CIÊNCIA E CONSCIÊNCIA-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/ciencia-e-consciencia Projeto de Desenvolvimento Institucional/Pesquisa/Ensino/Extensão Thu, 08 Jan 2026 19:04:06 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico CIÊNCIA E CONSCIÊNCIA-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/ciencia-e-consciencia 32 32 CIÊNCIA E CONSCIÊNCIA-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/ciencia-e-consciencia/2025/12/07/inteligencia-artificial-na-estetica-inovacao-riscos-e-limites-da-tecnologia-na-avaliacao-da-pele Sun, 07 Dec 2025 16:50:33 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/ciencia-e-consciencia/?p=617

A Inteligência Artificial (IA) vem transformando a dermatologia e a estética, oferecendo inovações promissoras, mas também levantando desafios éticos, técnicos e clínicos. Seu uso em análise de imagens cutâneas, diagnóstico, monitoramento de tratamentos e personalização de skincare tem crescido rapidamente, conforme apontam revisões recentes da literatura.

A maior parte das ferramentas de IA utiliza técnicas de visão computacional e redes neurais profundas para analisar fotos ou vídeos da pele. Esses algoritmos aprendem padrões a partir de grandes bases de dados e podem identificar lesões, texturas, pigmentações e até sugerir classificações de risco. Quando bem treinados, modelos podem superar a acurácia de especialistas humanos em tarefas específicas. Além disso, a IA pode acompanhar a evolução da pele, comparando imagens ao longo do tempo, o que é útil para monitorar tratamentos estéticos, detectar pequenas alterações e medir resultados de forma objetiva.

Apesar do potencial, há limitações importantes. Um desafio central é o viés nos dados de treino. Muitos modelos foram desenvolvidos com bases que não representam adequadamente todos os tipos de pele, especialmente tons mais escuros, o que pode reduzir a acurácia e gerar diagnósticos incorretos ou recomendações inadequadas. Outro ponto crítico é a falta de explicabilidade: muitos algoritmos funcionam como uma “caixa-preta”, tornando difícil entender ou validar suas decisões. Além disso, a regulação dessas tecnologias ainda é incipiente, o que torna a implementação segura um desafio.

A IA também levanta questões éticas e de privacidade. Como trabalha com imagens faciais, dados extremamente sensíveis, é fundamental garantir armazenamento seguro, uso autorizado e políticas claras de consentimento. Estudos recentes indicam que princípios éticos como justiça, inclusão, transparência, responsabilidade e confiabilidade devem nortear o desenvolvimento e a aplicação desses sistemas. A equidade é um aspecto central: algoritmos que não foram treinados em uma população diversificada podem favorecer certos grupos e prejudicar outros.

Mesmo com limitações, a IA apresenta aplicações úteis na estética. Ela permite avaliação objetiva de textura, manchas e rugas, facilita o acompanhamento do progresso de tratamentos, apoia a personalização de produtos e procedimentos e aumenta o engajamento dos usuários com a saúde da pele. Quando integrada de forma responsável à prática clínica, a IA pode complementar o trabalho do profissional, mas nunca substituí-lo.

O futuro da IA na estética aponta para uma integração ainda maior com aparelhos clínicos, plataformas de teledermatologia e produtos dermocosméticos personalizados. Para isso, é essencial que os modelos sejam treinados em conjuntos de dados diversos, que suas decisões sejam explicáveis e que profissionais de saúde continuem envolvidos, garantindo uso seguro, ético e eficaz.

 

A Inteligência Artificial trouxe inovação e praticidade ao universo da estética, mas ainda possui limitações significativas. Ela pode apoiar o cuidado com a pele, fornecendo informações rápidas e objetivas, mas não substitui profissionais qualificados nem fornece diagnóstico clínico. O uso seguro e eficiente da tecnologia depende da combinação entre ferramentas inteligentes, supervisão humana, ética e regulamentação adequada.

Referências Bibliográficas:

  1. Zbrzezny, A. M., & Krzywicki, T. Artificial Intelligence in Dermatology: A Review of Methods, Clinical Applications, and Perspectives. Applied Sciences, 2025. http://www.mdpi.com/2076-3417/15/14/7856

  2. Daneshjou, R., Vodrahalli, K., Novoa, R. A., Jenkins, M., et al. Disparities in Dermatology AI Performance on a Diverse, Curated Clinical Image Set. arXiv, 2022. http://arxiv.org/abs/2203.08807

  3. Ethical considerations for artificial intelligence in dermatology: a scoping review. British Journal of Dermatology, 2024. http://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38330217

Autora:

Bruna Fernanda da Silva Freitas, aluna do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e colaboradora do Portal Ciência e Consciência.

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CIÊNCIA E CONSCIÊNCIA-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/ciencia-e-consciencia/2025/11/18/metanol-na-bebida-o-perigo-invisivel-no-copo Tue, 18 Nov 2025 18:05:58 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/ciencia-e-consciencia/?p=611

Imagine que você vai a uma festa com amigos, consome a mesma quantidade de bebida alcoólica de sempre e, algumas horas depois, começa a sentir uma dor de cabeça intensa, náuseas, mal-estar semelhante a ressaca e até mudanças estranhas na visão…

 

Se isso acontecer, é possível que você tenha ingerido uma bebida contaminada com metanol. Situações como essa têm sido relatadas recentemente na mídia e preocupam cada vez mais quem consome bebidas alcoólicas, especialmente quando a procedência não é garantida.

Mas afinal, o que é o metanol?

            O metanol (ou álcool metílico) é um líquido incolor, de fórmula molecular CH3OH. Ele também pode ser chamado de hidroximetano, álcool de madeira ou reverberatório, e é inflamável e facilmente dissolvido em água, podendo ser usado em várias atividades industriais. Ele é extremamente tóxico ao corpo humano, pois apresenta rápida absorção pelas membranas gastrointestinais, cutâneas e mucosas, permanecendo no corpo de 12 a 24 horas, ou até de 30 a 52 horas na presença do etanol, que é o álcool das bebidas. Ou seja, quando há presença de metanol e etanol, o metanol tende a permanecer no nosso organismo por mais tempo, sendo muito mais prejudicial.

 

Por que o metanol é tão perigoso?

            Dentro do organismo, o metanol é convertido em substâncias altamente tóxicas, como formaldeído e ácido fórmico, responsáveis pelo quadro conhecido como acidose metabólica — quando há acúmulo de ácidos no sangue, reduzindo o pH.

Esses metabólitos aumentam as espécies reativas de oxigênio, levando à lesão oxidativa de tecidos, incluindo danos diretos à retina. É por isso que alterações visuais, como visão turva e sensibilidade à luz, são tão comuns na intoxicação e podem evoluir para cegueira irreversível.

 

Como identificar uma possível intoxicação?

Os sintomas costumam surgir entre 6 e 24 horas após o consumo da bebida — podendo chegar a 96 horas quando há álcool comum junto.

Os sinais incluem:

-Náuseas e vômitos

-Dor abdominal

-Dor de cabeça intensa

-Sudorese

-Confusão mental

-Convulsões

-Alterações visuais (visão borrada, fotofobia)

-Em casos graves, cegueira permanente

Diante desses sintomas, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente.

 

Tratamento: o que existe hoje?

            Além do uso tradicional do etanol farmacêutico como antídoto, o Ministério da Saúde passou a distribuir o fomepizol, que impede a conversão do metanol em seus metabólitos tóxicos. Isso reduz o risco de acidose metabólica e melhora o prognóstico. Porém, não se automedique: somente profissionais de saúde podem avaliar o quadro e administrar o tratamento adequado. Lembre-se, quanto antes realizado o tratamento, maiores as chances de sair sem grandes danos!

 

Como se proteger?

Embora o Ministério da Saúde não recomende o consumo de álcool, caso você opte por consumir, siga estas orientações:

  • Compre bebidas apenas em locais confiáveis e autorizados.
  • Evite produtos sem rotulagem ou com preços muito abaixo do comum.
  • Observe o lacre: se estiver torto, mal encaixado ou violado, não consuma.
  • Em caso de suspeita, procure atendimento médico e, se possível, leve a embalagem da bebida para análise.

 

 

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de evitar danos graves.

Referências Bibliográficas:

  1. ARIAS, C. E. N.; ROMERO, C.; LA ROTA, G. Intoxicación por metanol. Acta Neurol Colomb. vol.41 no.2 Bogotá abr./jun. 2025 Epub Junho 24, 2025.

  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde recebe lote com 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol. Disponível em: <Ministério da Saúde recebe lote com 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol — Ministério da Saúde>. Acesso em: 16 out. 2025. 

  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Estados e municípios recebem novas orientações para atendimento e notificação de casos de intoxicação por metanol. Disponível em: <Estados e municípios recebem novas orientações para atendimento e notificação de casos de intoxicação por metanol — Ministério da Saúde>. Acesso em: 16 out. 2025.

  4. BRASIL. Ministério da Saúde. NOTA TÉCNICA CONJUNTA Nº 376/2025-SVSA/SAES/SECTICS/MS. Disponível em: <Nota Técnica Conjunta nº 376/2025-SVSA/SAES/SECTICS/MS — Ministério da Saúde>. Acesso em: 16 out. 2025

Autora:

Giovana Bolzan, acadêmica de enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e colaboradora do Portal Ciência e Consciência.

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A busca por um corpo musculoso e definido vem crescendo a cada ano, principalmente com a divulgação em massa de “corpos perfeitos” nas redes sociais e o uso crescente de substâncias sintéticas por famosos. Uma maneira rápida de conquistar o físico dos sonhos é a utilização de esteróides anabólico-androgênicos (EAA), que são versões sintéticas da testosterona, o principal hormônio sexual masculino. Entretanto, essa alternativa, frequentemente divulgada como uma opção “natural” por ser um hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano, pode causar sérios problemas à saúde, quando se trata de suplementação.

Os EAA atuam tanto como anabolizantes, tendo efeitos sobre características sexuais secundárias, como crescimento de pelos e engrossamento da voz. E como esteróides, que agem estimulando o corpo a produzir e reter mais proteínas nos músculos, o que ajuda no crescimento e fortalecimento muscular, dando o aspecto de músculos mais definidos.

O uso de esteróides anabolizantes (EAAs) sem indicação médica começou na década de 1950, principalmente entre levantadores de peso e atletas, com o objetivo de aumentar a massa muscular e a força. Nas últimas décadas, essa prática se expandiu para atletas recreacionais, mulheres e adolescentes, buscando fins estéticos ou de melhora de desempenho. No Brasil, um estudo realizado em Porto Alegre com praticantes de musculação encontrou prevalência de 11,1% de usuários de EAAs em academias, o que mostra que a utilização dessas substâncias está alcançando pessoas fora do meio esportivo. 

Os anabolizantes podem ser administrados de diferentes formas, como por injeção, via oral (em comprimidos), adesivos transdérmicos ou implantes hormonais. Entre esses, destaca-se o chamado “chip da beleza”, um tipo de implante que se popularizou especialmente entre mulheres que buscam melhorar a aparência física, promover o emagrecimento e aliviar sintomas da menopausa, como cansaço e desconforto. Esses dispositivos geralmente contêm hormônios como testosterona, gestrinona e oxandrolona. No entanto, não há comprovação científica de sua eficácia, e seu uso pode representar sérios riscos à saúde, uma vez que envolve substâncias anabolizantes.

Esses hormônios sintéticos afetam todo o corpo e, embora possam gerar resultados rápidos na aparência, trazem riscos sérios e duradouros como elevação dos níveis de colesterol e impotência sexual. No sistema cardiovascular o uso exagerado aumenta a pressão arterial e a força com que o coração precisa trabalhar, há associação com infarto ou parada cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC), arteriopatias dos membros inferiores que são os estreitamentos ou obstruções das artérias que levam sangue para pernas e pés, aumentando o risco de amputações. No fígado, as substâncias podem provocar intoxicação e insuficiência hepática, já que esse órgão precisa eliminar o excesso de hormônios artificiais. Ainda, há associação entre aparecimento de câncer no fígado e na próstata com o uso de EAAs

 

Também são comuns mudanças de humor, como irritação, agressividade e ansiedade, que afetam o convívio social e a saúde mental. Além disso, pode haver queda na libido, já que o corpo passa a produzir menos testosterona naturalmente. Nos músculos e ossos, o risco de ruptura de tendões aumenta, porque o crescimento muscular é rápido demais para a estrutura corporal acompanhar. Na pele, surgem acnes, espinhas e manchas, e em alguns casos até queda de cabelo.

A utilização de anabolizantes com fins estéticos é proibida no Brasil, e a sua comercialização só pode ser realizada com receita médica, em drogarias e farmácias, conforme determina a ANVISA e o Conselho Federal de Medicina. 

 

Atualmente, a principal indicação do tratamento com andrógenos por médicos especialistas é a terapia de reposição no hipogonadismo masculino orgânico (baixos níveis de testosterona). Também pode ser utilizado na terapia hormonal transgênero, tratamento de queimaduras e em alguns casos de HIV.

 

Em síntese, os esteróides anabólico-androgênicos podem até promover mudanças rápidas no corpo, mas colocam em risco a saúde física e mental. Seus efeitos colaterais, muitas vezes graves e irreversíveis, superam qualquer ganho estético temporário. Cuidar do corpo de forma segura e consciente — por meio de exercícios regulares, alimentação equilibrada, sono de qualidade e manejo do estresse — é a verdadeira chave para um bem-estar duradouro e saudável.

Referências Bibliográficas:

  1. ARIAS, C. E. N.; ROMERO, C.; LA ROTA, G. Intoxicación por metanol. Acta Neurol Colomb. vol.41 no.2 Bogotá abr./jun. 2025 Epub Junho 24, 2025.

  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde recebe lote com 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol. Disponível em: <Ministério da Saúde recebe lote com 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol — Ministério da Saúde>. Acesso em: 16 out. 2025. 

  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Estados e municípios recebem novas orientações para atendimento e notificação de casos de intoxicação por metanol. Disponível em: <Estados e municípios recebem novas orientações para atendimento e notificação de casos de intoxicação por metanol — Ministério da Saúde>. Acesso em: 16 out. 2025.

  4. BRASIL. Ministério da Saúde. NOTA TÉCNICA CONJUNTA Nº 376/2025-SVSA/SAES/SECTICS/MS. Disponível em: <Nota Técnica Conjunta nº 376/2025-SVSA/SAES/SECTICS/MS — Ministério da Saúde>. Acesso em: 16 out. 2025

Autora:

Giovana Bolzan, acadêmica de enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e colaboradora do Portal Ciência e Consciência.

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Certamente você conhece alguém que já teve trombose, mas imagino que não tenha pensado sobre o quanto ela pode ser perigosa.

Afinal, como essa doença acontece?

A trombose ocorre quando um coágulo de sangue se forma dentro de um vaso sanguíneo e atrapalha a passagem do sangue, bloqueando a circulação. O tipo mais comum é a trombose venosa profunda (TVP), que geralmente aparece nas pernas. O grande perigo é que esse coágulo pode se soltar e ir parar nos pulmões, causando a temida embolia pulmonar – uma situação que pode ser grave e até mesmo fatal.

 

Para chamar atenção sobre esse problema, foi criado em 2014 o Dia Mundial da Trombose. A data escolhida, 13 de outubro, marca o aniversário do médico e cientista alemão Rudolf Virchow, que estudou a causa da trombose. Ele descreveu a chamada “tríade de Virchow”, que explica que a trombose surge pela combinação de três fatores: lesão na parede interna dos vasos, alterações no sistema de coagulação e mudanças no fluxo normal do sangue.

Alguns fatores aumentam o risco de trombose, como idade avançada, câncer, cirurgias, internações prolongadas, uso de anticoncepcional, tabagismo e falta de movimentação. Além disso, algumas pessoas têm uma predisposição genética ou adquirida para formar coágulos, o que chamamos de trombofilias. Em até 80% dos casos, é possível identificar pelo menos um fator de risco.

 

Quais são os sinais de alerta?

Os principais sintomas que devem levar à procura de um médico são: inchaço repentino, vermelhidão ou calor na perna, dor ou sensibilidade na panturrilha, pele endurecida e falta de ar de início súbito. Mas atenção: algumas pessoas podem não ter sintomas no começo, por isso quem faz parte dos grupos de risco precisa receber orientações específicas.

 

Como prevenir?

Alguns hábitos ajudam muito a evitar a trombose: praticar exercícios físicos regularmente, não fumar, manter-se ativo e evitar longos períodos sentado ou deitado, principalmente em viagens longas ou no trabalho.

 

E o tratamento?

Assim que o diagnóstico é confirmado, o tratamento deve começar. Ele depende de cada caso, mas geralmente envolve o uso de medicamentos anticoagulantes, que “afinam” o sangue. O objetivo é evitar que o coágulo cresça, se solte ou que novos coágulos se formem. Em alguns casos pode ser necessária a internação hospitalar, mas em outros o tratamento pode ser feito em casa, sempre com orientação médica.

 

Fique de olho!

 

Apesar da trombose ser uma doença frequente e com risco de complicações graves, muitos casos podem ser prevenidos e tratados com sucesso através da manutenção de hábitos saudáveis e atenção aos sinais de alerta. Então compartilhe este conteúdo com quem você conhece, pois a informação é a melhor forma de proteção! 

Referências Bibliográficas:

  1. http://bvsms.saude.gov.br/trombose/

  2. OCAK, G., VOSSEN, C.Y., VERDUIJN, M., DEKKER, F.W., ROSENDAAL, F.R., CANNEGIETER, S.C., ET AL. Risk of venous thrombosis in patients with major illnesses: results from the MEGA study. Journal of Thrombosis and Haemostasis, v.11, n.1, p.116-123, Jan. 2013.

  3. SPENCER, F.A., EMERY, C., LESSARD, D., ANDERSON, F., EMANI, S., ARAGAM, J., ET AL. The Worcester Venous Thromboembolism study: a population-based study of the clinical epidemiology of venous thromboembolism. Journal of General Internal Medicine, v.21, n.7, p.722-727, Jul. 2006.

  4. ROGERS, M.A., LEVINE, D.A., BLUMBERG, N., FLANDERS, S.A., CHOPRA, V., LANGA, K.M. Triggers of hospitalization for venous thromboembolism. Circulation, v.125, n.17, p.2092-2099, may. 2012.

  5. CHANG, W.T., CHANG, C.L., HO, C.H., HONG, C.S., WANG, J.J., CHEN, Z.C. Long-Term Effects of Unprovoked Venous Thromboembolism on Mortality and Major Cardiovascular Events. Journal of the American Heart Association, v.6, n.5, p.e005466, may. 2017.

  6. http://www.worldthrombosisday.org

Autora:

Andressa Duarte Seehaber, médica geriatra, mestranda do PPG de Gerontologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e colaboradora do Portal Ciência e Consciência.

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     Um esquecimento aqui, um esquecimento ali… e logo alguém já pensa: será que estou com Alzheimer? Essa doença atinge muitas pessoas atualmente, porém o que ainda não é muito divulgado é que muitas vezes ela começa a aparecer com outros sintomas que não a perda de memória.

      Alguns estudos têm mostrado que curiosamente a perda da capacidade de sentir cheiros – conhecida como perda olfatória ou anosmia – pode ser um dos primeiros sinais da Doença de Alzheimer. Nessa doença, há duas partes do sistema nervoso que são comumente afetadas, o locus coeruleus – estrutura localizada no tronco cerebral que é a principal fonte de noradrenalina no cérebro- e o próprio sistema noradrenérgico em si. A noradrenalina é um neurotransmissor do sistema nervoso que atua em situações em que o sistema simpático está ativado, ou seja, é como se fosse um “turbo” do corpo que ajuda a controlar o estado de alerta, como quando se precisa reagir rapidamente a alguma situação de perigo. 

      Mas você pode estar pensando: onde entra a questão de sentir cheiro nisso tudo? Têm-se estudado que a perda da condução axonal – ou seja, a perda da transmissão do “turbo” (noradrenalina) pelo corpo – da noradrenalina em relação ao bulbo olfatório – região do cérebro responsável por receber e processar os cheiros que sentimos– coincide com a perda olfatória que ocorre na doença de Alzheimer.

     Claro que existem diversos outros fatores que podem levar à perda da capacidade de sentir cheiros, então não precisa haver desespero caso tenha esse sintoma! Para a melhor avaliação há diferentes testes que podem ser usados e muitos outros fatores que devem ser levados em consideração. Há também o fato de que muitos estudos realizados até o momento mostraram a relação entre a perda da noradrenalina e da sua conexão com o bulbo olfatório em modelos de ratos ou em tecidos post-mortem ( ou seja, análises após a morte).

      Embora ainda relativamente não seja totalmente demonstrado como ocorre a perda da capacidade de sentir cheiros na doença de Alzheimer, a possibilidade de ser uma das primeiras manifestações e possibilitar assim um provável diagnóstico mais precoce da doença leva-nos a pensar ser essa uma grande descoberta.

 

      E você, o que achou dessa novidade tão diferente e interessante? 

Referências Bibliográficas:

1. MEYER, C. et al.. Early Locus Coeruleus noradrenergic axon loss drives olfactory dysfunction in Alzheimer’s disease. Nature communications, 2025. Disponível em: http://www.nature.com/articles/s41467-025-62500-8#citeas

2. MCLAREN, A. M. R. et al.. Olfactory Dysfunction and Alzheimer’s Disease: a Review. Journal of Alzheimer’s Disease, 2024. Disponível em: http://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38728185/

3. LIAO, W. et al.. The current status and challenges of olfactory dysfunction study in Alzheimer’s Disease. Ageing Research Reviews, 2024. Disponível em: http://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39127444/

4. DAN, X. et al.. Olfactory dysfunction in aging and neurodegenerative diseases. Ageing Research Reviews, 2021. Disponível em: http://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34325072/

 

5. ELHABBARI, K. et al.. Olfactory deficits in aging and Alzheimer’s – spotlight on inhibitory interneurons. Frontiers in Neuroscience, 2024. Disponível em: http://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39737436/

 

Autora:

Paula Köhler Carpilovsky, pós-graduanda do Mestrado Profissional em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e colaboradora do Portal Ciência e Consciência.

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A busca pelo emagrecimento vem crescendo cada vez mais nos últimos anos. Muitas pessoas desejam perder peso não apenas por questões estéticas, mas também como forma de melhorar a saúde e reduzir riscos de doenças como hipertensão, diabetes e complicações cardiovasculares. No entanto, o processo de emagrecimento costuma ser lento, exigindo mudanças no estilo de vida, como a busca por uma alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, sono adequado e manejo do estresse. Esse caminho muitas vezes é desafiador, levando parte da população a procurar alternativas que acelerem os resultados, entre elas as chamadas “canetas emagrecedoras”.

Esses medicamentos injetáveis ganharam destaque nos últimos anos. Eles funcionam imitando a ação de hormônios naturais ligados à fome e à saciedade. O exemplo mais famoso é o Ozempic, cujo princípio ativo é a semaglutida. Originalmente aprovado para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2, o fármaco estimula a secreção de insulina pelas células do pâncreas, agindo de maneira semelhante ao GLP-1, um hormônio incretina secretado pelas células L do intestino, que regula os níveis de glicose no sangue e a atividade do glucagon, outro hormônio envolvido no controle da glicemia. O GLP-1, ao estimular a secreção de insulina, também provoca diminuição do apetite, aumento da sensação de saciedade e retardamento do esvaziamento gástrico. Esses efeitos facilitam o processo de emagrecimento, e é por isso que o medicamento Ozempic se popularizou entre pessoas que buscam alternativas para perder peso.

Contudo, o Ozempic não é a única opção disponível. Outro medicamento amplamente estudado é a liraglutida (Saxenda), também um agonista do receptor de GLP-1, usada especificamente para o tratamento da obesidade em doses maiores que as empregadas para o diabetes. Mais recentemente, a tirzepatida (Mounjaro) se destacou por atuar em dois hormônios ao mesmo tempo, o GLP-1 e GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose), o que potencializa o efeito na perda de peso. Em estudos clínicos de fase 3, participantes chegaram a perder em média mais de 15% do peso corporal em pouco mais de um ano de tratamento.

Apesar de todo esse avanço, cresce também o “uso off-label” (fora da indicação oficial em bula) dessas medicações. Muitas pessoas, sem diagnóstico de diabetes ou obesidade, têm recorrido a essas canetas apenas por desejo estético de emagrecimento. Esse comportamento é preocupante, pois o uso sem acompanhamento médico pode causar efeitos adversos como náuseas, vômitos, diarreia, constipação, refluxo e até complicações mais graves, como pancreatite. Além disso, ao suspender o tratamento sem mudanças no estilo de vida, há risco de efeito rebote, com recuperação do peso perdido.

Outro aspecto que explica a rápida popularização dessas medicações é o fim das patentes de alguns desses fármacos, o que abre caminho para versões genéricas ou biossimilares mais baratas. Se, por um lado, isso amplia o acesso, por outro pode favorecer o uso indiscriminado, sem orientação adequada, aumentando os riscos para pessoas que não têm indicação clínica.

A obesidade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma doença crônica, multifatorial, relacionada a fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Portanto, seu tratamento deve ser amplo, envolvendo médicos, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos. As canetas emagrecedoras representam um avanço importante no arsenal terapêutico, mas não devem ser vistas como soluções mágicas. Elas são ferramentas que podem ajudar no tratamento, especialmente em pacientes com obesidade ou doenças associadas, mas precisam ser acompanhadas por mudanças de hábitos e acompanhamento profissional.

 

Em resumo, o emagrecimento pode ser um processo bastante desafiador para quem passa, e que necessita de muita paciência e apoio de todos que estão em volta. A mudança de hábitos, a busca por uma alimentação saudável e a realização de exercício físico são elementos chave para conseguir a tão sonhada mudança, seja ela por motivos estéticos ou por questões de saúde. O uso de remédios como o Ozempic ou demais medicamentos nunca deve ser a primeira e única opção, e deve vir sempre seguida por acompanhamento médico.

Referências Bibliográficas:

JASTREBOFF, A. M. et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity. New England Journal of Medicine, v. 387, n. 3, p. 205–216, 2022.

CLÉMENT, K. et al. Efficacy and safety of setmelanotide, an MC4R agonist, in individuals with severe obesity due to LEPR or POMC deficiency: phase 3 trials. The Lancet Diabetes & Endocrinology, v. 8, n. 12, p. 960–970, 2020.

PI-SUNYER, X. et al. A Randomized, Controlled Trial of 3.0 mg of Liraglutide in Weight Management. New England Journal of Medicine, v. 373, p. 11–22, 2015.

DAVIES, M. J. et al. Liraglutide and Cardiovascular Outcomes in Type 2 Diabetes. New England Journal of Medicine, v. 377, p. 311–322, 2017.

 

WILDING, J. P. H. et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. New England Journal of Medicine, v. 384, p. 989–1002, 2021.

 

Autora:

Débora Luísa Filipetto Pulcinelli, acadêmica do curso de Farmácia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e colaboradora do Portal Ciência e Consciência.

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Bumbum empinado, rostos esticados, cinturas afinadas e pernas delineadas se tornaram o desejo de muitas mulheres — e até mesmo de homens — que buscam um corpo dentro do chamado “perfil ideal”. Na sociedade atual, movida por aparências e padrões inalcançáveis, procedimentos estéticos são cada vez mais procurados como forma de atender a esse suposto ideal de beleza. Contudo, nesse processo, os riscos à saúde acabam sendo frequentemente ignorados ou minimizados, seja pela indústria, pela medicina ou pelos próprios pacientes.

Um marco histórico aconteceu em 11 de agosto de 2025, quando a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) publicou uma  declaração com mais de 6.000 mulheres, reconhecendo oficialmente a chamada Doença do Silicone (Breast Implant Illness — BII) como uma condição clínica real. O estudo mostrou que os implantes mamários podem causar inflamações graves, reações alérgicas, presença de biofilmes bacterianos — que aumentam o risco de infecções — e até a liberação de metais pesados no organismo. Esses processos foram associados a sintomas como fadiga intensa, dores crônicas, insônia e mal-estar generalizado, sintomas que muitas vezes só melhoram após a retirada do implante.

Outro levantamento importante foi realizado por Ferreira e colaboradores, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em Portugal. Eles analisaram 33 estudos que investigaram a Doença do Implante Mamário, somando 6.048 pacientes. Mais de 60% desses trabalhos foram publicados na última década (2014–2024), o que mostra o crescimento do interesse científico sobre o tema. A média de idade das mulheres foi de 46 anos (com variação entre 39,2 e 54,0 anos). Em média, os sintomas começaram a aparecer 6,4 anos após a cirurgia, e o tempo entre a colocação e a retirada do implante foi de aproximadamente 12 anos.

Os resultados confirmaram que a BII pode afetar diferentes sistemas do corpo. Os sintomas mais comuns foram: fadiga, dores musculares e articulares, dificuldades de memória e concentração, problemas de sono e sinais de inflamação generalizada. Além disso, foram encontradas associações com doenças autoimunes e complicações próprias dos implantes, como ruptura e endurecimento, que agravam o quadro clínico. Embora fatores emocionais e psicológicos também influenciam a percepção da doença, as evidências científicas mostram claramente que existe um processo físico e imunológico real.

A pesquisa ainda revelou que a remoção dos implantes (explante) trouxe melhora significativa para cerca de 8 em cada 10 mulheres, com redução de mais da metade dos sintomas relatados. Isso reforça a importância de que cada paciente seja bem informado antes da cirurgia e acompanhado de perto após o procedimento.

Apesar de a BII ainda não ser unanimidade entre médicos, órgãos internacionais como o FDA (EUA) já reconhecem sua relevância e orientam com maior cuidado. A Doença do Implante Mamário deve ser levada a sério. A saúde precisa estar sempre acima da estética, e as mulheres afetadas merecem informação clara, respeito e acompanhamento adequado.

 

 

Referências Bibliográficas:

1.      FERREIRA S. BARROS A. S. MARQUES M. Breast Implant Illness: Symptoms, Outcomes with Explantation and Potential Etiologies-A Systematic Review and Meta-analysis. Aesthetic Plast Surg. 2025. Disponível em: http://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40788544/

2.      GLICKSMAN, C, A. et al. Patient Safety Advisory—Breast Implant Removal and Capsulectomy. Spring Nature. v. 47, p. 1666- 1668, 2023. 

Autora:

Graziela Moro Meira, acadêmica do curso de Farmácia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e colaboradora do Portal Ciência e Consciência.

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Você já sentiu o coração acelerar sem motivo? Ficou com a mente agitada, como se tivesse mil pensamentos ao mesmo tempo e nenhum deles tivesse solução? Muitas pessoas têm vivido isso nos últimos anos, e não é exagero dizer que a ansiedade se tornou uma das queixas mais comuns entre adolescentes e adultos jovens. Mais do que um sentimento de nervosismo ocasional, a ansiedade pode ser um sinal de que o corpo e a mente estão pedindo ajuda.

A ansiedade, em si, é uma reação natural do organismo a situações de estresse ou ameaça. Ela faz parte da nossa evolução como espécie: quando nossos ancestrais precisavam fugir de um perigo, o corpo entrava em estado de alerta, acelerava os batimentos cardíacos e preparava os músculos para agir. Esse mecanismo continua funcionando hoje, mas, em vez de fugirmos de predadores, lidamos com provas, com a pressão por desempenho acadêmico e profissional, com o medo de fracassar e com as incertezas sobre o futuro. O problema começa quando essa sensação de alerta se torna frequente, intensa e fora de proporção, afetando o sono, a concentração e a vida social como um todo.

É aí que entra o transtorno de ansiedade. Do ponto de vista médico, o transtorno de ansiedade é quando o medo ou a preocupação passam a ser intensos, frequentes e difíceis de controlar. Segundo o DSM-5 (um manual usado por profissionais de saúde mental), isso acontece quando os sintomas duram por pelo menos seis meses e causam sofrimento ou prejuízos na rotina da pessoa. E não é só na cabeça: a ansiedade também se manifesta no corpo através do coração acelerado, falta de ar, dores musculares, insônia, dificuldade de concentração, irritabilidade… tudo isso pode estar relacionado.

Além disso, existem diferentes tipos de transtornos de ansiedade, como o transtorno de ansiedade generalizada, o transtorno de pânico, a fobia social e outros, cada um com suas particularidades, mas todos impactam significativamente a qualidade de vida. O que chama atenção é que, atualmente, os jovens são o grupo que mais tem apresentado sintomas ansiosos. Dados recentes da Rede de Atenção Psicossocial do SUS revelam que, pela primeira vez no Brasil, o número de crianças e adolescentes com transtornos de ansiedade superou o de adultos.

Mas, por que isso está acontecendo? As causas são múltiplas. A pressão interna e externa por produtividade e sucesso, o medo de não “dar conta” de tudo, a constante comparação irreal que é imposta pelas redes sociais e o aumento de estímulos gerados no cérebro tem deixado muitos jovens esgotados mentalmente. A pandemia da Covid-19 também teve um papel importante, pois interrompeu rotinas, intensificou o isolamento social e aumentou o sentimento de vulnerabilidade.

O importante nesse contexto todo é ficar atento aos sinais! Se você sente que está sempre no limite, preocupado com tudo, tendo dificuldades para dormir ou se concentrar, tem pensamentos repetitivos, sinais de dificuldade respiratória, aceleração de batimentos cardíacos ou vive no modo “tensão constante”, talvez seja hora de olhar com mais carinho para isso. E a boa notícia é que existe tratamento para esse quadro.

Procurar ajuda especializada é uma medida necessária quando os sintomas de ansiedade começam a interferir significativamente na vida cotidiana. Assim como outras condições de saúde, os transtornos mentais exigem acompanhamento adequado, e o suporte profissional pode contribuir para um diagnóstico preciso e para a escolha do tratamento mais eficaz. Falar sobre saúde mental de forma aberta e sem estigmas é essencial, especialmente considerando o aumento dos casos entre jovens.

A terapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental (TCC), é uma ferramenta muito eficaz para ajudar a identificar e modificar padrões de pensamento que alimentam a ansiedade. Em alguns casos, o uso de medicamentos ansiolíticos ou antidepressivos pode ser indicado, sempre com orientação médica. Além disso, hábitos saudáveis como a prática de exercícios físicos, sono de qualidade, alimentação equilibrada, pausas das redes sociais e momentos de lazer e descanso fazem a diferença no controle dos sintomas.

 Se você sente que a ansiedade tem te atrapalhado a viver bem, converse com alguém de confiança e, se possível, procure apoio profissional. O mundo anda pesado mesmo, e você não precisa lidar com tudo sozinho!

Referências Bibliográficas:

  1. Mariani, Daniel, et al. “Registros de Ansiedade Entre Crianças E Jovens Superam Os de Adultos Pela 1a Vez No Brasil.” Folha de S.Paulo, 31 May 2024. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folhateen/2024/05/registros-de-ansiedade-entre-criancas-e-jovens-superam-os-de-adultos-pela-1a-vez.shtml
  2. Tian, Jinrui, et al. “The Impact of Upward Social Comparison on Social Media on Appearance Anxiety: A Moderated Mediation Model.Behavioral Sciences, Dec 2024. Disponível em: http://doi.org/10.3390/bs15010008
  3. Anderson, Thea L, et al. Contributing Factors to the Rise in Adolescent Anxiety and Associated Mental Health Disorders: A Narrative Review of Current Literature.” Journal of Child and Adolescent Psychiatric Nursing, vol. 38, no. 1, 30 Dec. 2024. Disponível em: http://doi.org/10.1111/jcap.70009

Autora:

Julia Piton, acadêmica do curso de Medicina da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e colaboradora do Portal Ciência e Consciência.

 Lattes: http://lattes.cnpq.br/7318426348944373

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O sono desempenha um papel crucial na manutenção da saúde física e mental, sendo essencial para a recuperação do organismo e o equilíbrio de diversas funções biológicas, fundamental para a capacidade de aprendizado, o bem-estar emocional e a consolidação da memória, e um pilar indispensável para a qualidade de vida.

Durante o período noturno, o indivíduo geralmente passa por quatro a seis ciclos de sono, cada um composto por quatro estágios distintos: três estágios não-REM (N1, N2, N3) e o estágio REM. O estágio REM é particularmente associado à ocorrência dos sonhos, que é considerada uma atividade cerebral comum durante o sono. Todo indivíduo ao dormir sonha, mas nem todos lembram dos sonhos. Antes de chegar no estágio REM, o corpo passa pelos três estágios não-REM, sendo o N3 caracterizado pela ocorrência do sono profundo. 

O sono profundo geralmente tem uma duração média de 70 a 90 minutos e ocorre predominantemente nas primeiras horas do ciclo de sono. Sabe-se que durante esse período, há uma redução significativa na frequência cardíaca, no tônus muscular e na taxa respiratória, enquanto as ondas cerebrais apresentam um padrão de baixa frequência e alta amplitude (padrões rítmicos da atividade elétrica dos neurônios ficam lentos), refletindo uma atividade neuronal mais sincronizada. Devido a essas características, o despertar torna-se mais difícil nesse estágio. Cientistas se questionam e acreditam que, enquanto dormimos, o cérebro é responsável por recordar de tudo que foi vivenciado no dia a dia, fazendo com que a memória de curto prazo, que está presente em uma região denominada hipocampo consiga levar essa informação para outra região conhecida como neocórtex, onde vai ocorrer a consolidação da memória de longo prazo.

Há duas décadas, cientistas sabiam que as ondas cerebrais lentas e síncronas do sono profundo são importantes para a formação da memória, todavia, eles não sabiam o porquê desse fato acontecer, até o presente momento. Pesquisadores da Universidade de Charité, em Berlim, na Alemanha, analisaram tecido cerebral humano do neocórtex intacto de 45 pacientes que tinham passado por cirurgia para tratar epilepsia ou tumores cerebrais, para entender os processos que guiam a formação de memórias no sono profundo. Com um equipamento, eles simularam as flutuações síncronas de voltagem dos neurônios do sono profundo e analisaram a resposta das células nervosas.

Os cientistas observaram que as ondas cerebrais lentas são responsáveis por influenciar a força das conexões sinápticas entre os neurônios da região do neocórtex, ou seja, no sono profundo, essa região do cérebro está mais receptiva a novas informações. Em algum momento específico que está ocorrendo a saída de energia baixa para a região do neocórtex, ocorre uma saturação e, consequentemente, um aumento de energia, fazendo com que as conexões sinápticas dos neurônios aumentem ao máximo. Durante o período que está ocorrendo esse recebimento de energia, se o cérebro se lembra de alguma memória que vivenciou ao longo do dia, ela acaba por ser transferida para o armazenamento de longo prazo. Por conta disso que no sono profundo novas memórias são formadas, mesmo por esse curto período de conectividade.

Entender como a memória pode ser consolidada pode auxiliar em terapias para melhorar a memória de indivíduos idosos que tenham problemas com suas lembranças, ou até mesmo para pessoas portadoras de doença neurodegenerativa, como é o caso do Alzheimer. Usar impulsos elétricos sutis ou sinais acústicos para influenciar as ondas cerebrais durante o sono, pode ser um caminho para melhorar a memória de quem necessita. Mais estudos devem ser feitos para elucidar os supostos mecanismos do armazenamento de memória a longo prazo.

Referências Bibliográficas:

1. MITTERMAIER, F. X. et al. Estados potenciais de membrana bloqueiam a consolidação sináptica no tecido neocortical humano. Comunicações da Natureza, v 10340, n. 15, 2024. Disponível em: http://www.nature.com/articles/s41467-024-53901-2

volume

2. REVISTA SUPER INTERESSANTE Disponível em: http://super.abril.com.br/ciencia/por-que-o-sono-profundo-e-importante-para-a-formacao-de-memorias/

3. LOMBROSO, P. Aprendizado e memória. Braz. J. Psychiatry. v. 26, n. 3, 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/j/rbp/a/kFQxYnRjVMs7fG5cffRHCjv/?format=html 

 

Autora:

Graziela Moro Meira, acadêmica do curso de Farmácia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e colaboradora do Portal Ciência e Consciência.

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A Doença de Crohn é uma inflamação crônica do trato gastrointestinal, que costuma afetar mais a região do íleo (parte final do intestino delgado) e o cólon, responsáveis pela absorção de água, sais minerais e vitaminas como K, B1 (tiamina) e B2 (riboflavina). Apesar disso, a doença pode atingir qualquer parte do trato gastrointestinal, acometendo todas as camadas da parede intestinal. Uma de suas características marcantes é a presença de áreas inflamadas intercaladas com tecido saudável, o que dificulta o diagnóstico. A causa da doença não é completamente compreendida, mas acredita-se que esteja relacionada a uma resposta imunológica desregulada, influenciada por fatores genéticos, ambientais, alimentares e infecciosos. A Doença de Crohn afeta igualmente homens e mulheres, sendo mais frequente entre 20 e 40 anos, com maior incidência em fumantes (devido à fumaça do cigarro apresentar efeito inflamatório).

Além disso, diversos fatores contribuem para o desenvolvimento dessa doença, incluindo alterações na motilidade intestinal, caracterizadas por contrações exageradas do intestino, especialmente após a ingestão de alimentos gordurosos ou em situações de estresse. Também se observa uma hipersensibilidade da parede intestinal a estímulos como oxigenação inadequada, infecções e até alterações de origem psicológica. Esses fatores, somados a processos inflamatórios persistentes, infecções e condições como depressão e ansiedade, podem influenciar significativamente no surgimento e agravamento do quadro clínico.

Os sintomas mais comuns da Doença de Crohn incluem dor abdominal, diarreia (com ou sem muco e sangue), febre, perda de peso e enfraquecimento devido à má absorção de nutrientes. Também podem ocorrer manifestações extraintestinais, como dores articulares, aftas, lesões de pele, uveíte (inflamação nos olhos) e formação de pedras nos rins e na vesícula. Entre as complicações mais graves, estão a obstrução intestinal e a formação de fissuras e fístulas (comunicação anormal entre duas ou mais estruturas do corpo que, em condições normais, não se comunicam), sobretudo na região próxima do ânus, ou seja, de perfurações no intestino que podem drenar para a região perineal, para a vagina e para a bexiga.

O diagnóstico é feito a partir da avaliação clínica, histórico do paciente e exames laboratoriais e de imagem. Como os sintomas podem se confundir com outras doenças gastrointestinais, é essencial localizar as áreas afetadas. Os exames utilizados incluem: Colonoscopia, endoscopia digestiva, raios X intestinal (enema opaco), tomografia, ressonância magnética e exames laboratoriais como hemograma, dosagem de proteína C-reativa, ferro e VHS (velocidade de hemossedimentação).

Embora a Doença de Crohn ainda não tenha cura definitiva, o tratamento visa controlar a inflamação, aliviar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A abordagem terapêutica é individualizada, levando em consideração a gravidade, a extensão e a localização da doença, além da resposta aos medicamentos utilizados. O objetivo é manter a remissão clínica, ou seja, um estado em que os sintomas estão ausentes ou reduzidos. Para isso, são utilizados diversos recursos, que podem incluir medicamentos, mudanças na dieta, terapias biológicas e, em alguns casos, cirurgia. Os corticosteroides, como a prednisona, são responsáveis por controlar crises inflamatórias agudas e são eficazes para induzir a remissão, mas seu uso prolongado não é recomendado devido aos efeitos colaterais. Imunomoduladores, que atuam regulando a resposta imunológica do organismo, como azatioprina, 6-mercaptopurina e metotrexato, são utilizados para manter a remissão e reduzir a dependência de corticosteroides.

Além disso, os tratamentos biológicos com anticorpos monoclonais são indicados em casos moderados a graves ou quando os tratamentos convencionais não funcionam. Esses fármacos bloqueiam moléculas específicas envolvidas na inflamação. Para crianças, é usada a nutrição enteral que consiste em uma dieta líquida, rica em nutrientes e de fácil absorção, ajudando a reduzir a inflamação intestinal. É importante destacar que cerca de 57% dos pacientes precisarão de cirurgia em algum momento, devido às obstruções intestinais, fístulas, abscessos, perfurações e hemorragias. A cirurgia não é curativa, mas pode melhorar significativamente os sintomas e a qualidade de vida.

 

Durante os períodos de remissão, a maioria dos pacientes pode levar uma vida praticamente normal, sendo recomendadas algumas medidas para evitar o retorno dos sintomas, como não fumar, praticar exercícios físicos moderados, controlar o estresse na medida do possível, evitar alimentos gordurosos ou ricos em fibras, manter um peso saudável, seguir orientação nutricional especializada e observar o aspecto das fezes, procurando um médico caso observar sinais de sangue.

Referências Bibliográficas:

1. Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn. Disponível em: http://www.abcd.org.br/sobre-a-doenca-de-crohn/ 

2. BRASIL. Ministério da Saúde. 19/5: Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/19-5-dia-mundial-da-doenca-inflamatoria-intestinal 2/#:~:text=O%20Dia%20Mundial%20da%20Doen%C3%A7a,conhecidas%20como%20doen%C3%A7as%20inflamat%C3%B3rias%20intestinais.

3. VEAUTHIER, Brian; Hornecker, Jaime R. Crohn’s disease: diagnosis and managementAmerican Family Physician, v. 98, n. 11, p. 661–669, 2018. Disponível em: http://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30485038/

4. ESTEVINHO, et al. Uma revisão de escopo sobre doença inflamatória intestinal precoce: definições, patogênese e impacto nos resultados clínicosTherapeutic Advances in Gastroenterology, v. 15, 2022. Disponível em: http://doi.org/10.1177/17562848221142673.

 

Autora:

Gabriela Achunha Razzera, acadêmica do curso de Farmácia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e colaboradora do Portal Ciência e Consciência.

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