Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg PROEXT-PG•UFSM Tue, 10 Mar 2026 17:13:05 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg 32 32 Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2026/01/12/projeto-da-ufsm-amplia-atuacao-com-a-comunidade-montanha-russa Mon, 12 Jan 2026 23:40:56 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=406 Em meados de 2025, Daiane Ribas dos Santos — moradora da comunidade Montanha Russa e, à época, cozinheira da escola da região — fez um pedido à equipe do Coletivo Fluir: que o trabalho realizado com as crianças dentro da escola também chegasse aos demais moradores. A associação comunitária da qual ela fazia parte poderia ser o local para esses encontros. A partir dessa demanda, o projeto de extensão da Universidade Federal de Santa Maria passou a ocupar novos espaços.

Criado em 2024, o Coletivo Fluir é um projeto de extensão desenvolvido por professores e estudantes da UFSM, voltado à defesa das infâncias em contextos de vulnerabilidade social. Inicialmente, a iniciativa atuava em três instituições da rede pública municipal, com foco na formação da comunidade escolar e no cotidiano das crianças pequenas.

A presença regular dos universitários nesses territórios — em especial na Escola Municipal de Educação Infantil Montanha Russa — fez com que as ações desenvolvidas com as crianças começassem a repercutir para além do ambiente escolar. “A proposta de aproximação surgiu da necessidade que a comunidade tem de troca de conhecimento e desenvolvimento”, afirma Daiane.

[caption id="attachment_408" align="aligncenter" width="800"] Integrantes do Coletivo Fluir em diálogo com moradores da comunidade Montanha Russa[/caption]

Território Andarilho: escuta antes da ação

A partir desse pedido, o Coletivo Fluir passou a estruturar o Território Andarilho da Comunidade Montanha Russa, um desdobramento do projeto que deslocou parte das ações para fora da escola e passou a concentrar encontros, oficinas e atividades na sede da associação comunitária.

Na prática, o Território Andarilho se consolidou como uma forma de atuação baseada na escuta da comunidade e na presença continuada da universidade no bairro. Desde o início, a equipe optou por não chegar ao território com propostas fechadas. O primeiro passo foi apresentar o Coletivo e ouvir os moradores.

“Nós fomos dialogar com as pessoas, apresentar o projeto — como a Dai nos pediu —, mas, ao mesmo tempo, queríamos ouvir quais eram as demandas e dificuldades da comunidade”, explica Taciana Segat, professora da UFSM e coordenadora do Coletivo Fluir.

Segundo ela, o contato inicial com a comunidade também foi marcado por incertezas sobre como o projeto poderia contribuir naquele contexto. “A gente foi um tanto sem saber exatamente como poderia ajudar”, afirma.

Com o avanço dos encontros e das conversas com moradores e lideranças locais, novos desafios começaram a emergir — muitos deles não visíveis a partir da experiência restrita ao espaço escolar. “Existia mais vulnerabilidades do que a gente imaginava”, relembra Leandra Possa, docente da UFSM e integrante do Fluir.

Cuidar das crianças exige olhar para o entorno

O contato direto com a comunidade levou os integrantes do projeto a rever alguns dos seus pressupostos. A equipe percebeu que a atuação centrada nos bebês e crianças pequenas não seria suficiente para enfrentar situações de vulnerabilidade mais amplas. “Trabalhar com crianças envolve trabalhar com adultos”, reconhece Taciana.

Ao aprofundar o diálogo no território, o coletivo percebeu que muitos dos adultos que hoje cuidam das crianças também viveram infâncias marcadas por vulnerabilidade. “São adultos que tiveram infâncias vulneráveis e que hoje participam da formação de crianças que vivem situações semelhantes. Isso foi complexificando o projeto”, explica Leandra.

A partir dessa compreensão, o Fluir reorganizou sua atuação: as crianças seguem no centro do projeto, mas passaram a ser pensadas em relação com as famílias, os adultos e as condições de vida do território. Essa leitura ampliada fez com que o projeto passasse a operar em diferentes frentes ao mesmo tempo. Enquanto aprofundava a atuação no território, o Fluir manteve as ações nas escolas e a disciplina de extensão em funcionamento. Para o grupo, o trabalho com as infâncias não se restringe a um único espaço. “A gente está pensando em como transformar os lugares onde as crianças vivem e moram em espaços mais seguros para crianças e adultos”, afirma a coordenadora do Fluir.

Ações no território: presença, escuta e construção coletiva

As ações do Território Andarilho da Comunidade Montanha Russa se estruturam a partir da presença contínua do Coletivo Fluir no bairro. Entre as atividades estão oficinas coletivas, momentos de convivência e escutas com moradores de diferentes idades, realizadas principalmente no espaço da associação comunitária.

[caption id="attachment_409" align="alignleft" width="400"] Caminhada realizada pelo território[/caption]

Além dos encontros, a aproximação com a comunidade incluiu uma caminhada junto com moradores. A proposta era conhecer o território a partir de quem vive ali, percorrendo ruas, acessos e trajetos cotidianos que organizam a vida das famílias. Segundo Taciana Camera Segat, a parceria com as professoras da escola foi decisiva para que a atividade acontecesse. “Sem esse trabalho conjunto, não teria sido possível.”

Durante a caminhada pelo bairro, a equipe identificou obstáculos enfrentados pelas famílias que não se evidenciam no ambiente escolar.“Quando a gente subiu o morro, ficou muito mais claro o que uma mãe precisa enfrentar para levar uma, duas, três crianças, mochila, guarda-chuva, para chegar até a escola”, relata Márcia Cardona, egressa da UFSM e integrante do Coletivo Fluir. Segundo ela, a experiência reforçou a necessidade de compreender as infâncias para além da escola. “Só dentro da escola, a gente tem uma abrangência muito pequena da vida das crianças.”

Outra ação de destaque realizada pelo Coletivo Fluir foi uma oficina para a criação da marca da comunidade Montanha Russa. Conduzida por Andrei Lopes, doutorando integrante do projeto, a atividade reuniu crianças, jovens, adultos e idosos em torno da construção coletiva de uma identidade visual para a vila.

[caption id="attachment_410" align="alignright" width="400"] Moradores participam de uma oficina oferecida pelo Fluir para discutir a logo da comunidade[/caption]

Ao longo dos encontros, a proposta se ampliou. Entre lápis de cor, desenhos e pinturas, os participantes passaram a compartilhar memórias e histórias do bairro, transformando a oficina também em um espaço de escuta e troca coletiva.

A aproximação com os moradores também revelou entraves burocráticos que dificultavam a organização comunitária. Um deles era a situação da Associação de Moradores, que não possuía CNPJ formalizado. A partir dessa demanda, o projeto articulou o contato com estudantes do curso de Direito da UFSM, que passaram a auxiliar a associação na compreensão dos trâmites legais necessários para a regularização.

Segundo Taciana, esse tipo de ação evidencia um papel assumido pelo projeto ao longo do processo: o de mediação entre as demandas da comunidade e os acessos institucionais que a Universidade possui. “A gente tem oportunidades de formação, de trânsito e de acesso que muitas pessoas da comunidade não têm. Nosso papel é construir essa ponte a partir da Universidade com a sociedade”, afirma a coordenadora do Fluir.

O semestre de atividades culminou, no início de dezembro, com uma grande festa comunitária realizada na Associação de Bairro, reunindo cerca de 300 pessoas. O evento funcionou como momento de encontro, devolutiva das ações e convivência.

Quando o território transforma a universidade

A experiência no Território Andarilho também produziu efeitos dentro da própria Universidade, especialmente na formação dos estudantes envolvidos no projeto. Ao lidar com demandas que não cabem em respostas prontas, o trabalho no território passou a tensionar modos tradicionais de fazer extensão e a forma como o conhecimento é construído e compartilhado.

Para Leandra Possa, o impacto do Território Andarilho não se dá apenas no sentido da Universidade em direção à comunidade. “A gente fala muito do impacto da universidade na comunidade. Mas o que esse projeto tem mostrado é o impacto da comunidade na Universidade, na nossa formação”, afirma.

Segundo as integrantes do Coletivo Fluir, esse impacto aparece de forma direta no percurso formativo dos alunos, que passam a confrontar, no território, os limites do que aprendem em sala de aula. “Um projeto como esse impacta inclusive nas nossas aulas e na nossa possibilidade de dialogar com os estudantes universitários sobre o que vivemos no bairro”, relata Taciana. 

Nesse processo, a extensão deixa de ser entendida como aplicação de um saber pronto e passa a exigir escuta, negociação e construção conjunta. Para o grupo, assumir esse lugar implica reconhecer limites e aceitar o caráter experimental da extensão. Para as participantes, esse é o papel da universidade pública: criar condições, sustentar diálogos e construir junto, mesmo quando os caminhos não estão dados de antemão.

Próximos passos: dados, políticas públicas e continuidade

Para 2026, o Coletivo Fluir prevê a continuidade das ações nas escolas, da disciplina de extensão e das atividades no território. Ao mesmo tempo, a equipe identificou a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre a realidade da Comunidade Montanha Russa a partir da produção de dados mais sistematizados.

“Agora a gente percebeu a necessidade de construir um instrumento de levantamento de dados, de ir casa a casa, conversar com as pessoas, para entender o que a universidade pode fazer e o que é responsabilidade do poder público”, explica Leandra.

A proposta é que esse levantamento possa subsidiar tanto ações da Universidade quanto a formulação de políticas públicas, a partir do diálogo com a prefeitura e a Câmara de Vereadores.

Reportagem: Luciane Treulieb

Fotografias: Coletivo Fluir

 

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No início de novembro, a Jornada Acadêmica Integrada Mirim (JAI Mirim) recebeu pequenos cientistas do ensino infantil e fundamental no Museu do Conhecimento da UFSM. Dentre os projetos presentes no evento, um dos destaques foi o Memorar - Memorial das Águas e da Resiliência Climática da Quarta Colônia. Foi a estreia de totens digitais interativos, adquiridos com recursos do Pró-Equipamentos, projeto parceiro financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal (Capes). Por meio dos totens, as crianças puderam visualizar e interagir com histórias em quadrinhos, quizzes, imagens das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul e mapas que mostram o movimento das águas no estado.

Criança interage com totem durante JAI Mirim, na UFSM.

O professor Adriano Figueiró é do Departamento de Geografia da UFSM e coordena o projeto Memorar. Segundo ele, mais de 300 pessoas, entre crianças e professores, passaram e interagiram com os totens. “Todo mundo ficou bastante impactado e surpreso com o conteúdo que observaram. Eu acho que isso cumpriu um primeiro objetivo [do projeto], que é justamente a sensibilização”, afirma Adriano.

 

Os totens funcionam como ferramentas de divulgação científica e difusão do conhecimento sobre mudanças e resiliência climática, pois permitem compreender, visualizar e interagir com explicações sobre causas e efeitos dos eventos climáticos extremos, que estão cada vez mais frequentes. “A partir da mudança climática, nós transformamos o extraordinário em ordinário”, declara Adriano. Para o professor, esse entendimento é importante para sensibilizar e conscientizar diferentes gerações. Crianças, adolescentes e jovens, que no momento são os públicos-alvo do projeto, têm mais facilidade de compreender a seriedade do fenômeno por terem nascido imersos nesta complexidade. Consequentemente, tem mais possibilidade de incorporar práticas sustentáveis no seu dia a dia.

 

Por outro lado, por não ter presente a vivência da memória de eventos climáticos extremos que já aconteciam no século passado, a noção de urgência e de planejamento de ações a longo prazo encontra mais dificuldades. Já para os adultos, essa mesma característica dificulta a compreensão da mudança climática, uma vez que enchentes, estiagens, chuvas de granizo e vendavais já causavam destruição em décadas passadas. “Mas a partir do momento em que eles começam a compreender que a mudança climática é, na verdade, a intensificação dos fenômenos extraordinários que sempre aconteceram, eu diria que eles são parceiros mais fáceis de serem incorporados, porque têm uma noção  de mundo que os jovens não têm”, explica Adriano.

 

Foram adquiridos dez totens que atualmente estão no Museu do Conhecimento da UFSM. No entanto, de acordo com Adriano, futuramente alguns deles podem ser instalados no Memorial da Resiliência Climática, objetivo principal do projeto e que está em fase de planejamento.

Memorial Quarta Colônia: da Tragédia ao Sonho

A fim de ampliar a visibilidade do projeto, o Memorar QC inaugurou na semana passada a mostra fotográfica ‘Memorial Quarta Colônia: da Tragédia ao Sonho’ no hall do Centro de Ciências Naturais e Exatas. “O nosso objetivo é tentar partir de diferentes instrumentos para sensibilizar diferentes grupos da comunidade”, diz Adriano. São 20 fotos das enchentes de 2024 selecionadas a partir de materiais midiáticos, que também são dados coletados pelo projeto. Estas fotografias representam a tragédia. Por outro lado, Adriano afirma que a ideia da mostra surgiu para fazer uma espécie de contrapeso, já que a atuação no projeto exige reviver a catástrofe e rememorar a tragédia. Por isso, criaram um concurso fotográfico para selecionar fotos de paisagens da Quarta Colônia, que significam o Sonho. “[Serve] para que as pessoas possam perceber o potencial dessas paisagens para construir a vida”, declara.

“A paisagem da Quarta Colônia é excepcionalmente linda. Mas quando você confronta essas duas realidades, ou seja, uma paisagem linda e uma paisagem submetida a uma catástrofe, nós percebemos que a passagem de uma paisagem linda para uma de perigo, morte e destruição, é uma passagem muito rápida, que pode se dar num tempo muito curto. Por isso temos que criar estratégias para tentar evitar que o impacto seja tão grande como foi em 2024”. - Adriano Figueiró, coordenador do projeto.

Para Adriano, este comparativo demonstra que, para além da tragédia, aquela paisagem tem capacidade de resiliência e recuperação. A mostra fotográfica é itinerante e será levada para diferentes espaços da UFSM, de escolas e da Quarta Colônia em 2026.

Mostra fotográfica ‘Memorial Quarta Colônia: da Tragédia ao Sonho’, no Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE).
Mostra fotográfica reúne imagens das paisagens da Quarta Colônia antes e depois das enchentes de 2024.

Memória como ferramenta para o futuro

O nome do projeto já informa um de seus objetivos: transformar a enchente em memória. Adriano explica que, apesar de ser um processo doloroso, rememorar as paisagens e consequências das enchentes de 2024 é necessário. “Costumamos dizer que a memória é a única coisa que efetivamente consegue ligar o passado ao presente, para construir o futuro”, declara. Por isso ela se torna ferramenta de conscientização: permite compreender a noção da passagem do tempo. “[Ela] nos permite ter a noção de onde as coisas vieram, de como chegaram até aqui, do que aconteceu lá atrás, porque esse processo se repete no tempo. E se não temos a memória, não temos a compreensão de repetição”, conta Adriano. Isso é importante para compreender, inclusive, a intensificação de fenômenos climáticos extremos. 

“Esse é o princípio para nós. Vivemos um momento, na sociedade planetária, submetido a um modo de produção capitalista, em que a memória tende a ser sistematicamente apagada porque quando temos um indivíduo sem memória, ele é mais vulnerável para o processo do consumo, da construção de imaginários que não são reais”, finaliza Adriano.

Um dos instrumentos para a preservação da memória das enchentes será o Memorial da Resiliência Climática, cuja previsão de instalação é para o próximo ano.

Reportagem: Samara Wobeto, jornalista

Fotografias: Memorar Quarta Colônia

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A produção de erva-mate começa a ganhar novos desdobramentos na região de Palmeira das Missões – município do noroeste do Rio Grande do Sul reconhecido como “berço da erva-mate” por uma lei estadual. O que antes era visto principalmente como atividade agrícola passou a ser entendido como oportunidade de desenvolvimento regional.

“A nossa região tem muita capacidade para o turismo”, afirma a professora Rosani Marisa Spanevello, do Departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas da UFSM-PM. O projeto de extensão que ela coordena, chamado “Estratégias e Alternativas para o Desenvolvimento Regional Sustentável”, tem a proposta de transformar o ciclo da erva-mate (plantio, colheita, beneficiamento e usos culturais) em experiência para os visitantes. A iniciativa envolve uma rede formada pela Universidade, Secretaria de Cultura e Turismo de Palmeira das Missões, Emater e pela recém-criada Associação dos Ervateiros.

Diagnóstico no campo revela potencial

Equipe da UFSM percorre as propriedades junto aos produtores de erva-mate

Durante o segundo semestre de 2025, professores e estudantes da UFSM percorreram as propriedades das seis famílias de produtores de erva-mate que aceitaram participar do projeto para conversar com os agricultores, observar áreas de cultivo e identificar vocações para o turismo de cada lugar.
Os relatórios desenvolvidos após as visitas apontaram potencial para caminhadas entre ervais, demonstrações de colheita, degustação de chimarrão e atividades relacionadas à memória da produção da erva-mate. Pretende-se valorizar a história local e abrir novas alternativas de renda.
Para alguns produtores, o processo já provocou mudanças na percepção sobre a própria terra. “Mudou o modo de enxergar nossa propriedade”, relata Vera Lucia Friderich da Cruz, da Ervateira Gurizinho. “Para nós, que trabalhamos aqui diariamente, é só o nosso trabalho. A UFSM e a Emater nos fizeram ver que existem muitas possibilidades.”
Ao longo do ano, a UFSM e a Emater ofereceram capacitações sobre temas como hospitalidade rural, turismo de natureza e organização da propriedade. A conversa com especialistas ajudou a romper a ideia de que o turismo dependeria de grandes investimentos e obras complexas. Para muitas propriedades, ajustes simples, como manejo do lixo, roçada das trilhas e placas de identificação, possibilitam a criação de atividades turísticas de baixo custo e alto valor cultural.
De acordo com a professora Rosani, a lógica é semelhante a qualquer outra atividade econômica: produzir morangos, ovos ou laranjas também exige investimento. No turismo, a diferença está em aproveitar o que a propriedade já oferece: o ambiente natural, as histórias da família e a relação com a erva-mate.

Primeiros roteiros começam a tomar forma 

Com base nos diagnósticos, a equipe da UFSM está ajudando os produtores a imaginar diferentes usos turísticos para cada propriedade. Para isso, utiliza ferramentas de design e imagens criadas com apoio de inteligência artificial, simulando trilhas, mirantes, casas na árvore, balanços e outros elementos. Há propriedades com ervais sombreados por árvores centenárias e outras com vocação para gastronomia, que produzem bolos e sagus com erva-mate.

“O mais interessante é o ar puro, o sossego, a sombra boa e a paisagem linda”, descreve Vera, da ervateira Gurizinho. A expectativa é oferecer aos visitantes um ambiente de simplicidade, descanso e acolhimento. “A gente espera mostrar que existe um lugar de refúgio, onde tudo é simples, mas muito bonito — e, claro, espera ter retorno financeiro”, afirma.

A produtora rural Vera da Cruz junto a bolos e sagu feitos com erva-mate
 
"Trilha do erval" é uma das propostas de turismo rural. Imagem criada por Inteligência Artificial. 

Indicação geográfica: reconhecimento que pode fortalecer o setor

Outra frente do projeto é a discussão sobre a indicação geográfica (IG) da erva-mate produzida em Palmeira das Missões. Concedida pelo INPI, a IG funciona como um selo de origem que certifica características únicas do produto — sabor, cor, qualidade e história associadas ao território.
Para apresentar a ideia aos agricultores, foi realizada uma visita a Machadinho, cidade que já possui registro de IG de erva-mate. A comparação permitiu que os produtores visualizassem a potência local. “Eles perceberam, ao ver de perto, que Palmeira também têm muito potencial”, conta Rosani.
A professora recorre a um exemplo conhecido do público gaúcho para explicar o conceito: “O vinho pode ser produzido em vários lugares. Mas o vinho do Vale dos Vinhedos tem um sabor, uma cor, uma qualidade e uma história que são daquele território.”
Segundo ela, a erva-mate de Palmeira pode trilhar caminho semelhante, conquistando reconhecimento por atributos próprios. O processo, porém, exige articulação coletiva — por isso a Universidade tem apoiado os produtores na compreensão e preparação para uma futura candidatura. 

Próximos passos 

Com os diagnósticos concluídos e as primeiras capacitações realizadas, o próximo semestre será dedicado ao planejamento das atividades experimentais. A proposta é que, durante o Festival do Carijo, que vai ser realizado em maio de 2026, a Secretaria de Cultura e Turismo promova visitas-piloto às propriedades participantes. Será uma oportunidade para testar fluxos, observar a recepção dos primeiros grupos e ajustar a estrutura para roteiros futuros.
Até lá, as propriedades devem realizar os pequenos ajustes sugeridos nas devolutivas elaboradas pela UFSM. A expectativa é construir um circuito inicial que permita aos visitantes vivenciar o cultivo da erva-mate e compreender a importância desse patrimônio para o território.

Repórter: Luciane Treulieb

Imagens cedidas pelo projeto

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 No início do mês, o tema ganhou discussão ao pautar a redação do Enem com os desafios do envelhecimento da sociedade brasileira. Para Melissa Medeiros Braz, professora do Mestrado em Gerontologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a temática do envelhecimento é uma preocupação necessária. Ela envolve falar de cuidado, de saúde e tratamento de doenças, mas também de saúde mental e cognitiva, socialização, alimentação, atividade física e acessibilidade de espaços e cidades. Melissa também é coordenadora do projeto Feliz(c)idade, que surgiu com o objetivo de promover ações de extensão voltadas para pessoas idosas.

Idosos em momento de prática de exercício físico, no projeto Feliz(c)Idade

O projeto também significa a continuidade de outros, como o Núcleo Integrado de Estudos da Terceira Idade (Niati), que está em funcionamento desde os anos 1980. Seu coordenador, Gustavo Duarte, professor do Centro de Educação Física e Desporto (CEFD) da UFSM, afirma que falar sobre o envelhecer é fundamental. “É um fenômeno global e também brasileiro. Já que no Rio Grande do Sul nós temos a maior taxa de longevidade do Brasil, toda sociedade precisa se preparar”, reitera. Para Gustavo, deve ser uma preocupação de todos, desde crianças e jovens até adultos e idosos. “Não precisa ser idoso para trabalhar e se preparar para o [envelhecimento]”, diz. A aposta é em uma educação permanente e gerontológica, de diálogo intergeracional.

Para pensar, é preciso se mover: os benefícios da atividade física

A imagem que se tem de pessoas idosas está em mudança: não são mais apenas as de pessoas velhas, com cabelos grisalhos e pele flácida, com dificuldades de locomoção e inúmeras doenças. Estas características ainda definem este grupo, mas o perfil é diverso. Uma pessoa é considerada idosa a partir dos 60 anos, de acordo com os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS), também elencados no Estatuto do Idoso do Brasil. Uma reportagem publicada pelo Estadão em 2024 aborda o treinamento físico para idosos, que é tendência fitness no país. O texto traz dados de levantamento feito pelo Colégio Americano de Medicina do Esporte, que pesquisa o assunto a partir de profissionais do setor. Nas redes sociais, cresceram perfis de ‘vovós’ na academia ou no pilates, que alcançam números altos de visualizações, curtidas e comentários.

 

Gustavo afirma que a busca pelo envelhecimento saudável é compartilhada: “Na qualidade de vida, podemos destacar a condição física, as capacidades funcionais, de força, de equilíbrio, de coordenação, de agilidade. O corpo é a nossa casa, nós somos esse corpo. E tudo é a partir do corpo”. Melissa explica que, nessa fase, é comum haver perda de massa muscular e óssea, o que pode afetar o equilíbrio, o deslocamento e a mobilidade. Síndromes metabólicas e doenças cardiovasculares também são mais frequentes em idosos. “O exercício aeróbico também tem um papel fundamental na prevenção e no tratamento dessas disfunções”, afirma.

Atividades de musculação e fortalecimento cognitivo.
Aividades de estimulação cognitiva.

 

Para Melissa, no entanto, este não é o único benefício do exercício físico. No Feliz(c)idade, a dança, os exercícios de musculação, de fisioterapia e as atividades de estimulação cognitiva são realizadas em grupos, o que assume o papel da socialização, de uma rede de encontros. 

“É uma fase de perdas ou de ressignificação dos papéis sociais. Antes a pessoa trabalhava e agora tá se aposentando. Muitas mulheres, mães, tinham os filhos em casa. Agora que eles saíram, elas se vêem em um papel diferente. Muitas, até por questões físicas, tem algumas limitações nas atividades sociais. Então, o papel do grupo é fundamental para ajudar a ressignificar essas perdas”. - Melissa Medeiros Braz, coordenadora do projeto Feliz(c)Idade.

Além do fortalecimento físico e muscular - que ajudam a prevenir quedas -, as atividades auxiliam na prevenção da demência, da depressão e da ansiedade, ou seja, atuam no fortalecimento da saúde mental. Outros benefícios do exercício físico incluem o aumento da vascularização cerebral, que ajuda na memória e nas funções cognitivas. Para Gustavo, a atividade física é a base do que ele chama de ‘educação do movimento’. “Nós planejamos exercícios e atividades de interação em duplas em trios, de resolução de problemas, de interação com materiais. Além do movimento, os idosos também têm que responder questões da atualidade. O movimento é intrínseco: precisa pensar para se mover”, explica.

Atividade física, mas não somente: o papel do cuidado integrativo

O cuidado com o envelhecimento deve ser integrativo, afirma a professora Melissa Braz. Isso significa que é preciso ter, além do fortalecimento e diversos benefícios da atividade física, atenção à alimentação, à socialização, à saúde mental, ao desenvolvimento e fortalecimento cognitivo, à acessibilidade das casas e dos espaços e cidades. Com a perda da força muscular e do equilíbrio, pessoas idosas se tornam mais propensas à quedas. 

 

Ruas esburacadas e irregulares não são inacessíveis apenas para pessoas com deficiência, como aquelas usuárias de cadeira de rodas e pessoas cegas, que usam bengalas. São inacessíveis também para pessoas idosas, que estão com mobilidade reduzida, com maior risco de quedas e, consequentemente, torções ou fraturas. “Não podemos pensar somente na saúde, mas também na estrutura das cidades. Temos calçadas super irregulares, não somos uma cidade amiga da pessoa idosa. Quanto mais áreas esse conhecimento abranger, para poder garantir a acessibilidade para as pessoas idosas, melhor”, declara Melissa.

 

É uma abordagem multidisciplinar, de acordo com Gustavo. “Os mesmos idosos passam por nutricionistas, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, fisioterapeutas. Aprendem em oficinas e atividades esse cuidados, de uma maneira integrativa, mais holística, do corpo como um todo em todas as suas dimensões”, descreve.

O projeto se divide em núcleos:

  • Corpo Mais: acontece no CEFD e trabalha atividades cardiovasculares com música, ginástica, capacidade aeróbica e cardiorrespiratória, exercícios de força, mobilidade e equilíbrio. Também tem o grupo de dança.

  • Cognito: grupo que trabalha a estimulação cognitiva, tanto na prevenção de demência quanto com pessoas que já têm a doença. Trabalha com atividades de memória, de reminiscência e de jogos. 

  • Pacto: projeto que se juntou ao Feliz(c)idade e que dedica atenção aos cuidadores de pessoas idosas, que muitas vezes também são idosos. Trabalha temáticas de cuidado, das doenças, mas também da saúde mental de quem cuida.

  • Mexe Coração: acontece na Antiga Reitoria da UFSM e trabalha com exercícios e atividades de educação em saúde, como cuidados, alimentação saudável e hábitos de vida.

  • Renascer: grupo de mulheres sobreviventes do câncer de mama. Também realiza atividades de promoção e educação em saúde, não apenas na relação com as consequências ou possíveis sequelas da doença, mas com atividades que ultrapassam essa dimensão: pilates, dança, atividades comemorativas, viagens e passeios. Na última Feira do Livro, por exemplo, o grupo esteve presente para conhecer as oficinas.

  • Villa Itagiba: atende um grupo de 60 homens, com atividades de educação em saúde e exercícios em grupo associados à ludicidade, como dançaterapia e artes.

Aividades na Vila Itagiba
Atividades do Grupo Cognito

2º FelizIdade

Evento realizado pelo projeto para o público idoso

Quando: 22 de novembro

Onde: Antiga Reitoria da UFSM

Grupos parceiros: Corpo Mais, Mexe Coração e Vila Itagiba

Apoio: SESC e Conselho Municipal do Idoso (COMID)

 

 I Encontro da RIEDE - Rede Internacional de Estudos em Dança e Envelhecimento

Quando: 28 de novembro

Onde: Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Parceiros: Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Expediente:

Reportagem: Samara Wobeto, jornalista

Fotografias: Divulgação

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Dois fatores decisivos: nutrição e qualidade da água

O professor Rafael Lazzari, coordenador da iniciativa, explica que a proposta é atuar diretamente na qualificação de uma atividade que ainda é muito incipiente na região.

 “Até agora, o modelo que tem se praticado aqui é antigo, das décadas de 1980 e 1990, baseado na criação de carpas. Hoje, porém, o grande foco do mercado é a tilápia, voltada à produção de filé.” A mudança, segundo ele, tem razões práticas e mercadológicas, já que a tilápia é muito bem aceita por não ter espinhos, o que torna seu consumo mais seguro e acessível para todos, inclusive para crianças e idosos.

A qualidade do filé e o sabor do peixe, explica Lazzari, são consequência direta das boas práticas de criação. Segundo ele, entre os principais fatores que influenciam o sabor estão a nutrição e a qualidade da água, aspectos que estão diretamente relacionados.

No caso da alimentação, os peixes podem receber ração específica ou se alimentar dos microrganismos presentes na água, como algas e fitoplâncton. O professor observa que a tilápia se destaca por conseguir aproveitar as duas fontes de alimento, tanto a ração quanto os microrganismos da água.

Essa característica, no entanto, exige atenção: o equilíbrio da dieta é fundamental. “Se a ração tiver nutrientes desequilibrados ou excesso de gordura, isso vai ser depositado no peixe. É como na nutrição humana: se o organismo gasta menos do que consome, acumula gordura. E essa gordura vai interferir na textura e, principalmente, no sabor e na aceitabilidade do filé.” Além do sabor, o excesso de gordura compromete a conservação. Alimentos com muita gordura, se conservados indevidamente, podem passar por processos de rancificação e deterioração.

Nos cursos, a equipe do ProgeAqua ensina manejo alimentar, orientando os produtores sobre número de refeições diárias, quantidade, cálculo de ração e melhores horários. O professor explica que o objetivo não é ensinar a formular ração — tarefa feita no grupo de pesquisa —, mas mostrar como manejar a alimentação para que o peixe cresça bem e tenha um filé de qualidade.

Outro fator determinante para o sabor do peixe é a qualidade da água. Ela está relacionada tanto ao que o peixe excreta quanto ao tipo de açude onde é criado. Lazzari explica que, quando o ambiente é muito barrento e com acúmulo de lodo, torna-se inadequado, pois há acúmulo de gases e risco de contaminação. Nessas condições, podem surgir bactérias que produzem substâncias absorvidas pela pele do peixe, deixando o sabor desagradável.

Nos cursos, os produtores aprendem a manejar a qualidade da água desde a construção do açude até o monitoramento dos parâmetros químicos. De acordo com o professor, todo o processo começa no cuidado com o solo, na adubação e no enchimento do açude. A cor da água é um indicador importante: águas muito verdes ou barrentas exigem ajustes. O produtor que domina esse manejo tende a ter melhores resultados.

Uma das formas de controle é por meio de equipamentos eletrônicos, que são mais caros. Outra possibilidade são kits simples de análise, parecidos com os usados em piscinas, que medem parâmetros como oxigênio, transparência, pH, alcalinidade e amônia. A partir dessas medições, é possível avaliar se o açude está adequado para a criação. Segundo Lazzari, se os produtores seguirem as recomendações técnicas, eles ganham em produtividade, renda e qualidade  dos peixes produzidos.

Do açude à mesa do cidadão

Os cursos do ProgeAqua usam fotos e exemplos práticos para mostrar os efeitos da má gestão. “A gente mostra, por exemplo, uma água muito verde, com excesso de algas, e explica que isso muda o sabor do filé, ou, quando o produtor coloca muita ração, o oxigênio cai e os peixes morrem. Mostramos as fotos e explicamos o porquê”.

O projeto busca fortalecer a piscicultura regional e ampliar a oferta de pescado saudável à comunidade. A proposta pretende ainda que haja envolvimento do poder público, com a expectativa de que as prefeituras incorporem o peixe local a programas como o Programa Nacional de Aquisição de Alimentos (PAA).

Lazzari ressalta a importância de políticas de incentivo, como leis municipais de apoio e ações de acompanhamento técnico. Alguns municípios já monitoram a qualidade da água e incluem o pescado regional na merenda escolar. Ele observa que o fortalecimento da piscicultura familiar depende desse tipo de apoio.

Mais do que um alimento com valor econômico e nutricional, o pesquisador também aponta novas possibilidades de uso do pescado: a tilápia desponta como fonte de inovação, com pesquisas que utilizam sua pele no tratamento de queimaduras e com perspectiva de uso no Sistema Único de Saúde (SUS).

Expediente:

Reportagem: Luciane Treulieb, jornalista

Design: Evandro Bertol, designer

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Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/10/17/ii-forum-de-extensao-da-pos-graduacao-destaca-avancos-e-impactos-dos-projetos-contemplados-no-edital-do-proext-pg Fri, 17 Oct 2025 18:58:50 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=379 Na última quinta-feira (16), nove dos dez projetos contemplados no último edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG) se reuniram no auditório da Coordenadoria de Tecnologia Educacional (CTE) para apresentar e debater o andamento das ações extensionistas. Além disso, compartilharam desafios e potencialidades das atividades com as comunidades. Apenas o projeto ‘FelizIdade’ não conseguiu comparecer ao encontro.

A Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP) e presidente do Comitê Gestor do PROEXT-PG, Cristina Wayne Nogueira, realizou a abertura do evento ao lado do Pró-Reitor de Extensão (PRE), Flavi Ferreira Lisboa Filho. O Assistente Administrativo André dos Santos Leandro, da PRPGP, apresentou um relatório da execução orçamentária do Programa.

Cristina comenta que ficou muito impressionada com as apresentações dos dez projetos. “Demonstraram ação, demonstraram o envolvimento de alunos de graduação e pós-graduação. Foi muito bonito ver os resultados, os reflexos nas comunidades, nos diferentes territórios. Fiquei muito satisfeita com o que vi”, afirma.

Confira, a seguir, os principais destaques de cada um dos projetos

Memorar das Águas e da Resiliência Climática da Quarta Colônia - Memorar QC

Apresentado pelo professor Adriano Severo Figueiró, o projeto surge a partir dos incômodos causados pelos deslizamentos de terra e alagamentos provocados pelas enchentes de maio de 2024 e que tiveram início na região central do estado. O conceito da resiliência climática norteia as ações, que estão em desenvolvimento: de educação ambiental e governança do território, por meio de oficinas com escolas; de mapeamento de áreas de risco e de gerenciamento de recursos hídricos, por meio de visitas técnicas; e de conservação do patrimônio da paisagem, a partir da descoberta de novo Geossítio arqueológico Guarani no município de Dona Francisca. Nos próximos passos do projeto, estão a criação de uma cartilha para oportunizar o aprendizado de Resiliência Climática nas escolas, além da aquisição de dez totens digitais para exposição de material interpretativo sobre as mudanças climáticas, e que será exposto no Museu do Conhecimento da UFSM.


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Diagnóstico da aptidão agrícola das terras e fertilidade do solo em áreas agrícolas atingidas por desastres climáticos

O professor Gustavo Brunetto apresentou as ações do projeto realizado pelo Grupo de Estudos de Predição de Adubação e Potencial de Contaminação de Elementos em Solos (Gepaces-UFSM). O grupo realizou coletas de solo na região da Serra Gaúcha, em propriedades produtoras de frutas. A partir da análise das amostras, conseguiu definir as características do solo afetado pelas enchentes de 2024, que perdeu matéria orgânica e ganhou acidez. Além disso, o Grupo estabeleceu estratégias para a resolução destes problemas. Os resultados de pesquisa tiveram ampla divulgação na imprensa, desde veículos regionais até nacionais. Os próximos passos envolvem capacitação e treinamento dos técnicos e produtores, além de produção de soluções e materiais de divulgação científica.

 

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Time Enactus UFSM

Representado pela professora Débora Bobsin, o Time Enactus já realizou duas ações extensionistas: em 2024, aplicou o ‘Projeto Florescer’ na Escola Estadual Augusto Ruschi, voltado para a educação ambiental no ensino fundamental. Já neste ano, realizou a ‘Escolinha de Negócios’, promovendo a educação empreendedora para o ensino fundamental das escolas Escola Municipal Lourenço Dalla Corte, em Santa Maria, e para a Escola Municipal Dagoberto Barcelos, que fica em Caçapava do Sul. Estão em andamento mais duas ações extensionistas. Em Santa Maria, no bairro Passo das Tropas, a comunidade escolar da Escola

Municipal Pedro Kunz, formada por mães e alunos, recebem oficinas para geração de trabalho e renda. Já em Caçapava do Sul, no grupo Harmonia Preta, são feitas ações de estruturação do negócio social, como plano de negócios e auxílio na captação de recursos. Além disso, produtos editoriais, como cartilhas, estão em fase de finalização.

 

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Sumo Educacional

A mestranda Natali Morgana Cassola apresentou o andamento das ações do projeto Sumo Educacional, que leva educação financeira para espaços educativos, como as escolas. Já realizou formação de líderes, que tem a missão de levar o aprendizado para a sala de aula, aulas com jovens, testes de metodologias e jogos de forma interna e aplicação dos jogos nas escolas. Entre os próximos passos, estão a consolidação da metodologia própria, a ampliação da área de abrangência do projeto e o desenvolvimento da plataforma In-Sumo, que objetiva capacitar os professores, integrar elementos de gamificação na formação para o aprendizado e ampliar o impacto das ferramentas tanto para as e os estudantes quanto para suas famílias.

 

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Programa Integrado de Telessaúde: Resposta à Crise Climática no RS por meio da Parceria entre Programas de Pós-Graduação da UFSM

Apresentado pelo professor Gustavo Dotto, o projeto Telessaúde já está com o sistema de consultas online em funcionamento, com quase 300 atendimentos realizados de pelo menos cinco especialidades médicas. A meta, segundo Dotto, é alcançar 2000 atendimentos até 2026. O professor destacou que a implementação do projeto beneficia pacientes que moram em cidades vizinhas ou mesmo de regiões diferentes, uma vez que o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) é referência em saúde especializada no Sistema Único de Saúde (SUS). Também contribui para a diminuição da quantidade de pessoas que circulam no HUSM diariamente, o que beneficia o aspecto da biossegurança.

Estratégias e alternativas para o desenvolvimento regional sustentável

Desenvolvido na UFSM de Palmeira das Missões, o projeto pretende construir estratégias para o turismo rural em torno da produção de erva-mate. A professora Rosani Spanevello destacou as parcerias do projeto com entidades públicas, como a prefeitura, Conselho Municipal de Turismo, Secretaria da Agricultura e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), além da empresa Júnior do curso de Zootecnia. O projeto se insere nestes conselhos e ajuda a discutir estratégias e alternativas para o desenvolvimento regional sustentável. Já auxiliou na constituição da Associação dos Produtores de Erva-Mate de Palmeira das Missões (APEMPM), com capacitação na produção, projeto municipal de mudas e confecção da marca. Por meio da disciplina ‘Formação em Extensão na Pós-Graduação I’, que acontece neste semestre, mestrandos, doutorandos e parceiros visitam propriedades rurais produtoras da planta erva-mate para diagnóstico e análise das potencialidades turísticas. Também proporciona viagens de estudo de estudantes e produtores para conhecer outras associações e formas de comercialização. No próximo semestre, será ofertada a disciplina ‘Formação em Extensão na Pós-Graduação II’, que tem o objetivo de elaborar os roteiros turísticos da rota da erva-mate em Palmeira das Missões.

 

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Programa de Geração de Renda e qualidade do pescado (ProgeAqua)

 

As ações do ProgeAqua foram apresentadas pelo professor Rafael Lazzari. Este projeto foi contemplado também na primeira edição do PROEXT-PG na UFSM, em 2015. Entre as ações realizadas até o momento estão a definição dos municípios contemplados, a elaboração de materiais didáticos e os primeiros encontros com técnicos e produtores. As ações serão realizadas em Santa Maria, São Pedro do Sul, Jari, Quevedos, Cacequi, São Sepé, Novo Cabrais, São João do Polêsine, Nova Palma, Pinhal Grande, Dona Francisca, Nova Esperança do Sul, Tupaciretã, Silveira Martins e Júlio de Castilhos. Entre as dificuldades encontradas estão a mobilização dos produtores, a precariedade da área regional para a piscicultura, principalmente devido às chuvas e à realidade da catástrofe climática. As próximas ações envolvem palestras, visitas técnicas, acompanhamento de produtores e capacitações práticas, promovidas pela UFSM e parceiros, sobre temas relacionados à piscicultura, como legislação ambiental, sistemas de cultivo e instalações, qualidade da água, alimentação e doenças dos peixes, entre outros.

Coletivo FLUIR: territórios educativos intersetoriais de ações e políticas em defesa das crianças em contextos vulneráveis

O Coletivo Fluir foi representado pelos professores Fabiane Bridi, Taciana Segatt e Joe Bulsara. O projeto se insere em três escolas de Santa Maria para promover Territórios Educativos Intersetoriais (TEI), que buscam a valorização das infâncias em vulnerabilidade por meio da educação. Quinzenalmente, as equipes se deslocam até as escolas EMEI Montanha Russa, EMEF Chácara das Flores e EMEI Monte Bello e Lar de Joaquina. Também realizaram a disciplina de extensão, que busca capacitar professoras da educação infantil para a formação em metodologias de ensino a partir das realidades e vivências de cada escola. São quatro Territórios formados: o TEI 1, composto pelas crianças, famílias, escola e comunidade local; o TEI 2, que busca a formação da comunidade escolar (grupos compostos por professoras; monitoras e estagiárias; e colaboradores); o TEI 3, de gestão educacional e políticas públicas, e o TEI Andarilho, em que o Coletivo Fluir está em movimento. A partir de demandas da comunidade escolar, está em criação mais um braço do último TEI: o Território Fluir Comunidade, que dialoga com a Associação de Bairro Montanha Russa e busca construir saberes e experiências acadêmicas para a comunidade.

 

Instagram do projeto.

Comunicação de proximidade: memória, resiliência e adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais na Quarta Colônia

A professora Aline Dalmolin apresentou as ações do projeto ‘Comunicação de Proximidade: memória, resiliência e adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais na Quarta Colônia’. O projeto se constitui em três eixos: 1- Cartografia da malha de comunicação de proximidade da Quarta Colônia e ações para superação de seus vazios de notícias; 2 - Fortalecimento do sistema de alerta e protocolos comunicacionais dos municípios da Quarta Colônia em situação de risco climático; e 3 - Desenvolvimento de ações em Educomunicação para o combate à desinformação climática. No ano passado, foram iniciadas as conversas com o poder público dos nove municípios para estabelecer parcerias. Também foram feitas oficinas de educomunicação em escolas da região, além do mapeamento dos veículos e comunicadores populares que compõem a cartografia da malha de comunicação. Em 2025, o foco foi a continuidade do andamento destas atividades, além da realização de 29 entrevistas em profundidade, feitas para mapear os impactos da catástrofe climática de 2024 em gestores, moradores e veículos de comunicação. Foram feitos dois grupos de  discussão acerca dos protocolos. Entre os próximos passos, estão a capacitação de comunicadores e  entrega dos produtos, como policy papers, oficinas em escolas, plano de comunicação para a malha de comunicação de proximidade, criação da identidade visual e sonora, série de podcasts; dois  videodocumentários, entre outros.

 

Instagram do projeto.

Reportagem e fotografias: Samara Wobeto, jornalista.

Edição: Luciane Treulieb, jornalista.

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Nesta quinta-feira, 16, acontece o II Fórum de Extensão da Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Maria.  O evento objetiva apresentar e acompanhar as ações dos dez projetos contemplados no último edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG). 

Flavi Ferreira Lisboa Filho, Pró-Reitor de Extensão e membro do Comitê Gestor do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG), afirma que o evento vai permitir o compartilhamento de experiências, a avaliação coletiva dos resultados dos projetos até aqui e a construção de estratégias conjuntas para aprimorar as ações. “É o principal espaço de acompanhamento, troca e reflexão sobre o Programa”, afirma. 

Um dos objetivos do encontro é o acompanhamento das ações dos dez projetos que foram selecionados em 2024 pelo edital. Cristina Wayne Nogueira, pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP) e presidente do Comitê Gestor, é a responsável pela execução financeira do projeto, o que lhe permite acompanhar de perto o andamento das ações. Ainda assim, ela admite ter curiosidade em conhecer mais detalhadamente os resultados alcançados por cada iniciativa.  

Além do acompanhamento da execução orçamentária, o Comitê Gestor também segue os projetos por meio da divulgação científica e dos relatórios técnicos, cuja primeira entrega será realizada no final deste ano. Por isso, para Cristina, o Fórum é um momento importante para conversar com os coordenadores dos projetos para entender quais são as principais dificuldades e como elas podem ser resolvidas.  

Para Flavi, as expectativas com os projetos são positivas. “O acompanhamento realizado até o momento evidencia processos de transformação social relevantes nas comunidades envolvidas. Os projetos contam com financiamento dedicado, equipes interdisciplinares e a participação de diversos estudantes de pós-graduação, o que potencializa o alcance das ações”, explica. O professor ainda reitera que espera que os projetos contribuam na aproximação das pesquisas de pós-graduação com os territórios. “Esperamos nos aproximar das demandas reais dos territórios e comunidades, fortalecendo o compromisso social e o papel transformador da universidade pública”, declara.

Extensão na pós-graduação para transbordar a pesquisa para as comunidades

No I Fórum de Extensão, realizado no ano passado, o foco estava em tirar dúvidas sobre a realização dos projetos, que ainda estavam em fase de seleção. Segundo Cristina, ainda há um aspecto que diferencia a extensão na graduação - que envolve principalmente a curricularização -, e na pós-graduação. A pesquisa deve transbordar a universidade: “É o projeto [do PROEXT-PG] que tem que sair da instituição e impactar a sociedade”, afirma a pró-reitora. Esta também é uma demanda da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal (CAPES) em relação aos critérios de avaliação dos programas de pós-graduação e de aplicação de recursos financeiros. “Também tem esse objetivo. Que os programas gerem conhecimento, gerem ciência, contribuam na formação de pessoal especializado, mas que também impactem a sociedade”, reflete Cristina.


Para ela, no entanto, para que se faça extensão e inovação, é preciso ter geração de conhecimento científico. “A geração do conhecimento é a base. Se não tiver a geração do conhecimento, a gente não tem o que transbordar, né?”, destaca. Ela cita como exemplos a resposta rápida no sequenciamento e elaboração de vacinas para a Covid-19 e as soluções para o enfrentamento das consequências das enchentes no estado. “Por que tivemos soluções tão rapidamente? Porque existia um acumulado de conhecimento. Se não tivermos isso, não tem como impactar a sociedade. Então, precisa gerar o conhecimento para que se possa ter a extensão e, obviamente, a inovação”, finaliza. Para Flavi, a extensão na pós-graduação reafirma a função social da universidade como resposta a problemas e demandas sociais. “Assim, a extensão na pós-graduação consolida um movimento de integração entre ciência, formação e transformação social, fortalecendo o compromisso público da UFSM e de seus programas de pós-graduação”, reitera.


Simoni Bueno Câmara, pós-doutoranda vinculada ao programa PROEXT-PG na UFSM, afirma que o acompanhamento dos projetos é feito principalmente por meio da divulgação das ações nos meios de comunicação. Ela conta que está ansiosa para o Fórum de Extensão, e que espera muita troca e aprendizado com os grupos dos projetos. “Também vamos ter evidências do potencial da extensão para fomentar as atividades para as comunidades se desenvolverem, os diferentes atores que atendemos, com quem trabalhamos”, afirma. A pesquisadora tem a expectativa de que o Fórum proporcione mais ideias e motivação para a continuidade das ações.

Sobre o II Fórum de Extensão

Data: 16/10/2025

Horário: das 9h às 12h

Local: Auditório da Coordenadoria de Tecnologia Educacional – CTE, prédio 14

(será disponibilizada a participação via Google Meet para inscritos de outros campi).

Inscrições: Por meio do formulário.

Programação

9 h – Mesa de abertura: PROEXT-PG UFSM Além do Arco: execução e perspectivas, com Prof.ª Dr.ª Cristina Wayne – PRPGP, Prof. Dr. Flavi Ferreira Lisboa Filho – PRE e Assistente Administrativo André dos Santos Leandro – PRPGP

9h 20 min. – Apoio institucional para divulgação de projetos – Aluata, com a jornalista Samara Wobeto

9h 30 min. – Apresentações dos projetos PROEXT-PG Além do Arco 

1 – Estratégias e alternativas para o desenvolvimento regional sustentável

2 – Diagnóstico da aptidão agrícola das terras e fertilidade do solo em áreas agrícolas atingidas por desastres climáticos

3 – Sumo Educacional

4- Comunicação de proximidade: memória, resiliência e adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais na Quarta Colônia

5 – Memorar QC – Memorial das águas e resiliência climática da Quarta Colônia

6 – Time Enactus UFSM

7 – FELIZ(C)IDADE: Corpo MAIS no Cuidado e na promoção do Envelhecimento saudável

8 – Coletivo FLUIR: territórios educativos intersetoriais de ações e políticas em defesa das crianças em contextos vulneráveis

9 – Programa de Geração de Renda e qualidade do pescado (Progeaqua)

10 – Programa Integrado de Telessaúde: Resposta à Crise Climática no RS por meio da Parceria entre  Programas de Pós-Graduação da UFSM 

 

Reportagem: Samara Wobeto, jornalista.

Edição: Luciane Treulieb, jornalista

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Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/10/03/segunda-edicao-do-forum-de-extensao-da-pos-graduacao-tem-data-marcada Fri, 03 Oct 2025 11:36:14 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=365 Com o objetivo de apresentar e acompanhar as ações dos dez projetos contemplados no último edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG), acontece, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o II Fórum de Extensão na Pós-Graduação. O evento será no dia 16 de outubro, no auditório da Coordenadoria de Tecnologia Educacional – CTE. As inscrições para o evento podem ser realizadas por meio deste formulário.

Sobre o evento

Data: 16 de outubro de 2025

Horário: das 9h às 12h

Local: Auditório da Coordenadoria de Tecnologia Educacional – CTE, prédio 14

(Será disponibilizado Meet para inscritos de outros Campi).

Programação

  • 9 h - Mesa de abertura: PROEXT-PG UFSM Além do Arco: execução e perspectivas, com Prof.ª Dr.ª Cristina Wayne - PRPGP, Prof. Dr. Flavi Ferreira Lisboa Filho - PRE e Assistente Administrativo André dos Santos Leandro - PRPGP


  • 9h 20 min. - Apoio institucional para divulgação de projetos – Aluata, com a jornalista Samara Wobeto


  • 9h 30 min. - Apresentações dos projetos PROEXT-PG Além do Arco 


1 - Estratégias e alternativas para o desenvolvimento regional sustentável


2 - Diagnóstico da aptidão agrícola das terras e fertilidade do solo em áreas agrícolas atingidas por desastres climáticos

3 - Sumo Educacional

4- Comunicação de proximidade: memória, resiliência e adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais na Quarta Colônia

5 - Memorar QC – Memorial das águas e resiliência climática da Quarta Colônia

6 - Time Enactus UFSM

7 - FELIZ(C)IDADE: Corpo MAIS no Cuidado e na promoção do Envelhecimento saudável

8 - Coletivo FLUIR: territórios educativos intersetoriais de ações e políticas em defesa das crianças em contextos vulneráveis

9 - Programa de Geração de Renda e qualidade do pescado (Progeaqua)

10 - Programa Integrado de Telessaúde: Resposta à Crise Climática no RS por meio da Parceria entre  Programas de Pós-Graduação da UFSM 

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Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/09/24/ufsm-e-agricultores-da-serra-gaucha-se-unem-para-recuperar-solos-atingidos-pelas-enchentes Thu, 25 Sep 2025 01:04:38 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=362 As enchentes de maio de 2024 provocaram erosões e deslizamentos que comprometeram a produção agrícola da Serra Gaúcha. Um levantamento coordenado pelo professor Gustavo Brunetto, do Departamento de Solos da UFSM, mostrou que o solo perdeu cerca de 85% da matéria orgânica — recuperação que pode levar de 14 a 40 anos.

A partir desse diagnóstico, o projeto revelou a dimensão do problema e passou a orientar soluções de manejo viáveis para recuperar áreas degradadas e preparar a terra para resistir a eventos extremos cada vez mais frequentes. 

 

Manejo em condições adversas

Segundo Brunetto, o primeiro passo para recuperar áreas degradadas deve ser avaliar o solo. Mas essa não é a solução definitiva: a proteção contínua é o que garante resultados duradouros.
“Você tem que proteger o solo para que, se no futuro chover de novo com aquela intensidade, menos terra seja perdida”, explica o pesquisador. Para isso, ele recomenda a adoção de técnicas de conservação.

Uma das principais estratégias é o uso de plantas de cobertura. Elas podem ser espécies nativas ou cultivadas e devem ser semeadas entre linhas de videiras e pessegueiros. Essas plantas formam uma camada que protege contra a erosão, melhora a estrutura do solo e contribui para a ciclagem de nutrientes.
“Elas absorvem nutrientes, crescem, completam o ciclo e depois retornam para o solo, enriquecendo-o”, explica Brunetto.

Ele compara a técnica a um pão coberto por nata:
“A nata seria a planta de cobertura. Ela não só está protegendo o solo, mas também repondo matéria orgânica, que foi perdida.”

Entre as espécies indicadas estão aveia, azevém e trevo, cultivadas justamente no período de maior intensidade de chuvas, de abril a setembro. O pesquisador lembra que o Sul do Brasil é referência no uso dessas técnicas, mas parte dos produtores havia abandonado a prática.
“É uma oportunidade de retomar esse conhecimento antigo, que já foi muito pesquisado na região e tem eficácia comprovada”, afirma.

Outro ponto destacado é que a revegetação ocorre naturalmente: uma vez semeada, parte das sementes permanece no solo e germina nos anos seguintes. Por isso, a recomendação é evitar químicos que eliminem essas espécies, preservando o ciclo de ressemeadura.

Outra estratégia defendida pela equipe é o uso de resíduos orgânicos, como esterco de animais, dejetos de aves e suínos, restos vegetais e composto orgânico. Esses materiais ajudam a repor o carbono perdido com as enchentes, melhorando a estrutura física e a fertilidade do solo.
“Mais carbono no solo significa menos CO₂ na atmosfera, que é um dos problemas do efeito estufa, além de mais nutrientes para as plantas”, explica Brunetto.

Como muitos agricultores já têm esse tipo de resíduo em suas propriedades, a prática também pode ser uma alternativa de baixo custo em comparação ao uso exclusivo de adubos minerais. A recomendação é que o material orgânico seja analisado para evitar excesso de nutrientes, ou que sejam seguidas as orientações de manuais técnicos regionais.

[caption id="attachment_364" align="aligncenter" width="1024"] Terraços construídos na Serra Gaúcha como estratégia de proteção do solo[/caption]

Em áreas de encosta, a construção de terraços também pode ser determinante. Eles funcionam como degraus que reduzem a velocidade da água e diminuem as perdas de solo e de nutrientes. Embora o investimento inicial seja mais alto, pela necessidade de maquinário, a prática pode evitar prejuízos maiores no futuro.

Experiência no campo

O agricultor Fabiano Orsatto, associado à Cooperativa Vinícola Aurora, já utilizava plantas de cobertura e, após as enchentes, passou a testar espécies de ciclo mais tardio para ampliar o período de proteção.
“Onde as plantas estavam bem formadas e o solo estava protegido, ocorreram menos danos. Quanto mais protegido o solo, melhor para manutenção do mesmo.”

Apesar dos custos com sementes e reconstrução de áreas atingidas, ele aposta na eficácia da estratégia:
“O investimento inicial valeu a pena.”

Já o produtor Emerson Cimadon adotou a cobertura verde no início dos anos 2000, quando mecanizou os vinhedos. Desde então, observa benefícios como menor erosão, maior infiltração de água e até a volta de insetos que auxiliam no controle natural de pragas.
“Com o tempo, vimos a volta de insetos que ajudam no controle natural de pragas.”

Ele acrescenta que a palhada seca formada após o ciclo das plantas continua protegendo os parreirais no verão, aumentando a eficiência do manejo.

Preparar hoje para resistir amanhã

Brunetto destaca que a construção de soluções é sempre feita em parceria com agricultores e técnicos da extensão rural.
“O que conquistamos foi confiança. Sempre retornamos os resultados das pesquisas e mostramos como podem ser aplicados no campo. Ajudamos o produtor a melhorar seu cenário, muitas vezes com baixo custo, mas com retorno em produtividade e lucro”, afirma.

O pesquisador lembra ainda que o conhecimento científico precisa sair da universidade e chegar de fato ao campo, para não perder relevância.
“Não adianta termos o melhor conhecimento dentro da academia se ele não chega ao produtor. Para o agricultor, a prática precisa ser eficiente e lucrativa”, pontua.

Essa relação de confiança também é percebida pelos agricultores.
“As orientações da equipe ajudam nas decisões de manejo que tomamos na propriedade”, conta Fabiano Orsatto.
“Quanto mais orientações técnicas tivermos, mais chances teremos de proteger o solo no futuro”, acrescenta Emerson Cimadon.

Repercussão nacional

A pesquisa também repercutiu fortemente fora do meio acadêmico. Segundo Brunetto, os resultados chegaram até jornais do Sudeste e do Nordeste do Brasil. O dado que mais chamou atenção foi o cálculo de que a recuperação dos solos poderia levar até 40 anos.
“Esse número deu um ‘boom’, porque é fácil de compreender a gravidade da situação”, lembra o professor.

Para ele, a ampla cobertura midiática demonstra a relevância do trabalho, que uniu diagnóstico e soluções práticas.
“Esse foi o projeto científico de maior visibilidade da minha carreira, porque mostrou que a universidade pode contribuir de forma direta para recuperar solos degradados e preparar os agricultores para enfrentar novos desafios climáticos.”

Evento em Bento Gonçalves

No início de setembro, a equipe da UFSM esteve em Bento Gonçalves, em parceria com a Cooperativa Vinícola Aurora, para apresentar os resultados preliminares. O encontro reuniu técnicos e agricultores que tiveram perdas de solo com as enchentes.

A programação foi dividida em duas etapas: primeiro, a apresentação dos dados levantados nas propriedades; depois, a discussão sobre alternativas para recuperar os solos e se preparar para novos eventos climáticos extremos.

Para Brunetto, a mensagem central é de prevenção: “Sabemos que eventos de chuva intensa vão se repetir em intervalos cada vez menores. Se os agricultores mantiverem o solo protegido com plantas de cobertura, reforçado com resíduos orgânicos e manejado com terraços, os danos serão menores. É um investimento feito hoje para reduzir as perdas de amanhã.”

Reportagem: Luciane Treulieb, jornalista
Fotografias disponibilizadas pelo projeto

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Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/09/12/projeto-comunicacao-de-proximidade-elabora-cartografia-comunicacional-da-quarta-colonia Fri, 12 Sep 2025 14:25:55 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=352

Diante das enchentes de maio de 2024, um grupo de professores e estudantes vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação (Poscom) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) percebeu a necessidade de realizar ações de extensão em comunicação. A primeira iniciativa foi a coleta de pilhas e rádios para distribuição às famílias afetadas pelas chuvas na Quarta Colônia. A partir daí, a proposta evoluiu com a criação de um projeto contemplado pelo edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG). 

 

Assim surgiu o projeto ‘Comunicação de proximidade: memória, resiliência e adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais na Quarta Colônia’, coordenado pela professora Aline Roes Dalmolin, do Poscom da UFSM. A docente destaca que o objetivo principal é reconhecer o ecossistema de comunicação que já existe nos nove municípios da região, formado por comunicadores populares profissionais (das rádios comunitárias), de agentes institucionais (como a Defesa Civil e prefeituras) e mesmo agentes comunitários (vinculados a igrejas, comunidade escolar, associações, sindicatos e cooperativas).

Equipe do projeto em atividades na Quarta Colônia.

O levantamento ocorre por meio de uma cartografia de mídias tradicionais e digitais, perfis institucionais e grupos em redes sociais. “Proporciona um panorama sobre como se dá a comunicação dentro desses espaços. Dentro do escopo das mídias tradicionais, identificamos a presença de jornais e emissoras de rádio situadas nestes espaços, bem como a presença de antenas retransmissoras ou cobertura de canais de televisão”, explica Aline. Já em relação às mídias digitais, a professora ressalta que foram mapeados vários perfis em redes sociais, sites e grupos de WhatsApp e que tiveram papel importante na comunicação comunitária durante as enchentes. Atualmente, o projeto está na fase de consolidação da coleta e fechamento dos dados da pesquisa. Os primeiros resultados do levantamento dos veículos de comunicação da Quarta Colônia foram publicados no capítulo 8 do livro ‘Jornalismo e Desenvolvimento’, disponível neste link.

Coleta dos dados

Phillip Gripp é jornalista e pesquisador no projeto ‘Comunicação de Proximidade’. Ele é bolsista de pós-doutorado vinculado a um dos projetos parceiros, o ‘Territórios Conectados pela Sororidade’. Gripp explica que a coleta dos dados de pesquisa ocorre de duas maneiras: a primeira é, justamente, o mapeamento da malha de comunicação da Quarta Colônia. “Consiste em identificar os meios de comunicação e a atuação de profissionais da área nestas cidades. Estamos fazendo um levantamento para descobrir onde as pessoas buscam informações sobre os acontecimentos do território”, detalha Phillip. 

A segunda forma de coleta é realizada por meio de entrevistas com moradores da região, como agricultores, gestores da administração pública, professores, entre outros. A intenção é produzir diferentes materiais midiáticos de divulgação da pesquisa. “Também temos esse teor qualitativo, de entendermos, a partir das entrevistas, como se deu a atuação dessas pessoas e qual foi o impacto das enchentes”, afirma.

A recepção da comunidade ao projeto tem sido positiva, destaca Camila Rodrigues Pereira, publicitária e pós-doutoranda em outro dos projetos parceiros, o ‘Governança e  multidimensionalidade dos riscos climáticos: abordagem multidisciplinar em  Comunicação de proximidade, Interpretação geopatrimonial e Economia Ecológica  aplicada aos Geoparques Unesco no Rio Grande do Sul’. Para ela, isso se deve ao fato de o projeto abordar temas importantes para a comunidade, como memória, adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais. “São questões que estão muito próximas e que os afetaram recentemente”, observa Camila.

Comunicação em contextos de crise

Para Aline Dalmolin, coordenadora do projeto ‘Comunicação de Proximidade’, refletir sobre como a comunicação acontece em contextos de crise climática é fundamental. “Ela está na essência e serve como base para qualquer das ações que pretendemos desenvolver”, enfatiza. A pesquisadora destaca que, no caso da Quarta Colônia - uma das primeiras regiões atingidas pelas chuvas de 2024-, a população vivenciou a crise climática de uma forma muito intensa, e as respostas também tiveram que ser imediatas, inclusive na comunicação. 

“Foram várias comunidades desalojadas, pessoas que tiveram sua mobilidade extremamente reduzida, falta de alimento, falta de luz, várias dimensões da escassez, e algumas delas, inclusive, infelizmente, chegaram a perder a vida. Nesse sentido, a comunicação conduz respostas imediatas aos eventos extremos”, ilustra Aline. Exemplos são a emissão de alertas, atualização de informações checadas e apuradas - inclusive como resposta à propagação de desinformações e fatos desencontrados, o que é bem comum em situações de crise.

Além disso, para a pesquisadora, a comunicação também tem papel central na conscientização da população sobre os fenômenos ambientais, por que eles acontecem e como impactam as comunidades. “Nosso projeto envolve essas duas dimensões e está estruturado em três eixos: o primeiro dedicado ao mapeamento, o segundo voltando à prevenção de eventos climáticos - buscando formas de mobilizar melhor as comunidades para responder a situações semelhantes no futuro- e o terceiro eixo centrado na educomunicação, preparando as novas gerações para compreender essas mudanças.”

O projeto na comunidade

Para Camila, o desafio do projeto está na complexidade do campo de pesquisa. São nove municípios, com características, histórias e memórias distintas, o que se reflete nos impactos provocados pelas chuvas de 2024. “Embora a memória dessas comunidades se entrelace, ao dialogar e ouvir as pessoas de  cada município, surge sempre a vontade de aprofundar ainda mais as conversas”, destaca.

Em 2024, o projeto atuou por meio da educomunicação, com oficinas de fotografia, desinformação climática, audiovisual e mapas conceituais para três escolas, localizadas em Agudo e Nova Palma (fase 1). No primeiro semestre de 2025, foram realizados grupos de discussão para tratar de temas relacionados à comunicação do território e para elaborar protocolos para a constituição da malha de Comunicação de Proximidade da região (fase 2).

Neste semestre, os projetos estão atuando na capacitação de comunicadores locais e no fortalecimento dos agentes da malha de comunicação de proximidade (fase 3). De maneira concomitante, também em 2025 são desenvolvidos produtos editoriais e ações de educomunicação, que envolvem as entrevistas com moradores (fase 4), e que seguem até julho de 2026. Por fim, de junho a julho de 2026, o projeto será finalizado, com entrega dos produtos, seminários e elaboração do relatório final.

Entre os produtos previstos, está a elaboração de policy papers junto à comunidade, que consistem em propostas para aperfeiçoar os protocolos. “É importante para que as comunidades possam transformar essas práticas de prevenção e de comunicação de resiliência climática em políticas públicas”, destaca Aline.

Mapas conceituais produzidos nas oficinas com escolas.
Gravação de entrevistas com moradores.

Expediente:

Reportagem: Samara Wobeto, jornalista

Edição: Luciane Treulieb, jornalista

Fotos: Divulgação

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O Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) está dando passos importantes na implementação da telessaúde, estratégia que permite que os pacientes se consultem a distância com profissionais de saúde. A iniciativa é coordenada pelo professor Gustavo Nogara Dotto, da Gerência de Ensino e Pesquisa do hospital.

A tecnologia traz benefícios concretos para pacientes que vivem longe do HUSM, seja em Santa Maria ou em outros municípios, e enfrentam deslocamentos longos e caros. “Muitas vezes, a consulta é apenas para renovar uma prescrição ou solicitar um exame. Isso pode ser resolvido com a teleconsulta, com prescrições contendo assinatura digital, sem a necessidade de viagem até o hospital”, explica Dotto.

A redução das viagens significa economia para famílias e prefeituras, além de liberar leitos e consultas presenciais para quem realmente precisa. Embora Santa Maria concentre cerca de 60% da demanda, o hospital atende pacientes de mais de 40 municípios da região central do estado, incluindo cidades como Júlio de Castilhos, São Sepé e São Vicente do Sul.

 

 

Como funcionam as teleconsultas?

A primeira consulta sempre deve ser presencial. Nesse encontro inicial, o profissional constata se o paciente tem acesso à internet, conhecimento técnico para participar da videochamada e se o caso pode ser acompanhado a distância. Em seguida, é colhido um termo de consentimento, autorizando o acompanhamento remoto. Nos casos em que há necessidade de exame físico, o retorno presencial é agendado.

Na prática, a maioria das teleconsultas do HUSM é realizada por vídeo via WhatsApp institucional, devido à facilidade de uso pelos pacientes, além da agilidade e rapidez que o aplicativo oferece. Dotto destaca que o Conselho Federal de Medicina permite o uso do app para teleconsultas e nada fica gravado. Embora exista um sistema oficial da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o STT, a equipe relata que ele exige um nível de familiaridade digital que muitos pacientes não têm, o que limitaria sua aplicação e desestimularia tanto os usuários quanto os profissionais.

Segundo Dotto, a adesão inicial foi mais expressiva entre equipes multiprofissionais, como psicologia e enfermagem, que passaram a utilizar a teleconsulta em áreas como aleitamento materno e acompanhamento de pacientes oncológicos (pré-transplante e pós-transplante de medula óssea). Porém, em breve, pacientes oncopediátricos e da lista de espera de cirurgias cardíacas também devem começar a ser atendidos remotamente por médicos do hospital, o que deve contribuir para a redução das filas de espera.

Os desafios incluem a resistência de alguns profissionais, que ainda preferem o formato tradicional, presencial. Para Dotto, vencer essa barreira depende de mostrar as vantagens do telessaúde, como a otimização de tempo e a diminuição do fluxo diário de mais de cinco mil pessoas no hospital. A experiência do setor privado, onde consultas online já são comuns, também tem ajudado a impulsionar a aceitação, principalmente entre médicos. A capacitação oferecida no HUSM busca promover o letramento digital entre profissionais de saúde, mostrando que o processo é simples e pode ser integrado à rotina de trabalho. “O primeiro uso é decisivo. Depois que percebem que é simples e funciona, seguem utilizando”, afirma o professor.

Praticidade para pacientes oncológicos

Um dos tipos de atendimentos em que a telessaúde tem se mostrado efetiva é o acompanhamento de pacientes que realizam transplante de medula óssea. A equipe atua desde o período pré-operatório até depois do retorno para casa, unindo o cuidado presencial à teleconsulta para garantir segurança e adaptação à nova rotina de vida.

O enfermeiro Carlos Sangoi, que trabalha diretamente com esses pacientes, explica que o acompanhamento começa já no primeiro contato, com uma avaliação ampla que considera moradia, hábitos e rotina. O objetivo, segundo ele, é identificar e prevenir possíveis problemas no pós-transplante. “A teleconsulta complementa esse processo, permitindo orientar e acompanhar adaptações necessárias antes mesmo do procedimento”, afirma.

Em um dos casos, Sangoi relata que a análise de fotos da casa de um paciente revelou a necessidade de melhorias estruturais. As mudanças foram viabilizadas por meio de articulação com a Secretaria de Saúde. Para o enfermeiro, esse planejamento antecipado garante que, ao retornar para casa, o paciente encontre um ambiente seguro e adequado para a recuperação.

A teleconsulta, explica, também auxilia na organização de exames, na preparação para a internação e no esclarecimento sobre a rotina no Centro de Transplante de Medula Óssea (CTMO). Além disso, o recurso é usado em parceria com a equipe de psicólogos para apoiar pacientes que enfrentam dificuldades emocionais no pós-transplante, contribuindo para a recuperação e o bem-estar.

Outro ponto destacado pelo enfermeiro é o conforto e a praticidade do atendimento remoto, que evita deslocamentos e permite um cuidado mais acolhedor em casa. Para pacientes de outras cidades, a avaliação das condições de moradia em tempo real é especialmente útil, complementando o acompanhamento com visitas presenciais quando necessário.

Próximos passos

O financiamento obtido pelo projeto “Programa Integrado de Telessaúde: Resposta à Crise Climática no RS por meio da Parceria entre Programas de Pós-Graduação da UFSM” no edital PROEXT-PG permitiu a compra de webcams e fones de ouvido de alta qualidade, além do upgrade de computadores que estão sendo utilizados nas teleconsultas no HUSM.

A iniciativa também será fortalecida pelo recém-aprovado PET Saúde Digital, o maior da história da UFSM, com 254 bolsistas atuando tanto no HUSM quanto na Prefeitura de Santa Maria. Há ainda a previsão de novos investimentos via Rede Nacional de Pesquisa (RNP) para aquisição de equipamentos.

A ideia é que, a médio prazo, a telessaúde esteja integrada a diversas áreas do hospital, em parceria com a rede básica de saúde. A expectativa da equipe é atingir a meta de 2 mil atendimentos até agosto de 2026, consolidando o atendimento remoto no HUSM.

Reportagem: Luciane Treulieb, jornalista

Ilustração: Evandro Bertol, designer

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Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/08/01/sumo-educacional-ensina-educacao-financeira-por-meio-de-jogos-educativos Fri, 01 Aug 2025 16:50:22 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=345 O cenário financeiro é de aumento do endividamento das famílias brasileiras. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), em abril de 2025, 77,6% das famílias estavam endividadas. A pesquisa é feita periodicamente pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). 

 

Dados como esses motivaram a criação do projeto Sumo Educacional, que busca promover a educação financeira de maneira simples e acessível. O projeto está entre os contemplados pela atual edição do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG). Natali Morgana Cassola, integrante do projeto e mestranda no Programa de Pós-Graduação em Economia e Desenvolvimento (PPGE&D) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), explica que o programa atua em três frentes. O primeiro trata da formação de professores da rede escolar, por meio da oferta de cursos presenciais e online. O segundo braço aborda a alfabetização financeira de alunos da rede pública, com ações presenciais nas escolas. Por fim, a terceira frente de atuação leva a educação financeira a pessoas em situação de vulnerabilidade, com foco  em crianças e adolescentes que vivem em abrigos.

Para Rafaela Boeni Miguel, estudante de Economia na UFSM, o Sumo Educacional populariza o acesso ao conhecimento. “O projeto é uma porta de entrada para a educação financeira para muitas pessoas. Vai ter reflexos no planejamento, na vida profissional, na realização de sonhos”, pontua. As três frentes de atuação se interseccionam com a aplicação de um jogo educativo chamado ‘Pense e Ganhe Dinheiro’. Rafaela pontua que esta foi a metodologia mais efetiva encontrada para trabalhar com jovens e adolescentes: “É um conteúdo que envolve matemática e números, exige parar, pensar e se organizar”. Ela afirma que métodos tradicionais, como  sentar  em uma cadeira para ouvir o professor e ler slides sobre educação financeira não são as maneiras mais efetivas de trabalhar com jovens”.

Desmistificar o dinheiro

Temas como dinheiro, crédito e débito, salários e descontos, parcelamento e endividamento ainda são pouco trabalhados nas escolas. “Em um contexto em que a educação financeira ainda é tratada de forma pontual, oferecer recursos interativos como os jogos é uma maneira eficaz de garantir que os alunos aprendam de forma significativa e se sintam motivados a aplicar esse conhecimento na vida real”, explica Natali. Para a pesquisadora, a importância está em tornar o processo de aprendizado mais atrativo, dinâmico e conectado com a realidade social dos estudantes.

“Eu acho que desmistifica essa ideia de que ‘a educação financeira não é para mim, não é para o meu bico, não é para a minha classe social…’ E ela é para todo mundo, sabe?” - Rafaela Boeni Miguel, estudante de Economia da UFSM.

Para Rafaela, os jogos facilitam o entendimento de conceitos e conteúdos que jovens e adolescentes não têm oportunidades de aprender. O jogo desenvolvido pelo projeto auxilia na revisão dos conteúdos teóricos trabalhados em sala de aula. Natali sinaliza que há estímulo de competitividade saudável e, consequentemente, de engajamento dos participantes e entendimento dos conceitos. “Permitem simular situações do dia a dia, como tomada de decisões financeiras, planejamento e consumo. Promove a compreensão prática dos conteúdos”, complementa a pesquisadora.

Educação financeira em jogos educativos

O ‘Pense e Ganhe Dinheiro’ foi desenvolvido pelo grupo do Sumo Educacional. O jogo educativo é inspirado no programa ‘Passa ou Repassa’, exibido pela emissora SBT. Os estudantes se organizam em dois times. O jogo de perguntas e respostas é mediado por um narrador, que deve ser o professor. A cada rodada, duas pessoas do time adversário se enfrentam e precisam responder perguntas com temáticas que envolvem questões financeiras, sociais e cotidianas. Cada acerto é recompensado com ‘patacas’, que representam o dinheiro. Se acertar na primeira etapa, o estudante leva o valor mais alto. Caso não saiba, pode repassar para o adversário. Se este não souber, abre-se a possibilidade de desafios, que podem ser tanto perguntas quanto contas matemáticas. O time vencedor é aquele que soma mais patacas. Uma sineta fica entre os competidores e é acionada por quem souber a resposta para a pergunta. Uma ampulheta controla o tempo do jogo.

Cerca de oito pessoas estão em pé, espalhadas em um ambiente de sala de aula. No meio da foto, há uma mesa redonda, em que estão elementos de um jogo: cartas coloridas, sineta e ampulheta. Uma mulher segura um saco de tecido e lê uma das cartinhas.
Aplicação do jogo em escola da rede pública de Santa Maria.
Fotografia de três estudantes em sala de aula. Há uma mesa entre dois deles, que se olham e estão com uma das mãos atrás da orelha e a outra apontada sobre a mesa. Atrás da classe escolar, uma mulher em pé lê uma carta. Sobre a mesa, há uma sineta, ampulheta e elementos em papeis coloridos.
Estudantes jogam o ‘Pense e Ganhe Dinheiro’.

Inicialmente, o projeto utilizava um jogo terceirizado, que exigia a compra de um kit com materiais específicos. No entanto, os integrantes do Sumo perceberam que ele não se adequava à realidade das escolas públicas por conta do custo elevado. “Como a proposta do Sumo Educacional é justamente tornar a educação financeira acessível, optamos por desenvolver um jogo próprio, que pudesse ser reproduzido com facilidade pelos professores e adaptado conforme as necessidades de cada escola”, destaca Natali. O ‘Pense e Ganhe Dinheiro’ foi desenvolvido com materiais simples e acessíveis, além de estar adequado aos conteúdos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O desenvolvimento do jogo foi feito de maneira coletiva, por cerca de 15 integrantes do Sumo Educacional.

Pataca e a lenda do dinheiro que dá em árvore

O nome da moeda do jogo, pataca, faz referência a uma lenda segundo a qual dinheiro nasce em árvore. De acordo com uma reportagem do G1, a Dillenia indica, também conhecida como Maçã-de-elefante ou árvore das patacas, é originária da Índia e foi trazida ao Brasil por D. João VI em 1808.  Suas flores se fecham para formar o fruto, que lembra uma espécie de cofre. Naquela época, a moeda que circulava no Brasil se chamava justamente pataca, de origem portuguesa. Conforme o guia do jogo, Dom Pedro I escondia as patacas nos frutos dessa árvore, o que teria originado a lenda. Rafaela ainda pontua que o nome traz o significado de abundância para a vida das pessoas.

Jogo Pense e Ganhe Dinheiro sobre mesa escolar. Sobre a mesa, duas sinetas em tom prata e uma ampulheta de plástico. Também tem cédulas de dinheiro pataca, do jogo, sobre sacos de tecido coloridos em tons verde, rosa e azul.
Elementos do jogo: Patacas, Perguntas, Desafios, sinetas e ampulheta.
Fotografia colorida de uma flor de pataca dentro de uma espécie de cofre. As pétalas verdes e duras estão se fechando. Dentro, sobre o miolo da flor, está uma moeda de um real.
Flor da árvore com as pétalas fechando. Reprodução: G1.

Operação Salário Mínimo

Formada em Economia pela UFSM e integrante do Sumo Educacional desde a graduação, Natali Cassola tem o projeto de extensão como objeto de estudo no mestrado. No último semestre, ela cursou uma disciplina do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Educacionais em Rede (PPGTER) da UFSM. Chamada ‘Jogos na Educação’, a disciplina discute aspectos teóricos e práticos sobre o uso, desenvolvimento e avaliação de jogos digitais e não digitais em contextos educacionais. “Busquei essa disciplina justamente porque queria aprofundar meus conhecimentos sobre jogos educativos, especialmente no ambiente escolar. Foi uma experiência muito enriquecedora: aprendi conceitos que até então não conhecia, tive contato com jogos educacionais de diferentes áreas e, ao final, tive a oportunidade de elaborar um jogo”, conta Natali. 

 

‘Operação Salário Mínimo’ é o nome do produto da disciplina, elaborado por Natali e mais duas colegas. O jogo simula, de forma lúdica, os desafios financeiros enfrentados por pessoas que vivem com rendas limitadas. “O jogo trabalha temáticas como planejamento financeiro, consumo consciente, imprevistos e bem-estar, e acredito que ele pode ser adaptado e utilizado também em aulas de educação financeira, especialmente pela sua proximidade com a realidade dos estudantes”, explica a pesquisadora. De acordo com ela, a intenção é que o jogo seja aplicado no Sumo Educacional a partir do próximo semestre.

 

Um dos maiores aprendizados da experiência, para Natali, é o de que o desenvolvimento de jogos educativos deve levar em conta o alinhamento com objetivos pedagógicos definidos e que estejam de acordo com a realidade dos estudantes.

“O jogo precisa ser mais do que divertido: deve proporcionar experiências de aprendizagem significativas. Isso envolve pensar em uma mecânica clara, regras acessíveis, linguagem adequada e, principalmente, em situações que estimulem a reflexão e a tomada de decisões. Um bom jogo educativo deve, ao mesmo tempo, engajar os alunos e contribuir para a construção do conhecimento de forma prática e crítica” - Natali Morgana Cassola, integrante do Sumo Educacional.

Saiba mais

Acompanhe o Sumo Educacional no instagram.

Confira o vídeo oficial sobre o projeto produzido pela equipe do Além do Arco.

 

Reportagem: Samara Wobeto, jornalista

Fotos: Samara Wobeto, jornalista; e Natali Cassola

Edição: Luciane Treulieb, jornalista

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Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/07/18/empreendedorismo-social-potencializa-solucoes-para-problemas-sociais-e-ambientais Fri, 18 Jul 2025 13:09:16 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=341

Com o avanço das tecnologias e o crescimento das startups, o empreendedorismo passou a ser tema presente em vários espaços, principalmente em conversas sobre inovação e desenvolvimento. Falar sobre empreendedorismo, no sentido mais amplo do termo, é destacar a capacidade de observar problemas e desenvolver soluções para eles, a partir da aplicação de diversos tipos de recursos (financeiros, humanos, materiais, etc). A partir desse olhar, podemos ir além das concepções tradicionais de negócios, e colocar em evidência conceitos como o empreendedorismo social.

Meu nome é Debora Bobsin, sou professora do Departamento de Ciências Administrativas, e ministro a disciplina de Empreendedorismo Social para o curso de graduação em Administração. Também coordeno o Time Enactus UFSM, projeto de extensão que promove o empreendedorismo social no ambiente acadêmico, desenvolvendo ações voltadas para os desafios enfrentados por comunidades em vulnerabilidade social da região de Santa Maria.

[caption id="attachment_344" align="alignright" width="1024"] Integrantes do Time Enactus UFSM junto a participantes do projeto[/caption]

Se compreendermos que empreender é criar soluções para os problemas existentes, o empreendedorismo social se dedica a resolver problemas específicos de ordem social e ambiental. Por muito tempo, essa abordagem esteve diretamente relacionada a organizações do Terceiro Setor, mais especificamente a entidades filantrópicas e organizações sem fins lucrativos. Entretanto, o conceito se expandiu e passou a englobar também os chamados negócios sociais. Um marco importante nessa trajetória foi a criação do Grameenn Bank, por Muhammad Yunus, que desenvolveu uma empresa pioneira de microcrédito em Bangladesh. O banco nasceu com o propósito de resolver problemas sociais e promover inclusão financeira, ao mesmo tempo em que buscava manter uma estrutura sustentável - em que o lucro era reinvestido no próprio negócio.

No Brasil, nos últimos anos, temos assistido ao desenvolvimento e consolidação de negócios de impacto socioambiental. Esses empreendimentos atuam na solução de problemas sociais e ambientais a partir de uma lógica de negócios, podendo alcançar lucro, distribuir dividendos, etc. Ou seja, o que diferencia o modelo do empreendedorismo social é a intencionalidade: criar soluções que gerem impacto socioambiental. Há diversos exemplos pelo país que ilustram esse modelo em ação. O Programa Vivenda, por exemplo, atua na melhoria das condições de moradia para pessoas de baixa renda, oferecendo soluções habitacionais acessíveis. A Retalhar transforma resíduos têxteis em matéria-prima para novos produtos, contratando cooperativas de costureiras de periferias urbanas. Já a Abraço Cultural é uma escola de idiomas que tem como diferencial o corpo docente formado por refugiados, promovendo não apenas ensino de línguas, mas também a valorização da diversidade cultural e a inclusão social.

Realidade local e Agenda 2030

O ponto de partida de uma iniciativa de empreendedorismo social é a compreensão da realidade local, dos problemas sociais e ambientais existentes, e de quem são as pessoas que vivenciam este contexto. A participação ativa das comunidades e o reconhecimento de seus saberes na construção de soluções para os próprios problemas são passos importantes para a emancipação desses sujeitos, permitindo que os empreendimentos sociais se tornem fontes de transformação social.

Uma referência útil para identificarmos oportunidades de atuação dos empreendimentos sociais é a Agenda 2030, que reúne os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Esses objetivos abarcam problemas globais de diferentes naturezas, presentes em maior ou menor grau nas diferentes realidades, como desigualdade, pobreza, fome, mudanças climáticas, entre outros. Por isso, as problemáticas que deram origem aos ODS podem ser fontes de potenciais negócios sociais. É necessário, portanto, examinar com profundidade como esses contextos se formam e como determinada comunidade vivencia esses desafios. Para isso, precisamos nos aproximar da realidade, conversar com as pessoas, e também analisar os dados que possam confirmar o que observamos na prática.

Impacto mensurável

Além de intencionalidade em construir uma solução para um problema socioambiental, um empreendimento social precisa comprovar seu impacto por meio de resultados mensuráveis. Contudo, as métricas no empreendedorismo social vão além do lucro financeiro - tradicionalmente usado para avaliar o sucesso de um negócio. Alguns exemplos de indicadores são melhoria da qualidade de vida das pessoas, geração de renda, acesso a serviços básicos e redução de impactos ambientais (como diminuição ou reaproveitamento de resíduos). A avaliação sistemática do impacto é essencial para garantir que o empreendimento social esteja, de fato, promovendo mudanças.

Projeto Enactus e a atuação da Universidade na sociedade

Por fim, o empreendedorismo social tem uma relação muito próxima com o papel da Universidade na sociedade. Ele contribui para a formação cidadã desenvolvida nas diferentes áreas do conhecimento por meio das ações de pesquisa, ensino e extensão. O empreendedorismo social, seja como conteúdo de sala ou como campo de investigação e prática acadêmica, nos possibilita construir uma formação conectada com as diferentes realidades sociais, culturais e econômicas. A presença de suas concepções, nos espaços formativos, permite desenvolver, nas novas gerações de profissionais, o comprometimento em construir um mundo melhor e um país mais justo.

Nesse sentido, o Time Enactus UFSM tem atuado como um espaço de aplicação prática para os estudantes da Universidade. A equipe foi selecionada no edital Proext-PG UFSM Além do Arco, e atualmente desenvolve iniciativas voltadas à sustentabilidade e à inclusão. Um dos projetos em andamento é voltado à educação ambiental. As ações vêm sendo realizadas em Caçapava do Sul e Santa Maria, com foco na implantação de hortas educativas voltadas para crianças. Uma cartilha educativa e um jogo interativo relacionados ao tema estão em fase de finalização para serem distribuídos nas escolas. 

[caption id="attachment_343" align="alignleft" width="385"] Material sobre hortas comunitárias produzido pelo Time Enactus UFSM[/caption]

 

Outro projeto está sendo desenvolvido na comunidade Passo das Tropas, uma das áreas mais afetadas pelas enchentes em Santa Maria de maio de 2024. A ação tem como público prioritário as mulheres da comunidade, embora seja aberta a outras pessoas interessadas. A proposta é realizar capacitações sobre plantio e cuidado com o porongo, incluindo a distribuição de sementes. As atividades acontecem na escola da região, com as mães dos alunos. Além disso, estão sendo promovidas oficinas de gestão, comercialização e vendas nas redes sociais, abordando temas como precificação e estratégias de mercado, com o objetivo de fortalecer a autonomia financeira das participantes e ampliar o alcance das iniciativas sociais desenvolvidas.  Mais informações podem ser conseguidas na página de Instagram do projeto.

Texto: Debora Bobsin, professora do Departamento de Ciências Administrativas

Edição: Luciane Treulieb, jornalista

Colagem de capa: Evandro Bertol, designer 

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Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/07/10/coletivo-fluir-movimenta-a-educacao-em-defesa-das-infancias Thu, 10 Jul 2025 17:22:07 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=322 Às quartas-feiras, o movimento é intenso para um grupo de professores, doutorandas, mestrandas e graduandas do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Entre salas da Universidade e escolas municipais, o vai e vem é constante, reflexo das ações do projeto Fluir, que busca refletir sobre a educação e as aprendizagens de crianças em contextos de vulnerabilidade. Contemplada pelo edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG UFSM Além do Arco), a iniciativa tem como base um compromisso coletivo com a infância. “No princípio de formação do Coletivo temos um objetivo muito claro, um posicionamento radical, que é essa defesa das crianças em situação de vulnerabilidade. Essa é a espinha dorsal”, afirma Fabiane Bridi, professora do Departamento de Educação Especial da UFSM e atual coordenadora do projeto.

Ir e vir

Os encontros se alternam entre escolas e Universidade. Em uma das semanas, o grupo - formado por aproximadamente 134 integrantes da UFSM - se divide em quatro frentes. Três delas são direcionadas a uma escolas municipais de Santa Maria: a de Ensino Fundamental, EMEF Chácara das Flores, e as de Ensino Infantil, EMEIs Montanha Russa e Monte Bello. Além disso, o grupo atua também no Lar de Joaquina. No espaço da escola, são montados os territórios educativos intersetoriais, com o objetivo de proporcionar espaços onde a brincadeira é entendida como forma de aprendizagem para as crianças.

Espaços onde as professoras possam discutir problemas da escola, possibilidades de mudanças e planejar ações. Onde monitoras e estagiárias podem refletir sobre suas atuações. E onde  funcionárias - como faxineiras e cozinheiras - tenham espaço para  compartilhar dores e desafios do ambiente escolar. “É um espaço de construção, de invenção, de criatividade - para nós e para as crianças”, define Fabiane.

Território Educativo Intersetorial (TEI) com objetos do universo da cozinha
Território Educativo Intersetorial de professoras
Território Educativo Intersetorial de estagiárias e monitoras.

Na semana seguinte, o encontro acontece na Universidade: uma sala ampla do Centro de Educação se enche de vozes, de abraços e de pessoas à medida que as professoras - tanto das escolas quanto da UFSM - chegam para um espaço de formação. A disciplina de extensão ‘Territórios Educativos Intersetoriais: práticas extensionistas em contextos de vulnerabilidade’ é dedicada à discussão sobre educação e as infâncias. Para os pós-graduandos, ela também integra o processo de pesquisa.

Grupos de discussão pensaram a materialização das forças e fraquezas das escolas.

Denise Ferreira da Rosa, doutoranda em Educação e integrante do projeto, explica que a disciplina é uma oportunidade de integração entre acadêmicos e professoras das escolas: “É um espaço de escuta e de troca de experiências”, assinala. Ao mesmo tempo em que oportuniza esse diálogo e o compartilhamento de dificuldades entre as professoras das escolas, também representa para elas a chance de retomar o contato com a Universidade. É o caso de Juliana Cezimbra, professora e gestora na EMEF Chácara das Flores, que ressaltou a  volta aos estudos e a reaproximação com a Universidade como um dos principais motivos para frequentar o espaço da disciplina ofertado pelo Fluir.

Vulnerabilidades das infâncias

Entre o final de abril e o início de maio de 2024, chuvas torrenciais atingiram o estado do Rio Grande do Sul e provocaram uma das maiores tragédias climáticas, sociais e políticas do país. A cidade de Santa Maria foi uma das primeiras afetadas. Na região leste, ocorreram deslizamentos de terra no Morro do Canário, no bairro Itararé. 

Priscila Arruda Barbosa, diretora na EMEI Criança Cidadã e moradora do bairro, lembra que, diante da tragédia, a preocupação com as crianças desabrigadas se tornou urgente. “Começamos a perceber que a educação sozinha não daria conta. As crianças precisavam de assistência, de abrigos, de novas casas, de novos locais para morar, de equipamentos, de mobiliários, de saúde, de alimentação, de nutrição, de estar bem fisicamente e emocionalmente”, destaca Priscila. 

Foi nesse contexto que a UFSM se movimentou para responder às demandas sociais. Taciana Camera Segat, professora do Departamento de Metodologia de Ensino no Centro de  Educação da UFSM,  conta que o Coletivo Fluir surge a partir dessa calamidade climática e da iniciativa de um grupo de professoras comprometidas com as infâncias, que passaram a visitar abrigos, buscando compreender tanto o impacto vivido pelas crianças quanto o papel da Universidade diante dessa realidade.

“A partir deste lugar, que é um lugar de encontro com as crianças e de entendimento de como elas viviam esse afastamento de seus lares, entendemos que existia uma demanda. Era necessário reconhecer esse lugar de vulnerabilidade das infâncias”, explica Taciana.

Apesar da angústia e da dor de ver as crianças desabrigadas naquele período, Priscila guarda com carinho o início do projeto, que hoje ela considera uma mola propulsora. “Ali começa esse movimento muito grande, que depois a professora Taciana dá o nome de Coletivo Fluir. Eu vi nela uma necessidade de servir socialmente - pelo curso do qual ela é formadora, um curso de pedagogia que é uma ciência da educação e que trabalha com crianças”, destaca. Priscila pontua que foi um estreitamento de laços: “Não é olhar a Universidade de lá e a sociedade de cá. É um olhar da Universidade sobre o que eu posso fazer pela minha sociedade”.

Fluir

O que surgiu como ação pontual se transformou em demanda, virou projeto e foi contemplado no edital do Proext-PG. O primeiro passo foi a criação de territórios para as crianças: espaços de brincadeiras, de diversão, de convivência uns com os outros. São organizados a partir de objetos diversos, que podem ser tanto brinquedos quanto aquilo que as educadoras chamam de materiais não estruturados: galhos, folhas, caixas de ovo, bacias, caixas de remédio, esmaltes, géis de cabelo, secadores, alimentos coloridos, objetos de cozinha e outros itens que, mesmo não sendo brinquedos, provocam e incentivam o brincar.

Nesses espaços, crianças e adultos trocam conhecimento. Taciana afirma que o foco não está no ensino, mas na aprendizagem. “Não é sobre como ensinamos, porque não queremos ir lá ensinar. Queremos criar espaços em que as crianças possam se movimentar, transitar e viver experiências que oportunizem aprendizagens. Que elas construam conhecimento. A ideia é oportunizar espaços de aprender”, explica. Em cada escola, são pelo menos cem crianças, desde bebês até crianças de doze anos, que participam dos encontros. “São um milhão de possibilidades de aprendizagem”, define Taciana.

A partir da formação deste primeiro território, voltado às crianças, surge um segundo. Fabiane explica que, ao propor o projeto às escolas, receberam a demanda da contrapartida de diálogo com as professoras, que sentiam necessidade de formação continuada - nem sempre suprida pelo Estado. “A partir dali se estabelece uma relação de construção de demanda, que é algo que é construído coletivamente, mas também de construção de vínculo”, pontua Fabiane. Para Taciana, esse movimento traduz o conceito que dá nome ao projeto: “Ele parte das crianças, aí flui para os professores, vai para a gestão e então abraça esse quarto território, destinado a processos de formação mais pontuais com professores”, reflete.

São quatro os Territórios Educativos Intersetoriais (TEIs):

1 - Crianças, famílias, escola e comunidade local

2 - Formação da comunidade escolar

3 - Gestão educacional e políticas públicas

4 - Andarilho: Coletivo Fluir em Movimento

Taciana explica: "Iniciamos a construção dos primeiros territórios de brincar nos abrigos. Após algumas semanas de inserção, diálogo, escuta e brincadeiras, as crianças retornam para as escolas, e neste momento seguimos com elas". Com isso, após encontros com as gestões das escolas, o grupo de docentes da UFSM recebeu a solicitação de colaboração nos processos formativos das equipes. "Assim nasce o TEI2, que trata da formação da comunidade escolar. Já o surgimento da TEI3 se deve à necessidade de articulação do projeto de extensão a um programa de pós-graduação", enfatiza a docente. Ou seja, os três primeiros territórios são articulados com o projeto submetido ao edital do Proext-PG. Por fim, o quarto território vem como consequência: "O Andarilho surge da procura do projeto por municípios e escolas que não eram contemplados até o momento", explica Taciana.

Dores da educação pública

Juliana Cezimbra sente que a gestão em escola pública é, por vezes, um trabalho solitário. “Quando tu vê os professores sobrecarregados, sem ânimo para trabalhar porque faltam horas para planejamento, faltam professores e não tem quem substitua, isso nos desmotiva, nos deixa entristecidos”, desabafa. Para ela, a educação básica deveria ser prioridade de todos os governos, como política pública.

“Muitas vezes, fica só nos discursos dos governantes, de que é a prioridade, que precisamos favorecer a base. Mas o que se vê? A falta de investimentos financeiros, a falta de recursos humanos. Isso desmotiva e atrapalha o nosso trabalho”, destaca Juliana.

Essa percepção também é de Priscila, que cita ainda a saúde mental dos professores como preocupação decorrente da precarização dos espaços educativos.

“Eu sempre digo que é como se fosse um balão, sabe? Inflamos com as nossas forças, com nossas potências, com o que gostaríamos de fazer. Temos vontade de fazer muitas coisas, o tempo inteiro. Mas esse balão vai murchando com cada uma das nossas fraquezas, das nossas mazelas, que diminuem a força desse balão aos pouquinhos. Temos que cuidar para que ele não estoure, para que a gente não viva um tempo em que eu não tenha mais vontade de fazer. Isso é o que mais tem me preocupado”.
O desafio das professoras foi pensar em como materializar as dificuldades enfrentadas pelas escolas públicas em que atuam.
Finalização do primeiro dia da disciplina: professoras da UFSM e das escolas, estudantes de graduação e de pós-graduação participaram do espaço.

Esperançar a educação

O projeto se constitui também a partir de perspectivas freireanas da educação, adaptadas às realidades atuais e às infâncias. “O nosso projeto é muito freireano. Não estamos lá para ensinar verdades absolutas, mas para oportunizar que as crianças aprendam”, pontua Taciana. 

 

Para Fabiane, trata-se de seguir o princípio de Paulo Freire de que o conhecimento não está apenas com o professor: crianças, adolescentes, adultos e idosos também sabem - sobre suas realidades, seus contextos, suas experiências. Cabe ao educador valorizar esse conhecimento e promover o diálogo, em uma troca em que o professor ensina aprendendo e o estudante aprende ensinando.

“O movimento do pensamento dele nos habita: nas hipóteses que as crianças fazem, acolher o que elas dizem, aquilo que elas trazem para nós, isso é uma forma de escuta atenta às crianças, às suas professoras, às demandas escolares. Isso se torna matéria-prima para pensar em outras intervenções”, considera Fabiane.

Juliana destaca que o projeto enxerga a criança de forma ampla e integral: ainda que em situação de vulnerabilidade, ela é atravessada por sentimentos, por relações sociais e familiares.

Impactos

Embora o foco esteja nas infâncias, os impactos do Coletivo Fluir se estendem para além delas. Denise Ferreira da Rosa observa que, em uma das escolas, colaboradoras, monitoras e estagiárias também têm sido mobilizadas pelas formações realizadas nos territórios, ganhando visibilidade e reconhecimento pela importância de suas ações e compreensões sobre o cuidado, as infâncias e os processos educativos. Esse caráter formativo e transformador não atinge apenas os profissionais da escola. Para acadêmicos e acadêmicas da graduação e da pós-graduação, Denise define o Coletivo Fluir como um espaço de vivência, pesquisa e extensão, o que contribui para o amadurecimento acadêmico e profissional.

A repercussão das ações se reflete ainda em outros âmbitos. Há uma crescente demanda por participação no projeto — atualmente presente em três escolas, mas procurado por outras instituições, inclusive de fora de Santa Maria. Mais do que o grupo consegue atender, de acordo com Taciana.

Para Fabiane, o Fluir não transforma somente as escolas, por meio das professoras, das crianças e das funcionárias, mas também os modos de fazer docência e pesquisa. “Isso começa a habitar o teu cotidiano. Você passa a falar muito sobre isso, a citar exemplos, a experienciar, a colher informações, a observar também”, explica Fabiane. 

Esse movimento reverbera também no interesse pela Universidade: houve aumento na procura por vagas da pós-graduação pelas professoras das escolas públicas, além da ampliação de encontros e debates com gestores educacionais, tanto do município quanto da região. Fabiane acredita que a maior expectativa do projeto seja contribuir para alterar políticas públicas e propor novas formas de se pensar a educação. “Eu acho que esse é o nosso movimento: quanto mais pessoas conseguirmos envolver, maior a rede, maior a proteção, mais a defesa das crianças”, conclui Taciana.

Parte do Coletivo Fluir em atividade na EMEI Montanha Russa.

Próximos passos

O projeto é liderado pelo Centro de Educação da UFSM, mas também tem integrantes do Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH), por meio do curso de Psicologia, e do Centro de Tecnologia (CT), por meio do curso de Arquitetura e Urbanismo.

As atividades nas escolas e na disciplina de extensão continuam durante o ano. As ações do Coletivo Fluir podem ser acompanhadas pelo instagram (acesse neste link).

Reportagem e fotografias: Samara Wobeto, jornalista

Edição de texto: Luciane Treulieb, jornalista

Colagem de capa: Evandro Bertol, designer 

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Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/06/09/7-conceitos-que-podem-nos-ajudar-a-entender-as-mudancas-climaticas Mon, 09 Jun 2025 18:41:46 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=316 Conscientizar sobre o impacto das mudanças climáticas é o objetivo do projeto da UFSM MEMORAR QC – Memorial das Águas e Resiliência Climática da Quarta Colônia. A proposta envolve ações educativas voltadas à construção de uma cultura de resiliência climática no território da Quarta Colônia, por meio de estratégias que aproximem ciência e comunidade.

O projeto surge em um contexto marcado por eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou uma das maiores catástrofes climáticas de sua história, com fortes chuvas que atingiram duramente a região central do estado, incluindo os municípios da Quarta Colônia. A repetição desses eventos mostra que é necessário engajar a população na compreensão dos desastres e na construção de novas relações com o território e o meio ambiente.

“O conhecimento é a base do processo de adaptação climática”

Nas escolas municipais da Quarta Colônia, especialmente com estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, o projeto Memorar QC vem desenvolvendo oficinas que abordam temas como sustentabilidade e mudanças climáticas. As atividades ocorrem no contraturno escolar e incluem jogos, conversas e brincadeiras que despertam o interesse dos alunos e facilitam a compreensão dos conteúdos. A ideia é incentivar o protagonismo juvenil e engajar os estudantes como agentes transformadores em suas comunidades. O projeto também realiza ações voltadas aos adultos da região, que vão de conversas informais a palestras, promovendo diálogo e conscientização sobre os desafios climáticos.

[caption id="attachment_320" align="alignleft" width="300"] Oficina realizada em escola na cidade de Nova Palma[/caption]

Para o coordenador do projeto, professor Adriano Figueiró, do Departamento de Geografia da UFSM, o conhecimento pode transformar a relação que os moradores têm com o lugar: “O conhecimento é a base do processo de adaptação climática. Se as pessoas não compreendem a dinâmica da natureza, não têm como se preparar para ela — e, portanto, não têm como se adaptar. É a partir das informações que as pessoas poderão entender como se preparar melhor para reduzir prejuízos e riscos à vida numa próxima ocorrência climática”.

O professor Adriano defende que o protagonismo comunitário é essencial quando se trata de enfrentar os desafios climáticos nos territórios rurais. Para ele, não é possível depender exclusivamente do poder público para resolver os problemas causados por eventos extremos. Diante disso, ele propõe uma reflexão prática: o que cada morador pode fazer para melhorar as condições ambientais e construir um futuro mais seguro? A resposta, segundo o pesquisador, passa por ações simples, mas fundamentais, como proteger nascentes dos rios, recompor matas ciliares, identificar áreas de risco nas propriedades e realizar pequenas intervenções nas propriedades para conter processos erosivos. Essas atitudes exigem, antes de tudo, que as pessoas compreendam a lógica do território em que vivem. “Estamos falando de uma região profundamente rural, formada por pequenas propriedades. Quando o conhecimento é apropriado pela comunidade, ele pode gerar transformações concretas  duradouras”, afirma.

 

Pedimos ao professor Adriano Figueiró que ele elencasse as noções fundamentais que vêm sendo trabalhados nas atividades oferecidas pelo Memorar QC na Quarta Colônia. A seguir, apresentamos 7 conceitos sobre desastres climáticos que ajudam a entender o território, a se preparar para eventos extremos e a atuar na construção de comunidades mais resilientes e sustentáveis.

1. Resiliência

É o conceito central do projeto. Resiliência, segundo o professor, refere-se à capacidade que as pessoas, comunidades e também os ecossistemas têm de se reorganizar e retomar a vida após eventos extremos, como enchentes, com o menor impacto possível. Essa resiliência não é apenas física, mas também social e comunitária. Diante da intensificação de crises ambientais e mudanças climáticas, a frequência e intensidade desses eventos extremos tende a aumentar, tornando essencial essa capacidade de resposta e adaptação.

Além disso, o professor destaca que não apenas os seres humanos precisam ser resilientes, mas também os rios e a natureza como um todo. Com o acúmulo de sedimentos (solo, areia, pedras) no leito dos rios, a capacidade desses ecossistemas de absorver novas cheias diminui, tornando-os menos resilientes a eventos futuros.

2. Adaptação Climática

Está diretamente relacionada à resiliência. Envolve repensar práticas e estruturas do território para reduzir os danos provocados por futuros eventos extremos. A adaptação passa, portanto, por ações concretas no uso e ocupação do solo, conservação de áreas naturais e reestruturação de formas de manejo da terra, considerando os efeitos das mudanças climáticas.

3. Área de Proteção Ambiental

Essas áreas têm papel crucial na absorção da água da chuva. Quando bem conservadas, permitem que a água infiltre no solo, abastecendo os lençóis freáticos e liberando-a de forma gradativa para os rios, o que evita tanto a seca quanto enchentes. Quando há perda dessas áreas — em especial por conta da expansão agrícola — a água escorre rapidamente para os rios, sem ser absorvida, causando inundações.

O professor aponta que a falta de vegetação e o uso indevido dessas áreas são um dos principais motivos pelos quais as bacias hidrográficas da Quarta Colônia estão perdendo sua capacidade de resposta às chuvas intensas.

[caption id="attachment_318" align="alignright" width="1024"] Área destruída após enchente de 2024[/caption]

4. Matas Galerias (ou Ciliares)

São matas que acompanham os cursos dos rios, formando uma faixa de proteção natural nas margens. Pela legislação, devem ser preservadas. Essas matas funcionam como uma barreira que reduz o escoamento de sedimentos e evita o desbarrancamento dos rios. Quando bem conservadas, fazem com que a água da chuva entre no rio sem carregar grande quantidade de terra.

Sem essa vegetação, a água escoa diretamente para os rios carregando o solo, provocando erosão e contribuindo para o assoreamento. Em muitas áreas da Quarta Colônia, essas matas estão sendo substituídas por lavouras — de arroz nas áreas mais baixas e de soja nas mais altas — o que compromete a proteção dos rios.

5. Cabeceiras de Drenagem

São as partes mais altas de uma bacia hidrográfica, onde os rios nascem. Nessas regiões, a presença de vegetação é essencial para permitir que a água infiltre no solo e abasteça os aquíferos subterrâneos. Se essas áreas estiverem desmatadas ou ocupadas por lavouras, a água da chuva não infiltra — ela escoa com força, erodindo o solo e carregando-o para os rios. Como essas áreas têm declive acentuado, o poder erosivo é ainda maior, contribuindo significativamente para o assoreamento dos cursos d’água.

6. Assoreamento

É o acúmulo de sedimentos (como solo, areia e pedras) no leito dos rios. Esse processo ocorre principalmente quando a água da chuva escoa por áreas desmatadas, levando o solo com ela. Ao chegar no rio, esses materiais se depositam, diminuindo o volume útil da calha fluvial. O rio, então, tem menos capacidade de conter novas águas em eventos de chuva intensa, transbordando com maior facilidade e provocando inundações. O assoreamento é, portanto, um dos principais fatores que reduzem a resiliência dos rios.

7. Sedimentos

São os materiais sólidos que a água carrega ao escoar sobre o solo, como terra, areia e pedras, especialmente em terrenos inclinados. Nos eventos extremos recentes da Quarta Colônia, o professor destaca que até grandes blocos rochosos foram transportados. Esses sedimentos são responsáveis por entupir os leitos dos rios (assoreamento), agravando os impactos das enchentes.

O projeto MEMORAR QC – Memorial das Águas e Resiliência Climática da Quarta Colônia foi selecionado pelo edital PROEXT-PG UFSM Além do Arco. É uma iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Geografia, com apoio dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação, em Patrimônio Cultural e em Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo.

Reportagem: Luciane Treulieb, jornalista

Ilustração: Evandro Bertol, designer

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Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/05/27/projeto-da-ufsm-pm-leva-propostas-de-turismo-rural-sustentavel-ao-38o-carijo Tue, 27 May 2025 13:29:52 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=307 No último sábado (24), o projeto de extensão ‘Estratégias e alternativas para o Desenvolvimento Regional Sustentável’, da Universidade Federal de Santa Maria - campus Palmeira das Missões (UFSM-PM), marcou presença no 38º Festival Carijo da Canção Gaúcha.

A ação levou ao público uma apresentação das iniciativas  desenvolvidas pelo projeto, com destaque para a elaboração e implementação de planos municipais de turismo voltados à região de abrangência do campus. Entre os principais eixos de trabalho estão a valorização do polo regional de produção de erva-mate e o fortalecimento das agroindústrias rurais familiares.

Para a professora Rosani Spanevello, coordenadora do projeto, a importância de espaços como o Festival está na oportunidade de diálogo com a comunidade: “É o momento de mostrar o que uma universidade pública pode fazer pelo desenvolvimento regional do espaço onde está inserida”, afirma.

Integrantes do projeto ‘Estratégias e Alternativas para o Desenvolvimento Regional Sustentável’

Segundo a professora Rosani Spanevello, o objetivo do projeto é fomentar o turismo rural na região, oferecendo suporte a agentes públicos, gestores, extensionistas e às próprias famílias na busca por alternativas de geração de renda no campo. “Apresentar este projeto no Carijo significa evidenciar o comprometimento da Universidade com o o desenvolvimento regional e com a melhoria da qualidade de vida no meio rural. É também uma forma de permitir que os visitantes do festival conheçam de perto as ações realizadas pela UFSM”, destaca a coordenadora.

Coordenadora Rosani Spanevello apresenta o projeto
Apresentação do projeto no estande da UFSM na 23ª Mostra da Indústria, Agroindústria e Artesanato de Palmeira das Missões (MIP)

A ação aconteceu dentro da 23ª Mostra da Indústria, Agroindústria e Artesanato de Palmeira das Missões (MIP), no estande interinstitucional da UFSM-PM com outras entidades, como a Emater, o Colégio Polivalente  e a Escola Estadual Técnica Celeste Gobbato. Para o coordenador do PPGAGR, Nelson Guilherme Machado Pinto, ter um espaço da Universidade no Carijo é sinônimo de vitrine regional, que reflete as mudanças de paradigmas nas formas de pensar a pós-graduação, com maior foco para a extensão e o impacto social.

Além do projeto do turismo, outras iniciativas foram apresentadas. Um deles trata-se de uma análise da governança ambiental do estado a partir do cenário de desastres climáticos, que faz parte do Plano Rio Grande, de reconstrução do estado. É liderado por Nelson: “Vamos trabalhar a governança ambiental por meio das regiões de desenvolvimento aqui do estado, pensar no que nos fez chegar nas enchentes do ano passado e o que podemos planejar, em termos de gestão, principalmente de maneira regionalizada”, explica.

Além do projeto voltado ao turismo rural, outras iniciativas também foram apresentadas durante o Festival. Uma delas é voltada à análise da governança ambiental no Rio Grande do Sul, a partir do contexto dos desastres climáticos recentes. A ação integra o Plano Rio Grande, voltado à reconstrução do estado, e é coordenada pelo professor Nelson Viegas. “Vamos trabalhar a governança ambiental com base nas regiões de desenvolvimento do estado, refletindo sobre os fatores que nos levaram às enchentes do ano passado e planejando estratégias de gestão mais eficazes, especialmente de forma regionalizada”, explica o professor.

O festival

O 38º Carijo da Canção Gaúcha foi realizado de 18 a 25 de maio no Parque Municipal de Exposições Tealmo José Schardong, em Palmeira das Missões. O Festival contou com uma vasta programação artística, que incluiu apresentações de artistas locais e regionais, além de shows variados todas as noites. As informações sobre os vencedores das categorias do evento estão disponíveis no instagram do evento.

Carijo é uma palavra de origem caingangue, que nomeia uma técnica indígena de secagem da erva-mate. Os galhos da árvore são dispostos sobre uma estrutura composta por bambus, que fica acima de um fogo de chão. Embora a técnica não seja mais utilizada na produção comercial, o Festival preserva esse saber como patrimônio cultural. O processo exige atenção constante, já que o calor precisa ser controlado para evitar que a erva queime — o que requer vigília e cuidado.

Método carijo de secagem da erva-mate

A Cidade de Lona, atração presente no evento, também remonta a essa tradição: ao longo do parque de exposições, famílias, comerciantes e grupos instalam barracas de madeira com cobertura em lona, em que acampam durante a semana. As refeições são feitas em churrasqueiras ou no próprio fogo de chão.

Cidade de Lona no 38º Carijo da Canção Gaúcha

Sobre o projeto

Contemplado pelo último edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG), o projeto ‘Estratégias e alternativas para o Desenvolvimento Regional Sustentável’ é desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação em Agronegócios (PPGAGR), em Palmeira das Missões (UFSM-PM). São parceiros do projeto os programas de pós-graduação em Patrimônio Cultural, em Gestão de Organizações Públicas, em Zootecnia e em Engenharia de Produção.

Expediente:

Notícia e fotografias: Samara Wobeto, jornalista.

Edição: Luciane Treulieb, jornalista.

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Saberes partilhados

Os temas abordados nas atividades dos grupos costumam surgir das demandas dos próprios participantes. No grupo Renascer, por exemplo, entre os temas mais recentes solicitados estão alimentação, cuidados com a pele no verão e questões relacionadas à memória e às demências. “Elas pediram pra gente fazer atividades cognitivas nos encontros”, conta a professora Melissa. Além das discussões e atividades físicas e educativas, os grupos celebram datas comemorativas, como Páscoa e São João, fortalecendo os vínculos afetivos e promovendo o bem-estar coletivo. [caption id="attachment_306" align="alignright" width="493"] Participantes do Projeto Renascer reunidas após conversa sobre alimentação[/caption] A integração entre ensino, pesquisa e extensão é uma das marcas do Feliz(c)idade. O projeto permite que os estudantes do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia vinculem seus temas de pesquisa às ações desenvolvidas com a comunidade. “A gente vem incorporando o conhecimento dos mestrandos às atividades de extensão, popularizando o que eles têm estudado com os participantes do grupo”, destaca Melissa Braz. A enfermeira e mestranda em Gerontologia Jéssica Ferreira dos Santos relata que a experiência tem sido marcante em sua trajetória acadêmica. “Pude vivenciar, de forma direta, desafios e potenciais inerentes ao processo de envelhecimento e refletir sobre como as interações intergeracionais enriquecem tanto a vida dos idosos quanto a formação acadêmica e pessoal de quem dedica cuidados a eles”, afirma.

Ressignificar o envelhecer

O impacto do projeto na vida dos participantes vai além da promoção da saúde física e cognitiva. Melissa Braz salienta os aspectos emocionais e sociais que emergem, especialmente no grupo Renascer - voltado a mulheres que já passaram ou estão em tratamento oncológico. “Algumas mulheres chegam nervosas, numa fase muito sensível do tratamento, logo depois que recebem o diagnóstico, antes de passar por uma cirurgia”, relata. Nesse contexto, o acolhimento oferecido pelo grupo – tanto pelos estudantes e profissionais envolvidos quanto pelas demais participantes – torna-se fundamental. A convivência entre pessoas que compartilham experiências semelhantes é uma das forças do projeto. “Elas comentam essa importância de estar no meio dos pares, das pessoas que já viveram situações que elas estão vivendo”, afirma Melissa. Nos demais grupos, os relatos também mostram transformações significativas. No Corpo Mais, por exemplo, o exercício físico se revela um catalisador de bem-estar. “As pessoas contam que muitas vezes chegavam deprimidas, cansadas, sem energia para nada, e agora percebem outra relação com o corpo”, relata a professora. Com mais disposição, elas voltam a realizar tarefas diárias com autonomia e prazer — seja brincar com os netos ou retomar rotinas já esquecidas. De acordo com o professor Gustavo Duarte, coordenador do projeto Corpo Mais, a proposta atual amplia o olhar sobre o envelhecimento, promovendo encontros entre diferentes gerações. “Antes eu trabalhava só com o público 60+. Hoje, abri o grupo para incentivar essas relações a partir dos 40 anos. É uma forma de as pessoas se prepararem para o seu envelhecimento. E os idosos não ficam só num gueto, num grupo só com gente da mesma idade”, explica. A professora aposentada de Educação Física, Vera Regina Duarte, de 74 anos, conta que decidiu participar do projeto Corpo Mais por gostar muito de dançar e por sentir necessidade de se exercitar. “Esses encontros significam muito pra mim. Além de conhecer outras pessoas, são momentos de muita descontração e alegria. Participando desse projeto, aprendi a necessidade de nos exercitar e conviver com pessoas diferentes do nosso círculo de amizade”, declara. Já a costureira aposentada Eva dos Santos de Oliveira, de 79 anos, participa do grupo Renascer e do Mexe Coração: “Aprendi muito sobre o câncer de mama, e gosto muito de todas as atividades e das colegas. A cada dia faço novas amizades”, reforça.

Envelhecimento ativo

O envelhecer ativo é a tônica do projeto. “A gente não está olhando pro ‘não’. A gente está olhando para as possibilidades”, resume Melissa Braz. O foco está na valorização do que cada pessoa ainda pode fazer — e não nas limitações impostas pelo tempo. As atividades físicas visam preservar a autonomia, estimular a confiança e promover qualidade de vida. Cada exercício respeita as condições individuais, com o objetivo de fortalecer o protagonismo na própria saúde. Afinal, como destaca a coordenadora, o perfil das pessoas idosas mudou: muitas são ativas, engajadas e determinadas a viver com plenitude. [caption id="attachment_305" align="alignright" width="719"] Idosos participam em atividade do Grupo Corpo Mais[/caption] Essa visão é compartilhada pelo professor Gustavo, que ressalta o valor do envelhecimento ativo e da busca por bem-estar. “Ao participar do projeto, as mudanças são muitas, desde a parte física que a gente trabalha — questões de equilíbrio, memória, fortalecimento muscular — até o prazer que a dança e a ginástica proporcionam”, afirma. Ele também observa que os alunos idosos são os mais assíduos e quase não faltam às aulas do projeto. “Valorizam o tempo presente”, complementa.

Visibilidade para o envelhecer

O envelhecimento já não se parece com o que víamos há poucas décadas. Vivemos mais, com mais qualidade de vida, acesso à informação e participação social. Ainda assim, como ressalta Melissa Braz, os corpos envelhecidos seguem sendo marginalizados. “É um grupo que não tem as necessidades ouvidas nem satisfeitas. Nosso papel é dar visibilidade para essas pessoas, proporcionar saúde e qualidade de vida”, enfatiza. Ao coordenar o projeto de extensão, ela destaca a importância de romper com essa invisibilidade e construir espaços em que as pessoas idosas possam se expressar, compartilhar vivências e seguir aprendendo. Para Melissa, os encontros promovem transformações profundas, tanto para quem participa quanto para quem coordena. Conviver com as pessoas idosas, para ela, é uma aula constante sobre sonhos, sabedoria e resistência. Ouvir as histórias, desejos e planos de quem já percorreu tantos caminhos ajuda a ressignificar o envelhecer — inclusive para quem está só começando a pensar nessa fase da vida. A troca geracional também marca a trajetória do professor Gustavo Duarte. Ele observa que os idosos oferecem lições valiosas sobre presença e valorização da vida cotidiana: “A maioria dos idosos que faz ginástica e dança comigo valoriza, no dia a dia, as pequenas coisas, não só as grandes. Isso é um grande aprendizado, né? Que eu levo para a minha vida e tento passar para os alunos também”, finaliza.

Como participar?

A participação nos grupos do projeto Feliz(C)idade é aberta à comunidade. Os encontros seguem durante todo o ano letivo da Universidade e fazem uma pausa apenas durante o recesso acadêmico. Projeto Corpo Mais Responsável: Gustavo Duarte Para quem: Pessoas a partir de 40 anos Local: CDA (complexo Didático Artístico, ao lado do CEFD, no campus da UFSM) Dia: Quartas-feiras Horários: Ginástica e Ritmos : 14h Grupo de Danças: 15h Inscrições: A partir de agosto. As orientações serão divulgados no site do CEFD Mexe Coração Responsável: Marlon Crestani Para quem:  Idosos a partir de 60 anos Local: Antiga Reitoria – UFSM Dia e horário: Segundas e quintas-feiras, às 15h Inscrições: O ingresso ocorre prioritariamente por convite de participantes já integrados ao projeto Grupo Renascer Responsável: Melissa Braz Para quem: Mulheres com câncer de mama Periodicidade: Quinzenal. Próximo encontro será dia 13 de maio Dia e horário: Terças-feiras, às 14h Local: prédio do CEREST, Alameda Santiago do Chile, 435, próximo ao Hemocentro de Santa Maria Inscrições: Não é necessário processo seletivo nem inscrição prévia. Basta chegar com um pouco de antecedência no local e conversar com a responsável Mais informações: (55) 99975-7026 (professora Melissa) Reportagem: Luciane Treulieb, jornalista Ilustração: Evandro Bertol, designer]]>
Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/04/25/producao-de-peixes-e-potencializada-por-pesquisas-na-area-de-piscicultura Fri, 25 Apr 2025 12:40:13 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=296 A produção de peixes requer  atenção a diversos fatores, como a qualidade da água, o conforto térmico, a higienização de tanques e a nutrição adequada por meio do trato de ração. Esses cuidados têm sido destaques de pesquisas já realizadas pelo Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFSM e serão usados no Projeto de Extensão ProgeAqua - Programa de Geração de Renda e Qualidade do Pescado.

Imagem retangular e colorida de colagem de peixes tilápia com outros elementos gráficos. São seis fileiras com quatro peixes cada. As tilápias tem cor alaranjada, tem o corpo chato e alongado, como se fosse um formato de olho. Tem barbatanas na parte superior e no meio do corpo, e na cauda. Eles estão de perfil, na direção do lado direito. Na frente dos peixes, um gráfico azul de barras em formato crescente, pro lado direito. No fundo,imagem escura e texturizada em desfoque.

A iniciativa, contemplada no último edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG), parte de pesquisas já publicadas e validadas, servindo como embasamento técnico e científico para orientar produtores de peixe namelhoria no manejo e produção. Para Rafael Lazzari, coordenador do projeto, a intenção é oferecer conhecimentos que contribuam para a expansão da atividade, com o objetivo de aumentar a renda. “A produção de peixe que estamos falando tem um  objetivo comercial - seja para a venda na Semana Santa, seja para a produção de filé em outros momentos do ano -,  de forma que os produtores familiares da nossa região tenham uma fonte de renda extra, com mais rentabilidade, e possam melhorar suas condições de vida e seus sistemas de produção”, explica Rafael.

Para o pesquisador, a piscicultura desponta como uma atividade com grande potencial de crescimento, especialmente por oferecer uma fonte de proteína saudável. “Um dos focos do projeto não é apenas estimular a produção, mas também incentivar as pessoas a consumir peixe, porque o pescado é uma proteína de boa qualidade, de fácil digestão, rica em vitamina e ácidos graxos que são importantes para a saúde das pessoas”, destaca o coordenador do ProgeAqua. 

Ele também observa que,  no norte do Rio Grande do Sul, os sistemas produtivos de piscicultura já estão mais consolidados. “E agora também queremos fortalecer essa alternativa para os agricultores familiares aqui na região de Santa Maria”. Neste momento, o ProgeAqua está em fase de preparação dos materiais com orientações técnicas para capacitar  as e os produtores. O próximo passo deve acontecer nos próximos meses: o contato com estas famílias por meio de visitas técnicas. “Incorporar as ações de extensão é também cumprir o papel da universidade, que é levar o conhecimento das nossas pesquisas, já gerado na nossa área, para a sociedade”, aponta Rafael.

Segurança alimentar e aumento de produtividade

Dois eixos norteiam o ProgeAqua: a segurança alimentar e o aumento da produtividade. Rafael Lazzari explica que a produção de um pescado de qualidade exige cuidados tanto sanitários (ou seja, boas condições de higiene) quanto sensoriais (relacionados ao sabor do peixe). “Isso passa muito pelos processos de criação. Essas práticas serão abordadas nas capacitações que oferecemos. Isso vai incentivar que os produtores, no dia a dia de manejo, consigam produzir um peixe de qualidade”, ressalta.

 

Os aspectos produtivos ligados à qualidade do pescado têm impacto direto na segurança alimentar e no aumento da produtividade. O pesquisador reconhece que a segurança alimentar costuma ser um tema complexo, mas destaca que oferecer um peixe de qualidade, criado em condições sanitárias adequadas, contribui para o aumento do consumo por crianças, jovens, adultos e idosos. Além disso, a segurança alimentar envolve a possibilidade de acesso aos produtos. “Nem sempre um peixe ou outro produto alimentar é produzido a um custo acessível. Mas se você produzir de forma mais eficiente, ajuda a diminuir o custo de produção, e consequentemente, vai chegar em uma condição melhor para os consumidores”, evidencia Rafael.

 

Já o aumento da produtividade está relacionado ao fortalecimento da piscicultura comercial e à possibilidade da expansão da renda de famílias da agricultura familiar. Rafael explica: “O que tratamos no projeto é como fazer piscicultura em condições técnicas de manejo adequadas, de cuidados intensivos”. Entre os temas abordados nas orientações estão desde a construção e manutenção de açudes, passando pelo monitoramento da qualidade da água, até estratégias adequadas de alimentação dos peixes. 

 

Além dos aspectos relacionados com o ambiente, o projeto também trata de questões gerenciais, que envolvem custo de produção, de manejo e de monitoramento de indicadores de qualidade da água e do próprio peixe. “A piscicultura comercial e intensiva envolve conhecimento técnico-científico para que se garanta índices de produção satisfatórios e o produtor obtenha boa rentabilidade”, frisa Rafael.

 

Manejo na produção de peixes

As capacitações do ProgeAqua são voltadas para o manejo dos peixes no período de inverno, uma vez que a diminuição da temperatura da água afeta o gasto energético e diminui a alimentação dos animais, o que interfere no ganho de peso. Atividades de manejo e monitoramento são necessárias para minimizar os efeitos decorrentes do frio. São exemplos o conforto térmico dos animais e temperatura da água, qualidade de água (valores de oxigênio e ph) e questões comportamentais dos peixes. 

 

Algumas das pesquisas que vão embasar os cursos que serão ofertados aos produtores pelo ProgeAqua estão registradas no e-book ‘Manejo de inverno para a piscicultura no sul do Brasil’, que pode ser acessado por meio deste link. Destacamos alguns elementos importantes:

 

Conforto térmico e temperatura da água: quando a água está com temperaturas muito elevadas ou muito baixas, o peixe tende a se movimentar menos para gastar menos energia, o que leva à diminuição da alimentação e do crescimento e ganho de peso do animal. Em extremos, pode ocorrer mortalidade. As faixas de conforto térmico variam conforme a espécie, o que deve ser considerado na criação. Carpas e tilápias, por exemplo, tem faixas de conforto térmico diferentes. Enquanto a carpa consegue se alimentar em temperaturas de água abaixo dos 15 graus, as tilápias têm mais dificuldades - por serem animais tropicais, com faixas de conforto térmico mais altas, entre 24 e 28 graus.

 

Infraestrutura e manejo da água: quedas bruscas de temperatura são comuns no território gaúcho - e isso pode provocar a queda da temperatura da água e afetar o conforto térmico dos peixes. Esse fator exige a preparação dos produtores para a chegada do inverno e de frentes frias, e envolve uma boa alimentação dos peixes antes da estação, a fim de melhorar sua imunidade para o estresse do frio e evitar possíveis doenças. Qualidade nutricional e da água são fundamentais para a saúde e sobrevivência dos animais.

 

Tamanho e posição dos tanques: popularmente chamados de açudes, os tanques de produção de peixes não podem ser muito pequenos, uma vez que volumes de água menores resfriam mais rápido. Também não podem ser muito profundos, para evitar a estratificação térmica da água. Esse é um fenômeno em que a água se divide em pelo menos duas camadas com diferentes temperaturas: no fundo do tanque, a água tende a ser mais fria porque os raios solares não chegam, o que provoca diferentes densidades que não se misturam. De acordo com Rafael, esse fenômeno é comum na época do inverno, mas, no caso de fortes chuvas, quando há estratificação térmica, a água e os materiais que estão no fundo do açude sobem para a superfície, o que traz matérias orgânicas tóxicas que promovem quedas drásticas no nível do oxigênio. O resultado pode ser uma mortalidade grande dos peixes. Esse fenômeno é chamado de inversão térmica.

 

O tamanho ideal dos tanques pode variar de acordo com a região. Para o Rio Grande do Sul, as recomendações são de açudes maiores do que 1000m² e com profundidade entre um a um metro e meio. A posição dos tanques também é essencial: não podem estar em locais próximos a áreas de morros e árvores - que podem provocar sombras e prejudicar a exposição ao sol - nem em áreas de baixadas - suscetíveis a geadas.


Uso de aeradores: ferramentas que podem ser usadas para homogeneizar a temperatura e densidade da água, o que pode evitar a estratificação e inversão térmicas. Podem ser chafarizes ou ter a forma de pás que se movimentam, e são movidos a energia elétrica, em sua maioria. Tem a função de compensar a diminuição do oxigênio da água em semanas com muito frio e pouco sol.

Captura de tela quadrada e colorida com quatro fotografias de aeradores em formato de chafariz. Elas estão organizadas em dua fileiras com duas fotos cada. As fotos 1, 2 e 3 mostram o aerador em movimento, com o chafariz que joga água para cima, no meio de um açude. Na foto 4, a estrutura do aerador chafariz, que é azul, e tem uma forma circular na base, que se estreita em um formato de cilindro com aberturas laterais. Abaixo das fotos, a legenda: "Figura 4. Aeradores chafariz em funcionamento e imagem de referência para este modelo de aerador. Fonte: (A, B e C) João A. Sampaio (arquivo pessoal), (D) Primato Cooperativa Agroindustrial ([2023])". O fundo é branco.
Aeradores em formato de chafariz. Fonte: Rotta et al, 2023.
Captura de tela de aeradores em formato de pá. São quatro fotografias organizadas em duas fileiras com duas fotos cada. Na parte superior, a primeira fotografia mostra três pontos de água esguichando. Na segunda, um aerador em formato de pá, com corpo azul e pás amarelas. A pá é formada por uma estrutura circular com várias lâminas. Na foto 2, as pás giram e jogam água para cima. Na foto 3, detalhe da água em movimento, para cima. Na foto 4, o aerador em pá parado. Abaixo das fotografias, a legenda: "Figura 3. Aeradores de pás em funcionamento e imagem de referência para este modelo de aerador. Fonte: (A e C) Trevisan Equipamentos Agroindustriais ([2023]), (B e D) Agricotec ([2023])". O fundo é branco.
Aeradores em formato de pá. Fonte: Rotta et al, 2023.

Experiências anteriores

Em 2015, uma primeira edição das capacitações do ProgeAqua foi aplicada na região noroeste do estado. Thamara Schneider é zootecnista e participou desta edição do projeto. Ela conta que o projeto permitiu uma aproximação com a realidade das e dos produtores e favoreceu o diálogo entre o campo e a academia. “O ProgeAqua foi uma oportunidade de ampliar horizontes, conhecer diferentes realidades e dialogar com produtores de distintos perfis, enriquecendo minha formação profissional e pessoal”, relata Thamara.


Além das capacitações técnicas, também foram coletadas amostras de água, para avaliar em laboratório a qualidade físico-química. Os resultados das análises eram levados aos produtores junto com orientações técnicas de melhoria. Os cursos foram ministrados em 40 municípios, com enfoque em Palmeira das Missões, Sarandi, São Pedro das Missões, Jaboticaba, Novo Barreiro, Ronda Alta, Constantina, Sagrada Família, Frederico Westphalen, Seberi, Taquaruçu do Sul, Vicente Dutra, Iraí, Planalto, Nonoai e Trindade do Sul. Foram treinados mais de 800 produtores, que também receberam materiais de divulgação e orientações técnicas. O contato do projeto com os produtores foi feito por intermédio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

 

Fotografia quadrada e colorida de um açude amplo em ambiente aberto, com gramas nas margens. Ao fundo, é possível ver algumas árvores de pinheiros, e o céu azul com nuvens arroxeadas.
Um dos açudes monitorados pelo ProgeAqua na edição de 2015.
Peixe tilápia em fase de crescimento. Ele é prateado com um leve tom de cobre. O peixe está na mão de alguém. O fundo é o chão com gramas esparsas.
Peixe tilápia em fase de crescimento.
Fotografia quadrada e colorida de cinco pessoas em pé ao lado de um açude. São três homens, uma mulher e uma criança. Elas estão em meio à uma grama fina mais alta. Ao fundo do terreno, algumas árvores. A grama se estende até o fundo da imagem. Na parte superior, o céu azul com algumas nuvens espalhadas.
Integrante do ProgeAqua e uma família de produtores ao lado do açude.

Reportagem: Samara Wobeto, jornalista

Edição: Luciane Treulieb, jornalista

Design: Evandro Bertol, designer

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Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/04/10/voce-sabia-que-seu-cerebro-pode-sabotar-suas-decisoes-financeiras Thu, 10 Apr 2025 12:50:22 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=294

Quando se fala em educação financeira, muitas pessoas pensam em matemática básica: saber calcular juros, fazer orçamentos e planejar gastos. Mas a realidade é que nossa relação com o dinheiro é também influenciada por fatores psicológicos e comportamentais, muitas vezes sem que percebamos. Isso acontece porque nosso cérebro utiliza "atalhos" para tomar decisões rápidas, o que pode nos levar a escolhas financeiras impulsivas ou irracionais.

Meu nome é Natali Morgana Cassola, sou mestranda em Economia e Desenvolvimento na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), onde desenvolvo pesquisas na área de educação financeira, com ênfase na avaliação de políticas públicas e na análise de dados educacionais. Também atuo no Sumo Educacional, um programa de extensão voltado para a disseminação da educação financeira. Nosso objetivo é transformar a relação das pessoas com o dinheiro, oferecendo conhecimento que permite escolhas mais conscientes e equilibradas. 

Mais do que ensinar a economizar ou investir, a educação financeira contribui para evitar o endividamento e promover qualidade de vida, especialmente entre pessoas em situação de vulnerabilidade. No Sumo Educacional, capacitamos professores e estudantes do Ensino Fundamental e Médio a identificar padrões de comportamento relacionados às finanças e a desenvolver estratégias para enfrentá-los de forma responsável.

Como nossos cérebros são influenciados?

A economia tradicional, fundamentada em autores como Paul Samuelson, parte do pressuposto de que os consumidores são racionais e tomam decisões com o objetivo de otimizar seus recursos. Isso significa utilizar seu dinheiro da melhor forma possível para obter o máximo de benefício. Por exemplo, ao escolher entre duas marcas de um mesmo produto, o consumidor racional optaria por aquela que oferece a melhor combinação entre qualidade e preço.

No entanto, a economia comportamental, como discutido no livro Microeconomia: Uma Abordagem Moderna, de Hal Varian, mostra que não somos tão racionais quanto gostaríamos de acreditar. Nosso cérebro recorre a heurísticas e atalhos mentais para lidar com a complexidade das decisões financeiras, o que nos torna suscetíveis a diferentes vieses cognitivos.

Principais vieses que influenciam suas compras

1. Viés da Ancoragem

Nossa percepção de valor pode ser influenciada pelo primeiro preço que vemos. Por exemplo, um restaurante pode incluir um prato extremamente caro no cardápio não para vendê-lo, mas para que o segundo item mais caro pareça mais acessível e seja escolhido. Essa estratégia é amplamente estudada em obras como Misbehaving de Richard Thaler.

2. Viés da Escassez

Quando um produto é apresentado como "edição limitada" ou "últimas unidades", tendemos a valorizá-lo mais e tomamos decisões precipitadas para garantir a compra. Essa técnica é amplamente usada por lojas online com contadores de estoque e prazos limitados para ofertas. O livro Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar, de Daniel Kahneman, explica como essa percepção de urgência afeta nosso julgamento.

3. Aversão à Perda

Perdemos mais do que ganhamos. Esse viés faz com que evitemos perder um desconto ou um benefício mesmo que, racionalmente, a compra não seja vantajosa. Programas de fidelidade e ofertas "compre agora para não perder" se aproveitam desse mecanismo. Como mostrado por Dan Ariely em Previsivelmente Irracional, somos mais sensíveis à perda do que ao ganho equivalente.

4. Efeito da Propriedade (Endowment Effect)

Esse viés faz com que atribuamos um valor maior a algo apenas porque já o possuímos. Muitas vezes, seguramos investimentos ruins ou acumulamos itens desnecessários porque sentimos que perdemos algo valioso. Esse fenômeno, estudado por Richard Thaler, mostra como nos apegamos a bens e investimentos de forma irracional, mesmo quando seria mais vantajoso vendê-los ou descartá-los.

Como o marketing explora esses vieses?

As estratégias de marketing e publicidade são construídas para explorar as fragilidades cognitivas dos consumidores, manipulando seus processos psicológicos e influenciando suas decisões de consumo. Desde o layout de supermercados, que posiciona itens caros ao nível dos olhos, até as promoções que enfatizam o "desconto imperdível", tudo é pensado para criar uma experiência de compra que favorece escolhas impulsivas e irracionais.

Além disso, o marketing emocional é uma tática poderosa, em que as marcas utilizam apelos emocionais e figuras públicas para criar um vínculo afetivo com os consumidores. Ao associar produtos a sentimentos como felicidade, sucesso ou pertencimento, o marketing influencia as escolhas de compra com base em emoções e identidade. Isso faz com que os consumidores tomem decisões guiadas por desejos emocionais, muitas vezes ignorando suas necessidades reais.

É possível se proteger desses vieses?

Felizmente, é possível treinar o cérebro para resistir a essas armadilhas cognitivas. Algumas estratégias incluem:

  • Criar listas de compras e segui-las rigorosamente: Isso ajuda a evitar compras por impulso e garante que as decisões de consumo sejam baseadas em necessidades reais.
  • Definir um tempo mínimo antes de tomar decisões financeiras importantes: Adotar a regra das 24 horas para grandes compras permite que o cérebro avalie melhor se o gasto é realmente necessário.
  • Comparar preços e condições sem pressa: Avaliar diferentes fornecedores e buscar feedbacks pode evitar compras precipitadas motivadas por gatilhos emocionais.
  • Evitar compras sob pressão, especialmente diante de promoções com tempo limitado: Muitas ofertas criam um senso de urgência artificial que pode levar a decisões apressadas.
  • Utilizar aplicativos e ferramentas que auxiliam no planejamento financeiro: Aplicativos de controle de gastos podem oferecer alertas e análises que ajudam a manter o orçamento sob controle. Exemplos: Organizze e Minhas Economias.
  • Adotar estratégias de mentalidade financeira saudável: Ler sobre economia comportamental e praticar o consumo consciente podem reforçar hábitos financeiros mais equilibrados.

Dica prática para evitar compras por impulso 

A partir dos estudos que venho fazendo para minha pesquisa, se eu pudesse dar uma única dica prática para quem quer evitar compras impulsivas, seria: questione-se sempre antes de comprar. Pergunte-se: "Se eu não tivesse visto essa oferta, eu realmente precisaria desse produto?". Criar esse hábito pode ser um grande passo para evitar armadilhas do consumo.

Afinal, dinheiro bem administrado não é apenas sobre contas matemáticas, mas também sobre conhecer e controlar nossas próprias emoções e comportamentos financeiros.

A proposta do Sumo Educacional foi uma das contempladas pelo edital PROEXT-PG UFSM Além do Arco/2024.

Texto: Natali Morgana Cassola

Edição: Luciane Treulieb

Ilustração: Evandro Bertol

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Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/03/27/analises-de-solo-em-areas-de-deslizamentos-mostram-consequencias-das-enchentes-no-rs Thu, 27 Mar 2025 14:05:47 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=287 Análises de solo funcionam como exames médicos que buscam identificar doenças. No caso da terra, a intenção é descobrir a qualidade e as necessidades do solo para o cultivo de plantas. O projeto de extensão dos Programas de Pós-Graduação em Ciências do Solo (PPGCS), em Agrobiologia (PPGAgroBio) e em Química (PPGQ) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realizou um trabalho de coleta e análise de solo na Serra Gaúcha, em cidades  atingidas pelas enchentes de maio de 2024. Nos municípios de Pinto Bandeira, Bento Gonçalves e Veranópolis, os pesquisadores coletaram amostras em áreas de deslizamento de propriedades rurais dedicadas à fruticultura.

Allan Kokkonen, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Solo (PPGCS) e integrante do projeto, explica que as análises comuns revelam dois padrões distintos: os solos de áreas nativas, que tendem a ser muito ácidos e apresentam baixa disponibilidade de nutrientes, tornando-se menos adequados para o cultivo; e os solos de áreas já cultivadas, nos quais geralmente se identifica a necessidade de reposição de adubação ou fertilização.

Descrição de imagem: Imagem no formato de colagem, com fotografias e elementos ilustrativos, de equipamentos de laboratório de análise. Sobre uma bancada fina e marrom, há três tubos de ensaio com diferentes amostras de terra. Ao lado, o desenho de um microscópio branco. Ao fundo, em desfoque, está a fotografia de uma área de deslizamento de terra, com uma cratera em meio a um pomar com árvores nativas atrás.

No caso da Serra Gaúcha pós-enchente, os pesquisadores identificaram ainda um terceiro tipo de solo, que mistura características de áreas nativas e cultivadas. No deslizamento de terra, tanto as áreas que perderam quanto as que receberam sedimentos passam por uma grande transformação. O material deslocado pode conter solo, pedras e outros elementos, tornando o cenário imprevisível. “É uma completa surpresa, um tiro no escuro. A gente não sabe o que vai encontrar ali”, destaca Allan. Para o pesquisador, na comparação com exames de sangue, é como se a análise mostrasse uma doença nova, que ainda não tem padrão de tratamento.

Os resultados mostram que as áreas degradadas não perderam grandes quantidades de nutrientes, mas apresentaram um aumento na acidez. Esse problema, porém, pôde ser facilmente corrigido com aplicação de calcário, permitindo que muitas áreas já estejam aptas para o cultivo. “Esse foi um resultado que a gente não esperava: essas áreas de deposição têm fertilidade relativamente boa para a maioria dos nutrientes”, ressalta Allan.

No entanto, para o pesquisador, o maior problema diz respeito à qualidade ou saúde do solo, ou seja, não se trata apenas de analisar os nutrientes, mas também a estrutura. Os pesquisadores perceberam que os solos analisados tiveram perda de matéria orgânica. Allan explica: “É aquele material que tem origem orgânica, formado por microorganismos que vieram de plantas decompostas”. Allan ressalta que a matéria orgânica tem várias funções importantes. “Ela é responsável por dar estrutura e agregação ao solo, o que é crucial, pois é essa estrutura que facilita a retenção de água”, detalha. Essa característica auxilia em períodos de seca, em que a água é mais escassa - como o que o Rio Grande do Sul enfrenta agora.

Um segundo ponto é que a matéria orgânica oferece nutrientes para a planta, principalmente nitrogênio, um dos mais importantes para o fornecimento de energia. “Provavelmente esses solos que perderam muita matéria orgânica - e foi bastante a quantidade perdida - vão ter um volume de micróbios, de fungos e de bactérias muito pequenos. E eles são benéficos”, especifica Allan.

Além disso, de acordo com o pesquisador, a matéria orgânica também pode interagir com o ambiente. “Ela é feita basicamente de carbono”, afirma. Ou seja, quando está no solo, permite que ele funcione como dreno de carbono, que se converte em energia para o desenvolvimento das plantas. “Quando se perde ela, provavelmente foi liberada na forma de gás. Ou seja, toneladas e toneladas de carbono que estavam na matéria orgânica, estocadas no solo, foram para a atmosfera”, conclui. Para Allan, essa perda transforma os sistemas agrícolas de drenos em emissores. “Aquela área de deslizamento emitiu bastante carbono, o que a gente sabe que vai potencializar as mudanças climáticas e o efeito estufa”, destaca.

Prejuízos no setor da agricultura

Na Serra Gaúcha, cujas características são de encostas e morros, o relevo acidentado facilita o escoamento superficial das águas. De acordo com pesquisadores do Grupo de Estudos de Predição de Adubação e Potencial de Contaminação de Elementos em Solos (Gepaces) da UFSM, esses solos têm adaptações que favorecem a condução de águas em períodos de chuva normais. No entanto, em maio de 2024, em regiões como a da Serra, choveu mais de 500 milímetros em 48 horas, de acordo com estimativas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Nesses casos, há uma sobrecarga dos sistemas hídricos, o que resultou em deslizamentos de terra em encostas.

Estes eventos não causaram só consequências sociais, mas também prejuízos financeiros, especialmente na agricultura. De acordo com dados de estudo realizado em novembro pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), são pelo menos R$88,9 bilhões em prejuízos financeiros, entre o setor produtivo (69%), o social (21%), a infraestrutura (8%) e o meio ambiente (1,8%).

Já no setor da agricultura, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou, em junho do ano passado, perdas que somam pelo menos R$ 467 milhões, em pequenas, médias e grandes propriedades. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), ocorreram danos diversos em setores produtivos de grãos, olericultura - cultivo de hortaliças, legumes e verduras -, floricultura, pastagens, produção leiteira e produção florestal, além de animais mortos e solos afetados. A fruticultura também foi impactada, afetando a produção de uva, pêssego, caqui, kiwi, bergamota, ameixa, nectarina e outras frutas.

Rubiane Rubo é engenheira agrônoma e presidente da Associação dos Produtores de Frutas de Pinto Bandeira. Depois de terminar a graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ela retornou à propriedade familiar para continuar o negócio iniciado pela avó. São cerca de cem hectares com plantações de frutas diversas em um terreno extenso em comprimento. Rubiane conta que, nas enchentes, três grandes deslizamentos atingiram a propriedade. “Um no início, um no meio e um no final. Isso comprometeu os tratamentos de inverno, porque a gente trabalha em patamares, então não tinha como um trator andar”, explica. Patamares são formas de organizar o terreno dos pomares, em uma espécie de escada. Maurício Bonafé, engenheiro agrônomo na Vinícola Aurora, esclarece que esses sistemas são feitos para evitar a perda de solo por escorrimento superficial de água, ou seja, em volumes normais de chuva. “Isso faz com que a água caia com menor velocidade no solo. A gota tem menos impacto e consequentemente a água consegue penetrar com mais facilidade”, detalha. Além disso, outra estratégia que tem esse intuito é a da cobertura verde, ou seja, o plantio de árvores e vegetações, o que também favorece a função do solo como reservatório de água.

Descrição da imagem: fotografia quadrada e colorida de uma cratera em propriedade rural de cultivo de frutas. A cratera ocupa a metade inferior da fotografia, e se abre em meio e uma área de pomar em patamares. Ao fundo dos pomares, há uma área de árvores de eucaliptos. Acima, o céu azul com nuvens.
Cratera no final da propriedade da família de Rubiane Rubo, em Pinto Bandeira. No lado esquerdo da foto, é possível ver os patamares que restaram.

Os deslizamentos atrasaram os tratamentos de inverno nos pomares, por conta do risco e da dificuldade de acesso à propriedade. “Comprometeu a floração depois, que não foi de tanta qualidade, e consequentemente impactou em menor quantidade de frutos”, relata Rubiane.

Análise de solo como técnica de avaliação de perdas

Na UFSM, um dos projetos que busca auxiliar na avaliação dos impactos das enchentes no solo é o ‘Diagnóstico da aptidão agrícola das terras e fertilidade do solo em áreas agrícolas atingidas por desastres climáticos’, dos Programas de Pós-Graduação em Ciências do Solo (PPGCS), em Agrobiologia (PPGAgroBio) e em Química (PPGQ). Foi contemplado no último edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG). O objetivo é produzir conhecimento para facilitar o retorno das atividades agrícolas, com foco no fortalecimento das famílias de pequenos agricultores.

A técnica usada no projeto é a análise de solo. Gustavo Brunetto é coordenador do projeto e professor no Departamento de Solos e no Programa de Pós-Graduação em Ciências do Solo da UFSM. Ele explica que alguns solos não conseguem fornecer as quantidades de nutrientes que uma planta precisa para o crescimento. Para conhecer essas características, se faz uma análise. “Se recomenda ir até o campo e fazer a coleta de uma porção do solo, que depois é levado para o laboratório e analisado”, descreve Gustavo.

A análise de solos tem algumas etapas:
1 - Amostragem: definição das áreas a serem analisadas e coletadas. Em uma gleba (área de terra), se define de dez a 20 pontos de coleta, em locais variados do terreno, mas que tenham as mesmas características, de histórico de adubação e plantio. Em cada um desses pontos, a coleta é feita em uma profundidade de zero a dez ou de zero a 20 centímetros, a depender das características. Com uma pá de corte, um trado ou até um quadriciclo, coleta-se uma porção de solo de cada ponto. Com as coletas feitas, pega-se uma porção de solo de cada um dos pontos e se mistura em um balde, para ter uma representação homogênea da área. Depois, pega-se cerca de 500 gramas da amostra de solo para fazer uma pré-secagem, o que envolve desfazer os torrões de terra, espalhar em uma superfície limpa e deixar secar de dois a três dias, a depender das condições climáticas. Depois de seca, a terra é colocada em um saco plástico e identificada com a propriedade e produtor/a, nome da gleba e demais características.

Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida de duas mulheres que coletam amostras de solo. Elas estão em pé em meio a uma propriedade rural atingida por deslizamentos de terras, em uma encosta. Um delas segura um saco plástico enquanto a outra coloca no saco a terra retirada com um trado.
Integrantes do Gepaces em atividade de coleta de solo
Descrição da imagem: fotografia vertical e colorida, em que uma pessoa segura um trado em uma das mãos. O equipamento tem formato de um cilindro comprido em uma das pontas, com uma abertura para o armazenamento de terra. Na outra, se encontra com uma barra horizontal laranja, que permite que o equipamento seja girado para a coleta da terra. No fundo da imagem, aparece o terreno que sofreu deslizamento, e algumas vegatações em arbustos.
Trado usado para a coleta de porções de solo

2 -  Análise no laboratório: as amostras de solo são enviadas para um laboratório credenciado, que faz a análise. A credencial pode ser emitida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) ou pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro)

3 - Interpretação da análise: feita por um técnico, que pode ser alguém formado em Engenharia Agronômica. Envolve entender os resultados de análise para indicar soluções.

4 - Recomendação: A partir dos resultados, a pessoa responsável pela interpretação elabora as recomendações de aplicação no solo analisado. Quantidade de adubação e calagem (aplicação de cal), qual a melhor fonte de nutrientes, melhor época de aplicação, entre outras questões, podem compor esse relatório.

Apesar de ser uma técnica simples e de baixo custo, Gustavo afirma que ela é fundamental. A etapa da amostragem precisa ser feita com cuidado e rigor para que o resultado seja qualitativo. “É mais ou menos você ter a preocupação de ir no médico e ele interpretar o teu resultado da análise de sangue, mas se não foi feito um procedimento adequado na amostragem, ele não vai ter validade”, compara.

As coletas na Serra Gaúcha

As coletas de porções de solo para análise do projeto da UFSM foram realizadas em dez áreas de pomares e vinhedos atingidos por deslizamentos nos municípios de Veranópolis, Bento Gonçalves e Pinto Bandeira. Para a escolha das áreas, o grupo do professor Gustavo Brunetto contou com o apoio do engenheiro agrônomo Maurício Bonafé, que é gerente agrícola da Cooperativa Vinícola Aurora, de Bento Gonçalves. Por conta do contato direto com as famílias, Maurício já tinha um mapeamento das áreas degradadas. “Fizemos alguns apontamentos sobre as áreas que podiam ser recuperadas e, com isso, se propôs as áreas para coleta das amostras”, explica Maurício.

A fase de mapeamento e escolha das propriedades levou em torno de dois meses, em meados de setembro de 2024. A coleta das amostras foi feita entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, concomitantemente com as análises.

Próximos passos

Os próximos passos do projeto envolvem o encaminhamento dos resultados de análise para as famílias de produtores, além da realização de eventos para a divulgação e explicação dos dados. O projeto também pretende realizar análises agrobiológicas e químicas, a partir dos programas de pós-graduação parceiros, e criar cartilhas e relatórios para os técnicos e produtores.

Capítulo de livro

No dia 14 de março, o grupo de pesquisadores do projeto foi até Porto Alegre para o evento de lançamento do livro ‘RS: Reflexões para a reconstrução do Rio Grande do Sul’. O produto foi feito a partir do projeto ‘RS: Resiliência & Sustentabilidade’, que é uma promoção de acordo de cooperação entre a Secretaria Extraordinária de Reconstrução do RS, do Governo Federal e a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Também contou com o apoio da Open Society Foundations. O grupo de 17 pesquisadores da UFSM assina o capítulo 4, ‘Diagnóstico da aptidão agrícola das terras e fertilidade do solo em áreas agrícolas atingidas por desastres climáticos na Serra Gaúcha’. O livro pode ser acessado por meio deste link.

Descrição de imagem: Fotografia horizontal e colorida do lançamento de capítulo de livro do Gepaces. Em um palco, Gustavo Brunetto está em pé, de terno e gravata, e segura um microfone próximo à boca. Há mais quatro pessoas no palco, sentadas em cadeiras brancas estofadas, sendo uma mulher e três homens. Atrás, tela de projeção de slides com fotos e texto escrito: ‘Reagindo aos eventos climáticos extremos’. Ao lado, banner vertical do evento ‘RS Resiliência e Sustentabilidade’.
Apresentação do capítulo de livro no Seminário Científico do projeto ‘RS: Resiliência e Sustentabilidade’
Descrição da imagem: Grupo de 12 jovens pesquisadores ao lado de banner vertical do evento 'RS Resiliência e Sustentabilidade'. São quatro mulheres e oito homens. Dois estão agachados e o restante está em pé. No fundo, uma vidraã permite ver o interior do prédio, que tem paredes amareladas e janelas pretas.
Grupo de pesquisadores da UFSM presentes no evento de lançamento

Expediente:

Reportagem: Samara Wobeto, jornalista

Edição: Luciane Treulieb, jornalista

Design: Evandro Bertol, designer

Fotografias: Grupo de Estudos de Predição de Adubação e Potencial de Contaminação de Elementos em Solos (Gepaces)

Aluata Comunicação e Ciência

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Além do Arco - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/03/14/educacao-midiatica-comunicadores-populares-combater-desinformacao-climatica Fri, 14 Mar 2025 17:15:10 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=284 Quando as chuvas torrenciais transbordaram a Sanga da Restinga em 29 de abril de 2024, o município de Restinga Seca, no Rio Grande do Sul, sofreu alagamentos em casas, estabelecimentos comerciais e sociais. Localizada na região da Quarta Colônia e próxima a Santa Maria, a cidade foi uma das primeiras a ser atingida pelas enchentes de maio de 2024. Um dos locais alagados foi a Rádio Integração, em que Norton Ávila trabalha como jornalista. 


Além dos problemas imediatos, como a perda de bens materiais, mantimentos, abrigo e acesso a algumas localidades, a comunicação foi outro elemento afetado. A queda de energia elétrica prejudicou o sinal transmitido pelas torres de internet e, consequentemente, a possibilidade das pessoas se informarem pela televisão e mesmo por redes sociais. Neste momento, as ondas sonoras se tornaram essenciais. “O rádio era praticamente o único meio de comunicação aqui, ainda mais para o pessoal do interior”, relata Norton. Na ausência de luz, o rádio a pilha virou aliado. Na época, a UFSM integrou uma campanha liderada pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), que arrecadou pilhas e rádios para distribuição na região.

Descrição da imagem: ilustração horizontal e colorida de um urso polar branco, que sorri em meio às mudanças climáticas. O urso usa um chapéu marrom, e está sentado em um bloco de gelo que derrete. Ao redor dele, focos de incêndio, e uma xícara de café sobre uma mesa redonda marrom. Ao lado esquerdo do urso, um balão de fala com o texto 'Tá tudo bem'. O bloco de gelo está no meio do mar, azul, que se estende no infinito. Na parte superior da imagem, nuvens em tom cinza escuro, e três raios que caem na direção do mar.

Em voga no debate sobre o cenário das mudanças climáticas, a desinformação também ganhou contornos reais durante o acontecimento. Norton conta que surgiram informações desencontradas que se potencializaram pelo compartilhamento em redes sociais e, com isso, acabaram por desinformar. “Qualquer coisa, pequena que fosse, devido ao tamanho da tragédia virava uma grande informação que muitas vezes não se confirmava, que não era verdade”, relembra.

Desinformação climática

Neste cenário, o fenômeno é nomeado como desinformação climática. Para a professora e pesquisadora Laura Storch, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM, a noção do conceito é complexa porque parte de um debate mais amplo, da desinformação e letramento comunicacional e digital, mas também compreende questões emergenciais sobre o clima. “Envolve tanto o conhecimento científico sobre as mudanças climáticas e sobre as transformações que a vida humana no planeta tem gerado para os sistemas ecológicos, mas também um conjunto de informações e desinformações vinculadas ao modo como as mudanças climáticas afetam as populações”, destaca Laura.

 

As desinformações podem ser classificadas em dois níveis, de acordo com Laura. O primeiro é o que valoriza o absurdo, cujas postagens envolvem teorias da conspiração, como as que dizem que as mudanças climáticas não existem. “E tem desinformações que são muito pelo modo como o próprio conhecimento científico é produzido, que no contexto de uma sociedade muito complexa se torna difícil de popularizar”, cita Laura. Para a pesquisadora, a ideia da divergência no pensamento científico contribui para a criação de questionamentos. “Esse tipo de dúvida que a ciência coloca é muito difícil de ser explicada em um contexto popular, e vai gerar um conjunto de ideias que podem alimentar as desinformações mais catastróficas, como o debate se existe aquecimento global”, explica.

 

Segundo Laura, a desinformação climática é perigosa de maneira palpável. “Ela também é capaz de gerar morte, de gerar perdas, de gerar destruição, porque ela é capaz de operar com o descaso, com a desorganização das comunidades. Ela é capaz de desarticular ações que já estavam em andamento”, expõe. A problemática é cívica, social e política, e afeta, inclusive, a democracia, porque ela depende também da participação e da confiança. Norton Ávila reflete que o fenômeno afeta seu dia-a-dia no trabalho, principalmente quando disseminado por pessoas que não verificam a informação. ‘Eu sinto na pele’, desabafa. Para o jornalista, a atenção com a questão ambiental ainda não é prioridade para a comunidade restinguense. “Eles estão mais preocupados com a solução, em ter esse bem restabelecido, quem foi atingido em casa, a ponte que apresentava defeitos e ainda não foi reconstruída”, avalia Norton.

 

Comunicação de Proximidade

As enchentes de maio de 2024 também sacudiram o grupo de pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM (Poscom). Com o acontecimento, veio a sensação de impotência. Além da coleta de doações, docentes, estudantes de graduação e pós-graduação participaram do projeto de arrecadação de pilhas e rádios a pilha para as áreas atingidas da Quarta Colônia. 

 

Mas uma pergunta continuou presente para as pesquisadoras: qual é o papel da comunicação nesse contexto? Laura conta que começaram a perceber que a atuação do campo não é emergencial, como a da área da saúde. “Ele acontece antes e depois. Deveria ter acontecido antes, deveria estar lá para ajudar essas comunidades a se organizar e a estar preparadas”, comenta.

 

É a partir da vontade de compartilhar as pesquisas com a comunidade que surgiu o projeto ‘Comunicação de Proximidade: memória, resiliência e adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais na Quarta Colônia’, liderado pelo Poscom e em parceria com os Programas de Pós-Graduação da Geografia (PPGeo), do Patrimônio Cultural (PPGPC), da Enfermagem (PPGEnf) e de Letras (PPGL). “A ideia do projeto nasceu desse desconforto, desse incômodo, de como a gente poderia atuar e gerar ações concretas para a comunidade”, explica Laura. O ‘Comunicação de Proximidade’ é uma das dez propostas contempladas pelo edital do Programa de Extensão 2024/2026.

 

O projeto parte do conceito que o nomeia para articular os debates de território e governança ao papel da política e do pertencimento regional em uma dinâmica comunicacional, que nasce na comunidade para a comunidade. “O papel da comunicação de proximidade é qualificar a informação e a discussão cívica para gerar protocolos de segurança e de alerta, e para gerar debates que fomentem políticas de prevenção”, destaca Laura. 

 

Para a pesquisadora, a questão do território é importante porque a desinformação climática afeta, de maneira mais contundente, os desertos de notícias, ou seja, locais em que há ausência de meios e veículos de comunicação especializados. A cobertura sobre as enchentes, por exemplo, começou pela Quarta Colônia por ser a primeira afetada, mas na medida em que a emergência climática e humanitária tomou proporções grandes na região metropolitana, a cobertura se deslocou e teve maior ênfase em Porto Alegre. 

 

Laura define o jornalismo como prática material, que existe no tempo e no espaço e, por isso, tem limitações do que consegue fazer.

“Então essas zonas de sombreamento são naturais. As desinformações vão acompanhar a lógica acontecimental, vão ser olhadas e estar em foco. Enquanto isso, as zonas de sombra informacional, em particular os desertos de notícias, vão gerar apagamentos maiores da possibilidade de desmentir, verificar e corrigir a informação”, evidencia Laura.

Educação midiática

Um dos braços do projeto é a educação midiática. As oficinas em escolas foram uma das formas encontradas para efetivar a extensão. Ministradas por estudantes de pós-graduação da Geografia e da Comunicação em novembro de 2024, as oficinas trataram sobre as características geográficas da Quarta Colônia, a compreensão de como aconteceram os deslizamentos e erosões, e da desinformação, por meio das notícias falsas. 

 

Vanessa Manfio é professora de geografia na Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Cândida Zasso, que fica na área urbana de Nova Palma - RS. Esta é uma das escolas que receberam as oficinas. Estudantes do 6º e 7º ano puderam compreender mais sobre o clima na oficina da Geografia, e os do 8º e 9º aprenderam sobre desinformação. Além da parte teórica inicial, os estudantes puderam gravar vídeos e tirar fotos e interagir por meio de seus relatos de experiências. Vanessa conta que muitos dos alunos foram atingidos pela enchente: perderam casas, bens materiais e roupas. 

 

Para ela, a experiência foi significativa por permitir que pudessem identificar desinformações. “Circulava muitos vídeos sobre o ‘rompimento’ da barragem de Itaúba, da Usina Hidrelétrica de Nova Palma. Isso assustava muito a gente. Nossos alunos conseguiram perceber que algumas informações que circularam na época das enchentes não eram verdadeiras”, conta Vanessa. A professora avalia que o conhecimento é positivo, pois permite maior cuidado na percepção da origem da informação e, consequentemente, no seu compartilhamento. “Precisamos estar com um olhar atento e aberto de que nem tudo que circula na internet é verdadeiro. Precisamos buscar uma fonte de informações correta, e quando chega um material desse tipo não podemos sair divulgando sem saber se é verdade”, reflete.

 

Próximos passos

Além da educação midiática, o projeto ‘Comunicação de Proximidade’ tem mais dois braços. O primeiro é o da constituição do ecossistema comunicacional da região, que consiste no mapeamento de comunicadores populares que são referências para a informação de qualidade. E o segundo se refere à criação de grupos de discussão com a comunidade para o desenho de protocolos de comunicação de alerta e de segurança. A intenção é que a Quarta Colônia esteja mais preparada, em termos comunicacionais, caso emergências climáticas voltem a acontecer.

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Reportagem: Samara Wobeto, jornalista

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A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) participou, nos dias 18 e 19 de fevereiro, do 1º Seminário de Acompanhamento do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG), promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O evento ocorreu no auditório do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (ESAG) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), em Florianópolis, reunindo representantes de mais de 40 instituições de ensino superior da região Sul.

[caption id="attachment_282" align="alignright" width="1024"] Participaram representantes de mais de 40 instituições de ensino superior da região Sul[/caption]

Durante o evento, os participantes avaliaram o impacto das atividades de extensão na pós-graduação e compartilharam experiências, buscando aprimorar as práticas extensionistas voltadas ao desenvolvimento sustentável, à cidadania e à justiça social. A programação incluiu debates sobre a integração entre extensão e pesquisa, bem como estratégias para ampliar o impacto das ações junto à sociedade.

A participação da UFSM ocorreu no primeiro dia do evento. A apresentação foi realizada pela Pró-Reitora Adjunta de Extensão, Jaciele Sell. Na entrevista a seguir, Jaciele detalha os avanços alcançados pela UFSM no PROEXT-PG, destacando a integração entre extensão e pós-graduação, o investimento institucional diferenciado e as trocas de experiências no evento, que contribuirão para o fortalecimento do programa nos próximos anos.

1- Como você avalia a trajetória da UFSM no PROEXT-PG até agora? Quais avanços foram apresentados no seminário?

Nossa trajetória tem sido construída de forma sólida e seguindo com bastante qualidade os princípios do programa da Capes. Apresentamos avanços em diversas frentes, desde a governança, com a institucionalização do comitê gestor conjunto entre pesquisa e extensão, até a democratização do acesso aos recursos por meio de edital. Também temos focado na popularização do conhecimento e na divulgação das ações, com a contratação da Aluata, além da execução de diversas iniciativas dos projetos selecionados diretamente nos espaços das comunidades.

[caption id="attachment_283" align="alignright" width="436"] Jaciele Sell foi a representante da UFSM no evento[/caption]

2- Como a atuação da UFSM no PROEXT-PG se compara à das outras universidades presentes no evento? A UFSM se destacou em algum aspecto específico em relação às demais instituições?

A forma como a UFSM organizou seu PROEXT-PG é exemplo na região Sul. Isso fica evidente pelos avanços conquistados em um curto período de implementação, pelas metodologias de trabalho empregadas e, principalmente, pelo trabalho integrado entre extensão e pós-graduação. Observamos que, nas universidades onde essa aproximação ocorreu de forma orgânica, os avanços também têm sido mais efetivos.

O grande destaque da UFSM no programa foi o investimento institucional, por meio da concessão de bolsas de iniciação à extensão e de inserção social para cada um dos 10 projetos aprovados no edital. Esse tipo de apoio com recursos próprios não é comum em outras universidades, e a prioridade dada pela UFSM à extensão tem sido um diferencial, perceptível tanto no dia a dia quanto nesses espaços de troca com outras instituições.

Além do investimento financeiro, outro ponto que diferencia a UFSM é a estruturação do PROEXT-PG em torno de novos projetos e ações de extensão na pós-graduação. Em geral, as universidades optaram por financiar iniciativas já existentes, enquanto a UFSM apostou no desenvolvimento de novas frentes.

3- Houve alguma estratégia ou iniciativa compartilhada no evento que chamou sua atenção e que poderia ser replicada pela UFSM?

Duas iniciativas chamaram atenção. A primeira, ainda que não relacionada diretamente ao PROEXT-PG, foi a criação de um edital “indissociado” entre ensino, pesquisa e extensão, voltado a projetos que consigam comprovar ações que envolvam as três frentes nas universidades.

Outro exemplo interessante, adotado por algumas universidades no âmbito do PROEXT-PG, é a possibilidade de custear transporte e alimentação para estudantes extensionistas envolvidos nas atividades, por meio de ressarcimentos com comprovantes de aplicativos de transporte, como Uber e 99. Essa medida é fundamental para enfrentar um dos maiores desafios da extensão: garantir o deslocamento e a chegada efetiva às comunidades.

Além disso, discutiu-se a criação de cursos voltados a docentes e pós-graduandos, com o objetivo de aprofundar a compreensão sobre extensão na pós-graduação e como atrelar isso ao ensino na pós-graduação e às dissertações e teses, por exemplo. Embora a construção de algo a nível nacional demande tempo, já é possível pensar em iniciativas dentro da própria UFSM.

Por fim, um tema recorrente em praticamente todos os eventos sobre extensão foi a necessidade de estabelecer indicadores para avaliação das ações extensionistas. Nesse sentido, em diálogo com a UFRGS e a UFPel, já surgiu a possibilidade de construir um Observatório da Extensão do Rio Grande do Sul.

4- Quais desafios comuns foram discutidos no seminário e como a UFSM tem enfrentado essas questões?

Entre os desafios mais recorrentes mencionados no seminário estão a sobrecarga de trabalho dos docentes, a dificuldade na execução financeira (centralizada em apenas uma pessoa), a falta de entendimento sobre o que caracteriza, de fato, a extensão e, principalmente, a escassez de fomento para bolsas voltadas à extensão.

Nesse último ponto, a contrapartida financeira da UFSM para as bolsas se destaca como um diferencial, pois acreditamos que a extensão só se concretiza plenamente quando envolve estudantes, integrando as atividades extensionistas à formação acadêmica.

5- De que forma a participação no seminário pode contribuir para fortalecer a integração entre pesquisa e extensão na pós-graduação da universidade, em especial os projetos do PROEXT-PG?

A troca de experiências entre as instituições participantes e a Capes foi extremamente enriquecedora, contribuindo para o fortalecimento da extensão e para a consolidação do PROEXT-PG. Esse diálogo reforça a importância da manutenção do programa nos próximos anos e a necessidade de novos editais.

Além disso, as trocas entre pró-reitores de extensão e de pesquisa e pós-graduação foram fundamentais para ampliar a compreensão das necessidades, particularidades e pontos sensíveis de cada área, principalmente no que se refere à relação entre pesquisa e extensão. Isso é especialmente relevante porque muitos pesquisadores ainda não têm uma trajetória ou cultura voltada para a extensão universitária.

Outro ponto positivo foi a criação de um novo canal de comunicação entre os coordenadores do PROEXT-PG e os pró-reitores da região Sul, por meio de um grupo de WhatsApp, o que facilitará futuras articulações.

Sobre o PROEXT-PG

O Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG) visa fortalecer as atividades de extensão na pós-graduação, promovendo a integração entre ensino, pesquisa e extensão em diálogo com a sociedade. O programa busca contribuir para a formulação de políticas públicas socialmente relevantes e a redução das desigualdades regionais no Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG).

 

 

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A telessaúde surgiu para facilitar o acesso e a oferta de serviços de saúde à população: ela une as transformações tecnológicas com a assistência à saúde, utilizando as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Com serviços como teleconsultas, telediagnóstico, teleconsultoria e educação em saúde, essa modalidade tem ganhado espaço no Brasil, especialmente após a pandemia de Covid-19.

Desde agosto de 2024, o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) já oferece atendimento remoto para diversas áreas. A Unidade de e-Saúde lidera a implementação da telessaúde, com a coordenação do analista de dados Rafael Paim Leal e suporte técnico da enfermeira Juliane Guerra Golfetto.

Regulamentação da Telemedicina no Brasil: principais diretrizes e modalidades

A regulamentação da telemedicina veio com a Resolução nº 2.314/2022 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que define modalidades como:

  • Teleconsulta: Consulta médica não presencial com médico e paciente localizados em diferentes espaços.
  • Teleconsultoria: Consultoria mediada entre médicos, gestores e outros profissionais, com a finalidade de prestar esclarecimentos sobre procedimentos administrativos e ações de saúde.
  • Teleinterconsulta: Troca de informações e opiniões entre médicos, com ou sem a presença do paciente. Pode ocorrer, por exemplo, entre um médico de Família e Comunidade e outro especialista sobre determinado problema do paciente.
  • Telecirurgia: Quando o procedimento é feito com utilização de um equipamento robótico, manipulado por um médico que está em outro local.
  • Telediagnóstico: Emissão de laudo ou parecer de exames, por meio de gráficos, imagens e dados enviados pela internet.
  • Televigilância: Também conhecido como telemonitoramento, é o acompanhamento a distância dos sintomas do paciente. Pode ser por meio de imagens, dados de equipamentos e dispositivos próximos ou implantáveis nos pacientes.
  • Teletriagem: Realizada por um médico para avaliação dos sintomas do paciente, a distância, para regulação ambulatorial ou hospitalar, com definição e direcionamento do mesmo ao tipo adequado de assistência que necessita ou a um especialista.

Telessaúde na UFSM: impacto e desafios na implementação

A escolha pela telessaúde deve priorizar os melhores resultados para o paciente, sendo necessário que o médico avalie se ela é, realmente, a modalidade ideal de atendimento. Gustavo Nogara Dotto, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Gerente de Ensino e Pesquisa Substituto no HUSM, explica que o processo da telessaúde envolve uma série de adequações que devem considerar o local e o público para quem ela está sendo pensada e aplicada. Trata-se de uma ação também cultural. “A ideia principal da telessaúde está centrada em mitigar as complicações e readmissões”, destaca Gustavo, que complementa: “o telemonitoramento nas fases de pré-admissão e pós-alta, por exemplo, conferem uma maior eficiência aos atendimentos médicos”, conta.

No HUSM, o primeiro atendimento aos pacientes é sempre presencial. A partir disso, dependendo do caso, o acompanhamento pode ocorrer de forma online, por meio de uma estrutura complexa que envolve estações de telessaúde equipadas com tecnologia avançada e protocolos específicos para diferentes tipos de atendimento. Os serviços disponibilizados contemplam:

  • Consultoria em aleitamento materno para mães com bebês até 40 dias de vida.
  • Acompanhamento de resultados de exames, especialmente na área da saúde da mulher.
  • Triagem e monitoramento de pacientes antes da internação e após alta hospitalar.
  • Teleconsultorias entre profissionais.
  • Telemonitoramento contínuo pós-alta.

Desafios da Telessaúde no Brasil: acesso e inclusão digital

Ainda existem obstáculos para o acesso pleno da população à telessaúde. O acesso à internet e às TICs não é universal, e dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que, até 2023, 5,9 milhões de domicílios no Brasil não estavam conectados. Além disso, a desigualdade educacional também impacta o uso de novas tecnologias, com lacunas entre diferentes faixas etárias e socioeconômicas.

"O principal desafio é a desigualdade no acesso à tecnologia", conclui Rafael Paim Leal, chefe da Unidade de e-Saúde do HUSM. A equipe do HUSM identificou barreiras significativas, como a familiaridade limitada com tecnologia, especialmente entre idosos, e dificuldades com ferramentas digitais. Para superar esses obstáculos, a Unidade de e-Saúde realiza uma avaliação prévia dos pacientes, oferece suporte contínuo e promove capacitação para profissionais de saúde.

No entanto, Gustavo Dotto também ressalta algumas limitações da telessaúde: "Não substitui o atendimento presencial em emergências ou casos complexos que exigem exame físico, e há restrições para primeiras consultas de casos complexos e situações que requerem avaliação física direta, como no caso de bebês prematuros”.

Avanços na Telessaúde: projetos inovadores e impacto social

Mesmo diante dessa realidade, o professor pontua que há avanços possíveis na assistência para áreas que não contam com uma ampla cobertura de saúde pública. O atual projeto coordenado por Gustavo e aprovado pelo Edital PROEXT-PG UFSM Além do Arco se intitula “Programa Integrado de Telessaúde: Resposta à Crise Climática no Rio Grande do Sul por meio da Parceria entre Programas de Pós-Graduação da UFSM”, e prevê beneficiar mais de dois mil pacientes até 2026, contribuindo para a redução de reinternações e melhoria da qualidade do atendimento.

"É uma transformação necessária na forma como prestamos serviços de saúde, especialmente considerando os desafios climáticos que nossa região enfrenta", conclui Gustavo.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre os Programas de Pós-Graduação da UFSM de Ciências da Saúde, Bioquímica Toxicológica, Tecnologias em Rede e Educação e conta com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Santa Maria.

Texto: Milene Eichelberger

Edição: Luciane Treulieb

Ilustração: Evandro Bertol, designer 

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O fortalecimento das comunidades por meio do empreendedorismo social e da inovação é o foco do Time Enactus, uma iniciativa que integra a rede Enactus e busca promover o espírito de liderança dos estudantes envolvidos e o desenvolvimento de ações sociais sustentáveis. Contemplado pelo Edital Proext-PG UFSM, o projeto de extensão tem como objetivo abordar questões regionais a partir dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Atualmente, a equipe trabalha em um projeto voltado a mulheres que enfrentam dificuldades no acesso à renda, com foco em capacitações e desenvolvimento de competências, promovendo, assim, impacto social e autonomia econômica.

Nesta entrevista, conversamos com Debora Bobsin, professora do Departamento de Ciências Administrativas da UFSM  e coordenadora do projeto, que compartilhou suas reflexões sobre os impactos esperados e a relevância da extensão universitária na formação acadêmica. Confira a seguir:

1) Como o projeto visa impactar a sociedade?

O Time Enactus faz parte de uma rede que busca promover o espírito de liderança voltada para o desenvolvimento do empreendedorismo social, desenvolvendo os nossos estudantes. Trabalhamos por meio de ações que podem ser projetos ou iniciativas sociais na comunidade. Tínhamos uma ação chamada Florescer, que trabalhava com a educação ambiental junto às escolas. Estamos finalizando essa ação com a ideia de construir materiais didáticos para que os professores possam replicar essas atividades, sem necessitar da presença constante da equipe do projeto, ampliando assim o número de escolas impactadas.

Além disso, estamos iniciando um trabalho a partir de um olhar sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), identificando os potenciais e principais problemas da nossa região. Detectamos uma questão ligada à geração de renda e ao acesso ao mercado de trabalho por parte das mulheres. Assim, estamos começando a pensar em um projeto voltado a um grupo de mulheres que enfrentam dificuldades no acesso à renda. A ideia é trabalhar com capacitações, desenvolvimento de competências e também abordar questões específicas do universo feminino.

2) Por que isso é importante?

O que temos observado em Santa Maria são números expressivos, como, por exemplo, gravidez na adolescência. Essas meninas, muitas vezes, não continuam os estudos. Também há um índice elevado de mulheres fora do mercado de trabalho e um número significativo de mães solo. O desafio é grande, tanto para a inserção das mulheres no mercado de trabalho quanto para abordar a realidade de muitas delas que acabam empreendendo por necessidade - e não por oportunidade, pois é o que acaba restando para elas em termos de possibilidade de geração de renda.

Nesse contexto, analisamos os dados e começamos a mapear onde estão essas mulheres em Santa Maria. Nossa ideia é acessá-las e, de alguma forma, auxiliá-las, seja no acesso ao mercado de trabalho ou no desenvolvimento dos seus negócios.

3) Como participar de projetos de extensão influenciou a sua carreira?

Não participei de muitos projetos de extensão durante a graduação, pois não era uma cultura tão presente quanto é hoje. Acabei me envolvendo com a extensão já na docência. Sempre gostei muito de atividades para além daquelas curriculares e isso influenciou a forma como vejo a extensão: como um espaço de aprendizado. Sempre tive um viés prático, e hoje a extensão alimenta minhas reflexões como pesquisadora e eu acho que esse acaba sendo um dos papéis da extensão. Ela alimenta a minha sala de aula e, a partir dela, acabei entrando em um novo campo de estudo e de olhar, que é o empreendedorismo social, com foco em inovação social e tecnologia social. Estou iniciando nesse campo, mas percebo como a extensão tem o poder de transformar o olhar sobre a pesquisa: algumas questões deixam de fazer sentido, enquanto outras passam a ter mais relevância.

4) Qual é a importância de um edital como o Proext-PG para estimular a extensão na pós-graduação?

Primeiramente, é importante pensar que muitos alunos de pós-graduação serão docentes, na sua maioria, no curto ou médio prazo, e vão se deparar com a demanda de realizar extensão, porque hoje, com a curricularização da extensão, é muito difícil um professor não precisar se envolver com isso. Então, eu acho que o edital oportuniza que esses alunos vejam a extensão como um espaço de atuação na sua futura atividade docente.

Além disso, a extensão é uma mola propulsora para os nossos temas de pesquisa, ou uma forma de acessar novos problemas de pesquisa. Quando analisamos os impactos, vejo, institucionalmente, a importância de conectar nossos problemas de pesquisa com as demandas da sociedade. Esse é um aspecto de médio a longo prazo que, acredito, será cada vez mais evidente. Socialmente, acredito que se trata de oferecer ao aluno da pós-graduação uma formação mais contextualizada, que o permita enxergar o contexto ao seu redor. Assim, ele passa a observar a sociedade e a comunidade ao seu redor, questionando como suas atividades influenciam ou são influenciadas por esse entorno. Esse, acredito, é o verdadeiro papel da extensão.

5) Por que graduandos e pós-graduandos deveriam participar de projetos de extensão?

Acredito que a formação deve estar profundamente conectada à realidade local que vivenciamos, sem se isolar em si mesma, mas sendo contextualizada, questionada e reforçada. Isso acontece, em grande parte, por meio da extensão. Por isso, vejo a participação em projetos extensionistas como algo de grande influência tanto na formação acadêmica, do ponto de vista do ensino, quanto na pesquisa.

Do ponto de vista do ensino, temos visto uma maior integração entre extensão e sala de aula, a partir da curricularização da extensão, com atividades extensionistas vinculadas a disciplinas em muitos cursos. Assim, os alunos começam a perceber como os componentes curriculares estão diretamente conectados com problemas reais, sejam eles sociais ou ambientais. Já na pesquisa, como mencionei antes, acredito que ela deve se alimentar da extensão, pois muitos de nossos problemas de pesquisa podem surgir desse contexto. Dessa forma, criamos uma conexão importante e fechamos um ciclo valioso entre ensino, pesquisa e extensão.

6) Em 2026, quando finalizam os meses previstos para a execução do projeto, que mudanças você imagina que terão ocorrido nas comunidades apontadas como os principais públicos-alvo do projeto?

Não é fácil prever um cenário, ainda mais quando trabalhamos com questões como mercado de trabalho, trabalho digno e geração de renda. Mas espero ver essas mulheres, que estamos começando a ter contato, fortalecidas, com suas atividades econômicas estruturadas e uma renda que proporcione melhor qualidade de vida para elas e suas famílias. Que seus filhos possam estar na escola, sem precisar ajudar nas atividades profissionais, para que eles possam também se desenvolver e ter acesso a uma educação de qualidade. Então é isso que eu imagino: uma mudança significativa na qualidade de vida dessas comunidades a partir da atividade produtiva dessas mulheres.

Texto: Luciane Treulieb, jornalista

Ilustração: Evandro Bertol, designer 

Aluata Comunicação e Ciência

 

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A defesa das infâncias envolve a criação de políticas que valorizem a diversidade e a inclusão social. O projeto ‘Coletivo Fluir: territórios educativos intersetoriais de ações e políticas em defesa das crianças em contextos vulneráveis’  busca articular ações que fortaleçam o trabalho colaborativo entre a Universidade e a comunidade, com foco na criação de espaços de escuta e acolhimento em territórios de vulnerabilidade. 

A iniciativa  foi contemplada pelo Edital Proext-PG UFSM Além do Arco e é coordenado por Taciana Camera Segat, professora do Departamento de Metodologia do Ensino e do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Gestão Educacional da UFSM. Para compreender mais sobre os impactos sociais esperados e a relevância da extensão universitária na formação acadêmica, conversamos com a coordenadora do projeto, que compartilha suas reflexões e perspectivas nesta entrevista.

  1. Como o projeto visa impactar a sociedade? 

Este projeto reafirma o compromisso com a defesa dos direitos das crianças e das infâncias, organizando o trabalho a partir da criação de territórios que se estruturam na potência e na multiplicidade das relações entre espaço, tempo, sujeitos e formação. São territórios educativos intersetoriais (TEI) que evidenciam as situações de vida/existência reveladas pelas crianças, tomando-as como referência para construir resistências e lutas coletivas. Essas lutas incluem práticas formativas, políticas, educativas e de gestão educacional e intersetorial do cotidiano.

Exemplos disso são as ações realizadas pelo Coletivo Fluir durante a calamidade climática no Rio Grande do Sul em 2024, que foram ganhando concretude nas relações com crianças, famílias, professores, gestores e outros setores da sociedade, sempre em uma perspectiva intersetorial. O projeto se compromete com ações e políticas que possam fazer resistência à exclusão, promovam inclusão social e fortaleçam uma cultura política educacional que defende a diversidade e as diferenças, vendo as infâncias como possibilidades de futuro.

  1. Por que isso é importante? 

A preocupação deste coletivo com a defesa das infâncias se movimenta pela possibilidade de criar ações, articuladas a partir da Universidade, que promovam políticas intersetoriais em defesa das crianças em situação de vulnerabilidade. Essas ações buscam criar, nos territórios, espaços de escuta e acolhida. Parte-se do princípio de que as formas de compreensão das crianças e das infâncias não podem ser entendidas como naturais e universais. Essas diferentes infâncias são produzidas de forma heterogênea, em diferentes lugares e de diferentes formas, tendo como base diferentes contingentes educacionais, psicológicos, culturais, sociais, políticos, regionais e econômicos. 

É nesse contexto, marcado por fragilidades, que se encontram as crianças e suas famílias, e também as escolas, gestores/as, professores/as e profissionais que participam de diálogos e projetos intersetoriais. É um cenário marcado por tensões, problematizações e indagações e que tem mobilizado o pensamento e a atitude de resistência do Coletivo Fluir em defesa das infâncias. Acreditamos que é importante a criação de ações e políticas que têm como base princípios educativos, éticos, estéticos e criativos, corresponsáveis pelo futuro das crianças e pela construção de uma cidade educadora.

  1. Como participar de projetos de extensão influenciou a tua carreira? 

Permitiu que eu compreendesse como a produção de conhecimentos entre a universidade e a comunidade se fortalece no processo de investigação e do trabalho colaborativo.

  1. Qual é a importância de um edital como o Proext-PG para estimular a extensão na pós-graduação? 

Um edital desta natureza é de extrema importância, considerando que tem impulsionado de forma significativa a participação dos alunos da pós-graduação nas ações de extensão, redimensionando o processo formativo dos alunos e vinculando estes percursos formativos às necessidades educacionais e sociais da comunidade local e regional. Além disso, reforça a estreita relação das ações de ensino, pesquisa e extensão. 

  1. Por que graduandos e pós-graduandos deveriam participar de projetos de extensão? 

A participação de estudantes em projetos de extensão possibilita a criação de espaços criativos para problematizar e construir conhecimentos. Esses espaços oportunizam a compreensão e a mobilização de perspectivas profissionais, além de fortalecer processos de interação dialógica que conectam os estudantes às demandas reais da sociedade. 

  1. Em 2026, quando finalizam os meses previstos para a execução do projeto, que mudanças você imagina que terão ocorrido nas comunidades apontadas como os principais público-alvo do projeto?

 Em 2026, imaginamos:

  • O “desemparedamento” das crianças
  • O fortalecimento do trabalho colaborativo entre coletivos de professoras das escolas de Educação Infantil
  • A implementação de disciplinas extensionistas na pós-graduação, com práticas pedagógicas voltadas para a interação transformadora com as comunidades externas.

Os impactos sociais serão considerados quando atingirmos também a construção de acervos material e tecnológico para a produção e constituição de Territórios Educativos Intersetoriais à disposição do trabalho com as infâncias e a ampliação da população-alvo no que se refere a escolas participantes, crianças, famílias e comunidades envolvidas, além de profissionais em formação.

Texto: Luciane Treulieb, jornalista

Ilustração: Evandro Bertol, designer 

Aluata Comunicação e Ciência

 

 

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