Além do Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg PROEXT-PG•UFSM Tue, 13 Jan 2026 00:02:53 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Além do Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg 32 32 Além do Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2026/01/12/projeto-da-ufsm-amplia-atuacao-com-a-comunidade-montanha-russa Mon, 12 Jan 2026 23:40:56 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=406

Em meados de 2025, Daiane Ribas dos Santos — moradora da comunidade Montanha Russa e, à época, cozinheira da escola da região — fez um pedido à equipe do Coletivo Fluir: que o trabalho realizado com as crianças dentro da escola também chegasse aos demais moradores. A associação comunitária da qual ela fazia parte poderia ser o local para esses encontros. A partir dessa demanda, o projeto de extensão da Universidade Federal de Santa Maria passou a ocupar novos espaços.

Criado em 2024, o Coletivo Fluir é um projeto de extensão desenvolvido por professores e estudantes da UFSM, voltado à defesa das infâncias em contextos de vulnerabilidade social. Inicialmente, a iniciativa atuava em três instituições da rede pública municipal, com foco na formação da comunidade escolar e no cotidiano das crianças pequenas.

A presença regular dos universitários nesses territórios — em especial na Escola Municipal de Educação Infantil Montanha Russa — fez com que as ações desenvolvidas com as crianças começassem a repercutir para além do ambiente escolar. “A proposta de aproximação surgiu da necessidade que a comunidade tem de troca de conhecimento e desenvolvimento”, afirma Daiane.

Integrantes do Coletivo Fluir em diálogo com moradores da comunidade Montanha Russa

Território Andarilho: escuta antes da ação

A partir desse pedido, o Coletivo Fluir passou a estruturar o Território Andarilho da Comunidade Montanha Russa, um desdobramento do projeto que deslocou parte das ações para fora da escola e passou a concentrar encontros, oficinas e atividades na sede da associação comunitária.

Na prática, o Território Andarilho se consolidou como uma forma de atuação baseada na escuta da comunidade e na presença continuada da universidade no bairro. Desde o início, a equipe optou por não chegar ao território com propostas fechadas. O primeiro passo foi apresentar o Coletivo e ouvir os moradores.

“Nós fomos dialogar com as pessoas, apresentar o projeto — como a Dai nos pediu —, mas, ao mesmo tempo, queríamos ouvir quais eram as demandas e dificuldades da comunidade”, explica Taciana Segat, professora da UFSM e coordenadora do Coletivo Fluir.

Segundo ela, o contato inicial com a comunidade também foi marcado por incertezas sobre como o projeto poderia contribuir naquele contexto. “A gente foi um tanto sem saber exatamente como poderia ajudar”, afirma.

Com o avanço dos encontros e das conversas com moradores e lideranças locais, novos desafios começaram a emergir — muitos deles não visíveis a partir da experiência restrita ao espaço escolar. “Existia mais vulnerabilidades do que a gente imaginava”, relembra Leandra Possa, docente da UFSM e integrante do Fluir.

Cuidar das crianças exige olhar para o entorno

O contato direto com a comunidade levou os integrantes do projeto a rever alguns dos seus pressupostos. A equipe percebeu que a atuação centrada nos bebês e crianças pequenas não seria suficiente para enfrentar situações de vulnerabilidade mais amplas. “Trabalhar com crianças envolve trabalhar com adultos”, reconhece Taciana.

Ao aprofundar o diálogo no território, o coletivo percebeu que muitos dos adultos que hoje cuidam das crianças também viveram infâncias marcadas por vulnerabilidade. “São adultos que tiveram infâncias vulneráveis e que hoje participam da formação de crianças que vivem situações semelhantes. Isso foi complexificando o projeto”, explica Leandra.

A partir dessa compreensão, o Fluir reorganizou sua atuação: as crianças seguem no centro do projeto, mas passaram a ser pensadas em relação com as famílias, os adultos e as condições de vida do território. Essa leitura ampliada fez com que o projeto passasse a operar em diferentes frentes ao mesmo tempo. Enquanto aprofundava a atuação no território, o Fluir manteve as ações nas escolas e a disciplina de extensão em funcionamento. Para o grupo, o trabalho com as infâncias não se restringe a um único espaço. “A gente está pensando em como transformar os lugares onde as crianças vivem e moram em espaços mais seguros para crianças e adultos”, afirma a coordenadora do Fluir.

Ações no território: presença, escuta e construção coletiva

As ações do Território Andarilho da Comunidade Montanha Russa se estruturam a partir da presença contínua do Coletivo Fluir no bairro. Entre as atividades estão oficinas coletivas, momentos de convivência e escutas com moradores de diferentes idades, realizadas principalmente no espaço da associação comunitária.

Caminhada realizada pelo território

Além dos encontros, a aproximação com a comunidade incluiu uma caminhada junto com moradores. A proposta era conhecer o território a partir de quem vive ali, percorrendo ruas, acessos e trajetos cotidianos que organizam a vida das famílias. Segundo Taciana Camera Segat, a parceria com as professoras da escola foi decisiva para que a atividade acontecesse. “Sem esse trabalho conjunto, não teria sido possível.”

Durante a caminhada pelo bairro, a equipe identificou obstáculos enfrentados pelas famílias que não se evidenciam no ambiente escolar.“Quando a gente subiu o morro, ficou muito mais claro o que uma mãe precisa enfrentar para levar uma, duas, três crianças, mochila, guarda-chuva, para chegar até a escola”, relata Márcia Cardona, egressa da UFSM e integrante do Coletivo Fluir. Segundo ela, a experiência reforçou a necessidade de compreender as infâncias para além da escola. “Só dentro da escola, a gente tem uma abrangência muito pequena da vida das crianças.”

Outra ação de destaque realizada pelo Coletivo Fluir foi uma oficina para a criação da marca da comunidade Montanha Russa. Conduzida por Andrei Lopes, doutorando integrante do projeto, a atividade reuniu crianças, jovens, adultos e idosos em torno da construção coletiva de uma identidade visual para a vila.

Moradores participam de uma oficina oferecida pelo Fluir para discutir a logo da comunidade

Ao longo dos encontros, a proposta se ampliou. Entre lápis de cor, desenhos e pinturas, os participantes passaram a compartilhar memórias e histórias do bairro, transformando a oficina também em um espaço de escuta e troca coletiva.

A aproximação com os moradores também revelou entraves burocráticos que dificultavam a organização comunitária. Um deles era a situação da Associação de Moradores, que não possuía CNPJ formalizado. A partir dessa demanda, o projeto articulou o contato com estudantes do curso de Direito da UFSM, que passaram a auxiliar a associação na compreensão dos trâmites legais necessários para a regularização.

Segundo Taciana, esse tipo de ação evidencia um papel assumido pelo projeto ao longo do processo: o de mediação entre as demandas da comunidade e os acessos institucionais que a Universidade possui. “A gente tem oportunidades de formação, de trânsito e de acesso que muitas pessoas da comunidade não têm. Nosso papel é construir essa ponte a partir da Universidade com a sociedade”, afirma a coordenadora do Fluir.

O semestre de atividades culminou, no início de dezembro, com uma grande festa comunitária realizada na Associação de Bairro, reunindo cerca de 300 pessoas. O evento funcionou como momento de encontro, devolutiva das ações e convivência.

Quando o território transforma a universidade

A experiência no Território Andarilho também produziu efeitos dentro da própria Universidade, especialmente na formação dos estudantes envolvidos no projeto. Ao lidar com demandas que não cabem em respostas prontas, o trabalho no território passou a tensionar modos tradicionais de fazer extensão e a forma como o conhecimento é construído e compartilhado.

Para Leandra Possa, o impacto do Território Andarilho não se dá apenas no sentido da Universidade em direção à comunidade. “A gente fala muito do impacto da universidade na comunidade. Mas o que esse projeto tem mostrado é o impacto da comunidade na Universidade, na nossa formação”, afirma.

Segundo as integrantes do Coletivo Fluir, esse impacto aparece de forma direta no percurso formativo dos alunos, que passam a confrontar, no território, os limites do que aprendem em sala de aula. “Um projeto como esse impacta inclusive nas nossas aulas e na nossa possibilidade de dialogar com os estudantes universitários sobre o que vivemos no bairro”, relata Taciana. 

Nesse processo, a extensão deixa de ser entendida como aplicação de um saber pronto e passa a exigir escuta, negociação e construção conjunta. Para o grupo, assumir esse lugar implica reconhecer limites e aceitar o caráter experimental da extensão. Para as participantes, esse é o papel da universidade pública: criar condições, sustentar diálogos e construir junto, mesmo quando os caminhos não estão dados de antemão.

Próximos passos: dados, políticas públicas e continuidade

Para 2026, o Coletivo Fluir prevê a continuidade das ações nas escolas, da disciplina de extensão e das atividades no território. Ao mesmo tempo, a equipe identificou a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre a realidade da Comunidade Montanha Russa a partir da produção de dados mais sistematizados.

“Agora a gente percebeu a necessidade de construir um instrumento de levantamento de dados, de ir casa a casa, conversar com as pessoas, para entender o que a universidade pode fazer e o que é responsabilidade do poder público”, explica Leandra.

A proposta é que esse levantamento possa subsidiar tanto ações da Universidade quanto a formulação de políticas públicas, a partir do diálogo com a prefeitura e a Câmara de Vereadores.

Reportagem: Luciane Treulieb

Fotografias: Coletivo Fluir

 

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Além do Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/12/19/totens-interativos-e-exposicao-fotografica-sao-estrategias-para-a-conscientizacao-sobre-a-crise-climatica Fri, 19 Dec 2025 17:26:45 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=402

No início de novembro, a Jornada Acadêmica Integrada Mirim (JAI Mirim) recebeu pequenos cientistas do ensino infantil e fundamental no Museu do Conhecimento da UFSM. Dentre os projetos presentes no evento, um dos destaques foi o Memorar – Memorial das Águas e da Resiliência Climática da Quarta Colônia. Foi a estreia de totens digitais interativos, adquiridos com recursos do Pró-Equipamentos, projeto parceiro financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal (Capes). Por meio dos totens, as crianças puderam visualizar e interagir com histórias em quadrinhos, quizzes, imagens das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul e mapas que mostram o movimento das águas no estado.

Criança interage com totem durante JAI Mirim, na UFSM.

O professor Adriano Figueiró é do Departamento de Geografia da UFSM e coordena o projeto Memorar. Segundo ele, mais de 300 pessoas, entre crianças e professores, passaram e interagiram com os totens. “Todo mundo ficou bastante impactado e surpreso com o conteúdo que observaram. Eu acho que isso cumpriu um primeiro objetivo [do projeto], que é justamente a sensibilização”, afirma Adriano.

 

Os totens funcionam como ferramentas de divulgação científica e difusão do conhecimento sobre mudanças e resiliência climática, pois permitem compreender, visualizar e interagir com explicações sobre causas e efeitos dos eventos climáticos extremos, que estão cada vez mais frequentes. “A partir da mudança climática, nós transformamos o extraordinário em ordinário”, declara Adriano. Para o professor, esse entendimento é importante para sensibilizar e conscientizar diferentes gerações. Crianças, adolescentes e jovens, que no momento são os públicos-alvo do projeto, têm mais facilidade de compreender a seriedade do fenômeno por terem nascido imersos nesta complexidade. Consequentemente, tem mais possibilidade de incorporar práticas sustentáveis no seu dia a dia.

 

Por outro lado, por não ter presente a vivência da memória de eventos climáticos extremos que já aconteciam no século passado, a noção de urgência e de planejamento de ações a longo prazo encontra mais dificuldades. Já para os adultos, essa mesma característica dificulta a compreensão da mudança climática, uma vez que enchentes, estiagens, chuvas de granizo e vendavais já causavam destruição em décadas passadas. “Mas a partir do momento em que eles começam a compreender que a mudança climática é, na verdade, a intensificação dos fenômenos extraordinários que sempre aconteceram, eu diria que eles são parceiros mais fáceis de serem incorporados, porque têm uma noção  de mundo que os jovens não têm”, explica Adriano.

 

Foram adquiridos dez totens que atualmente estão no Museu do Conhecimento da UFSM. No entanto, de acordo com Adriano, futuramente alguns deles podem ser instalados no Memorial da Resiliência Climática, objetivo principal do projeto e que está em fase de planejamento.

Memorial Quarta Colônia: da Tragédia ao Sonho

A fim de ampliar a visibilidade do projeto, o Memorar QC inaugurou na semana passada a mostra fotográfica ‘Memorial Quarta Colônia: da Tragédia ao Sonho’ no hall do Centro de Ciências Naturais e Exatas. “O nosso objetivo é tentar partir de diferentes instrumentos para sensibilizar diferentes grupos da comunidade”, diz Adriano. São 20 fotos das enchentes de 2024 selecionadas a partir de materiais midiáticos, que também são dados coletados pelo projeto. Estas fotografias representam a tragédia. Por outro lado, Adriano afirma que a ideia da mostra surgiu para fazer uma espécie de contrapeso, já que a atuação no projeto exige reviver a catástrofe e rememorar a tragédia. Por isso, criaram um concurso fotográfico para selecionar fotos de paisagens da Quarta Colônia, que significam o Sonho. “[Serve] para que as pessoas possam perceber o potencial dessas paisagens para construir a vida”, declara.

“A paisagem da Quarta Colônia é excepcionalmente linda. Mas quando você confronta essas duas realidades, ou seja, uma paisagem linda e uma paisagem submetida a uma catástrofe, nós percebemos que a passagem de uma paisagem linda para uma de perigo, morte e destruição, é uma passagem muito rápida, que pode se dar num tempo muito curto. Por isso temos que criar estratégias para tentar evitar que o impacto seja tão grande como foi em 2024”. - Adriano Figueiró, coordenador do projeto.

Para Adriano, este comparativo demonstra que, para além da tragédia, aquela paisagem tem capacidade de resiliência e recuperação. A mostra fotográfica é itinerante e será levada para diferentes espaços da UFSM, de escolas e da Quarta Colônia em 2026.

Mostra fotográfica ‘Memorial Quarta Colônia: da Tragédia ao Sonho’, no Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE).
Mostra fotográfica reúne imagens das paisagens da Quarta Colônia antes e depois das enchentes de 2024.

Memória como ferramenta para o futuro

O nome do projeto já informa um de seus objetivos: transformar a enchente em memória. Adriano explica que, apesar de ser um processo doloroso, rememorar as paisagens e consequências das enchentes de 2024 é necessário. “Costumamos dizer que a memória é a única coisa que efetivamente consegue ligar o passado ao presente, para construir o futuro”, declara. Por isso ela se torna ferramenta de conscientização: permite compreender a noção da passagem do tempo. “[Ela] nos permite ter a noção de onde as coisas vieram, de como chegaram até aqui, do que aconteceu lá atrás, porque esse processo se repete no tempo. E se não temos a memória, não temos a compreensão de repetição”, conta Adriano. Isso é importante para compreender, inclusive, a intensificação de fenômenos climáticos extremos. 

“Esse é o princípio para nós. Vivemos um momento, na sociedade planetária, submetido a um modo de produção capitalista, em que a memória tende a ser sistematicamente apagada porque quando temos um indivíduo sem memória, ele é mais vulnerável para o processo do consumo, da construção de imaginários que não são reais”, finaliza Adriano.

Um dos instrumentos para a preservação da memória das enchentes será o Memorial da Resiliência Climática, cuja previsão de instalação é para o próximo ano.

Reportagem: Samara Wobeto, jornalista

Fotografias: Memorar Quarta Colônia

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Além do Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/12/08/ufsm-impulsiona-turismo-rural-em-palmeira-das-missoes Tue, 09 Dec 2025 00:59:15 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=394
 

A produção de erva-mate começa a ganhar novos desdobramentos na região de Palmeira das Missões – município do noroeste do Rio Grande do Sul reconhecido como “berço da erva-mate” por uma lei estadual. O que antes era visto principalmente como atividade agrícola passou a ser entendido como oportunidade de desenvolvimento regional.

“A nossa região tem muita capacidade para o turismo”, afirma a professora Rosani Marisa Spanevello, do Departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas da UFSM-PM. O projeto de extensão que ela coordena, chamado “Estratégias e Alternativas para o Desenvolvimento Regional Sustentável”, tem a proposta de transformar o ciclo da erva-mate (plantio, colheita, beneficiamento e usos culturais) em experiência para os visitantes. A iniciativa envolve uma rede formada pela Universidade, Secretaria de Cultura e Turismo de Palmeira das Missões, Emater e pela recém-criada Associação dos Ervateiros.

Diagnóstico no campo revela potencial

Equipe da UFSM percorre as propriedades junto aos produtores de erva-mate

Durante o segundo semestre de 2025, professores e estudantes da UFSM percorreram as propriedades das seis famílias de produtores de erva-mate que aceitaram participar do projeto para conversar com os agricultores, observar áreas de cultivo e identificar vocações para o turismo de cada lugar.
Os relatórios desenvolvidos após as visitas apontaram potencial para caminhadas entre ervais, demonstrações de colheita, degustação de chimarrão e atividades relacionadas à memória da produção da erva-mate. Pretende-se valorizar a história local e abrir novas alternativas de renda.
Para alguns produtores, o processo já provocou mudanças na percepção sobre a própria terra. “Mudou o modo de enxergar nossa propriedade”, relata Vera Lucia Friderich da Cruz, da Ervateira Gurizinho. “Para nós, que trabalhamos aqui diariamente, é só o nosso trabalho. A UFSM e a Emater nos fizeram ver que existem muitas possibilidades.”
Ao longo do ano, a UFSM e a Emater ofereceram capacitações sobre temas como hospitalidade rural, turismo de natureza e organização da propriedade. A conversa com especialistas ajudou a romper a ideia de que o turismo dependeria de grandes investimentos e obras complexas. Para muitas propriedades, ajustes simples, como manejo do lixo, roçada das trilhas e placas de identificação, possibilitam a criação de atividades turísticas de baixo custo e alto valor cultural.
De acordo com a professora Rosani, a lógica é semelhante a qualquer outra atividade econômica: produzir morangos, ovos ou laranjas também exige investimento. No turismo, a diferença está em aproveitar o que a propriedade já oferece: o ambiente natural, as histórias da família e a relação com a erva-mate.

Primeiros roteiros começam a tomar forma 

Com base nos diagnósticos, a equipe da UFSM está ajudando os produtores a imaginar diferentes usos turísticos para cada propriedade. Para isso, utiliza ferramentas de design e imagens criadas com apoio de inteligência artificial, simulando trilhas, mirantes, casas na árvore, balanços e outros elementos. Há propriedades com ervais sombreados por árvores centenárias e outras com vocação para gastronomia, que produzem bolos e sagus com erva-mate.

“O mais interessante é o ar puro, o sossego, a sombra boa e a paisagem linda”, descreve Vera, da ervateira Gurizinho. A expectativa é oferecer aos visitantes um ambiente de simplicidade, descanso e acolhimento. “A gente espera mostrar que existe um lugar de refúgio, onde tudo é simples, mas muito bonito — e, claro, espera ter retorno financeiro”, afirma.

A produtora rural Vera da Cruz junto a bolos e sagu feitos com erva-mate
 
“Trilha do erval” é uma das propostas de turismo rural. Imagem criada por Inteligência Artificial. 

Indicação geográfica: reconhecimento que pode fortalecer o setor

Outra frente do projeto é a discussão sobre a indicação geográfica (IG) da erva-mate produzida em Palmeira das Missões. Concedida pelo INPI, a IG funciona como um selo de origem que certifica características únicas do produto — sabor, cor, qualidade e história associadas ao território.
Para apresentar a ideia aos agricultores, foi realizada uma visita a Machadinho, cidade que já possui registro de IG de erva-mate. A comparação permitiu que os produtores visualizassem a potência local. “Eles perceberam, ao ver de perto, que Palmeira também têm muito potencial”, conta Rosani.
A professora recorre a um exemplo conhecido do público gaúcho para explicar o conceito: “O vinho pode ser produzido em vários lugares. Mas o vinho do Vale dos Vinhedos tem um sabor, uma cor, uma qualidade e uma história que são daquele território.”
Segundo ela, a erva-mate de Palmeira pode trilhar caminho semelhante, conquistando reconhecimento por atributos próprios. O processo, porém, exige articulação coletiva — por isso a Universidade tem apoiado os produtores na compreensão e preparação para uma futura candidatura. 

Próximos passos 

Com os diagnósticos concluídos e as primeiras capacitações realizadas, o próximo semestre será dedicado ao planejamento das atividades experimentais. A proposta é que, durante o Festival do Carijo, que vai ser realizado em maio de 2026, a Secretaria de Cultura e Turismo promova visitas-piloto às propriedades participantes. Será uma oportunidade para testar fluxos, observar a recepção dos primeiros grupos e ajustar a estrutura para roteiros futuros.
Até lá, as propriedades devem realizar os pequenos ajustes sugeridos nas devolutivas elaboradas pela UFSM. A expectativa é construir um circuito inicial que permita aos visitantes vivenciar o cultivo da erva-mate e compreender a importância desse patrimônio para o território.

Repórter: Luciane Treulieb

Imagens cedidas pelo projeto

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O cuidado com a população idosa é uma preocupação necessária, visto que, em 25 anos, o número de idosos no Brasil vai dobrar. Estes dados são do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), que também afirma que o número de idosos vai superar o de crianças até 2031. Um dos fatores desse aumento é o crescimento da expectativa de vida da população brasileira. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2024 a média de idade que uma pessoa idosa pode atingir é de 76,4 anos. Em comparação com a medição de 1940 – primeiro dado do tipo registrado -, a média era de 45,5 anos, o que representa um aumento de 30,9 anos. 

 

 No início do mês, o tema ganhou discussão ao pautar a redação do Enem com os desafios do envelhecimento da sociedade brasileira. Para Melissa Medeiros Braz, professora do Mestrado em Gerontologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a temática do envelhecimento é uma preocupação necessária. Ela envolve falar de cuidado, de saúde e tratamento de doenças, mas também de saúde mental e cognitiva, socialização, alimentação, atividade física e acessibilidade de espaços e cidades. Melissa também é coordenadora do projeto Feliz(c)idade, que surgiu com o objetivo de promover ações de extensão voltadas para pessoas idosas.

Idosos em momento de prática de exercício físico, no projeto Feliz(c)Idade

O projeto também significa a continuidade de outros, como o Núcleo Integrado de Estudos da Terceira Idade (Niati), que está em funcionamento desde os anos 1980. Seu coordenador, Gustavo Duarte, professor do Centro de Educação Física e Desporto (CEFD) da UFSM, afirma que falar sobre o envelhecer é fundamental. “É um fenômeno global e também brasileiro. Já que no Rio Grande do Sul nós temos a maior taxa de longevidade do Brasil, toda sociedade precisa se preparar”, reitera. Para Gustavo, deve ser uma preocupação de todos, desde crianças e jovens até adultos e idosos. “Não precisa ser idoso para trabalhar e se preparar para o [envelhecimento]”, diz. A aposta é em uma educação permanente e gerontológica, de diálogo intergeracional.

Para pensar, é preciso se mover: os benefícios da atividade física

A imagem que se tem de pessoas idosas está em mudança: não são mais apenas as de pessoas velhas, com cabelos grisalhos e pele flácida, com dificuldades de locomoção e inúmeras doenças. Estas características ainda definem este grupo, mas o perfil é diverso. Uma pessoa é considerada idosa a partir dos 60 anos, de acordo com os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS), também elencados no Estatuto do Idoso do Brasil. Uma reportagem publicada pelo Estadão em 2024 aborda o treinamento físico para idosos, que é tendência fitness no país. O texto traz dados de levantamento feito pelo Colégio Americano de Medicina do Esporte, que pesquisa o assunto a partir de profissionais do setor. Nas redes sociais, cresceram perfis de ‘vovós’ na academia ou no pilates, que alcançam números altos de visualizações, curtidas e comentários.

 

Gustavo afirma que a busca pelo envelhecimento saudável é compartilhada: “Na qualidade de vida, podemos destacar a condição física, as capacidades funcionais, de força, de equilíbrio, de coordenação, de agilidade. O corpo é a nossa casa, nós somos esse corpo. E tudo é a partir do corpo”. Melissa explica que, nessa fase, é comum haver perda de massa muscular e óssea, o que pode afetar o equilíbrio, o deslocamento e a mobilidade. Síndromes metabólicas e doenças cardiovasculares também são mais frequentes em idosos. “O exercício aeróbico também tem um papel fundamental na prevenção e no tratamento dessas disfunções”, afirma.

Atividades de musculação e fortalecimento cognitivo.
Aividades de estimulação cognitiva.

 

Para Melissa, no entanto, este não é o único benefício do exercício físico. No Feliz(c)idade, a dança, os exercícios de musculação, de fisioterapia e as atividades de estimulação cognitiva são realizadas em grupos, o que assume o papel da socialização, de uma rede de encontros. 

“É uma fase de perdas ou de ressignificação dos papéis sociais. Antes a pessoa trabalhava e agora tá se aposentando. Muitas mulheres, mães, tinham os filhos em casa. Agora que eles saíram, elas se vêem em um papel diferente. Muitas, até por questões físicas, tem algumas limitações nas atividades sociais. Então, o papel do grupo é fundamental para ajudar a ressignificar essas perdas”. - Melissa Medeiros Braz, coordenadora do projeto Feliz(c)Idade.

Além do fortalecimento físico e muscular – que ajudam a prevenir quedas -, as atividades auxiliam na prevenção da demência, da depressão e da ansiedade, ou seja, atuam no fortalecimento da saúde mental. Outros benefícios do exercício físico incluem o aumento da vascularização cerebral, que ajuda na memória e nas funções cognitivas. Para Gustavo, a atividade física é a base do que ele chama de ‘educação do movimento’. “Nós planejamos exercícios e atividades de interação em duplas em trios, de resolução de problemas, de interação com materiais. Além do movimento, os idosos também têm que responder questões da atualidade. O movimento é intrínseco: precisa pensar para se mover”, explica.

Atividade física, mas não somente: o papel do cuidado integrativo

O cuidado com o envelhecimento deve ser integrativo, afirma a professora Melissa Braz. Isso significa que é preciso ter, além do fortalecimento e diversos benefícios da atividade física, atenção à alimentação, à socialização, à saúde mental, ao desenvolvimento e fortalecimento cognitivo, à acessibilidade das casas e dos espaços e cidades. Com a perda da força muscular e do equilíbrio, pessoas idosas se tornam mais propensas à quedas. 

 

Ruas esburacadas e irregulares não são inacessíveis apenas para pessoas com deficiência, como aquelas usuárias de cadeira de rodas e pessoas cegas, que usam bengalas. São inacessíveis também para pessoas idosas, que estão com mobilidade reduzida, com maior risco de quedas e, consequentemente, torções ou fraturas. “Não podemos pensar somente na saúde, mas também na estrutura das cidades. Temos calçadas super irregulares, não somos uma cidade amiga da pessoa idosa. Quanto mais áreas esse conhecimento abranger, para poder garantir a acessibilidade para as pessoas idosas, melhor”, declara Melissa.

 

É uma abordagem multidisciplinar, de acordo com Gustavo. “Os mesmos idosos passam por nutricionistas, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, fisioterapeutas. Aprendem em oficinas e atividades esse cuidados, de uma maneira integrativa, mais holística, do corpo como um todo em todas as suas dimensões”, descreve.

O projeto se divide em núcleos:

  • Corpo Mais: acontece no CEFD e trabalha atividades cardiovasculares com música, ginástica, capacidade aeróbica e cardiorrespiratória, exercícios de força, mobilidade e equilíbrio. Também tem o grupo de dança.

  • Cognito: grupo que trabalha a estimulação cognitiva, tanto na prevenção de demência quanto com pessoas que já têm a doença. Trabalha com atividades de memória, de reminiscência e de jogos. 

  • Pacto: projeto que se juntou ao Feliz(c)idade e que dedica atenção aos cuidadores de pessoas idosas, que muitas vezes também são idosos. Trabalha temáticas de cuidado, das doenças, mas também da saúde mental de quem cuida.

  • Mexe Coração: acontece na Antiga Reitoria da UFSM e trabalha com exercícios e atividades de educação em saúde, como cuidados, alimentação saudável e hábitos de vida.

  • Renascer: grupo de mulheres sobreviventes do câncer de mama. Também realiza atividades de promoção e educação em saúde, não apenas na relação com as consequências ou possíveis sequelas da doença, mas com atividades que ultrapassam essa dimensão: pilates, dança, atividades comemorativas, viagens e passeios. Na última Feira do Livro, por exemplo, o grupo esteve presente para conhecer as oficinas.

  • Villa Itagiba: atende um grupo de 60 homens, com atividades de educação em saúde e exercícios em grupo associados à ludicidade, como dançaterapia e artes.

Aividades na Vila Itagiba
Atividades do Grupo Cognito

2º FelizIdade

Evento realizado pelo projeto para o público idoso

Quando: 22 de novembro

Onde: Antiga Reitoria da UFSM

Grupos parceiros: Corpo Mais, Mexe Coração e Vila Itagiba

Apoio: SESC e Conselho Municipal do Idoso (COMID)

 

 I Encontro da RIEDE – Rede Internacional de Estudos em Dança e Envelhecimento

Quando: 28 de novembro

Onde: Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Parceiros: Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Expediente:

Reportagem: Samara Wobeto, jornalista

Fotografias: Divulgação

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No interior da região central do Rio Grande do Sul, açudes sempre foram parte da paisagem rural. Mas, por muito tempo, eles serviram principalmente como reserva de água ou para pescarias ocasionais. Agora, com o apoio do projeto ProgeAqua – Programa de Geração de Renda e Qualidade do Pescado, liderado pelo Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFSM, produtores rurais começam a descobrir um novo potencial nesses espaços: a criação de peixes como alternativa de renda e alimento saudável para as famílias. O ProgeAqua é um dos projetos selecionados pelo PROEXT-PG da Universidade e tem trabalhado na capacitação de produtores rurais que desejam transformar os açudes de suas propriedades em espaços produtivos.

Dois fatores decisivos: nutrição e qualidade da água

O professor Rafael Lazzari, coordenador da iniciativa, explica que a proposta é atuar diretamente na qualificação de uma atividade que ainda é muito incipiente na região.

 “Até agora, o modelo que tem se praticado aqui é antigo, das décadas de 1980 e 1990, baseado na criação de carpas. Hoje, porém, o grande foco do mercado é a tilápia, voltada à produção de filé.” A mudança, segundo ele, tem razões práticas e mercadológicas, já que a tilápia é muito bem aceita por não ter espinhos, o que torna seu consumo mais seguro e acessível para todos, inclusive para crianças e idosos.

A qualidade do filé e o sabor do peixe, explica Lazzari, são consequência direta das boas práticas de criação. Segundo ele, entre os principais fatores que influenciam o sabor estão a nutrição e a qualidade da água, aspectos que estão diretamente relacionados.

No caso da alimentação, os peixes podem receber ração específica ou se alimentar dos microrganismos presentes na água, como algas e fitoplâncton. O professor observa que a tilápia se destaca por conseguir aproveitar as duas fontes de alimento, tanto a ração quanto os microrganismos da água.

Essa característica, no entanto, exige atenção: o equilíbrio da dieta é fundamental. “Se a ração tiver nutrientes desequilibrados ou excesso de gordura, isso vai ser depositado no peixe. É como na nutrição humana: se o organismo gasta menos do que consome, acumula gordura. E essa gordura vai interferir na textura e, principalmente, no sabor e na aceitabilidade do filé.” Além do sabor, o excesso de gordura compromete a conservação. Alimentos com muita gordura, se conservados indevidamente, podem passar por processos de rancificação e deterioração.

Nos cursos, a equipe do ProgeAqua ensina manejo alimentar, orientando os produtores sobre número de refeições diárias, quantidade, cálculo de ração e melhores horários. O professor explica que o objetivo não é ensinar a formular ração — tarefa feita no grupo de pesquisa —, mas mostrar como manejar a alimentação para que o peixe cresça bem e tenha um filé de qualidade.

Outro fator determinante para o sabor do peixe é a qualidade da água. Ela está relacionada tanto ao que o peixe excreta quanto ao tipo de açude onde é criado. Lazzari explica que, quando o ambiente é muito barrento e com acúmulo de lodo, torna-se inadequado, pois há acúmulo de gases e risco de contaminação. Nessas condições, podem surgir bactérias que produzem substâncias absorvidas pela pele do peixe, deixando o sabor desagradável.

Nos cursos, os produtores aprendem a manejar a qualidade da água desde a construção do açude até o monitoramento dos parâmetros químicos. De acordo com o professor, todo o processo começa no cuidado com o solo, na adubação e no enchimento do açude. A cor da água é um indicador importante: águas muito verdes ou barrentas exigem ajustes. O produtor que domina esse manejo tende a ter melhores resultados.

Uma das formas de controle é por meio de equipamentos eletrônicos, que são mais caros. Outra possibilidade são kits simples de análise, parecidos com os usados em piscinas, que medem parâmetros como oxigênio, transparência, pH, alcalinidade e amônia. A partir dessas medições, é possível avaliar se o açude está adequado para a criação. Segundo Lazzari, se os produtores seguirem as recomendações técnicas, eles ganham em produtividade, renda e qualidade  dos peixes produzidos.

Do açude à mesa do cidadão

Os cursos do ProgeAqua usam fotos e exemplos práticos para mostrar os efeitos da má gestão. “A gente mostra, por exemplo, uma água muito verde, com excesso de algas, e explica que isso muda o sabor do filé, ou, quando o produtor coloca muita ração, o oxigênio cai e os peixes morrem. Mostramos as fotos e explicamos o porquê”.

O projeto busca fortalecer a piscicultura regional e ampliar a oferta de pescado saudável à comunidade. A proposta pretende ainda que haja envolvimento do poder público, com a expectativa de que as prefeituras incorporem o peixe local a programas como o Programa Nacional de Aquisição de Alimentos (PAA).

Lazzari ressalta a importância de políticas de incentivo, como leis municipais de apoio e ações de acompanhamento técnico. Alguns municípios já monitoram a qualidade da água e incluem o pescado regional na merenda escolar. Ele observa que o fortalecimento da piscicultura familiar depende desse tipo de apoio.

Mais do que um alimento com valor econômico e nutricional, o pesquisador também aponta novas possibilidades de uso do pescado: a tilápia desponta como fonte de inovação, com pesquisas que utilizam sua pele no tratamento de queimaduras e com perspectiva de uso no Sistema Único de Saúde (SUS).

Expediente:

Reportagem: Luciane Treulieb, jornalista

Design: Evandro Bertol, designer

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Na última quinta-feira (16), nove dos dez projetos contemplados no último edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG) se reuniram no auditório da Coordenadoria de Tecnologia Educacional (CTE) para apresentar e debater o andamento das ações extensionistas. Além disso, compartilharam desafios e potencialidades das atividades com as comunidades. Apenas o projeto ‘FelizIdade’ não conseguiu comparecer ao encontro.

A Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP) e presidente do Comitê Gestor do PROEXT-PG, Cristina Wayne Nogueira, realizou a abertura do evento ao lado do Pró-Reitor de Extensão (PRE), Flavi Ferreira Lisboa Filho. O Assistente Administrativo André dos Santos Leandro, da PRPGP, apresentou um relatório da execução orçamentária do Programa.

Cristina comenta que ficou muito impressionada com as apresentações dos dez projetos. “Demonstraram ação, demonstraram o envolvimento de alunos de graduação e pós-graduação. Foi muito bonito ver os resultados, os reflexos nas comunidades, nos diferentes territórios. Fiquei muito satisfeita com o que vi”, afirma.

Confira, a seguir, os principais destaques de cada um dos projetos

Memorar das Águas e da Resiliência Climática da Quarta Colônia - Memorar QC

Apresentado pelo professor Adriano Severo Figueiró, o projeto surge a partir dos incômodos causados pelos deslizamentos de terra e alagamentos provocados pelas enchentes de maio de 2024 e que tiveram início na região central do estado. O conceito da resiliência climática norteia as ações, que estão em desenvolvimento: de educação ambiental e governança do território, por meio de oficinas com escolas; de mapeamento de áreas de risco e de gerenciamento de recursos hídricos, por meio de visitas técnicas; e de conservação do patrimônio da paisagem, a partir da descoberta de novo Geossítio arqueológico Guarani no município de Dona Francisca. Nos próximos passos do projeto, estão a criação de uma cartilha para oportunizar o aprendizado de Resiliência Climática nas escolas, além da aquisição de dez totens digitais para exposição de material interpretativo sobre as mudanças climáticas, e que será exposto no Museu do Conhecimento da UFSM.


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Diagnóstico da aptidão agrícola das terras e fertilidade do solo em áreas agrícolas atingidas por desastres climáticos

O professor Gustavo Brunetto apresentou as ações do projeto realizado pelo Grupo de Estudos de Predição de Adubação e Potencial de Contaminação de Elementos em Solos (Gepaces-UFSM). O grupo realizou coletas de solo na região da Serra Gaúcha, em propriedades produtoras de frutas. A partir da análise das amostras, conseguiu definir as características do solo afetado pelas enchentes de 2024, que perdeu matéria orgânica e ganhou acidez. Além disso, o Grupo estabeleceu estratégias para a resolução destes problemas. Os resultados de pesquisa tiveram ampla divulgação na imprensa, desde veículos regionais até nacionais. Os próximos passos envolvem capacitação e treinamento dos técnicos e produtores, além de produção de soluções e materiais de divulgação científica.

 

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Time Enactus UFSM

Representado pela professora Débora Bobsin, o Time Enactus já realizou duas ações extensionistas: em 2024, aplicou o ‘Projeto Florescer’ na Escola Estadual Augusto Ruschi, voltado para a educação ambiental no ensino fundamental. Já neste ano, realizou a ‘Escolinha de Negócios’, promovendo a educação empreendedora para o ensino fundamental das escolas Escola Municipal Lourenço Dalla Corte, em Santa Maria, e para a Escola Municipal Dagoberto Barcelos, que fica em Caçapava do Sul. Estão em andamento mais duas ações extensionistas. Em Santa Maria, no bairro Passo das Tropas, a comunidade escolar da Escola

Municipal Pedro Kunz, formada por mães e alunos, recebem oficinas para geração de trabalho e renda. Já em Caçapava do Sul, no grupo Harmonia Preta, são feitas ações de estruturação do negócio social, como plano de negócios e auxílio na captação de recursos. Além disso, produtos editoriais, como cartilhas, estão em fase de finalização.

 

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Sumo Educacional

A mestranda Natali Morgana Cassola apresentou o andamento das ações do projeto Sumo Educacional, que leva educação financeira para espaços educativos, como as escolas. Já realizou formação de líderes, que tem a missão de levar o aprendizado para a sala de aula, aulas com jovens, testes de metodologias e jogos de forma interna e aplicação dos jogos nas escolas. Entre os próximos passos, estão a consolidação da metodologia própria, a ampliação da área de abrangência do projeto e o desenvolvimento da plataforma In-Sumo, que objetiva capacitar os professores, integrar elementos de gamificação na formação para o aprendizado e ampliar o impacto das ferramentas tanto para as e os estudantes quanto para suas famílias.

 

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Programa Integrado de Telessaúde: Resposta à Crise Climática no RS por meio da Parceria entre Programas de Pós-Graduação da UFSM

Apresentado pelo professor Gustavo Dotto, o projeto Telessaúde já está com o sistema de consultas online em funcionamento, com quase 300 atendimentos realizados de pelo menos cinco especialidades médicas. A meta, segundo Dotto, é alcançar 2000 atendimentos até 2026. O professor destacou que a implementação do projeto beneficia pacientes que moram em cidades vizinhas ou mesmo de regiões diferentes, uma vez que o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) é referência em saúde especializada no Sistema Único de Saúde (SUS). Também contribui para a diminuição da quantidade de pessoas que circulam no HUSM diariamente, o que beneficia o aspecto da biossegurança.

Estratégias e alternativas para o desenvolvimento regional sustentável

Desenvolvido na UFSM de Palmeira das Missões, o projeto pretende construir estratégias para o turismo rural em torno da produção de erva-mate. A professora Rosani Spanevello destacou as parcerias do projeto com entidades públicas, como a prefeitura, Conselho Municipal de Turismo, Secretaria da Agricultura e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), além da empresa Júnior do curso de Zootecnia. O projeto se insere nestes conselhos e ajuda a discutir estratégias e alternativas para o desenvolvimento regional sustentável. Já auxiliou na constituição da Associação dos Produtores de Erva-Mate de Palmeira das Missões (APEMPM), com capacitação na produção, projeto municipal de mudas e confecção da marca. Por meio da disciplina ‘Formação em Extensão na Pós-Graduação I’, que acontece neste semestre, mestrandos, doutorandos e parceiros visitam propriedades rurais produtoras da planta erva-mate para diagnóstico e análise das potencialidades turísticas. Também proporciona viagens de estudo de estudantes e produtores para conhecer outras associações e formas de comercialização. No próximo semestre, será ofertada a disciplina ‘Formação em Extensão na Pós-Graduação II’, que tem o objetivo de elaborar os roteiros turísticos da rota da erva-mate em Palmeira das Missões.

 

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Programa de Geração de Renda e qualidade do pescado (ProgeAqua)

 

As ações do ProgeAqua foram apresentadas pelo professor Rafael Lazzari. Este projeto foi contemplado também na primeira edição do PROEXT-PG na UFSM, em 2015. Entre as ações realizadas até o momento estão a definição dos municípios contemplados, a elaboração de materiais didáticos e os primeiros encontros com técnicos e produtores. As ações serão realizadas em Santa Maria, São Pedro do Sul, Jari, Quevedos, Cacequi, São Sepé, Novo Cabrais, São João do Polêsine, Nova Palma, Pinhal Grande, Dona Francisca, Nova Esperança do Sul, Tupaciretã, Silveira Martins e Júlio de Castilhos. Entre as dificuldades encontradas estão a mobilização dos produtores, a precariedade da área regional para a piscicultura, principalmente devido às chuvas e à realidade da catástrofe climática. As próximas ações envolvem palestras, visitas técnicas, acompanhamento de produtores e capacitações práticas, promovidas pela UFSM e parceiros, sobre temas relacionados à piscicultura, como legislação ambiental, sistemas de cultivo e instalações, qualidade da água, alimentação e doenças dos peixes, entre outros.

Coletivo FLUIR: territórios educativos intersetoriais de ações e políticas em defesa das crianças em contextos vulneráveis

O Coletivo Fluir foi representado pelos professores Fabiane Bridi, Taciana Segatt e Joe Bulsara. O projeto se insere em três escolas de Santa Maria para promover Territórios Educativos Intersetoriais (TEI), que buscam a valorização das infâncias em vulnerabilidade por meio da educação. Quinzenalmente, as equipes se deslocam até as escolas EMEI Montanha Russa, EMEF Chácara das Flores e EMEI Monte Bello e Lar de Joaquina. Também realizaram a disciplina de extensão, que busca capacitar professoras da educação infantil para a formação em metodologias de ensino a partir das realidades e vivências de cada escola. São quatro Territórios formados: o TEI 1, composto pelas crianças, famílias, escola e comunidade local; o TEI 2, que busca a formação da comunidade escolar (grupos compostos por professoras; monitoras e estagiárias; e colaboradores); o TEI 3, de gestão educacional e políticas públicas, e o TEI Andarilho, em que o Coletivo Fluir está em movimento. A partir de demandas da comunidade escolar, está em criação mais um braço do último TEI: o Território Fluir Comunidade, que dialoga com a Associação de Bairro Montanha Russa e busca construir saberes e experiências acadêmicas para a comunidade.

 

Instagram do projeto.

Comunicação de proximidade: memória, resiliência e adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais na Quarta Colônia

A professora Aline Dalmolin apresentou as ações do projeto ‘Comunicação de Proximidade: memória, resiliência e adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais na Quarta Colônia’. O projeto se constitui em três eixos: 1- Cartografia da malha de comunicação de proximidade da Quarta Colônia e ações para superação de seus vazios de notícias; 2 – Fortalecimento do sistema de alerta e protocolos comunicacionais dos municípios da Quarta Colônia em situação de risco climático; e 3 – Desenvolvimento de ações em Educomunicação para o combate à desinformação climática. No ano passado, foram iniciadas as conversas com o poder público dos nove municípios para estabelecer parcerias. Também foram feitas oficinas de educomunicação em escolas da região, além do mapeamento dos veículos e comunicadores populares que compõem a cartografia da malha de comunicação. Em 2025, o foco foi a continuidade do andamento destas atividades, além da realização de 29 entrevistas em profundidade, feitas para mapear os impactos da catástrofe climática de 2024 em gestores, moradores e veículos de comunicação. Foram feitos dois grupos de  discussão acerca dos protocolos. Entre os próximos passos, estão a capacitação de comunicadores e  entrega dos produtos, como policy papers, oficinas em escolas, plano de comunicação para a malha de comunicação de proximidade, criação da identidade visual e sonora, série de podcasts; dois  videodocumentários, entre outros.

 

Instagram do projeto.

Reportagem e fotografias: Samara Wobeto, jornalista.

Edição: Luciane Treulieb, jornalista.

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Além do Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/10/14/ii-forum-de-extensao-da-pos-graduacao-vai-apresentar-andamento-dos-projetos-contemplados-no-edital-proext-pg Tue, 14 Oct 2025 15:13:15 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=377

Nesta quinta-feira, 16, acontece o II Fórum de Extensão da Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Maria.  O evento objetiva apresentar e acompanhar as ações dos dez projetos contemplados no último edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG). 

Flavi Ferreira Lisboa Filho, Pró-Reitor de Extensão e membro do Comitê Gestor do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG), afirma que o evento vai permitir o compartilhamento de experiências, a avaliação coletiva dos resultados dos projetos até aqui e a construção de estratégias conjuntas para aprimorar as ações. “É o principal espaço de acompanhamento, troca e reflexão sobre o Programa”, afirma. 

Um dos objetivos do encontro é o acompanhamento das ações dos dez projetos que foram selecionados em 2024 pelo edital. Cristina Wayne Nogueira, pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP) e presidente do Comitê Gestor, é a responsável pela execução financeira do projeto, o que lhe permite acompanhar de perto o andamento das ações. Ainda assim, ela admite ter curiosidade em conhecer mais detalhadamente os resultados alcançados por cada iniciativa.  

Além do acompanhamento da execução orçamentária, o Comitê Gestor também segue os projetos por meio da divulgação científica e dos relatórios técnicos, cuja primeira entrega será realizada no final deste ano. Por isso, para Cristina, o Fórum é um momento importante para conversar com os coordenadores dos projetos para entender quais são as principais dificuldades e como elas podem ser resolvidas.  

Para Flavi, as expectativas com os projetos são positivas. “O acompanhamento realizado até o momento evidencia processos de transformação social relevantes nas comunidades envolvidas. Os projetos contam com financiamento dedicado, equipes interdisciplinares e a participação de diversos estudantes de pós-graduação, o que potencializa o alcance das ações”, explica. O professor ainda reitera que espera que os projetos contribuam na aproximação das pesquisas de pós-graduação com os territórios. “Esperamos nos aproximar das demandas reais dos territórios e comunidades, fortalecendo o compromisso social e o papel transformador da universidade pública”, declara.

Extensão na pós-graduação para transbordar a pesquisa para as comunidades

No I Fórum de Extensão, realizado no ano passado, o foco estava em tirar dúvidas sobre a realização dos projetos, que ainda estavam em fase de seleção. Segundo Cristina, ainda há um aspecto que diferencia a extensão na graduação – que envolve principalmente a curricularização -, e na pós-graduação. A pesquisa deve transbordar a universidade: “É o projeto [do PROEXT-PG] que tem que sair da instituição e impactar a sociedade”, afirma a pró-reitora. Esta também é uma demanda da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal (CAPES) em relação aos critérios de avaliação dos programas de pós-graduação e de aplicação de recursos financeiros. “Também tem esse objetivo. Que os programas gerem conhecimento, gerem ciência, contribuam na formação de pessoal especializado, mas que também impactem a sociedade”, reflete Cristina.


Para ela, no entanto, para que se faça extensão e inovação, é preciso ter geração de conhecimento científico. “A geração do conhecimento é a base. Se não tiver a geração do conhecimento, a gente não tem o que transbordar, né?”, destaca. Ela cita como exemplos a resposta rápida no sequenciamento e elaboração de vacinas para a Covid-19 e as soluções para o enfrentamento das consequências das enchentes no estado. “Por que tivemos soluções tão rapidamente? Porque existia um acumulado de conhecimento. Se não tivermos isso, não tem como impactar a sociedade. Então, precisa gerar o conhecimento para que se possa ter a extensão e, obviamente, a inovação”, finaliza. Para Flavi, a extensão na pós-graduação reafirma a função social da universidade como resposta a problemas e demandas sociais. “Assim, a extensão na pós-graduação consolida um movimento de integração entre ciência, formação e transformação social, fortalecendo o compromisso público da UFSM e de seus programas de pós-graduação”, reitera.


Simoni Bueno Câmara, pós-doutoranda vinculada ao programa PROEXT-PG na UFSM, afirma que o acompanhamento dos projetos é feito principalmente por meio da divulgação das ações nos meios de comunicação. Ela conta que está ansiosa para o Fórum de Extensão, e que espera muita troca e aprendizado com os grupos dos projetos. “Também vamos ter evidências do potencial da extensão para fomentar as atividades para as comunidades se desenvolverem, os diferentes atores que atendemos, com quem trabalhamos”, afirma. A pesquisadora tem a expectativa de que o Fórum proporcione mais ideias e motivação para a continuidade das ações.

Sobre o II Fórum de Extensão

Data: 16/10/2025

Horário: das 9h às 12h

Local: Auditório da Coordenadoria de Tecnologia Educacional – CTE, prédio 14

(será disponibilizada a participação via Google Meet para inscritos de outros campi).

Inscrições: Por meio do formulário.

Programação

9 h – Mesa de abertura: PROEXT-PG UFSM Além do Arco: execução e perspectivas, com Prof.ª Dr.ª Cristina Wayne – PRPGP, Prof. Dr. Flavi Ferreira Lisboa Filho – PRE e Assistente Administrativo André dos Santos Leandro – PRPGP

9h 20 min. – Apoio institucional para divulgação de projetos – Aluata, com a jornalista Samara Wobeto

9h 30 min. – Apresentações dos projetos PROEXT-PG Além do Arco 

1 – Estratégias e alternativas para o desenvolvimento regional sustentável

2 – Diagnóstico da aptidão agrícola das terras e fertilidade do solo em áreas agrícolas atingidas por desastres climáticos

3 – Sumo Educacional

4- Comunicação de proximidade: memória, resiliência e adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais na Quarta Colônia

5 – Memorar QC – Memorial das águas e resiliência climática da Quarta Colônia

6 – Time Enactus UFSM

7 – FELIZ(C)IDADE: Corpo MAIS no Cuidado e na promoção do Envelhecimento saudável

8 – Coletivo FLUIR: territórios educativos intersetoriais de ações e políticas em defesa das crianças em contextos vulneráveis

9 – Programa de Geração de Renda e qualidade do pescado (Progeaqua)

10 – Programa Integrado de Telessaúde: Resposta à Crise Climática no RS por meio da Parceria entre  Programas de Pós-Graduação da UFSM 

 

Reportagem: Samara Wobeto, jornalista.

Edição: Luciane Treulieb, jornalista

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Com o objetivo de apresentar e acompanhar as ações dos dez projetos contemplados no último edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG), acontece, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o II Fórum de Extensão na Pós-Graduação. O evento será no dia 16 de outubro, no auditório da Coordenadoria de Tecnologia Educacional – CTE. As inscrições para o evento podem ser realizadas por meio deste formulário.

Sobre o evento

Data: 16 de outubro de 2025

Horário: das 9h às 12h

Local: Auditório da Coordenadoria de Tecnologia Educacional – CTE, prédio 14

(Será disponibilizado Meet para inscritos de outros Campi).

Programação

  • 9 h – Mesa de abertura: PROEXT-PG UFSM Além do Arco: execução e perspectivas, com Prof.ª Dr.ª Cristina Wayne – PRPGP, Prof. Dr. Flavi Ferreira Lisboa Filho – PRE e Assistente Administrativo André dos Santos Leandro – PRPGP


  • 9h 20 min. – Apoio institucional para divulgação de projetos – Aluata, com a jornalista Samara Wobeto


  • 9h 30 min. – Apresentações dos projetos PROEXT-PG Além do Arco 


1 – Estratégias e alternativas para o desenvolvimento regional sustentável


2 – Diagnóstico da aptidão agrícola das terras e fertilidade do solo em áreas agrícolas atingidas por desastres climáticos

3 – Sumo Educacional

4- Comunicação de proximidade: memória, resiliência e adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais na Quarta Colônia

5 – Memorar QC – Memorial das águas e resiliência climática da Quarta Colônia

6 – Time Enactus UFSM

7 – FELIZ(C)IDADE: Corpo MAIS no Cuidado e na promoção do Envelhecimento saudável

8 – Coletivo FLUIR: territórios educativos intersetoriais de ações e políticas em defesa das crianças em contextos vulneráveis

9 – Programa de Geração de Renda e qualidade do pescado (Progeaqua)

10 – Programa Integrado de Telessaúde: Resposta à Crise Climática no RS por meio da Parceria entre  Programas de Pós-Graduação da UFSM 

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As enchentes de maio de 2024 provocaram erosões e deslizamentos que comprometeram a produção agrícola da Serra Gaúcha. Um levantamento coordenado pelo professor Gustavo Brunetto, do Departamento de Solos da UFSM, mostrou que o solo perdeu cerca de 85% da matéria orgânica — recuperação que pode levar de 14 a 40 anos.

A partir desse diagnóstico, o projeto revelou a dimensão do problema e passou a orientar soluções de manejo viáveis para recuperar áreas degradadas e preparar a terra para resistir a eventos extremos cada vez mais frequentes. 

 

Manejo em condições adversas

Segundo Brunetto, o primeiro passo para recuperar áreas degradadas deve ser avaliar o solo. Mas essa não é a solução definitiva: a proteção contínua é o que garante resultados duradouros.
“Você tem que proteger o solo para que, se no futuro chover de novo com aquela intensidade, menos terra seja perdida”, explica o pesquisador. Para isso, ele recomenda a adoção de técnicas de conservação.

Uma das principais estratégias é o uso de plantas de cobertura. Elas podem ser espécies nativas ou cultivadas e devem ser semeadas entre linhas de videiras e pessegueiros. Essas plantas formam uma camada que protege contra a erosão, melhora a estrutura do solo e contribui para a ciclagem de nutrientes.
“Elas absorvem nutrientes, crescem, completam o ciclo e depois retornam para o solo, enriquecendo-o”, explica Brunetto.

Ele compara a técnica a um pão coberto por nata:
“A nata seria a planta de cobertura. Ela não só está protegendo o solo, mas também repondo matéria orgânica, que foi perdida.”

Entre as espécies indicadas estão aveia, azevém e trevo, cultivadas justamente no período de maior intensidade de chuvas, de abril a setembro. O pesquisador lembra que o Sul do Brasil é referência no uso dessas técnicas, mas parte dos produtores havia abandonado a prática.
“É uma oportunidade de retomar esse conhecimento antigo, que já foi muito pesquisado na região e tem eficácia comprovada”, afirma.

Outro ponto destacado é que a revegetação ocorre naturalmente: uma vez semeada, parte das sementes permanece no solo e germina nos anos seguintes. Por isso, a recomendação é evitar químicos que eliminem essas espécies, preservando o ciclo de ressemeadura.

Outra estratégia defendida pela equipe é o uso de resíduos orgânicos, como esterco de animais, dejetos de aves e suínos, restos vegetais e composto orgânico. Esses materiais ajudam a repor o carbono perdido com as enchentes, melhorando a estrutura física e a fertilidade do solo.
“Mais carbono no solo significa menos CO₂ na atmosfera, que é um dos problemas do efeito estufa, além de mais nutrientes para as plantas”, explica Brunetto.

Como muitos agricultores já têm esse tipo de resíduo em suas propriedades, a prática também pode ser uma alternativa de baixo custo em comparação ao uso exclusivo de adubos minerais. A recomendação é que o material orgânico seja analisado para evitar excesso de nutrientes, ou que sejam seguidas as orientações de manuais técnicos regionais.

Terraços construídos na Serra Gaúcha como estratégia de proteção do solo

Em áreas de encosta, a construção de terraços também pode ser determinante. Eles funcionam como degraus que reduzem a velocidade da água e diminuem as perdas de solo e de nutrientes. Embora o investimento inicial seja mais alto, pela necessidade de maquinário, a prática pode evitar prejuízos maiores no futuro.

Experiência no campo

O agricultor Fabiano Orsatto, associado à Cooperativa Vinícola Aurora, já utilizava plantas de cobertura e, após as enchentes, passou a testar espécies de ciclo mais tardio para ampliar o período de proteção.
“Onde as plantas estavam bem formadas e o solo estava protegido, ocorreram menos danos. Quanto mais protegido o solo, melhor para manutenção do mesmo.”

Apesar dos custos com sementes e reconstrução de áreas atingidas, ele aposta na eficácia da estratégia:
“O investimento inicial valeu a pena.”

Já o produtor Emerson Cimadon adotou a cobertura verde no início dos anos 2000, quando mecanizou os vinhedos. Desde então, observa benefícios como menor erosão, maior infiltração de água e até a volta de insetos que auxiliam no controle natural de pragas.
“Com o tempo, vimos a volta de insetos que ajudam no controle natural de pragas.”

Ele acrescenta que a palhada seca formada após o ciclo das plantas continua protegendo os parreirais no verão, aumentando a eficiência do manejo.

Preparar hoje para resistir amanhã

Brunetto destaca que a construção de soluções é sempre feita em parceria com agricultores e técnicos da extensão rural.
“O que conquistamos foi confiança. Sempre retornamos os resultados das pesquisas e mostramos como podem ser aplicados no campo. Ajudamos o produtor a melhorar seu cenário, muitas vezes com baixo custo, mas com retorno em produtividade e lucro”, afirma.

O pesquisador lembra ainda que o conhecimento científico precisa sair da universidade e chegar de fato ao campo, para não perder relevância.
“Não adianta termos o melhor conhecimento dentro da academia se ele não chega ao produtor. Para o agricultor, a prática precisa ser eficiente e lucrativa”, pontua.

Essa relação de confiança também é percebida pelos agricultores.
“As orientações da equipe ajudam nas decisões de manejo que tomamos na propriedade”, conta Fabiano Orsatto.
“Quanto mais orientações técnicas tivermos, mais chances teremos de proteger o solo no futuro”, acrescenta Emerson Cimadon.

Repercussão nacional

A pesquisa também repercutiu fortemente fora do meio acadêmico. Segundo Brunetto, os resultados chegaram até jornais do Sudeste e do Nordeste do Brasil. O dado que mais chamou atenção foi o cálculo de que a recuperação dos solos poderia levar até 40 anos.
“Esse número deu um ‘boom’, porque é fácil de compreender a gravidade da situação”, lembra o professor.

Para ele, a ampla cobertura midiática demonstra a relevância do trabalho, que uniu diagnóstico e soluções práticas.
“Esse foi o projeto científico de maior visibilidade da minha carreira, porque mostrou que a universidade pode contribuir de forma direta para recuperar solos degradados e preparar os agricultores para enfrentar novos desafios climáticos.”

Evento em Bento Gonçalves

No início de setembro, a equipe da UFSM esteve em Bento Gonçalves, em parceria com a Cooperativa Vinícola Aurora, para apresentar os resultados preliminares. O encontro reuniu técnicos e agricultores que tiveram perdas de solo com as enchentes.

A programação foi dividida em duas etapas: primeiro, a apresentação dos dados levantados nas propriedades; depois, a discussão sobre alternativas para recuperar os solos e se preparar para novos eventos climáticos extremos.

Para Brunetto, a mensagem central é de prevenção: “Sabemos que eventos de chuva intensa vão se repetir em intervalos cada vez menores. Se os agricultores mantiverem o solo protegido com plantas de cobertura, reforçado com resíduos orgânicos e manejado com terraços, os danos serão menores. É um investimento feito hoje para reduzir as perdas de amanhã.”

Reportagem: Luciane Treulieb, jornalista
Fotografias disponibilizadas pelo projeto

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Diante das enchentes de maio de 2024, um grupo de professores e estudantes vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação (Poscom) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) percebeu a necessidade de realizar ações de extensão em comunicação. A primeira iniciativa foi a coleta de pilhas e rádios para distribuição às famílias afetadas pelas chuvas na Quarta Colônia. A partir daí, a proposta evoluiu com a criação de um projeto contemplado pelo edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG). 

 

Assim surgiu o projeto ‘Comunicação de proximidade: memória, resiliência e adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais na Quarta Colônia’, coordenado pela professora Aline Roes Dalmolin, do Poscom da UFSM. A docente destaca que o objetivo principal é reconhecer o ecossistema de comunicação que já existe nos nove municípios da região, formado por comunicadores populares profissionais (das rádios comunitárias), de agentes institucionais (como a Defesa Civil e prefeituras) e mesmo agentes comunitários (vinculados a igrejas, comunidade escolar, associações, sindicatos e cooperativas).

Equipe do projeto em atividades na Quarta Colônia.

O levantamento ocorre por meio de uma cartografia de mídias tradicionais e digitais, perfis institucionais e grupos em redes sociais. “Proporciona um panorama sobre como se dá a comunicação dentro desses espaços. Dentro do escopo das mídias tradicionais, identificamos a presença de jornais e emissoras de rádio situadas nestes espaços, bem como a presença de antenas retransmissoras ou cobertura de canais de televisão”, explica Aline. Já em relação às mídias digitais, a professora ressalta que foram mapeados vários perfis em redes sociais, sites e grupos de WhatsApp e que tiveram papel importante na comunicação comunitária durante as enchentes. Atualmente, o projeto está na fase de consolidação da coleta e fechamento dos dados da pesquisa. Os primeiros resultados do levantamento dos veículos de comunicação da Quarta Colônia foram publicados no capítulo 8 do livro ‘Jornalismo e Desenvolvimento’, disponível neste link.

Coleta dos dados

Phillip Gripp é jornalista e pesquisador no projeto ‘Comunicação de Proximidade’. Ele é bolsista de pós-doutorado vinculado a um dos projetos parceiros, o ‘Territórios Conectados pela Sororidade’. Gripp explica que a coleta dos dados de pesquisa ocorre de duas maneiras: a primeira é, justamente, o mapeamento da malha de comunicação da Quarta Colônia. “Consiste em identificar os meios de comunicação e a atuação de profissionais da área nestas cidades. Estamos fazendo um levantamento para descobrir onde as pessoas buscam informações sobre os acontecimentos do território”, detalha Phillip. 

A segunda forma de coleta é realizada por meio de entrevistas com moradores da região, como agricultores, gestores da administração pública, professores, entre outros. A intenção é produzir diferentes materiais midiáticos de divulgação da pesquisa. “Também temos esse teor qualitativo, de entendermos, a partir das entrevistas, como se deu a atuação dessas pessoas e qual foi o impacto das enchentes”, afirma.

A recepção da comunidade ao projeto tem sido positiva, destaca Camila Rodrigues Pereira, publicitária e pós-doutoranda em outro dos projetos parceiros, o ‘Governança e  multidimensionalidade dos riscos climáticos: abordagem multidisciplinar em  Comunicação de proximidade, Interpretação geopatrimonial e Economia Ecológica  aplicada aos Geoparques Unesco no Rio Grande do Sul’. Para ela, isso se deve ao fato de o projeto abordar temas importantes para a comunidade, como memória, adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais. “São questões que estão muito próximas e que os afetaram recentemente”, observa Camila.

Comunicação em contextos de crise

Para Aline Dalmolin, coordenadora do projeto ‘Comunicação de Proximidade’, refletir sobre como a comunicação acontece em contextos de crise climática é fundamental. “Ela está na essência e serve como base para qualquer das ações que pretendemos desenvolver”, enfatiza. A pesquisadora destaca que, no caso da Quarta Colônia – uma das primeiras regiões atingidas pelas chuvas de 2024-, a população vivenciou a crise climática de uma forma muito intensa, e as respostas também tiveram que ser imediatas, inclusive na comunicação. 

“Foram várias comunidades desalojadas, pessoas que tiveram sua mobilidade extremamente reduzida, falta de alimento, falta de luz, várias dimensões da escassez, e algumas delas, inclusive, infelizmente, chegaram a perder a vida. Nesse sentido, a comunicação conduz respostas imediatas aos eventos extremos”, ilustra Aline. Exemplos são a emissão de alertas, atualização de informações checadas e apuradas – inclusive como resposta à propagação de desinformações e fatos desencontrados, o que é bem comum em situações de crise.

Além disso, para a pesquisadora, a comunicação também tem papel central na conscientização da população sobre os fenômenos ambientais, por que eles acontecem e como impactam as comunidades. “Nosso projeto envolve essas duas dimensões e está estruturado em três eixos: o primeiro dedicado ao mapeamento, o segundo voltando à prevenção de eventos climáticos – buscando formas de mobilizar melhor as comunidades para responder a situações semelhantes no futuro- e o terceiro eixo centrado na educomunicação, preparando as novas gerações para compreender essas mudanças.”

O projeto na comunidade

Para Camila, o desafio do projeto está na complexidade do campo de pesquisa. São nove municípios, com características, histórias e memórias distintas, o que se reflete nos impactos provocados pelas chuvas de 2024. “Embora a memória dessas comunidades se entrelace, ao dialogar e ouvir as pessoas de  cada município, surge sempre a vontade de aprofundar ainda mais as conversas”, destaca.

Em 2024, o projeto atuou por meio da educomunicação, com oficinas de fotografia, desinformação climática, audiovisual e mapas conceituais para três escolas, localizadas em Agudo e Nova Palma (fase 1). No primeiro semestre de 2025, foram realizados grupos de discussão para tratar de temas relacionados à comunicação do território e para elaborar protocolos para a constituição da malha de Comunicação de Proximidade da região (fase 2).

Neste semestre, os projetos estão atuando na capacitação de comunicadores locais e no fortalecimento dos agentes da malha de comunicação de proximidade (fase 3). De maneira concomitante, também em 2025 são desenvolvidos produtos editoriais e ações de educomunicação, que envolvem as entrevistas com moradores (fase 4), e que seguem até julho de 2026. Por fim, de junho a julho de 2026, o projeto será finalizado, com entrega dos produtos, seminários e elaboração do relatório final.

Entre os produtos previstos, está a elaboração de policy papers junto à comunidade, que consistem em propostas para aperfeiçoar os protocolos. “É importante para que as comunidades possam transformar essas práticas de prevenção e de comunicação de resiliência climática em políticas públicas”, destaca Aline.

Mapas conceituais produzidos nas oficinas com escolas.
Gravação de entrevistas com moradores.

Expediente:

Reportagem: Samara Wobeto, jornalista

Edição: Luciane Treulieb, jornalista

Fotos: Divulgação

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