como sujeito social”, afirmou.

 

O palestrante também ressaltou que a extensão deve ser entendida como uma pedagogia que transforma o currículo e como um instrumento de democratização do conhecimento, contribuindo para o desenvolvimento da consciência crítica e da cidadania. 

Hélder Eterno da Silveira


Panorama institucional da inserção da extensão nos currículos

Na manhã da quarta-feira (15), o evento apresentou um panorama sobre a inserção da extensão universitária nos currículos de graduação da instituição. O levantamento trouxe dados, reflexões e perspectivas sobre esse movimento, que busca integrar ainda mais a formação acadêmica com as demandas e realidades da sociedade.

Segundo a equipe da PRE, representada por Giséli Duarte Bastos, a inserção da extensão nos cursos representa um passo importante para consolidar uma educação mais participativa, crítica e voltada à transformação social. O estudo evidencia o avanço das ações extensionistas e o fortalecimento do diálogo entre universidade e comunidade, valorizando o aprendizado prático e o compromisso social dos estudantes.

 

“O problema é não saber o que é a extensão, tanto por parte dos docentes, quanto por parte dos técnicos e estudantes. Então não há a compreensão teórica sobre a extensão. Não se tem essa dimensão pedagógica da extensão e isso é o problema. Como que a gente vai seguir a extensão dos cursos se não temos clareza do que é a extensão?”, relata Giséli.

Durante a apresentação, coordenadores de diferentes cursos da UFSM, como Fonoaudiologia, Engenharia Florestal, Engenharia Civil, Direito Noturno e Pedagogia EAD Noturno, também compartilharam suas experiências no processo de inclusão da extensão nos currículos. As vivências destacam caminhos, desafios e possibilidades observadas nesse processo coletivo, que vem mobilizando professores, estudantes e gestores em torno de uma formação mais integrada e interdisciplinar.

As iniciativas reforçam o papel da UFSM como instituição comprometida com o desenvolvimento e com a formação de profissionais capazes de atuar de forma ética, reflexiva e comprometida com o bem comum.

Giséli Duarte Bastos

Reflexões e perspectivas sobre a extensão universitária

terNa tarde de quarta-feira, a programação do seminário seguiu com duas palestras que aprofundaram o debate sobre os fundamentos e as práticas da extensão na universidade. O pró-reitor de Extensão, professor Flavi, ministrou a palestra “Extensão universitária: fundamentos, desafios e perspectivas na UFSM”, destacando mais uma vez o papel da extensão como espaço de transformação social e diálogo entre universidade e comunidade externa. Em sua fala, Flavi ressaltou que a extensão vai além de uma atividade complementar, sendo parte essencial da formação de profissionais críticos e comprometidos com os desafios contemporâneos.

 

Em seguida, a professora Cristiane Muenchen, do Departamento de Física da UFSM, apresentou o tema “A educação freireana e a extensão universitária: quais diálogos possíveis?”. A partir de uma perspectiva inspirada em Paulo Freire, a docente propôs uma reflexão sobre práticas educativas transformadoras e sobre como a extensão pode fortalecer processos formativos que partem da realidade e se voltam à construção coletiva do conhecimento.

 

Encerrando os dois dias de programação, o I Seminário de Acompanhamento da Inserção da Extensão nos Currículos de Graduação da UFSM consolidou-se como um espaço de diálogo e avaliação contínua, reafirmando o compromisso institucional com a formação integral, o desenvolvimento humano e o fortalecimento da relação entre universidade e sociedade.

 
Flavi Flavi Ferreira Lisboa Filho, Pró-Reitor de Extensão
Cristiane Muenchen

Texto: Gabriele Mendes e Laura Severo, bolsistas da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

Revisão: Valéria Luzardo, bolsista da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

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