Sem categoria – Além do Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg PROEXT-PG•UFSM Thu, 06 Nov 2025 14:13:13 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Sem categoria – Além do Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg 32 32 Sem categoria – Além do Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/11/06/o-sabor-que-vem-do-acude-como-a-criacao-define-o-gosto-do-peixe Thu, 06 Nov 2025 14:04:06 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=383

No interior da região central do Rio Grande do Sul, açudes sempre foram parte da paisagem rural. Mas, por muito tempo, eles serviram principalmente como reserva de água ou para pescarias ocasionais. Agora, com o apoio do projeto ProgeAqua – Programa de Geração de Renda e Qualidade do Pescado, liderado pelo Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFSM, produtores rurais começam a descobrir um novo potencial nesses espaços: a criação de peixes como alternativa de renda e alimento saudável para as famílias. O ProgeAqua é um dos projetos selecionados pelo PROEXT-PG da Universidade e tem trabalhado na capacitação de produtores rurais que desejam transformar os açudes de suas propriedades em espaços produtivos.

Dois fatores decisivos: nutrição e qualidade da água

O professor Rafael Lazzari, coordenador da iniciativa, explica que a proposta é atuar diretamente na qualificação de uma atividade que ainda é muito incipiente na região.

 “Até agora, o modelo que tem se praticado aqui é antigo, das décadas de 1980 e 1990, baseado na criação de carpas. Hoje, porém, o grande foco do mercado é a tilápia, voltada à produção de filé.” A mudança, segundo ele, tem razões práticas e mercadológicas, já que a tilápia é muito bem aceita por não ter espinhos, o que torna seu consumo mais seguro e acessível para todos, inclusive para crianças e idosos.

A qualidade do filé e o sabor do peixe, explica Lazzari, são consequência direta das boas práticas de criação. Segundo ele, entre os principais fatores que influenciam o sabor estão a nutrição e a qualidade da água, aspectos que estão diretamente relacionados.

No caso da alimentação, os peixes podem receber ração específica ou se alimentar dos microrganismos presentes na água, como algas e fitoplâncton. O professor observa que a tilápia se destaca por conseguir aproveitar as duas fontes de alimento, tanto a ração quanto os microrganismos da água.

Essa característica, no entanto, exige atenção: o equilíbrio da dieta é fundamental. “Se a ração tiver nutrientes desequilibrados ou excesso de gordura, isso vai ser depositado no peixe. É como na nutrição humana: se o organismo gasta menos do que consome, acumula gordura. E essa gordura vai interferir na textura e, principalmente, no sabor e na aceitabilidade do filé.” Além do sabor, o excesso de gordura compromete a conservação. Alimentos com muita gordura, se conservados indevidamente, podem passar por processos de rancificação e deterioração.

Nos cursos, a equipe do ProgeAqua ensina manejo alimentar, orientando os produtores sobre número de refeições diárias, quantidade, cálculo de ração e melhores horários. O professor explica que o objetivo não é ensinar a formular ração — tarefa feita no grupo de pesquisa —, mas mostrar como manejar a alimentação para que o peixe cresça bem e tenha um filé de qualidade.

Outro fator determinante para o sabor do peixe é a qualidade da água. Ela está relacionada tanto ao que o peixe excreta quanto ao tipo de açude onde é criado. Lazzari explica que, quando o ambiente é muito barrento e com acúmulo de lodo, torna-se inadequado, pois há acúmulo de gases e risco de contaminação. Nessas condições, podem surgir bactérias que produzem substâncias absorvidas pela pele do peixe, deixando o sabor desagradável.

Nos cursos, os produtores aprendem a manejar a qualidade da água desde a construção do açude até o monitoramento dos parâmetros químicos. De acordo com o professor, todo o processo começa no cuidado com o solo, na adubação e no enchimento do açude. A cor da água é um indicador importante: águas muito verdes ou barrentas exigem ajustes. O produtor que domina esse manejo tende a ter melhores resultados.

Uma das formas de controle é por meio de equipamentos eletrônicos, que são mais caros. Outra possibilidade são kits simples de análise, parecidos com os usados em piscinas, que medem parâmetros como oxigênio, transparência, pH, alcalinidade e amônia. A partir dessas medições, é possível avaliar se o açude está adequado para a criação. Segundo Lazzari, se os produtores seguirem as recomendações técnicas, eles ganham em produtividade, renda e qualidade  dos peixes produzidos.

Do açude à mesa do cidadão

Os cursos do ProgeAqua usam fotos e exemplos práticos para mostrar os efeitos da má gestão. “A gente mostra, por exemplo, uma água muito verde, com excesso de algas, e explica que isso muda o sabor do filé, ou, quando o produtor coloca muita ração, o oxigênio cai e os peixes morrem. Mostramos as fotos e explicamos o porquê”.

O projeto busca fortalecer a piscicultura regional e ampliar a oferta de pescado saudável à comunidade. A proposta pretende ainda que haja envolvimento do poder público, com a expectativa de que as prefeituras incorporem o peixe local a programas como o Programa Nacional de Aquisição de Alimentos (PAA).

Lazzari ressalta a importância de políticas de incentivo, como leis municipais de apoio e ações de acompanhamento técnico. Alguns municípios já monitoram a qualidade da água e incluem o pescado regional na merenda escolar. Ele observa que o fortalecimento da piscicultura familiar depende desse tipo de apoio.

Mais do que um alimento com valor econômico e nutricional, o pesquisador também aponta novas possibilidades de uso do pescado: a tilápia desponta como fonte de inovação, com pesquisas que utilizam sua pele no tratamento de queimaduras e com perspectiva de uso no Sistema Único de Saúde (SUS).

Expediente:

Reportagem: Luciane Treulieb, jornalista

Design: Evandro Bertol, designer

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No último sábado (24), o projeto de extensão ‘Estratégias e alternativas para o Desenvolvimento Regional Sustentável’, da Universidade Federal de Santa Maria – campus Palmeira das Missões (UFSM-PM), marcou presença no 38º Festival Carijo da Canção Gaúcha.

A ação levou ao público uma apresentação das iniciativas  desenvolvidas pelo projeto, com destaque para a elaboração e implementação de planos municipais de turismo voltados à região de abrangência do campus. Entre os principais eixos de trabalho estão a valorização do polo regional de produção de erva-mate e o fortalecimento das agroindústrias rurais familiares.

Para a professora Rosani Spanevello, coordenadora do projeto, a importância de espaços como o Festival está na oportunidade de diálogo com a comunidade: “É o momento de mostrar o que uma universidade pública pode fazer pelo desenvolvimento regional do espaço onde está inserida”, afirma.

Integrantes do projeto ‘Estratégias e Alternativas para o Desenvolvimento Regional Sustentável’

Segundo a professora Rosani Spanevello, o objetivo do projeto é fomentar o turismo rural na região, oferecendo suporte a agentes públicos, gestores, extensionistas e às próprias famílias na busca por alternativas de geração de renda no campo. “Apresentar este projeto no Carijo significa evidenciar o comprometimento da Universidade com o o desenvolvimento regional e com a melhoria da qualidade de vida no meio rural. É também uma forma de permitir que os visitantes do festival conheçam de perto as ações realizadas pela UFSM”, destaca a coordenadora.

Coordenadora Rosani Spanevello apresenta o projeto
Apresentação do projeto no estande da UFSM na 23ª Mostra da Indústria, Agroindústria e Artesanato de Palmeira das Missões (MIP)

A ação aconteceu dentro da 23ª Mostra da Indústria, Agroindústria e Artesanato de Palmeira das Missões (MIP), no estande interinstitucional da UFSM-PM com outras entidades, como a Emater, o Colégio Polivalente  e a Escola Estadual Técnica Celeste Gobbato. Para o coordenador do PPGAGR, Nelson Guilherme Machado Pinto, ter um espaço da Universidade no Carijo é sinônimo de vitrine regional, que reflete as mudanças de paradigmas nas formas de pensar a pós-graduação, com maior foco para a extensão e o impacto social.

Além do projeto do turismo, outras iniciativas foram apresentadas. Um deles trata-se de uma análise da governança ambiental do estado a partir do cenário de desastres climáticos, que faz parte do Plano Rio Grande, de reconstrução do estado. É liderado por Nelson: “Vamos trabalhar a governança ambiental por meio das regiões de desenvolvimento aqui do estado, pensar no que nos fez chegar nas enchentes do ano passado e o que podemos planejar, em termos de gestão, principalmente de maneira regionalizada”, explica.

Além do projeto voltado ao turismo rural, outras iniciativas também foram apresentadas durante o Festival. Uma delas é voltada à análise da governança ambiental no Rio Grande do Sul, a partir do contexto dos desastres climáticos recentes. A ação integra o Plano Rio Grande, voltado à reconstrução do estado, e é coordenada pelo professor Nelson Viegas. “Vamos trabalhar a governança ambiental com base nas regiões de desenvolvimento do estado, refletindo sobre os fatores que nos levaram às enchentes do ano passado e planejando estratégias de gestão mais eficazes, especialmente de forma regionalizada”, explica o professor.

O festival

O 38º Carijo da Canção Gaúcha foi realizado de 18 a 25 de maio no Parque Municipal de Exposições Tealmo José Schardong, em Palmeira das Missões. O Festival contou com uma vasta programação artística, que incluiu apresentações de artistas locais e regionais, além de shows variados todas as noites. As informações sobre os vencedores das categorias do evento estão disponíveis no instagram do evento.

Carijo é uma palavra de origem caingangue, que nomeia uma técnica indígena de secagem da erva-mate. Os galhos da árvore são dispostos sobre uma estrutura composta por bambus, que fica acima de um fogo de chão. Embora a técnica não seja mais utilizada na produção comercial, o Festival preserva esse saber como patrimônio cultural. O processo exige atenção constante, já que o calor precisa ser controlado para evitar que a erva queime — o que requer vigília e cuidado.

Método carijo de secagem da erva-mate

A Cidade de Lona, atração presente no evento, também remonta a essa tradição: ao longo do parque de exposições, famílias, comerciantes e grupos instalam barracas de madeira com cobertura em lona, em que acampam durante a semana. As refeições são feitas em churrasqueiras ou no próprio fogo de chão.

Cidade de Lona no 38º Carijo da Canção Gaúcha

Sobre o projeto

Contemplado pelo último edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG), o projeto ‘Estratégias e alternativas para o Desenvolvimento Regional Sustentável’ é desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação em Agronegócios (PPGAGR), em Palmeira das Missões (UFSM-PM). São parceiros do projeto os programas de pós-graduação em Patrimônio Cultural, em Gestão de Organizações Públicas, em Zootecnia e em Engenharia de Produção.

Expediente:

Notícia e fotografias: Samara Wobeto, jornalista.

Edição: Luciane Treulieb, jornalista.

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Sem categoria – Além do Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/04/25/producao-de-peixes-e-potencializada-por-pesquisas-na-area-de-piscicultura Fri, 25 Apr 2025 12:40:13 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=296

A produção de peixes requer  atenção a diversos fatores, como a qualidade da água, o conforto térmico, a higienização de tanques e a nutrição adequada por meio do trato de ração. Esses cuidados têm sido destaques de pesquisas já realizadas pelo Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFSM e serão usados no Projeto de Extensão ProgeAqua – Programa de Geração de Renda e Qualidade do Pescado.

Imagem retangular e colorida de colagem de peixes tilápia com outros elementos gráficos. São seis fileiras com quatro peixes cada. As tilápias tem cor alaranjada, tem o corpo chato e alongado, como se fosse um formato de olho. Tem barbatanas na parte superior e no meio do corpo, e na cauda. Eles estão de perfil, na direção do lado direito. Na frente dos peixes, um gráfico azul de barras em formato crescente, pro lado direito. No fundo,imagem escura e texturizada em desfoque.

A iniciativa, contemplada no último edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG), parte de pesquisas já publicadas e validadas, servindo como embasamento técnico e científico para orientar produtores de peixe namelhoria no manejo e produção. Para Rafael Lazzari, coordenador do projeto, a intenção é oferecer conhecimentos que contribuam para a expansão da atividade, com o objetivo de aumentar a renda. “A produção de peixe que estamos falando tem um  objetivo comercial – seja para a venda na Semana Santa, seja para a produção de filé em outros momentos do ano -,  de forma que os produtores familiares da nossa região tenham uma fonte de renda extra, com mais rentabilidade, e possam melhorar suas condições de vida e seus sistemas de produção”, explica Rafael.

Para o pesquisador, a piscicultura desponta como uma atividade com grande potencial de crescimento, especialmente por oferecer uma fonte de proteína saudável. “Um dos focos do projeto não é apenas estimular a produção, mas também incentivar as pessoas a consumir peixe, porque o pescado é uma proteína de boa qualidade, de fácil digestão, rica em vitamina e ácidos graxos que são importantes para a saúde das pessoas”, destaca o coordenador do ProgeAqua. 

Ele também observa que,  no norte do Rio Grande do Sul, os sistemas produtivos de piscicultura já estão mais consolidados. “E agora também queremos fortalecer essa alternativa para os agricultores familiares aqui na região de Santa Maria”. Neste momento, o ProgeAqua está em fase de preparação dos materiais com orientações técnicas para capacitar  as e os produtores. O próximo passo deve acontecer nos próximos meses: o contato com estas famílias por meio de visitas técnicas. “Incorporar as ações de extensão é também cumprir o papel da universidade, que é levar o conhecimento das nossas pesquisas, já gerado na nossa área, para a sociedade”, aponta Rafael.

Segurança alimentar e aumento de produtividade

Dois eixos norteiam o ProgeAqua: a segurança alimentar e o aumento da produtividade. Rafael Lazzari explica que a produção de um pescado de qualidade exige cuidados tanto sanitários (ou seja, boas condições de higiene) quanto sensoriais (relacionados ao sabor do peixe). “Isso passa muito pelos processos de criação. Essas práticas serão abordadas nas capacitações que oferecemos. Isso vai incentivar que os produtores, no dia a dia de manejo, consigam produzir um peixe de qualidade”, ressalta.

 

Os aspectos produtivos ligados à qualidade do pescado têm impacto direto na segurança alimentar e no aumento da produtividade. O pesquisador reconhece que a segurança alimentar costuma ser um tema complexo, mas destaca que oferecer um peixe de qualidade, criado em condições sanitárias adequadas, contribui para o aumento do consumo por crianças, jovens, adultos e idosos. Além disso, a segurança alimentar envolve a possibilidade de acesso aos produtos. “Nem sempre um peixe ou outro produto alimentar é produzido a um custo acessível. Mas se você produzir de forma mais eficiente, ajuda a diminuir o custo de produção, e consequentemente, vai chegar em uma condição melhor para os consumidores”, evidencia Rafael.

 

Já o aumento da produtividade está relacionado ao fortalecimento da piscicultura comercial e à possibilidade da expansão da renda de famílias da agricultura familiar. Rafael explica: “O que tratamos no projeto é como fazer piscicultura em condições técnicas de manejo adequadas, de cuidados intensivos”. Entre os temas abordados nas orientações estão desde a construção e manutenção de açudes, passando pelo monitoramento da qualidade da água, até estratégias adequadas de alimentação dos peixes. 

 

Além dos aspectos relacionados com o ambiente, o projeto também trata de questões gerenciais, que envolvem custo de produção, de manejo e de monitoramento de indicadores de qualidade da água e do próprio peixe. “A piscicultura comercial e intensiva envolve conhecimento técnico-científico para que se garanta índices de produção satisfatórios e o produtor obtenha boa rentabilidade”, frisa Rafael.

 

Manejo na produção de peixes

As capacitações do ProgeAqua são voltadas para o manejo dos peixes no período de inverno, uma vez que a diminuição da temperatura da água afeta o gasto energético e diminui a alimentação dos animais, o que interfere no ganho de peso. Atividades de manejo e monitoramento são necessárias para minimizar os efeitos decorrentes do frio. São exemplos o conforto térmico dos animais e temperatura da água, qualidade de água (valores de oxigênio e ph) e questões comportamentais dos peixes. 

 

Algumas das pesquisas que vão embasar os cursos que serão ofertados aos produtores pelo ProgeAqua estão registradas no e-book ‘Manejo de inverno para a piscicultura no sul do Brasil’, que pode ser acessado por meio deste link. Destacamos alguns elementos importantes:

 

Conforto térmico e temperatura da água: quando a água está com temperaturas muito elevadas ou muito baixas, o peixe tende a se movimentar menos para gastar menos energia, o que leva à diminuição da alimentação e do crescimento e ganho de peso do animal. Em extremos, pode ocorrer mortalidade. As faixas de conforto térmico variam conforme a espécie, o que deve ser considerado na criação. Carpas e tilápias, por exemplo, tem faixas de conforto térmico diferentes. Enquanto a carpa consegue se alimentar em temperaturas de água abaixo dos 15 graus, as tilápias têm mais dificuldades – por serem animais tropicais, com faixas de conforto térmico mais altas, entre 24 e 28 graus.

 

Infraestrutura e manejo da água: quedas bruscas de temperatura são comuns no território gaúcho – e isso pode provocar a queda da temperatura da água e afetar o conforto térmico dos peixes. Esse fator exige a preparação dos produtores para a chegada do inverno e de frentes frias, e envolve uma boa alimentação dos peixes antes da estação, a fim de melhorar sua imunidade para o estresse do frio e evitar possíveis doenças. Qualidade nutricional e da água são fundamentais para a saúde e sobrevivência dos animais.

 

Tamanho e posição dos tanques: popularmente chamados de açudes, os tanques de produção de peixes não podem ser muito pequenos, uma vez que volumes de água menores resfriam mais rápido. Também não podem ser muito profundos, para evitar a estratificação térmica da água. Esse é um fenômeno em que a água se divide em pelo menos duas camadas com diferentes temperaturas: no fundo do tanque, a água tende a ser mais fria porque os raios solares não chegam, o que provoca diferentes densidades que não se misturam. De acordo com Rafael, esse fenômeno é comum na época do inverno, mas, no caso de fortes chuvas, quando há estratificação térmica, a água e os materiais que estão no fundo do açude sobem para a superfície, o que traz matérias orgânicas tóxicas que promovem quedas drásticas no nível do oxigênio. O resultado pode ser uma mortalidade grande dos peixes. Esse fenômeno é chamado de inversão térmica.

 

O tamanho ideal dos tanques pode variar de acordo com a região. Para o Rio Grande do Sul, as recomendações são de açudes maiores do que 1000m² e com profundidade entre um a um metro e meio. A posição dos tanques também é essencial: não podem estar em locais próximos a áreas de morros e árvores – que podem provocar sombras e prejudicar a exposição ao sol – nem em áreas de baixadas – suscetíveis a geadas.


Uso de aeradores: ferramentas que podem ser usadas para homogeneizar a temperatura e densidade da água, o que pode evitar a estratificação e inversão térmicas. Podem ser chafarizes ou ter a forma de pás que se movimentam, e são movidos a energia elétrica, em sua maioria. Tem a função de compensar a diminuição do oxigênio da água em semanas com muito frio e pouco sol.

Captura de tela quadrada e colorida com quatro fotografias de aeradores em formato de chafariz. Elas estão organizadas em dua fileiras com duas fotos cada. As fotos 1, 2 e 3 mostram o aerador em movimento, com o chafariz que joga água para cima, no meio de um açude. Na foto 4, a estrutura do aerador chafariz, que é azul, e tem uma forma circular na base, que se estreita em um formato de cilindro com aberturas laterais. Abaixo das fotos, a legenda: "Figura 4. Aeradores chafariz em funcionamento e imagem de referência para este modelo de aerador. Fonte: (A, B e C) João A. Sampaio (arquivo pessoal), (D) Primato Cooperativa Agroindustrial ([2023])". O fundo é branco.
Aeradores em formato de chafariz. Fonte: Rotta et al, 2023.
Captura de tela de aeradores em formato de pá. São quatro fotografias organizadas em duas fileiras com duas fotos cada. Na parte superior, a primeira fotografia mostra três pontos de água esguichando. Na segunda, um aerador em formato de pá, com corpo azul e pás amarelas. A pá é formada por uma estrutura circular com várias lâminas. Na foto 2, as pás giram e jogam água para cima. Na foto 3, detalhe da água em movimento, para cima. Na foto 4, o aerador em pá parado. Abaixo das fotografias, a legenda: "Figura 3. Aeradores de pás em funcionamento e imagem de referência para este modelo de aerador. Fonte: (A e C) Trevisan Equipamentos Agroindustriais ([2023]), (B e D) Agricotec ([2023])". O fundo é branco.
Aeradores em formato de pá. Fonte: Rotta et al, 2023.

Experiências anteriores

Em 2015, uma primeira edição das capacitações do ProgeAqua foi aplicada na região noroeste do estado. Thamara Schneider é zootecnista e participou desta edição do projeto. Ela conta que o projeto permitiu uma aproximação com a realidade das e dos produtores e favoreceu o diálogo entre o campo e a academia. “O ProgeAqua foi uma oportunidade de ampliar horizontes, conhecer diferentes realidades e dialogar com produtores de distintos perfis, enriquecendo minha formação profissional e pessoal”, relata Thamara.


Além das capacitações técnicas, também foram coletadas amostras de água, para avaliar em laboratório a qualidade físico-química. Os resultados das análises eram levados aos produtores junto com orientações técnicas de melhoria. Os cursos foram ministrados em 40 municípios, com enfoque em Palmeira das Missões, Sarandi, São Pedro das Missões, Jaboticaba, Novo Barreiro, Ronda Alta, Constantina, Sagrada Família, Frederico Westphalen, Seberi, Taquaruçu do Sul, Vicente Dutra, Iraí, Planalto, Nonoai e Trindade do Sul. Foram treinados mais de 800 produtores, que também receberam materiais de divulgação e orientações técnicas. O contato do projeto com os produtores foi feito por intermédio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

 

Fotografia quadrada e colorida de um açude amplo em ambiente aberto, com gramas nas margens. Ao fundo, é possível ver algumas árvores de pinheiros, e o céu azul com nuvens arroxeadas.
Um dos açudes monitorados pelo ProgeAqua na edição de 2015.
Peixe tilápia em fase de crescimento. Ele é prateado com um leve tom de cobre. O peixe está na mão de alguém. O fundo é o chão com gramas esparsas.
Peixe tilápia em fase de crescimento.
Fotografia quadrada e colorida de cinco pessoas em pé ao lado de um açude. São três homens, uma mulher e uma criança. Elas estão em meio à uma grama fina mais alta. Ao fundo do terreno, algumas árvores. A grama se estende até o fundo da imagem. Na parte superior, o céu azul com algumas nuvens espalhadas.
Integrante do ProgeAqua e uma família de produtores ao lado do açude.

Reportagem: Samara Wobeto, jornalista

Edição: Luciane Treulieb, jornalista

Design: Evandro Bertol, designer

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Sem categoria – Além do Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2024/07/19/conheca-os-projetos-contemplados-pelo-edital-proext-pg-ufsm-alem-do-arco Fri, 19 Jul 2024 20:12:11 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=234 Nesta sexta-feira, dia 19, foram divulgadas as dez ações extensionistas contempladas pelo edital de fomento PROEXT-PG UFSM Além do Arco. Confira a listagem por ordem alfabética: 

 

Projeto – Coletivo FLUIR: territórios educativos intersetoriais de ações e políticas em defesa das crianças em contextos vulneráveis

Programa de Pós-Graduação proponente –  Políticas Públicas e Gestão Educacional

Coordenador(a) – Taciana Camera Segat

 

Projeto –  Comunicação de proximidade: memória, resiliência e adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais na Quarta Colônia

Programa de Pós-Graduação proponente – Comunicação 

Coordenador(a) –  Aline Roes Dalmolin

 

Projeto – Diagnóstico da aptidão agrícola das terras e fertilidade do solo em áreas agrícolas atingidas por desastres climáticos

Programa de Pós-Graduação proponente – Ciência do Solo

Coordenador(a) – Gustavo Brunetto

 

Projeto – Estratégias e Alternativas para o desenvolvimento regional sustentável 

Programa de Pós-Graduação proponente – Agronegócios

Coordenador(a) – Tiago Zardin Patias

 

Projeto – FELIZ(C)IDADE: Corpo MAIS no Cuidado e na promoção do Envelhecimento saudável

Programa de Pós-Graduação proponente – Gerontologia

Coordenador(a) – Melissa Medeiros Braz

 

Projeto – MEMORAR QC – Memorial das Águas e Resiliência Climática da Quarta Colônia

Programa de Pós-Graduação proponente – Geografia

Coordenador(a) – Adriano Severo Figueiró 

 

Projeto – Programa de Geração de Renda e qualidade do pescado (Progeaqua)

Programa de Pós-Graduação proponente – Zootecnia

Coordenador(a) – Rafael Lazzari

 

Projeto – Programa Integrado de Telessaúde: Resposta à Crise Climática no RS por meio da Parceria entre Programas de Pós-Graduação da UFSM 

Programa de Pós-Graduação proponente – Ciências da Saúde

Coordenador(a) – Gustavo Nogara Dotto

 

Projeto – Sumo Educacional

Programa de Pós-Graduação proponente – Gestão das Organizações Públicas

Coordenador(a) – Kalinca Léia Becker

 

Projeto – TIME ENACTUS UFSM

Programa de Pós-Graduação proponente – Administração

Coordenador(a) – Debora Bobsin

 

Texto: Milene Eichelberger, acadêmica de Jornalismo. 

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Sem categoria – Além do Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2024/07/18/nossa-atuacao-fez-diferenca-o-impacto-da-extensao-na-formacao-de-pos-graduandos Thu, 18 Jul 2024 19:11:46 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=223 Com o objetivo de fortalecer a relação entre a comunidade acadêmica e a sociedade, a extensão é um dos pilares das Instituições de Ensino Superior. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) tem um caminho já trilhado de práticas extensionistas e, no novo edital PROEXT-PG UFSM Além do Arco, o foco é o estímulo às ações de extensão nos programas de pós-graduação, 

Para a Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa, Cristina Wayne Nogueira, a extensão é o momento que os alunos podem experienciar o contato com a comunidade: “é quando que os pós-graduandos podem mostrar sua pesquisa para a sociedade e colher o impacto, entender que essa ciência tem implicações”, destaca. Em concordância, o Pró-Reitor de Extensão, Flavi Ferreira Lisboa, destaca a necessidade da indissociabilidade entre os eixos ensino, pesquisa e extensão e pontua: “é importante que a prática da extensão seja transformadora e  possibilite uma formação mais integral desse acadêmico”, enfatiza. 

Em 2023, projetos contemplados no primeiro edital da UFSM de fomento a ações de extensão na pós-graduação contaram com a participação de estudantes, que se engajaram nas atividades realizadas. A seguir, alguns deles relatam sobre a participação nas ações realizadas e as contribuições da extensão para sua formação acadêmica, profissional e pessoal. 

 

Memória e patrimônio: uma conexão Brasil – Uruguai

Arquivos trabalhados pelas pós-graduandas no projeto de extensão

Um dos projetos contemplados no ano passado foi “Capacitação em gestão documental para a preservação da memória e do patrimônio cultural da fronteira Brasil/Uruguai”, sob coordenação da professora Sônia Elisabete Constante, do Programa de Pós-Graduação em Patrimônio Cultural (PPGPC). O projeto buscou suprir uma carência de políticas públicas para preservação do patrimônio documental da região de fronteira Brasil-Uruguai, por meio da capacitação de servidores das cidades de Rivera (Uruguai) e Santana do Livramento (Brasil). A iniciativa se deu a partir da relação internacional entre a UFSM/Brasil e o Museo del Patrimonio Regional de Rivera/Uruguai.

As arquivistas e acadêmicas do PPGPC Daiane de Souza e Lourdes Marilize Ferreira Soares foram bolsistas do projeto e contam que a experiência foi bastante relevante para a formação acadêmica e profissional das duas: “A participação no projeto contribuiu para uma maior troca de ideias com outros profissionais, com os responsáveis pelos documentos da região da fronteira. Nós conseguimos entender as demandas mais urgentes e ter também muitas trocas culturais”, destacam. Dentre as ações desenvolvidas pelas bolsistas esteve a preparação do conteúdo a ser  ministrado no Curso de Capacitação para os

Daiane e Lourdes, em atuação pelo projeto.

profissionais da área, a execução de cursos teóricos sobre noções de arquivo, incluindo a  identificação da situação encontrada no acervo a partir de um diagnóstico, a execução de cursos teórico/prático com o desenvolvimento de procedimentos de gestão documental e a apresentação de trabalhos em eventos científicos.

 

As pós-graduandas veem de forma positiva os resultados alcançados com as ações: “Percebemos que o público e os profissionais, de modo geral, receberam muito bem o projeto, assimilando as atividades apresentadas”, destaca Daiane. As ações, que colocaram as estudantes em contato direto com outros profissionais, proporcionaram trocas acadêmicas e o contato direto com a comunidade: “Estar junto com profissionais especializados que atuaram neste projeto foi de grande satisfação, mas, ao mesmo tempo, de grande responsabilidade. Sentimos que, de fato, a nossa atuação fez a diferença e entendemos que o dever foi cumprido”, destaca Lourdes. 

 

Mapeamento de íons de fluoreto na água – melhoria para a saúde da população

Equipe do projeto que visa remover excesso de íons fluoreto da água para melhorar saúde da população

Outro projeto contemplado pelo edital da UFSM foi Remoção do excesso de íons fluoreto da água como estratégia para melhoria da saúde da população, coordenado pelo professor Elvis Carissimi e vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental. O projeto tem como objetivo o mapeamento de áreas de fragilidade ambiental, onde há o excesso de íons de fluoreto na água para consumo. A iniciativa foi realizada na região central do Rio Grande do Sul com dados de monitoramento do flúor do Programa Vigifluor, realizado pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS). A partir das informações georreferenciadas, foram construídos mapas de ocorrência do flúor que servem de referência para outros estudos. 

Uma das acadêmicas que integrou o projeto foi Rafaela Morelato, então mestranda do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PPGEC). Em sua pesquisa, Rafaela desenvolve materiais e tecnologias para a remoção do excesso de íons fluoreto (F) em águas subterrâneas. A acadêmica explica que o excesso do material  nas águas de consumo público pode causar doenças como fluorose dental e fluorose óssea: “Isso acontece em várias áreas onde a água consumida vem do subterrâneo. Há ocorrência de casos de fluorose dental em diversas regiões do Brasil, incluindo na Quarta Colônia e em Santa Maria”, conta. 

 
Trabalho apresentado por Rafaela recebeu destaque na 30º Jornada de Jóvenes Investigadores da AUGM no Paraguai

Rafaela, que recentemente foi aprovada no processo seletivo de doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), conta que o projeto lhe possibilitou o contato com realidades diferentes e expandiu sua visão sobre o impacto social da pesquisa: “Tive a possibilidade de apresentar minha pesquisa num evento no Paraguai e observei que o país não tem dados públicos de monitoramento das águas de abastecimento como o Brasil, o que limita muito a tomada de decisões dos pesquisadores e gestores públicos, por exemplo”, relatou.

Rafaela incentiva outros alunos a pensarem propostas cada vez mais alinhadas à extensão: “Espero que mais alunos busquem iniciativas inovadoras, que aliem a pesquisa científica de inovação da pós-graduação com o impacto social promovido pela extensão universitária”.

 

Para a jornalista e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM (Poscom) Samara Wobeto, integrante da Associação das Pós-graduandas e Pós-graduandos da UFSM (APG), as práticas de extensão são muito importantes por possibilitar impactos reais da pesquisa na comunidade. Samara destaca: “Pesquisar só por pesquisar limita o que a ciência pode fazer e ser, o exemplo mais recente é como a pesquisa foi importante no cenário de enchentes provocada pelas mudanças climáticas. Desde os alertas para as chuvas extremas, até as ações de mitigação dos impactos e de recuperação das comunidades, tem a presença da pesquisa e da extensão”. 

 

O edital PROEXT-PG UFSM Além do Arco busca o fomento à participação de estudantes da pós-graduação em ações extensionistas e visa incentivar que cada vez mais alunos tenham o contato com a comunidade. O resultado final do edital será divulgado nesta sexta-feira, dia 19.

Texto: Milene Eichelberger, acadêmica de jornalismo

Aluata Comunicação e Ciência

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